terça-feira, 19 de setembro de 2017

Entrevista: Ricardo Dias (For The Glory)

Ao fim de 14 anos de banda, os For The Glory regressam às edições com "Now And Forever", o quinto álbum da banda. Dia 22 de setembro é a data de lançamento oficial deste CD Digipack editado pela Rastilho Records com o pontapé de saída a ser dado em Lisboa, no Musicbox. Depois disso há datas por todo o país para vos dar a conhecer este registo, já disponível na íntegra para escuta no bandcamp da editora. Eu e o David enviámos algumas questões rápidas ao Ricardo Dias aka Congas aka o verdadeiro Maradona do Bairro da Mealhada sobre este novo disco e sobre a longevidade dos For The Glory. Em baixo as respostas.


Fala-nos um pouco deste novo disco que marca os regresso dos For The Glory às edições, quatro anos depois do Lisbon Blues. Nesse disco encontrávamos uma forte marca do momento pelo qual o país passava, num contexto de crise em que se queria ver a malta alerta e ativa relativamente aos problemas que nos afetavam, e em que a música servia como veículo dessa mensagem de luta e perseverança. Já com outro contexto político-social (ainda que muitas das coisas não tenham mudado assim tanto...) surge este Now And Forever. Qual é a principal mensagem que querem transmitir com este disco?

Tudo o que disseste é o espelho perfeito do contexto em que o Lisbon Blues foi idealizado e também realizado. Felizmente houve algumas melhorias no sentido de que o fantasma da crise desapareceu, apesar de continuar a haver desemprego a monte, de cada vez mais as pessoas se afundarem na escuridão da sua mente e deixarem os fantasmas da depressão tomarem conta da sua vida. Infelizmente continuamos a viver tempos de crispação social e tempos conturbados onde o preconceito, xenofobia e medo da diferença revela um país que afinal tem um lado mais preconceituoso adormecido.

O Now And Forever tem um sabor diferente, por assim dizer. Tem um feeling mais de olhar de retrospectiva, de pensar o passado, viver o futuro e dando o statement de "para sempre". A verdade é que passaram 14 anos desde o primeiro concerto, a verdade é que cresci com esta banda, e esta banda esteve comigo em todas as grandes decisões e transições da minha vida. Como que se ela fosse a banda sonora da minha vida, portanto posso legitimamente dizer que se esta banda não acabou durante estes anos, já é para sempre.

Nos últimos anos têm havido algumas mudanças na formação de FTG. Como é que isso afectou a escrita do novo disco? Há diferenças na dinâmica da banda?

É um facto que temos tido algumas mudanças na formação de FTG. A dinâmica de banda continua a ser a mesma, porque as pessoas que foram entrando são pessoas que já conheciam a banda há muito tempo ou  são pessoas com as quais já partilhávamos algo e que sua adaptação foi fácil. A última entrada foi do Afonso para o lugar que o Sérgio deixou, e a sua entrada foi depois deste disco estar gravado, pelo que não se nota nada na forma de escrever. A base de escrever riffs foi a mesma, tirando o facto de todos as músicas terem sido escritas apenas com uma guitarra. No entanto na altura de fazer malhas, todos nós contribuímos com ideias, seja nos riffs ou nas estruturas dos temas.

Quais são as maiores fontes de força e motivação para manterem a banda ativa e para ainda tocarem hardcore passados todos estes anos?

A vontade de dizer algo, a vontade de partilhar a música que há dentro de nós, partilhar ideias, conhecer pessoas, viajar e tudo isso. Todas essas coisas fazem-nos acreditar que ainda faz sentido.
Enquanto houver quem acredita nesta banda e no que fazemos, então faz sentido continuar a existir. Obviamente que daqui a uns anos talvez o nosso corpo já não aguente o choque da energia dos concertos, mas até lá vamos continuando a fazer o que nos diverte.

Eu consumo muita música diferente, e não vou negar que também já tive, e tenho, vontade de experimentar fazer algo diferente, mas como disse acima esta é uma banda que me acompanha há 14 anos, que me levou a locais onde nunca pensei ir, que me fez sentir coisas que nunca tinha sentido, portanto é com ela que neste momento tenciono ficar por mais um par de anos e atingir alguns objectivos que ainda não atingimos.

Falaste em objetivos ainda por atingir com FTG. Há algo que possas partilhar sobre o que ainda figura na tua bucket list?

Há coisas que ainda gostava de fazer. Adorava fazer esses festivais maiores da europa. Gostava imenso de conseguir fazer tour na Ásia e no Brasil. Nos USA não é uma coisa que me cative por aí além, mas esses dois continentes era bom demais!


Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma mudança de paradigma no que diz respeito aos concertos de For The Glory, quer em Portugal quer lá fora. Se cá cada vez mais são nome habitual em festivais de metal, também lá fora as tours de vários dias foram trocadas por datas únicas ou fins de semana com dois/três concertos. Sei que não é novidade para ti falares desta relação cada vez mais próxima com a cena do metal, mas recorda-nos um pouco como é que esta aproximação aconteceu e como é que comparas estes dois géneros musicais e cenas distintas, mas com vários pontos em que se tocam.

Respondendo à troca de datas soltas pela Europa em detrimento das tours, foi uma situação à qual fomos "forçados" pelas melhores razões. Há 2 anos e meio fui Pai pela primeira vez e a minha presença era necessária em casa. Já tenho um trabalho que me obriga a passar alguns dias fora e fazer estrada a um nível nacional, e a ideia de me ausentar de casa durante 3 semanas ao início assustava-me imenso.

Agora já vamos conseguir marcar uma ou outra tour, tentar fazer à mesma esses weekend trips e tentar fazer o máximo que nos for possível. FTG não é um trabalho e não sentimos que somos obrigados a fazer só porque sim, só fazemos as coisas quando realmente as queremos. Isso é algo que não irá mudar.

Em relação a sermos presença em festivais de metal, acho super fixe. Na realidade não vejo grandes diferenças de algumas bandas de metal para a nossa, na forma de trabalhar, na forma diy com que gerem a banda, na forma como abordam questões sociais, etc. De há uns anos para cá temos feito algumas datas com uma banda de amigos que são os Switchtense. Eles tocam um thrash metal rápido, incisivo com umas letras boas e com grande onda. Quando nos conhecemos foi tipo aquela empatia mega cool. Percebemos que não havia grandes diferenças na forma de estar de ambas as bandas e simplesmente houve o click. Depois acho que o facto de me dar bem com muita gente acaba por gerar esses convites e acaba por levar a uma maior aceitação nos festa de metal. Acabamos muitas vezes os concertos com pessoal a dizer "não gosto de hardcore, mas vocês ao vivo são diferentes". Isso é bom de se ouvir, é bom perceber que há uma abertura maior ao nosso tipo de banda.

Infelizmente, não posso dizer o mesmo ao contrário. O pessoal do core continua a ser um bocado preconceituoso em relação a algumas bandas de metal. Tanto me vês num concerto de hardcore como num de metal, de punk rock ou whatever. Se gostar da música, das bandas e das pessoas, tenho todo o prazer em marcar presença. Não tenho vergonha de o mostrar. No HC vive-se sempre a apregoar a aceitação da diferença, mas não conseguimos aceitar as diferenças entre metal e hardcore...parece-me redutor e parvo.

Foi difícil sair da zona de conforto dos concertos "pequenos" mas em que todos se conheciam (e vos conheciam) e começar a tocar para malta que, provavelmente, não fazia ideia de quem eram e dos anos que já tinham nas pernas?

Encaramos todos os concertos com a mesma disposição. Vamos lá passar um bom bocado. Há muitos anos que nos deixámos de levar tão a sério. Continuamos a fazer o melhor que sabemos, continuamos a tocar o melhor que conseguimos e a tentar ser "profissionais", mas sempre na descontra. Adoro tocar para 500 ou 600 da mesma forma que adoro tocar para 50. São formas de encarar a coisa diferentes e em que temos de dar sempre o máximo.

Cada vez que vamos ao estrangeiro é um começar de novo constante. Não somos banda local, somos a banda de fora e tocamos sempre para pessoas diferentes, porque todos os anos há renovação das pessoas que vão a concertos. Todos os anos apanhamos sempre pessoas novas a dizer que é a primeira vez que nos vêm. Isso é estimulante!

E quanto a tocar lá fora? Acredito que voos low cost sejam uma ajuda importante para a internacionalização da banda.

O aparecimento de empresas low cost facilita a ida lá fora quando tens o teu gear lá. Se tiveres de levar guitarras e mais merch, etc, acaba por não ser assim tão benéfico. Claro que se tiveres alguma banda amiga que te empresta quase tudo, então é uma boa solução. Temos feito algumas incursões lá fora e vamos de low cost ou de companhias regulares dependendo da situação e com quem tocamos.

Este novo registo conta já com três vídeos online a promoverem precisamente três das onze faixas. Como e porque é que surgiu esta maior aposta no audiovisual para comunicar a vossa música?

Sempre quisemos fazer vídeos para os outros discos, mas o que acontecia é que ou passava o timing ou não estávamos com paciência para os gravar. Sempre fomos meio desligados com essa coisa dos vídeos.

Agora tivemos aquela pressão do Vynn de Steal Your Crown, que nos melgou para gravarmos uns videos e que queria gravar um ou dois vídeos com a banda. Entretanto quando tocámos no Casainhos Fest ele acabou por retirar mais umas imagens e apareceu com um vídeo novo, hahah. Portanto foi mesmo preciso ter um gajo como o Vynn a chatear e não pensarmos muito para fazer isso acontecer.
Agradecemos imenso ao Vynn porque conseguiu fazer três vídeos que gostamos imenso!

Portugal e especialmente a cena hardcore sempre foi um mercado bastante curto para a venda de discos e isto obviamente tem o seu impacto nas formas de subsistência de uma banda. Qual a tua opinião sobre o Spotify e todas essas novas plataformas de streaming na sua relação com as bandas quer no que diz respeito à divulgação quer também à parte financeira.

Tudo o que são plataformas digitais estão a cargo da nossa editora. Não trabalhamos o digital. A nossa venda de discos costuma correr bem, claro que não são números astronómicos mas estamos bem com isso. Obviamente que era importante conseguir vender discos, essa é a única forma de bandas como a nossa subsistirem.

Também para as editoras conseguirem editar as bandas é preciso haver vendas de discos. Editoras como a Rastilho, Hell Xis, a Infected, a Raging Planet, a Mosher Records etc, são editoras feitas por pessoas que são fãs de música, que gostam de apoiar e lançar novas bandas, mas para essas editoras conseguirem meter os discos cá fora, eles têm de ser comprados. Não peço para comprarem discos por piedade, mas se gostam das bandas é de valor o vosso apoio ao comprar o cd.


Em 14 anos muita coisa muda. Tentando não cair muito na pergunta cliché, há algo que gostasses de desenterrar do passado para aplicar ao presente? E algum arrependimento?

Não me arrependendo de muitas coisas, há algumas coisas que rectificava no plano pessoal. Enquanto banda, acho que temos o caminho que estava destinado. Temos a consciência tranquila do que fazemos e onde queremos estar, o que queremos fazer. Gostava de regravar o Down In Blood e lançar o Survival Of The Fittest em LP, hahaha.

Com este novo disco na bagagem deduzo que o plano a curto prazo seja tocar sempre que possível. Há algo já planeado? Shows lá fora, aquele vinil para os colecionadores, tours?

Temos várias datas marcadas, vamos andar por Lisboa (22 set), Caldas da Rainha (29 set), Porto (30 set), Pinhal Novo (6 Out), Faro (7 out), Figueira da Foz (27 out), Viana do Castelo (28 out).

Temos também uma tour europeia agendada com cerca de 13 datas e já estamos a fechar datas para 2018. No que toca a concertos, somos uma banda que até toca com alguma frequência e não nos podemos queixar.

Últimas palavras.

Primeiro de tudo gostava de vos agradecer por nos darem espaço de partilhar um pouco sobre a banda, e deixar o convite a todas as pessoas que estejam interessadas em passar no Musicbox na sexta feira dia 22 setembro de 2017 para release show de Now And Forever. Era fixe ver toda a malta que tem acompanhado a banda ao longo dos anos por lá. Um abraço enorme.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Nós Contra Eles no Spotify #3

A ideia é simples - uma playlist no Spotify com cenas novas que vão aparecendo nesta plataforma de streaming. Sim, porque estamos em 2017 e o Nós Contra Eles é bué à frente.




Semana número 3 e a playlist continua a aumentar. Esta semana com um bocadinho mais de Hardcore. Acho que ainda não tinha dito aqui que as músicas com mais de um mês vão sendo eliminadas de semana a semana, para a playlist se manter sempre fresh! Vamos a isto...

No Warning - Like A Rebel - Uma das regras criadas por mim e pelo Tiago foi que não se deviam repetir bandas na playlist, pelo menos não sem algum espaçamento. Mas, creio que ambos concordamos que, se há banda que mereça uma excepção, são os No Warning. Segunda malha divulgada do novo disco e esta já soa mais a NW, especialmente a voz. Aquela maneira como o Ben sobrepõe os versos é mesmo à NW. Não sei se gosto mais desta se da outra, mas sei que a julgar por estas duas músicas, e se o resto do disco for nesta onda, vai ser MUITO bom. Agora sintam NW!

Iron Chic - My Best Friend (Is a Nihilist) - Curti bué o "Not Like This" (2010) quando saiu, mas o disco a seguir na Bridge Nine não me bateu tanto. Mas o mais importante aqui é que os Iron Chic estão de volta e deram um passo gigante ao assinar pela Side One Dummy (Gaslight Anthem, Title Fight). Quem ainda não conhece os Iron Chic são a banda perfeita para um show na Disgraça à pinha com o PA todo lixado, mas com a sala toda a cantar as músicas todas em sing along. Se curtes Hot Water Music de certeza que vais curtir Iron Chic. O disco novo chama-se "You Can't Stay Here" e sai dia 13/10.

Comeback Kid - Moment In Time - Quer se goste ou se odeie, há que admitir que Comeback Kid são uma das principais bandas dos 00s. Confesso que o meu acompanhamento da banda tem sido intermitente, mais tipo álbum sim, álbum não. O último disco que ouvi mais, e que é talvez o meu preferido, foi o "Symptom + Cures". O seguinte passou-me um bocado ao lado. Mas regra geral sabemos que um disco novo de CBK à partida vai ser bom e diferente do anterior. A julgar por esta malha, mais na onda do "Symptoms + Cures" com uma parte rápida mesmo à CBK, mas com um início e final mais diferente com o gajo de Northcote a cantar. O disco já saiu, chama-se "Outsider" e saiu pela Nuclear Blast. Ainda não tive tempo de ouvir, mas prometo tratar disso em breve.

Burn - Climb Out - É engraçado que o primeiro LP de Burn só saiu agora em 2017 pela Deathwish, intitulado "Do Or Die". Os Burn são uma banda de NY que foi formada no final dos anos 80, lançou um EP na Revelation, depois acabou em 92, voltaram ao activo em 2001 tendo lançado alguns EPs e tocado aqui e alí. O disco já saiu e estou bastante curioso para o ouvir. Burn tocam assim aquele Hardcore quase post, tipo 108 e Quicksand com guitarras a tocar riffs nervosos. Gosto!

Forced Order - False Power - Confesso que nunca ouvi muito Forced Order, mas têm um disco novo chamado "One Last Prayer" acabadinho de sair na Triple B Records. Quem não os conhece, estes rapazes do sul da Califórnia tocam aquele Hardcore musculado e cheio de testosterona, com pedal duplo e mosh parts e coisas. Fiquei curioso para ouvir o disco e dar uma chance a esta banda. Vá elucidem-me acerca disto que estou um bocado fora....

Sports - Making It Right - E esta é a malha da semana para o Ludgero... vá pensavam que ia escrever só isso?! Talvez... mas vou só dizer que que os Sports são uma banda fofinha de Philly e que vão lançar um split com Plush que não conheço. Malha perfeita para vos deixar assim mais fofinhos para o resto da semana depois da brutidade de Forced Order.

Curada pelo David Rosado, esta playlist será atualizada às Sextas-feiras (se tudo correr bem), por isso façam Follow e fiquem a par das novidades. Os updates na playlist serão acompanhados por um post no blog para vos aguçar o apetite e saberem ao que vão.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Nós Contra Eles no Spotify #2

A ideia é simples - uma playlist no Spotify com cenas novas que vão aparecendo nesta plataforma de streaming. Sim, porque estamos em 2017 e o Nós Contra Eles é bué à frente.



Sejam bem vindos à segunda semana do Nós Contra Eles no Spotify. Obrigado a todos os que leram, partilharam, fizeram follow na playlist, ouviram ou ignoraram. Sendo que a ideia desta coluna tem por base uma playlist no Spotify, a probabilidade de entrarem malhas daquelas bandas obscuras que só gravam uma demo e depois kaput (que o Tiago tanto adora) é muito baixa. Umas semanas vai haver mais Hardcore, noutras mais Punk Rock, Emo… whatever… aqui vamos nós!

Paradise Lost – Symbolic Virtue - E desta é que não estavam à espera… Para quem não conhece os Paradise Lost são uma banda de Gothic Metal fundada em 1988. De há uns anos para cá, especialmente depois de ter a conta premium do Spotify tenho ouvido muito mais coisas diferentes e esta banda é uma delas. Não sou conhecedor profundo de nada, mas ouvi bastantes vezes o último disco deles de 2015 chamado “The Plague Within”. Esta música é do disco novo que é o 14º disco da carreira da banda. Ainda não ouvi o disco, mas gostei desta malha. Tem aquele riff de guitarra arrastado que combina bem com o andamento e com o mood da banda. Até tem um pianinho lá no meio. É assim tipo joker para destoar do resto da playlist.

No Use For A Name – Turning Japanese - O Tony Sly era um grande escritor de canções. Dos melhores de sempre no Punk Rock, disso não tenho dúvidas. Fiquei mesmo realmente triste quando soube da notícia da sua morte em 2012. A Fat Wreck Chords editou no passado mês de Agosto uma compilação com covers gravadas pelos No Use For A Name ao longo dos anos. Vale sempre a pena recordar e nunca esquecer Tony Sly.

Hot Water Music – Complicated - Gosto mesmo MUITO de HWM. O “Exister” foi o disco que mais ouvi em 2012, por isso um disco do Chuck e companhia é sempre bem vindo. Esta música é já a terceira música disponibilizada do novo disco que se chama “Light It Up” e a sua data de lançamento é 15/09. Esta é uma malha do Chuck, com a sua voz rouca de quem bebe um shot de pregos e lixa todas as manhãs , bem na onda das músicas do ultimo disco. Não é preciso ser bruxo para adivinhar que este vai ser dos discos que mais vou ouvir nos próximos tempos.

Woolworm – Judgement Day - E aqui está o achado da semana. Aparentemente os Woolworm são uma banda de pessoal do core de Vancouver. É assim aquele indie rock bem soft e fofinho, com guitarras com pouca distorção e aquele andamento assim mid-tempo de embalar com a musica a crescer até ao fim. Certamente não é para todos, mas aposto que desta o Ludgero vai gostar.

Shattered Faith – Heartache (Too Much) - OK, afinal há mais um achado esta semana. Os Shattered Faith foram formados em 1978 na California do sul e lançam agora um disco duplo chamado “Volume III”. É interessante saber que a banda foi formada pelo gajo de U.S. Bombs, mas que pelo que descobri já não está na banda. É Punk Rock à California tipo Adolescents. Tem a sua piada.

Motörhead – Rockaway Beach - Duas cover na mesma semana?! Espero não estar a abusar. Motorhead a tocar Ramones, como não gostar?! Ainda para mais é uma das minhas músicas preferidas de Ramones. Só peca se calhar por estar demasiado parecido ao original, mas é o Lemmy na mesma. O disco com vários covers gravados pela banda ao longo dos anos já se encontra disponível. Não é um “must have”, mas dá para meter a tocar de vez em quando.

Curada pelo David Rosado, esta playlist será atualizada às Sextas-feiras (se tudo correr bem), por isso façam Follow e fiquem a par das novidades. Os updates na playlist serão acompanhados por um post no blog para vos aguçar o apetite e saberem ao que vão.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Discos Trocados: The Menzingers/ Congress

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

Esta semana o convidado é o David Rosado, lenda do hardcore farense, CEO do império Salad Days, parte de Clean Break, Broken Distance, e por aí fora. Desde a última colaboração com o NCE criou o Salad Days Podcast que já conta com doze episódios, e rapidamente trouxe à tona conteúdos cruciais para todos os gostos em conversas descontraídas com as mais variadas personas da nossa cena.

Quanto aos discos...ui, esta semana há bipolaridade! O David mandou-me o último disco dos The Menzingers e eu aumentei um bocadinho a intensidade com o Angry With The Sun dos Congress. Em baixo o que cada um achou.

Tiago Gil
The Menzingers - After The Party (2017)

Não vou dizer que não estava à espera de algo nesta onda. Para quem, como eu, segue o podcast do David e prestou especial atenção à conversa com o Flávio reparou que esta onda pop punk tem andado a rodar muito no spotify de ambos, pelo que a escolha musical era algo espectável.

Mas por espectável não quer dizer que conhecesse muito bem quem estes Menzingers são. Rock/Indie/Pop Punk bem tocado sem vozinhas maradas terá o seu apelo, mas faltam aqui uns ingredientes para isto me apelar. Para começar o disco é lento. Ainda há uma ou duas em que aumentam um bocado o ritmo mas depois há outras calmas demais. Aposto que fazem sets acústicos do disco. Troco isto pelo pop punk da pastilha a tocar no rádio a caminho da praia, enquanto levo com o sol na tromba e grito os refrões burros. Isto é mais banda sonora para ler livros no sofá a ouvir a chuva a bater na janela com um copo de vinho a acompanhar - não é o meu plano habitual de fim de semana!

Fui dar uma olhada nas letras para ver qual a razão de tanta melancolia, e os rapazes estão mesmo tristes com o facto da vida festa e palhaçada de jovem adulto estar a acabar e as responsabilidades estarem ao virar da esquina. Engraçado como em 2017 isto são problemas de malta nos 30's, quando ainda há uma geração era algo que se passava com dez anos a menos...Mas hey, songwriting muito acima da média. Props para eles por isso.

Cada um exterioriza como quer. Eu ainda estou com outro mindset, mas vai na volta chego lá mais depressa do que acho e este disco vai ser a minha banda sonora. Esperem uns anos e venham-me perguntar se há novidades.

David Rosado
Congress - Angry With The Sun (1998)
Quando falei com o Tiago sobre participar no blog já devia estar à espera do que havia de sair dali. Se calhar o erro foi meu em ter sugerido o disco primeiro. Nunca irei saber… Mas o que é certo é que Congress passou-me totalmente ao lado.

Quando no final dos 90s comecei a ouvir Hardcore, vindo do Punk Rock da Epitaph/Fat Wreck, o que mais me atraiu foi o chamado “Youth Crew”, embora também tenha ouvido imenso Indecision e Renewal. Mas, talvez pelo facto de Congress ser da H8000, fez com que tivesse ainda menos vontade de ouvir. É certo que hoje em dia ouço muito mais cenas diferentes e é com esse ouvido mais treinado que escutei atentamente o disco que me calhou. À primeira, se não soubesse o que era (nunca na vida ia adivinhar se me perguntassem), era óbvio demais que este disco foi feito nos 90s. Aquele som de tarola, seco e agudo não engana ninguém. Riffs metaleiros q.b. com partes a abrir e o inevitável chugga chugga tão característico dos 90s. 

Tendo em conta estarmos em 2017 não estou a ver muitos putos novos virarem-se para aqui, mas também quando comecei a ouvir Hardcore também devorei as gravações mais xungas de Youth of Today e Bold. Não sendo um disco que irei ouvir muitas mais vezes, foi bastante mais agradável do que estava à espera. Já agora, este é o melhor disco de Congress, ou da H8000?

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Nós Contra Eles no Spotify #1

A ideia é simples - uma playlist no Spotify com cenas novas que vão aparecendo nesta plataforma de streaming. Sim, porque estamos em 2017 e o Nós Contra Eles é bué à frente.




No Warning – In The City - Sim, estamos em 2017 e os No Warning partilharam com o mundo não só uma música nova, como o anúncio que vão editar um disco novo no dia 13 de Outubro. Treze anos depois do último disco, Suffer, Survive, o tal que soava a Linkin Park. Felizmente (ou não), esta malha não soa a LP. Mas também não soa muito a NW clássico, à Ill Blood. Tem Groove é certo, mas falta-lhe um bocado do veneno característico da juventude, I guess. Mas... quanto mais vezes a ouço mais gosto dela... Nunca mais é Outubro…

Propagandhi – Failed Imagineer - Ainda falta mais ou menos um mês para que o novo disco dos Propagandhi venha cá para fora (29/09) e esta é a segunda malha divulgada. Mais melódica, talvez mais clássico Propagandhi. Quem não acha tanta piada à veia metaleira mais recente é capaz de gostar desta. Eu gosto! Só não achei grande piada ao inicio à KISS, mas o que vem a seguir faz rapidamente esquecer isso.
 

Quicksand – Illuminant - Já se deram ao trabalho de contar as cenas recentes que o Walter tem feito?! Ora bem, para além de tours/datas com Gorilla Biscuits e Youth of Today, editou um disco de Vanishing Life (2016), outro com Dead Heavens (2017) e agora a bomba de um disco novo de Quicksand, 22 anos (!!!) depois. Já estou a salivar para um disco novo de Rival Schools para 2018 (if only...). Até lá, sei que este vai rodar muitas vezes quando sair (10/11 pela Epitaph). Ah e foi produzido pelo Will Yip - o principal produtor indie/emo dos últimos anos (Title Fight, Tigers Jaw, Menzingers…quase tudo o que saiu na Run For Cover). 

Turnover – What Got In The Way - Esta é a faixa que o pessoal mais do core vai passar para a frente. Mas é fofinha, é boa para ouvirem com a vossa miúda (ou miúdo) num momento chill out fofinho. Os Turnover têm tido um hype merecido e este disco está bem fixe. É aquele indie/dreampop/emo com guitarras limpas e zero distorção (mesmo como o Ludgero gosta), e claro que foi produzido pelo Will Yip.

GBH – Momentum- Devo confessar que nunca fui grande fã de GBH. Não por não gostar, mais por nunca ter ouvido grande coisa da banda, ou ter tido muita curiosidade para descobrir na altura. Mas sei reconhecer que é uma banda clássica e quando uma banda clássica lança algo novo é sempre bom ouvir (quanto mais não seja para falar mal). O último disco de originais de GBH foi editado em 2010, sendo que este novo tem o mesmo nome desta canção e vai sair dia 11/11 pela Hellcat. A julgar por esta malha, acho que vou curtir. 

Citizen – In The Middle Of It All - Quero começar por dizer que gosto bastante de Citizen. Curto bué o Youth e senti igualmente o Everybody Is Going To Heaven de 2015. Notou-se uma evolução na banda o que é sempre fixe, e maior evolução parece haver para este novo disco chamado Jet que vem cá para fora dia 6/10. Agora não tenho a certeza mas tenho quase a certeza (what?!) que foi também produzido pelo Will Yip. O inicio desta malha é estranho, faz-me lembrar Queen. Mas a música é boa. Nota-se que o Mat está a cantar de outra maneira e a tentar outras cenas. Não deixam de ser putos nos 20s a fazer música que me agrada bastante. 

Curada pelo David Rosado, esta playlist será atualizada às Sextas-feiras (se tudo correr bem), por isso façam Follow e fiquem a par das novidades. Os updates na playlist serão acompanhados por um post no blog para vos aguçar o apetite e saberem ao que vão.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Discos Trocados: Civic Duty/Shipwrecked

Esta semana voltamos a trocar discos. Formato antigo que à muito queria ressuscitar. A piada? É que tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, vai sempre dos gostos de cada um (e das escolhas que cada um fizer).

Voltam os convidados e volta o modo "amigo secreto". Desafiei duas pessoas a trocarem um disco entre si, sem saberem quem são. Desta feita a fava caiu ao Miguel Pimentel (um repetente) e ao Fábio Marques. Colaboradores habituais, porque em equipa que ganha não se mexe (muito).

O Miguel escolheu o novo EP de Shipwrecked, saído em 2017 e que chegou, viu e venceu - primeira press esgotada na editora em menos de um mês, três malhas que deixam água na boca e fazem a malta implorar por um LP num futuro próximo. 

Já o Fábio escolheu enviar o novo disco dos Washingtonianos Civic Duty, também lançado em 2017 e que sucede uma demo que deu que falar em 2015 mas que parecia condenada a ser mais uma demo sem o seguimento que merecia. 

Fábio Marques
Shipwrecked - Self Titled (2017)

A forma como este disco começa é brutal. Sentes logo aquela tensão no ar. Fez me passar duas coisas pela cabeça, o início de uma guerra medieval e o início daquele concerto de Killing Frost no Café au Lait... Acho que o André ia curtir desta banda. Para quem não conhece, Shipwrecked toca aquele hardcore mesmo da biqueira de aço, cabeça rapada e t-shirt de Negative FX. Boston style. Mas com sotaque norueguês. Eu por acaso já conhecia a banda e lembro me de que quando ouvi o LP achei bué estranho como é que pouco se ouvia falar desta banda...Talvez se fossem americanos...you know.

Bem underrated esse LP. Mas falando deste disco, este volta a ter aquela abordagem à cena medieval e pagã que já vem fazendo parte da identidade da banda. Tanto nas letras como no artwork. E mais uma vez a capa ficou mesmo boa. A nível de sonoridade, faz me lembrar uma mistura de 86 Mentality com aquelas partes mais melódicas de Battle Ruins. A intro da terceira malha fez me logo ir ouvir a Life Trap. Foda-se. Que estrilho man. Estes gajos sabem. Há um vídeo (este) bué fixe deles a tocar em Valência com o pessoal todo a curtir. Imagino logo o Tiago e o Bica a varrerem aquela sala de uma ponta à outra. Bom disco, rodem isso.


Miguel Pimentel
Civic Duty - Burden of Hate (2017)

Confesso que estava apreensivo e ao mesmo tempo curioso para saber que registo iria “sair na rifa”, mas todos os receios e dúvidas foram dissipados assim que meti som na caixa. Quando comecei a ouvir a intro, disse para mim mesmo “vem aí saraivada da grossa mesmo à Boston”, mas esta rapaziada não é oriunda de lá mas sim da cidade onde o hardcore foi desbravado pelos Bad Brains e depois popularizado pelos Minor Threat. Estamos a falar de Washington DC...há muitas luas atrás estava a falar com o Tiago Gil e a dizer que a cena musical naquela zona estava a perder pujança, que o emo é que tinha tomado conta daquilo tudo e de repente levo com uma chapada de luva branca com o surgimento de uma nova geração que tomou a área de assalto.

Os Civic Duty são uma das muitas bandas que estão a brotar do chão como cogumelos na capital. Lançaram uma demo em 2015 e este ano o EP “Burden of Hate”(Triple B). São compostos por elementos que também partilham bandas como Fury, Protester, Pure Disgust, Red Death ou Clear, ou seja, malta com tarimba e com uma boa rodagem em palco. Se não conhecem estas bandas aconselho a ouvirem porque vale bem a pena!

“Burden of Hate” não tem muita ciência por detrás. É composto por 9 malhas sempre a rasgar pano, não há cá espaço para respirar. São cerca de 8 minutos de punk hardcore furioso e rápido, uma voz roufenha, guitarra com riffs bem rasgados e uma secção rítmica que mais parece um combate de bare knuckle, tamanha a brutidade. Ao longo do registo parece que me consigo ver numa pequena cave apinhada onde só há “putos” a voar, a varreram corpos de um lado ao outro tudo com sorriso na cara enquanto entoam as musicas. Quando oiço a “Choke” e a “Wolf on a Leash” só me dá vontade de andar ao murro as paredes só para azucrinar a vida à snob da minha vizinha.

Isto é um bom registo e é mais do que um som “antigo”. É fresco, é tocado por malta nova que sabe honrar as suas raízes mas ao mesmo tempo sabe que está a viver o seu tempo, sabe que está a meter o seu cunho pessoal, não está a copiar, está a fazer o seu próprio estilo. Para mim punk hardcore é mais do que revivalismo, é continuidade, é algo que se reencarna e é o que os putos de Washington estão a fazer neste momento. E espero que os "putos" na Tuga façam o mesmo. “We are in 2017 and Punk Hardcore is still alive and kicking”.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

News Flash: agosto 2017

O hardcore não tira férias, mas eu tiro. Mas entretanto a praia ficou para trás e o escritório já matou as saudades que tinha de mim. Em baixo o update mensal, com muito disco/tape nova de qualidade, e dicas para marcar na agenda num setembro que promete.


Novos Lançamentos



Freedom - Never Had A Choice 7" - Finalmente novidades dos rapazes de Detroit. Desde 2015 sem editar nada, aí está o follow-up ao USA Hardcore, que para mim esteve no pódio de melhores discos desse ano. Som a fazer jus à fama da cidade, rough shit! O Rafa esteve no This Is Hardcore e avalia o set dos Freedom como o melhor do festival. O Bica aprova com referências aos igualmente detroitianos Cold As Life e a early Madball. Queres melhor selo de qualidade?

Fireburn - Don't Stop The Youth 7" - Jah bless, burn Babylon. Disco completamente caído do céu e sem aviso, os Fireburn são compostos pelo Todd de Nails, o Todd Youth (Warzone e mil coisas), o Nick de Knife Fight e o Israel I, um dos substitutos do HR em várias fases da vida dos Bad Brains. E aqui é imperativo falar dos BB, não fosse esta banda um ripoff/homenagem superiormente bem feita à lendária banda. Tás a ver aqueles gajos que vêm a Portugal todos os anos como a "banda de covers oficial dos Queen"? Estes podiam ser algo do género, mas não são. Dos discos essenciais a reter em 2017.

Field Agent - The Voice Of A Few CS - O Fábio vendeu-me isto como "a melhor demo do ano". Não que desconfie do bom gosto que lhe reconheço, mas vamos ter calma. Até porque isto anda com uma rotação que parece que todos os meses esse posto é destronado. Mas vamos lá ver: gravação chunga captada no ensaio? Check. Youth crew com as mudanças de tempo cliché? Check. #renteaochão? Triplo check. Veredito final - Curto gravações chungas, mas este som direto tá muita macaco, a bateria parecem latas a bater (deviam ter aprendido com os Rampage). Demo do ano? Nepia, só neste post há duas que ganham: Illusion e Wise. Vamos ver o que o futuro nos reserva quanto a esta banda. Se houver 7" já fico satisfeito.



Illusion - Demo CS - Ouve isto. Ouve isto. Ouve isto. A sério, faz um favor a ti próprio e ouve isto.

Wise - Demo 2017 CS - Hardcore sempre foi de modas, e agora parece que este revivalismo do youth crew da viragem dos 80's para os 90's está para ficar. Fury desbravaram um bocado o mato, e abriram caminho a uma nova vaga que está aí cheia de vitalidade. No meio de tudo esta demo salta à vista. Produção, voz, riffs. Se és daqueles que não tem paciência para ouvir tudo, está está no topo da shortlist do que deves ouvir.

Limp Wrist - Façades LP - Dispensando apresentações, o Martin e amigos estão de volta com mais um assalto aos teus ouvidos. E aquela viragem no fim do disco...

Rapture - I Glorify 7" - Já não é a primeira nem a segunda vez que falo nos Rapture por estes lados. Banda do Reino Unido com uma vocalista, já se nota a rodagem que a banda foi adquirindo desde a demo (e daquele show que presenciei). No início do mês fizeram uma tour de uma semana pela europa com os germânicos Domain. Quanto ao disco? Bem fixe! Quality Control HQ sempre forte nos lançamentos. NWOBHC ainda é a dica. 

Vantage Point - BHC Promo - BHC? Boston Hardcore...Promo? "You had me at hello", como diz a René no Jerry Maguire (laaaaame!). Capa em dia, a dar a dica das influências para já saberes ao que vais. #renteaochão approved

Podcast El Inquisidor


Começou por ser um dos canais do Youtube por mim subscritos para estar a par das novidades, sendo que o rapaz levou as coisas um passo à frente e passou a lançar com alguma frequência um podcast em que para além de meter malhas fresquinhas vai comentando notícias, bandas e introduzindo alguns conteúdos mais temáticos. Prepara bem os ouvidos e foca-te que aquele castelhano rápido pede-te atenção redobrada. E dá sempre para dar aquela risada na maneira deles dizerem o nome das bandas. Há página no Facebook que podes seguir aqui.

Tony Rettman - Straight Edge: A Clear-Headed Hardcore Punk History


O Tony não pára, e depois da história do hardcore em Detroit e Nova Iorque, o novo livro é sobre o straight edge. Gosto da forma dele contar as histórias, colocando as personagens que foram parte ativa como ponto central, sendo estas verdadeiramente quem narra os acontecimentos. Desde as personagens óbvias dos primórdios, do radicalismo dos 90's, revivalismo dos 2000 e bandas atuais, parece que está tudo no sítio para ser uma ótima leitura. O livro só sai em novembro mas circulam alguns excertos na net.

Concertos


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Review: Leftöver Crack + Kids Decay @ Disgraça, Lisboa


A fome de concertos levou-me até à Disgraça numa quarta-feira à noite. Ultimamente as coisas têm andado demasiado paradas por estes lados, e a estreia dos Leftöver Crack em Portugal pareceu-me boa dica para sair de casa. Também nunca tinha visto Kids Decay, havia algum pessoal amigo que ia aparecer que já não via faz tempo e ainda uns discos para entregar/trocar. Tiago 1, preguiça 0.

Cheguei cedo do trabalho e para evitar os stresses de estacionar na Penha de França (missão quase impossível) pensei ir de bus. Mas como era cedo, bora fazer exercício e ir a pé. De Campolide até lá...para queimar de avanço as calorias do que iria ser o jantar.

Disgraça já bem composta, com muita rapaziada nova, do punk, do skate, e alguns amigos já presentes. Apesar de estar uma tarde mais amena que o habitual nos últimos dias, o calor humano e o calor das panelas já davam um cheirinho do que iria ser o resto da noite. Valeu a Cristal enquanto o jantar não chegava - hot dog de tofu. Bem bom por acaso e que soube pela vida (devia ter ido para o segundo, mas um gajo não quer ficar gordo).

O concerto era para começar às 20h30 e nem dez minutos de atraso volvidos começaram a tocar os Kids Decay. Concertos que começam a horas (ou quase): adoro! Não era a primeira nem segunda vez que ia à Disgraça, mas foi a primeira vez que lá fui ver um concerto. Creio ter havido alguns desenvolvimentos no que à insonorização diz respeito relativamente a alguns concertos do passado, digo isto com base em feedback e não por experiência. Pelo menos o som esteve bastante aceitável nas duas bandas. Um corredor, a parte mais ampla junto ao palco, mesa de mistura e "bar" no canto.

Como era noite de estreias, primeira vez que vi Kids Decay ao vivo. Se as bandas da No Way/Grave Mistake/Deranged circa 2005-2010 são a tua praia, esta banda faz-te voltar atrás no tempo. Aquele revival USHC mais punk que hoje terá sido substituído por outras influências e caiu no esquecimento de muitos, mas não de todos! Sei que a ideia da banda era fazer uma coisa à Government Warning, mas com uma voz que me lembra mais uns Cardiac Arrest - rouca. Uns preguinhos a mistura que com mais óleo não farão tanta mossa. Miúdos do skate a moshar que nem doidos, com Don Simon e as benditas médias de Cristal a tentar refrescar o interior, que no exterior não havia muito a fazer: caloooor.


Boa dica do Moleiro quanto à "cena morta", encorajando os novos a fazer algo novo e não ficando só à espera que sejam os do costume a fazer acontecer. Espero que essas palavras tenham feito efeitos no muitos miúdos novos presentes. Se chegou a um, está feito!

Sou sincero, conhecia muito mal Leftöver Crack, mas se há alturas em que ir às cegas a algo dá resultados positivos, esta foi uma delas.

Se conheces a banda sabes o que a casa gasta, se não sabes é mais ou menos isto: muitas vezes é ska, muitas vezes é punk, outras vezes tás a ouvir blast beats do demónio sendo que ainda havia uma malha que parecia black metal. Se curtes salada russa tás na boa, se és mais carne ou peixe (ou opção veggie) se calhar já vais torcer o nariz. Pá, os gajos tinham um teclado no palco, e de vez em quando o vocalista ia lá fazer umas coisas! E a voz do gajo...bom, eu já sabia que era assim mas é muita marada. Eu sou um bocado esquisito, mas quando a música é de festa (ainda que altamente politizada) e a festa tá montada, como negar o óbvio? Showzaço.


A cave estava super bom composta, tudo maluco, rapazes, raparigas, punks, skaters, tudo ao mosh, crowd surfs malucos, e sing alongs. O concerto durou pelo menos uma hora, ainda que com umas pausas aqui e ali, mas sem nunca deixarem a energia acalmar.

O único ponto negativo é fruto dessa festa toda. Se em cima disse que estava  "caloooor" agora tenho de dizer que estava um "CALOR DE MORTE!". A dada altura houve uma pausa técnica por motivos que me ultrapassaram em que disseram à malta para ir apanhar um bocado de ar, sendo que nem todos voltaram a descer. Antes já alguns guerreiros tinham abandonado a batalha que aquilo estava efetivamente quente (props Machado). Eu estive sempre quieto perto da parede, mas saí de lá a escorrer suor por todo o lado. Obrigado sauna grátis!


Merch forte, com quantidade e humor. Havia uns com uns gatos mascarados de índios que não atingi mas tasse bem. Não percebi foi a dica de vender LP's a 20€ (e o mais recente a 25€!), mas acredito que alguns vícios sejam caros...

Fica o convite ao pessoal para ir à Disgraça, seja para ir a concertos ou não. Bom spot que tem sido pouco aproveitado pelos visitantes, não obstante o esforço da equipa local em dinamizá-lo. Faço a minha mea culpa também, mas o potencial está lá todo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

News Flash: junho 2017

Em maio houve descanso, mas um junho abrasador pede banda sonora a condizer. Confiram aí as novidades de discos, concertos e afins.


The New York Hardcore Chronicles


Fruto de alguns aninhos de trabalho (lembro-me de ouvir falar nisto pelo menos à três/quatro), já está finalmente disponível o documentário sobre a cena nova-iorquina realizado pelo Drew Stone de Antidote. Qual a melhor forma de conhecer algo do que por as pessoas que o viveram a falar disso? Desejoso de ver este filme!

Roger Miret - My Riot: Agnostic Front, Grit, Guts & Glory


A moda pegou, e começam a surgir mais memórias escritas (ou ditadas) sobre o que era viver o hardcore na sua génese. Desta feita é o Roger de AF que acaba de editar um livro sobre a sua vida nas ruas de Nova Iorque. Mesmo que não seja para ler aposto que manda granda pausa na estante. E eu que ainda não acabei o livro do Harley, pá!

Salad Days Podcast


Provavelmente a coisa mais fixe a aparecer na cena nacional no último par de anos. O David dá voz a velhas e novas personagens, sempre com histórias e factos fixes. Já vai no episódio #7, por isso se andas a dormir é bom que acordes para a vida! Episódios novos a cada quinze dias.

Novos Lançamentos


Open Your Eyes - Building A Better World Demo CS 2017 - Vou ter de roubar a descrição que o André deu, porque não dá para suplantar: banda com "elenco mesmo à Mercenários", tamanho o lineup de estrelas do core. Ora vejamos, Crucial John (GIVE) na voz, Connor de Protester na bateria, CC (Mental, No Tolerance, all things BHC) e Ian Marshall (GIVE) nas guitarras e a fechar Doug Free (GIVE, No Tolerance, WW4...) no baixo. A demo já saiu mas está difícil cair na net, mas o que vale é que um gajo tem amigos com connects cruciais e já escutei 5 das 7 faixas. The edge hasn't gone dull! LP já a ser fabricado, que é para a coisa nem arrefecer!

Mil-Spec - When The Fever Broke...Promo CS - Promo do novo disco que irá sair em breve. O André e o Fábio dizem que esse disco vai devolver a Lockin' Out Records à ribalta. Espero que sim. Musicalidade um bocado diferente da demo, quero ver esse disco para tirar conclusões.

Agression Pact - Instant Execution EP - Daqueles discos que eram esperados com alguma ansiedade, este era daqueles que se sabia que não iam desapontar. E obviamente não desapontou. Obrigado aos Ottawan pela dica, isto é D.I.S.C.O.

Diztort - Demo CS 2017 - This is Diztort, mas não é Distort Japan. Riffalhada interessante, vale os 9:03 minutos.


Stand Point - Demo CS 2017 - Arranjar nomes originais para bandas hardcore nem sempre é fácil. O cliché é ir roubar nomes de música ou "ideias gerais" por trás das mesmas, mas estes gajos claramente não estão a par da cena caldense. Ao menos deram um espaço para a rapaziada distinguir as coisas no Discogs. Mas falando do que interessa, o Tom Pimlott ficou com demasiado tempo livre com o fim dos Violent Reaction (mesmo tendo mais uma data de bandas ativas), e desta vez quis fazer uma roubadíssima a Uniform Choice e à cena de Orange County: objectivo (bem) atingido.

Incendiary - Thousand Mile Stare LP- O mais recente LP dos rapazes de Long Island vem contestar a dica que "mais do mesmo" é algo chato ou mau. Peso com conteúdo. Riffs com mensagem. Disco sólido, que merece muita atenção. Das bandas atuais que mais gostava de ver ao vivo. A Juicy Records tem cópias deste disco e dos anteriores.

Fit For Abuse - Too Little To Late EP - Depois de julgada perdida no tempo, foi encontrada a master tape que foi utilizada para o EP Mindless Violence, em 96. Nessa tape estavam mais cinco faixas, agora editadas pela Painkiller numa press única de 500 cópias. Boston meat and potatoes hardcore misturada com aquela rudeza à Necros. Vou ter algumas cópias na distro brevemente, a par do "Psycho Ray Sessions" 7" que saiu ao mesmo tempo.

Concertos


Estreia dos Leftöver Crack em Portugal. Punk rock político na lendária Fat Wreck Records do Fat Mike. HOJE, com Kids Decay a abrir.


E o próximo fim de semana promete ser duro, muito duro. Duro na carteira, nos ouvidos e nas canelas. Os Ratos de Porão tomaram-lhe o gosto e têm-nos visitado com alguma frequência - sábado tocam no RCA. No dia seguinte a festa desloca-se para uns quilómetros mais a sul, e no Cine Teatro em Corroios os Suicidal Tendencies regressam, com CJ Ramone, Reality Slap e 31 a abrir. Meses e meses à fome de concertos, e de repente é avalanche de shows.