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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Cinco Às Quintas: Stand In Front

Os Stand In Front são uma banda da Lourinhã que acabaram de editar a sua demo. Para os que, como eu, andaram a dormir, ficam algumas questões à banda para os dar a conhecer.


Para abrir as hostilidades a pergunta do costume: quem são os Stand In Front e porque é que decidiram juntar-se e fazer uma banda? 

Os Stand in front são um grupo de amigos da Praia da Areia Branca, que sempre andou nestas andanças de ter bandas de garagem e projectos com malta de cá. Aproveitamos para apresentar o pessoal: o Ivan na voz, o Mário no baixo, João Miguel Antunes na bateria e João Quintans na guitarra. Os SiF surgem da vontade que sempre ficou de nos voltarmos a reunir um dia para fazer uma coisa mais séria, algo que nem sempre a vida profissional permite conciliar, sendo que neste momento proporcionou-se a disponibilidade aliada à grande vontade de todos e aqui estamos para durar!

Falem-me um pouco sobre o vosso percurso até aos Stand In Front. Sei que o João já tocava em Not Enough mas pouco mais. E o resto da malta? Como é que chegaram ao hardcore? 

Todos nós já tínhamos tocado em vários projectos diferentes, tudo mais na onda do punk dos 90's que para nós foi o começo disto tudo e a maior das influências. Três de nós já tinham tocado juntos em Today's Lesson, uma banda de punk, e o João (baterista) tinha também uma banda na mesma onda com amigos nossos. Já não era novidade para ninguém ter uma banda e o hardcore já todos nós ouvíamos e íamos a concertos. Neste momento quisemos dar o salto e finalmente fazer a banda que sempre se falou e sempre houve vontade de fazer.

Mesmo sendo uma banda recente têm estado bastante ativos, já com uns quantos concertos na bagagem. Qual o feedback que têm tido e o que é que têm extraído desses momentos? 

É verdade e isso só podemos agradecer em quem confiou em nós e marcou estas datas que já conseguimos até agora. Sem nada lançado e para mostrar é sempre mais difícil, por isso estamos bem contentes com este arranque. O feedback tem sido positivo, temos recebido boas criticas e a malta tem apoiado a banda e mostrado interesse em saber mais e se já lançamos alguma coisa. Esse entusiasmo tem sido gratificante . Os concertos têm sido brutais, a energia que temos sentido do pessoal é muito boa e achamos que estamos no bom caminho. Ainda vai tudo um bocado à descoberta por não termos nada cá fora, mas para muitos tem sido uma surpresa e tudo isso nos motiva.


Sei que têm uma demo a sair. Como é que foi gravar a demo e o que é que podemos esperar?

A nossa demo está pronta e saiu dia 15 para escuta no bandcamp e mais tarde em formato físico pela Pé de Ladrão Bookings, estando neste momento o Diogo a ajudar-nos com o lançamento. A gravação da Demo foi uma novidade para a maioria, muitos de nós nunca tinham passado por este processo e todos aprendemos com isso. Foi mesmo DIY, trabalho de equipa e ficámos muito contentes com o resultado. Achamos que para abrir as hostilidades é um bom cartão de visita, é mesmo aquilo que nós gostamos e queremos fazer, o que podem esperar é aquele hardcore à antiga, músicas pequenas sempre a rasgar e cheias de energia, letras sem rodeios com mensagem chapada. 

E quanto ao futuro, o que é que nos podem adiantar? 

Em relação ao futuro neste momento é promover a demo e dar a conhecer a banda, tentar tocar o máximo possível e conseguir umas boas datas para ganhar bagagem e consistência ao vivo. O nosso set nos shows já mete malhas de um próximo lançamento que no futuro esperamos lançar, estamos a fechar ainda algumas malhas novas e sempre em processo de composição. É possível haver novidades durante o próximo ano, mas só conseguimos prometer que vamos fazer por isso e é nossa vontade lançar mais qualquer coisa. Por último, queremos agradecer-te esta oportunidade e enaltecer o teu bom trabalho aqui no “Nós Contra Eles”. 

Agradecimento também ao Diogo da Pé de Ladrão Booking pelo suporte à banda e a quem ajudou a gravar e produzir a demo - Jorge Pereira e Flávio Duarte. E por fim a todos os que nos têm apoiado e transmitido motivação para continuar. Obrigado!


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Cinco Às Quintas: Combate Brutal

Combate Brutal é o nome da mais recente editora Oi! de Lisboa. Sem tempo a perder foram já apresentados os seus dois primeiros lançamentos, um single dos Asas Da Vingança e um EP dos Falcata.


Quem está por trás da Combate Brutal e qual o conceito da editora?

Somos dois gajos já com alguma experiência a nível editorial - o Rattus tendo em paralelo a Zerowork Records, e o Sandro a Bigorna Records. A editora é direcionada para o Oi! e para o formato em vinil. Tentamos preocupar-nos com todos os pormenores e detalhes também a nível gráfico, algo que o Sandro traz da Bigorna, mas com a objectividade da Zero.

Qual a motivação para começar uma editora em 2017 numa altura em que se vendem cada vez menos discos e os serviços streaming são cada vez mais populares?

Tão só e apenas a carolice, o amor que temos por esta subcultura e pelo underground. Já pensámos ambos várias vezes em cagar nisto tudo, até porque cada vez mais o tempo é escasso, mas a verdade é que acabamos cada vez mais enterrados.

Que lançamentos têm já programados? Com quem, como e quando? 

Acabaram de sair os dois primeiros, os novos 7" de Asas Da Vingança e de Falcata. Ambos com duas capas de cor diferente. Cada uma limitada a 100, num total de 200 por edição em vinil preto. Temos mais dois lançamentos em vista, mas por agora não vamos adiantar mais nada.

A julgar pela press info destes dois primeiros lançamentos a ideia será presses pequenas e um artwork cuidado certo? E o formato, apenas 7" ou também 12"?


Sim, como já referi é uma das imagens que queremos ter. O artwork tem para nós grande importância e queremos que os discos sejam verdadeiras peças de colecção. Vamos dar primazia aos 7", mas também já está um 12" em equação.
 
Planos para o futuro?

Continuar a fazer o que gostamos, da maneira que gostamos, contribuindo da nossa maneira para esta forma de estar na vida. A base da editora é a amizade dos dois, portanto enquanto houver paciência e umas cervejas para ajudar a montar os discos, cá estaremos para meter na rua mais uns kilos de vinil.

Aqui fica a press info dos dois lançamentos para os arquivistas e colecionadores:


Combate01 - Asas Da Vingança - Não Queremos Saber / Sangue Lusitano 7"
20x Test Press
100x Capa preta
100x Capa bordeaux

Combate02 - Falcata - Forged In Blood EP 7"
20x Test Press
100x Capa preta
100x Capa bordeaux

As encomendas podem ser feitas através da página do Facebook.

Não se deixem dormir que 200 cópias voam num instante.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Cinco Às Quintas: Harm Done

Às quinta-feiras, contem com uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda. Ou a alguém fixe o suficiente para aparecer aqui.

Esta semana, e ao fim de mil anos, nova entrevista, desta feita com os franceses Harm Done. Fiquem com as respostas do vocalista, o Alexis.



Conta-nos como é que os Harm Done começaram. Sei que alguns de vocês já tocavam juntos em Raw Justice. Porquê começar uma cena nova?

Na verdade tudo começou por brincadeira. Durante a primeira tour de Raw Justice no verão de 2013 fomos dormir/chillar para casa de um gajo depois de um show na Belgica. Ele mostrou-nos alguns discos e falou-nos de uma banda de Powerviolence chamada Sex Prisoner que nenhum de nós na altura conhecia e ficamos logo excitados da maneira como aquilo soava fixe. Então umas semanas depois da tour acabar eu e mais uns amigos, incluindo o baixista de Raw Justice, estávamos a ouvir novamente aquele disco de Sex Prisoner e olhamos uns para os outros e dissemos “bora fazer uma banda nesta onda”. Ligamos a dois amigos e passado uma hora tínhamos o line up pronto para começar a ensaiar. Sim, eu e o baixista tocávamos em Raw Justice (digo tocávamos porque a banda vai acabar. Vamos tocar o último show em Junho). Acho que naquela altura os dois guitarristas de RJ foram morar para Paris que fica a 4 horas de distância da nossa cidade. Nós raramente ensaiávamos por isso tínhamos a vontade de começar uma banda nova que pudesse ensaiar todas as semanas e também ao mesmo tempo queríamos tocar algo mais pesado, mais metálico.

Fico triste com essas noticias sobre RJ. Isso quer dizer que agora os Harm Done são a tua banda principal? O que é que editaram até agora e como tem sido o feedback que têm recebido?

Ya, é triste em relação aos RJ mas todos temos outras bandas e a distancia também não ajuda. Os Harm Done agora vão ser a minha banda principal. Até agora editamos um EP ao qual tivemos uma resposta super positiva, o pessoal de toda a França, Europa e até América parece que gostam. As 500 copias do EP estão quase esgotadas e já estamos a pensar fazer uma repress. Neste momento estamos a trabalhar no primeiro LP que deve estar pronto antes do final do ano. Já temos dois terços das malhas. Por fim devemos gravar uma promo tape para a nossa tour com 3 malhas que depois vão estar no LP mais duas covers.


É bom ver que se mantêm ocupados. Fala-me das letras de Harm done. Sentes que há uma diferença entre escrever letras para HD do que para RJ?

Sim, desde o inicio em que estava ao mesmo tempo em Harm Done e RJ senti que era diferente. Para começar as malhas de Harm Done são mais curtas, por isso tenho que resumir o conteúdo em poucos versos. As letras de RJ eram na minha opinião mais “clássicas”. Falavam de problemas sócias, Straight Edge (mesmo sendo eu o único membro sxe na banda) e cenas assim. As letras em Harm Done são mais pessoais, mais introspectivas. A maioria das malhas fala sobre desilusões amorosas e corações partidos. Na realidade somos uma banda que está sempre a falar de amor! Acho que senti que podia falar dessas coisas mais facilmente que em RJ porque a música é mais violenta. Pode parecer estranho mas é o que senti. Temos uma malha sobre anti-especicismo e mais uma vez sou o único Vegan na banda, mas o resto do pessoal não se importa que fale sobre isso. O resto fala como lido com a vida no geral, todas as questões que faço a mim próprio todos os dias em busca de respostas. Mesmo que as letras falem sobre a minha vida tento sempre escreve-las de modo a que toda a gente se consiga identificar com eles quando as estão a ler.

Como descreves a tua cena local? Podes falar-nos um pouco mais sobre ela? A ideia que eu tenho é que a cena em França sempre foi um pouco diferente do resto dos sítios, o pessoal sempre me curtir mais as bandas mais pesadas e mais tough guy e também sempre me pareceu que a cena screamo/alternativa ou como lhe queiras chamar era muito grande aí.

Para começar o Youth Crew nunca foi, é ou irá ser um hype em França. O que é uma pena. Tens razão, a maioria dos “frenchies” parece estar preso ao mau metal/hardcore dos anos 90 (sendo a influência numero 1 os All Out War e um grande número de bandas beatdown merdosas. Há algumas bandas novas fixes aqui e ali como por exemplo em Paris. Sobre a cena emo/screamo/indie parece que temos uma cena boa desde os anos 90, mas nunca liguei muito assim por isso não posso falar sobre ela. Mas sim, para confirmar aquilo que te disse, notei uma grande diferença entre os shows de RJ e Harm Done. Parece que as pessoas gostam muito mais de Harm Done por ser mais pesado e ter aqueles breakdown ignorantes. Invejo a cena no UK, eles têm as melhores bandas e os melhores shows na Europa neste momento.


OK, para acabar conta-nos quais os planos que têm para os Harm Done e onde é que podemos encontrar os vossos discos. Esse tipo de coisas.

Vamos fazer uma Tour Europeia de 2 semanas em Maio e iremos tocar em França, Belgica, Alemanha e Suécia. Depois lá para o verão devemos entrar em estúdio para gravar o nosso primeiro LP com o gajo que gravou o último EP de Raw Justice. Já estamos a pensar na próxima tour Europeia e gostávamos e ir à Alemanha do leste e à Polónia, Espanha, Portugal, Itália também seria muito fixe. O próximo passo será uma na América em 2016 que é algo que sempre gostava de ter feito com RJ mas nunca chegou a acontecer. Queremos tocar o maior número de shows que conseguirmos. A maneira mais fácil de adquirir os lançamentos de Harm done é através da loja da Straight & Alert (straightandalert.com). Também podem comprar o nosso primeiro EP na loja da Revelation Records nos USA, bem como noutras distros fixes espalhadas pela Europa.

*Bonus playlist*
Blacklisted - When People Grow, People Go
Xibalba - Hasta La Muerte
True Colors - Rush Of Hope
Shrapnel - Frenzied State
Mindset - Leave No Doubt 

Entrevista feita por David Rosado, aka Crucial Dave.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Cinco Às Quintas: Clean Break

Se a cena não acorda há que a agarrar pelos colarinhos e abaná-la vigorosamente. Este poderia ser o mote por detrás do aparecimento de uma nova banda algarvia, obra do David (Broken Distance, Pressure, Pointing Finger) e do Armando. Se gostas de Betrayed vais gostar de Clean Break, a banda que está aí a rebentar com demo já online, e lançamentos físicos a caminho. Porque há quem ainda acredite no hardcore, as coisas continuam a aparecer. Basta querer! Seguem umas questões ao David Rosado sobre o novo projecto.


Fala-nos um pouco da história por trás desta tua nova banda e o que é que já têm no horizonte para ela.

A história da banda não tem assim muito sumo. Eu e o Armando, que tocou bateria no final de Pressure, combinámos um ensaio com a ideia de fazer uma cena nova. Já não me recordo mas acho que fizemos as malhas em 2 ou 3 ensaios rápidos. Arranjei maneira de captarmos a bateria na sala de ensaio na ARCM. Depois foi gravar as guitarras e o baixo em casa, escrever as letras e gravar novamente a voz na sala de ensaio. O Nuno deu-nos uma ajuda brutal tanto nas gravações como a misturar. Acho que o resultado final ficou bastante acima das minhas expectativas. Agora vamos lançar a demo em cassete e mais tarde talvez em vinil pela Salad Days Records. Vou também tentar arranjar uma formação sólida para começarmos a bombar ao vivo também. Mas acho que o melhor é continuar a fazer as coisas com calma, uma coisa de cada vez. O objectivo imediato é editar a demo e ensaiar. O resto logo se vê.

Esta tua nova cria é de alguma forma uma continuação de alguma das tuas anteriores bandas? Uma espécie de reinvenção de Broken Distance, Critical Point ou Pressure, para falar nas mais recentes, ou é algo com um intuito completamente novo e uma vibe completamente diferente?

A ideia é sempre tentar fazer algo mais fresh, tentar aprender com os erros do passado e criar algo de diferente. É óbvio que não vamos reinventar a roda nem estar na vanguarda do Hardcore. Nada disso. Acho que podemos dizer que Clean Break é um híbrido de Critical Point com Broken Distance. CP porque a maneira como fizemos as malhas foi semelhante, neste caso fui eu e o Armando e em CP fui eu e o Rafael, mas de resto foi tudo muito parecido. Fui eu que escrevi as letras e gravei as guitarras e o baixo. A cena de BD é mais por ser uma nova banda em que estou na voz. Tentei que não soasse tanto a BD e acho que o facto do tipo de som também ser um bocado diferente ajudou. Já agora uma curiosidade, a letra da 'Save Face' era de uma música de BD que nunca chegou a sair e que tentamos reciclar para Pressure, mas que acabou por não ser gravada também.

Que tipo de temas é que podemos ver abordados nas músicas de Clean Break?

Em BD na altura escrevi sobre cenas mais pessoais, essas letras se calhar eram menos directas como por exemplo em CP que era algo mais directo e onde procurei abordar temas como o Straight Edge e o Vegetarianismo. Acho que um dos temas que acabo sempre por escrever é sobre a cena Hardcore. Sobre ver que com o passar dos anos a cena consegue-se transformar tanto e ver o vai e vem de putos. A Cut And Run fala sobre isso. Questiono-me bastante se estes putos novos se preocupam com algo mais para além de T-shirts e música pesada. É como uma afirmação que passados mais de 15 anos ainda me identifico com a cena Hardcore. A Thick as Thieves fala de amizade, de como por vezes as coisas mudam mas ainda existe uma réstia de esperança que as coisas voltem as ser como eram antes. A Behind The Times é talvez a letra mais 'politica' que já escrevi até hoje. Mete-me nojo este governo de merda que nós temos. É como que um desabafo para tentar que as coisas mudem.

Ainda há espaço para bandas straight edge em Portugal?

Claro que sim, nem que seja eu sozinho a fazê-las hahaha!! Agora a sério, acho que a cena Straight Edge está a sofrer um pouco do mal da cena Hardcore em geral e que sofre também do mesmo mal que a nossa economia. Se calhar ando muito desligado das coisas, mas o que vejo é que os putos já não têm vontade de fazer bandas, de aprender a tocar um instrumento. Pode ser por falta de dinheiro para investir, mas não sei se será. Acho que a falta de vontade em criar é bem maior. Mas é óbvio que ainda há espaço para bandas Edge. Se não houver só temos é de o criar. Isto funciona sempre por ciclos, quem sabe não vai começar uma nova vaga de putos Edge com bandas, fanzines, distros, matinés, shows com 300 putos com bandas de hardcore, ska e punk rock como no ritz? Se não fizermos por isso então é que não acontece nada.

O Algarve é provavelmente a capital portuguesa do youth crew, com um sem fim de bandas que tocaram ao longo dos anos, muitas das quais em que inclusivamente foste membro integrante. Mas hoje muitas vezes fala-se no Algarve por razões menos boas. Concertos às moscas, pouca gente activa, poucos miúdos interessados. Como é que olhas para o que se passa aí em baixo neste momento? Achas que há malta para fazer aquela renovação necessária ao género aí em baixo? Parece que sempre que aparece algo é fruto da vontade de um pequeníssimo circulo de pessoas, quase sempre as mesmas.


O Algarve ou a cena em Faro não é diferente dos outros sítios no mundo. Há sempre fases boas e fases más. A cena Hardcore é feita pelos putos. Os putos do secundário são os que a bem ou a mal enchem os shows. Alguns duram anos, outros duram meses, mas a base está aí. Não é com o pessoal de 30 anos que tens uma cena Hardcore com os shows cheios ou muito pessoal activo. Se calhar com mais shows podia haver mais pessoal, mas mais shows implica que hajam mais bandas e isso é algo que não abunda nos dias de hoje. Vai um pouco de encontro ao que já falei, os putos hoje em dia não sentem vontade de aprender um instrumento ou de ter uma banda. É algo que dá trabalho e é preciso algum dinheiro. Se o dinheiro é coisa que já não abunda, o teres de te esforçar para aprender o instrumento pior ainda. É tudo mais descartável.

Mas tenho sempre esperança que as coisas vão mudar. Não é preciso teres uma cena com shows grandes para a cena ser boa. Quantidade não quer sempre dizer qualidade. Se depender de mim, vou continuar a fazer os possíveis para continuar a fazer aquilo que gosto, independentemente de estarem 20 ou 100. Não me serve de nada ficar sentado a queixar-me que antigamente é que era. O 'agora' daqui a 10 anos vai ser o antigamente de muitos putos que se calhar se vão queixar da mesma coisa. Há putos novos a fazer cenas, posso não gostar de tudo o que é feito, mas ao menos há coisas que continuam a acontecer e isso é bom.

Obrigado Tiago pela entrevista e pelo apoio. Acho que estão a fazer um excelente trabalho com o blog. Projectos destes nunca são demais. Gostava que o pessoal passasse pelo bandcamp e ouvisse as malhas e principalmente lesse as letras. Uma coisa que se foi perdendo com o digital foi grande parte do conteúdo. Sem o formato físico a tendência é dar apenas atenção à música e o Hardcore para mim é tão mais do que isso. Acho que é isto, PMA! 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cinco Às Quintas: André Lopes d'Oliveira

Esta é uma rubrica em que colocaremos (quase) todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda ou pessoa fixe.


Num momento de bipolaridade ligeiramente elevada decidi entrevistar o André para o Cinco Às Quintas desta semana. E porque não, né? As regras só existem para serem quebradas. Para quem não sabe, o André teve umas editoras, marcou uns concertos, teve uma banda e, mais recentemente, pegou no Tiago e criou o blog mais badalado da cena hardcore desde o guestbook do site de Fight For Change. Chegou-me aos ouvidos que ele lançou um livro recentemente (quer dizer...) e, com uma apresentação aí a rebentar, a oportunidade não podia ser melhor!

André, antes de mais muito obrigado por aceitares o convite para responderes a estas perguntas. Tenho a certeza que és um homem ocupado e certamente terias melhores coisas para fazer com o teu tempo. Para os que não fazem ideia do que se trata, como introdução, fala um pouco do teu livro - de que é que trata afinal?

Ahah, obrigado eu! O tempo continua a ser meu inimigo mas, como eu costumo dizer, o tempo é aquilo que fazemos dele. Confesso que às vezes me irrita um bocado pessoal que não tem tempo para nada mas também nada faz do tempo que tem, sabes? Mas pronto, não quero divagar! O meu livro (chama-se "Destino: Costa Oeste dos Estados Unidos", já agora) é sobre a viagem que fiz à Costa Oeste dos Estados Unidos (doh!) em Setembro de 2011. Mais do que uma viagem, foi uma aventura! E que aventura. Percorri 10 cidades em 14 dias e vi... praticamente tudo o que havia para ver. Não literalmente, claro, mas vi um porradão de coisas - desde o Grand Canyon, passando pela Golden Gate Bridge de San Fran e pela Space Needle de Seattle. Não creio que tenha falhado nenhum ex-líbris das cidades que visitei e fartei-me de conhecer pessoas - desde o ex-traficante de droga mexicano em Tijuana à miúda nepalesa no autocarro de Seattle para Portland que estava a cinco minutos de ver a irmã que não via há oito anos. 

De onde surgiu a ideia de escreveres um livro? Já tinhas escrito alguma coisa antes ou foi a primeira vez? Qual foi o processo de lançamento? Arranjaste uma editora ou lançaste o livro por ti?

Bom, eu já escrevo sobre as minhas viagens e aventuras há algum tempo - desde 2002 para ser mais preciso. Honestamente, nunca liguei muito a isso. Fazia a viagem, escrevia e depois guardava para mim ou publicava em blogs, no Live Journal ou em fóruns que tinha com alguns amigos. Não foi até 2010 que comecei a receber feedback positivo relativamente a textos que ia publicando no meu blog pessoal e publicitando no Facebook. A partir daí - e umas viagens depois - foi um passinho até perceber que o tamanho de alguns textos (disponíveis no meu site) estava a fazer com que muita gente não os lesse. Solução? Lançar um livro. Isso é pondo as coisas de forma muito simplificada, mas foi mais ou menos o que aconteceu.

O livro foi escrito, editado e publicado por mim - contei com a ajuda preciosa de alguns anjinhos que queimaram algumas horas de sono para me rever o livro e apontar alguns erros, algo que me há-de deixar grato para todo o sempre. Também tratei do layout, paginação, do site promocional, do vídeo promocional, etc. Não nego que tenham sido seis meses bastante intensos, mas valeu a pena, principalmente depois de ter o livro na mão pela primeira vez! Aproveito só para mandar um grande prop para o Ema, da Juicy Recs, que se não fosse ele eu nunca teria ouvido falar do Createspace e nada disto teria provavelmente acontecido. One love buddy!

Na próxima segunda-feira vais estar na FNAC do Chiado para apresentar o teu livro, certo? Queres falar um pouco da apresentação e convencer a malta que nos lê a ir lá dar um pulo (como se esse não fosse o propósito desta entrevista!)? 

Sim, fui convidado para ir à FNAC apresentar o livro e falar um pouco da viagem. É a primeira vez que vou fazer alguma coisa do género e estou relativamente excitado com isso. Preparei (na realidade ainda estou a preparar, lol) uma apresentação janota que se vai centrar na viagem em si - experiência, expectativas, histórias, etc - e também passar um pouco sobre como é viajar sozinho, os contornos da rota escolhida e a habitual dose de humor que quem me conhece não vai estranhar. A única coisa que posso prometer é que vou levar a minha melhor camisa e um saco de boa disposição para quem me quiser ouvir. É na próxima segunda-feira, dia 25 de Fevereiro, às 18:30 na FNAC do Chiado. Fica aqui o link para o evento no Facebook. Apareçam e tragam amigos! 


Tens alguns planos para o futuro que envolvam a escrita ou isto foi só um one off? 

Tenho. Se tudo correr como eu espero, daqui a uns anos hei-de conseguir fazer vida disto - é algo em que me ando a aplicar muito seriamente. Brevemente vou publicar no meu site um texto sobre a minha recente viagem de três dias a Paris que há-de ser interessante para quem goste desse tipo de aventura urbana. Não vai fugir muito à onda dos que podem ser encontrados no site. Depois disso, ainda antes do Outono, conto lançar um segundo livro, sobre uma semana que passei na Argélia no ano passado - naquele que foi o maior choque cultural que já apanhei na minha vida. Tenho histórias que batem aos pontos o episódio caricato em que quase fui violado por um negão em San Francisco no Destino: Costa Oeste dos Estados Unidos. Depois disso planeio escrever pelo menos um livro original antes de deitar para trás emprego e apartamento em Londres (no que vão ser "sete anos depois" por cá - em Outubro de 2014) e ir viajar pelo mundo durante cerca de ano e meio. 

Para além disso vou lançar "brevemente" um site sobre viajar de mochila com vários guias sobre as cidades que visitei e outras dicas que possam ser úteis a quem pretenda fazer algo semelhante. O mundo precisa de menos turistas e mais viajantes. 

Bom, espero que não leves a mal a última pergunta ser sobre hardcore, ahah! Sei que a tua opinião em relação a reunion shows é bastante clara, certo? Creio que a tua opinião em relação aos reunions de Judge, Black Flag, Chain of Strength, etc. seja a mesma que a minha por isso nem me vou alongar muito por aí. A questão que te quero colocar é se alguma vez vamos ver um reunion de Killing Frost? 

Na boa, com perguntas sobre hardcore aguento eu bem, ahah! Pá, a cena dos reunions acaba por ser para o lado que durmo melhor. A minha opinião sobre isso é que há certas bandas que tiveram o seu tempo e deviam ter ficado onde acabaram. Que sentido faz uma banda como Antidote tocar em 2013? Black Flag então nem sequer vale a pena falar - principalmente tendo em conta a posição da banda em relação a isso ao longo dos anos. Mas por exemplo, bandas como Strife, Cro-Mags ou Gorilla Biscuits... creio que continuem a fazer tanto sentido hoje como faziam há vinte anos atrás. Como te digo, é para o lado que durmo melhor - se querem fazer reunions e encher o cu de guita à pala dos burros que só sabem gastar dinheiro em merch, força. Quem sou eu para me opor? Só é pena que a vontade de voltar a tocar com o fantasma do passado não se estenda a fazer novas bandas e lançar música nova. Pode ser que o Mike toque de X na mão, lol.

Quanto a Killing Frost, que descansem em paz. Quem estiver no sítio certo, no sítio certo estará. In inceptum finis est: XXII-III-MMXIII.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cinco Às Quintas: Same Old Chords

Esta é uma rubrica em que colocaremos (quase) todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda.


Os Same Old Chords são uma banda formada no início de 2012, mas que, fruto de alguma indefinição na formação da banda, reaparecem agora com força e vontade de dar concertos, e que entram com o pé direito em 2013 já com concertos dados e outros marcados. Seguem algumas questões feitas ao Flávio e à Márcia.

Fotografia por Bárbara Sequeira ©.
Falem-me um bocadinho do percurso da banda desde a sua formação até agora. Confesso que acompanhei sempre ao longe, lembro-me de ler sobre o vosso concerto em Casaínhos com a Inês de Backflip a cantar e dos concertos em Dezembro no Porto, até que em conversa com um amigo soube que a Márcia estava agora na voz e que a banda tinha encontrado uma formação estável e com o gás todo para começarem a tocar em força.

Flávio - Eu conheci o Bruno e o Dani (baterista e baixista) porque tenho uma sala de ensaios perto de Loures desde meados de 2011,  e já não sei muito bem como, eles vieram cá parar pra ensaiar com um projecto que ainda mantêm que são os ''Ke Sa Foda'', uma banda com influencias funk/rap metal em portugues, entretanto fomos começando a conhecer-nos melhor e como eles curtiam do som que sacavam na minha sala trouxeram pra ensaiar cá um outro projecto que tinham os dois, numa onda mais hardcore/punk.

Começaram por ser 3 elementos,  mas no inicio de 2012 o guitarrista decidiu ir pra Inglaterra tentar a sorte a nivel profissional,  porque como toda a gente sabe, isto aqui tá a ficar fucked. Então, como sabiam que eu tocava guitarra convidaram-me e eu aceitei de imediato, na altura tava a viver uma fase lixada a nivel pessoal e arranjar uma cena pra ocupar a cabeça e o tempo veio mesmo a calhar, entrei com a força toda e começamos imediatamente a trabalhar em originais que eu já tinha em mente há algum tempo, só de uma forma instrumental,  na altura ainda nao se pensava em vozes nem em letras, só em fazer partes musicais que, acima de tudo, nos desse pica tocar.

Como a sala era minha, tinhamos todo o tempo do mundo pra tar aqui a experimentar coisas em conjunto,  eu vinha com bué ideias porque sempre quis tocar e sempre fui compondo riffs sozinho, mas até aqui nunca tinha arranjado as pessoas certas pra por em pratica. Propus várias mudanças que foram abraçadas por eles sem qualquer problema, como por exemplo mudar o nome à banda,  deixar pra trás as 2 ou 3 malhas que eles já tinham e começarmos a fazer uma cena nossa toda de raíz,  porque quase de certeza que as ideias que eu trazia íam destoar bastante do que eles já tinham.

Continuámos a criar originais até termos umas 6 ou 7 malhas, e aí já se impunha pôr uma voz pra começar a levar a coisa um bocado mais a sério. O Dani rapidamente escreveu letras pra cima dos riffs todos e como na altura nao nos queríamos precipitar na escolha de uma voz,  nem tinhamos muito bem definido o que pretendiamos pra futuro (além de termos tido desde sempre a ambição de por uma voz feminina), lembrei-me de convidar a Inês de Backflip,  que é uma grande amiga minha já há uns anos,  pra vir gravar as vozes na primeira demo,  só numa de de certo modo ''lançar'' a banda, e dizer que tamos aqui a fazer coisas e a tentar que essas coisas cheguem a alguém. Ela aceitou,  porque no fundo não tinha nada a perder,  e como tambem tem a paixão pela música,  foi na boa,  ou seja,  nós os 3 começamos a banda em finais de Fevereiro e talvez em finais de Abril estávamos a gravar a primeira demo, que depois foi apresentada e oferecida só nesse concerto que referiste, o de Casainhos no dia 8 de Setembro.

De certo modo depois da gravação da demo e desse primeiro concerto veio à baila a ideia da Inês se juntar a nós definitivamente, porque ela tem alguns dos ingredientes que consideramos essenciais pra isto: uma voz potente, uma granda paixão e uns tomates do caraças pra tar em palco com apenas um microfone na mão,  mas a Inês estava e está actualmente completamente focada em Backflip e não quis assumir o papel de vocalista em pleno. Mas ainda foi a tempo de ir à Casa Viva ao Porto connosco pra um concerto.

A ideia da Márcia na voz já era uma ideia talvez até anterior à ideia da Inês,  porque eu já a conhecia de nos cruzarmos por aí, e tinha ficado maluco com a prestação dela uma vez num concerto de Sick Of It All em Corrois. Só que a minha confiança com a Márcia não era a mesma que tinha com a Inês, até porque tambem tenho o meu quê de timidez (ahahah), e como quando gravámos a demo ainda tava tudo muito incerto a nivel de caminhos a seguir em relação à sonoridade e etc,  achámos benéfico fazer a cena nas calmas com a Inês e depois quem viesse pegar nisto era só reproduzir o que ela tinha feito na demo. Mesmo que não ficásse exactamente igual,  pra nós não havía problema, queriamos era tocar aquilo.

Hoje em dia, já consideramos a Marcia um de nós,  porque ela tambem tinha há muito o sonho de ter banda,  e tambem é uma miuda com um tremendo gosto por isto (pelo menos vejo-a em concertos por aí há quase, sei lá, uns 8, 9 anos?) que escreve bem e que tambem tem balls e atitude suficiente pra fazer na perfeição o papel de ''front man'', front-gaja neste caso. E acho que agora encontramos a formação ideal porque tamos os 4 nisto de corpo e alma,  claro que ainda com algumas arestas por limar,  porque os ensaios em conjunto não foram tantos assim até esta altura, já tocámos com ela na voz duas vezes ao vivo,  uma no Porto e outra em Coimbra mas faltam amadurecer algumas coisas que agora com o tempo e bastante comunicação vão ao sitio de certeza.

O vosso nome, tal como a vossa descrição no facebook descreve-vos (ironicamente creio), como uma banda que vem tocar os acordes do costume e que não traz nada de novo. Piada à parte, e após ouvir o vosso disco, não me parece que isso seja tanto assim. Musicalmente tem um som um bocadinho diferente daquele que geralmente se costuma fazer (às vezes até à exaustão), mais melódico, mais punk rock. Ouvi bem? Percebi bem? Não me digam que querem ser "só mais uma" a fazer o que os outros já fazem...

Flávio - Pá, quase tudo nesta banda é irónico. Às vezes até os riffs e certas letras, pelo menos na demo, porque agora com as letras da Marcia acho que vai ser inevitável começarmos a levar-nos um bocado mais a sério. Eu mal entrei propus ao Dani e ao Bruno mudar o nome pra ''Same Old Chords'' porque confesso que a minha visão das coisas é sempre ligeiramente distorcida e sarcástica,  e porque inicialmente, a banda tocava em drop, e eu lembro-me de na altura pensar: ''pá ok, bora lá então fazer uma banda que toca em drop, mas o drop limita-me de tal forma a compor, que isto vai soar igual a tudo o que é hardcore que já existe, por isso, se nao vamos provavelmente conseguir fazer nada extremamente original, vamos tentar ter o mais fun possivel e vamos ser nós os primeiros a admitir isso cara podre e ainda a parodiar à volta da cena''...

Depois acabou por não acontecer, mudámos a afinação pra standard, e como é obvio, uma banda quando começa a ensaiar e a fazer originais em conjunto, as influências e as ideias pré-definidas acabam sempre por ir um bocado por água abaixo, e começámos a fazer o que nos apetecia e que surgía na altura, sem nos preocuparmos demasiado com uma linha ou um fio condutor ou whatever. Aliás, como se pode ouvir na demo, aquilo tem ali uma ''salganhada'' de estilos que nunca mais acaba, o que também demonstra que esta banda nao pensa demasiado nas coisas. Pode dizer-se que ''a'' Same Old Chords é um bocado impulsiva vá. Como na generalidade sou eu que componho os riffs, e como sou um puto que vem do punk muito mais até que do hardcore, é obvio que isso tinha que se reflectir directamente na nossa sonoridade, apesar de achar que agora com a Marcia vamos ficar um bocado mais ''hard'', vão sempre surgir aqui e ali influências de punk ou mesmo de hardcore mais melódico. 

Por exemplo, uma das minhas bandas favoritas de sempre é Kid Dynamite, e há algum tempo que adoro coisas como Death is Not Glamorous ou mesmo Shook Ones, e isso reflecte-se inevitavelmente no nosso som, na forma como as vozes e segundas vozes são encaixadas e etc. Por isso ya, admito que talvez estejamos a ir por um caminho que não tem directamente a ver com o nome da banda,  mas acho que o termo ''Same Old Chords'' vai sempre servir-nos porque hão-de surgir sempre riffs que vão fazer lembrar o ''hardcore do costume'', do qual eu ás vezes já tou tão farto mas que não quer dizer que não me continue a dar um tremendo gozo tocá-lo na primeira pessoa.

Agora com a Márcia na voz, e sabendo que há malhas novas, como é que foi funcionou a integração de um novo elemento na banda, ainda para mais na voz. Pensando de antemão que queriam "actualizar" o som da banda, têm já alguma coisa planeada no que diz respeito a gravações e lançamentos? O que é que nos podes adiantar sobre isto, se é que já têm realmente algo no horizonte.

Flávio - A integração da Marcia foi uma coisa que fluiu bastante bem, e quando lhe lançámos o convite oficialmente ela foi logo ouvindo bastante a demo e no primeiro ensaio que tivemos soou-nos quase logo bem,  claro que ainda haviam ali partes de letras por decorar e etc,  faltava a habituação ao microfone e ao cantar através dele, mas no geral acho que foi muito rápido, até deu pra pensar: ''pá, se tivéssemos concerto amanhã já com a Márcia na voz era na boa".

Em relação a lançamentos futuros...  ainda antes da Márcia se juntar a nós já andavamos a trabalhar em alguns riffs, porque basicamente esta banda precisa de tar sempre a criar pra se sentir estimulada,  não somos do tipo de malta que depois de lançar uma cena quer ficar ali a ''colher os louros'' um ano ou mais. Nepia,  queremos constantemente fazer mais e melhor, ou pelo menos tentar,  até pra que nos sintamos motivados e sempre com pica (porque não há nada que nos dê mais pica que ver musicas novas a ganharem forma em estúdio quando as tocamos em conjunto,  porque uma coisa é eu fazer os riffs sozinho na guitarra e idealizar a bateria e o baixo na minha cabeça, outra é reunirmo-nos e tornar aquilo realidade. Se alguém que tenha uma banda estiver a ler isto sabe o que eu tou a dizer de certeza) e agora com a Márcia a trazer letras, sendo que algumas já conseguimos encaixar em cima de riffs que tínhamos (até já as tocámos no set ao vivo) e outras estão a ser construidas de raíz a partir das letras dela.

Este tambem é um processo que até hoje nao tinha experimentado e que me está a dar um prazer brutal,  porque influencia bué no que a musica depois acaba por ser. Uma coisa é certa,  vamos continuar a ser uma banda que faz um hardcore mais punk, que pisca o olho àquela pica tipica do straight edge hardcore (que a mim pessoalmente tanto me diz, mesmo não sendo eu sxe) e que de vez em quando faz umas coisas bem mais melódicas,  pra descomprimir, mas sempre a tentar por alma nisto, sem fugir a alguma agressividade, mas com variações meládicas que acho que fazem falta na ''cena'' de cá, que ás vezes cai um bocado na brutidade ou nostalgia constante.

Pá,  assumindo que isso talvez nos prejudique na quantidade de público ao qual vamos chegar, ou mesmo no número de concertos pra que nos convidem, mas se há coisa prá qual pessoalmente pra já não estou virado é pra fazer musica na intenção de ''fit'' ou de agradar mais aos outros que propriamente a mim/nós. A Márcia sempre soube desde inicio que o ''briefing'' era este e concordou e alinhou na ''brincadeira'' numa boa,  por isso, 2013 será o ano em que começamos em força a fazer coisas com ela, sem perder estas ideias e este conceito de raíz. Como disse antes, já vinhamos com algumas malhas feitas e entretanto têm andado a ser feitas outras. Posso até confessar que neste momento temos 6 originais novas ainda a serem ensaiadas e acertadas mas todas com letra escrita, por isso, das duas uma, ou daqui a uns tempos se entra em estúdio pra gravar um ep um bocado mais cuidado a nivel de produção e gravação que a primeira demo, ou então passa-se mais um tempo a compor mais umas coisas e quando se for pra estúdio grava-se  um álbum. Não sabemos, tudo isso tá um bocado incerto neste momento.


Fotografia por Bárbara Sequeira ©.
Bom, a pergunta da praxe desta nossa rubrica: assim em poucas palavras (e até porque são bastantes), como é que vieram parar ao punk e ao hardcore. Bem sei, é o meu fetiche querer cuscar como é que a malta que faz parte deste pequeno movimento caiu aqui.

Márcia
– Ora bem, quando eu era petiz as internets eram muito escassas. Então ouvia aquilo a que tinha mais acesso: nu, heavy, black metal, e por aí adiante. Então o que eu fazia era chatear o meu melhor amigo Pedro a fazer-me cópias dos cd’s dele, até que um dia copiou-me um cd de Madball. Aliás acho que foram dois até, o Demonstrating my Style e o Set It Off se não estou em erro. E ouvi aquilo em casa e ficou desde aí. Era um som diferente, um som bastante directo e completamente “in your face” que me “abalaram por completo” já dizia o amigo Bubacar. E fui ouvindo outras bandas como Sick Of It All, Agnostic Front, Terror, etc... (as bandas da “praxe”). Aos poucos o pessoal ia encontrando flyers de concertos por Lisboa ao qual eu acedia sempre. E pronto foi mais ou menos isso. Ainda no outro dia estava eu à conversa a tentar descobrir qual teria sido o meu primeiro concerto e já não sei. Na altura ia a quase tudo o que era bandas portuguesas e por muitos sítios passei desde o spot no Jardim do Tabaco, Garage, Espaço de desastres, IPJ, etc... Fui conhecendo pessoal muito bacano, conhecendo novas bandas e voilá, aqui estou eu.

Flávio - Penso que já conheço tão bem o Dani e o Bruno que posso responder por nós os três, até porque tamos todos na casa dos 28, 29, 32 anos e a história da entrada ''neste mundo'' deve ser relativamente idêntica. Eu, agora com 28, lembro-me de talvez tar a meio dos anos 90, ter talvez uns 12 ou 13 anos,  ouvia rádio nessa altura, principalmente quando andava de carro com a minha mãe, e claro que como qualquer puto, monopolizava completamente o rádio do carro ao meu gosto e era eu que escolhía o que se ouvia, e pra te ser sincero já nao me lembro qual era a rádio, mas lembro-me que passou a ''Self Esteem'' de Offspring, e eu fiquei maluco man, nem sei explicar o que senti, sei que aquilo me bateu de uma forma que pensei pra mim: ''porra é mesmo isto,  vou por uma k7 no radio lá de casa à espera que dê outra vez pra gravar''..   

Claro que meses depois devo ter recebido o Smash de prenda de anos ou Natal, já nao sei, e fiquei coladissimo àquilo. Depois quem tem o Smash acaba por ter o Ingition, etc,  e já na secundária em Loures,  ao conhecer pessoal com os mesmos gostos fui conhecendo bandas como NOFX (banda que respeito bué até hoje não só pela sonoridade mas pelas letras e atitude do Fat Mike, que é um boss do caralho a compor) Pennywise, Lagwagon, Millencolin etc. Depois com o passar dos anos acabas por ir descobrindo mais coisas relacionadas e basicamente foi assim que fui fazendo o meu percurso.

O que sei é que nessa altura ficou logo ali bastante definido em mim que o meu caminho era este,  porque eu procurava aquilo de uma forma natural e nao por qualquer imposição fosse do lado de amigos fosse da ''moda'' ou etc, tenho ideia que na altura não haviam ''modas'' sequer. Na altura em que não havía net nem informação às pazadas, e eu nunca tendo tido nenhum irmão mais velho ou o que quer que seja pra me mostrar coisas ou influenciar,  tive sempre que procurar por mim... Com o passar dos anos, com o ir estudar pra Lisboa e ter as horas de almoço todas pra passar na Carbono do último piso do Centro Comercial Portugália a ouvir cd's fui conhecendo ainda mais coisas e abrindo os horizontes pra coisas mais ''hardcore''. 

Lembro-me de ter comprado e andado meses a ouvir o Urban Discipline de Biohazard, Warzone, Sick of It All,  Madball foram as primeiras coisas que ouvi dentro do hardcore propriamente dito, mas sempre gostei muito mais de punk e de ska, é o que realmente gosto de ouvir, não querendo obrigatoriamente dizer que é o que gosto de tocar. Mas se me deres à escolha entre um álbum de Suicide Machines ou um álbum de Comeback Kid (dando dois nomes completamente ao acaso) vou optar pela primeira opção sem pensar duas vezes. Costumo dizer em tom de brincadeira que ''eu sou mesmo é do ska'', o que no fundo não deixa de ter o seu quê de verdade tendo em conta que despendi anos a ouvir albuns de Catch 22, os primeiros albuns de Mad Caddies, Less Than Jake, Sublime, Streetlight Manifesto etc. 

Óbvio que a malta com o passar dos anos, com a maturidade e a forma de ver e sentir o que nos rodeia, vai alterando um bocado as cenas que gosta de ouvir,  mas também tem tudo bastante a ver com as fases, os momentos e a quantidade descomunal de música que a internet nos disponibiliza sem termos que mexer uma palha ou gastar um cêntimo. Actualmenteando a ouvir Title Fight e Basement como se não houvesse amanhã, e foi recentemente que descobri as bandas que me influênciam na criação de malhas pra Same Old Chords,  como por exemplo Go Rydell, Static Radio NJ, Our Time Down Here, Not On Tour, enfim,  ficávamos aqui a noite toda a falar de influências e de bandas que foram fazendo parte da vida de um gajo em determinados momentos. Os apaixonados pela música como eu perceber-me-ão perfeitamente.
 
Apesar do vosso curto tempo de vida como banda e de terem dado poucos concertos, os que deram têm sido feitos um pouco por todo o lado, o que mostra que são uma banda que não se encosta ao sofá à espera de ir tocar e procura mexer-se. Esta vontade de mostrar o que fazem não só na vizinhança mas procurar público noutras partes do país é algo a que dou granda valor. Isto tem acontecido graças à vossa própria busca ou os convites tem surgido e vocês têem-nos aproveitado. Por acaso raras vezes vos vi em cartazes aqui na zona de Lisboa, não sei se por culpa dos promotores que andam a dormir (ou que querem sempre marcar a mesma coisa) ou até da vossa própria agenda e timing. Viagens são sempre um acontecimento rico em histórias e que acho que acabam por servir para fortalecer laços e criar novas amizades. Já tiveram alguma história assim mais engraçada (ou não) que curtissem partilhar com a malta? Aproveitem igualmente a última questão para dizerem o que quiserem, obriguem a malta a irem escutar a vossa música sob pena de levarem uma surra ou algo do género.

Flávio - Pá, se nos viste em algum cartaz de concerto na zona de Lisboa foi mesmo só no primeirissimo de todos em Casainhos ainda com a Inês na voz, porque de resto,  os outros 3 que demos até agora, foram 2 no Porto e um em Coimbra muito recentemente. Agora, em relação à explicação pra isso,  pá, não tem uma explicação concreta, mas penso que o facto de a banda ainda tar pouco divulgada e de não ter chegado ainda a tantas pessoas assim, e de talvez a primeira demo ser uma cena um bocado indefinida a nivel de som, influenciem isso directamente, porque a banda ainda tá numa fase de marcar uma posição.

Ainda não tivémos a oportunidade de nos mostrar-mos em Lisboa com a Marcia, por isso é claro que o nosso nome não deve vir à calha imediatamente a seguir a alguém de uma promotora ter a ideia de organizar um concerto. Sendo sincero também acho que de certo modo a malta aposta sempre um bocado nas mesmas cenas, ou porque quer jogar pelo seguro (porque sabemos que um concerto envolve custos e trabalho) ou porque simplesmente é o que a generalidade da malta curte. Não criticamos isso de uma forma negativa, nós queremos chegar ''lá'' por mérito, por tarmos a fazer qualquer coisa que o público realmente ambicione ver ao vivo. Depois também o facto de eu (falo por mim) nao ser o gajo mais social que conhece toda a gente e fala a toda a gente com a maior naturalidade do mundo como se tivéssemos andado todos no infantário tambem deve ter a sua quota parte de responsabilidade. Ou seja,  tenho alguma dificuldade em chamar de ''meu brother'' ou ''meu velho'' ou ''mano'' qualquer pessoa com quem me cruzo duas ou três vezes por aí nestas andanças...

Bem sabes que há bandas que tocam sempre juntas porque são amigos pessoais uns dos outros, ou seja, explicando o meu point, é provavel por exemplo que um dia que Same Old Chords toque em Lisboa,  Backflip também toque nesse dia (aliás, isso já tá agendado pra 14 de Abril),  porque somos muito chegados. Backflip ensaiam na minha sala desde o primeiro dia, e claro que tendo amigos no meio, e sendo por exemplo nós a organizar a malta se una e as coisas acontecam em conjunto. Mas digo desde já que não tamos a recusar qualquer tipo de proposta pra concerto, porque acreditamos que a cereja no topo do bolo nisto de ter uma banda é mesmo a possibilidade de tocar ao vivo, e sentir aquele nervoso miudinho de fazer bem e tocar as pessoas...

Os concertos que demos fora foi mesmo porque as oportunidades surgiram, haviam espaços por preencher em cartazes e nós ''fizémo-nos ao bife'' e fomos sempre muita bem recebidos e o público tem aderido bem. Aliás, vi este fim de semana malta a cantar as nossas malhas em Coimbra e pá,  isso é o melhor, além de ainda sermos ''tenrinhos'' nisto e querermos evoluir bué, acho que não tendo ainda sequer um ano de banda concluido, o balanço dos 4 concertos que demos foi  positivo. 

Depois, as deslocações até ao Porto e etc tambem são possiveis porque nós pra já não queremos ganhar nada com isto, bancamos a nossa parte pela simples possibilidade de ir tocar, e acaba sempre por ser bom viajar em conjunto, comer francesinhas (ahahahah) dizer merda ao longo da A1 inteira, conhecer malta que nos recebe de braços abertos e que valorizam bué o facto de tarmos ali a troco única e exclusivamente de realização pessoal. Até aqui o balanço é positivo e esperamos continuar a ter ainda mais pica em fazer parte ''disto'' tudo. Histórias pra contar até agora, pá, no concerto da Casa Viva derrubaram-me a cabeça de guitarra a meio de uma muisca, e agora na ida a Coimbra, à vinda, o Bruno teve uma queda e acabou no hospital de Pombal a levar 3 pontos na cabeça.

Mas é a tal cena, encaramos isto tudo como coisas que fazem parte, não nos tamos a mover num meio que tem milhares de euros pra organizar coisas com tremenda antecipação e condições, mas também não nos estamos a lamentar por isso, é aqui (no underground ou como lhe queiram chamar) que nos sentimos bem, que gostamos de estar, e onde queremos continuar. Soubemos há pouquissimo tempo que vamos ter a oportunidade de tar no HHF deste ano e tamos muito felizes por isso, como é óbvio.

Márcia – Sendo o concerto do Porto o meu primeiro concerto de sempre, trouxe toda a pandilha de Massamá atrás o que deu azo a muitas histórias, sendo uma delas um amigo nosso, o Sérgio, a andar bêbado de skate com uma imperial na mão e mandar o maior espalho que já vi na vida dentro do centro comercial onde fica o Metalpoint. Isto depois do Flávio ter caído de cú também, hahahah!
Mas muitas mais histórias virão, I hope.
 
O que eu tenho agora a dizer é, ouçam as nossas músicas, façam o vosso julgamento, curtam, não curtam, façam amor, lavem a loiça, atendam o telefone, descasquem batatas, partam o pé, chorem, riam, identifiquem-se com, atirem-se da janela e escovam os dentes ao som de Same Old Chords. Se não quiserem fazê-lo tá-se bem também, nós andaremos por aí se mudarem de ideias.
Beijinhos e queijinhos para todos.

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