sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Nós Contra Eles no Spotify #1

A ideia é simples - uma playlist no Spotify com cenas novas que vão aparecendo nesta plataforma de streaming. Sim, porque estamos em 2017 e o Nós Contra Eles é bué à frente.




No Warning – In The City - Sim, estamos em 2017 e os No Warning partilharam com o mundo não só uma música nova, como o anúncio que vão editar um disco novo no dia 13 de Outubro. Treze anos depois do último disco, Suffer, Survive, o tal que soava a Linkin Park. Felizmente (ou não), esta malha não soa a LP. Mas também não soa muito a NW clássico, à Ill Blood. Tem Groove é certo, mas falta-lhe um bocado do veneno característico da juventude, I guess. Mas... quanto mais vezes a ouço mais gosto dela... Nunca mais é Outubro…

Propagandhi – Failed Imagineer - Ainda falta mais ou menos um mês para que o novo disco dos Propagandhi venha cá para fora (29/09) e esta é a segunda malha divulgada. Mais melódica, talvez mais clássico Propagandhi. Quem não acha tanta piada à veia metaleira mais recente é capaz de gostar desta. Eu gosto! Só não achei grande piada ao inicio à KISS, mas o que vem a seguir faz rapidamente esquecer isso.
 

Quicksand – Illuminant - Já se deram ao trabalho de contar as cenas recentes que o Walter tem feito?! Ora bem, para além de tours/datas com Gorilla Biscuits e Youth of Today, editou um disco de Vanishing Life (2016), outro com Dead Heavens (2017) e agora a bomba de um disco novo de Quicksand, 22 anos (!!!) depois. Já estou a salivar para um disco novo de Rival Schools para 2018 (if only...). Até lá, sei que este vai rodar muitas vezes quando sair (10/11 pela Epitaph). Ah e foi produzido pelo Will Yip - o principal produtor indie/emo dos últimos anos (Title Fight, Tigers Jaw, Menzingers…quase tudo o que saiu na Run For Cover). 

Turnover – What Got In The Way - Esta é a faixa que o pessoal mais do core vai passar para a frente. Mas é fofinha, é boa para ouvirem com a vossa miúda (ou miúdo) num momento chill out fofinho. Os Turnover têm tido um hype merecido e este disco está bem fixe. É aquele indie/dreampop/emo com guitarras limpas e zero distorção (mesmo como o Ludgero gosta), e claro que foi produzido pelo Will Yip.

GBH – Momentum- Devo confessar que nunca fui grande fã de GBH. Não por não gostar, mais por nunca ter ouvido grande coisa da banda, ou ter tido muita curiosidade para descobrir na altura. Mas sei reconhecer que é uma banda clássica e quando uma banda clássica lança algo novo é sempre bom ouvir (quanto mais não seja para falar mal). O último disco de originais de GBH foi editado em 2010, sendo que este novo tem o mesmo nome desta canção e vai sair dia 11/11 pela Hellcat. A julgar por esta malha, acho que vou curtir. 

Citizen – In The Middle Of It All - Quero começar por dizer que gosto bastante de Citizen. Curto bué o Youth e senti igualmente o Everybody Is Going To Heaven de 2015. Notou-se uma evolução na banda o que é sempre fixe, e maior evolução parece haver para este novo disco chamado Jet que vem cá para fora dia 6/10. Agora não tenho a certeza mas tenho quase a certeza (what?!) que foi também produzido pelo Will Yip. O inicio desta malha é estranho, faz-me lembrar Queen. Mas a música é boa. Nota-se que o Mat está a cantar de outra maneira e a tentar outras cenas. Não deixam de ser putos nos 20s a fazer música que me agrada bastante. 

Curada pelo David Rosado, esta playlist será atualizada às Sextas-feiras (se tudo correr bem), por isso façam Follow e fiquem a par das novidades. Os updates na playlist serão acompanhados por um post no blog para vos aguçar o apetite e saberem ao que vão.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Discos Trocados: Civic Duty/Shipwrecked

Esta semana voltamos a trocar discos. Formato antigo que à muito queria ressuscitar. A piada? É que tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, vai sempre dos gostos de cada um (e das escolhas que cada um fizer).

Voltam os convidados e volta o modo "amigo secreto". Desafiei duas pessoas a trocarem um disco entre si, sem saberem quem são. Desta feita a fava caiu ao Miguel Pimentel (um repetente) e ao Fábio Marques. Colaboradores habituais, porque em equipa que ganha não se mexe (muito).

O Miguel escolheu o novo EP de Shipwrecked, saído em 2017 e que chegou, viu e venceu - primeira press esgotada na editora em menos de um mês, três malhas que deixam água na boca e fazem a malta implorar por um LP num futuro próximo. 

Já o Fábio escolheu enviar o novo disco dos Washingtonianos Civic Duty, também lançado em 2017 e que sucede uma demo que deu que falar em 2015 mas que parecia condenada a ser mais uma demo sem o seguimento que merecia. 

Fábio Marques
Shipwrecked - Self Titled (2017)

A forma como este disco começa é brutal. Sentes logo aquela tensão no ar. Fez me passar duas coisas pela cabeça, o início de uma guerra medieval e o início daquele concerto de Killing Frost no Café au Lait... Acho que o André ia curtir desta banda. Para quem não conhece, Shipwrecked toca aquele hardcore mesmo da biqueira de aço, cabeça rapada e t-shirt de Negative FX. Boston style. Mas com sotaque norueguês. Eu por acaso já conhecia a banda e lembro me de que quando ouvi o LP achei bué estranho como é que pouco se ouvia falar desta banda...Talvez se fossem americanos...you know.

Bem underrated esse LP. Mas falando deste disco, este volta a ter aquela abordagem à cena medieval e pagã que já vem fazendo parte da identidade da banda. Tanto nas letras como no artwork. E mais uma vez a capa ficou mesmo boa. A nível de sonoridade, faz me lembrar uma mistura de 86 Mentality com aquelas partes mais melódicas de Battle Ruins. A intro da terceira malha fez me logo ir ouvir a Life Trap. Foda-se. Que estrilho man. Estes gajos sabem. Há um vídeo (este) bué fixe deles a tocar em Valência com o pessoal todo a curtir. Imagino logo o Tiago e o Bica a varrerem aquela sala de uma ponta à outra. Bom disco, rodem isso.


Miguel Pimentel
Civic Duty - Burden of Hate (2017)

Confesso que estava apreensivo e ao mesmo tempo curioso para saber que registo iria “sair na rifa”, mas todos os receios e dúvidas foram dissipados assim que meti som na caixa. Quando comecei a ouvir a intro, disse para mim mesmo “vem aí saraivada da grossa mesmo à Boston”, mas esta rapaziada não é oriunda de lá mas sim da cidade onde o hardcore foi desbravado pelos Bad Brains e depois popularizado pelos Minor Threat. Estamos a falar de Washington DC...há muitas luas atrás estava a falar com o Tiago Gil e a dizer que a cena musical naquela zona estava a perder pujança, que o emo é que tinha tomado conta daquilo tudo e de repente levo com uma chapada de luva branca com o surgimento de uma nova geração que tomou a área de assalto.

Os Civic Duty são uma das muitas bandas que estão a brotar do chão como cogumelos na capital. Lançaram uma demo em 2015 e este ano o EP “Burden of Hate”(Triple B). São compostos por elementos que também partilham bandas como Fury, Protester, Pure Disgust, Red Death ou Clear, ou seja, malta com tarimba e com uma boa rodagem em palco. Se não conhecem estas bandas aconselho a ouvirem porque vale bem a pena!

“Burden of Hate” não tem muita ciência por detrás. É composto por 9 malhas sempre a rasgar pano, não há cá espaço para respirar. São cerca de 8 minutos de punk hardcore furioso e rápido, uma voz roufenha, guitarra com riffs bem rasgados e uma secção rítmica que mais parece um combate de bare knuckle, tamanha a brutidade. Ao longo do registo parece que me consigo ver numa pequena cave apinhada onde só há “putos” a voar, a varreram corpos de um lado ao outro tudo com sorriso na cara enquanto entoam as musicas. Quando oiço a “Choke” e a “Wolf on a Leash” só me dá vontade de andar ao murro as paredes só para azucrinar a vida à snob da minha vizinha.

Isto é um bom registo e é mais do que um som “antigo”. É fresco, é tocado por malta nova que sabe honrar as suas raízes mas ao mesmo tempo sabe que está a viver o seu tempo, sabe que está a meter o seu cunho pessoal, não está a copiar, está a fazer o seu próprio estilo. Para mim punk hardcore é mais do que revivalismo, é continuidade, é algo que se reencarna e é o que os putos de Washington estão a fazer neste momento. E espero que os "putos" na Tuga façam o mesmo. “We are in 2017 and Punk Hardcore is still alive and kicking”.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

News Flash: agosto 2017

O hardcore não tira férias, mas eu tiro. Mas entretanto a praia ficou para trás e o escritório já matou as saudades que tinha de mim. Em baixo o update mensal, com muito disco/tape nova de qualidade, e dicas para marcar na agenda num setembro que promete.


Novos Lançamentos



Freedom - Never Had A Choice 7" - Finalmente novidades dos rapazes de Detroit. Desde 2015 sem editar nada, aí está o follow-up ao USA Hardcore, que para mim esteve no pódio de melhores discos desse ano. Som a fazer jus à fama da cidade, rough shit! O Rafa esteve no This Is Hardcore e avalia o set dos Freedom como o melhor do festival. O Bica aprova com referências aos igualmente detroitianos Cold As Life e a early Madball. Queres melhor selo de qualidade?

Fireburn - Don't Stop The Youth 7" - Jah bless, burn Babylon. Disco completamente caído do céu e sem aviso, os Fireburn são compostos pelo Todd de Nails, o Todd Youth (Warzone e mil coisas), o Nick de Knife Fight e o Israel I, um dos substitutos do HR em várias fases da vida dos Bad Brains. E aqui é imperativo falar dos BB, não fosse esta banda um ripoff/homenagem superiormente bem feita à lendária banda. Tás a ver aqueles gajos que vêm a Portugal todos os anos como a "banda de covers oficial dos Queen"? Estes podiam ser algo do género, mas não são. Dos discos essenciais a reter em 2017.

Field Agent - The Voice Of A Few CS - O Fábio vendeu-me isto como "a melhor demo do ano". Não que desconfie do bom gosto que lhe reconheço, mas vamos ter calma. Até porque isto anda com uma rotação que parece que todos os meses esse posto é destronado. Mas vamos lá ver: gravação chunga captada no ensaio? Check. Youth crew com as mudanças de tempo cliché? Check. #renteaochão? Triplo check. Veredito final - Curto gravações chungas, mas este som direto tá muita macaco, a bateria parecem latas a bater (deviam ter aprendido com os Rampage). Demo do ano? Nepia, só neste post há duas que ganham: Illusion e Wise. Vamos ver o que o futuro nos reserva quanto a esta banda. Se houver 7" já fico satisfeito.



Illusion - Demo CS - Ouve isto. Ouve isto. Ouve isto. A sério, faz um favor a ti próprio e ouve isto.

Wise - Demo 2017 CS - Hardcore sempre foi de modas, e agora parece que este revivalismo do youth crew da viragem dos 80's para os 90's está para ficar. Fury desbravaram um bocado o mato, e abriram caminho a uma nova vaga que está aí cheia de vitalidade. No meio de tudo esta demo salta à vista. Produção, voz, riffs. Se és daqueles que não tem paciência para ouvir tudo, está está no topo da shortlist do que deves ouvir.

Limp Wrist - Façades LP - Dispensando apresentações, o Martin e amigos estão de volta com mais um assalto aos teus ouvidos. E aquela viragem no fim do disco...

Rapture - I Glorify 7" - Já não é a primeira nem a segunda vez que falo nos Rapture por estes lados. Banda do Reino Unido com uma vocalista, já se nota a rodagem que a banda foi adquirindo desde a demo (e daquele show que presenciei). No início do mês fizeram uma tour de uma semana pela europa com os germânicos Domain. Quanto ao disco? Bem fixe! Quality Control HQ sempre forte nos lançamentos. NWOBHC ainda é a dica. 

Vantage Point - BHC Promo - BHC? Boston Hardcore...Promo? "You had me at hello", como diz a René no Jerry Maguire (laaaaame!). Capa em dia, a dar a dica das influências para já saberes ao que vais. #renteaochão approved

Podcast El Inquisidor


Começou por ser um dos canais do Youtube por mim subscritos para estar a par das novidades, sendo que o rapaz levou as coisas um passo à frente e passou a lançar com alguma frequência um podcast em que para além de meter malhas fresquinhas vai comentando notícias, bandas e introduzindo alguns conteúdos mais temáticos. Prepara bem os ouvidos e foca-te que aquele castelhano rápido pede-te atenção redobrada. E dá sempre para dar aquela risada na maneira deles dizerem o nome das bandas. Há página no Facebook que podes seguir aqui.

Tony Rettman - Straight Edge: A Clear-Headed Hardcore Punk History


O Tony não pára, e depois da história do hardcore em Detroit e Nova Iorque, o novo livro é sobre o straight edge. Gosto da forma dele contar as histórias, colocando as personagens que foram parte ativa como ponto central, sendo estas verdadeiramente quem narra os acontecimentos. Desde as personagens óbvias dos primórdios, do radicalismo dos 90's, revivalismo dos 2000 e bandas atuais, parece que está tudo no sítio para ser uma ótima leitura. O livro só sai em novembro mas circulam alguns excertos na net.

Concertos


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Review: Leftöver Crack + Kids Decay @ Disgraça, Lisboa


A fome de concertos levou-me até à Disgraça numa quarta-feira à noite. Ultimamente as coisas têm andado demasiado paradas por estes lados, e a estreia dos Leftöver Crack em Portugal pareceu-me boa dica para sair de casa. Também nunca tinha visto Kids Decay, havia algum pessoal amigo que ia aparecer que já não via faz tempo e ainda uns discos para entregar/trocar. Tiago 1, preguiça 0.

Cheguei cedo do trabalho e para evitar os stresses de estacionar na Penha de França (missão quase impossível) pensei ir de bus. Mas como era cedo, bora fazer exercício e ir a pé. De Campolide até lá...para queimar de avanço as calorias do que iria ser o jantar.

Disgraça já bem composta, com muita rapaziada nova, do punk, do skate, e alguns amigos já presentes. Apesar de estar uma tarde mais amena que o habitual nos últimos dias, o calor humano e o calor das panelas já davam um cheirinho do que iria ser o resto da noite. Valeu a Cristal enquanto o jantar não chegava - hot dog de tofu. Bem bom por acaso e que soube pela vida (devia ter ido para o segundo, mas um gajo não quer ficar gordo).

O concerto era para começar às 20h30 e nem dez minutos de atraso volvidos começaram a tocar os Kids Decay. Concertos que começam a horas (ou quase): adoro! Não era a primeira nem segunda vez que ia à Disgraça, mas foi a primeira vez que lá fui ver um concerto. Creio ter havido alguns desenvolvimentos no que à insonorização diz respeito relativamente a alguns concertos do passado, digo isto com base em feedback e não por experiência. Pelo menos o som esteve bastante aceitável nas duas bandas. Um corredor, a parte mais ampla junto ao palco, mesa de mistura e "bar" no canto.

Como era noite de estreias, primeira vez que vi Kids Decay ao vivo. Se as bandas da No Way/Grave Mistake/Deranged circa 2005-2010 são a tua praia, esta banda faz-te voltar atrás no tempo. Aquele revival USHC mais punk que hoje terá sido substituído por outras influências e caiu no esquecimento de muitos, mas não de todos! Sei que a ideia da banda era fazer uma coisa à Government Warning, mas com uma voz que me lembra mais uns Cardiac Arrest - rouca. Uns preguinhos a mistura que com mais óleo não farão tanta mossa. Miúdos do skate a moshar que nem doidos, com Don Simon e as benditas médias de Cristal a tentar refrescar o interior, que no exterior não havia muito a fazer: caloooor.


Boa dica do Moleiro quanto à "cena morta", encorajando os novos a fazer algo novo e não ficando só à espera que sejam os do costume a fazer acontecer. Espero que essas palavras tenham feito efeitos no muitos miúdos novos presentes. Se chegou a um, está feito!

Sou sincero, conhecia muito mal Leftöver Crack, mas se há alturas em que ir às cegas a algo dá resultados positivos, esta foi uma delas.

Se conheces a banda sabes o que a casa gasta, se não sabes é mais ou menos isto: muitas vezes é ska, muitas vezes é punk, outras vezes tás a ouvir blast beats do demónio sendo que ainda havia uma malha que parecia black metal. Se curtes salada russa tás na boa, se és mais carne ou peixe (ou opção veggie) se calhar já vais torcer o nariz. Pá, os gajos tinham um teclado no palco, e de vez em quando o vocalista ia lá fazer umas coisas! E a voz do gajo...bom, eu já sabia que era assim mas é muita marada. Eu sou um bocado esquisito, mas quando a música é de festa (ainda que altamente politizada) e a festa tá montada, como negar o óbvio? Showzaço.


A cave estava super bom composta, tudo maluco, rapazes, raparigas, punks, skaters, tudo ao mosh, crowd surfs malucos, e sing alongs. O concerto durou pelo menos uma hora, ainda que com umas pausas aqui e ali, mas sem nunca deixarem a energia acalmar.

O único ponto negativo é fruto dessa festa toda. Se em cima disse que estava  "caloooor" agora tenho de dizer que estava um "CALOR DE MORTE!". A dada altura houve uma pausa técnica por motivos que me ultrapassaram em que disseram à malta para ir apanhar um bocado de ar, sendo que nem todos voltaram a descer. Antes já alguns guerreiros tinham abandonado a batalha que aquilo estava efetivamente quente (props Machado). Eu estive sempre quieto perto da parede, mas saí de lá a escorrer suor por todo o lado. Obrigado sauna grátis!


Merch forte, com quantidade e humor. Havia uns com uns gatos mascarados de índios que não atingi mas tasse bem. Não percebi foi a dica de vender LP's a 20€ (e o mais recente a 25€!), mas acredito que alguns vícios sejam caros...

Fica o convite ao pessoal para ir à Disgraça, seja para ir a concertos ou não. Bom spot que tem sido pouco aproveitado pelos visitantes, não obstante o esforço da equipa local em dinamizá-lo. Faço a minha mea culpa também, mas o potencial está lá todo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

News Flash: junho 2017

Em maio houve descanso, mas um junho abrasador pede banda sonora a condizer. Confiram aí as novidades de discos, concertos e afins.


The New York Hardcore Chronicles


Fruto de alguns aninhos de trabalho (lembro-me de ouvir falar nisto pelo menos à três/quatro), já está finalmente disponível o documentário sobre a cena nova-iorquina realizado pelo Drew Stone de Antidote. Qual a melhor forma de conhecer algo do que por as pessoas que o viveram a falar disso? Desejoso de ver este filme!

Roger Miret - My Riot: Agnostic Front, Grit, Guts & Glory


A moda pegou, e começam a surgir mais memórias escritas (ou ditadas) sobre o que era viver o hardcore na sua génese. Desta feita é o Roger de AF que acaba de editar um livro sobre a sua vida nas ruas de Nova Iorque. Mesmo que não seja para ler aposto que manda granda pausa na estante. E eu que ainda não acabei o livro do Harley, pá!

Salad Days Podcast


Provavelmente a coisa mais fixe a aparecer na cena nacional no último par de anos. O David dá voz a velhas e novas personagens, sempre com histórias e factos fixes. Já vai no episódio #7, por isso se andas a dormir é bom que acordes para a vida! Episódios novos a cada quinze dias.

Novos Lançamentos


Open Your Eyes - Building A Better World Demo CS 2017 - Vou ter de roubar a descrição que o André deu, porque não dá para suplantar: banda com "elenco mesmo à Mercenários", tamanho o lineup de estrelas do core. Ora vejamos, Crucial John (GIVE) na voz, Connor de Protester na bateria, CC (Mental, No Tolerance, all things BHC) e Ian Marshall (GIVE) nas guitarras e a fechar Doug Free (GIVE, No Tolerance, WW4...) no baixo. A demo já saiu mas está difícil cair na net, mas o que vale é que um gajo tem amigos com connects cruciais e já escutei 5 das 7 faixas. The edge hasn't gone dull! LP já a ser fabricado, que é para a coisa nem arrefecer!

Mil-Spec - When The Fever Broke...Promo CS - Promo do novo disco que irá sair em breve. O André e o Fábio dizem que esse disco vai devolver a Lockin' Out Records à ribalta. Espero que sim. Musicalidade um bocado diferente da demo, quero ver esse disco para tirar conclusões.

Agression Pact - Instant Execution EP - Daqueles discos que eram esperados com alguma ansiedade, este era daqueles que se sabia que não iam desapontar. E obviamente não desapontou. Obrigado aos Ottawan pela dica, isto é D.I.S.C.O.

Diztort - Demo CS 2017 - This is Diztort, mas não é Distort Japan. Riffalhada interessante, vale os 9:03 minutos.


Stand Point - Demo CS 2017 - Arranjar nomes originais para bandas hardcore nem sempre é fácil. O cliché é ir roubar nomes de música ou "ideias gerais" por trás das mesmas, mas estes gajos claramente não estão a par da cena caldense. Ao menos deram um espaço para a rapaziada distinguir as coisas no Discogs. Mas falando do que interessa, o Tom Pimlott ficou com demasiado tempo livre com o fim dos Violent Reaction (mesmo tendo mais uma data de bandas ativas), e desta vez quis fazer uma roubadíssima a Uniform Choice e à cena de Orange County: objectivo (bem) atingido.

Incendiary - Thousand Mile Stare LP- O mais recente LP dos rapazes de Long Island vem contestar a dica que "mais do mesmo" é algo chato ou mau. Peso com conteúdo. Riffs com mensagem. Disco sólido, que merece muita atenção. Das bandas atuais que mais gostava de ver ao vivo. A Juicy Records tem cópias deste disco e dos anteriores.

Fit For Abuse - Too Little To Late EP - Depois de julgada perdida no tempo, foi encontrada a master tape que foi utilizada para o EP Mindless Violence, em 96. Nessa tape estavam mais cinco faixas, agora editadas pela Painkiller numa press única de 500 cópias. Boston meat and potatoes hardcore misturada com aquela rudeza à Necros. Vou ter algumas cópias na distro brevemente, a par do "Psycho Ray Sessions" 7" que saiu ao mesmo tempo.

Concertos


Estreia dos Leftöver Crack em Portugal. Punk rock político na lendária Fat Wreck Records do Fat Mike. HOJE, com Kids Decay a abrir.


E o próximo fim de semana promete ser duro, muito duro. Duro na carteira, nos ouvidos e nas canelas. Os Ratos de Porão tomaram-lhe o gosto e têm-nos visitado com alguma frequência - sábado tocam no RCA. No dia seguinte a festa desloca-se para uns quilómetros mais a sul, e no Cine Teatro em Corroios os Suicidal Tendencies regressam, com CJ Ramone, Reality Slap e 31 a abrir. Meses e meses à fome de concertos, e de repente é avalanche de shows.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Review: Outbreak Fest 2017

Este ano não deu para fazer three-peat e regressar a Leeds para o Outbreak Fest. O que era provavelmente dos melhore cartazes que o festival já teve acabou por ter baixa de peso de ultima hora, com Turning Point a cancelar a presença no segundo dia, sendo substituídos por uma catrefada de bandas locais. Não estando lá, houve meia dúzia de rijos que levaram a camisola do Ronaldo para representar o país no estrangeiro. Nesses incluem-se enviados especiais do Nós Contra Eles, pagos a peso de ouro, que rapidamente nos resumem o que lá aconteceu.


Review #1 Ricardo Luz

Dia 1


Rapture: Eram uma das bandas que queria ver logo no início do primeiro dia. Apesar de serem a primeira banda, a sala já estava bem composta quando entramos. Tinha visto em janeiro e gostei mais desta vez. A música é boa e isso já sabia, mas pareceu-me melhor ensaiado. Valeu a pena ir para o concerto cedo para os ver.
Frame of Mind: A outra banda que queria ver das primeiras. Gostei do concerto, mas parece-me que o hype que senti em relação a esta banda quando os vi no ano passado morreu. O EP foi lançado no princípio do ano, mas notava-se que algum pessoal ainda não se deu ao trabalho de o ouvir.
Bitter Youth: Vi de longe e não prestei muita atenção, mas pareceu-me uma mistura de Youth crew com uns toques de hardcore mais pesado.  
Bent Life / Blind Authority: Acabei ou por não ver ou por ver de longe sem ligar muito. Nestes dias longos é necessário sempre umas bandas para descansar e estes sets foram a minha escolha para essa primeira paragem.
Insist: Acho que os dedos da mão já não chegam para contar o número de vezes que já os vi. Como sempre um bom set e cheio de energia. Primeira vez que vi depois de disponibilizarem o EP no bandcamp. Apesar das músicas novas o concerto não deixou de ser curto e intenso como se quer.
Higher Power: Ao contrário do de Frame of Mind o hype de Higher Power continua vivo e de boa saúde. Para mim o demo é ótima mas desde então começaram a inventar demais para o meu gosto, ao ponto de algumas músicas se tornarem chatas. Muito pessoal a curtir naquilo que na minha opinião foi um bom concerto, da banda que tem o baixista mais “interativo” que anda por aí.
The Flex: Flex foi a primeira banda da NWOBHC que ouvi já lá vão 4 ou 5 anos. Um dos “veteranos” desta new wave e dava para sentir pela reação do público. Acabei por ver de longe mas gostei do que vi.
Freedom: O concerto começou com alguns percalços a nível técnico que foram prontamente resolvidos e acabamos por ouvir duas vezes a primeira música. Primeira vez que tocaram na Europa e notava-se que muito do público não estava familiarizado com a banda. Freedom foi uma das bandas que me levou a fazer a viagem até Leeds e não desapontaram.
Fury: Paramount é um dos álbuns de 2016. Público mais receptivo do que para os companheiros de editora e de tour Freedom, talvez porque já é a segunda vez que tocam por estes lados. Nota-se que o pessoal já sabe ao que vai ao contrário do que se passou em Dezembro na Bélgica e na Alemanha.
Breakdown: Depois de 4/5 concertos intensos aproveitei para descansar e comer qualquer coisa.
Title Fight: Para mim foi o melhor concerto do Festival. Não estar a espera de curtir tanto com aconteceu apesar de serem uma das minhas bandas preferidas. Da última vez que os vi fiquei um pouco desapontado. Tinha acabado de sair o Hyperview e o concerto foi muito parado com muitas músicas novas. Desta vez tocaram um bocado de tudo e as músicas mais recentes acabaram por ficar bem no meio das outras.
Gorilla Biscuits: Como diz o Pinela o ideal era um concerto de GB por mês. Não sendo possível um por mês é sempre bom ver Gorilla Biscuits. O set é sempre o mesmo mas são músicas que funcionam bem ao vivo e é sempre um prazer ouvir!

Dia 2

Firm Standing Law: Depois de um dia anterior preenchido, o segundo dia era mais calmo e não queria ver tantas bandas. No entanto Firm Standing Law era uma banda que não podia deixar passar. Têm um EP quase a sair e uma demo que ouvi e gostei. Mas acho que o que acaba por chamar mais a atenção em relação à banda é o facto de o vocalista ser o de Cold World. Quando chegamos o concerto já tinha começado mas ainda conseguimos apanhar algumas músicas. Gostei, ainda tenho que ouvir o EP novo.
Depois de Firm Standing Law veio um monte de bandas que não me dizem nada. Aproveitamos para descansar, comer e conversar com alguns conhecidos e outros desconhecidos que só vemos nestas alturas. Um shoutout para Belfast!
Renounced: Renounced tem outro dos álbuns de 2016. Era uma banda pela qual não dava muito mas o Theories Of Despair é bom demais. Bom concerto sendo o principal highlight a participação de uma miúda com grande vozeirão que surpreendeu toda a gente. Se gostam de Metalcore vão já ouvir Renounced.
Mizery: Gosto em disco mas não sabia o que esperar ao vivo. Foi um bom concerto e acabaram por exceder as expectativas, apesar de se notar bem que dividiram o concerto em duas partes, uma primeira com músicas sobretudo do Absolute Light e outra com as músicas das releases mais antigas.
O resto das bandas acabei por assistir sem prestar muita atenção. Já estava bastante cansado 26 bandas em dois dias não é fácil mas se não fossem tantas secalhar a viagem não valeria apena. Não me posso queixar. Um último shoutout para o John Joseph que prometeu fazer uma lasanha para o Luís.

Review #2 Ricardo Pinela

Dia 1

Rapture - Boa banda, única com miúdas #notcool
Frame of Mind - Têm piada, mas depois chateia.
Blind Authority - Não curto muito metal.
Bent Life - Estava fixe a pizza vegana.
Bitter Youth - Uma ou duas musicas boas.
Insist - Primeiro grande show do dia. BANDÃO!
Higher Power - Amigos, os 90’s não são cools.
The Flex - soube a pouco, mete mais jarda nisso, boy!
Freedom - não era fã e não fiquei fã
Fury - é capaz de ser a melhor banda de hardcore que anda aí actualmente, adorei do coração!!!
Breakdown - tem power, mas aproveitei para ir comer mais comida vegana
Title Fight - Granda feeling!! O ned faz tudo parecer bonito.
Gorilla Biscuits - Um show destes por mês, please!

Dia 2

Outreach - Estava a pitar falafell
Pledge - Estava a ver cameras com o Luis Luz.
Firm Standing Law - não conhecia, a banda é boa banda, tenho que ouvir o disco
Chamber - Esteve um dia bonito em Leeds.
Guilt Trip - Não choveu.
Splitknuckle - Até deu para apanhar sol.
Revulsion - enquanto pitavas mais umas pizzas veganas.
Renounced - Curti a miúda black a roubar o mic ao bacano.
Mizery - Boa banda. Definitivamente não é a minha cena mas curtia ver mais bandas com este feeling.
Broken Teeth - ninjas, ninjas, ninjas, ninjas, ninjas.
Knuckledust - Chuta para canto.
Cro-Mags - Estava à espera de mais dicas e menos música, boa energia!

Top 3 Shows:

Title Fight
Fury
Gorilla Biscuits

Menção Honrosa:

Insist e Rapture

Fotografias por Luís Luz




segunda-feira, 24 de abril de 2017

News Flash: abril 2017

Em abril, novidades mil. Lá por Portugal estar parado não quer dizer que o mundo não gire - o hardcore respira saúde. Compilação de novidades frescas em baixo para te animar nestes dias entre feriados.


Salad Days Podcast


O David meteu as mãos à obra e arrancou com um podcast sobre punk e hardcore em português. Já com quatro episódios na bagagem, tendo até agora convidado o Ratão de Time-X, o Raykar de Day of The Dead, o Rattus de Albert Fish e o Bernardo de We Bless This Mess, já há um bom par de hora de conversa sobre percursos, histórias e curiosidades, tanto da  velha como da nova escola. Novos episódios lançados quinzenalmente, por isso não precisam de esperar muito mais por novidades.

Podem escutar o Podcast no Youtube ou iTunes e acompanhar as novidades na página do Facebook, blog, Instagram ou Twitter. A isto chamo ir a todas...

Novos Lançamentos


Atlantes - Adamastor - Portugal e França sempre foram países amigos e não foi um disparo do Éder que matou séculos de ligação. Nesse clima de amizade nasceu este projecto do Luis Rattus (Crise Total, Albert Fish, etc) com o Wattie de RIXE, os Atlantes. E não fosse ter apanhado uma conversa cruzada num qualquer grupo do Facebook se calhar ainda não tinha descoberto este disco altamente, que já é o segunda da banda. Se gostam de Oi! com aquele vibe épico-mitológico na onda de Battle Ruins mas mais ligado às proezas quinhentistas no Atlântico este disco é obrigatório.

Protester - Hide From Reality - Parte da nova vaga do hardcore de DC que surgiu à um par de anos, straight edge de malta chateada para malta chateada. O Ray Cappo é barrado e o youth crew fica à porta, não há coros em uníssono nem músicas sobre união. Um dos discos a ter em conta em qualquer lista de melhores do ano...

Poder Absoluto - Puro Sonido Valencia - Mesmo que eles repitam mil vezes que isto é Valência e não Boston ou Nova Iorque, as influências são claras. Depois de dois EP's aqui está o primeiro LP dos Poder Absoluto. Totalmente cantado em castelhano, como habitual, mais 11 faixas onde se destila hardcore à Tang-era Boston, raivoso e interventivo. Aguardo ansiosamente a chegada do disco a casa (atraso nas impressões das capas), o artwork do Andy Fletcher é top.

Terror - The Walls Will Fall - Em equipa que ganha não se mexe. Os Terror já andam nesta vida faz vários anos e o calo é bem audível. Com discos mais memoráveis que outros, mas sem inventar muito continuam o seu percurso super sólido, sendo que agora regressam aos EP's com novo disco que satisfaz qualquer fã da banda. Menos malhas significa que não chegas a meio já cansado, o que para mim é um dos grandes pontos positivos. Recém saído pela bostoniana Triple B, ainda há tempo para fechar com uma cover de Madball ("Step To You"). 

Foreseen - Grave Danger - Não há muito mais a acrescentar ao percurso destes miúdos finlandeses que passo a passo vão ganhando cada vez mais destaque, e com todo o mérito. Atualmente em tour nos EUA a apresentar este novo disco que consegue ser um ótimo follow-up ao ENORME Helsinki Savagery. A tarefa era difícil, mas não desaponta. A banda continua a fazer aquele ponte entre o hardcore e o thrash metal como poucos conseguem fazer (bem!). Podes abanar o capacete com os solos demoníacos ou moshar que nem um maluco nas mosh parts, não te vais sentir excluído...Quero muito ver esta banda ao vivo. E ter este disco.

Shipwrecked - Self Titled - O regresso dos vikings. Saído bem a tempo da viagem a Boston para tocarem com Battle Ruins, este disco marca o regresso dos noruegueses aos discos. Para ser sincero ainda só ouvi a malha que está no Youtube, mas tendo em conta aquilo a que eles nos foram habituando, só pode ser bom. Por esta altura as cópias que vou receber já estarão em trânsito, por isso é uma questão de dias até começar a girar lá em casa.

Outbreak Fest 2017



Infelizmente não estarei presente mas todos os esforços estão a ser desenvolvidos para existir reportagem pós-show. Aquele cartaz de sábado enche-me as medidas - tão, tão, tão bom! E domingo também não é nada de se deitar fora.

Mind Control #2

Até parece ser a gozar, mas o número 2 da Mind Control voltou para a linha de produção. Deadline: Natal - o Pai Natal merece algo melhor do que duas bolachas e um copo de leite.