segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Review: Vantage Point - An Answer You Won't Find (2019)


VANTAGE POINT - AN ANSWER YOU WON'T FIND
(Triple B Records)

Aproveitando a onda da Triple B Records, chega-nos mais um lançamento fresquinho. Desta feita o novo 7" dos Vantage Point, de Boston, que há uns tempos atrás (2018) tinham editado um 7" pela defunta Straight & Alert Records. Devo confessar que sou fã deste formato. Conheço quem tenha um ódio de morte aos 7"s, mas sempre tive um carinho especial. Gosto do facto de serem assim maneirinhos e regra geral não terem muitas músicas. Algumas vezes sabe a pouco, eu sei, e talvez este EP seja o caso.

Imaginemos que um daqueles dinossauros da cena esteve afastado durante uma década e ouve isto. A primeira reação provavelmente seria: "Wow, não conheço estas músicas de Turning Point, isto não está na discografia pois não?". Se me dissessem também que isto era o EP de Turning Point que eles tinham gravado logo a seguir ao "It's Always Darkest..." e antes das malhas do split com No Escape, era bem capaz de ir na conversa. Se estão a pensar que o facto de isto me fazer lembrar bastante Turning Point é um ponto negativo, não podiam estar mais enganados. Este EP apenas demonstra que estamos perante uma banda em evolução que já encontrou a sua zona de conforto. Estas 4 malhas até acabam por saber a pouco. Se a curtinha "Fade" lança o mote para o que teremos pela frente nos próximos 9 minutos (nem chega), a segunda malha "When The Dust Settles" fornece-nos o primeiro sing along do EP, enquanto pisca o olho a uns Have Heart ou Verse. As guitarras melódicas no refrão estão no ponto e as mudanças rítmicas na bateria, com este andamento mid-tempo arrastado muito 90's (e muito Have Heart - Armed With a Mind).

Se és uma daquelas pessoas que ainda não conseguiu superar o trauma do fim dos Have Heart, penso que os Vantage Point têm todo o potencial para ocupar esse lugar na cena de Boston. Só tempo o dirá. Por enquanto, este EP no repeat vai servindo para enganar a fome de um LP tipo "The Things We Carry" de Have Heart ou o "A Life Less Plagued" de Carry On.
(8/10)

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Review: Never Ending Game - Just Another Day (2019)


NEVER ENDING GAME - JUST ANOTHER DAY
(Triple B Records)

Acho que é seguro poder dizer que a Triple B Records é a principal editora de Hardcore no activo. Hoje em dia, a Triple B Records é o que a Bridge Nine Records foi nos 00's. Os lançamentos são mais que muitos e com uma regularidade assinalável. E se há algo que não se pode acusar a editora é de lançar sempre clones da mesma banda, ou cenas iguais.

Em relação ao disco em questão, este é o primeiro LP dos NEG, banda de Detroit nos Estados Unidos, cidade famosa pela violência, altos índices de criminalidade e pelo Robocop. Devo confessar que as primeiras cenas que ouvi dos NEG não me chamaram a atenção. O rótulo "Beatdown" tem o mesmo efeito em mim que os testemunhas de Jeová ou aqueles vendedores dos cartões de crédito nos shoppings. A minha reacção é fugir a sete pés ou fingir que estou a fazer algo importantíssimo no telémovel, normalmente uma chamada urgente. Mas o que é certo é que a banda até tem algum hype e se isso por vezes tem um efeito negativo em mim, desta vez até me deu vontade de dar uma chance a este disco.

Caso ainda não tenham reparado os 90's estão de volta e isso tem se vindo a notar nestas bandas "novas". Seja na utilização de "samples" de filmes, seja no som de tarola ou até no "estilo" da capa. 90's baby!!! Em termos de som, os NEG são uma banda "riff oriented", com mosh parts e breakdowns, mas daqueles mesmo a sério, com a guitarra em palm mute, pedal duplo, em que basta fechares os olhos para imaginares uma dezena de putos a tentar acertar no ninja invisível. Mas há que reconhecer que também não têm medo de ter versos rápidos e os refrõess com os gang vocals mais lentos. Mas agora que falo nisso, algo que estaria à espera neste disco eram mais gang vocals.

Para mim este disco tem 2 partes, até ao interlúdio N.E.G. Jams (faixa 5), as malhas parecem mais directas e incisivas, mas daí para a frente, sinto que tentaram acrescentar alguns "flavours" extra, tanto a nível de bateria como nas guitarras. O baixo é tímido, mas numa ou noutra parte sentimos a sua presença como que a relembrar que também existe e se quer mostrar um pouco.

No geral é um bom disco de uma banda que tem um pouco mais de "sumo" do que aquilo que inicialmente estava à espera. Atrevo-me a dizer que quanto mais ouço o disco, mais piada lhe acho.
7/10