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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Review: Cro-Mags + Dimension + Ground & Pound @ RCA, Lisboa


Em jeito de disclaimer, é conhecido de todos o atual beef entre o Harley e o JJ, e quer tu escolhas uma equipa (e eu tenho a minha escolhida) ou sejas dos que só gostam de assistir na bancada ao circo, a verdade é que os Cro-Mags, e o Age of Quarrel em específico, foi um ponto de viragem na cena hardcore. Com a aparente impossibilidade de uma reunião do lineup "original" por todos os motivos e mais alguns, a vinda do John Joseph e Mackie Jayson a tocar o Age of Quarrel com a ajuda do AJ de Leeway seria sempre uma oportunidade de ver estas músicas tocadas por parte da formação deste disco, especialmente num país onde estas visitas são raras. Se são Cro-Mags ou Fauxmags deixo ao critério de cada um - a história é pública, e quem fez o quê também.

Tinha tirado o dia por outros motivos sendo que isso acabou por permitir que o Pontes me apanhasse perto de casa a meio da tarde. Ia emprestar o amplificador de guitarra ao AJ pelo que íamos cedinho para o RCA. Chegámos lá e passado um bocado aparece o Congas e o Emanuel com parte da banda. O JJ tinha ficado no hotel a descansar e só ia aparecer depois de jantar.

Andei lá ajudar a montar tudo, sendo que fui o gajo menos útil em palco graças aos meus fracos conhecimentos técnicos da coisa. Parece que o amplificador do Pontes era coisa rara e essa raridade fez com que o AJ Novello tenha arranjado ali um amigalhaço, já a trocar dicas de afinações e sei lá mais o quê. Aguardo pelos Leeway portugueses com o Pontes ao volante. Fizeram o soundcheck e deu logo para ver o Mackie a trabalhar na bateria. O gajo toca quase em pé, com o banco todo levantado mesmo a pedir avarias...mas já lá vamos. Todos nos questionávamos quem era o baixista de bigodaça farta com autocolante da Lockin' Out no baixo, dúvida só desfeita ao final da noite (Violent Minds maaaan!). A meio do soundcheck saí que entretanto tinha chegado a tropa algarvia e era altura de por a conversa em dia.


A hora do jantar aproximava-se e o fim do soundcheck também. Fui chamar o Pontes para irmos à pizzaria e lá estava ele no backstage com o AJ a comer bananas enquanto o resto da banda já tinha ido comer um peixinho ali ao pé do mercado de Alvalade. Acho que ele ainda aguarda o regresso do Pontes que tinha ido só buscar umas coisas ao carro...

Concertos em Alvalade pedem aquela pizza crucial. Grande, não muito cara e perfeita para acompanhar boas doses de risada. Doses de risada multiplicadas com patrocínio do JJ, que no quarto de hotel ia fazendo diretos no Instagram a mostrar as parecenças entre o bidé e a sanita da casa de banho do quarto...Doo-doo man né?

Regressados já com Ground & Pound a tocar, deu para sentir os Terror de Gaia. Nunca os tinha visto e causaram boa impressão! Riffs, presença, vontade. Malta nova a fazer bandas boas: yes, please. Fiquei com pena de não ter visto de início. A ver se aparecem por cá mais vezes. Ou isso ou que haja algo a norte que me chame mais que as francesinhas.

De seguida tocaram os Dimension. Creio que estive no primeiro concerto da banda em Faro há meia dúzia de anos, e na altura, no auge do hype de Turnstile soou-me a algo naquela onda mas com "mais truques" de pedais. Face aos outros projetos em que parte dos membros se insere, os Dimension têm estado num estado de quase hibernação sendo que de vez em quando aparecem e dão uns concertos. Com um disco na bagagem, foi a partir dele que tocaram as suas músicas, para um público ainda adormecido que a sonoridade que aqui e ali fugia para o rock não conseguiu acordar, nem com pedais de distorção a trabalhar forte.

O tempo de espera pelos cabeças de cartaz foi longo. Não sei que o que é eles estavam para lá a fazer mas gramámos com uns vinte minutos de reggae sendo que parecia que estava sempre a dar a mesma música. Jah estava farto!

Intro da Laranja Mecânica para começar o set com a World Peace, com o Mackie Máquina a cair do banco logo na mosh part...Sorte não se ter espatifado todo. Mas com tantos anos nas botas cair de costas não é nada e nem houve tempo de parar a música. Siga para bingo!

Nem sei quantas pessoas estavam, aquela sala com aqueles balcões superiores dificulta a contagem (e esvazia a zona de baixo). Estava bastante malta sendo que podia estar mais. As barreiras no palco não ajudaram, mas não impediram dives e alguma cantoria. E o JJ agradeceu a ajuda.

Estranhei terem tocado a Crush The Demoniac tendo em conta que as set lists têm sido basicamente o Age of Quarrel (a tal história de brincar com o que se conhece), mas o JJ quis dar uma facadinha com esta...


Tocaram as habituais covers de Bad Brains e foram passando pelas malhas do AOQ quase sempre sempre grandes conversas, ainda que com tempo do JJ falar do Veterans Day sem no entanto ter dito que tinha sido Marine ou Navy SEAL, ahah. Mackie máquina! Life Of My Own. Don't Thread On Me e depois um pseudo final sem despedida para esperado encore com a We Gotta Know e Hard Times. Cro-mag. Skinhead. Breakout. Now!

Tendo em conta o feedback que tinha de amigos que os tinham visto este ano no Outbreak ou em Eindhoven não posso dizer que as espectativas fossem altas, pelo que acabou por ser o que estava à espera. Não é que o Mackie não seja granda máquina, o AJ granda guitarrista ou que o JJ não pule (que pulou), mas há ali um feeling que não sei bem explicar. Não sei se culpo o cansaço, os anos na estrada a tocar a mesma coisa ou algo mais, mas não deve ser muito normal uma banda tocar e antes do show um fica no hotel, o outro no backstage e os outros vão jantar...mas cada um sabe de si e eles andam na estrada faz anos. Depois parece que isto transpira para o concerto em si. O que os une, não sei. Quer dizer...

E afinal havia merch. Se o Harley sabe faz já um post novo no Instagram a mostrar a papelada legal. Se ainda não o seguem façam-no.

Findado o concerto fiquei à conversa com o Tiago e o Nuno (estão acerca do Alho Francês? deviam!) até que já com tudo orientado somos convidados pelo Congas e companhia para ir chillar ao "Bê Kápa". O que à primeira vez podia ser granda danceteria era afinal o Burguer King dos Olivais, que para meu desconhecimento é o local da concentração tunning/xunning de Lisboa, onde a malta vai largar fumo preto e ráteres antes de ir fazer corridas para a Vasco da Gama. Resumindo, nada como mais conversa para acompanhar aquela fast food do Belzebu, no que acabou por ser das melhores partes da noite, que acabou já eram quase 4 da matina.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Review: For The Glory - Now And Forever Release Show @ Musicbox, Lisboa

Na sexta-feira passada o hardcore voltou ao Musicbox a propósito do lançamento do novo álbum dos For The Glory, o quinto da banda, e eu estive lá a levar com algum pessoal no lombo e a cair em cima de outros. Como preview ao disco e ao concerto publicámos uma pequena entrevista ao Congas que se não viram da primeira vez podem dissecar clicando aqui. Mas voltando para o tema desta post, bora lá voltar atrás no tempo uns dias...
 

O evento no Facebook dizia 21h e foi a contar com algum atraso que comecei a dirigir-me ao Musicbox, sendo que de caminho vou dar uma vista de olhos final e vejo um post a dizer que as portas abriam as 22, e o show começava 30 minutos depois. Claro que chegado ao local, depois de cumprimentar três ou quatro pessoas que já por ali andavam (na volta enganados como eu), fiquei ali a ver passar os minutos . Entretanto as portas lá abriram e vi os Luz na fila - já tinha companhia para a noite.

A primeira banda a tocar foram os Fear The Lord. Não conhecia mas havia muito rapaz e rapariga nova que parecia que estava lá para os ver, já kitados com merchandise a condizer. Não conhecia e não fiquei propriamente impressionado. Há ali mais valia técnica em alguns pormenores, mas aquele beatdown cansado da pancadaria não é a minha praia. "Bora caralho, matem-se todos" foi dito em todas as músicas várias vezes, pelo que devia fazer parte da letra. Aqueles gimmicks com a guitarra a fazer de metralhadora também não ajudaram, mas pronto, tal como disse não é a minha cena. Acabaram com a Roots de Sepultura...


Já com o Musicbox muito mais composto atuaram os Besta. Tinha visto esta banda uma vez com Risk It na República da Música, mas lembro-me que o som estava tão mau/alto que tive de bazar que já me estavam a sangrar os tímpanos. Desta vez a experiência foi bem mais fixe. É metal rápido para abanar o capacete (definição de um gajo que não está muito acerca de possíveis comparações). Vocalista com granda presença e energia. Os primeiros 15 minutos foram fixes, mas depois já comecei a achar repetitivo e ia olhando para o relógio...

Fumarada no palco, música do Terminator e os For The Glory entram em cena. Para começar em beleza: Survival of The Fittest. Fizeram bem em desviar os monitores do centro do palco, que a partir daí começou a chuva de corpos. Num set onde se passou por todo o percurso da banda, desde as velhinhas Drown In Blood e Fall In Disgrace (a fechar), até várias malhas do novo disco, que afinal era o foco deste dia. Numa festa que também celebrava os 14 anos da banda fez todo o sentido estas viagens para trás e para a frente na linha temporal da banda, sendo que mesmo nas novas músicas deu para ver que algumas delas já "colaram", como a When The Time Comes, que tem aquele refrão mesmo a pedir cantoria e é das músicas que mais gostei do disco.


Shout out obrigatório para o alemão super bêbado que estava na fila da frente a provar que não importa a idade (e ele já tinha alguma) quando o nível de álcool está em red line. O homem tava tão crazy que se gregou no meio do pit. Depois como se nada fosse manteve-se junto ao palco com os seus óculos de sol e boomerang (!!) a levar com malta em cima. Espero que o resto da noite tenha corrido melhor (a partir dali era sempre a descer...). É verdade que os For The Glory já têm 14 anos de vida, mas esta é capaz de ter sido uma novidade nos concertos da banda. Para mim foi. Mas nem vómito impede a festa e depois de uma limpeza rápida do piso, tipo jogo de basquetebol, o concerto recomeçou.

Acrescentar só um PSA para os (felizmente poucos) amigos do crowdkill. Isto de se ver vídeos no Youtube e ir para o pit replicar deve funcionar em alguns concertos, mas há outros em que essa idiotice não é tolerada. Resumindo, se foste um dos que sentiram o "toque" e depois encostaram à box já sabes o porquê de teres levado o tal toquezinho de chamada de atenção.



Mas como há que dar importância ao que realmente a tem, parece que o hardcore ainda dá sinais de vida em Lisboa. Mesmo sem muitas caras que habitualmente vejo nos concertos o Musicbox estava cheio. Novos e velhos ajudaram a fazer a festa num dia especial para os For The Glory. E se lá estiveram certamente trouxeram o disco para casa, pelo que se ainda não tinham tido a chance de o ouvir digitalmente agora já não há desculpa. Disco sólido de uma ponta à outra, onde a sonoridade dos FTG está bem presente, com uns toquezinhos diferentes aqui e ali que acho que o pessoal vai curtir.

A banda vai estar a tocar por todo o país e se todos os concertos forem sequer metade do bom que este foi são de presença obrigatória. 2017. For The Glory. Hardcore in your fucking face!


Estas e outras fotografias disponíveis neste link, cortesia do top dog Luís Luz.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Review: Leftöver Crack + Kids Decay @ Disgraça, Lisboa


A fome de concertos levou-me até à Disgraça numa quarta-feira à noite. Ultimamente as coisas têm andado demasiado paradas por estes lados, e a estreia dos Leftöver Crack em Portugal pareceu-me boa dica para sair de casa. Também nunca tinha visto Kids Decay, havia algum pessoal amigo que ia aparecer que já não via faz tempo e ainda uns discos para entregar/trocar. Tiago 1, preguiça 0.

Cheguei cedo do trabalho e para evitar os stresses de estacionar na Penha de França (missão quase impossível) pensei ir de bus. Mas como era cedo, bora fazer exercício e ir a pé. De Campolide até lá...para queimar de avanço as calorias do que iria ser o jantar.

Disgraça já bem composta, com muita rapaziada nova, do punk, do skate, e alguns amigos já presentes. Apesar de estar uma tarde mais amena que o habitual nos últimos dias, o calor humano e o calor das panelas já davam um cheirinho do que iria ser o resto da noite. Valeu a Cristal enquanto o jantar não chegava - hot dog de tofu. Bem bom por acaso e que soube pela vida (devia ter ido para o segundo, mas um gajo não quer ficar gordo).

O concerto era para começar às 20h30 e nem dez minutos de atraso volvidos começaram a tocar os Kids Decay. Concertos que começam a horas (ou quase): adoro! Não era a primeira nem segunda vez que ia à Disgraça, mas foi a primeira vez que lá fui ver um concerto. Creio ter havido alguns desenvolvimentos no que à insonorização diz respeito relativamente a alguns concertos do passado, digo isto com base em feedback e não por experiência. Pelo menos o som esteve bastante aceitável nas duas bandas. Um corredor, a parte mais ampla junto ao palco, mesa de mistura e "bar" no canto.

Como era noite de estreias, primeira vez que vi Kids Decay ao vivo. Se as bandas da No Way/Grave Mistake/Deranged circa 2005-2010 são a tua praia, esta banda faz-te voltar atrás no tempo. Aquele revival USHC mais punk que hoje terá sido substituído por outras influências e caiu no esquecimento de muitos, mas não de todos! Sei que a ideia da banda era fazer uma coisa à Government Warning, mas com uma voz que me lembra mais uns Cardiac Arrest - rouca. Uns preguinhos a mistura que com mais óleo não farão tanta mossa. Miúdos do skate a moshar que nem doidos, com Don Simon e as benditas médias de Cristal a tentar refrescar o interior, que no exterior não havia muito a fazer: caloooor.


Boa dica do Moleiro quanto à "cena morta", encorajando os novos a fazer algo novo e não ficando só à espera que sejam os do costume a fazer acontecer. Espero que essas palavras tenham feito efeitos no muitos miúdos novos presentes. Se chegou a um, está feito!

Sou sincero, conhecia muito mal Leftöver Crack, mas se há alturas em que ir às cegas a algo dá resultados positivos, esta foi uma delas.

Se conheces a banda sabes o que a casa gasta, se não sabes é mais ou menos isto: muitas vezes é ska, muitas vezes é punk, outras vezes tás a ouvir blast beats do demónio sendo que ainda havia uma malha que parecia black metal. Se curtes salada russa tás na boa, se és mais carne ou peixe (ou opção veggie) se calhar já vais torcer o nariz. Pá, os gajos tinham um teclado no palco, e de vez em quando o vocalista ia lá fazer umas coisas! E a voz do gajo...bom, eu já sabia que era assim mas é muita marada. Eu sou um bocado esquisito, mas quando a música é de festa (ainda que altamente politizada) e a festa tá montada, como negar o óbvio? Showzaço.


A cave estava super bom composta, tudo maluco, rapazes, raparigas, punks, skaters, tudo ao mosh, crowd surfs malucos, e sing alongs. O concerto durou pelo menos uma hora, ainda que com umas pausas aqui e ali, mas sem nunca deixarem a energia acalmar.

O único ponto negativo é fruto dessa festa toda. Se em cima disse que estava  "caloooor" agora tenho de dizer que estava um "CALOR DE MORTE!". A dada altura houve uma pausa técnica por motivos que me ultrapassaram em que disseram à malta para ir apanhar um bocado de ar, sendo que nem todos voltaram a descer. Antes já alguns guerreiros tinham abandonado a batalha que aquilo estava efetivamente quente (props Machado). Eu estive sempre quieto perto da parede, mas saí de lá a escorrer suor por todo o lado. Obrigado sauna grátis!


Merch forte, com quantidade e humor. Havia uns com uns gatos mascarados de índios que não atingi mas tasse bem. Não percebi foi a dica de vender LP's a 20€ (e o mais recente a 25€!), mas acredito que alguns vícios sejam caros...

Fica o convite ao pessoal para ir à Disgraça, seja para ir a concertos ou não. Bom spot que tem sido pouco aproveitado pelos visitantes, não obstante o esforço da equipa local em dinamizá-lo. Faço a minha mea culpa também, mas o potencial está lá todo.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Review: Outbreak Fest 2017

Este ano não deu para fazer three-peat e regressar a Leeds para o Outbreak Fest. O que era provavelmente dos melhore cartazes que o festival já teve acabou por ter baixa de peso de ultima hora, com Turning Point a cancelar a presença no segundo dia, sendo substituídos por uma catrefada de bandas locais. Não estando lá, houve meia dúzia de rijos que levaram a camisola do Ronaldo para representar o país no estrangeiro. Nesses incluem-se enviados especiais do Nós Contra Eles, pagos a peso de ouro, que rapidamente nos resumem o que lá aconteceu.


Review #1 Ricardo Luz

Dia 1


Rapture: Eram uma das bandas que queria ver logo no início do primeiro dia. Apesar de serem a primeira banda, a sala já estava bem composta quando entramos. Tinha visto em janeiro e gostei mais desta vez. A música é boa e isso já sabia, mas pareceu-me melhor ensaiado. Valeu a pena ir para o concerto cedo para os ver.
Frame of Mind: A outra banda que queria ver das primeiras. Gostei do concerto, mas parece-me que o hype que senti em relação a esta banda quando os vi no ano passado morreu. O EP foi lançado no princípio do ano, mas notava-se que algum pessoal ainda não se deu ao trabalho de o ouvir.
Bitter Youth: Vi de longe e não prestei muita atenção, mas pareceu-me uma mistura de Youth crew com uns toques de hardcore mais pesado.  
Bent Life / Blind Authority: Acabei ou por não ver ou por ver de longe sem ligar muito. Nestes dias longos é necessário sempre umas bandas para descansar e estes sets foram a minha escolha para essa primeira paragem.
Insist: Acho que os dedos da mão já não chegam para contar o número de vezes que já os vi. Como sempre um bom set e cheio de energia. Primeira vez que vi depois de disponibilizarem o EP no bandcamp. Apesar das músicas novas o concerto não deixou de ser curto e intenso como se quer.
Higher Power: Ao contrário do de Frame of Mind o hype de Higher Power continua vivo e de boa saúde. Para mim o demo é ótima mas desde então começaram a inventar demais para o meu gosto, ao ponto de algumas músicas se tornarem chatas. Muito pessoal a curtir naquilo que na minha opinião foi um bom concerto, da banda que tem o baixista mais “interativo” que anda por aí.
The Flex: Flex foi a primeira banda da NWOBHC que ouvi já lá vão 4 ou 5 anos. Um dos “veteranos” desta new wave e dava para sentir pela reação do público. Acabei por ver de longe mas gostei do que vi.
Freedom: O concerto começou com alguns percalços a nível técnico que foram prontamente resolvidos e acabamos por ouvir duas vezes a primeira música. Primeira vez que tocaram na Europa e notava-se que muito do público não estava familiarizado com a banda. Freedom foi uma das bandas que me levou a fazer a viagem até Leeds e não desapontaram.
Fury: Paramount é um dos álbuns de 2016. Público mais receptivo do que para os companheiros de editora e de tour Freedom, talvez porque já é a segunda vez que tocam por estes lados. Nota-se que o pessoal já sabe ao que vai ao contrário do que se passou em Dezembro na Bélgica e na Alemanha.
Breakdown: Depois de 4/5 concertos intensos aproveitei para descansar e comer qualquer coisa.
Title Fight: Para mim foi o melhor concerto do Festival. Não estar a espera de curtir tanto com aconteceu apesar de serem uma das minhas bandas preferidas. Da última vez que os vi fiquei um pouco desapontado. Tinha acabado de sair o Hyperview e o concerto foi muito parado com muitas músicas novas. Desta vez tocaram um bocado de tudo e as músicas mais recentes acabaram por ficar bem no meio das outras.
Gorilla Biscuits: Como diz o Pinela o ideal era um concerto de GB por mês. Não sendo possível um por mês é sempre bom ver Gorilla Biscuits. O set é sempre o mesmo mas são músicas que funcionam bem ao vivo e é sempre um prazer ouvir!

Dia 2

Firm Standing Law: Depois de um dia anterior preenchido, o segundo dia era mais calmo e não queria ver tantas bandas. No entanto Firm Standing Law era uma banda que não podia deixar passar. Têm um EP quase a sair e uma demo que ouvi e gostei. Mas acho que o que acaba por chamar mais a atenção em relação à banda é o facto de o vocalista ser o de Cold World. Quando chegamos o concerto já tinha começado mas ainda conseguimos apanhar algumas músicas. Gostei, ainda tenho que ouvir o EP novo.
Depois de Firm Standing Law veio um monte de bandas que não me dizem nada. Aproveitamos para descansar, comer e conversar com alguns conhecidos e outros desconhecidos que só vemos nestas alturas. Um shoutout para Belfast!
Renounced: Renounced tem outro dos álbuns de 2016. Era uma banda pela qual não dava muito mas o Theories Of Despair é bom demais. Bom concerto sendo o principal highlight a participação de uma miúda com grande vozeirão que surpreendeu toda a gente. Se gostam de Metalcore vão já ouvir Renounced.
Mizery: Gosto em disco mas não sabia o que esperar ao vivo. Foi um bom concerto e acabaram por exceder as expectativas, apesar de se notar bem que dividiram o concerto em duas partes, uma primeira com músicas sobretudo do Absolute Light e outra com as músicas das releases mais antigas.
O resto das bandas acabei por assistir sem prestar muita atenção. Já estava bastante cansado 26 bandas em dois dias não é fácil mas se não fossem tantas secalhar a viagem não valeria apena. Não me posso queixar. Um último shoutout para o John Joseph que prometeu fazer uma lasanha para o Luís.

Review #2 Ricardo Pinela

Dia 1

Rapture - Boa banda, única com miúdas #notcool
Frame of Mind - Têm piada, mas depois chateia.
Blind Authority - Não curto muito metal.
Bent Life - Estava fixe a pizza vegana.
Bitter Youth - Uma ou duas musicas boas.
Insist - Primeiro grande show do dia. BANDÃO!
Higher Power - Amigos, os 90’s não são cools.
The Flex - soube a pouco, mete mais jarda nisso, boy!
Freedom - não era fã e não fiquei fã
Fury - é capaz de ser a melhor banda de hardcore que anda aí actualmente, adorei do coração!!!
Breakdown - tem power, mas aproveitei para ir comer mais comida vegana
Title Fight - Granda feeling!! O ned faz tudo parecer bonito.
Gorilla Biscuits - Um show destes por mês, please!

Dia 2

Outreach - Estava a pitar falafell
Pledge - Estava a ver cameras com o Luis Luz.
Firm Standing Law - não conhecia, a banda é boa banda, tenho que ouvir o disco
Chamber - Esteve um dia bonito em Leeds.
Guilt Trip - Não choveu.
Splitknuckle - Até deu para apanhar sol.
Revulsion - enquanto pitavas mais umas pizzas veganas.
Renounced - Curti a miúda black a roubar o mic ao bacano.
Mizery - Boa banda. Definitivamente não é a minha cena mas curtia ver mais bandas com este feeling.
Broken Teeth - ninjas, ninjas, ninjas, ninjas, ninjas.
Knuckledust - Chuta para canto.
Cro-Mags - Estava à espera de mais dicas e menos música, boa energia!

Top 3 Shows:

Title Fight
Fury
Gorilla Biscuits

Menção Honrosa:

Insist e Rapture

Fotografias por Luís Luz




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Review: Violent Reaction (Last Show) @ DIY Space For London


Desbravando o frio londrino, eu e o Ricardo saímos da casa mais portuguesa de Stepney Green até Liverpool Street para ir ao encontro do Fábio e das mais altas personalidades da Ratel Records para almoço antes do show. O gorro perdido no dia anterior foi diversas vezes chorado, mas como o frio apertava, e a fome também, depois de nos encontrarmos fomos todos em passo rápido para o Boxpark almoçar.

Mil anos depois, e quase por acaso, conheci pessoalmente um alemão com quem troquei mensagens e cassetes quando esse formato começou a reaparecer, que estava connosco a almoçar. Gajo cinco estrelas, fã número um de True Blue e Gut Instinct! O triplo aquecimento do almoço - "High Grade" no Cookdaily bem picante (da próxima com Scotch Bonnet, Fábio!), os aquecedores por cima de nós e a converseta - foi o aperitivo perfeito para o que daí viria.

Dois autocarros depois estávamos no sul de Londres, à porta do DIY Space for London, um espaço comunitário com sala de concertos, loja de discos, livraria, printing room, bar e mais umas coisas que nem deu bem para explorar, tamanha a quantidade de malta já no local.

Quem abriu o concerto foram os Rapture, de Leeds. Com uma rapariga a cantar e outra na guitarra, o concerto foi altamente prejudicado por um feedback insurdecedor que se sobrepunha a todo e qualquer instrumento. Falta um bocado de andamento à banda, era praí o segundo ou terceiro concerto da banda e a vocalista não parecia muito à vontade. Cover da Discriminate Me (das melhores mosh parts alguma vez feitas) foi o ponto alto. O set durou nem dez minutos e marcou o tom para o resto da noite. Lusco fusco hardcore? Sim, obrigado.

Up next: Big motherfucking Cheese. Primeiro concerto destes miúdos que mantiveram a guitarrista de Rapture em palco e puseram o baterista a agarrar no micro. Adoro a pausa da tshirt para dentro das calças, calças essas curtas, mesmo para a apanha do berbigão. Mas como mais importante que o estilo é o conteúdo, o set foi demolidor. O Henry (o tal alemão) tinha confidenciado ao almoço ter voado para o show para os ver, e nem ele, nem acho que ninguém, saiu desapontado. Os problemas de feedback foram minimizados o que foi um óbvio sinal mais. Esta banda tem tuuudo para rebentar. Lembram-me uns DMIZE.

Os Higher Power tiveram de desmarcar o show poucos dias antes pelo que deu para assistir pela primeira vez a um concerto dos Unjust, que os substituíram. A dica foi "atitude". Mantiveram o lusco fusco, aquele set que tocas quatro malhas, uma cover e tá a andar de mota. LIKE!

Já não me lembro se foi a meio do set de Insist ou de Unjust que o André apareceu. Houve uma desistência de última hora e conseguimos levá-lo (a custo) a sair de casa, não sem antes visualizar o jogo do United. Escusado será dizer que mal entrou na sala e rebentou uma cover já não sei bem qual (Floorpunch? Confront? A tarde teve um desfile gigante de covers...) e a ferrugem saiu bem rápido!

O youth crew dos Insist foi talvez o som que mais destoou das restantes bandas. O rápido e furioso foi trocado pela adoração a YOT e afins. Os miúdos de Manchester (ex-Survival) já estão com outro andamento, incluindo datas na América já na bagagem, o que se nota no palco. Ainda assim, foi dos sets que, olhando para trás, menos ficaram na minha retina e na minha cabeça.

Já tinha saudades de ver os Arms Race. O LP foi dos meus discos favoritos de 2016, e revê-los foi uma prazer. O Nick é um frontman como se quer e aquele esgar raivoso na cara é a cereja no topo do bolo. Tal como o André mais tarde disse, The Rival Mob precisava de um vocalista assim - mais chateado, menos piadolas. Cover de 4 Skins incluída.

Nestes concertos com bué bandas calha sempre a fava a alguma de ser deixada para segundo plano. E a fava calhou aos velhotes Voorhees. Era hora de jantar, um gajo tem de se alimentar, se não parece uma folha de papel no pit...Havia catering vegan, e a escolha recaiu numa sandes de almôndegas de beringela, regada com bom picante caseiro.

Quando reentrei na sala cheguei a tempo de apanhar as últimas duas músicas. Não deu para ver grande coisa, mas havia malta suada, deve ter sido fixe.

Up next: The Flex! O powerlifting está a fazer efeito, o Sam já era grande, mas agora parece um monstro, especialmente visto em cima do palco. Foram talvez a banda mais prejudicada pelo som durante a tarde toda (a par dos Rapture), havia ali algo na mistura do volume da voz com os instrumentos que não estava a sair bem. Adoro a banda e óbvio que curti mil mas ficou aquele gostinho a pouco no canto da boca.

Felizmente a noite ainda não tinha acabado, e havia convidados de Boston a entrar em acção.

Melhor design? Melhor design.

Ainda cheio de comichões por ter comprado o bilhete para o show de Waste Management (e Peacebreakers e Boston Strangler) em Londres em 2014 e não ter chegado a ir, felizmente eles fizeram a viagem até ao velho continente e deu para sentir uma das melhores bandas de hardcore da atualidade. Por esta altura já estava de t-shirt mesmo tendo havido um inteligente qualquer que abriu uma porta para o frio entrar em força para dentro da sala...Estava lá o Jonah Falco de Career Suicide que saltou para a bateria para (à terceira!) tocar a Power Abuse. Malta do #renteaochão teria curtido milhões.

Para o fim estava reservado o melhor. Ainda que a celebrar o seu fim, os Violent Reaction deram um showzaço, dividido entre mil agradecimentos, participações especiais e um palco e pit craaaaazyyy.

Daqueles concertos em que só estando lá é que dá para explicar, as palavras são curtas. Haviam três camâras de filmar a funcionar, pelo que é suposto aparecer multi-cam em breve (a não ser que seja como Portugal, que os vídeos nunca aparecem...).

Houve tempo para buéda covers, ainda que não fosse preciso conhecer a letra para haver mocada e dives a rebentar de todos os lados. O Mirko de Foreseen cantou a Victim In Pain de AF, o DFJ subiu ao palco para a It's My Life de Madball, um tipo americano que tinha ajudado na tour americana a Straight Ahead e no fim ainda houve tempo para o clássico de Warzone, As One, mesmo para o momento posi-unity-hardcore-forever da noite.

/50

Estava lá o australiano da Rain On The Parade Records que editou o 7" Dead End versão australiana. Para ajudar a pagar custos trouxe cinquenta discos com uma capa nova que vendeu como sendo "Last Show Edition". Bom item de coleccionador.

Começar 2017 com potencial melhor concerto do ano? Venham mais que ainda é janeiro!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Review: The Sound of Revolution @ Klokgebouw, Eindhoven


Marcar esta viagem foi uma maluquice. Ir num dia de manhã e voltar na madrugada doa dia seguinte para ir apenas e só a um concerto parecia uma ideia meio tresloucada, mas a promessa de muita malta portuguesa combinada com atuação de Judge (acima de tudo), voos e bilhete para o festival muito em conta fizeram com que a escolha fosse rápida e sem grandes conjecturas. You're only young once, so do it right, já diziam os Side By Side.

O Ivo das Caldas tinha ficado lá em casa a dormir, por isso já tinha companhia até ao aeroporto. Ia voar pela primeira vez, e a primeira chapada de realidade aeroportuária foi logo dada na conta do café, já na zona de embarque ("da próxima já sei!"). Já na porta encontrámos o Tiago Mateus e vimos ao longe o resto do pessoal.

A partida atrasou, como é habitual - tráfego congestionado no espaço aéreo de Lisboa. Já estávamos a contar chegar a Eindhoven pelas 14h15 locais para um concerto que começava às 13h00, com check-in no hotel por fazer, viagem até à venue, e entrada propriamente dita, pelo que já se faziam contas ao que é que íamos perder.

Desta vez não houve cornetas da Ryanair (pudera!) mas o facto do hotel ser literalmente dentro do aeroporto fez-nos ganhar tempo. Ou assim pensámos, não fossem ter dado o quarto de um de nós a um Zé Maria qualquer (bom trabalho na recepção!), que nos valeu mais quinze minutos de atraso. Ao menos deu para trincar algo do Albert Heijn que ficava no piso de baixo e matar o bicho (s/o para os preços à portuguesa).

Todos juntos apanhámos o bus que acabou por sair grátis, tendo como bónus serviço de guia turístico do Congas, que viveu naquela cidade uns tempos. Lá chegámos ao Klokgebouw que tinha uma fila respeitável cá fora. Era um edifício enorme com uma data de andares, que posteriormente vim a saber tinha sido uma fábrica de resina da Phillips. Fomos para a fila onde ficamos ainda mais uns vinte minutos, sendo que deu para reconhecer caras conhecidas da terra mãe que entretanto por ali já andavam.

Tudo contado, quando entrámos estava a tocar Discipline no palco grande. Jogavam em casa e provavelmente até estava a ser um bom show, mas a mistura de fome e vontade de encontrar amigos que já não via faz tempo fez-me esquivar logo para a zona do merch e bancas de comida.

Reencontro com o Fabinho, Fábio Godinho e Emilia para aquele update das novidades. Quick stop para pegar um cachorro para aconchegar o estômago.

Acabei por ir ver Lifeless com o André (de passagem por Eindhoven em trânsito para o Médio Oriente), o Leo e o Nuno. "Tu gostas disto? Isto é só pancada!" Não estava muito a par, só sabia que o Hermano curtia bué a banda, por isso já trazia comigo o rótulo de "pesado". Bem dito, bem feito, mal soa o primeiro rancancan começamos a ver uma confusão do caraças do pit, que nem a floresta de holandeses grandalhões conseguia esconder. Eu confesso que ao fim de três músicas já estava a tornar-se chato para o meu gosto, e aceitei o convite do Fabinho e fomos para a sala ao lado guardar lugar.

A seguir ia tocar Madball no palco grande, e como nunca tinha visto Madball ao vivo (como?) tentei chegar-me o mais à frente possível, sem me meter no meio da confusão e com vista para o palco - tarefa difícil. Tocaram uma data de malhas recentes que nem conhecia, com uma pitada do Madball que gosto aqui e ali (Smell the Bacon, Set if Off, Down By Law, Pride, etc). O fator palco grande (e grades) foi turn down, mas para primeira vez não foi nada mau. Isto numa sala pequena há de ser um feeling completamente diferente. Como passam por Portugal de quando em vez sei que mais tarde ou mais cedo vai acontecer...

O festival decorria com uma "pontualidade holandesa", sendo que mal acaba o concerto num palco logo recomeçava no outro. Os próximos a atuar eram os ingleses Dead Swans que eu pensava que eram uma coisa meio chorona tipo More Than Life. Dei lá um check, vi o Fabinho junto ao palco e acabei por bazar nem ao fim de uma música. Mais tarde ele veio-me dar na cabeça a dizer que aquilo era fixe e não tinha nada a ver com MTL. Lágrimas não foram derramadas no entanto.

Reencontrei o Tiago Mateus que me falou numa hamburgueria fixe na rua, ali nas redondezas. Agarrei no Ivo e fomos à descoberta de uma Eindhoven gelada e deserta para trincar algo. Depois de andar para trás e pra frente a rapar alto frio (FRIO!!), fomos dar com o tal "centro comercial", que tinha encerrado às 19h. A um sábado! Lembrei-me logo da conversa do Congas no bus até à sala do concerto a relatar as rotinas dos locais, nomeadamente os horários das refeições...

Com esta conversa toda não comi e após regressar apanhei Discharge a terminar.

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Altura de tomar posição para o concerto de No Turning Back. Showzaço com a familia do Martijn no palco a assistir, mil dives (com nota máxima para o do Congas). Aquilo era o "concerto hardcore" que eu vinha à procura e que tanto gosto.

Ignite tocaram a seguir no palco grande mas bastaram duas músicas vistas do balcão superior para desistir e ir sentar-me um bocado e arranjar lugar para Judge.

Judge deram o melhor concerto da noite. Meterem Judge a tocar no palco pequeno, sem grades, foi um decisão que precisou de tomates para ser tomada, mas que valeu mais do que a pena. Não sou bom a contar cabeças, mas aquilo estava à pinha. O pit não era pit, era uma onda de pessoas que ora eram empurradas como um bloco para a frente ora para trás, ora para a esquerda ora para a direita. Queria chegar perto do palco mas não dava. Incrível! Os sortudos que o conseguiram ajudaram a tornar aquilo um concerto memorável, ainda que não o tenha desfrutado da forma que tanto gosto (melhor que o de Berlim segundo vários comentários online que vi).

A dada altura tive de recolher ao pé de uma coluna que já estava a passar mal com o calor e acabei por ficar numa posição menos privilegiada para assistir ao último quarto do set. Tocaram tudo o que interessa, com o Mike Judge, apesar do seu porte imponente, a não dar mostras de cansaço, com o nevoeiro no ar, misto de calor corporal e da máquina de fumo, a dar um ambiente intimista a um concerto num sala onde deviam estar pelo menos 2000 pessoas. Vou repetir: incrível!

O set seguinte era o outro pelo qual mais estava curioso - Life of Agony. Não era o maior conhecedor da discografia, muito menos cresci a ouvir a banda, mas esta onda de revival dos 90's do último par de anos trouxe os êxitos incontornáveis até aos meus ouvidos. Isso e a óbvia mudança do Keith para Mina, que colocou a banda nas bocas do mundo.

Fiquei atrás de um casal onde a rapariga era a fã n.º 1 da banda. Passou o concerto TODO aos saltos e a cantar as músicas todas. Nem o holandês ultra bêbado que a dada altura quis entrar na festa a perturbou.

A banda deu um show do caraças. Abriram com a River Runs Red e nem houve tempo para suspense. Energia, comunicação com o público constante e tudo tocado sem espinhas. As coisas no pit foram duras, duas pessoas a saírem de lá sem sentidos, uma delas uma rapariga que acabou por interromper momentaneamente o show enquanto a tiravam pela frente do palco.

Reconheci a maioria das malhas do primeiro disco (o único que conhecia), sendo que durante uma hora nunca deixaram o público arrefecer. A Mina canta muito, com a Ugly a ser o melhor exemplo.

Foi daqueles concertos que te ficam na cabeça, e que mal voltei a Portugal (e ao trabalho) me levaram a ter os discos a rodar no youtube nos dias seguintes...

No fim já não havia muita paciência para Cockney Rejects. As costas já me doíam muito (sem drunfos) e o cansaço já estava a bater forte. Claro que aquela era a hora certa para meter a conversa em dia, ainda que o frio de rachar nos tenha mandado de volta para o hall de entrada do edifício. Deu para ser consensual a coroar os Judge e os LOA como melhores concertos da noite, e ter uma lição rápida da história dos LOA. Acabámos por ficar quase até ao fim de festival até o Congas lá aparecer cheio de tralha às costas e apanharmos todos táxi até ao hotel. Ainda se tentou o tuga discount sem sucesso, mas valeu o rap holandês que rebentava nas colunas.

Subimos, e depois de alguns dedos de conversa sobraram um par de horinhas para dormir. Ponto de encontro seis da manhã para comer algo no supermercado e voltar a Lisboa a tempo de almoçar em casa.

Lusco fusco hardcore. Agora e sempre.

domingo, 12 de junho de 2016

Review: No Tolerance @ Boston Music Room, Londres


Não vou escrever uma review decente. Cheguei já tarde e passei muito tempo à conversa.

Review resumida:

Que merda de som!!! E a sala até era bem bacana. Primeira vez que fui ao Boston Arms, que fica por baixo do The Dome.

Foreseen foi a banda com o pior som. Pena, pois parecem bem bons, tocavam pra xuxu e o vocals tinha boa presença, mas não ouvia as guitarras ou só ouvia barulho e echo em metade das músicas. Mas como o pessoal sabia quando iam entrar as partes de mosh houve suor e cuspo.

Night Force também rendeu do que apanhei (pouco), pessoal sóbrio (lol really) e boa onda! As t-shirts com o print da capa da demo ja vão na segunda e última press e foram um sucesso.

Violent Reaction tocou Warzone (As One) e o momento foi belo, a tocar em casa foi sólido. O vocals de Arms Race mandou uma dica aos pedofilos na cena mas nem percebi o que ele disse, o tópico está morno.

No Tolerance aparentemente tinham chegado tarde e não viram algumas bandas mas acho que viram mais que eu, o DFJ (que agora está louro!!!) e o Chinoca esforçaram-se por ver as bandas tocarem, kudos for that, real recognizes real. Pareciam cansados... Sobretudo em palco o DFJ estava com um ar muito serio tipo velho para estas coisas repetivas de ir em tour, mas não faltava genica a pular, o pouco que falou foi conciso e apreciou genuinamente a audiência. 


Tambem não falta talento a estes dois e além de nao fazerem bandas más não dão maus shows. Foi acção e reboliço do início ao fim, e tal como me tinham dito quando falei com eles há uns anos na tour de The Rival Mob, em palco voltaram a elogiar a cena mais DIY e as venues pequenas na Europa em comparação com o estado actual nos US.

A este propósito, havia tantas ou mais pessoas no show que viajaram de vários cantos da Europa do que locals. Overall demasiadas bandas (acabou bem tarde) mas todas com valor, e era dificil escolher quem merecia mais os meus tostões nas bancadas do merch. Parabéns à Ola que organizou isto e que tem feito imensas coisas. Foi um flyer para um show em breve de Los Crudos que peguei na banca dela? Uepá!! O HC ainda está vivo na Europa, bump!

Review por Fábio Godinho, aka Fábio Knows, enviada após intenso choro do Miguel Pimentel, que ainda hoje está triste por não ter agarrado o comboio até Londres para este show.

sábado, 28 de maio de 2016

Review: Expire + Cross Me + Push @ Popular, Lisboa


Shows a meio da semana em véspera de feriado deviam ser lei. Mas como não são este concerto teve um pontaria do caraças no calendário e tornou ainda mais fácil a escolha de ir até Alvalade. Para quem tinha marcado presença na visita anterior de Expire este concerto estava marcado na agenda faz tempo, com bold e sublinhado.
Os Expire tinham dado um concerto do caraças, e desta vez esperava-se igual ou melhor. Sem bandas merdosas a acompanhar e numa sala menor, estava tudo bem encaminhado.

O Popular é provavelmente a melhor sala em Lisboa para concertos pequenos/médios, ainda que a arquitectura fora do normal da zona do palco cause alguma estranheza. Mas não é por aí que não há espaço para dives, circle pits ou para moshar, e a noite provou-o.

Cheguei bem cedinho e estive um pouco cá fora à conversa, entrando ainda a tempo de chillar nos sofás antes dos Push! começarem a tocar, a saborear ao máximo aquela imperial de 1,5€ (ai!).
Logo reparei que havia um grupo praí de 15 rapazes e raparigas bem novinhos que nunca tinha visto na vida, já a representar com tshirts da banda. Perguntei ao Noia se os conhecia e a resposta foi negativa, pelo que o estrelato está a bater a porta. Taking over!

A banda tocou um set comprido para uma sala a 70% da capacidade, a mostrar mais uma vez que são das bandas com melhor atitude em palco na nossa pequena cena, sempre energéticos e a puxar pelo público, que respondeu à letra, com esse mini-exército à cabeça. Pena o rapazito que andou a ver demasiados vídeos de Desolated e Malevolence no youtube e acha que crowd kill é uma cena fixe/aceitável…mas não esperou pela demora.

Não conhecia Cross Me e achei um bocado chato para ser honesto. A estrutura das músicas era sempre a mesma e rapidamente começavas a adivinhar o que ia acontecer a seguir. O vocalista pareceu-me um gajo bacano pela pouca conversa que tivemos cá fora antes do show, mas tinha uma pinta engraçada. Tatuagem da águia e bandeiras da América no peito, só faltava a arma na mão e o boné do Make America Great Again. Americanos a ser americanos. Se fosse cá era logo rotulado.

Já com a sala quase cheia (sendo que esperava mais, para ser honesto) estava tudo à espera de Expire, e Expire não desapontou. Nem eles nem o público.

O monitor do meu lado saltava do sítio música sim música não, o tripé igual, e os pedais da guitarra rapidamente foram escondidos por baixo do amplificador, tamanho o trânsito que ali se gerava. Um concerto hardcore como se quer. Malta a voar de toda o lado, a aterrar sabe-se lá onde e com as letras na ponta da língua. O jogo de luzes epiléptico dava um toque interessante, tu vias um qualquer gajo a subir ao palco, ficava escuro, e de repente já te estava a aterrar em cima.

Os já referidos miúdos e miúdas novos lá se mantiveram na frente, cantaram as músicas e mantiveram-se hirtos e firmes enquanto lhes caiam corpos sobre a cabeça.

O Josh disse que tinha sido o melhor concerto da tour até agora, mas um gajo fica sempre na dúvida porque parece que todas as bandas o dizem…mas vale a intenção. Lá que foi granda abuso foi.

No fim peguei um 7” de STONE, a outra banda do Zach Dear, guitarrista de Expire, que é fixe e estava lá refundido na banca do merch. Ainda deu para estar com o Pontes a ver a qualidade do algodão das Gildan Heavy Cotton e dizer a umas raparigas que Deez Nuts não presta e elas terem ficado incomodadas (objectivo atingido!).

Quando sais de um show com marcas de pés nas costas, negras espalhadas pelo corpo e t-shirt suada, é sinal de que foi coisa séria. É cliché, mas o hardcore está bem vivo, pena que nem sempre com a vitalidade mostrada neste dia.

Que os miúdos novos continuem a aparecer nos concertos, que sangue novo com sangue na guelra faz (sempre) falta.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Review: BANE + Backtrack + SHAPE @ RCA


O mês de dezembro trouxe duas prendas antecipadas: concertos! Motivo para recuperar aquela combinação perfeita, pizza e hardcore. Pit stop no Mr. Pizza para encher o bandulho com viagem rápida até ao café dos bombeiros para ver um bocado do Sporting.

Pouco depois da hora marcada partimos para o RCA, tendo chegado já com o set de SHAPE a meio. Vi umas três músicas pelo que seria injusto dar grande feedback.
Reencontro com aqueles amigos que só vês nestas ocasiões, sempre aquela felicidade estampada no rosto. E o calção em dezembro? Só para os mais cruciais, claro!
Não apanhei os Backtrack no início deste ano com Madball pelo que a ordem de comparação ia para o longínquo ano de 2011, quando tocaram em Cacilhas, na altura apenas com a demo e o primeiro EP na bagagem, bem antes de serem uma banda “grande”. A expectativa ainda assim não era a maior do mundo, mas contava com mais que meia dúzia de gatos pingados a conhecer a banda - esperava bom show com a miudagem mais nova craze.

Se o Darker Half os fez dar o salto em termos de audiência, o Lost In Life acabou por ser mais do mesmo. Acaba por ser normal, numa banda que vai acumulando uns anos no curriculum, naquele processo mais ou menos normal na cena hardcore. Se inovas é porque “fritas”, se é mais do mesmo é porque é sempre igual…

A banda agora tem uma rodagem como poucas e isso é óbvio ao vivo, mas depois de quatro ou cinco malhas torna-se um bocado chato, especialmente quando o público está mais sossegado do que seria suposto. Se há festa o sentimento é outro. Ah, e para minha infelicidade não tocaram a Deal With The Devil, pelo que faço cara feia à escolha da setlist.

Ainda assim, tudo certo. O concerto foi fixe, mexido o suficiente para meter a Márcia no estaleiro e mais longo do que os 20 minutos a abrir para Madball que deixaram muitos aborrecidos na anterior passagem da banda por cá, mas tinha havido um stress qualquer e eles pareciam estar meio aziados (tal como os Bane, mas não sei se pela mesma razão).

O Vitalo tinha um tshirt de Turning Point que alguém tentou comprar-lhe no final do show, sendo que ele declinou, dizendo que tinha largado cento e muitos dólares para a comprar a um amigo. 2015 parece que foi ano de revival de TP, mas parece que estou atrasado para a festa. Se bem que o mais certo é mesmo ficar à porta, os meus hypes são outros.
Os Bane regressavam a Portugal para se despedir. Parece que é desta que vão acabar, depois de já o terem anunciado não sei quantas vezes. 20 anos de banda é dose! Se ainda pensei em casa cheia para esta despedida, rapidamente conclui o contrário. Se foi pela época natalícia, se pelo preço ou pelo show da semana seguinte, o que é certo é que o RCA estava a pouco mais de meio gás.
A maluquice do concerto de 2012 não se repetiu com a mesma intensidade, e nunca é bom teres um vocalista a dizer que queriam vir a Portugal novamente porque tinham dado um concerto que lhes ficou gravado na memória, e desta vez havia buraco no pit e os tais dives ficaram em casa. Felizmente a meio caminho as coisas mudaram, e houve lugar a um bom concerto de hardcore.

Confesso que não sou o maior seguidor da discografia da banda, mas tocaram aquelas malhas incontornáveis quase todas e deram um showzaço. Havia uma rapaziada alemã que os andava a acompanhar pela Europa nesta última tour, sendo que uma das garotas fez anos. Houve Happy Birthday To You, com balões e confettis. Boa festa de aniversário.

Dêem uma olhada nas fotos e videos, vão ter pena de não terem lá estado, for sure. Todos os que lá estiveram também certamente teriam apreciado que mais malta lá tivesse estado. Um boa despedida, ainda que continue a achar que a banda não vai ficar quieta assim tanto tempo...
Como remate final, vou voltar a bater no ceguinho: alguém se esqueceu de avisar que as grades não são impedimento de stage dives. Quem quer faz, por isso só posso deduzir que não se quis assim tanto. Ou então não se sabe. Este concerto fez-me pensar se o stage dive não seria uma arte perdida por estes lados. Sempre pensei em Bane como sendo, a par de Terror, uma máquina geradora de stage dives (sendo que o Aaron não os pede com tanta frequência como o Scott), pelo que esperava por mais tráfego aéreo do que se veio a verificar.

Felizmente a semana seguinte serviu para me provar exatamente o contrário....

domingo, 22 de novembro de 2015

Review: Backflip + Mordaça + Reality Slap + Linebacker @ Popular




Um concertinho já fazia falta, então no último Domingo, dia 14 de Novembro, lá apanhei eu o comboio em direcção a Alvalade para aproveitar a tarde que se fazia solarenga. Quando cheguei ao Popular, casa que tem sido alvo de inúmeros concertos, já havia bastante pessoal à porta para ver a banda de abertura, os Linebacker.

A começar pouco depois das 17, foi possível ver uns Linebacker renovados, tendo agora como vocalista o amigo Calisto. Foi um concerto sólido e uma boa surpresa a estreia do Calisto nos nossos palcos. Tocaram algumas das músicas que já tinham anteriormente, algumas novas se não estou em erro, contaram com a participação do baterista de Reality Slap, Tiago (bons pipes btw!) e acabaram em grande com a Low Places de Cold word, acompanhados pelo público a cantar em uníssono. Linebacker delivers!!

De seguida era a vez dos já conhecidos Mordaça de Linda-a-Velha. Mas uma rapariga já não põe os pés numa matiné há tanto, que acabei por perder esta actuação e fiquei lá fora na galhofa com o pessoal, catching up and chilling! Portanto deixo esta parte da review a quem esteve presente lá dentro nessa altura, me perdoem.

E então chegou a vez dos Reality Slap com a sua “nova” formação, o Bruno Palma que já tinha estado em Tour com os RS, faz agora parte da banda 24/7. Ver Reality Slap é sempre uma lufada de ar fresco. Músicas pesadas, letras inteligentes e simples, riffs rápidos, chapada na cara e ainda quem esteve lá, teve a oportunidade de ser agraciado com um pequeno teaser do novo álbum; uma música nova, cujo nome me escapa da memória, de um peso brutal e um sentimento forte (disso já não me esqueço). As novas malhas prometem bastante e estou curiosa para ver o que vai seguir o “Necks & Ropes”. E à luz dos recentes eventos bélicos no mundo inteiro, ainda deu para manter a PMA com uma cover de Bad brains, “Attitude” com a participação do amigo Cabeças. Power!

Por fim, chegaram os cabeças de cartaz Backflip, que estavam a apresentar o seu 3º álbum, “The Brainstorm – Vol.1” que, como o nome indica, trata-se de um cd duplo ou de um CD dividido em dois volumes vá. O pessoal recebeu o CD à entrada e – surpresa surpresa – a segunda caixa do cd tinha apenas uma cover a dizer “The Brainstorm – Vol.2 Coming Soon”. E assim quem for ao próximo lançamento, irá receber uma capinha de plástico com o CD para completar a sua obra.

Deram início às hostilidades com a “Corações ao Largo” e a sala acendeu. Sala cheia de amigos, fãs, dá logo para sentir todo o apoio. Sing alongs, roubos de micro, a banda sempre sólida, um sorriso sempre presente na cara da vocalista Inês e assim se faz um show de lançamento bem sucedido! Não pude ficar até ao fim devido a cenas, mas digo desde já que foi uma boa maneira de passar um Domingo à tarde.

Boa música, bons amigos, boas vibes.

Review por Márcia Santos.