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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Foreseen - Untamed Force LP (Quality Control HQ)

 


Untamed, undisputed, undefeated, underrated? Novo disco de Foreseen, novo estouro crossover thrash/hardcore como muito poucos conseguem fazer. Com a cabeça no final dos anos 80, mas os pés bem assentes no presente.

Este é o disco certo para mostrares ao teu amigo metaleiro que escreveu Slayer no braço com uma faca, ou que comprou a tshirt na H&M.

À parte da voz rouca e sempre chateada do Mirko, que encaixa que nem uma luva no som da banda, as grandes estrelas são mesmo a dupla de guitarras, num desfile de riffs incríveis no que parece ser uma fonte inesgotável de criatividade, solos de te por TODOS os pêlos do corpo em pé, com transições quer para cavalgadas furiosas quer para mosh parts que agradarão a metaleiros e punks da mesma forma.

Não sei o que é que o baterista come ao pequeno almoço, mas tem de comer bem porque as calorias necessárias para tocar com a rapidez e violência mostrada nesta gravação são mais que muitas.

Depois de um punhado de eps e dois lps aclamados pela crítica - Helsinki Savagery é incrível e deve ser mostrado em qualquer sala de aula de hardcore -, presenteiam-nos com 9 novas faixas neste Untamed Force, editado pela Quality Control HQ.

Não obstante os primeiros eps terem sido lançados pela 20 Buck Spin, editora de relevo no universo metal, esta banda merecia estar num patamar global que parece teimar em não os mostrar (ao nível de uns Power Trip maybe?). Não que não sejam presença assídua em listas de fim de ano de grandes publicações internacionais, mas talvez uma menor presença ao vivo nos grandes mercados seja o handicap destes rapazes de Helsinquia. Há coisas que contam muito, e ser norte-americano ainda vale muitos pontos neste aspeto.

Tour Europeia em 2023 nos locais habituais, checkem o Skyscanner, as vossas finanças e parem de cortar o cabelo.

Artwork do thrash metal meets neon. Cães raivosos, ossos, correntes e sombras malignas. Sim, obrigado. Nem precisas de meter o disco a rodar, só a capa já fica bem em qualquer sala de estar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Review: BRAVE OUT - World's Rot LP (Fired Stomp Records)


Se o youth crew está fora de moda ninguém avisou os japoneses Brave Out, que o ano passaram lançaram um disco que merece destaque para todos que que mantêm a discografia de Youth of Today em rotação frequente nas suas playlists ou gira-discos. 

Enquanto o Ray está na Índia nos retiros espirituais há quem faça música em sua honra.

Os Brave Out são de Osaka e têm música editada desde 2013, mas este acho que é o primeiro registo que me chamou à anteção. E chamou porque me chamaram à atenção para ele!

A voz tem aquele truque do Ray Cappo de gritar indefinidamente as palavras, algo que (para mim) tem a sua versão aperfeiçoada pelo Paco de True Colors, aqui com sotaque nipónico. A primeira faixa então é super chapado a TC…

O resto do disco é o desfilar de hardcore rapido na veia do que de bom se fazia no revivalismo dos anos 2000, com uns salpicos de partes mid-tempo e breakdowns, porque já não estamos em 1988. Sweatpants, sapatilhas da Nike e hoodie com capuz pontiagudo, pairing perfeito, tipo queijo e vinho, ou Cola e limão, para manter o edge.

Edição pela Fired Stomp Records que é pertença da banda. Artwork muito giro, obra do Chris Wilson (EKULU) em conjunto com o YOYO TOME (Soul Vice/Bowl Heads Inc.).

Sem saber quando o ciclo das trends voltará a colocar o género no pedestal, há aí umas coisinhas a aparecer que podem encher as barrigas mais esfomeadas pelo coros cantados em uníssono e aqueles pile ons memoráveis. Este disco é parte desse puzzle que se começa a compor.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Review: Temple Guard - Spear of the Revenant LP (Eco Defense Records/From Within Records)


Saudosistas dos xRepentancex alegrem-se, o Pat Hassan está de volta ao Reino Unido e prontamente fez uma banda nova. Banda nova mas com a escola toda, não há erro de principiante, duríssimo do primeiro skit ao skit final - tem muitos, mas todos se ligam de forma perfeita ao bombardeamento musical que se arrasta ao longo de oito faixas. O press release falava em banda sonora para o apocalipse climático que se aproxima, e não podia estar mais correcto.

Mid tempo metallic hardcore com ênfase no metal, uma seleção incrível de riffs e breakdowns de te por a cabeça à roda num dos lançamentos mais brutais do último ano. Fácil.

Declaradamente político, a tocar em diversos temas da atualidade como as alterações climáticas e o papel do homem nelas, a ganância humana nas engrenagens do capitalismo, introspeções filosóficas à própria condição humana, até à situação iraniana (até pelos laços familiares de membros que se cruzam com este país). Afinal de contas, humanity is still the devil.

Imensas participais no que às vozes diz respeito, com nomes de respeito com o Dwid de Integrity, ou os vocalistas de xMourningx, de Culture, de Sectarian Violence...

Já vos disse que foi em xRepentancex que vi o pit mais violento de sempre? Já imagino esta banda num Outbreak da vida e vários desfalecimentos.

A edição é de setembro do ano passado, mas só agora vai sair em vinil, com edição europeia pela banda e nos Estados Unidos pela From Within Records.


Bandcamp

Review: Instructor - Terror Zone LP (Quality Control HQ)

 


30 de dezembro ainda conta como 2022, mas este é o lançamento certo para abrir o novo ano.

Depois de três edições em cassete (primeira demo em 2019, segunda em 2020 e o EP Private Execuction em 2021), os Instructor não quiseram acabar o ano em branco. 8 faixas numa edição da Quality Control num disco de vinil de 12”, sendo 3 das faixas novas gravações de malhas que estavam no EP. Este mix de LP magro com poucas malhas novas dá logo um handicap à edição no apuramente final de tops e best of’s do ano. Mas não se atemorizem, e se não têm acompanhado a carreira dos rapazes de Bruxelas este é o tempo certo.

Aqui a vibe de Nova Iorque antiga é religião, e discos de Breakdown ou Killing Time são a bíblia. A gravação consegue mimicar a sujidade do Lower East Side, com uma boa dose de riffs e solos marotos que prometem agitar qualquer sala de concerto (ou quarto) em que a música se faça ouvir - alto. Voz do bagaço completa o puzzle.

Artwork incrível pelo inconfundível Spoiler. Bélgica pede belgas, certo? Uma versão aumentada em poster a acompanhar seria a cereja no topo do bolo, mas creio que não vamos ter essa sorte (logo confirmo quando a minha cópia chegar!).

NYHC heads esta é para vocês. Feliz 2023!

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Review: Chain Whip - Two Step To Hell EP (Neon Taste/Drunken Sailor Records)

 


Os Chain Whip são de Vancouver, Canadá, e estão nisto há um par de anos. Um EP, seguido de um LP bom que dói (“14 Lashes”) e uma demo em 2020, daquelas que são tão boas que merecem o tratamento da cassete para o vinil. KBD punk, com o pé no acelerador, neste novo disco meteram-no a fundo. Mas conseguiram fazê-lo continuando a escrever boas músicas, com bons refrões e sempre no ponto. As seis músicas do EP, que tem uma duração de pouco mais de 9 minutos, passam a voar, mas fazem-te querer voltar ao início e metê-lo a tocar em repeat.

Das 6 faixas três são regravações da demo de 2020 e uma é uma cover de Subhumans, o que lhe dá direito a desqualificação por KO técnico de listas de fim de ano. Regras são regras, e quem as fez fomos nós.

Se o 14 Lashes os colocou no mapa como uma das melhores bandas nesta onda, este EP marca posição. Obrigatório se gostas do que melhor a califórnia dos anos 80 te ofereceu, de Black Flag a Germs, mas carregado de atitude, veneno e umas mudanças acima.

Bandcamp

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Review: Fate - Demo '21 CS (P.M.T.)

 


Leeds, Leeds, Leeds, para sempre Leeds. Membros de Big Cheese, Higher Power e The Flex juntaram-se pela enésima vez para mais um projeto. 4 faixas de HARDCORE cheio de testosterona a surfar a onda do início dos anos 90 em Nova Iorque. Na editora vendiam isto como tendo influência de DMIZE, e é mesmo isso. O som difuso, os riffs metálicos e aquele chugga chugga nas mosh parts.

Follow-up para isto é pouco provável, mas nunca se sabe. Fica o registo para a história. Edição limitada em cassete entretanto esgotada – duh!

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domingo, 19 de dezembro de 2021

Review: Pain of Truth/Age of Apocalypse Split EP (DAZE)

 


Nota prévia: A presença deste disco por aqui é meio batota. Meio batota não porque não seja de 2021, não que não seja interessante para este recap natalício, mas não é propriamente algo para o meu top 10 (ou 20...) de eps. No entanto precisava de uma desculpa para uma das descobertas favoritas (ainda que muito tardia) deste ano aparecer por cá – os Age of Apocalypse. E como o LP de estreia é de 2020 e o novo só sai em janeiro de 2022…assim dá para falar neles. 

Sem querer chutar os Pain of Truth para canto, mas chutando um pouco (o “No Blame…Just Facts” certamente já vos passou pela playlist – e sim, é o disco do cão a ladrar que catapultou a DAZE), o foco da review vai para os AOA.

Os Age of Apocalypse foram uma recomendação veemente de um colaborador próximo do Nós Contra Eles que os viu ao vivo (fiquem sintonizados no Podcast que tanto ele como os AOA vão ser estrelar). Vindo de quem vem, fui a correr googlar a coisa.

Vindos de Hudson Valley, NY, esperem um hardcore musculado com RIFFS. Bons riffs. Riffs pesadões, dos que te fazem sentir algo lá dentro a borbulhar. Influência dos 90’s de NY sem serem demasiado colados.

Mas o grande fator diferenciador, e o que mais gostei mesmo foi a voz super clean e arrastada que automaticamente me remeteu para o estilo de Life of Agony ou Only Living Witness num timbre mais a ir buscar o Messiah Marcolin de Candlemass. E o homem canta! Desta não estavas à espera, certo? É daquelas coisas que primeiro se estranha, depois se entranha. Prevejo coisas grandes para esta rapaziada.

Vocês sabem que a malta no NCE é muito visual, e capas de discos são a janela para a alma. A deste disco é só terrivelmente anos 90. Mas hey, DAZE STYLE, já sabes ao que vais.

O novo disco sai a 21 de janeiro, produzido e mixado pelo Taylor Young. Há 2 faixas de avanço online. Prometem-se bigornas.

sábado, 18 de dezembro de 2021

Review: Farmaco - Descolonizar EP (Discos Enfermos)

 


A América Latina tem sido um foco de exportação de excelente punk e hardcore no último par de anos, isto, claro está, sem querer descurar décadas de história, mas as recentes convulsões sócio-económicas em muitos destes países tem sido bom rastilho para esta cena musical, onde a Colômbia se tem destacado com umas milhas de distância.

Um “pouco” mais a sul, temos os Farmaco, vindos de Buenos Aires. Esta banda (e disco) só me chegaram aos ouvidos à dias, a propósito das trinta mil listas de final de ano, onde se encontram sempre boas prendas.

Algo que me prendeu de imediato foi uma espécie de ambiente sombrio que envolve o disco, e faz a simbiose perfeita entre as 4 faixas. A sonoridade pega no que melhor o Japão tem para oferecer: solos malucos, leads metálicos e riffs endiabrados, com uma cavalgada d-beat como pano de fundo. Uma voz feminina cheia de raiva, e uma gravação bem chungosa tornam este disco uma excelente recomendação para a vossa colecção ou biblioteca digital.

E num ano que, aqui por casa, foi muito e bem temperado com influências nipónicas, nada como uma boa sobremesa destas para o terminar.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Review: C4 - Chaos Streaks LP (Triple B Records)

 


Sejas tu novo ou velho seguidor do NCE, começo já por recordar que uma banda e disco com o clássico “som de Boston” não pode falhar numa síntese de fim de ano. Nunca. Desde as bandas da génese da Boston Crew, passando pela vibe Lockin’ Out à mais recente onda revivalista do straight edge hardcore e youth crew (geralmente com malta não tão nova assim…) o meu amor pela cidade é grande, mesmo sem nunca lá ter ido, e sabendo da fama que tem. Aquele som crú e duro, que lhe assenta que nem uma luva.

Os C4 não lançavam nada desde 2019, altura em que lançaram uma excelente cassete “Goes To War”, com 6 faixas que traduzem sonoramente o que falei atrás. Passados 3 anos, e mesmo com concertos de vez em quando, pensei que poucos ou nenhuns frutos voltaria a dar.

Para minha surpresa a Triple B anuncia um LP, que me meteu logo de antenas alerta. 10 faixas em 11 minutos que te fazem moshar forte - quando te começas a cansar, o disco acaba e podes ir à tua vida sem estares demasiado suado. Provavelmente já partiste tudo o que estava à volta, por isso o dano está feito. Aquele mix já clássico de bujardas de hardcore rápido com mudanças de tempo para partes com mais groove, mesmo para o side to side #renteaochão. 2021 e esta hashtag ainda não explodiu. Como? Não sei.

Não esperes por letras profundas, que apanhas exatamente o contrário. Se precisas de um shot de energia pela manhã, é só meter este disco a tocar e estás pronto para a tua jornada diária.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Review: Kontaminate - Blood Hunger Demo CS (11PM Records)

 


Para começar 2021 com o pé certo nada como novo lançamento na nossa querida 11PM Records - Nós Contra Eles RP em Portugal, fo' sho'.

Os Kontaminate sao de Richmond e têm um nome adequeado aos tempos que vivemos. A demo saiu no dia 1 de janeiro, por isso está tão fresca como é possível. Fresca e esgotada, que as 100 cópias já voaram.

Com membros de Nosebleed e Jackal, estão à vossa esperam cinco faixas de hardcore rápido e intenso, na linha USHC inicial (Negative Approach, Necros e por aí fora) como muitas bandas recentes ou atuais vão fazendo. Se esta onda ainda te diz algo, prepara-te para uma boa viagem. Se não, mete o Tied Down em repeat que faz-te igualmente bem à saúde.

Mas a cereja no topo do bolo foi mesmo a faixa 5, cover dos britânicos Crime For Revenge com a música homónima, quer pelo bom gosto, quer por ser um disco que tem rodado muito cá em casa, pelo que a cover aparece no tempo certo. Where Angels Dare Not Thread não me sai na cabeça...aquele riff e o som do baixo, catchy!

Aproveito para um pequeno aparte sobre os Crime For Revenge, que tiveram em 2020 nova reedição pela Static Shock que aparentemente os colocou de forma definitiva com o rótulo de banda de culto (mais até que a reedição já feita pela mesma editora em 2015, que acho que passou um bocado ao lado), fruto de alguma exposição virtual com bons resultados. Parece que a banda e o disco deixaram de ser apenas fruto de cobiça de colecionadores e arqueólogos malucos, dos que estão dispostos a largar >100€ pela edição original, e até já há bandas do outro lado do Atlântico, no sempre muito proteccionistas Estados Unidos da América.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Review: Heavy Discipline - S/T LP (Painkiller Records)


De Pittsburgh a Boston são 9h de viagem e apróximadamente 930km a separar as duas cidades, mas há coisas que são superiores a qualquer definição de tempo e distância, e uma delas é o amor ao cátalogo da X-Claim!. Ora, até o que oceanos separam a Internet trata de juntar!

Lembram-se de Hounds Of Hate? Se não, deviam. Para o name dropping cliché, HD tem ex-membros. Aproveitem para pegar na discografia que bem merece ser (re)visitada - o primeiro EP e o primeiro LP são bomba.

A demo de Heavy Discipline que saiu o ano passado entrou na minha lista de discos favoritos e este LP (*spoiler alert*) entra nos favoritos de 2020. Fácil.

Todos os anos há sempre (pelo menos) um disco que carrega a tocha, e ano após ano, a chama mantém-se sempre acesa e a brilhar fortemente. Muitas vezes são bandas de Boston com os suspeitos do costume que se juntam para um novo projeto (Boston Strangler, Waste Management, Prisoner Abuse, e por aí fora), mas não só: os suecos Shipwrecked são banda com hype quer no velho continente quer nos EUA, ou o projeto a solo do Tom Pimlott Rated X, com o recente LP, que marca muitos pontos.

A receita que nunca cansa, tipo feijão com arroz ou Estrelitas com uma qualquer bebida vegetal.

Porque é que, ano após ano, e banda após banda, a fórmula se repete com sucesso? E porque é que muitas vezes este tipo de som é desprezado pelo ouvinte mais casual, por não ser o estereótipo da sonoridade do hardcore moderno?

É fácil atirar à primeira audição o rótulo de caótico e pouco polido, até porque assim ele é, mas por trás há toda uma tecnicidade que muitas vezes não se encontra no corta e cola das grandes bandas, ou melhor dizendo, das "bandas grandes", com os riffs do thrash e death emprestados com melhor ou pior mestria.

Ao mesmo tempo é incrível ver como muitas destas bandas que continuam a fazer o som antigo de Boston consegue emular sem imitar, pegando na receita e levando-a mais além, qual chefe de cozinha. E este disco faz isso mesmo.

Não consigo recomendá-lo em demasia. Não consigo parar de o ouvir. Não consigo parar de dizer que isto é hardcore.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Review: GAG - Still Laughing LP (Iron Lung Records)


A cena de Olympia, Washington tem uma forte tradição de música alternativa, berço do movimento riot grrrl - eram de lá Bikini Kill e Bratmobile (há fãs acérrimos cá em casa que não me deixam mentir) -, mas também por coisas mais recentes como G.L.O.S.S., Electric Chair, Odd Man Out e um monte de outras bandas que ficam ali na zona mas que muitas vezes se dizem de Seattle. 1 hora de distância nos EUA é tipo cinco minutos cá, certo?

Mas no enquadramento em cima faltam os GAG, um dos nomes maiores dessa cidade do último par de anos na cena punk e hardcore, e são eles o nosso foco.

O America's Greatest Hits teve algum reconhecimento no meio e os concertos ao vivo (e posterior reprodução online) deram alguma fama à banda. O disco chegou a ter pessoal a distribuí-lo por Portugal, por isso, não sou só eu que conheço! 

A banda esteve inclusivamente em tour no início de 2020 na Europa com Turnstile (!), One Step Closer e Glitterer (aquele projeto do Ned de Title Fight). Mas calmex que GAG nada tem que ver com estas bandas.

Em plena pandemia, e com algum atraso, sai o novo disco, Still Laughing, que diz olá com uma bonita capa. Saiu ao mesmo tempo um outro LP (Killing For Both Realities 3 '92 LP), que coleciona faixas de eps e músicas perdidas, mas que ficará para outras núpcias.

12 faixas, maioritariamente abaixo dos 1:30, (quase) sempre mid tempo mas cheio de energia, com exceção da High Off Gun Powder, que deve ter sido escrita high em qualquer coisa...riffs interessantes polvilhados aqui e ali e boas mosh parts em algumas faixas (Nobody's Smile ou, especialmente, Still Laughing).

Se no disco anterior já brincaram com o reverb na voz, desta vez apostaram forte nele. É daquelas coisas que ou gostas, ou é coisa para ser intragável. A lembrar uns Crazy Spirit (mas menos pegajoso). 

Vendo bem as coisas, somando tudo, se pusermos CS e Hoax na misturadora deve dar mais ou menos isto. E estou a ser elogioso.

Outro do disco com uma música eletrónica do lixo (isto é género? devia) a dar aquela extravagância extra.

Estou à espera do disco na mão para ver as letras, mas conhecendo o disco anterior (e os títulos das faixas deste) não esperem por nada muito filosófico.

Mas acima de tudo discos destes transportam-me sempre concertos ao vivo. E este pede salas claustrofóbicas a abarrotar de gente, água a pingar do tecto e dives da bateria. O sonho molhado do COVID-19, de uma forma resumida. Sinceramente acho que é disco e banda para resultarem às mil maravilhas ao vivo. Em disco, para ouvir em casa, ouço uma vez do início ao fim e preciso de descanso. Os riffs meio enrolados e hipnóticos pedem um mood especial.

Mistura e masterização pelo Arthur Rizk, um dos nomes grandes da música pesada atual, quer atrás da mesa de mistura quer de guitarra na mão (War Hungry, Eternal Champion, Summerlands, etc....) a dar aquela reforço quando lês os créditos. Edição de 1000 cópias divididas por quatro cores, via Iron Lung Records. Distribuição na europa via Static Shock, com algumas cópias a voar para Portugal via Backwash Records (aquele auto-promoção da praxe, sem medos). O mesmo para o Both Realities.


domingo, 25 de outubro de 2020

Review: Discourage - Forlorn Hope EP (Patient Zero Records)


Antes mais, quero agradecer ao David por me obrigar a ouvir este disco e a fazer esta review. Sim, literalmente, obrigar. Não sei onde ele desencatou esta banda (Spotify?), mas, em primeiro lugar, porque nunca os tinha ouvido - parecem ser de um circuito ainda mais alternativo aquele que geralmente seguimos e partilhamos (que já de si nos vale uma ou outra dica que só falamos de coisas que ninguém conhece), e depois porque é uma banda efetivamente fixe.

Se de “Dis” só mesmo o prefixo no nome, já que o d-beat ficou à porta, também o nome do disco, que colocou logo na minha cabeça preconceituosa termos com qualquer coisa “emotional” à frente, não há sad emojis nesta review.

De Oakland, California, e fãs dos Athletics (a julgar pela palete de cores nas vários versões do vinil), os Discourage, que tocam um hardcore rápido e zangado, na linha do que muito e bom se fez nos anos 2000. Pensem no catálogo da Rivalry Records e vê-se que ele foi devorado por estes miúdos.

Provavelmente fruto da cena de Oakland, muito punk e politicamente consciente, também é aqui que os Discourage marcam pontos, distanciando-se de alguma forma no que ao conteúdo diz respeito de algumas das aparentes referências. Isto, e, claro, tudo o que se passa atualmente nos Estados Unidos da América em 2020.

Em quatro faixas, e em menos de dez minutos, os Discourage não têm medo de colocar o dedo na ferida e de falar dos temas que assolam a América atual, mas também o mundo. A apatia que impede a mudança, o conservadorismo, racismo e discriminação, e a consciência de que somos mais do que aquilo que a sociedade e a rotina muitas vezes nos fazem crer. A América está a fervilhar, e só faz sentido que o hardcore que de lá vai surjindo, o reflita.

Mas se não ligas a nada disto e queres é curtir, este disco também é para ti. Intros para a pedir varrimentos de uma ponta da sala à outra, mosh parts, bons riffs - you got it.

A banda tem uns lançamentos anteriores que ainda não dei a devida atenção, mas entre uma demo, um split com KIND! CREW, uma promo e um split a 3 com FAIM e LIFT, rapidamente se coloca a discografia em dia.

Esta edição de 300 cópias em vinil, divididas por três versões têm vendido bem segundo a Internet. Se acreditas no que a Internet diz já é contigo. A não ser que seja dito por nós.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Review: Mindforce - Excalibur LP 4ª Press (Triple B Records)


A propósito da 4ª press do Excalibur que acabou de sair, acho que está mais que na altura de voltar a falar de Mindforce. 4ª press num LP de hardcore é coisa para chamar a atenção - 2000 cópias vendidas (divididas pelas três primeiras), e agora esta (suposta) última press de 1000 unidades. E que eu saiba a banda nem é propriamente vítima de um qualquer hype manhoso. Não que não o tenhamos tentado criar por aqui, não é verdade? Algo certo há de estar a acontecer.

Esta 4ª press traz umas alterações no artwork e ainda um flexi de oferta com uma faixa bónus que foi gravada na mesma sessão do LP mas que ficou de fora.
Ativos desde 2016 e vindos de Poughkeepsie, Nova Iorque, têm na bagagem uma demo, um 7”, um split com Dead Heat e dois LPs: o atrás mencionado, de 2018, que virou já clássico e o último já este ano, amplamente falado no Podcast.

O vocalista é um Lo-Head que tem como inspiração rappers como Sean Price, Ghostface Killah ou a rapaziada da Griselda Records (don’t sleep!) quando escreve, mas onde, quer no conteúdo quer na cadência, não cai no cliché do rap core/rap metal, onde geralmente há mais azeite a temperar que num prato típico de culinária mediterrânica. Isto é NYHC com escola - não se deixem enganar.

E na secção rítmica temos o que? Uma fina seleção de riffs gourmet inspirados no melhor thrash metal dos anos 80. Mas também aqui conseguem soar sempre frescos, sem aquele odor bafiento que muitas outras bandas já parecem trazer agarrado à nascença (ou que rapidamente se nota ao fim da 3ª música). Não pareces estar a ouvir o mesmo riff reciclado, ou com as notas trocadas. Escola? Escola. Skill? Skill.

Crossover à NY é etiqueta de centenas de bandas, mas quantas realmente vale a pena escutar? Cro-Mags e Leeway viraram moda, mas quantas bandas conseguem ser interessantes o suficiente para pores os clássicos de lado e prestares atenção aos miúdos novos? Mindforce é New York Hardcore do novo milénio, cheio de ginga (isto é boa tradução para groove, certo?), atitude, riffs, bons concertos (obrigado Youtube) e boas mosh parts.

Das “novas” bandas que nunca vi ao vivo que me fariam voar até uma qualquer cidade europeia. COVID baza rápido, ok?

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Review: Bent Blue - Between Your and You're Demo (2020)


Bent Blue - Between Your and You're (Demo)
(War Records)




Não consigo precisar ao certo como é que isto me veio parar aos ouvidos, mas penso que terá sido num story do Instagram (welcome to 2020!). Tenho ideia que li a palavra "Lifetime" e isso despertou-me logo o interesse. Se há uma banda influente dos anos 90 que conseguiu misturar como ninguém riffs melódicos e rápidos com letras "choronas" e uma voz melódica com aquela entoação anasalada inconfundível foram os Lifetime, que, por sua vez, influenciaram toda uma geração, com Saves The Day e Kid Dynamite à cabeça como as mais populares desse "género".

É certo que a primeira música, They Ask Why, é a mais Lifetimesca de todas, especialmente em termos vocais. O riff de guitarra é melódico o suficiente para me cativar a atenção e a "melodia" de voz faz-me lembrar que gosto mesmo muito de Lifetime. Mas se pensam que esta nova banda, do sul da Califórnia, se limita a pedir riffs emprestados a Lifetime, desenganem-se. Há aqui uma mescla de influências que vão desde as bandas de D.C. de final dos anos 80 a cenas mais 90's (Mouthpiece talvez) ou até a grupos mais contemporâneos como os Basement ou Title Fight (do início, claro). Ao todo são 5 músicas em 10 minutos, que para mim é mais que ideal neste mix de músicas rápidas com partes mais mid-tempo.

Não tenham ilusões, esta demo soa a demo. Está aqui muito potencial, mas algo me diz que conseguem fazer muito melhor, especialmente em termos do trabalho de bateria. No entanto, conseguiu despertar o interesse da War Records, editora do vocalista de Strife, que pelo que li tem um plano de lançar algumas demos de bandas novas californianas. Para mim, parece-me uma boa ideia.

Se não tivesse feito nenhuma pesquisa acerca da banda online diria que era uma banda da outra costa e que seria uma questão de tempo até editarem um EP na Run For Cover.

Se és alguém que gosta de cenas mais melódicas ou tens o mínimo de interesse nas bandas que referi acima acho que vais achar piada a esta demo. Se a tua banda sonora é mais NEG ou Three Knee Deep passa à frente. Não há nada aqui para ti.

(7/10)

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Review: Vantage Point - An Answer You Won't Find (2019)


VANTAGE POINT - AN ANSWER YOU WON'T FIND
(Triple B Records)

Aproveitando a onda da Triple B Records, chega-nos mais um lançamento fresquinho. Desta feita o novo 7" dos Vantage Point, de Boston, que há uns tempos atrás (2018) tinham editado um 7" pela defunta Straight & Alert Records. Devo confessar que sou fã deste formato. Conheço quem tenha um ódio de morte aos 7"s, mas sempre tive um carinho especial. Gosto do facto de serem assim maneirinhos e regra geral não terem muitas músicas. Algumas vezes sabe a pouco, eu sei, e talvez este EP seja o caso.

Imaginemos que um daqueles dinossauros da cena esteve afastado durante uma década e ouve isto. A primeira reação provavelmente seria: "Wow, não conheço estas músicas de Turning Point, isto não está na discografia pois não?". Se me dissessem também que isto era o EP de Turning Point que eles tinham gravado logo a seguir ao "It's Always Darkest..." e antes das malhas do split com No Escape, era bem capaz de ir na conversa. Se estão a pensar que o facto de isto me fazer lembrar bastante Turning Point é um ponto negativo, não podiam estar mais enganados. Este EP apenas demonstra que estamos perante uma banda em evolução que já encontrou a sua zona de conforto. Estas 4 malhas até acabam por saber a pouco. Se a curtinha "Fade" lança o mote para o que teremos pela frente nos próximos 9 minutos (nem chega), a segunda malha "When The Dust Settles" fornece-nos o primeiro sing along do EP, enquanto pisca o olho a uns Have Heart ou Verse. As guitarras melódicas no refrão estão no ponto e as mudanças rítmicas na bateria, com este andamento mid-tempo arrastado muito 90's (e muito Have Heart - Armed With a Mind).

Se és uma daquelas pessoas que ainda não conseguiu superar o trauma do fim dos Have Heart, penso que os Vantage Point têm todo o potencial para ocupar esse lugar na cena de Boston. Só tempo o dirá. Por enquanto, este EP no repeat vai servindo para enganar a fome de um LP tipo "The Things We Carry" de Have Heart ou o "A Life Less Plagued" de Carry On.
(8/10)

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Review: Never Ending Game - Just Another Day (2019)


NEVER ENDING GAME - JUST ANOTHER DAY
(Triple B Records)

Acho que é seguro poder dizer que a Triple B Records é a principal editora de Hardcore no activo. Hoje em dia, a Triple B Records é o que a Bridge Nine Records foi nos 00's. Os lançamentos são mais que muitos e com uma regularidade assinalável. E se há algo que não se pode acusar a editora é de lançar sempre clones da mesma banda, ou cenas iguais.

Em relação ao disco em questão, este é o primeiro LP dos NEG, banda de Detroit nos Estados Unidos, cidade famosa pela violência, altos índices de criminalidade e pelo Robocop. Devo confessar que as primeiras cenas que ouvi dos NEG não me chamaram a atenção. O rótulo "Beatdown" tem o mesmo efeito em mim que os testemunhas de Jeová ou aqueles vendedores dos cartões de crédito nos shoppings. A minha reacção é fugir a sete pés ou fingir que estou a fazer algo importantíssimo no telémovel, normalmente uma chamada urgente. Mas o que é certo é que a banda até tem algum hype e se isso por vezes tem um efeito negativo em mim, desta vez até me deu vontade de dar uma chance a este disco.

Caso ainda não tenham reparado os 90's estão de volta e isso tem se vindo a notar nestas bandas "novas". Seja na utilização de "samples" de filmes, seja no som de tarola ou até no "estilo" da capa. 90's baby!!! Em termos de som, os NEG são uma banda "riff oriented", com mosh parts e breakdowns, mas daqueles mesmo a sério, com a guitarra em palm mute, pedal duplo, em que basta fechares os olhos para imaginares uma dezena de putos a tentar acertar no ninja invisível. Mas há que reconhecer que também não têm medo de ter versos rápidos e os refrõess com os gang vocals mais lentos. Mas agora que falo nisso, algo que estaria à espera neste disco eram mais gang vocals.

Para mim este disco tem 2 partes, até ao interlúdio N.E.G. Jams (faixa 5), as malhas parecem mais directas e incisivas, mas daí para a frente, sinto que tentaram acrescentar alguns "flavours" extra, tanto a nível de bateria como nas guitarras. O baixo é tímido, mas numa ou noutra parte sentimos a sua presença como que a relembrar que também existe e se quer mostrar um pouco.

No geral é um bom disco de uma banda que tem um pouco mais de "sumo" do que aquilo que inicialmente estava à espera. Atrevo-me a dizer que quanto mais ouço o disco, mais piada lhe acho.
7/10

sábado, 4 de maio de 2019

Review: Wild Side - Who The Hell Is WILD SIDE? (2019)




"It's Wild Side, to shut the skeptics up". Bom, começando (quase) pelo fim, na penúltima faixa do novo disco de Wild Side tenho uma resposta às minhas reticências quanto à qualidade do que resultaria este disco, expressas a meio de abril, quando saiu o single de avanço. Não que a faixa "Street Action" fosse má, mas depois do adiamento de cinco anos (!) do lançamento deste disco (promo cs em 2016...), não queria ficar com as expectativas em alta com uma faixa que "não me aqueceu nem arrefeceu", para ir buscar as palavras utilizadas no post.

E tal como eles dizem, tenho é de me calar e devorar este disco, que entrou diretamente quer para a lista de compras quer para a dos discos a ter em conta no fim do ano. A banda canadiana é boa e a demo provava-o, mas em cinco anos dá para voltar a cair um bocado na sombra, daí que até o título do LP faz sentido, afinal, que raio são os Wild Side? Depois do disco, acho que ficamos todos a saber, e a reter.

Musicalmente, é aquela receita caseira revivalista do que se fazia nos mid 2000's, época já em si revivalista. Muito Warzone na cabeça, bom estudo do catálogo da Lockin' Out e a usarem e a abusarem de dive bombs e aqueles solos malucos à rock clássico. Na escala de "voavas para ver" está num "claro que sim, tocam onde?".

quinta-feira, 21 de março de 2019

Review: MEDO - O Produto Somos Nós (2019)


Os farenses MEDO têm um disco novo prestes a sair e tive oportunidade de o ouvir antecipadamente.

A primeira vez que ouvi a banda curiosamente foi ao vivo. Estava perto e fui até à Lagoa de Santo André ao Lagoa Rock Fest em 2017 e eles abriram o segundo dia. Numa pavilhão ainda muito vazio uma coisa ficou na cabeça: riffs e a atitude em palco.

Portugal é um país pequeno, a cena hardcore mais pequena ainda, mas muitas vezes se não está à frente dos nossos olhos, não sabemos o que vai acontecendo e perdemos o fio à meada. Os MEDO não andaram escondidos, pelo contrário, mas tenho de admitir que dormi na parada - desde essa altura lançaram um disco (Medocracia, em 2018), e foram tocando um pouco por todo o lado.


Fast forward até 2019 e até ao videoclip que serviu de aperitivo deste novo disco - "Somos Nós". Foi-me sugerido por amigos, e essa é sempre a melhor publicidade. Aqueles riffs que me lembrava? Estavam lá. E mais do que futilidades e clichés do dia a dia, nada mais atual que uma crítica à nossa sociedade e à vida que vivemos online. Letra no ponto. E o produto somos nós...

Entretanto chegaram-me aos ouvidos as restantes faixas e fiquei positivamente supreendido. 10 faixas de hardcore cantado em Português, naquela tradição sonora que lá em baixo rotulam de FSHC, desde tempos idos. Tenho de admitir que a primeira faixa me lembrou foi mesmo Omited GR - mas isso só pode é ser bom. Participações de caras conhecidas da cena nacional que assentam que nem uma luva e não soam a forçado ou a participação "só porque sim".

O que mais gostei foi mesmo o facto de ser cantado em português e falar de temas atuais sem ter medo de por dedos na ferida. Desde a já falada exploração inconsciente da nossa experiência online, a problemas sociais e desigualdades económicas, até à violência doméstica, aos sonhos não atingidos e às várias formas de discriminação, percorrendo o disco temos uma boa crítica à sociedade que nos rodeia.

O concerto de lançamento é já sábado em Loulé, com BESTA e Galvana. Depois há muitas datas já marcadas para apresentar o disco a sul do país, com data no final do mês (28) em Lisboa, no Popular. Dito isto, não será por falta de oportunidade que não os vão poder apanhar na estrada.


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quarta-feira, 13 de março de 2019

Review: Gutter Knife - Boots On The Ground (2019)




Brighton já tem algo mais interessante para apresentar ao mundo que aquele pontão com as diversões manhosas – os Gutter Knife. Falo do que conheço, e da minha visita lusco fusco foi o que vi. Não fiquei impressionado.

O novíssimo disco da banda, com lançamento digital na segunda-feira passada e com edição física a sair a 18, via Quality Control HQ, foi a carta de apresentação destes rapazes, já que nunca os tinha ouvido. E isto sim, Impressionou. Vibrei, forte!

Aquele cocktail sujo de UK 82 misturado com Oi!, que os britânicos bem sabem refinar, seja dos pubs manhosos ou do tempo de merda. Ou do Brexit, ou da indefinição da May, ou do estado geral de confusão que aquele país parece atravessar. O que resulta é mesmo um disco bom de uma ponta a outra, sem espinhas.

Se tens saudades de 86 Mentality ou Violent Reaction (quem não tem?), ou segues tudo o que é feito pela malta da LS4, isto é para ti. Ou se quiseres, se gostares da cena NWOBHC e do que a Quality Control lança, é para ti, sem medo algum. Fanboy assumidíssimo da editora, mas este disco foi uma boa pedra no charco numa altura mais "sossegada". A diferença relativamente ao restante plantel é que é com malta do sul de Inglaterra, malta que certamente desbunda à grande naquela “praia” e apanha aquele “sol” forte com mais frequência.
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Aviso à navegação para quem compra discos: mal ouvi mandei logo mail à editora a pedir cópias...Holler at yo boy Backwash Records.

E Miguelito, tu que estás aí ao lado faz um favor a ti próprio e vai ver estes rapazes. Eu ia, na hora.