quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Review: The Rival Mob - Mob Justice (2013)

Sou granda fanboy de The Rival Mob. Mais vale ser fanboy assumido de uma banda decente do ser daqueles gajos que parecem pertencer a street teams imaginárias de bandas horripilantes. Sou daqueles que se fosse rico era capaz de ter as merdas todas, as cores todas, as tshirts todas, mesmo do show off e poserismo máximo. Sem medos. Não sei se o DFJ ia curtir, catalogava-me logo como fake core ou alguma merda digna de merecer atenção em futuras malhas de No Tolerance. O gajo pareceu-me bem sério da vida, mas nunca se sabe e na volta até me mandava merdas à borla e eu lambia-lhe as botas (botas, não bolas!) na boa. Com um cv daqueles é fodido não ser fã.

Mas vá, eu tenho sempre granda tendência para me dispersar e em escrever grandas testamentos. A seguir vou escrever um Novo Novo Testamento. Acho que fundar uma nova religião é uma cena que cai sempre bem, e acho que certamente se acabariam os meus problemas financeiros (já podia comprar mais merdas de  Rival Mob! win win situation...). Ainda estou a estudar se é daqueles cultos em que a malta se liberta dos bens materiais e se mata no fim. Claro que eu, como entidade divina, sobreviveria ao suicídio para poder gozar dos bens recém adquiridos.

"Foda-se, anda lá com essa merda!" Pronto, tasse bem. Review faixa a faixa, em que analiso o impacto do som nas capacidades sensoriais da cobaia, na actuação do indivíduo em grupo e na sociedade, bem como eventuais efeitos secundários de tal acção. Tipo bula dos medicamentos, com direito a graduação do risco para a sociedade do acto de ouvir o lp. Infarmed/Direcção Geral de Saúde/OMS, esta merda é para vocês, se quiserem dar-me emprego enviem email.

O disco começa com um grito de guerra para o Homem-de-Neandertal. O André aí numa conversa diz que não é grande fã de intros, fora uma ou duas (lembro-me da referência a Breakdown...), mas tenho a certeza que ele há de ser fã desta. Vá, a sério, quem não é? Intro para meter tudo à mocada de uma assentada. "O baixo, o baixo!" Sabes como é que é. Perigo grave de vazamento de globos oculares e de saíres com marcas de pés nas costas e cabeça. Mete um saco com gelo logo de lado porque o resto do disco não promete calmaria...

Mob Justice! It's just fucking us! And we're all gonna bust! tan tan tan. A parte lenta representa um perigo grave de espezinhamento em caso de queda no pit. Atenção a potenciais individuos encostados às paredes laterais, certamente serão vitimas de boa fruta. Se quiserem moshar em casa tirem os móveis do caminho, e se tiverem aquelas paredes ranhosas de cartão mesmo à americano redneck metam um colchão porque arriscam-se a partir essa merda e a entrar pela casa do vizinho adentro.

It Must Be Nice... era a malha promocional (a seguir à tape promocional...) que a Rev meteu, que no final apanhavas uma beca de Judge e do documentário do edge. Letra do caralho, a dizer das boas aos pseudo thugs da cena. A música é certamente boa banda sonora para um valente beatdown nessa escória azeiteira. O final abranda um bocado, mas se a posologia for bem administrada, a meio da faixa já estarão bem exaustos.

A Boot Party é a minha malha favorita. Já era na tape, mas a vibe oi! do refrão conquista-me. Amor à primeira audição, sabes como é que é. PCs and Nazis get out of this place, or we might just party on your fucking face!

Eu sei, eu sei que está aqui malta de No Tolerance, mas o riff e o tempo da Life Or Death lembra-me TANTO NT, especialmente no início. Mosh parte fodida no final, podem trazer paus e pedras que é na boa. Se ainda não partiram nada, não têm hematomas nem dentes a menos, repetir a dose até tal facto.

Fake Big, Fuck Off, Fake Big, Fuck off! Chamar os bois pelos nomes? Check! Vedetas de uma cena underground chamadas ao corredor nº3 para limpar vomitado. Por esta altura já deves ofegar, seja em casa ou (se deus nosso senhor jesus cristo e o resto dos amigos quiserem) num futuro próximo em concerto. Malha para varrer a sala e limpar o lixo que por vezes se esconde nos cantos mais difíceis. Há que tirar sempre toda e qualquer sujidade acumulada.

Ter um disco onde tens a combinação perfeita do som que adoras com letras que vão tão ao encontro daquilo que pensas e como olhas a cena hardcore é só a melhor coisa. Quem tem seguido as instrucções já deve escorrer suor. Boa, metade já está, só faltam 50%. É bom, queimas calorias e tudo (atenção Axeman). Be somebody and think you're real fucking cool...from where I stand you're the fool.

A Friendly Freaks tem uns solos fodidos, com parte final para andar a pisar baratas e cabeças. Se o número de galos for inferior a quatro, mantenham-se junto ao palco por forma a mais malta vos conseguir saltar para cima. A Brutes of Force é uma malha fodida, em que te dizem que nem o teu iPhone nem o teu treino de MMA te vai salvar dos bruta montes pré-históricos que vêm aí para te aviar um enxerto de porrada. Se não podes lutar contra eles, podes sempre juntar-te a eles...

Por esta altura deves estar bem cansado. Inicialmente não disse para acautelares aí umas garrafinhas de água, mas ficas a saber. Fica para a segunda dose do medicamento. É sempre importante acautelar provisões. Homem prevenido vale por três.

Bom, mas a review já vai longa, os teus cortes profundos já devem estar a sangrar de forma perigosa e a cabeça deve latejar forte e feio. Aproveita agora que dos 21 minutos de disco só faltam cinco e três faixas. É o forcing final, o mosh final, ou o que lhe queiras chamar. Chama o INEM pelo sim pelo não, pelo menos para irem retirando os feridos em combate, ou então forma uma pilha com eles que ajuda nos dives.

Se sobreviveres, a tua única opção é voltares a ouvir este disco. "Ah, mas estou todo fodido!" Amanha-te! Analgésicos, gesso, compressas, linha e agulha, serão os teus melhores amigos. O último a sangrar perde, e este disco provoca um acesso de chapadaria a que dificilmente escaparás. Podes sempre tentar...mas sabes como é...People say the winter is coming...motherfucking Mob Justice that's what's coming!

Review: The River Card + Challenge + Holder + Dear Watson @ Rep. Música, Lisboa


 O concerto de sexta-feira passada deixou um rasto de animação para o resto dos dias que se seguiram, e julgo que não o podería deixar passar sem que ficasse um registo escrito do acontecimento. O Tiago, enquanto organizador, juntamente com os rapazes Luz e o Sebastião Monteiro, referiu logo que não faria sentido ser ele a escrever, por isso, vamos nessa.

Dia horrível. A sério, chuva intermitente, daquelas que quando bate, bate forte. Um grizo parvo. Provavelmente dos piores inimigos de um organizador de eventos juntamente com a falta de dinheiro generalizada. Mas fez-se a noite com 59 pagantes, duas bandas em estreia, mais uma de malta das Caldas e outra inglesa.

A Márcia e eu chegámos absurdamente cedo numa de ainda tomar café, mas parar o carro ali ao pé foi missão impossível. Os fiéis das inúmeras igrejas da zona industrial de Alvalade – todas elas com combinações diferentes das palavras Deus, Céu, Reino, Maná e Salvação – açambarcaram todo e qualquer lugar existente. Num pit stop no Pingo Doce encontrámos o BrunoCRHC ao comando do carrinho de compras e Tiago em fúria – sempre tranquilo, apesar de tudo. Qualquer coisa sobre a máquina ter comido o cartão multibanco, mas seguiram a correr para a República da Música.

O tempo de espera até às 21h fez-se enquanto ia aparecendo malta e se punha a conversa em dia mas, com tanta coisa, perdemos a noção das horas e já não apanhamos Dear Watson. Segundo consta, estão verdinhos ainda mas é para isso que as estreias servem. Vi um preview deles no youtube, e andaram a gravar com participações do Johnny Slap de Reality Slap e do Noia de PxHxT. A ver se da próxima não perco.

Quando finalmente entrei, vi pela primeira vez a modalidade “meia-sala”: sem PA a estorvar no meio e o palco mais pequeno, a meio da sala, onde o resto fica tapado por uma parede de lençol. Era a vez de Holder e esperava-os um público de gente encostada à parede. No cartaz vinha a descrição de metalcore dos infernos. De facto, julgo que ninguém estava preparado e no veredicto final pode dizer-se que gerou opiniões divergentes – desde veementes “nãos” até “curti da onda, ouvia de novo”. Não é um som fácil de digerir, mas a postura era muito sa foda, pelo menos o Gonçalo não estava nem aí para se estavam 2 ou 100 pessoas ali, e se os estavam sequer a ouvir. Dizem que houve cover de Integrity, não sei dizer. A música dos highs – cover de um assassinato – caiu tipo bomba e a bateria verde metalizado muitíssimo mal micada, completava o quadro.

Directamente das Caldas da Rainha, os Challenge quase já não precisam de apresentações. Andam a ganhar uma merecida visibilidade e a adesão do público torna-se cada vez mais notória de concerto para concerto.  Já os tinha visto mais duas vezes, mas esta foi a primeira vez que realmente prestei atenção. My fault. Foi a festa em modo “antigamente”, sem merdas. Tudo lá para a frente, circle pits e gente de um lado para o outro. Até o Peter deu no 2step, acho que não é preciso dizer mais nada. Vou andar mais atenta à banda – leia-se “sábado dou segunda dose”.

Os britânicos fechavam, e eu confesso que fui sem ter ouvido nada antes. Na boa, assim vale a pena ir ver bandas novas. Via-se que era hardcore brit, voz e guitarradas, mas sem aquelas cenas à ninja brit, não sei se me faço entender. Dava espaço para tudo, incluindo umas partes melódicas q.b ou uns momentos mais arrastados. E o vocals sempre a fazer metal horns a segurar o micro? Bom! Isso e os calções de praia do baixista. “Cala-te e toca que tás de calções de praia!” Lindo. Cereja no topo do bolo: Cover de Mags (não tiveram alternativa!) com a parte de baixo a ser cantada e baixista a curtir cá em baixo no pit. Mais circle pits, mais 2step a torto e a direito, polícias sinaleiros e harlem shakes, o que quiserem, tava tudo na mesma onda, que momento tão positivo! Thumbs Up!

O veredicto final é unanime, e do que a malta tem falado na net ou pessoalmente, ficou tudo com a mesma impressão desta sexta. É mais disto que se quer! Mais iniciativas com bandas novas e diferentes, mais gente com esta onda. Menos paleta, mais espírito “hardcore pelo hardcore”. Foi mesmo daqueles concertos dos 9 aos 99. Saí de lá de sorriso rasgado.

Review por Bárbara Sequeira

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Playlist da Semana #34

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Foo Fighters - Foo Fighters - Comprei este disco no ano em que saiu. Alguém para subir a parada? 1995. Tipo, estava mesmo naquela fase Nirvana quando o Kurt morreu e, sabendo que o Dave tocava aqui (e curtindo bué a capa), decidi gastar os meus 3000 escudos nisto. Acho que era à volta disso que um CD custava na altura, mas posso estar enganado. Que rockada de disco. Honestamente, não me entra mais nada dos Foos. Claro que adoro o Best Of de uma ponta à outra, mas acho que depois deste ficaram um pouco banda de singles. Ou isso ou tenho de lhes dar uma outra chance.

War Hound - For The Hounds Demo - E é assim. Chamaram-me à toa para uma discussão sobre o tal vídeo polémico desta banda (ao qual colei mediatamente) e agora que sei que eles vão vir a Londres, claro que ando a carregar na dose. Why not, right? Assim em vez de mandar só paleta com cara de mau de braços cruzados, também posso mandar uns chutos nos putos burros que andam pelo pit. Será que vou levar uma camisola do United para dar raia? Possível. Ou então guardo para o concerto de Rival Mob. Ou faço nos dois. Mas não acho que War Hound valha uma ida ao hospital. Logo se vê.

Liar - Deathrow Earth - Pshi, bem buscado ao baú este... Curto bué Liar. Este disco é fixe porque tem bué blast beat. Ratatatatatatatat. Granda onda. Pedal duplo, riffagem acutilante e um bom blast beat pujante que é para ninguém ficar a anhar. Se tem risadas maléficas? Sim, também. lol, e daquela vez que eles tocaram no Campo Grande e o Quim Bola dos hipsters andava lá de chapéu de chuva armado em Zé Manel. Que paciência. Claro que depois o karma virou-se contra ele em Black Friday '29 quando o Fink sacou uma surpresa do bolso depois de ver que ele estava a fazer troça da forma como o pessoal estava a dançar. Acontece. Concertos de hardcore podem ser algo intensos para pessoal de outras cenas mais calminhas e fofinhas - por algum motivo lhe chamam slam dance.

Daft Punk - Homework - Outro que comprei quando saiu. Doeu-me mais ou menos quando foi a moda do electro e ficou tudo maluco por Daft Punk assim de repente. Se eu tiver uma lista de 50 discos preferidos este está lá. Bom garage, bom house, bons samples, bom ácido... granda disco. Admito que sou muito fã de Daft Punk mas, falando verdade, nada do que eles fizeram depois chega aos calcanhares deste Homework. É tipo... virgem, puro. E os vídeos dos singles todos? Granda check. Aliás, já não ouvia a Around The World há algum tempo e acho que ela agora tá-me a soar diferente. Adoro quando chego ao segundo patamar de um disco. Faz-me sentir vivo.

Jake Bugg - Jake Bugg - Eu nem sou muito de cair pela armadilha das rádios tocarem sempre a mesma música até tu a adorares. A sério. Embora este miúdo esteja sempre a passar, confesso que a música tem granda qualidade. Para começar ele tem 18 anos, depois escreve as próprias músicas e, por fim, diz aquilo que lhe vai na cabeça. Qualquer gajo que mande dicas para bandas como os Mumford and Sons e hipsters do género ganha logo pontos no meu livro. Não fosse só isso, o disco tem praí uns sete ou oito singles que podem ser espremidos mesmo na boa. Querem começar a juntar uma playlist de Verão? Comecem por aqui. Um mano com influências de Johnny Cash e Rolling Stones. Fodasse, obrigado por existires.



The Rival Mob - Mob Justice - It's just fuckin' us! Andar mega ocupado tem disto...playlist em atraso, conteúdos para o Nós Contra Eles em stand-by, tudo à minha pala. Mas hey, ao menos posso já dar um lamiré sobre o que certamente será dos melhores discos do ano. Por enquanto é só lamiré, que isto vai ter uma review como manda a lei, ou talvez mesmo fora dela! A parte má é isto ter poucas malhas, acho que se tivesse o dobro das músicas ainda assim não me saciava a fome de boas músicas. As malhas do promo estão cá com outra gravação, mais polida, mas não menos boas. Para mim, está é, actualmente, A BANDA, e em nada este disco me desapontou. CHAPADA NA TROMBA!

Wasted Time – No Shore - Semana bem fraca no que diz respeito à quantidade de música que ouvi. 10h por dia no bules? Por aí…de vez em quando um bacano mete aí umas coisitas, mas estares a ouvir um mega mix em que tanto estás a ouvir Emicida como umas cenas cubanas, Manu Chau, e a seguir passas para umas faixas electrónicas da moda, daquelas calminhas com synths e vozes sensuais de miúdas, não se pode qualificar como uma boa selecção musical, ou pelo menos uma que mereça especial atenção (quer dizer…mereceu aqui um parágrafo). Mas hey, recebi aí numas trocas para a distro o 7” de Wasted Time, e queria só afiançar que isto é granda bomba. Grave Mistake Records vintage shit, colheita de 2007. Acho que o Boris tem o LP à venda.

Challenge – Demo – Foda-se, que abuso de concerto na 6ª feira. Ok, fui eu que o organizei, mas acho que não estou a mentir. A malta que enfrentou a chuva e foi até Alvalade é testemunha. Ás vezes ouço uns zumzuns de alguma rapaziada nova a mandar boquinhas ao som da banda, devem ter os ouvidos cheios de cera. Será que não há lugar para o old school no Hardcore? Se calhar não há é lugar para ti! Este fim de semana FTG nas Caldas? Até te benzes.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cinco Às Quintas: André Lopes d'Oliveira

Esta é uma rubrica em que colocaremos (quase) todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda ou pessoa fixe.


Num momento de bipolaridade ligeiramente elevada decidi entrevistar o André para o Cinco Às Quintas desta semana. E porque não, né? As regras só existem para serem quebradas. Para quem não sabe, o André teve umas editoras, marcou uns concertos, teve uma banda e, mais recentemente, pegou no Tiago e criou o blog mais badalado da cena hardcore desde o guestbook do site de Fight For Change. Chegou-me aos ouvidos que ele lançou um livro recentemente (quer dizer...) e, com uma apresentação aí a rebentar, a oportunidade não podia ser melhor!

André, antes de mais muito obrigado por aceitares o convite para responderes a estas perguntas. Tenho a certeza que és um homem ocupado e certamente terias melhores coisas para fazer com o teu tempo. Para os que não fazem ideia do que se trata, como introdução, fala um pouco do teu livro - de que é que trata afinal?

Ahah, obrigado eu! O tempo continua a ser meu inimigo mas, como eu costumo dizer, o tempo é aquilo que fazemos dele. Confesso que às vezes me irrita um bocado pessoal que não tem tempo para nada mas também nada faz do tempo que tem, sabes? Mas pronto, não quero divagar! O meu livro (chama-se "Destino: Costa Oeste dos Estados Unidos", já agora) é sobre a viagem que fiz à Costa Oeste dos Estados Unidos (doh!) em Setembro de 2011. Mais do que uma viagem, foi uma aventura! E que aventura. Percorri 10 cidades em 14 dias e vi... praticamente tudo o que havia para ver. Não literalmente, claro, mas vi um porradão de coisas - desde o Grand Canyon, passando pela Golden Gate Bridge de San Fran e pela Space Needle de Seattle. Não creio que tenha falhado nenhum ex-líbris das cidades que visitei e fartei-me de conhecer pessoas - desde o ex-traficante de droga mexicano em Tijuana à miúda nepalesa no autocarro de Seattle para Portland que estava a cinco minutos de ver a irmã que não via há oito anos. 

De onde surgiu a ideia de escreveres um livro? Já tinhas escrito alguma coisa antes ou foi a primeira vez? Qual foi o processo de lançamento? Arranjaste uma editora ou lançaste o livro por ti?

Bom, eu já escrevo sobre as minhas viagens e aventuras há algum tempo - desde 2002 para ser mais preciso. Honestamente, nunca liguei muito a isso. Fazia a viagem, escrevia e depois guardava para mim ou publicava em blogs, no Live Journal ou em fóruns que tinha com alguns amigos. Não foi até 2010 que comecei a receber feedback positivo relativamente a textos que ia publicando no meu blog pessoal e publicitando no Facebook. A partir daí - e umas viagens depois - foi um passinho até perceber que o tamanho de alguns textos (disponíveis no meu site) estava a fazer com que muita gente não os lesse. Solução? Lançar um livro. Isso é pondo as coisas de forma muito simplificada, mas foi mais ou menos o que aconteceu.

O livro foi escrito, editado e publicado por mim - contei com a ajuda preciosa de alguns anjinhos que queimaram algumas horas de sono para me rever o livro e apontar alguns erros, algo que me há-de deixar grato para todo o sempre. Também tratei do layout, paginação, do site promocional, do vídeo promocional, etc. Não nego que tenham sido seis meses bastante intensos, mas valeu a pena, principalmente depois de ter o livro na mão pela primeira vez! Aproveito só para mandar um grande prop para o Ema, da Juicy Recs, que se não fosse ele eu nunca teria ouvido falar do Createspace e nada disto teria provavelmente acontecido. One love buddy!

Na próxima segunda-feira vais estar na FNAC do Chiado para apresentar o teu livro, certo? Queres falar um pouco da apresentação e convencer a malta que nos lê a ir lá dar um pulo (como se esse não fosse o propósito desta entrevista!)? 

Sim, fui convidado para ir à FNAC apresentar o livro e falar um pouco da viagem. É a primeira vez que vou fazer alguma coisa do género e estou relativamente excitado com isso. Preparei (na realidade ainda estou a preparar, lol) uma apresentação janota que se vai centrar na viagem em si - experiência, expectativas, histórias, etc - e também passar um pouco sobre como é viajar sozinho, os contornos da rota escolhida e a habitual dose de humor que quem me conhece não vai estranhar. A única coisa que posso prometer é que vou levar a minha melhor camisa e um saco de boa disposição para quem me quiser ouvir. É na próxima segunda-feira, dia 25 de Fevereiro, às 18:30 na FNAC do Chiado. Fica aqui o link para o evento no Facebook. Apareçam e tragam amigos! 


Tens alguns planos para o futuro que envolvam a escrita ou isto foi só um one off? 

Tenho. Se tudo correr como eu espero, daqui a uns anos hei-de conseguir fazer vida disto - é algo em que me ando a aplicar muito seriamente. Brevemente vou publicar no meu site um texto sobre a minha recente viagem de três dias a Paris que há-de ser interessante para quem goste desse tipo de aventura urbana. Não vai fugir muito à onda dos que podem ser encontrados no site. Depois disso, ainda antes do Outono, conto lançar um segundo livro, sobre uma semana que passei na Argélia no ano passado - naquele que foi o maior choque cultural que já apanhei na minha vida. Tenho histórias que batem aos pontos o episódio caricato em que quase fui violado por um negão em San Francisco no Destino: Costa Oeste dos Estados Unidos. Depois disso planeio escrever pelo menos um livro original antes de deitar para trás emprego e apartamento em Londres (no que vão ser "sete anos depois" por cá - em Outubro de 2014) e ir viajar pelo mundo durante cerca de ano e meio. 

Para além disso vou lançar "brevemente" um site sobre viajar de mochila com vários guias sobre as cidades que visitei e outras dicas que possam ser úteis a quem pretenda fazer algo semelhante. O mundo precisa de menos turistas e mais viajantes. 

Bom, espero que não leves a mal a última pergunta ser sobre hardcore, ahah! Sei que a tua opinião em relação a reunion shows é bastante clara, certo? Creio que a tua opinião em relação aos reunions de Judge, Black Flag, Chain of Strength, etc. seja a mesma que a minha por isso nem me vou alongar muito por aí. A questão que te quero colocar é se alguma vez vamos ver um reunion de Killing Frost? 

Na boa, com perguntas sobre hardcore aguento eu bem, ahah! Pá, a cena dos reunions acaba por ser para o lado que durmo melhor. A minha opinião sobre isso é que há certas bandas que tiveram o seu tempo e deviam ter ficado onde acabaram. Que sentido faz uma banda como Antidote tocar em 2013? Black Flag então nem sequer vale a pena falar - principalmente tendo em conta a posição da banda em relação a isso ao longo dos anos. Mas por exemplo, bandas como Strife, Cro-Mags ou Gorilla Biscuits... creio que continuem a fazer tanto sentido hoje como faziam há vinte anos atrás. Como te digo, é para o lado que durmo melhor - se querem fazer reunions e encher o cu de guita à pala dos burros que só sabem gastar dinheiro em merch, força. Quem sou eu para me opor? Só é pena que a vontade de voltar a tocar com o fantasma do passado não se estenda a fazer novas bandas e lançar música nova. Pode ser que o Mike toque de X na mão, lol.

Quanto a Killing Frost, que descansem em paz. Quem estiver no sítio certo, no sítio certo estará. In inceptum finis est: XXII-III-MMXIII.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Review: For The Glory + Shape + Overcome @ Estudantino Bar, Viseu


Não sei quanto a vocês, mas eu adoro Viseu. Acontece que a melhor altura para lá voltar coincidiu com o concerto, juntando-se assim o útil ao agradável. Tenho de agradecer muito ao meu amigo Tomek pela bela recepção, excelente comida e o cão de loiça que me marcou a vida. Safou-me a estada na Visa! Para começar estava um frio de rachar, daquele que estás a fumar um cigarro e a certa altura já não sabes se estás a deitar fumo ou não. Nessa tarde fomos ao Estudantino buscar os bilhetes e acabamos por encontrar a Leo e apanhar a chegada das bandas. Entretanto um jantar meteu-se pelo meio e só lá voltámos à hora de início. Muitas caras conhecidas, incluindo a malta de Coimbra a marcar presença.
Adicionados ao cartaz à última da hora e acabadinhos de vir da Galiza, os Ovecome foram os primeiros a tocar. Com o Tiago fora, a voz ficou apenas nas mãos do Vasco. Estranhei um bocado a diferença, pareceu-me menos pujante do que Overcome nos habituou. Mas aquela cover de Warzone rendeu! A sala estava muito parada ainda, coisa que só mudou pela mão da malta mais nova e do pessoal que veio de Coimbra e Lisboa.

Depois da pausa do costume, Shape. Ainda me lembro da altura em que vi Shape pela primeira vez e estranhei. Esqueçam isso, adoro. E nem é o tipo de som que mais me chama, no que toca a maior parte das bandas, antes pelo contrário, mas hoje em dia é das bandas da tuga que mais sinto. O Cabeças cá em baixo, os restantes distribuídos pelos degraus – era um palco com andares. Havia muita gente ali que não conhecia, mas teve os singalongs merecidos e começou finalmente a haver movimento no público, o que fazia esquecer o gelo lá de fora. As malhas continuam a ser essencialmente as mesmas a que nos habituamos a ouvir ao vivo, explicaram que iam deixar os palcos durantes uns tempos, e fizeram um belo show.

Por fim, For The Glory. O Congas estava a tomar o gosto da spoken word desta vez, foi só rir. Começaram com a Armor of Steel, se bem me lembro e a partir daí foi sempre a partir. Eu ia-me matando. Já dizia a minha mãe que isto não era vida para uma senhora, mas eu também nunca liguei muito. Eles já não iam a Viseu desde a década passada, não sei precisar a data, mas “é bom voltar à terra do Paulinho”. Passaram pelos clássicos e sons mais recentes, fez-se a festa, como um concerto de hardcore tem de ser sempre. Até houve direito a um encore com a Drown in Blood, já em modo toscaria máxima. Depois o noite continuou-se pelas ruas de Viseu, com anões que não eram anões, o bar que passou a chamar-se “Haviamento” e gajas vestidas de Sítio do Pica-pau Amarelo, não fosse este o fim de semana de Carnaval. Garanto que Viseu ’13 me vai ficar na memória.

Review por Bárbara Sequeira

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Playlist da Semana #33

 Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Think I Care - Mongrel - Só esta semana saquei e ouvi Think I Care com alguma atenção. A banda acabou (e acabou com altos stresses, obrigado Chunks #7 por meterem o dedo na ferida) e segundo o Chris Corry nunca há de voltar. É daquelas alturas para dizer "porque é que não ouvi isto mais cedo", que me metem aqui todo maluco aos saltos e a mandar marradas na parede. Ou é da música ou de me ter esquecido de tomar os remédios, das duas uma.

Moonstomp - They Never See - Oi! americano, já se sabe que apanham umas malhas todas patrióticas. Boa descoberta, sempre curti bué as bandas clássicas do Oi! inglês e quando vieram à baile tops de melhores discos de sempre e este apareceu lá umas quantas vezes tive de ir botar olho, os americanos claro que puxam a brasa à sardinha deles.


Side By Side - You're Only Young Once - Quantas vezes foi este disco aqui referido? Bastantes, mas nunca as suficientes. Dos meus discos favoritos de sempre! You're the disease and we're the cure, someday will take care of you, for sure! Demasiado bom. 

S.H.I.T. - Live at Studio 3 - Depois de Urban Blight e Violent Future, pingou aí na net mais um set no Studio 3 de uma banda canadiana. Consegui safar isto para a distro há uns tempos e felizmente já vendi tudo. Boa banda, hardcore todo distorcido, assim meio frito na linha das cenas da Youth Attack. Começar o set com duas covers de Bad Brains seguida de uma de Discharge é aquela cena para mostrar que é malta de barba rija. Malhas novas incluídas.



Length Of Time - How Good Could The World Be... Again - Lembro-me como se tivesse sido ontem. Vi os gajos pela primeira vez no Ieper Fest de... 2002, quando o Ieper Fest ainda não envolvia hippies e lutas na lama. Bons tempos, LOL! Concertos no parque de estacionamento? Sim, se faz favor. Se querem que eu diga, eu digo: Isto é que é metalcore. Tem hardcore e tem metal. Não é metal a chamar hardcore, é hardcore com cheiro metal. Eu sou meio duvidoso porque ADORO metalcore daquela altura (show off pesado), mas ya, esta é capaz de ser daquelas bandas que nunca me farto de ouvir e que não preciso de estar "no mood" certo. É headbang e mocada a torto e a direito. Podia ser pior.

Set desta semana do DJ Hype na Kiss FM - Fala sério, DJ Hype não falha nunca. Tenho andado ocupado com a apresentação da FNAC (O quê? Eu vou à FNAC apresentar o meu primeiro livro segunda-feira dia 25 às 18:30? Granda onda. Click here for more info!), algo que pede uma banda sonora bem mexida, que passar horas a olhar para o Photoshop e a cortar e colar imagens é muito fixe mas deixa-me loco en el coco. Neste set do Hype o gajo mandou-se bem para o old school e foi brutal. Fãs de drum n bass à antiga na casa? Levantem o dedo. Primeira festa a que fui? Dillinja e Lemon D no Mercado da Ribeira praí em 2003? Antes? Não me lembro. Talvez tenha sido antes. O Dillinja não apareceu porque estava "doente". Yeah, right.

Snapcase - Lookinglasself - Uma vez passei isto ao Tiago no Discos Trocados. Claro que eu já sabia que ele me ia odiar - dar uma pastilha destas a um mano que curte maioritariamente música rápida não pode dar bom resultado. Claro que a minha opinião é positivamente oposta à dele: man, Snapcase? Que bandão. Este disco é bem lento e bem groovy, mas é uma granda jarda. Quando estou neste feeling anos 90 são logo das primeiras bandas a desenterrar. Depois se calhar faço um Culture, um Morning Again, um Unbroken... Essas ondas, vocês sabem.

Suicide File - Twilight - No outro dia fui ver The Bronx. Nunca tinha ouvido e não fiquei muito espantado. Eles dão granda concerto ao vivo, mas soou-me assim a um Suicide File para betos, estão a ver? Tipo, se os Suicide File decidissem fazer uma banda tipo The Hives saía The Brox. Mas na boa, claro - not like give a shit. Certo é que vim para casa no metro a representar bom air drums ao som deste discaço (e do EP também, sabes) e a deixar tudo a olhar para mim como se fosse maluco. Típico.

Black Sabbath - Sabbath Bloody Sabbath - Fogo, Black Sabbath. Granda som. Sempre indeciso sobre qual dos primeiros cinco gosto mais. Foi uma daquelas bandas que só entrou na minha vida a meio dos vinte mas, falando sério, acho que foi a altura certa. É preciso algum palato para conseguir apreciar esta banda na sua totalidade. Ultimamente tenho voltado sempre a este disco, não sei se é por as músicas serem mais orquestradas e envolventes? Ou se calhar é daquele synth na Who Are You? Pesado. Há gostar de música pesada e não gostar de Sabbath? Na, há é muito calhau com olhos. Ou ouvidos neste caso.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Darby Responde #8 - Converge

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Olá malta! Tudo bem? Acabei agora de ver aquele vídeo com o mano de Converge e estou bué inspirado - daí ter decidido mandar uma "carta" com um pequeno desabafo! Olhando para a discografia de Converge não há como negar que eles são uma das mais prolíficas bandas de hardcore dos últimos tempos. Eu já os acompanho há um par de anos, tendo inclusive a oportunidade de os ver ao vivo em Bilbao numa das tours mais recentes. Foi demasiado bom. O Jake é um dos melhores frontmans que aí andam. A forma como ele se deixa envolver pela música e expressa os sentimentos através da agressividade do som é um espectáculo digno de se ver. O som parece que melhora de disco para disco, ficando mais e mais desafiante para o ouvinte - difícil de descrever em palavras. Isto, claro, sem ir à genialidade que são os artworks e a mística em volta da Deathwish. Não tenho problemas nenhuns em afimar que os Converge são uma das principais razões que me fazem ser do hardcore e gostava de os ver referenciados mais vezes no blog.

Paulo Lopes - Sintra

Olá Paulo,

Os Converge não são uma banda de hardcore.

Darby

Cinco Às Quintas: Same Old Chords

Esta é uma rubrica em que colocaremos (quase) todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda.


Os Same Old Chords são uma banda formada no início de 2012, mas que, fruto de alguma indefinição na formação da banda, reaparecem agora com força e vontade de dar concertos, e que entram com o pé direito em 2013 já com concertos dados e outros marcados. Seguem algumas questões feitas ao Flávio e à Márcia.

Fotografia por Bárbara Sequeira ©.
Falem-me um bocadinho do percurso da banda desde a sua formação até agora. Confesso que acompanhei sempre ao longe, lembro-me de ler sobre o vosso concerto em Casaínhos com a Inês de Backflip a cantar e dos concertos em Dezembro no Porto, até que em conversa com um amigo soube que a Márcia estava agora na voz e que a banda tinha encontrado uma formação estável e com o gás todo para começarem a tocar em força.

Flávio - Eu conheci o Bruno e o Dani (baterista e baixista) porque tenho uma sala de ensaios perto de Loures desde meados de 2011,  e já não sei muito bem como, eles vieram cá parar pra ensaiar com um projecto que ainda mantêm que são os ''Ke Sa Foda'', uma banda com influencias funk/rap metal em portugues, entretanto fomos começando a conhecer-nos melhor e como eles curtiam do som que sacavam na minha sala trouxeram pra ensaiar cá um outro projecto que tinham os dois, numa onda mais hardcore/punk.

Começaram por ser 3 elementos,  mas no inicio de 2012 o guitarrista decidiu ir pra Inglaterra tentar a sorte a nivel profissional,  porque como toda a gente sabe, isto aqui tá a ficar fucked. Então, como sabiam que eu tocava guitarra convidaram-me e eu aceitei de imediato, na altura tava a viver uma fase lixada a nivel pessoal e arranjar uma cena pra ocupar a cabeça e o tempo veio mesmo a calhar, entrei com a força toda e começamos imediatamente a trabalhar em originais que eu já tinha em mente há algum tempo, só de uma forma instrumental,  na altura ainda nao se pensava em vozes nem em letras, só em fazer partes musicais que, acima de tudo, nos desse pica tocar.

Como a sala era minha, tinhamos todo o tempo do mundo pra tar aqui a experimentar coisas em conjunto,  eu vinha com bué ideias porque sempre quis tocar e sempre fui compondo riffs sozinho, mas até aqui nunca tinha arranjado as pessoas certas pra por em pratica. Propus várias mudanças que foram abraçadas por eles sem qualquer problema, como por exemplo mudar o nome à banda,  deixar pra trás as 2 ou 3 malhas que eles já tinham e começarmos a fazer uma cena nossa toda de raíz,  porque quase de certeza que as ideias que eu trazia íam destoar bastante do que eles já tinham.

Continuámos a criar originais até termos umas 6 ou 7 malhas, e aí já se impunha pôr uma voz pra começar a levar a coisa um bocado mais a sério. O Dani rapidamente escreveu letras pra cima dos riffs todos e como na altura nao nos queríamos precipitar na escolha de uma voz,  nem tinhamos muito bem definido o que pretendiamos pra futuro (além de termos tido desde sempre a ambição de por uma voz feminina), lembrei-me de convidar a Inês de Backflip,  que é uma grande amiga minha já há uns anos,  pra vir gravar as vozes na primeira demo,  só numa de de certo modo ''lançar'' a banda, e dizer que tamos aqui a fazer coisas e a tentar que essas coisas cheguem a alguém. Ela aceitou,  porque no fundo não tinha nada a perder,  e como tambem tem a paixão pela música,  foi na boa,  ou seja,  nós os 3 começamos a banda em finais de Fevereiro e talvez em finais de Abril estávamos a gravar a primeira demo, que depois foi apresentada e oferecida só nesse concerto que referiste, o de Casainhos no dia 8 de Setembro.

De certo modo depois da gravação da demo e desse primeiro concerto veio à baila a ideia da Inês se juntar a nós definitivamente, porque ela tem alguns dos ingredientes que consideramos essenciais pra isto: uma voz potente, uma granda paixão e uns tomates do caraças pra tar em palco com apenas um microfone na mão,  mas a Inês estava e está actualmente completamente focada em Backflip e não quis assumir o papel de vocalista em pleno. Mas ainda foi a tempo de ir à Casa Viva ao Porto connosco pra um concerto.

A ideia da Márcia na voz já era uma ideia talvez até anterior à ideia da Inês,  porque eu já a conhecia de nos cruzarmos por aí, e tinha ficado maluco com a prestação dela uma vez num concerto de Sick Of It All em Corrois. Só que a minha confiança com a Márcia não era a mesma que tinha com a Inês, até porque tambem tenho o meu quê de timidez (ahahah), e como quando gravámos a demo ainda tava tudo muito incerto a nivel de caminhos a seguir em relação à sonoridade e etc,  achámos benéfico fazer a cena nas calmas com a Inês e depois quem viesse pegar nisto era só reproduzir o que ela tinha feito na demo. Mesmo que não ficásse exactamente igual,  pra nós não havía problema, queriamos era tocar aquilo.

Hoje em dia, já consideramos a Marcia um de nós,  porque ela tambem tinha há muito o sonho de ter banda,  e tambem é uma miuda com um tremendo gosto por isto (pelo menos vejo-a em concertos por aí há quase, sei lá, uns 8, 9 anos?) que escreve bem e que tambem tem balls e atitude suficiente pra fazer na perfeição o papel de ''front man'', front-gaja neste caso. E acho que agora encontramos a formação ideal porque tamos os 4 nisto de corpo e alma,  claro que ainda com algumas arestas por limar,  porque os ensaios em conjunto não foram tantos assim até esta altura, já tocámos com ela na voz duas vezes ao vivo,  uma no Porto e outra em Coimbra mas faltam amadurecer algumas coisas que agora com o tempo e bastante comunicação vão ao sitio de certeza.

O vosso nome, tal como a vossa descrição no facebook descreve-vos (ironicamente creio), como uma banda que vem tocar os acordes do costume e que não traz nada de novo. Piada à parte, e após ouvir o vosso disco, não me parece que isso seja tanto assim. Musicalmente tem um som um bocadinho diferente daquele que geralmente se costuma fazer (às vezes até à exaustão), mais melódico, mais punk rock. Ouvi bem? Percebi bem? Não me digam que querem ser "só mais uma" a fazer o que os outros já fazem...

Flávio - Pá, quase tudo nesta banda é irónico. Às vezes até os riffs e certas letras, pelo menos na demo, porque agora com as letras da Marcia acho que vai ser inevitável começarmos a levar-nos um bocado mais a sério. Eu mal entrei propus ao Dani e ao Bruno mudar o nome pra ''Same Old Chords'' porque confesso que a minha visão das coisas é sempre ligeiramente distorcida e sarcástica,  e porque inicialmente, a banda tocava em drop, e eu lembro-me de na altura pensar: ''pá ok, bora lá então fazer uma banda que toca em drop, mas o drop limita-me de tal forma a compor, que isto vai soar igual a tudo o que é hardcore que já existe, por isso, se nao vamos provavelmente conseguir fazer nada extremamente original, vamos tentar ter o mais fun possivel e vamos ser nós os primeiros a admitir isso cara podre e ainda a parodiar à volta da cena''...

Depois acabou por não acontecer, mudámos a afinação pra standard, e como é obvio, uma banda quando começa a ensaiar e a fazer originais em conjunto, as influências e as ideias pré-definidas acabam sempre por ir um bocado por água abaixo, e começámos a fazer o que nos apetecia e que surgía na altura, sem nos preocuparmos demasiado com uma linha ou um fio condutor ou whatever. Aliás, como se pode ouvir na demo, aquilo tem ali uma ''salganhada'' de estilos que nunca mais acaba, o que também demonstra que esta banda nao pensa demasiado nas coisas. Pode dizer-se que ''a'' Same Old Chords é um bocado impulsiva vá. Como na generalidade sou eu que componho os riffs, e como sou um puto que vem do punk muito mais até que do hardcore, é obvio que isso tinha que se reflectir directamente na nossa sonoridade, apesar de achar que agora com a Marcia vamos ficar um bocado mais ''hard'', vão sempre surgir aqui e ali influências de punk ou mesmo de hardcore mais melódico. 

Por exemplo, uma das minhas bandas favoritas de sempre é Kid Dynamite, e há algum tempo que adoro coisas como Death is Not Glamorous ou mesmo Shook Ones, e isso reflecte-se inevitavelmente no nosso som, na forma como as vozes e segundas vozes são encaixadas e etc. Por isso ya, admito que talvez estejamos a ir por um caminho que não tem directamente a ver com o nome da banda,  mas acho que o termo ''Same Old Chords'' vai sempre servir-nos porque hão-de surgir sempre riffs que vão fazer lembrar o ''hardcore do costume'', do qual eu ás vezes já tou tão farto mas que não quer dizer que não me continue a dar um tremendo gozo tocá-lo na primeira pessoa.

Agora com a Márcia na voz, e sabendo que há malhas novas, como é que foi funcionou a integração de um novo elemento na banda, ainda para mais na voz. Pensando de antemão que queriam "actualizar" o som da banda, têm já alguma coisa planeada no que diz respeito a gravações e lançamentos? O que é que nos podes adiantar sobre isto, se é que já têm realmente algo no horizonte.

Flávio - A integração da Marcia foi uma coisa que fluiu bastante bem, e quando lhe lançámos o convite oficialmente ela foi logo ouvindo bastante a demo e no primeiro ensaio que tivemos soou-nos quase logo bem,  claro que ainda haviam ali partes de letras por decorar e etc,  faltava a habituação ao microfone e ao cantar através dele, mas no geral acho que foi muito rápido, até deu pra pensar: ''pá, se tivéssemos concerto amanhã já com a Márcia na voz era na boa".

Em relação a lançamentos futuros...  ainda antes da Márcia se juntar a nós já andavamos a trabalhar em alguns riffs, porque basicamente esta banda precisa de tar sempre a criar pra se sentir estimulada,  não somos do tipo de malta que depois de lançar uma cena quer ficar ali a ''colher os louros'' um ano ou mais. Nepia,  queremos constantemente fazer mais e melhor, ou pelo menos tentar,  até pra que nos sintamos motivados e sempre com pica (porque não há nada que nos dê mais pica que ver musicas novas a ganharem forma em estúdio quando as tocamos em conjunto,  porque uma coisa é eu fazer os riffs sozinho na guitarra e idealizar a bateria e o baixo na minha cabeça, outra é reunirmo-nos e tornar aquilo realidade. Se alguém que tenha uma banda estiver a ler isto sabe o que eu tou a dizer de certeza) e agora com a Márcia a trazer letras, sendo que algumas já conseguimos encaixar em cima de riffs que tínhamos (até já as tocámos no set ao vivo) e outras estão a ser construidas de raíz a partir das letras dela.

Este tambem é um processo que até hoje nao tinha experimentado e que me está a dar um prazer brutal,  porque influencia bué no que a musica depois acaba por ser. Uma coisa é certa,  vamos continuar a ser uma banda que faz um hardcore mais punk, que pisca o olho àquela pica tipica do straight edge hardcore (que a mim pessoalmente tanto me diz, mesmo não sendo eu sxe) e que de vez em quando faz umas coisas bem mais melódicas,  pra descomprimir, mas sempre a tentar por alma nisto, sem fugir a alguma agressividade, mas com variações meládicas que acho que fazem falta na ''cena'' de cá, que ás vezes cai um bocado na brutidade ou nostalgia constante.

Pá,  assumindo que isso talvez nos prejudique na quantidade de público ao qual vamos chegar, ou mesmo no número de concertos pra que nos convidem, mas se há coisa prá qual pessoalmente pra já não estou virado é pra fazer musica na intenção de ''fit'' ou de agradar mais aos outros que propriamente a mim/nós. A Márcia sempre soube desde inicio que o ''briefing'' era este e concordou e alinhou na ''brincadeira'' numa boa,  por isso, 2013 será o ano em que começamos em força a fazer coisas com ela, sem perder estas ideias e este conceito de raíz. Como disse antes, já vinhamos com algumas malhas feitas e entretanto têm andado a ser feitas outras. Posso até confessar que neste momento temos 6 originais novas ainda a serem ensaiadas e acertadas mas todas com letra escrita, por isso, das duas uma, ou daqui a uns tempos se entra em estúdio pra gravar um ep um bocado mais cuidado a nivel de produção e gravação que a primeira demo, ou então passa-se mais um tempo a compor mais umas coisas e quando se for pra estúdio grava-se  um álbum. Não sabemos, tudo isso tá um bocado incerto neste momento.


Fotografia por Bárbara Sequeira ©.
Bom, a pergunta da praxe desta nossa rubrica: assim em poucas palavras (e até porque são bastantes), como é que vieram parar ao punk e ao hardcore. Bem sei, é o meu fetiche querer cuscar como é que a malta que faz parte deste pequeno movimento caiu aqui.

Márcia
– Ora bem, quando eu era petiz as internets eram muito escassas. Então ouvia aquilo a que tinha mais acesso: nu, heavy, black metal, e por aí adiante. Então o que eu fazia era chatear o meu melhor amigo Pedro a fazer-me cópias dos cd’s dele, até que um dia copiou-me um cd de Madball. Aliás acho que foram dois até, o Demonstrating my Style e o Set It Off se não estou em erro. E ouvi aquilo em casa e ficou desde aí. Era um som diferente, um som bastante directo e completamente “in your face” que me “abalaram por completo” já dizia o amigo Bubacar. E fui ouvindo outras bandas como Sick Of It All, Agnostic Front, Terror, etc... (as bandas da “praxe”). Aos poucos o pessoal ia encontrando flyers de concertos por Lisboa ao qual eu acedia sempre. E pronto foi mais ou menos isso. Ainda no outro dia estava eu à conversa a tentar descobrir qual teria sido o meu primeiro concerto e já não sei. Na altura ia a quase tudo o que era bandas portuguesas e por muitos sítios passei desde o spot no Jardim do Tabaco, Garage, Espaço de desastres, IPJ, etc... Fui conhecendo pessoal muito bacano, conhecendo novas bandas e voilá, aqui estou eu.

Flávio - Penso que já conheço tão bem o Dani e o Bruno que posso responder por nós os três, até porque tamos todos na casa dos 28, 29, 32 anos e a história da entrada ''neste mundo'' deve ser relativamente idêntica. Eu, agora com 28, lembro-me de talvez tar a meio dos anos 90, ter talvez uns 12 ou 13 anos,  ouvia rádio nessa altura, principalmente quando andava de carro com a minha mãe, e claro que como qualquer puto, monopolizava completamente o rádio do carro ao meu gosto e era eu que escolhía o que se ouvia, e pra te ser sincero já nao me lembro qual era a rádio, mas lembro-me que passou a ''Self Esteem'' de Offspring, e eu fiquei maluco man, nem sei explicar o que senti, sei que aquilo me bateu de uma forma que pensei pra mim: ''porra é mesmo isto,  vou por uma k7 no radio lá de casa à espera que dê outra vez pra gravar''..   

Claro que meses depois devo ter recebido o Smash de prenda de anos ou Natal, já nao sei, e fiquei coladissimo àquilo. Depois quem tem o Smash acaba por ter o Ingition, etc,  e já na secundária em Loures,  ao conhecer pessoal com os mesmos gostos fui conhecendo bandas como NOFX (banda que respeito bué até hoje não só pela sonoridade mas pelas letras e atitude do Fat Mike, que é um boss do caralho a compor) Pennywise, Lagwagon, Millencolin etc. Depois com o passar dos anos acabas por ir descobrindo mais coisas relacionadas e basicamente foi assim que fui fazendo o meu percurso.

O que sei é que nessa altura ficou logo ali bastante definido em mim que o meu caminho era este,  porque eu procurava aquilo de uma forma natural e nao por qualquer imposição fosse do lado de amigos fosse da ''moda'' ou etc, tenho ideia que na altura não haviam ''modas'' sequer. Na altura em que não havía net nem informação às pazadas, e eu nunca tendo tido nenhum irmão mais velho ou o que quer que seja pra me mostrar coisas ou influenciar,  tive sempre que procurar por mim... Com o passar dos anos, com o ir estudar pra Lisboa e ter as horas de almoço todas pra passar na Carbono do último piso do Centro Comercial Portugália a ouvir cd's fui conhecendo ainda mais coisas e abrindo os horizontes pra coisas mais ''hardcore''. 

Lembro-me de ter comprado e andado meses a ouvir o Urban Discipline de Biohazard, Warzone, Sick of It All,  Madball foram as primeiras coisas que ouvi dentro do hardcore propriamente dito, mas sempre gostei muito mais de punk e de ska, é o que realmente gosto de ouvir, não querendo obrigatoriamente dizer que é o que gosto de tocar. Mas se me deres à escolha entre um álbum de Suicide Machines ou um álbum de Comeback Kid (dando dois nomes completamente ao acaso) vou optar pela primeira opção sem pensar duas vezes. Costumo dizer em tom de brincadeira que ''eu sou mesmo é do ska'', o que no fundo não deixa de ter o seu quê de verdade tendo em conta que despendi anos a ouvir albuns de Catch 22, os primeiros albuns de Mad Caddies, Less Than Jake, Sublime, Streetlight Manifesto etc. 

Óbvio que a malta com o passar dos anos, com a maturidade e a forma de ver e sentir o que nos rodeia, vai alterando um bocado as cenas que gosta de ouvir,  mas também tem tudo bastante a ver com as fases, os momentos e a quantidade descomunal de música que a internet nos disponibiliza sem termos que mexer uma palha ou gastar um cêntimo. Actualmenteando a ouvir Title Fight e Basement como se não houvesse amanhã, e foi recentemente que descobri as bandas que me influênciam na criação de malhas pra Same Old Chords,  como por exemplo Go Rydell, Static Radio NJ, Our Time Down Here, Not On Tour, enfim,  ficávamos aqui a noite toda a falar de influências e de bandas que foram fazendo parte da vida de um gajo em determinados momentos. Os apaixonados pela música como eu perceber-me-ão perfeitamente.
 
Apesar do vosso curto tempo de vida como banda e de terem dado poucos concertos, os que deram têm sido feitos um pouco por todo o lado, o que mostra que são uma banda que não se encosta ao sofá à espera de ir tocar e procura mexer-se. Esta vontade de mostrar o que fazem não só na vizinhança mas procurar público noutras partes do país é algo a que dou granda valor. Isto tem acontecido graças à vossa própria busca ou os convites tem surgido e vocês têem-nos aproveitado. Por acaso raras vezes vos vi em cartazes aqui na zona de Lisboa, não sei se por culpa dos promotores que andam a dormir (ou que querem sempre marcar a mesma coisa) ou até da vossa própria agenda e timing. Viagens são sempre um acontecimento rico em histórias e que acho que acabam por servir para fortalecer laços e criar novas amizades. Já tiveram alguma história assim mais engraçada (ou não) que curtissem partilhar com a malta? Aproveitem igualmente a última questão para dizerem o que quiserem, obriguem a malta a irem escutar a vossa música sob pena de levarem uma surra ou algo do género.

Flávio - Pá, se nos viste em algum cartaz de concerto na zona de Lisboa foi mesmo só no primeirissimo de todos em Casainhos ainda com a Inês na voz, porque de resto,  os outros 3 que demos até agora, foram 2 no Porto e um em Coimbra muito recentemente. Agora, em relação à explicação pra isso,  pá, não tem uma explicação concreta, mas penso que o facto de a banda ainda tar pouco divulgada e de não ter chegado ainda a tantas pessoas assim, e de talvez a primeira demo ser uma cena um bocado indefinida a nivel de som, influenciem isso directamente, porque a banda ainda tá numa fase de marcar uma posição.

Ainda não tivémos a oportunidade de nos mostrar-mos em Lisboa com a Marcia, por isso é claro que o nosso nome não deve vir à calha imediatamente a seguir a alguém de uma promotora ter a ideia de organizar um concerto. Sendo sincero também acho que de certo modo a malta aposta sempre um bocado nas mesmas cenas, ou porque quer jogar pelo seguro (porque sabemos que um concerto envolve custos e trabalho) ou porque simplesmente é o que a generalidade da malta curte. Não criticamos isso de uma forma negativa, nós queremos chegar ''lá'' por mérito, por tarmos a fazer qualquer coisa que o público realmente ambicione ver ao vivo. Depois também o facto de eu (falo por mim) nao ser o gajo mais social que conhece toda a gente e fala a toda a gente com a maior naturalidade do mundo como se tivéssemos andado todos no infantário tambem deve ter a sua quota parte de responsabilidade. Ou seja,  tenho alguma dificuldade em chamar de ''meu brother'' ou ''meu velho'' ou ''mano'' qualquer pessoa com quem me cruzo duas ou três vezes por aí nestas andanças...

Bem sabes que há bandas que tocam sempre juntas porque são amigos pessoais uns dos outros, ou seja, explicando o meu point, é provavel por exemplo que um dia que Same Old Chords toque em Lisboa,  Backflip também toque nesse dia (aliás, isso já tá agendado pra 14 de Abril),  porque somos muito chegados. Backflip ensaiam na minha sala desde o primeiro dia, e claro que tendo amigos no meio, e sendo por exemplo nós a organizar a malta se una e as coisas acontecam em conjunto. Mas digo desde já que não tamos a recusar qualquer tipo de proposta pra concerto, porque acreditamos que a cereja no topo do bolo nisto de ter uma banda é mesmo a possibilidade de tocar ao vivo, e sentir aquele nervoso miudinho de fazer bem e tocar as pessoas...

Os concertos que demos fora foi mesmo porque as oportunidades surgiram, haviam espaços por preencher em cartazes e nós ''fizémo-nos ao bife'' e fomos sempre muita bem recebidos e o público tem aderido bem. Aliás, vi este fim de semana malta a cantar as nossas malhas em Coimbra e pá,  isso é o melhor, além de ainda sermos ''tenrinhos'' nisto e querermos evoluir bué, acho que não tendo ainda sequer um ano de banda concluido, o balanço dos 4 concertos que demos foi  positivo. 

Depois, as deslocações até ao Porto e etc tambem são possiveis porque nós pra já não queremos ganhar nada com isto, bancamos a nossa parte pela simples possibilidade de ir tocar, e acaba sempre por ser bom viajar em conjunto, comer francesinhas (ahahahah) dizer merda ao longo da A1 inteira, conhecer malta que nos recebe de braços abertos e que valorizam bué o facto de tarmos ali a troco única e exclusivamente de realização pessoal. Até aqui o balanço é positivo e esperamos continuar a ter ainda mais pica em fazer parte ''disto'' tudo. Histórias pra contar até agora, pá, no concerto da Casa Viva derrubaram-me a cabeça de guitarra a meio de uma muisca, e agora na ida a Coimbra, à vinda, o Bruno teve uma queda e acabou no hospital de Pombal a levar 3 pontos na cabeça.

Mas é a tal cena, encaramos isto tudo como coisas que fazem parte, não nos tamos a mover num meio que tem milhares de euros pra organizar coisas com tremenda antecipação e condições, mas também não nos estamos a lamentar por isso, é aqui (no underground ou como lhe queiram chamar) que nos sentimos bem, que gostamos de estar, e onde queremos continuar. Soubemos há pouquissimo tempo que vamos ter a oportunidade de tar no HHF deste ano e tamos muito felizes por isso, como é óbvio.

Márcia – Sendo o concerto do Porto o meu primeiro concerto de sempre, trouxe toda a pandilha de Massamá atrás o que deu azo a muitas histórias, sendo uma delas um amigo nosso, o Sérgio, a andar bêbado de skate com uma imperial na mão e mandar o maior espalho que já vi na vida dentro do centro comercial onde fica o Metalpoint. Isto depois do Flávio ter caído de cú também, hahahah!
Mas muitas mais histórias virão, I hope.
 
O que eu tenho agora a dizer é, ouçam as nossas músicas, façam o vosso julgamento, curtam, não curtam, façam amor, lavem a loiça, atendam o telefone, descasquem batatas, partam o pé, chorem, riam, identifiquem-se com, atirem-se da janela e escovam os dentes ao som de Same Old Chords. Se não quiserem fazê-lo tá-se bem também, nós andaremos por aí se mudarem de ideias.
Beijinhos e queijinhos para todos.

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