quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Review: Temple Guard - Spear of the Revenant LP (Eco Defense Records/From Within Records)


Saudosistas dos xRepentancex alegrem-se, o Pat Hassan está de volta ao Reino Unido e prontamente fez uma banda nova. Banda nova mas com a escola toda, não há erro de principiante, duríssimo do primeiro skit ao skit final - tem muitos, mas todos se ligam de forma perfeita ao bombardeamento musical que se arrasta ao longo de oito faixas. O press release falava em banda sonora para o apocalipse climático que se aproxima, e não podia estar mais correcto.

Mid tempo metallic hardcore com ênfase no metal, uma seleção incrível de riffs e breakdowns de te por a cabeça à roda num dos lançamentos mais brutais do último ano. Fácil.

Declaradamente político, a tocar em diversos temas da atualidade como as alterações climáticas e o papel do homem nelas, a ganância humana nas engrenagens do capitalismo, introspeções filosóficas à própria condição humana, até à situação iraniana (até pelos laços familiares de membros que se cruzam com este país). Afinal de contas, humanity is still the devil.

Imensas participais no que às vozes diz respeito, com nomes de respeito com o Dwid de Integrity, ou os vocalistas de xMourningx, de Culture, de Sectarian Violence...

Já vos disse que foi em xRepentancex que vi o pit mais violento de sempre? Já imagino esta banda num Outbreak da vida e vários desfalecimentos.

A edição é de setembro do ano passado, mas só agora vai sair em vinil, com edição europeia pela banda e nos Estados Unidos pela From Within Records.


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Review: Instructor - Terror Zone LP (Quality Control HQ)

 


30 de dezembro ainda conta como 2022, mas este é o lançamento certo para abrir o novo ano.

Depois de três edições em cassete (primeira demo em 2019, segunda em 2020 e o EP Private Execuction em 2021), os Instructor não quiseram acabar o ano em branco. 8 faixas numa edição da Quality Control num disco de vinil de 12”, sendo 3 das faixas novas gravações de malhas que estavam no EP. Este mix de LP magro com poucas malhas novas dá logo um handicap à edição no apuramente final de tops e best of’s do ano. Mas não se atemorizem, e se não têm acompanhado a carreira dos rapazes de Bruxelas este é o tempo certo.

Aqui a vibe de Nova Iorque antiga é religião, e discos de Breakdown ou Killing Time são a bíblia. A gravação consegue mimicar a sujidade do Lower East Side, com uma boa dose de riffs e solos marotos que prometem agitar qualquer sala de concerto (ou quarto) em que a música se faça ouvir - alto. Voz do bagaço completa o puzzle.

Artwork incrível pelo inconfundível Spoiler. Bélgica pede belgas, certo? Uma versão aumentada em poster a acompanhar seria a cereja no topo do bolo, mas creio que não vamos ter essa sorte (logo confirmo quando a minha cópia chegar!).

NYHC heads esta é para vocês. Feliz 2023!

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Review: Chain Whip - Two Step To Hell EP (Neon Taste/Drunken Sailor Records)

 


Os Chain Whip são de Vancouver, Canadá, e estão nisto há um par de anos. Um EP, seguido de um LP bom que dói (“14 Lashes”) e uma demo em 2020, daquelas que são tão boas que merecem o tratamento da cassete para o vinil. KBD punk, com o pé no acelerador, neste novo disco meteram-no a fundo. Mas conseguiram fazê-lo continuando a escrever boas músicas, com bons refrões e sempre no ponto. As seis músicas do EP, que tem uma duração de pouco mais de 9 minutos, passam a voar, mas fazem-te querer voltar ao início e metê-lo a tocar em repeat.

Das 6 faixas três são regravações da demo de 2020 e uma é uma cover de Subhumans, o que lhe dá direito a desqualificação por KO técnico de listas de fim de ano. Regras são regras, e quem as fez fomos nós.

Se o 14 Lashes os colocou no mapa como uma das melhores bandas nesta onda, este EP marca posição. Obrigatório se gostas do que melhor a califórnia dos anos 80 te ofereceu, de Black Flag a Germs, mas carregado de atitude, veneno e umas mudanças acima.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Review: Fate - Demo '21 CS (P.M.T.)

 


Leeds, Leeds, Leeds, para sempre Leeds. Membros de Big Cheese, Higher Power e The Flex juntaram-se pela enésima vez para mais um projeto. 4 faixas de HARDCORE cheio de testosterona a surfar a onda do início dos anos 90 em Nova Iorque. Na editora vendiam isto como tendo influência de DMIZE, e é mesmo isso. O som difuso, os riffs metálicos e aquele chugga chugga nas mosh parts.

Follow-up para isto é pouco provável, mas nunca se sabe. Fica o registo para a história. Edição limitada em cassete entretanto esgotada – duh!

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domingo, 19 de dezembro de 2021

Review: Pain of Truth/Age of Apocalypse Split EP (DAZE)

 


Nota prévia: A presença deste disco por aqui é meio batota. Meio batota não porque não seja de 2021, não que não seja interessante para este recap natalício, mas não é propriamente algo para o meu top 10 (ou 20...) de eps. No entanto precisava de uma desculpa para uma das descobertas favoritas (ainda que muito tardia) deste ano aparecer por cá – os Age of Apocalypse. E como o LP de estreia é de 2020 e o novo só sai em janeiro de 2022…assim dá para falar neles. 

Sem querer chutar os Pain of Truth para canto, mas chutando um pouco (o “No Blame…Just Facts” certamente já vos passou pela playlist – e sim, é o disco do cão a ladrar que catapultou a DAZE), o foco da review vai para os AOA.

Os Age of Apocalypse foram uma recomendação veemente de um colaborador próximo do Nós Contra Eles que os viu ao vivo (fiquem sintonizados no Podcast que tanto ele como os AOA vão ser estrelar). Vindo de quem vem, fui a correr googlar a coisa.

Vindos de Hudson Valley, NY, esperem um hardcore musculado com RIFFS. Bons riffs. Riffs pesadões, dos que te fazem sentir algo lá dentro a borbulhar. Influência dos 90’s de NY sem serem demasiado colados.

Mas o grande fator diferenciador, e o que mais gostei mesmo foi a voz super clean e arrastada que automaticamente me remeteu para o estilo de Life of Agony ou Only Living Witness num timbre mais a ir buscar o Messiah Marcolin de Candlemass. E o homem canta! Desta não estavas à espera, certo? É daquelas coisas que primeiro se estranha, depois se entranha. Prevejo coisas grandes para esta rapaziada.

Vocês sabem que a malta no NCE é muito visual, e capas de discos são a janela para a alma. A deste disco é só terrivelmente anos 90. Mas hey, DAZE STYLE, já sabes ao que vais.

O novo disco sai a 21 de janeiro, produzido e mixado pelo Taylor Young. Há 2 faixas de avanço online. Prometem-se bigornas.

sábado, 18 de dezembro de 2021

Review: Farmaco - Descolonizar EP (Discos Enfermos)

 


A América Latina tem sido um foco de exportação de excelente punk e hardcore no último par de anos, isto, claro está, sem querer descurar décadas de história, mas as recentes convulsões sócio-económicas em muitos destes países tem sido bom rastilho para esta cena musical, onde a Colômbia se tem destacado com umas milhas de distância.

Um “pouco” mais a sul, temos os Farmaco, vindos de Buenos Aires. Esta banda (e disco) só me chegaram aos ouvidos à dias, a propósito das trinta mil listas de final de ano, onde se encontram sempre boas prendas.

Algo que me prendeu de imediato foi uma espécie de ambiente sombrio que envolve o disco, e faz a simbiose perfeita entre as 4 faixas. A sonoridade pega no que melhor o Japão tem para oferecer: solos malucos, leads metálicos e riffs endiabrados, com uma cavalgada d-beat como pano de fundo. Uma voz feminina cheia de raiva, e uma gravação bem chungosa tornam este disco uma excelente recomendação para a vossa colecção ou biblioteca digital.

E num ano que, aqui por casa, foi muito e bem temperado com influências nipónicas, nada como uma boa sobremesa destas para o terminar.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Review: C4 - Chaos Streaks LP (Triple B Records)

 


Sejas tu novo ou velho seguidor do NCE, começo já por recordar que uma banda e disco com o clássico “som de Boston” não pode falhar numa síntese de fim de ano. Nunca. Desde as bandas da génese da Boston Crew, passando pela vibe Lockin’ Out à mais recente onda revivalista do straight edge hardcore e youth crew (geralmente com malta não tão nova assim…) o meu amor pela cidade é grande, mesmo sem nunca lá ter ido, e sabendo da fama que tem. Aquele som crú e duro, que lhe assenta que nem uma luva.

Os C4 não lançavam nada desde 2019, altura em que lançaram uma excelente cassete “Goes To War”, com 6 faixas que traduzem sonoramente o que falei atrás. Passados 3 anos, e mesmo com concertos de vez em quando, pensei que poucos ou nenhuns frutos voltaria a dar.

Para minha surpresa a Triple B anuncia um LP, que me meteu logo de antenas alerta. 10 faixas em 11 minutos que te fazem moshar forte - quando te começas a cansar, o disco acaba e podes ir à tua vida sem estares demasiado suado. Provavelmente já partiste tudo o que estava à volta, por isso o dano está feito. Aquele mix já clássico de bujardas de hardcore rápido com mudanças de tempo para partes com mais groove, mesmo para o side to side #renteaochão. 2021 e esta hashtag ainda não explodiu. Como? Não sei.

Não esperes por letras profundas, que apanhas exatamente o contrário. Se precisas de um shot de energia pela manhã, é só meter este disco a tocar e estás pronto para a tua jornada diária.

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sexta-feira, 25 de junho de 2021

NCE Podcast Ep. 19 - Acordei...E Escolhi Violência!

 


Mantendo a tradição de incesto na cena de podcasts nacionais, temos dois convidados para dar três dedos de conversa sobre tudo e mais alguma coisa: festivais de verão, como não enriquecer a vender música online, punk rock sueco e New Found Glory, dream show pós-pandemia e as novidades musicais da praxe. Resumidamente: um espetáculo.

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segunda-feira, 10 de maio de 2021

NCE Podcast Ep. 18 - NYHCOVID, Batidos Saudáveis e 3ª Guerra Digital

 


De certeza que o show de Madball e amigos no Tompkins Square Park apareceu no teu feed. Já não se viam discussões tão acesas na Internet desde o desaparecimento do "Fórum da Cena". Claro que até a 5400km de distância tinhamos de dar o nosso bitaite. Para não ser só o Tiago a malhar no JJ, temos dois convidados espetaculares, e quase 2h de conversa. 

Mais do que dissecar o óbvio, falamos nas diferenças entre continente europeu e americano, perceção de "ídolos" e separação entre arte e artista. Parece muito académico, mas já sabem que não. Apreciem a viagem.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

NCE Podcast Ep. 17 - Triângulo de Leitores

 


Já tinham saudades? Andamos a tentar pôr a leitura em dia, e apesar de dormirmos mais horas que o Marcelo, não conseguimos ler tanto. Tivemos como convidado o Pedro da nova fanzine «No Borders No Walls» que nos apresenta o seu recém-lançado projecto. Falamos também de algumas fanzines e livros que lemos recentemente. Ainda há algumas sugestões musicais rápidas, a fechar, para não ficarem com os ouvidos desocupados.

sábado, 6 de março de 2021

Review: Preemptive Fear #1 e #2


Fanzines, fanzines, fanzines, quantas mais melhor. Hardcore Hoarders até ficam a brilhar dos olhinhos.

A Preemptive Fear surgiu no radar nas redes sociais em janeiro/fevereiro - ainda há utilidade para as mesmas -, ao ver uma publicidade a uma nova newsletter que tinha acabado de ser enviada aos subscritores. Newsletters? Adoro. click, click, click! Playlists, reviews, rápidas, whatever, estou in.

Dois e-mails depois sai e-mail a anunciar o novo número (o #2) da fanzine impressa, e claro que fui investigar. Gil Sayfan (Big Contest, Free Spirit...), Spark da Alemanha, e uns desconhecidos Wreckage e  O.N.E.. Os cromos da bola das fanzines que "sigo" a mandar props ao post foi sinal de alerta - pensem no Metal Gear quando o Snake era avistado.

Link na bio - click. #1 novamente disponível, com o Connor de Protester e o AJ de Stop & Think? Olá! Pack com o número 1 que não tinha com descontinho? Click, click, checkout, pay now. Feito!

Indo direto ao que interessa: as zines chegam, e layout como manda a lei. Mesma linha estética nos dois números, e aquela não rara evolução de primeiro número A5, segundo número A4. É tão melhor! Menos portátil, mas de resto, só prós. Já não é a primeira nem a segunda vez que o digo, mas A4 > tudo.

No primeiro número ficamos a saber a origem do nome (spoiler: LOJ), e abrimos com uma entrevista aos Generation, que não conhecia, mas que são uma banda de indie rock/punk com membros de Insist. Não fazia ideia, mas estão lá 3 dos miúdos que chegaram a tocar cá nas Caldas e em Lisboa.

Jungle Jamz é a secção que se segue, em que o Josh faz pequenas reviews aos discos que anda a ouvir. É fixe na medida em que não se foca só em novidades, e dá para recordar discos que gostámos e nos esquecemos, ou saber o que eventualmente perdemos.

Altura dos pesos pesados: Connor Donnegan fala do (fim) dos Protester e de Brain Tourniquet, onde também canta, e há lugar a entrevista ao Tom Pimlott de Rated X (e Violent Reaction, e por aí fora), que parece que está em TODAS as fanzines (o disco bateu, eh?), mas curiosamente esta entrevista foi feita ainda antes do LP sair, por isso o foco não é nele. 

Bitaites sobre melhores intros do hardcore? Siga. Para fechar entrevista rápida com 10 questões ao AJ de Stop & Think sobre o seu amor às fanzines e sobre o que tem lido. Rápido, eficaz, review feita.

Número #2. Aqui já passámos para outro campeonato. A4, maior, melhor, mais imagens, mais conteúdos, mais páginas. Depois de alguns textos introdutórios passamos direto para reviews a múltiplas fanzines (que me esfregam na cara que ainda não tenho a Gratitude, aparentemente das melhores que aí andam...), e logo a seguir uma entrevista aos O.N.E. (Overload of Natural Energy). A demo saiu na Advanced Perspective e editaram um novo EP em 2019 - não conhecia, fui ouvir, é "diferente" (scratch aqui e ali?!), mas entrou! Dêem uma chance.

Jungle Jamz retorna neste número para mais recomendações de discos - props pela lembrança da demo de Last Straw (LP a caminho em 2021!)

Entrevista ao Andy Villahuer de Spark, boa banda alemã que partilha membros com a maior parte das bandas boas do presente e passado recente da cena germânica (Night Force, Coldburn, Skaggs, Domain, Spirit Crusher...). Tudo dito, certo? O último lançamento foi um split com os Chain Reaction, ouçam que é bom. Entrevista em três páginas A4 = sumo.

Fanzine de ínicio de 2021, made in Europe, de um tipo straight edge só pode significar uma coisa = review ao LP de Rated X. Disco "edge" mais importante desde o LP de No Tolerance? Eu digo que sim. Debate me. Há mais reviews a discos, maioritariamente >2015. A review ao último disco de Sick of it All está engraçada - e diz umas verdades.

Não conhecia os Wreckage, mas são do Connecticut e parece que terão um split com os Last Straw que falei ali atrás a sair em breve (talvez!?). Ainda não tive tempo de ir ouvir, mas pelo que eles dizem ser influências, devo curtir. Se não gostar é porque são uns aldrabões.

Reedições de material promocional de Raw Deal em fanzines em 2021? Sim, todos os dias. Novamente o debate sobre melhores intros? Sim, todos os dias (literalmente). Boa entrevista ao Gil Sayfan sobre o passado (Free Spirit) e sobre o presente (Big Contest, Zeel). Alerta CM: Free Spirit não era banda SXE. Bom! Para fechar write up sobre Iron Age e 10 questões com o Grady Allen de Anxious e One Step Closer.

Para sumarizar, sou fã quando há esta evolução de um número para outro - em que tudo é maior e melhor. As entrevistas são todas boas e vê-se que houve estudo do assunto para não serem só as questões do costume ("quem são, porquê, o que é que querem para o futuro?"). Tenho de começar a inventar uma escala para estas reviews, mas está vai para o A+++ Recommended (props eBay quando os portes dos EUA eram baratos. sdds).

Podem adquirir os dois números num pack único no Bigcartel. Com portes fica-vos a pouco mais de 10€ (são e salvo de alfândega) - podia ser pior.

Bigcartel

O Josh ainda gere um website onde vai pondo recortes de zines antigas, num excelente trabalho de curadoria. Muita coisa boa! Outra opção é seguir a PF no Instagram onde vão saindo as novidades e têm link para subscrever a newsletter..

https://preemptivefearpress.com/

quinta-feira, 4 de março de 2021

NCE Podcast Ep. 16 - A Disgraça precisa de ti!

 


A Disgraça precisa de ti. A Disgraça precisa de todos. Para os que conhecem o espaço, mas também para os que não conhecem, conversámos com o Bruno e a Sara para nós contarem como têm sobrevivido à pandemia - as atividades que se mantiveram e como os podemos ajudar a continuar a existir. Uma lição de como o espírito DIY se traduz em ações, sempre em constante mutação e evolução.

Em baixo links de como podem contribuir:

https://disgraca.com/ 
Paypal: disgraca@riseup.net