quarta-feira, 22 de julho de 2020

Review: Mindforce - Excalibur LP 4ª Press (Triple B Records)


A propósito da 4ª press do Excalibur que acabou de sair, acho que está mais que na altura de voltar a falar de Mindforce. 4ª press num LP de hardcore é coisa para chamar a atenção - 2000 cópias vendidas (divididas pelas três primeiras), e agora esta (suposta) última press de 1000 unidades. E que eu saiba a banda nem é propriamente vítima de um qualquer hype manhoso. Não que não o tenhamos tentado criar por aqui, não é verdade? Algo certo há de estar a acontecer.

Esta 4ª press traz umas alterações no artwork e ainda um flexi de oferta com uma faixa bónus que foi gravada na mesma sessão do LP mas que ficou de fora.
Ativos desde 2016 e vindos de Poughkeepsie, Nova Iorque, têm na bagagem uma demo, um 7”, um split com Dead Heat e dois LPs: o atrás mencionado, de 2018, que virou já clássico e o último já este ano, amplamente falado no Podcast.

O vocalista é um Lo-Head que tem como inspiração rappers como Sean Price, Ghostface Killah ou a rapaziada da Griselda Records (don’t sleep!) quando escreve, mas onde, quer no conteúdo quer na cadência, não cai no cliché do rap core/rap metal, onde geralmente há mais azeite a temperar que num prato típico de culinária mediterrânica. Isto é NYHC com escola - não se deixem enganar.

E na secção rítmica temos o que? Uma fina seleção de riffs gourmet inspirados no melhor thrash metal dos anos 80. Mas também aqui conseguem soar sempre frescos, sem aquele odor bafiento que muitas outras bandas já parecem trazer agarrado à nascença (ou que rapidamente se nota ao fim da 3ª música). Não pareces estar a ouvir o mesmo riff reciclado, ou com as notas trocadas. Escola? Escola. Skill? Skill.

Crossover à NY é etiqueta de centenas de bandas, mas quantas realmente vale a pena escutar? Cro-Mags e Leeway viraram moda, mas quantas bandas conseguem ser interessantes o suficiente para pores os clássicos de lado e prestares atenção aos miúdos novos? Mindforce é New York Hardcore do novo milénio, cheio de ginga (isto é boa tradução para groove, certo?), atitude, riffs, bons concertos (obrigado Youtube) e boas mosh parts.

Das “novas” bandas que nunca vi ao vivo que me fariam voar até uma qualquer cidade europeia. COVID baza rápido, ok?

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