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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Darby Responde #8 - Converge

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Olá malta! Tudo bem? Acabei agora de ver aquele vídeo com o mano de Converge e estou bué inspirado - daí ter decidido mandar uma "carta" com um pequeno desabafo! Olhando para a discografia de Converge não há como negar que eles são uma das mais prolíficas bandas de hardcore dos últimos tempos. Eu já os acompanho há um par de anos, tendo inclusive a oportunidade de os ver ao vivo em Bilbao numa das tours mais recentes. Foi demasiado bom. O Jake é um dos melhores frontmans que aí andam. A forma como ele se deixa envolver pela música e expressa os sentimentos através da agressividade do som é um espectáculo digno de se ver. O som parece que melhora de disco para disco, ficando mais e mais desafiante para o ouvinte - difícil de descrever em palavras. Isto, claro, sem ir à genialidade que são os artworks e a mística em volta da Deathwish. Não tenho problemas nenhuns em afimar que os Converge são uma das principais razões que me fazem ser do hardcore e gostava de os ver referenciados mais vezes no blog.

Paulo Lopes - Sintra

Olá Paulo,

Os Converge não são uma banda de hardcore.

Darby

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Darby Responde #7 - Bandas do género

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Comé malta? Tudo numa boa? Comecei a ir a concertos à pouco tempo e o vosso blog tem-me ajudado a descobrir e conhecer bandas novas, muito obrigado por isso! Eu conheço algumas bandas como Madball, Agnostic Front, Hatebreed, Terror e Sick of it All mas gostava de começar a perceber mais da história do hardcore e conhecer outras bandas deste género. O que é que me podem recomendar? 

Antes de ir, queria só dizer que gosto imenso da rubrica do vocalista de For The Glory (acho que é o vocalista) - que histórias brutais. Por acaso ainda não tive hipótese de os ver ao vivo, mas estou à espera que voltem cá ao norte para o fazer. Continuem fortes! Abraço.

Filipe Ambrósio Cunha - Marco de Canaveses

Olá Filipe! Obrigado pela tua carta - pelo andar da carruagem vamos mudar o nome da secção para Cartas do Norte, uma vez que parece que a maioria vem daí de cima! Mas na boa, claro. Hardcore é hardcore, seja norte, sul ou centro. Bandas desse género... bom, a maioria das bandas que aí tens tocam aquilo que é mais vulgarmente conhecido como New York Hardcore (Madball, Agnostic Front e Sick of it All) - se curtes essa onda procura discos de bandas como os H2O, os 25 ta Life, os Crown of Thornz ou mesmo os District 9 ou os Vision of Disorder. Nova Iorque tem algumas das melhores que surgiram no hardcore dos anos 90 de modo que se fores de banda em banda decerto que vais encontrar outras que vais curtir. Se te interessar algo mais antigo, procura os Cro-Mags e os Leeway - também de Nova Iorque - que acho que vão ser do teu agrado. 

Quanto a Hatebreed, não há assim nada como eles - principalmente desde que começaram a misturar aquelas produções XPTO com riffs metaleiros. Se não conheceres, arranja o primeiro LP deles, que é um dos discos de hardcore mais pesados que eu conheço. Os Terror também são meio únicos, mas tenta No Warning, que são da mesma altura e - na minha opinião - ligeiramente diferentes, para melhor. Para além deles, confere também os No Turning Back da Holanda, que é granda som. A melhor forma de ires descobrindo é mesmo comprando os discos e ires lendo nos agradecimentos do booklet a quem é que as bandas agradecem - quase todos começámos por aí!

Abraços e obrigado pelas palavras em relação à coluna do Congotronix, aposto que ele vai curtir de saber. 

Darby

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Darby Responde #6 - Usar tampões nos concertos

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Boas malta da pesada, está tudo? Estou-vos aqui a escrever de Vila Real e tenho uma perguntinha pequena para vos fazer. É o seguinte: eu tenho um amigo, o Joca, com quem costumo ir a concertos. Já fomos a N concertos ao Porto e a Viana do Castelo, alguns até a Lisboa ou Vigo. Desta última vez que fomos ao Porto ver um concerto, levei uns tampões para os ouvidos que me deram numa rave a que fui (mas eu gosto mais de guitarras, aquele ambiente não é para mim) e decidi usá-los naquela, porque não? Mal não ia fazer. O Joca começou-se a rir e passou a noite a gozar comigo, a dizer que parecia uma menina e que não tinha andamento para um concerto de homem, etc. Achei a cena dele um bocado burra, mas depois fiquei na dúvida, uma vez que não vi quase ninguém a usar protecção. O que é que vocês acham?

Um abraço nortenho.

Ricardo Nunes - Vila Real

Olá Ricardo! Por aqui está tudo bem, obrigado por perguntares. Epá, em relação à tua mensagem só te posso dizer uma coisa: esse teu amigo Joca precisa é que lhe lavem o cérebro com sabão azul para ver se deixa de ser parvo e ignorante. Independentemente de seres o único miúdo na sala com tampões ou não, NUNCA deixes de os usar, principalmente se - como eu - fores a muitos concertos. A tua audição é mais importante que a paleta e entre surdez precoce e tinnitus acho que vais preferir andar com as esponjas nos ouvidos, até porque filtra o som muito melhor e não papas com a distorção.

Eu digo-te honestamente que uso SEMPRE os tampões e estou-me bem nas tintas para a paleta que manda. Até te digo que se não houver tampões (ou me esquecer deles), pego em papel (guardanapo ou papel higiénico), molho um bocadinho com saliva e moldo uns improvisados. Felizmente isso não acontece muitas vezes, já que ainda uso os mesmos que o Hermano me deu há muitos anos atrás. Grande prop para ele e para a mãe dele por esta safa. Se te voltarem a dizer alguma coisa por causa de usares tampões, responde só que quando tiveres cinquenta anos queres conseguir apreciar música da mesma forma que agora. A tua saúde vem antes da opinião dos outros, não te esqueças disso.

Darby

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Darby Responde #5 - Machine Head

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Como é pessoal, tudo bem? O meu nome é Carlos e estou-vos a escrever desde a Póvoa do Varzim. Aposto que estão sempre a ouvir isto, mas parabéns pela iniciativa e esforço, é bom haver alguém que se mexa para fazer a nossa cena mexer. Eu mesmo faço uma pequena fanzine/newsletter que costumo distribuir nos concertos a que vou (não muitos, infelizmente). Gostei principalmente da nova coluna sobre as receitas, nunca tinha associado hardcore a comida e achei mesmo brutal.

Estou-vos a escrever para desabafar um pouco. Já há muito tempo que oiço hardcore e metal - são os dois estilos que mais oiço. Como sei que vocês partilham do mesmo gosto que eu, queria saber se concordam que os dois primeiros discos de Machine Head são largamente underrated (à falta de palavra melhor) e, pior ainda, copiados. Sou fã deles desde o fim dos anos 90 e mesmo desde essa altura que o acho, uma vez que poucos amigos pareciam sentir por eles o mesmo que eles. Mais que uma resposta, procuro a vossa opinião para ver se estou maluco ou não. Obrigado mais uma vez pela iniciativa e continuem o bom trabalho!

Carlos Jorge Azevedo - Póvoa do Varzim

Olá Carlos! Ainda bem que tens curtido daquilo que estamos a fazer, nunca é demais receber bom feedback. Parabéns pela zine, era bem fixe se nos pudesses mandar uma cópia para podermos devorar. Não há nada como uma zine fresquinha em português para nos deixar bem molhadinhos, sabes bem! Espero que continues com isso e, se precisares de ajudar a promover, já sabes que podes contar connosco. Em relação às receitas, fico contente por teres gostado. Os miúdos do blog fazem um esforço tremendo para o manter e nós achámos que não ia fazer mal nenhum colaborar com eles. Afinal de contas, ser vegetariano é bem mais hardcore do que comer carne!

Quanto a Machine Head... bom, eu não o teria dito melhor. Ainda me lembro da primeira vez que o vi o clip da Davidian (com os cães e o cabelo comprido... tão pesado) naquele programa da MTV que tinha uma loiraça nórdica bem tesuda, sabes? Foi amor à primeira audição. Curiosamente, a parte do fim dessa malha já foi roubada um bom colhão de vezes por bandas de "metalcore" ou "beatdown". Descanso à minha cabeça por favor, é que não há paciência! Mas sim, ainda que peculiar, todo o disco é brutal e bem variado. O segundo também, nem é preciso mencionar a Ten Ton Hammer, ou é? Que jardância mais filha da puta. Concordo que haja pouca gente que os tenha na lista de bandas top (mesmo antes de sair aquele disco com a cover de Police já era assim), mas acho que não há nada a fazer em relação. Real recognise real, certo? Bons headbangs! Let freedom ring with a shotgun blast!

Darby

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Darby Responde #4 - Opiniões

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Olá pessoal! O meu nome é Filipa e comecei a ler o vosso blog há pouco tempo, por indicação de um amigo. Antes de mais quero dar-vos os parabéns pela iniciativa que, a meu ver, foi como que uma lufada de ar fresco no meio da cena hardcore. Apesar de gostar imenso dos artigos que vocês publicam (principalmente as entrevistas!), houve uma coisa que não pude deixar de reparar: a forma ligeiramente tendenciosa como abrangem alguns temas. Claro que toda a gente tem uma opinião (e o direito a ela!), mas não acham que deviam ser mais flexíveis nas vossas opiniões, de forma a serem menos parciais na mensagem que passam? Espero que não levem a mal o meu e-mail. Continuem o bom trabalho! :)

Filipa Mariano - Estoril

Olá Filipa,

Obrigado pelo teu e-mail e palavras simpáticas. Ficamos mais do que contentes por saber que nos achas uma lufada de ar fresco e nos gostas de ler - não nos esforçamos para receber menos do que isso em troca. Em relação à tua dúvida... bom, nem sei bem o que te responder. Nós somos miúdos do hardcore, certo? Certo. Não sei até que ponto estás envolvida com a cena hardcore, mas existe uma pequena pandemia social chamada "politicamente correcto" que infelizmente não deixa de ter o seu lugar entre nós. O objectivo deste blog não é agradar a toda a gente. Quer dizer, o objectivo do blog não é agradar a ninguém - por isso é que não andamos a coleccionar Likes no Facebook ou a angariar pessoas e bandas para fazer concursos macacos que não lembram a Deus nosso senhor. Como tal, seria errado esperar que fossemos ter cuidado com a forma como tratamos A, B, ou C. 

Nós escrevemos da forma que sabemos escrever e sobre aquilo que gostamos de escrever no que toca a hardcore. Como te disse, não procuramos agradar a ninguém, mas estamos cá para todos aqueles que quiserem curtir esta viagem connosco. Uma coisa que me faz confusão é ler textos que são tão bonitinhos que até me deixam enjoado. Se eu quiser ler um jornal, leio um jornal. Se quiser ler uma revista, leio uma revista. Sei o que me espera. Se quiser ler um blog de hardcore, feito por miúdos do hardcore, sem grandes papas na língua... leio um blog de hardcore, feito por miúdos do hardcore, sem grandes papas na língua. Simples! :)

Darby

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Darby Responde #3 - Straightedge Revenge

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Oi malta, estou a escrever por causa de algo que se passou comigo recentemente e gostava de ter a vossa opinião. Eu no outro dia estava num concerto de hardcore assim mais punk, aqui na Margem Sul, e no meio da roda houve um selvagem que - literalmente - me despejou um copo de cerveja em cima. Eu sei que não foi de propósito mas fiquei mais que doente com isto, até porque é uma autêntica falta de respeito para alguém straightedge. Fiz questão de levar dois X bem grandes nas mãos, uma t-shirt daquelas a dizer It's OK not to drink e uns patches na mochila a dizer várias coisas tipo "Straightedge means I'm better than you" e isso. Como tal, a minha diferença estava bem assinalada e não há desculpa possível para aquele tipo de atitude desrespeitadora.

Até que ponto é que eu devo tolerar este tipo de falta de respeito? Lembro-me sempre da música dos Project X, a Dance Floor Justice - que fala exactamente deste tipo de situação. Acho que ambos concordamos que straightedge é o standard da pureza, não? Porque é que os selvagens hão-de tomar conta do mosh pit e fazerem pouco de nós como se nada fosse? Será que está na altura de lhes mostrar que os "meninos" - como eles nos chamam - não são assim tão meninos?

Alberto Marques - Cova da Piedade

Olá Alberto,

Eu não sei há quanto tempo és straightedge ou vais a concertos de hardcore, mas acho que estás a levar tudo um bocadinho a sério demais. O concerto de hardcore é um espaço para todos, se tens problemas em te misturar com pessoas que são diferentes de ti e sentes necessidade de te diferenciar assim tanto, acho que estás na cena errada. Já ouviste falar em respeito? Ya, claro que a cena da cerveja é fodida, já nos calhou a todos - mas porque não foste para um sítio onde não houvesse malta com copos de cerveja? 

Straightedge não é standard para nada, muito menos para pureza. E claro, também não significa que és melhor que A, B ou C. O que é ser melhor que alguém? Podes ser mais consciente e ter mais respeito pela tua integridade, saúde e pela forma como encaras a sociedade mas isso não faz de ti melhor que ninguém. A música de que falas fala sobre um bêbedo que estava a arruinar um concerto, não um episódio onde um marreco levou um banho de cerveja. São coisas ligeiramente diferentes. 

Honestamente, acho que está na altura é de levares um granda reality check e perceberes que só recebes tanto respeito como aquele que distribuis. Se andas armado em Capitão Straightedge, o mais provável é ou daqui a uns anos já teres bazado para outra ou acabares a levar nos cornos de alguém que não vai ter paciência para te aturar. Vicissitudes da vida. Mas a sério, abre a pestana. Punks, bêbedos, straights... whatever. Somos todos iguais. Preocupa-te mais com aquilo que és e fazes do que com aquilo que os outros são ou fazem - mesmo que isso afecte o teu espacinho straightedge onde te achas um ser superior. Tasse? Relaxa um pouco e vive a vida devagar, vais ver que vale a pena.

Darby

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Darby Responde #2 - Marcar concertos

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Pessoal, grande trabalho no blog! Descobri-vos através de um amigo aqui do Porto e desde então que não tenho falhado um post. Os meus preferidos são os que vocês entrevistam malta que já aí anda há uns anos, curto tótil das histórias e de pensar como era antes. Para falar verdade, o blog deixou-me com vontade de fazer alguma coisa. Infelizmente não tenho dinheiro para fazer uma editora ou distribuidora (era o que realmente gostava) pois ainda sou estudante, mas estive a pensar e gostava de organizar um concerto com algumas bandas de cá e talvez uma de Lisboa. Que dicas é que me podem dar? Obrigado e continuem o bom trabalho!

Ricardo Melides - Porto

Olá Ricardo! Obrigado pelas palavras e parabéns pela iniciativa, a cena precisa de mais miúdos como tu a quererem ser activos. Afinal de contas, já diziam os Stop And Think: dá o teu melhor e o melhor receberás em troca (em inglês, claro!). Antes de mais tenho que ser o mais honesto contigo possível: marcar concertos é um granda filme. Claro que o sentimento no fim é brutal, mas pode ser uma tarefa muito ingrata. 

A primeira dica que te dou é pensares bem antes de escolheres as bandas. Se for um concerto à tarde, nunca mais de 4 ou 5 bandas, dependendo do estilo de hardcore que tocarem. Se for à noite, 3 ou 4 é mais que suficiente. Uma coisa que não queres é por bandas a mais para o tempo que tens. Mais vale menos bandas e melhores do que um monte de bandas medíocres só para encher cartaz. Não mistures metalcore com hardcore com punk com melódicozinhos. Sim, mistura é fixe open mind e não sei o quê, mas se puderes foca-te num género - a audiência agradece e a qualidade do slam dance também.

Segunda dica: a sala! Parece que não mas a localização da sala é super importante. Escolhe um sítio que seja acessível. Para além disso há o óbvio não marcar uma sala onde cabem 200 pessoas se só vão aparecer menos de 100. Às vezes mais vale uma sala pequena AO BARROTE do que uma grande às moscas - ainda que o número de pessoas seja o mesmo. Vai por mim, quanto mais pequena a sala, melhor! Até porque o aluguer vai ser mais barato e - caso corra mal - o prejuízo é menor. 

O cartaz é SUPER importante. Se não sabes fazer cartazes arranja alguém que te faça um fixe. Afinal de contas, é o produto que estás a vender e queres que chame a atenção. Nem é preciso nada com muito design, desde que os contrastes sejam bons e tenha a informação necessária. Um evento no Facebook também é fixe mas NUNCA te fies nos números que lá aparecem porque vais acabar a chorar. É fixe mas apenas como método de divulgação. Esquece fazer spam, spam, spam. As pessoas sabem ler à primeira...! O ideal é criares o evento e ires pondo vídeos e músicas das bandas que vão tocar, criar assim um mini hype, deixar a malta excitada para o concerto. Não deixes tudo para última da hora, nunca!

Por fim, organizar o material e ter a certeza de que tens tudo o que precisas para não andares a correr no dia do concerto. Quem traz o quê, quem chega a que horas e a que horas as bandas tocam. Não caias no erro de deixar uma banda de abertura tocar tipo 40 minutos. Faz time slots e stage times. Lá por ser um concerto underground, não quer dizer que tenha de ser tudo feito à balda. Bilhetes númerados são um must para saberes quantas pessoas entraram, não te esqueças disso. 

Claro que ainda faltam aí muitas coisas, mas isso já deve dar uma ideia mais ou menos boa daquilo que NÃO deves fazer! Quando decidires dar o passo em frente avisa-nos, que já sabes que teremos gosto em te ajudar com a promoção (se for um concerto fixe, claro! ;). Boa sorte!

Darby

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Darby Responde #1 - Washington HarDCore

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Olá malta! Antes de mais, os meus parabéns pelo blog e por tudo o que têm publicado - às vezes estou meio aborrecido no trabalho e dá-me imenso gozo ir lendo os vossos posts. A razão pela qual vos escrevo, para além da congratulação, é para pedir mais informação sobre a cena de Washington, que o post de Minor Threat deixou-me curioso. Não me interessa tanto o que eles fizeram depois, mas sim as origens e as bandas da Dischord. Se me pudessem dar umas luzes, agradecia. Obrigado e continuem o bom trabalho!


Filipe Silves - Ermesinde

Olá Filipe! Obrigado pelo teu feedback, é mais que apreciado e um grande motivador para que continuemos a trabalhar nisto e a inovar sempre que possível - afinal de contas, se há coisa que somos, é mais que um amontoado de likes no Facebook e concursos para a malta se divertir. Não te vou mentir, temos orgulho no conteúdo que criamos e ficamos contentes que te divirta tanto lê-lo. Missão cumprida! 

Quanto à tua questão, vou-te dar umas luzes e espero que daí vás em busca de uns mp3 e vídeos no YouTube que te ajudem a ter melhor noção da cena de Washington no início dos anos 80. Vou-te ser honesto, eu sempre achei que o pessoal de Washington era mais menino que o resto. Os de Boston só queriam mocada e os de Nova Iorque eram punks demais... Os de Washington eram meio meninos, quer dizer... basta olhar para as bandas que vieram "depois", right? Mas na boa. 

Portanto Washington (ou DC, para os amigos)... Eu diria que a banda mais importante a sair de DC foram mesmo os Bad Brains, que entretanto, devido à loucura que eram os concertos deles, acabaram por ser banidos de todas as venues da cidade - mudando-se para Nova Iorque e influenciando dois miúdos que viriam a formar uma banda chamada Cro-Mags, que já deves ter ouvido falar. Uma letra dos Bad Brains sobre essa mudança pode ser encontrada nas Roir Sessions - na música Banned In DC. 

Escusado será dizer que muitas das bandas mais importantes da cidade vieram atrás deles. A mais importante devem ter sido os Minor Threat (que surgem no seguimento dos Teen Idles). Os Teen Idles eram miúdos que tocavam hardcore tosco, rápido e sem muito fôlego. O primeiro e único EP deles tem duas mãos na capa, cada uma delas com um X bem grande. Washington, como deves saber, foi o sítio onde nasceu o straightedge, através da música de Minor Threat. Se me perguntares, eu digo-te que quem "fez" a cena straightedge foram mesmo os miúdos de Boston - que certamente a levavam um bocadinho mais a sério do que deviam. 

Outras bandas da Dischord que são importantes ou mais relevantes são os The Faith, que eram a banda do irmão do Ian MacKaye (vocalista de Minor Threat e fundador da Dischord) - onde também ele era vocalista. O som dos Faith era muito à frente para o que se fazia na altura, believe me! Principalmente o segundo disco. Os Void (que lançaram um split com Faith), não só eram malucos dos cornos, como fizeram um dos discos de hardcore mais interessantes de sempre. Bem longe do molde habitual. 

Também tens os State Of Alert, mais conhecidos por SOA, que eram a banda do Henry Garfield - que entretanto se mudou para a California e mudou o nome para Henry Rollins. Suponho que o conheças de ser vocalista dos Black Flag, a partir do Damaged. O som deles é selvagem demais - rápido, rápido, rápido! Mais compostinho era o som dos Government Issue que (tirando o EP, que é um bocado básico) também estava um bocado à frente do seu tempo. 

Portanto, to wrap this up... a cena de Washington era meio peculiar e mais experimental que outras e isso revelou-se um pouco no tipo de bandas que eles fizeram na segunda vaga de hardcore, mais viradas para o indie ou para o punk rock. Outro disco que sugiro é a compilação Flex Your Head, da Dischord. Tem praticamente todas as bandas importantes daquela altura. Se achares as três capas um bocado esquisitas, não fiques admirado - eles usaram imagens de stock para as fazerem porque saía mais barato. DIY, right?

Espero que isto te ajude e que partas em busca de novas bandas, qualquer coisa que precises, estamos aqui para ti! Grande abraço!

Darby