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sábado, 6 de março de 2021

Review: Preemptive Fear #1 e #2


Fanzines, fanzines, fanzines, quantas mais melhor. Hardcore Hoarders até ficam a brilhar dos olhinhos.

A Preemptive Fear surgiu no radar nas redes sociais em janeiro/fevereiro - ainda há utilidade para as mesmas -, ao ver uma publicidade a uma nova newsletter que tinha acabado de ser enviada aos subscritores. Newsletters? Adoro. click, click, click! Playlists, reviews, rápidas, whatever, estou in.

Dois e-mails depois sai e-mail a anunciar o novo número (o #2) da fanzine impressa, e claro que fui investigar. Gil Sayfan (Big Contest, Free Spirit...), Spark da Alemanha, e uns desconhecidos Wreckage e  O.N.E.. Os cromos da bola das fanzines que "sigo" a mandar props ao post foi sinal de alerta - pensem no Metal Gear quando o Snake era avistado.

Link na bio - click. #1 novamente disponível, com o Connor de Protester e o AJ de Stop & Think? Olá! Pack com o número 1 que não tinha com descontinho? Click, click, checkout, pay now. Feito!

Indo direto ao que interessa: as zines chegam, e layout como manda a lei. Mesma linha estética nos dois números, e aquela não rara evolução de primeiro número A5, segundo número A4. É tão melhor! Menos portátil, mas de resto, só prós. Já não é a primeira nem a segunda vez que o digo, mas A4 > tudo.

No primeiro número ficamos a saber a origem do nome (spoiler: LOJ), e abrimos com uma entrevista aos Generation, que não conhecia, mas que são uma banda de indie rock/punk com membros de Insist. Não fazia ideia, mas estão lá 3 dos miúdos que chegaram a tocar cá nas Caldas e em Lisboa.

Jungle Jamz é a secção que se segue, em que o Josh faz pequenas reviews aos discos que anda a ouvir. É fixe na medida em que não se foca só em novidades, e dá para recordar discos que gostámos e nos esquecemos, ou saber o que eventualmente perdemos.

Altura dos pesos pesados: Connor Donnegan fala do (fim) dos Protester e de Brain Tourniquet, onde também canta, e há lugar a entrevista ao Tom Pimlott de Rated X (e Violent Reaction, e por aí fora), que parece que está em TODAS as fanzines (o disco bateu, eh?), mas curiosamente esta entrevista foi feita ainda antes do LP sair, por isso o foco não é nele. 

Bitaites sobre melhores intros do hardcore? Siga. Para fechar entrevista rápida com 10 questões ao AJ de Stop & Think sobre o seu amor às fanzines e sobre o que tem lido. Rápido, eficaz, review feita.

Número #2. Aqui já passámos para outro campeonato. A4, maior, melhor, mais imagens, mais conteúdos, mais páginas. Depois de alguns textos introdutórios passamos direto para reviews a múltiplas fanzines (que me esfregam na cara que ainda não tenho a Gratitude, aparentemente das melhores que aí andam...), e logo a seguir uma entrevista aos O.N.E. (Overload of Natural Energy). A demo saiu na Advanced Perspective e editaram um novo EP em 2019 - não conhecia, fui ouvir, é "diferente" (scratch aqui e ali?!), mas entrou! Dêem uma chance.

Jungle Jamz retorna neste número para mais recomendações de discos - props pela lembrança da demo de Last Straw (LP a caminho em 2021!)

Entrevista ao Andy Villahuer de Spark, boa banda alemã que partilha membros com a maior parte das bandas boas do presente e passado recente da cena germânica (Night Force, Coldburn, Skaggs, Domain, Spirit Crusher...). Tudo dito, certo? O último lançamento foi um split com os Chain Reaction, ouçam que é bom. Entrevista em três páginas A4 = sumo.

Fanzine de ínicio de 2021, made in Europe, de um tipo straight edge só pode significar uma coisa = review ao LP de Rated X. Disco "edge" mais importante desde o LP de No Tolerance? Eu digo que sim. Debate me. Há mais reviews a discos, maioritariamente >2015. A review ao último disco de Sick of it All está engraçada - e diz umas verdades.

Não conhecia os Wreckage, mas são do Connecticut e parece que terão um split com os Last Straw que falei ali atrás a sair em breve (talvez!?). Ainda não tive tempo de ir ouvir, mas pelo que eles dizem ser influências, devo curtir. Se não gostar é porque são uns aldrabões.

Reedições de material promocional de Raw Deal em fanzines em 2021? Sim, todos os dias. Novamente o debate sobre melhores intros? Sim, todos os dias (literalmente). Boa entrevista ao Gil Sayfan sobre o passado (Free Spirit) e sobre o presente (Big Contest, Zeel). Alerta CM: Free Spirit não era banda SXE. Bom! Para fechar write up sobre Iron Age e 10 questões com o Grady Allen de Anxious e One Step Closer.

Para sumarizar, sou fã quando há esta evolução de um número para outro - em que tudo é maior e melhor. As entrevistas são todas boas e vê-se que houve estudo do assunto para não serem só as questões do costume ("quem são, porquê, o que é que querem para o futuro?"). Tenho de começar a inventar uma escala para estas reviews, mas está vai para o A+++ Recommended (props eBay quando os portes dos EUA eram baratos. sdds).

Podem adquirir os dois números num pack único no Bigcartel. Com portes fica-vos a pouco mais de 10€ (são e salvo de alfândega) - podia ser pior.

Bigcartel

O Josh ainda gere um website onde vai pondo recortes de zines antigas, num excelente trabalho de curadoria. Muita coisa boa! Outra opção é seguir a PF no Instagram onde vão saindo as novidades e têm link para subscrever a newsletter..

https://preemptivefearpress.com/

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Review: Utopia Platafórmica - Volume II

 


A pandemia trouxe-nos uma espécie de revivalismo das fanzines. O tempo extra que muitos de nós passámos a ter (não raras vezes pelas piores razões), permite redireccionar energias para outras coisas para além do trabalho – umas delas hobbies ligados à nossa cena musical. Desde fanzines que voltaram, a outras que apareceram e prometem números de estreia, surgiu a Utopia Platafórmica.

A Utopia Platafórmica é uma fanzine nascida de um blog criado em 2019, onde o Daniel escreve reviews e fala dos seus gostos musicais, infiel, tal como ele próprio faz questão de referir no editorial, a um só género musical. Do foco no Black Metal, ao punk, hardcore, e algum rap, you name it. E se esta breve review é ao Volume II, existe um Volume I dedicado ao Black Metal – caso precisem de companhia para dias escuros e chuvosos com Darkthrone na coluna.

Mais importante ainda, o editorial termina ordenando o leitor a ouvir o “United Front” de Rated-X. Logo aí, já ganhou, e ainda vamos na primeira página.

A fanzine está em formato A5, preto e branco, com muitas fotografias a acompanhar o texto (às vezes esticaaaaaadas), sempre em português, num layout Word-esque, que é a única coisa que me faz comichão – isto vindo de um gajo que não sabe sequer mexer no Paint e se refugia no cut’n’paste…Mas hey, há sempre arestas a limar.

Como o autor refere, nesta fanzine dá-se destaque a algumas bandas menos “mediáticas” dentro da cena Hardcore, Punk e Oi!. Cinco entrevistas a cinco bandas de três territórios europeus diferentes. No entanto está aqui feita uma seleção musical requintada, só com bandas boas. Falo por mim, que gosto de todas!

Pressure Pact da Holanda – aquela bomba sorrateira que fizemos questão de referir várias vezes no Nós Contra Eles, mas que há quem teime em dormir. Influênciados pelo NWOBHC (e consequentemente o Boston e New York HC antigo), esta malta tem granda escola e basta ver o name dropping nas referências para perceber que o assunto é sério. Ouçam o LP!!!

Youth Avoiders, uma das pérolas da cena punk francesa de tempos recentes (que faz um mini-scene report da cena punk francesa atual) e dose dupla do País Basco com Irmo e Revertt – a Mendeku Diskak tem lançado muita coisa, e tudo bem acima da média, incluindo estas duas bandas. Para fechar regresso a terras gaulesas com os Syndrome 81, filhos do betão armado de Brest.

As entrevistas são maioritariamente rápidas, mas interessantes, daquelas em que as bandas efetivamente dizem algo e não se ficam por respostas secas. Exceção à brevidade feita precisamente na  entrevista a Syndrome 81, a mais longa e, ao mesmo tempo, a melhor.

A fanzine termina com um texto pessoal em que se reflete no conceito de música com conteúdo VS música sem conteúdo, comparando diferentes géneros musicais. Tudo certo.

Muito sinceramente esta fanzine foi uma boa surpresa, e uma excelente maneira de começar 2021, ano em que se promete muita produção de papel impresso em Portugal. Que venha o próximo volume, que cá estarei para o devorar. Rap francês? Manda vir.

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-TG

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Review: Chiller Than Most #5


A tempo de figurar na peúga natalícia, a Chiller Than Most voltou com os conteúdos mais cruciais. Já há um par de semanas na prateleira, houve agora tempo de dissecar e escrever umas palavrinhas sobre este quinto número.

Ponto número um: a parceria com o Chun One continua forte e dá um sentido de continuidade importante. Seja na zine, seja em tudo o que lhe é acessório: presença online, posts, material promocional. Artwork on point com um "Quem é Quem" da cena inicial de Nova Iorque. Peguei o poster, que aguarda moldura...

O Atilla é o maior fanboy da era dourada do NYHC (o maior da Hungria pelo menos) e começa em grande estilo com uma viagem que fez a Nova Iorque e em que fez questão de visitar os extintos locais míticos dos anos 80. Agora transformados em lojas de roupa, restaurantes ou simples apartamentos, ficou engraçada a ideia de tirar uma foto a copiar uma da altura, num exercício de descubra as diferenças. A7, CGBG's, The Pyramid, estação de metro do anúncio do disco de Token Entry, etc, ele picou o ponto em todas.

Entrevista porreira com o Pat Hassan sobre os xFIRM STANDING LAWx. O Pat atualmente está a dar aulas no Egito e é o maior bacano! A Carry The Weight Records que ele co-comandava despediu-se o ano passado e ainda aguardo review desse show (dica!)

Há espaço para repost de uma entrevista a Supertouch e uma pequena entrevista ao Tony Rettman sobre o seu novo livro sobre o Straight Edge, que não aprofunda muito mas dá para ver qual foi a ideia dele para o escrever. Melhor só o capítulo sobre Bold que não chegou a ser incluído no livro que aqui aparece com vários intervenientes a dar a sua versão da história.

Entrevista ao Michael Franke sobre os The Accursed, dá para saber mais sobre uma das melhores bandas a sair da Austrália (a melhor desde Vigilante?).

A entrevista à Nancy Barile é fixe não só por ter uma visão diferente da génese do hardcore e de como aquela era foi, como porque a dada altura o Al Barile (marido, SSD) dá o seu input também. 6 páginas A4? That's the shit I do like!

A feature de Mental era aquela que mais me tinha despertado a atenção na altura no anúncio, e acaba por ser um ligeiro let down. Desapontamento é duro demais, porque adoro o que foi feito - basicamente dar a voz aos fãs. Ou seja, aquele insight que eu estava à espera perde-se um bocado e vai noutra direção (igualmente fixe) em que se faz uma análise subjetiva ao impacto de Mental na cena da altura e no que dela surgiu. Era esta a premissa, bem sei, mas perfeito seria ter alguém da banda a "comentar os comentários". Ainda assim, Mental é Mental, e qualquer conteúdo sobre a banda é devorado por estes lados com apetite voraz.

Para terminar, só uma achega: freebies game on lock! Poster promocional, abre caricas, print da história do Hardcore Mailman (ver CTM#4) em cartolina, autocolantes e aquele obrigado personalizado. Assim dá gosto.



Malta em Portugal pode pegar cópias via Backwash Records.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Review: Headache Fanzine #2


Com o número #3 quase a bater à porta, finalmente a minha atenção voltou-se para a Headache Fanzine. Não tendo apanhado os dois primeiros números na altura do lançamento, surgiu a oportunidade de safar este número no meio de umas tapes que me iam enviar.

Obra do alemão Michael Franke, vocalista de Mental Refuse/The Accursed e mais umas coisas, aproveitou a estadia na Austrália não só para ir fazendo umas bandas como para meter mãos à obra numa fanzine.

Começando pela capa. Bota a esmagar uma cara - imagética hardcore? Presente!

A zine abre com referências a Killing Time e Arms Race, para rapidamente dar lugar a uma ótima entrevista aos valencianos Poder Absoluto. Sigo esta banda desde o tempo em que eram Altercado Espiritual (entrevista no blog!), e o Alberto é um gajo que ama duas coisas: hardcore e a sua cidade. Temos direito a dicas gastronómicas e culturais, sempre com aquele discurso venenoso sobre os cleptocratas que dominam a cidade. Boa dica sobre o hardcore estar "preso" à língua inglesa e ao pouco espaço que sobra para as diferentes línguas maternas. Discussão com barbas, mas sempre em dia, seja qual for o género musical. Ao longo das 3 páginas A4 ainda há uma ode ao Andy Fletcher e mais umas farpas bem lançadas à cena.

A seguir: Combatant. Se curtem a fase inicial de Agnostic Front (Victim In Pain!!!) esta banda é para vocês. Desde a história dos primeiros lançamentos à mudança na sonoridade no último registo, dá para ir a todas. E se acham que a conversa dos "turistas do hardcore" é conversa de velhão na tuga, fica a prova que os há em todo o lado. Velhos e turistas, claro está.

Os Enemies eram os desconhecidos (para mim) desta edição. Parece que o vocalista toca baixo em The Chain! Malta de Calgary que ganhou direito a audição posterior. E valeu a pena!

Mantendo-nos no Canadá, vamos até ao extremo oeste e à província da Colúmbia Britânica. Conhecia os Watchdog sobretudo pelo artwork do ep feito pelo Tin Savage (fã!) mas musicalmente também não era nada de deitar fora. Responde-se a questões sobre qual o melhor disco de Foreseen (resposta fácil...), história e porquê de lançar um ep de 10 músicas em tape e o que podemos esperar para o futuro. Mais uma vez, entrevista em duas páginas A4 dá-te muito material para te entreteres. A4 > A5 now and forever.

Contras só mesmo o zoom aplicado na impressão de algumas fotos que lhe dão um toque pixelizado, bem como o brilho da impressão, que acima de tudo tem impacto na leitura das respostas dos diversos entrevistados, face à escolha da cor da fonte (cinza? c'mon man!).

Mas face a tudo o que foi descrito acima o bom dá cabazada no mau, e já vou esfregando as mãos à espera do e-mail a confirmar que o novo número já foi para impressão e a encomenda não tardará a chegar. Segundo o Michael "ainda faltam algumas respostas", o que na minha (pouca) experiência pode significar meses...



Cópias do #2 e #3 brevemente disponíveis em Portugal via Backwash Records

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Review: Chiller Than Most #4

CTM #4. Colecção de André Santos.

Chiller Than Most #4 e a reclamação do trono.

A morte da Hashtag Hardcore Fanzine com o último número versão de bolso (talk about going out in style!) deixou vago o título de melhor fanzine europeia da atualidade. Digo europeia porque os portes para envios transatlânticos tornam impeditivo o acesso a todo um mundo de fanzines editadas principalmente nos Estados Unidos.

Mas não é novidade nenhuma que as coisas no velho continente vão mexendo, quase sempre com qualidade em vez de quantidade, e a Chiller Than Most Fanzine tem, a cada número, não só melhorado o conteúdo como cimentado o seu lugar como uma das mais fanzines mais consistentes.

E o novíssimo número 4 (que na verdade é o quinto, existindo um número 3.5 dedicado aos GIVE) vem, a meu ver, dar o passo definitivo para a tornar “A referência” não só por se manter fiel ao estilo old school, como à pesquisa e foco dado a um tema e uma época que marcaram uma geração do hardcore nova iorquino, com o óbvio impacto em gerações futuras e em cenas por todo o mundo.
Falo das múltiplas páginas dedicadas ao programa Crucial Chaos da WNYU, com entrevista à DJ Spermicide, apresentadora/entrevistadora de serviço, bem como as questões rápidas a membros de grande parte das bandas que lá marcaram presença sobre a sua experiência e importância do programa radiofónico.

Isto é ouro para qualquer apaixonado pela cena nova iorquina do final dos anos 80 e de todas as bandas que definiram o rótulo “NYHC”, e vem aguçar o apetite por saber mais, num vazio que espero que livros como o do Harley e do Tony Rettman ou os documentários que tardam em ser concluídos venham preencher.

Porque a zine não se esgota aqui ainda há possibilidade de conhecer melhor os Might, Combatant, os húngaros Touch e os meus favoritos The Flex, com análise de background a todas as tapes Flexual Healing. Para além das entrevistas há ainda uma dissecação aos BOLD.

O estilo é o clássico corta e cola, sem ajudas de Photoshops e afim. Tesoura, cola batom e imaginação. Montagens com pinta e muito conteúdo espalhado por 36 páginas.

Ainda há espaço para as fanzines de todos os géneros e feitios na cena atual. O hardcore não se esgota no Bandcamp e no Youtube. The more you know…

Para os interessados tenho cópias para vender.

(Mind Control #2 nas ruas em 201X! LOL)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Review: Overpower Overcome #4



Nunca fiz uma review de uma zine, por isso nem sei bem como começar, mas se tivésse de escolher uma para fazer review era mesmo esta. Começando pela história, esta zine fez Lisboa-Porto-Londres-Argel-Ghardaia até eu começar a lê-la. Pode-se dizer que é uma zine viajada e que a li integralmente no deserto, as fotos comprovam-no. Acho que dos números anteriores só li o primeiro. Lembro-me que houve uma com um poster do Benfica que - por razões óbvias - boicotei, olha a merda. À parte de alguns erros ortográficos aqui e ali, bem como algumas das páginas com muito texto (de um lado ao outro da página, sem estar dividido por colunas) que dificulta um pouco a leitura, no que interessa não falha: conteúdo. Na introdução dá logo para perceber o amor e dedicação com que é feita, coisa que é de valorizar numa era em que tudo é de plástico.

A zine começa com uma rubrica que me despertou muita curiosidade: uma secção com fotos do Valter Simões e comentários dele sobre as mesmas, sobre o que sentiu quando as tirou. Li com muito interesse porque, verdade seja dita, nunca percebi como é que alguém que gosta de hardcore consegue estar um concerto inteiro a olhar pela objectiva, sem curtir o concerto. É algo que não me cabe na cabeça, mas ainda bem que temos pessoas como ele senão depois não haviam fotos do Cabeças a voar por cima da malta. Espero que o Congas continue com esta rubrica, é bastante interessante e nunca tinha visto nada do género em zines cá na tuga.

Segue-se um texto do meu brother Emanuel “Words of Hate” wifebeater Matos, que fala sobre a facilidade em obter informação sobre bandas, sobre os downloads estarem a dois clicks de distância, e sobre como isso influencia negativamente o sentido de comunidade no hardcore. O Ema pegou no que tinha e deu tudo à Juicy, lutando contra este conformismo de que fala. Um texto inspirador que espero que vá ter algum impacto na malta mais nova na cena, para que façam algo para além de moldar o sofá ao formato do cú.

O texto que nos aparece logo de seguida é um texto mais sério e no qual fiquei a reflectir durante um bocado. É um texto do Congas onde explica porque vai deixar de fazer concertos. Neste aspecto temos de ser realistas. Portugal está na merda. Na merda mesmo. Cada vez é mais fodido as famílias terem guito para comer, pagar contas, pagar casas, etc. É normal que isto tenha algum impacto na quantidade de gente que vai aos concertos, é normal que mais vezes dê buraco. Trazer bandas de fora é sempre um risco e grande parte das vezes não corre bem. Portugal tem uma boa quantidade de gente que vai a concertos, mas por vezes há três concertos numa semana. É muito? Não, mas fica muito caro para quem vai a todos. Se falarmos de Londres ou de Berlim, podemos ter uma semana em que há concertos em todos os sete dias da semana, e então? A malta tem guito para os ir ver e vão todos estar ao barrote. Preferia que houvesse menos concertos de bandas internacionais em Portugal mas que os que houvesse fossem mesmo bons. Em vez de trazer tantas bandas de fora, podemos apostar mais nos concertos apenas com bandas nacionais. Há bandas em Portugal com muito mais valor que muitas bandas que às vezes trazem. Se tiverem amigos que têm uma casa grande, falem com os pais deles e façam um concerto em casa, assim não pagam o espaço.

O Congas escreve logo depois outro texto sobre o que mudou durante dez anos de hardcore. Escreve não, tinha escrito. É um texto que já tinha sido publicado na RocknHeavy há uns tempos, mas segundo o autor com bastante actualidade. Tem algumas histórias interessantes de coisas que aconteceram back in the days e foi uma leitura agradável. 

Pausa para descer uma duna a escorregar.

Entrevista aos All For Nothing. Desculpa aí Congas, mas esta foi só encher chouriço. Nem tanto da tua parte, mas da parte da miúda que respondeu. As respostas são fraquinhas, pequenas, e sem muito sumo depois de espremer. Nunca ouvi a banda e não fiquei com curiosidade para. Se estiver a perder algo de bom digam-me.

Chamem-me homem das cavernas, digam que vivo debaixo de um calhau, mas nem sabia que a Backwash Recs era do Tiago e que já tinha lançamentos em cassete. Ganda falha, mas compreendam um gajo, entre a Palestina e a Argélia, com ligações de net de 56k, é complicado chegar a informação toda. Gostei da entrevista, o Tiago é um miúdo à maneira e não o deixem ficar com cassetes por vender.
Segue-se uma entrevista aos Challenge, outra banda que nunca ouvi nem vi. Penso que só começaram a dar concertos depois de eu sair de Portugal por isso nunca consegui apanhá-los ao vivo. No entanto do que tenho visto de fotos de concertos tem corrido bem para eles, ainda bem. Depois de ler a entrevista fiquei com bastante vontade de botar atenção neles, props por manterem viva a cena das Caldas.
Bem, ler esta zine foi um pouco reality check para mim. Se calhar estou a ficar um pouco comodista como o Ema disse no texto dele, mas também ainda não dei uma ouvidela no trabalho dos Northern Blue. 

Sempre gostei de Day of the Dead e o Gaiola é um grande amigo meu, lembro-me de ouvir umas cenas que ele me mostrou há uns tempos quando a banda ainda estava no início, mas não cheguei a ouvir o resultado final. A ver se compro a cena quando estiver com ele agora em Portugal. Pelas iniciais acho que foi o Nuno que respondeu (e bem) à entrevista, um dos meus companheiros de bola em Alvalade até ao ano passado, antes de eu ter dado uma de emigrante. Abraço para ti.

A entrevista de Look My Way não deu mesmo. Permitam-me um pouco de trash talk. Na terceira pergunta o Congas pergunta sobre as trends andarem em círculos e diz que os miúdos apenas ouvem cenas melódicas, ao que o rapaz responde que hoje em dia quer tudo ser tough e andam de boné e etc. Depois olhei para as fotos da banda e estão todos com ar de tough e de boné. Soltei uma risada e virei a página. Talvez numa próxima oportunidade.

O André escreveu um livro sobre a sua descidada costa oeste dos Estados Unidos em pouco mais de duas semanas e é sobre isso a entrevista que se segue. Para quem leu o livro, este é um complemento perfeito visto que algumas das histórias que são retratadas na história estão aqui mais desenvolvidas, por exemplo o concerto de Agnostic Front. Para além disso, há perguntas sobre a vida no UK (o André vive em Londres há cinco anos), a adaptação a uma vida fora de Portugal, e a próxima viagem do André, uma volta ao mundo de ano e meio. Estive com ele aqui na Argélia há uns dias e por isso foi apenas (outra vez) um complemento ao que já sabia. Muita força para o planeamento dessa viagem e aguardo ansiosamente o livro que aí vem. Ponham os olhos no exemplo, façam a mala e vão ver o mundo. Vale a pena.

A zine termina com uma review “roubada” a este mesmo blog, que já tinha lido. Como quem está a ler isto já está na página, não vale a pena fazer pub ao blog. Congas, boa cena ainda teres estes amor pelas zines. Continua com a Overpower Overcome e eu prometo que a vou continuar a ler, desde que não me inpinjas mais cenas do Benfica, dá-me descanso à cabeça. Não deixes isto morrer como o Diogo deixou a Wake up and Live. Força!


Review escrita pelo viajante do deserto João Fonseca AKA Grande PZ Master. O quê? O PZ lançou um livro sobre o tempo que passou na Palestina. A leitura do Inverno? Possível, possível. Comprem aqui, fácil e barato.