sábado, 2 de novembro de 2019

Novo disco de Agnostic Front dia 8/11


O 12º album da longa carreira dos Agnostic Front vai ser editado no próximo dia 8 de Novembro, pela Nuclear Blast. Mesmo a tempo para o seu regresso a Lisboa dia 21 de Novembro no RCA Club.

É certo que hoje em dia não será um disco novo que irá convencer as pessoas a irem a um concerto de AF. Uma banda que no próximo ano irá celebrar 40 anos de existência já passou por muitas fases diferentes. Abordagens mais metaleiras e outras mais punk. A julgar pelas duas músicas já disponiveis, parece-me que este novo "Get Loud" irá ter uma abordagem mais punk.

Uma coisa é certa, o disco anterior "The American Dream Died" de 2015, foi na minha opinião acima da média e um bom disco de Hardcore, veremos daqui a uma semana.

Até lá, aqui ficam as duas malhas novas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Review: Vantage Point - An Answer You Won't Find (2019)


VANTAGE POINT - AN ANSWER YOU WON'T FIND
(Triple B Records)

Aproveitando a onda da Triple B Records, chega-nos mais um lançamento fresquinho. Desta feita o novo 7" dos Vantage Point, de Boston, que há uns tempos atrás (2018) tinham editado um 7" pela defunta Straight & Alert Records. Devo confessar que sou fã deste formato. Conheço quem tenha um ódio de morte aos 7"s, mas sempre tive um carinho especial. Gosto do facto de serem assim maneirinhos e regra geral não terem muitas músicas. Algumas vezes sabe a pouco, eu sei, e talvez este EP seja o caso.

Imaginemos que um daqueles dinossauros da cena esteve afastado durante uma década e ouve isto. A primeira reação provavelmente seria: "Wow, não conheço estas músicas de Turning Point, isto não está na discografia pois não?". Se me dissessem também que isto era o EP de Turning Point que eles tinham gravado logo a seguir ao "It's Always Darkest..." e antes das malhas do split com No Escape, era bem capaz de ir na conversa. Se estão a pensar que o facto de isto me fazer lembrar bastante Turning Point é um ponto negativo, não podiam estar mais enganados. Este EP apenas demonstra que estamos perante uma banda em evolução que já encontrou a sua zona de conforto. Estas 4 malhas até acabam por saber a pouco. Se a curtinha "Fade" lança o mote para o que teremos pela frente nos próximos 9 minutos (nem chega), a segunda malha "When The Dust Settles" fornece-nos o primeiro sing along do EP, enquanto pisca o olho a uns Have Heart ou Verse. As guitarras melódicas no refrão estão no ponto e as mudanças rítmicas na bateria, com este andamento mid-tempo arrastado muito 90's (e muito Have Heart - Armed With a Mind).

Se és uma daquelas pessoas que ainda não conseguiu superar o trauma do fim dos Have Heart, penso que os Vantage Point têm todo o potencial para ocupar esse lugar na cena de Boston. Só tempo o dirá. Por enquanto, este EP no repeat vai servindo para enganar a fome de um LP tipo "The Things We Carry" de Have Heart ou o "A Life Less Plagued" de Carry On.
(8/10)

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Review: Never Ending Game - Just Another Day (2019)


NEVER ENDING GAME - JUST ANOTHER DAY
(Triple B Records)

Acho que é seguro poder dizer que a Triple B Records é a principal editora de Hardcore no activo. Hoje em dia, a Triple B Records é o que a Bridge Nine Records foi nos 00's. Os lançamentos são mais que muitos e com uma regularidade assinalável. E se há algo que não se pode acusar a editora é de lançar sempre clones da mesma banda, ou cenas iguais.

Em relação ao disco em questão, este é o primeiro LP dos NEG, banda de Detroit nos Estados Unidos, cidade famosa pela violência, altos índices de criminalidade e pelo Robocop. Devo confessar que as primeiras cenas que ouvi dos NEG não me chamaram a atenção. O rótulo "Beatdown" tem o mesmo efeito em mim que os testemunhas de Jeová ou aqueles vendedores dos cartões de crédito nos shoppings. A minha reacção é fugir a sete pés ou fingir que estou a fazer algo importantíssimo no telémovel, normalmente uma chamada urgente. Mas o que é certo é que a banda até tem algum hype e se isso por vezes tem um efeito negativo em mim, desta vez até me deu vontade de dar uma chance a este disco.

Caso ainda não tenham reparado os 90's estão de volta e isso tem se vindo a notar nestas bandas "novas". Seja na utilização de "samples" de filmes, seja no som de tarola ou até no "estilo" da capa. 90's baby!!! Em termos de som, os NEG são uma banda "riff oriented", com mosh parts e breakdowns, mas daqueles mesmo a sério, com a guitarra em palm mute, pedal duplo, em que basta fechares os olhos para imaginares uma dezena de putos a tentar acertar no ninja invisível. Mas há que reconhecer que também não têm medo de ter versos rápidos e os refrõess com os gang vocals mais lentos. Mas agora que falo nisso, algo que estaria à espera neste disco eram mais gang vocals.

Para mim este disco tem 2 partes, até ao interlúdio N.E.G. Jams (faixa 5), as malhas parecem mais directas e incisivas, mas daí para a frente, sinto que tentaram acrescentar alguns "flavours" extra, tanto a nível de bateria como nas guitarras. O baixo é tímido, mas numa ou noutra parte sentimos a sua presença como que a relembrar que também existe e se quer mostrar um pouco.

No geral é um bom disco de uma banda que tem um pouco mais de "sumo" do que aquilo que inicialmente estava à espera. Atrevo-me a dizer que quanto mais ouço o disco, mais piada lhe acho.
7/10

sábado, 4 de maio de 2019

Review: Wild Side - Who The Hell Is WILD SIDE? (2019)




"It's Wild Side, to shut the skeptics up". Bom, começando (quase) pelo fim, na penúltima faixa do novo disco de Wild Side tenho uma resposta às minhas reticências quanto à qualidade do que resultaria este disco, expressas a meio de abril, quando saiu o single de avanço. Não que a faixa "Street Action" fosse má, mas depois do adiamento de cinco anos (!) do lançamento deste disco (promo cs em 2016...), não queria ficar com as expectativas em alta com uma faixa que "não me aqueceu nem arrefeceu", para ir buscar as palavras utilizadas no post.

E tal como eles dizem, tenho é de me calar e devorar este disco, que entrou diretamente quer para a lista de compras quer para a dos discos a ter em conta no fim do ano. A banda canadiana é boa e a demo provava-o, mas em cinco anos dá para voltar a cair um bocado na sombra, daí que até o título do LP faz sentido, afinal, que raio são os Wild Side? Depois do disco, acho que ficamos todos a saber, e a reter.

Musicalmente, é aquela receita caseira revivalista do que se fazia nos mid 2000's, época já em si revivalista. Muito Warzone na cabeça, bom estudo do catálogo da Lockin' Out e a usarem e a abusarem de dive bombs e aqueles solos malucos à rock clássico. Na escala de "voavas para ver" está num "claro que sim, tocam onde?".

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Entrevista - Danger Zone

Quem são os DANGER ZONE? Fica aqui uma conversa com o David sobre esta nova banda numa entrevista rápida o suficiente para ler entre paragens de metro ou naquela visita à casa de banho para desanuviar do trabalho. O clássico.


Bom, fala-nos um bocado de como surgiu a ideia de formar os DANGER ZONE. Não sei se ainda é para ser segredo quem compõe a banda, mas por muito tempo livre aposto que não terá sido.

Eu e o Rattus já tinhamos a ideia de fazer algo juntos há algum tempo. Eu estava parado com Clean Break e não havia assim mais nada a acontecer em termos de bandas e ele sempre com os mil e um projectos dele, sempre com pica. Fomos amadurecendo a ideia e falando sobre o que poderia surgir. Entretanto, já não sei bem como, fiquei com a ideia na cabeça de que DANGER ZONE poderia ser um nome fixe para uma banda e comentei isso com ele...

Depois disso foi arranjar um tempinho para pedir emprestados uns riffs a Slapshot e marcar uma sessão com o Nuno Gonçalves, aqui em Faro para fazer as guias de guitarra e captar a bateria. Depois foi gravar guitarras e brincar um pouco com alguns pedais que fui arranjando ao longo dos anos e pouco uso lhes dei, numa de tentar fazer algo diferente e o Rattus gravou o baixo em Lisboa numa sessão com o Paulão. Inicialmente ainda pensámos em ser o Rattus a cantar visto que eu já tinha tido Broken Distance e Clean Break e não estava muito numa de ter mais outra banda na voz. Mas entretanto já não me lembro bem como escrevi uns versos e marquei mais uma sessão com o Nuno e tentei fazer um berro um pouco diferente.

Teve piada porque houve pouca gente a identificar logo que era eu. Essa também foi um pouco a intenção inicial para não metermos nomes nenhuns no disco. Queríamos que as músicas falassem por si e o disco tivesse valor como um todo e não porque tinha este e aquele daquelas bandas.

Para a nossa motivação também existiram outros factores que contribuiram para que a cena avançasse - uma delas foi a ideia de criar a Discos Caveira juntamente com o Sandro da Combate Brutal / Bigorna. Numa conversa de brincadeira alguém surgiu com esse nome e ficamos logo com ideias para o logo e para o que poderíamos editar, o que deu logo um boost extra na motivação.

Já te estou a imaginar no estúdio a experimentar vozes...Projetos deste género não são muito habituais na nossa cena, já escassa de novidades. Tendo vocês experiência com várias bandas (e se calhar aqui o Rattus com mais experiência neste tipo de projetos), como comparas este processo que foi dividido entre duas pessoas aos vários outros que tiveste no passado? Já disseste que foi algo que foi amadurecendo, mas dado o pontapé de saída, o "passar da cabeça para o papel" foi mais fácil?

Em relação ao processo, não foi assim tão diferente de como tem sido nas últimas bandas que tive, tendo em conta que acabo por fazer grande parte da composição. A maior diferença é que normalmente trabalho com um baterista que vamos vendo em conjunto partes e estruturas para as malhas e desta vez acabei por fazer tudo sozinho. Obviamente que depois de ouvir as músicas e o resultado final havia algumas coisas que mudava ou faria de maneira diferente, mas isso acontece em quase todas as gravações.

E fizemos tudo sem estarmos os dois juntos num estudio. Eu apenas lhe tinha mostrado um esboço dos riffs e depois mandei as malhas gravadas para ele depois acrescentar o baixo e eu mais tarde meter a voz. Claro que se tivessemos numa sala de ensaio as músicas teriam saído completamente diferentes, mas para primeira experiência acho que teve a sua piada. Pelo menos todos nos divertimos com o que fizemos, tanto na gravação como na parte grafica e na montagem dos discos em casa do Sandro no Barreiro.

Hardcore à distância. signs of the times. Bom, seguindo essa linha de pensamento, só falta aí projeto de one man band. Tipo Tom Pimlott e Violent Reaction, mas de Faro! Discos Caveira #3?

Já esteve mais longe, mas já temos ideias para o #02 e #03 e por enquanto não é isso. Primeiro tenho que arranjar um nome fixe. Normalmente é assim, eheheh. Não digo sempre, mas pode ser uma motivação fixe para criar algo "novo".


Boa dica. A maior parte das histórias que ouço é de malta que já tem tudo feito e depois fica a remoer até encontrar o nome certo. Voltando ao disco, e ao artwork, a Discos Caveira surge com ligações à Combate Brutal e à Bigorna não só pela partilha de "CEO's" mas também pela atenção aos pormenores nos discos, pelo menos a avaliar por este primeiro número. Uma herança a reter.

No entanto saltou-me logo à vista que há aqui aficionados do He-Man. 80's kids em força. Quem é que foi o fã do Skeletor que o foi buscar para o logotipo?


Toda a parte gráfica ficou a cargo do Sandro. Aliás, é essa a maior contribuição dele para a Discos Caveira. Eu e o Rattus apenas mandamos os nossos bitaites e o Rattus tenta picar o Sandro até chegar ao ponto em que tenho que distribuir amor e carinho e acalmar as coisas com o meu PMA, eheheh!! Mas a ideia é mesmo essa, tentar criar edições limitadas, com especial atenção aos pormenores e tentar criar as edições o mais "especiais" possível.

Eles são um pouco mais velhos que eu, mas todos crescemos a ver desenhos animados dos 80s e o He-Man era um clássico. Obviamente quando pensámos no nome Discos Caveira, o Sandro surgiu logo com essa ideia de usar o Skeletor.

Disco gravado, disco lançado. E concertos? A não ser que sejam aqueles gajos freaks que tocam 10 instrumentos ao mesmo tempo, isso requeria um alargamento na equipa. Está no horizonte ou há outras coisas em mente?

Para darmos concertos precisamos de mais algumas músicas, mas foi algo que já foi falado. Precisamos de pelo menos alguém para a bateria e para a guitarra. Temos algumas ideias mas nada definitivo. O que está no horizonte pelo menos com DANGER ZONE é escrever mais umas malhas e gravar para depois ver no que dá...


No verso do insert há lá uma referência a uma sigla interessante. NWOPHC. New Wave Of Portuguese Hardcore. Não sei se é algo sobre o qual te possas alongar muito, mas parece que há mais coisas a ferver no caldeirão...

Em relação ao NWOPHC... não há muito para dizer hahahah é o que é. Dois velhos a tentar agitar as àguas e fazer coisas acontecer. Há mais ideias e mais coisas a ferver no caldeirão como tu disseste. É esperar para ver eheheh!! Até lá rendia vender mais cópias dos discos para o Sandro ver que o pessoal do core também é fixe e apoia e tal e não é só o pessoal do Oi! que esgota as edições todas da Combate Brutal e da Bigorna em meia dúzia de dias, ahaha! Por isso trata de criar o hype!
 
Verdades. Aproveitando a deixa, o disco já está pronto a entregar, certo?

Sim já está out. Podem encomendar a vossa cópia através do Bandcamp ou enviar um e-mail para discoscaveira@gmail.com. Claro que também resulta falarem directamente com o Rattus, com o Sandro ou comigo.


É comprar, ou comprar!

Essa vontade de pegar nas rédeas da cena está bem vincada nas duas primeiras faixas do disco, escritas por ti. É um tema antigo e que divide, pelo que não me queria estender muito (já tenho fama), mas as coisas têm estado demasiado sossegadas nos últimos tempos, ainda que nos concertos grandes com bandas de fora (que estranhamente são mais habituais que os locais), as coisas estejam compostas. Que a "Nova Vaga" se torne realidade.

Espero que sim. Todos sabemos que isto tem sempre altos e baixos e que acaba sempre por recuperar a bem ou a mal, mas hoje mais do que nunca parece que vivemos num vazio de bandas locais ou referências. Houve muitas bandas a acabar ao mesmo tempo e parece que não houve tempo para surgirem coisas novas fortes o suficiente para tomar o seu lugar. Espero mesmo que algo mude em breve.

Falámos do Skeletor e do "NWOPHC" mas não da capa do disco. Ou capas, porque há uma edição mais limitada com uma variante. Quem é que as desenhou?


Básicamente eu e o Rattus começámos a ficar impacientes que o Sandro estava sem tempo para poder passar para o papel as ideias que tinha, então falámos com a Ana, uma miúda do Porto que já tinha feito uma ilustração para Albert Fish que se mostrou bué entusiasmada com a ideia. Entretanto o Sandro surgiu com a ideia da caveira e decidimos fazer as duas edições. Uma mais punk e outra mais hardcore. Acho que acabam por ligar bem uma com a outra e acabam por simbolizar um pouco o Rattus e eu. Ele sempre teve mais bandas punk rock/oi e eu mais de Hardcore.

#deep. Disseste que Slapshot foi inspiração para alguns empréstimos, mas ao ouvir há aqui já muita coisa diferente por trás. Normal, muito anos a virar frangos (de tofu) dá nisto. Sem dares a cana toda, se tivesses de escolher o melhor disco deles para pedir coisas emprestadas qual seria? Não vale dizeres Step On It. Já agora, curtiste o último LP?

Acho que o Back On The Map foi mais referência que o Step On It, eheheh! Em relação, ao último LP, desde que tocámos com Slapshot há uns anos com Clean Break em Milão que dei por mim a dar mais atenção às cenas mais recentes deles. Confesso que quando o disco saiu não lhe dei a devida atenção, mas é um bom disco. É Slapshot, é daquelas bandas que criou a sua cena e mais ninguém faz igual. Soa a Slapshot e isso não soa a mais nada. Quer ponhas o último disco quer ponhas o Old Tyme Hardcore, vais fácilmente identificar como sendo Slapshot. Não é a melhor banda do mundo, mas houvessem mais bandas como eles e a cena Hardcore estava bem melhor hoje em dia.

Digo para não dares cana e dás...Concordo a 100%. Uma daquelas bandas que se conseguem manter relevantes após todos estes anos. Com os seus altos e baixos, discos melhores e discos piores, mas cá andam sem se tornarem um "fardo". O concerto aqui em Lisboa em fevereiro foi bem bom por acaso, e já deu para os riscar da lista.

Apresentações feitas, altura de recomendar aquela audição cuidada (são três faixas, pá!) e a compra caso gostem. Cá espero pelo próximo disco e por essas novidades borbulhantes na Nova Vaga do Hardcore Portugues - em inglês soa mais fixe.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Review: MEDO - O Produto Somos Nós (2019)


Os farenses MEDO têm um disco novo prestes a sair e tive oportunidade de o ouvir antecipadamente.

A primeira vez que ouvi a banda curiosamente foi ao vivo. Estava perto e fui até à Lagoa de Santo André ao Lagoa Rock Fest em 2017 e eles abriram o segundo dia. Numa pavilhão ainda muito vazio uma coisa ficou na cabeça: riffs e a atitude em palco.

Portugal é um país pequeno, a cena hardcore mais pequena ainda, mas muitas vezes se não está à frente dos nossos olhos, não sabemos o que vai acontecendo e perdemos o fio à meada. Os MEDO não andaram escondidos, pelo contrário, mas tenho de admitir que dormi na parada - desde essa altura lançaram um disco (Medocracia, em 2018), e foram tocando um pouco por todo o lado.


Fast forward até 2019 e até ao videoclip que serviu de aperitivo deste novo disco - "Somos Nós". Foi-me sugerido por amigos, e essa é sempre a melhor publicidade. Aqueles riffs que me lembrava? Estavam lá. E mais do que futilidades e clichés do dia a dia, nada mais atual que uma crítica à nossa sociedade e à vida que vivemos online. Letra no ponto. E o produto somos nós...

Entretanto chegaram-me aos ouvidos as restantes faixas e fiquei positivamente supreendido. 10 faixas de hardcore cantado em Português, naquela tradição sonora que lá em baixo rotulam de FSHC, desde tempos idos. Tenho de admitir que a primeira faixa me lembrou foi mesmo Omited GR - mas isso só pode é ser bom. Participações de caras conhecidas da cena nacional que assentam que nem uma luva e não soam a forçado ou a participação "só porque sim".

O que mais gostei foi mesmo o facto de ser cantado em português e falar de temas atuais sem ter medo de por dedos na ferida. Desde a já falada exploração inconsciente da nossa experiência online, a problemas sociais e desigualdades económicas, até à violência doméstica, aos sonhos não atingidos e às várias formas de discriminação, percorrendo o disco temos uma boa crítica à sociedade que nos rodeia.

O concerto de lançamento é já sábado em Loulé, com BESTA e Galvana. Depois há muitas datas já marcadas para apresentar o disco a sul do país, com data no final do mês (28) em Lisboa, no Popular. Dito isto, não será por falta de oportunidade que não os vão poder apanhar na estrada.


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quarta-feira, 13 de março de 2019

Review: Gutter Knife - Boots On The Ground (2019)




Brighton já tem algo mais interessante para apresentar ao mundo que aquele pontão com as diversões manhosas – os Gutter Knife. Falo do que conheço, e da minha visita lusco fusco foi o que vi. Não fiquei impressionado.

O novíssimo disco da banda, com lançamento digital na segunda-feira passada e com edição física a sair a 18, via Quality Control HQ, foi a carta de apresentação destes rapazes, já que nunca os tinha ouvido. E isto sim, Impressionou. Vibrei, forte!

Aquele cocktail sujo de UK 82 misturado com Oi!, que os britânicos bem sabem refinar, seja dos pubs manhosos ou do tempo de merda. Ou do Brexit, ou da indefinição da May, ou do estado geral de confusão que aquele país parece atravessar. O que resulta é mesmo um disco bom de uma ponta a outra, sem espinhas.

Se tens saudades de 86 Mentality ou Violent Reaction (quem não tem?), ou segues tudo o que é feito pela malta da LS4, isto é para ti. Ou se quiseres, se gostares da cena NWOBHC e do que a Quality Control lança, é para ti, sem medo algum. Fanboy assumidíssimo da editora, mas este disco foi uma boa pedra no charco numa altura mais "sossegada". A diferença relativamente ao restante plantel é que é com malta do sul de Inglaterra, malta que certamente desbunda à grande naquela “praia” e apanha aquele “sol” forte com mais frequência.
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Aviso à navegação para quem compra discos: mal ouvi mandei logo mail à editora a pedir cópias...Holler at yo boy Backwash Records.

E Miguelito, tu que estás aí ao lado faz um favor a ti próprio e vai ver estes rapazes. Eu ia, na hora.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Welcome to the Danger Zone


Se pensas que o hardcore em Portugal está morto estás muito enganado...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Os PUSH! estão de volta cheios de amor para dar...

Como isto anda hoje em dia, não é todos os dias que uma banda tuga de Hardcore lança algo novo, ainda para mais um vídeo/single do próximo trabalho.

Os PUSH! estão e volta cheios de amor para dar. A malha em si é facilmente identificável como sendo PUSH!, o que é uma mais valia para a banda. Se não estou em erro acho que vai ser o terceiro lançamento da banda (corrijam-me se estiver errado) e podem fazer o pre-order do CD aqui: http://hyperurl.co/PUSHDarkDive

Para mim, seria bastante engraçado se isto tivesse edição em vinil. 
Aqui fica o vídeo de "With Love".





quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Discos do Ano 2018

It's that time of the year! Já deves ter visto muito top e muita coisa pela internet a propósito dos melhores discos a terem saído em 2018, mas certamente nenhum melhor que esta seleção! E para ti, o que é que fica para a história?


David Rosado (NCE/Salad Days Records/Salad Days Podcast)

Turnstile - Time & Space
American Nightmare - S/T
Pennywise - Never Gonna Die
Culture Abuse - Bay Dream
Twitching Tongues - Gaining Purpose Through Passionate Hatred

Rafael Madeira (Worldwide Hardcore Superstar)

Glitterer - Not Glitterer
Beach House - 7
Drug Church - Cheer
Turnstile - Time & Space
Culture Abuse - Bay Dream

Márcia Santos (The Henchman Fanzine)

Ghost - Prequelle
Yob - Our Raw Heart
Sick Of It All - Wake The Sleeping Dragon
Windhand - Eternal Return
Turnstile - Time & Space

Ludgero Urbano (O baterista das estrelas)

Zeke - Hellbender
Slow Crush - Aurora
Fiddlehead - Springtime and Blind
Shame - Songs of Praise
Joana Espadinha - O Material Tem Sempre Razão


Luis Rattus (Albert Fish/Atlantes/Combate Brutal Records...)

La Inquisition - LVX
Battle Ruins - Glorious Dead
Slapshot - Make America Hate Again
Núcleo Duro - Botas
Fuerza Bruta - Somos El Mal

Ricardo Servo (PUSH)

Sleep - The Sciences
Twitching Tongues - Gaining Purpose Through Passionate Hatred
Converge - Beautiful Ruin
Naxatras - III
Jesus Piece - Only Self

Tiago Gil (NCE/Backwash Records)

Ekulu - S/T
Protester - Watch Them Fall
Illusion - Magic With a Smile
Diztort - Hell Is...
Youth Avoiders - Relentless

André Santos (Boston/LOR head nascido e criado em Quarteira)

Warfare - Declaration
Protester - Watch Them Fall
Mil-Spec - Changes
Ekulu - S/T
Illusion - Magic With A Smile

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Nós Contra Eles no Spotify #52



E assim chegamos ao fim. Obrigado a tod@s que leram e ouviram as músicas que coloquei aqui. Vou continuar a actualizar a playlist, mas vou fazer mais uma cena tipo "só músicas boas de Hardcore", músicas que não tens vontade de passar para a frente. Vamos ver o que sai daqui… 

Direct Hit! - Welcome To Heaven -  Só para que conste adoro o inicio desta música. Na minha cabeça a minha banda de Punk Rock escreveu uma malha tipo esta, assim bonitinha e com boas linhas vocais. O novo disco vai sair este outono na Fat Wreck Chords. Os Direct Hit são uma boa banda daquelas na onda de Menzingers ou Flatliners. Esta vem com vídeo e com a letra e tudo, para ajudar ao sing along.



Terror - Spirit Of Sacrifice - Mais uma música do próximo disco de Terror. Acho que o último disco de Terror que realmente fez mossa comigo foi o Keepers Of The Faith. Quanto mais ouço esta música mais sinto o groove. Façam o mesmo.

Suicidal Tendencies - Lost My Brain… Once Again - Com uma carreira longa e cheia de altos e baixos como a dos ST é complicado surgir com material novo. Isto não é um disco novo de ST. É antes uma regravação do disco a solo do Mike Muir que saiu em 1996. Dá para ouvir um par de vezes e tirar da biblioteca do Spotify.

Counterparts - Selfishly I Sink - Nunca prestei grande atenção a esta banda, mas a julgar por esta música acho que tenho que tratar disso. Hardcore moderno. Há aqui toques de Comeback Kid, Touché Amoré, Killing The Dream… essas coisas. Parece-me bem.

Hit The Switch - Associative Forces - Este nome parecia-me familiar e o google diz-me que a banda da Califórnia formou-se em 2003 e teve na Nitro. Deve ser daí. Punk Rock melódico e rápido na onda de A Wilhelm Scream e afins.

Sheer Terror - The Moon's Gone Out - Para mim o melhor de Sheer Terror são as histórias do Rafa sobre a tour que ele fez com eles. Isso sim merecia um podcast. Até um dia destes…

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Nós Contra Eles no Spotify #51

Começo esta actualização por anunciar que a próxima semana irá ser a última vez que actualizo a playlist e escrevo algo aqui. Daqui para a frente vou apenas adicionar músicas sem grande rigor. Vou tentar que seja uma playlist do Hardcore com malhas daquelas que ficas sem vontade de fazer skip e algumas novidades se for caso disso. Vão ser 52 actualizações, mais ou menos o equivalente a um ano. Obrigado a quem ouviu e especialmente obrigado a quem leu. Agora vamos a isso…

Sick Of It All - Inner Vision - Os SOIA foram uma das minhas primeiras bandas preferidas de Hardcore. Devo ter ouvido o Built To Last e o Scratch The Surface milhares de vezes. O Call To Arms também ouvi, mas confesso que daí para a frente deixei de lhes prestar a devida e merecida atenção. Não que tenha deixado de gostar, mas porque os SOIA são aquela banda sempre certinha. Sabes que vais gostar, mas talvez não seja a mesma cena que os primeiros discos. Esta música nova é de caras SOIA. Ao longo da carreira conseguiram ir experimentando com diferentes sonoridades e os discos até soam diferentes uns dos outros. O efeito na voz foi o que achei mais surpreendente. É uma boa malha que me deixa curioso para ouvir o novo disco.

Gouge Away - Ghost - Mais uma malha de Gouge Away. O disco novo sai na Deathwish no fim do mês. Parece-me bem.

Slow Crush - Shallow Breath - Shoegaze da Bélgica. Os Belgas em tempos tiveram várias bandas de Hardcore brutais, ultimamente não me tem chegado grande coisa aos ouvidos. Encontrei esta música e até achei engraçada. Mas se não curtirem podem passar à frente, a que vem a seguir é mil vezes melhor.

Chain Of Strength - True Till Death - Daqui para a frente a playlist vai ser mais assim. Músicas clássicas daquelas que não tens vontade de fazer skip. Esta é uma delas. HAS THE EDGE GONE DULL?!

Turning Point - Behind This Wall - Possivelmente a minha música preferida de Turning Point. Esta intro é fofinha e a música também.

Uniform Choice - Use Your Head - Acho que se os putos hoje em dia ouvissem mais Uniform Choice íamos ter bandas mais fixes. Até para a semana.