quinta-feira, 8 de novembro de 2012

News Flash: outubro 2012

Mini apanhado das novidades da cena nacional, uma cena quase tão rápida como o tempo que o Jeffrén aguenta em campo sem se lesionar. Provavelmente faltarão coisas, mas não temos estagiários para por a trabalhar 24 horas por dia.


Okei, deixa lá ver se a memória não me prega muitas partidas mas seguem aí umas coisas novas. Começando de trás para a frente, os PxHxT já têm aí uma malha nova para escuta, preview do novo disco que está para sair em breve. Concerto de apresentação com SHAPE e os horríveis Deez Nuts dia 23.

Os miúdos One Last Struggle já disponibilizaram duas músicas que deverão aparecer na sua demo, que há de ver a luz do dia não sei quando, mas certamente um dia. Se curtes Verse e letras com sentimento e sobre temas importantes, vai lá dar uma escutada.

Os For The Glory já têm disponíveis o Picture Disc do Some Kids Have No Face e o split com os World Eater. Demorou mas foi! Ah, e já têm um bigcartel todo chique para atingirem os estrangeiros todos. Sweater em breve? Com o frio a começar a apertar? Ai não!

Oh, tão aí a aparecer os novos Step Forward em Portugal. Pelo menos é assim que me foram apresentados, vamos lá ver. Por falar em Step Forward, ainda não foi este mês que saiu a entrevista a StepBack!, mas está mais que prometida e será o mais breve possível. (e fica aqui o pedido de desculpas público ao Nuno...).

Os A Thousand Words estão a ultimar as malas para partirem rumo à sua primeira tour europeia (com esta nova formação e sonoridade), sendo que julgo que já têm praticamente todas as datas asseguradas. Boa sorte e que espalhem magia pela Europa, tipo Sporting com o Peseiro (mas com um final mais feliz). O Edgar também vai como roadie? Ui, que equipa de quebra corações que vai partir estrada afora...

Leram a entrevista aos Circle Jerks do Porto? Não? Foda-se, anda aqui um gajo a escrever coisas lindas e vocês a dormir? Estou fodido. Yo, acordem aí para os Shitmouth sff. Miúdos que não tem idade para beber na maioria dos estados dos EUA. Mas como isto é a tuga, é logo sopa de cavalo cansado para um acordar feliz.

Mais o quê...SHAPE vão lançar uma cena nova, acho que tipo compilação de tudo e mais umas coisas novas (nem sei bem se é isto, mas é parecido). O novo ep de Revengeance está aí quase a partir, cortesia da Ruins Record. Vinil? Oh, for sure.

E bandas hardcore novas? Tá quieto né. Deixem lá o tumblr e essas merdas e façam lá umas bandas. E façam umas zines caralho, que um gajo quer ler umas coisas também. Ler e escrever é fixe e não é a mandar sms que se chega ao Nobel da Literatura. E também podem começar por ouvir cenas de jeito, já era um primeiro passo bem importante. Mais acção, menos "vamos lançar este disco em memória do Zé Miguel que se espetou contra uma árvore a andar de mota". Yeah, I said it.

Se se lembrarem de mais alguma cena podem sempre comentar ou ir ao Facebook dizer que somos uns cafagestes. Sem vergonha.


Compram discos e assim? Sim? Força nisso. Não? Eu sei que a economia é fodida, mas é melhor que tabaco.

A BACKWASH teve umas cenas, voou quase tudo. Sobra uma cópia do 7" com a demo de Friend or Foe. Bueda merdas a chegar da Carry The Weight que já estão na tuga mas que ainda não vieram para o armazém. Novo disco de Survival encomendado. Mais merdas no futuro.

A Juicy prepara uma mega encomenda que está presa por um pequeno detalhe. Dica: banda favorita do Rafael Madeira depois de Youth of Today. Ou antes, já não sei bem.

A Destroy It Yourself recebeu mil cenas, como é costume. A malta quase nunca está acerca mas o Boris meteu aí pelo Facebook uma lista com o que tem disponível. Check it (confiram aí se dá para ver).




Este mês começou logo com uma data de concertos cancelados, por motivos diversos. É foda, mas é uma cena que acontece. Segundo a minha (mais ou menos) intensa pesquisa este mês vai ser bem sossegado, 5 shows? Opa, corrijam-me se estiver enganado! Não se preocupem, Dezembro vai ser mais agitado, pelo que não há desculpa para não pouparem uns trocos.

Última data de For The Glory em 2012 será em Portimão, no Marginália, dia 17 de Novembro com SHAPE, The New Blood e Solace. Algarve ainda está no mapa? Aqui está um bom teste.

No mesmo dia no Porto há Revengeance, Lifedeceiver, Misantropia, One Last Struggle, Cruel Mind e Shitmouth. Cartaz recheado eh? Parece um festival de Verão. Só não apanhas preços exorbitantes e bimbalhada festivaleira.

E para a zona de Lisboa não ficar a chuchar no dedo, há show na Margem Sul com Last Hope, Steal Your Crown e Aliança Vella, no Ponto de Encontro. MSHC. Ai não.

Bom, já disse que os ATW vão em tour né? Pronto, para começar data em Lisboa com Lifedeceiver, Northern Blue e One Last Struggle, dia 21 de Novembro. Ya, SHAPE já não toca. Bar da AE do Técnico? Novos spots, power! A partir daí vão andar a passear pela Europa. Espanha, França, tudo!

SHAPE tocam sim dois dias depois, com PxHxT e os australianos do estilo máximo e conteúdo mínimo. Dia 23 no Ritz, 15 barras.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Darby Responde #5 - Machine Head

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Como é pessoal, tudo bem? O meu nome é Carlos e estou-vos a escrever desde a Póvoa do Varzim. Aposto que estão sempre a ouvir isto, mas parabéns pela iniciativa e esforço, é bom haver alguém que se mexa para fazer a nossa cena mexer. Eu mesmo faço uma pequena fanzine/newsletter que costumo distribuir nos concertos a que vou (não muitos, infelizmente). Gostei principalmente da nova coluna sobre as receitas, nunca tinha associado hardcore a comida e achei mesmo brutal.

Estou-vos a escrever para desabafar um pouco. Já há muito tempo que oiço hardcore e metal - são os dois estilos que mais oiço. Como sei que vocês partilham do mesmo gosto que eu, queria saber se concordam que os dois primeiros discos de Machine Head são largamente underrated (à falta de palavra melhor) e, pior ainda, copiados. Sou fã deles desde o fim dos anos 90 e mesmo desde essa altura que o acho, uma vez que poucos amigos pareciam sentir por eles o mesmo que eles. Mais que uma resposta, procuro a vossa opinião para ver se estou maluco ou não. Obrigado mais uma vez pela iniciativa e continuem o bom trabalho!

Carlos Jorge Azevedo - Póvoa do Varzim

Olá Carlos! Ainda bem que tens curtido daquilo que estamos a fazer, nunca é demais receber bom feedback. Parabéns pela zine, era bem fixe se nos pudesses mandar uma cópia para podermos devorar. Não há nada como uma zine fresquinha em português para nos deixar bem molhadinhos, sabes bem! Espero que continues com isso e, se precisares de ajudar a promover, já sabes que podes contar connosco. Em relação às receitas, fico contente por teres gostado. Os miúdos do blog fazem um esforço tremendo para o manter e nós achámos que não ia fazer mal nenhum colaborar com eles. Afinal de contas, ser vegetariano é bem mais hardcore do que comer carne!

Quanto a Machine Head... bom, eu não o teria dito melhor. Ainda me lembro da primeira vez que o vi o clip da Davidian (com os cães e o cabelo comprido... tão pesado) naquele programa da MTV que tinha uma loiraça nórdica bem tesuda, sabes? Foi amor à primeira audição. Curiosamente, a parte do fim dessa malha já foi roubada um bom colhão de vezes por bandas de "metalcore" ou "beatdown". Descanso à minha cabeça por favor, é que não há paciência! Mas sim, ainda que peculiar, todo o disco é brutal e bem variado. O segundo também, nem é preciso mencionar a Ten Ton Hammer, ou é? Que jardância mais filha da puta. Concordo que haja pouca gente que os tenha na lista de bandas top (mesmo antes de sair aquele disco com a cover de Police já era assim), mas acho que não há nada a fazer em relação. Real recognise real, certo? Bons headbangs! Let freedom ring with a shotgun blast!

Darby

Discos Trocados: Train Of Thought/Sickoids

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

Tiago
Train Of Thought - Bliss (1995)

Já disse que metalcore é o meu calcanhar de Aquiles no que a hardcore diz respeito, certo? Epa, podia começar logo a dizer que não gostei nada do disco. Podia, mas acho que vou deixar essa apreciação para o final deste pequeno texto. Opa, chugchug à 90's com uma vozinha clean aqui e ali que me arrepia os pêlos do sovaco e me faz correr para o rato para mandar granda next. A sério, quando aparece o bacano a cantar a meio do disco matou-me logo. Parece que isto tem malta de Bulldoze, mas o som é beeem diferente. Ainda assim, tens breakdowns para rodar o braço, se for teu agrado e as tuas articulações o permitirem.

Mas e essa capa? Coisa linda né? Acho que nem era preciso mudar as letras (a font também pode ser a mesma) passa bem por uma brochura da Igreja Universal do Reino de Deus. Digam lá que não ficava granda power a gaivotazinha dentro do coração na ponta esquerda? Ya, fala o crítico do design que nem mexer no Paint sabe...

Com esta conversa toda esqueci-me de dizer que não achei muita piada ao disco. Mas sabem como sou um esquesito. Dêem a chance que talvez vos saia algo bom na rifa.

André
Sickoids - Sickoids LP (2012)

Acho que já tinha falado aí do efeito "agarrado pelas bolas" não já? Quando ouves uma banda e sentes, muito de repente, que alguém pegou num martelo e te pregou os cojones à parede a sangue frio. Adoro essa sensação. Nos dois sentidos? Quem sabe...! Anyway, esta banda não é má de todo, mas acho que não me apanharia a ouvir este disco em casa, sabem? Eu normalmente meço as bandas assim: será que aguentava ir em tour com eles e vê-los todas as noites? Hm... não sei. Há aí muito potencial para loucura em palco e não sei que mais. Na volta até são grandas bacanões. Há bué bandas que não valem um caralho mas a malta é bué fixe. Não é o caso. Não sei, se calhar até é.

But I digress, é punk hardcore rápido com uma produção de merda propositada e muita loucura à mistura. Estas bandas que não me seguram pelos colhões acabam por surtir sempre o mesmo efeito em mim: mandarem-me de cabeça para outra bandaça na minha playlist, neste caso os almighty Gang Green e as suas malhas do This Is Boston Not LA. É porque não fui buscar o agrafador para agrafar as bolas à almofada. Kill a commie, kill a commie, I don't wanna die!! Adoro.

O Baú do Congas: 100 Surrados + Get Lost + For The Glory no Algarve

Um cartaz dá sempre azo a mil histórias, isso é algo que felizmente nunca irá mudar. Quem melhor que o Congas para lembrar de algumas que aconteceram em concertos de For The Glory? Se estiveram lá não se esqueçam de deixar um comentário.


Quando me passaram este cartaz, devo dizer que não me veio logo à cabeça o concerto em questão... e sinceramente só me lembro muito vagamente dele. Não houve possivelmente nada neste dia que me tenha marcado de uma maneira ou de outra. Há datas assim, aquelas que infelizmente não têm nenhum episódio daqueles mesmo marcantes. No entanto, lembro-me que este concerto foi na Ass. Musicos de Faro, no primeiro andar daquela sala, o que é deveras perigoso, porque nem quero imaginar no dia em que alguém se mandar daquela varanda abaixo, vai ser um ganda trinta e um!

Neste concerto tocámos sem baixo, o Rui por alguma razão não pode ir, e acabámos por ir tocar a Faro sem baixo, tocámos com duas guitarras e bateria. Na altura o Miguel e o Poli estavam na banda, por isso simplesmente tinhamos de sair de Lisboa para baixo eu e o Sérgio. Mas é curioso que antigamente a malta de Lisboa viajava bué para concertos, olhando para esta data do passado lembro-me que o Tiago Tofu, o Leandro Afonso, o Pedro Gémeo, o Luis, Nuno Mota, Ricardo Bananas... tanta gente que ia cá de cima ver shows a qualquer lado. A crew era basicamente sempre a mesma, mas as viagens eram sempre divertidas. "O autocarro não vem hoje", right? ;)

Os Get Lost foram um projecto fugaz da malta do costume do algarve, a crew edge de faro, eram sempre os mesmos em mil projectos diferentes.Talvez a banda lá debaixo deles que soava a algo mais moderno na onda de uns American Nightmare. Infelizmente ultimamente esta malta de Faro tem estado mais parada. Tirando o Ludgero que toca nos A Thousand Words (ganda bandaaaa). Os 100 Surrados, eram um tributo à maneira aos miticos Censurados, era sempre fixe um gajo cantarolar uns clássicos! Good old times... haha!

Agora em nota de desabafo: De há uns anos para cá o Algarve começou a ser um pouco mais fraco para For The Glory, não sei bem porquê, mas noto isso. Possivelmente é a minha cabeça a bater mal, mas por exemplo em Portimão sempre correu tudo muito fixe, Faro é que tem caído um pouco para nós, talvez tenhamos tocado muitas vezes aí, ou talvez não tenhamos ido o suficiente para cativar os miudos, ou por alguma razão o hardcore deixou de ser cool e as pessoas bazaram todas para outras cenas!
A verdade é que tem sido mais fraco, mas nestes tempos aquilo era um trinta e um mesmo à antiga.
Dia 17 For The Glory volta ao Algarve, a Portimão. Vamos ver como vai ser, espero que seja fixe e que as pessoas voltem a acreditar no core aí em baixo. No Algarve sempre houve um legado forte de bandas de core, não deixem as cenas morrer!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Review: Goodlife Fest 2012 (Bélgica)



A corrida contra o tempo não começou até saírmos do barco em Calais, com cerca de uma hora e pouco para chegarmos à sala do concerto de forma a ainda apanhar o concerto de Crawlspace desde o início - tarefa que nos estava a fazer todos engolir a seco. A viagem acabou por se fazer bem e mais rapidamente que o tempo previsto, só complicando na chegada a Kortrijk quando nos apercebemos que ninguém tinha trazido a morada da sala do concerto. Eventualmente, pedindo indicações aqui e ali e um telefonema depois lá a encontrámos - o clima no carro estava tenso, mas bastou ver a sala, estacionar o carro e sair para o frio para voltar tudo ao normal.

Chegámos a duas músicas do fim do concerto de Crawlspace. A sala não aparentava estar completamente cheia, pelo menos o dance floor estava relativamente aberto e com espaço. A primeira malha que eles tocaram era do disco novo, por isso fiquei só cá atrás a apreciar enquanto saboreava o pouco movimento que havia no pit. A segunda não era uma nova e eu não resistir a me mandar lá para o meio também assim que soou a parte lenta. O que seguiu foi um episódio reminescente daquele que me aconteceu no primeiro concerto de For The Glory, onde levei um soco na intro e fiquei logo a sangrar do nariz, tendo que ir à casa de banho deixar o sangue antes de voltar para mais acção. Claro que desta vez não ouve casa de banho. Nem intro. Simplesmente levei com um punho vindo do nada - como normalmente acontece neste tipo de concertos - que me abriu um senhor rasgão no lábio. Felizmente foi fora o suficiente para eu poder enfiar essa parte do lábio na boca e continuar o que estava a fazer, mas confesso que a única coisa que me passava pela cabeça era se teria de levar pontos ou não: algo que não me estava nada a apetecer. Nada.

Findo o concerto fui até à casa de banho ver ao espelho quão grande era o dano e... não fiquei de todo confortado. O golpe (em três sítios) era aquilo que os ingleses chamariam de nasty. Creio que mais um bocadinho e não me tinha safado dos pontos. Lá passei a boca por água, cuspi o sangue e voltei para dentro à procura deles, que entretanto tinham desaparecido. Fomos para o lado do palco e vimos daí o concerto de Six Ft Ditch. Quer dizer, o Nuno e o Leo bazaram passado duas ou três músicas, mas eu e o Tofu ficámos lá até ao fim. Estava muito calor na sala e eu estava meio desconfortável, tanto do lábio como do casacão de Inverno. O concerto foi ok, nada de especial. O vocalista, para além de falar um inglês bem estranho e imperceptível, deve ser daqueles que acorda todos os dias e chora por não ter nascido nos Estados Unidos. A sério... Rapper do ghetto só a dizer lixo atrás de lixo não estava a dar. Na boa, eu por acaso até curto as malhas por isso estava a curtir o concerto, embora o pit estivesse fraquinho. Havia movimento aqui e ali, mas não passou disso. A última malha era uma cover da intro de SOD e eu e o Tofu aproveitámos a deixa para irmos lá para cima ter com eles.

O andar de cima do JOC (um centro para jovens - muito comum naqueles lados da Europa) era onde estava a comida (que já tinha acabado por aquela altura, deixando-nos sem grandes opções) e o merch. O Leo conhecia lá o mano vocalista de uma banda francesa e foi mesmo a ele que acabámos por perguntar se não sabia de alguém que nos orientasse sítio para dormir. Ele conferiu com um miúdo que disse logo que sim, que era na boa. Safos. Depois de estarmos lá um pouco na galhofa, descemos para ver Congress. Eles estavam um pouco desapontados porque, aparentemente, umas semanas antes os Congress confirmaram que o vocalista original (o Pierre) não iria estar lá, sendo substituído pelo de Sektor. Eu estava naquela, excitava-me mais ver o Josh que o Pierre, mas pronto.

Por esta altura a sala estava bem cheia e os Congress estavam no palco a fazer soundcheck. Todos vestidos como se tivessem vindo agora de casa, sem grandes preocupações ou manias. Só percebi passado algum tempo que era o UJ no baixo, agora de cabelo rapado...! Estranho, muito estranho. Mas boa onda, claro! O concerto em si foi fixe, tocaram muitas músicas que adoro e muitas que me são completamente indiferentes (não percebi bem o critério na escolha, para além de escolherem apenas músicas dos primeiros discos). A acção no pit não foi tão espectacular como da primeira vez que os vi, há muitas (muitas!) luas atrás. O chão estava molhado, a maioria do pessoal que lá andava era miudagem que só se sabe mexer em partes paradas. Matou um bocado o feeling que podia ter feito deste um concerto memorável. Não foi mau, foi bom, mas faltou-lhe ali qualquer coisa. Claro que dadas as circunstâncias e tendo em conta que o tipo de Sektor não sabia metade das letras, o meu foco foi directamente para o Josh, o meu Iommi do hardcore. Muito headbang foi feito naquele set. Ainda representei bom mosh à 2002 com o lábio enfiado para dentro da boca, mas foi por aí que fiquei. O Nuno e o Leo andaram lá mais activos, mas passado um pouco estávamos todos na base do headbang. Na descontra. No final a opinião em relação ao concerto era unânime: mixed feelings, como se diz por aqui.

O miúdo com quem íamos ficar acabou por nos despachar para outro miúdo, que já ia ficar com os Alea Jacta Est, sem stress. Antes de ir dormir (o concerto acabou cedo, perto das dez da noite) eles ainda queriam ir a um bar e nós, claro, não podíamos dizer que não. Sorte tínhamos em ter arranjado sítio para ficar. Quando chegámos ao bar, rapidamente percebemos que o melhor era irmos comer calmamente e depois voltar para lá, na esperança que eles já se quisessem ir embora. Depois de uma curta paragem para o Tofu levantar dinheiro, fomos a um pequeno snack-bar (AKA frituur) chamado Chaplin, onde devorámos uma maravilhosa refeição. Eu optei por panados de queijo, tubos de mozzarella, batatas fritas com mayo e um Coca-Cola, os meus camaradas optaram por pratos com carne, claro! Estava bom, estava muito bom. Esta óptimo, e não estou a exagerar. Comer esse tipo de comida com garfo e faca por causa do golpe no lábio? Não tão fixe.


Isto é apenas um excerto da review à road trip (a parte do concerto, claro), se quiseres ler a aventura completa clica aqui. Não te vais arrepender. Já agora, perdi o meu gorro de For The Glory (o do Est. 2003) nesta viagem, se alguém tiver um que não use, por favor entre em contacto! 

domingo, 4 de novembro de 2012

Playlist da Semana #18

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Congress - Euridium - Mixed feelings em relação ao concerto como um todo (ter fodido o lábio todo na primeira malha de Crawlspace que vi não ajudou), mas é inegável que ao vivo é uma jarda de outro mundo. Sim, metalcore à antiga. Mesmo do karga nisso, mais pesado e era um camião TIR. É porque não sabes.

Ringworm - The Venomous Grand Design - Novidade que adoro Ringworm? Nop. O meu ombro não mente. O Nuno já me tinha dito há algum tempo que devia prestar mais atenção a este "disco novo"  (para mim, que ele já saiu em 2007) uma vez que me tinha passado meio ao lado. Será que o Nuno tinha razão? Sim, claro. Ainda lhe bati aí uns bons repeats. Não é nenhum dos discos que saiu antes, mas também não lhes fica atrás. Tipo... banda de metalcore mais sólida de sempre? Admirem-se.

Stout - Stout - Não, esta semana não saí da pasta do metalcore, lol. E agora? Vão-me despedir, é? Stout é das bandas mais fodidas que existem. Mesmo a sério. Negão gigante a berrar? Check. Som bem tirado a Sheer Terror, mas com partes do diabrete atómico? Check. Risadas loucas antes de partes demoníacas? Check. Pronto, está feita a festa. Eu vou ser um bacano e deixar aí um cheirinho para a malta: http://www.youtube.com/watch?v=bMDGkN2_co4. Depois digam que foi falta de estudo quando vos perguntarem e vocês não conhecerem. DON'T MAKE ME DO THIS!

White Zombie - Astro-Creep: 2000 - Man, eu e os White Zombie já é desde os vídeos daquela miúda tesuda que apresentava o Superock na MTV (a loiraça nórdica). Não sei, há ali qualquer coisa de muito sujo nas guitarras, na voz do gajo e nos sintetizadores. O disco tem pontos altos e baixos, mas é sempre uma viagem diabólica até ao ponto mais quente do inferno. Oiçam alto.

Venom - Black Metal - Nem sei bem como é que fui parar a Venom, se calhar foi por o W estar mesmo ao lado do V no iTunes? Possível. Curto bué. Não? Fogo, é lindo. Claro que há aquela pitalhada toda que só ouve Venom por causa das t-shirts, para dizer que é cool e para mandar o palpite que foram eles que inventaram o black metal quando surge o tópico numa conversa com os amigos, mas para além disso isto é uma pastilha bem boa. Eu digo que não anda muito longe daquilo que os Motörhead faziam na altura, um mais rock, outro mais metal...! Mas hey, opiniões. Não vou pregar a convertidos. Lay down your soul to the gods rock n roll. Ai não.


Wiccans - Field II - A semana passada falei-vos na Katorga por causa de Hounds of Hate, esta semana saquei o novo LP de Wiccans, e não podia ter ficado mais satisfeito. Talvez meio reminiscente de Fucked Up quando ainda não era demasiado frito ou Deep Sleep e esse tipo de bandas de há um par de anos que habitaram a Deranged ou a Grave Mistake. Partes rápidas e raivosas, partes lentas, riffs meio psicadélicos aqui e ali. Valeu uns repeats durante a semana. 

Straight Ahead - Breakaway - Fala a sério, isto é clássico com c grande. Estava aqui a tentar dizer qual é a minha faixa do disco e talvez seja mesmo a Breakaway pela forma como o gajo canta aquilo, as mudanças de velocidade partem-me todo. Ya, a Straight Ahead ou a Fountain of Youth são grandas malhas, mas não têm essa singularidade. Faz falta pessoal a ouvir estas coisas. Mais disto, menos merda. 

Cheetah Chrome Motherfuckers -  Furious Party - Provavelmente não é o melhor registo de CCM, mas foi a este que fui parar meio por acaso. Hardcore italiano dos 80s raivoso e caótico, produção ultra-mega manhosa, gravada num daqueles gravadores de cassete mesmo do ruído máximo.  Daquelas malhas que te dão vontade de esmurrar alguém. 

Sean Price - Mic Tyson - Curto bué o Sean Price, o gajo nunca desaponta e o novo disco obviamente que não, ainda que tenha chegado com uma data de meses de atraso. Acho que o gajo sozinho consegue por o nome da Duckdown no mapa do hiphop, ainda que a editora esteja recheada de bons lançamentos e artistas. O barbudo de Brooklyn destila rimas em quinze faixas com produções de Alchemist, Evidence e Stu Bandas, entre outros. Aquele feeling sujo old school sempre presente, granda disco. Fica aí o cheirinho.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Os Putos na Cozinha #1

Sejas tu ou não vegetariano/vegan, de quinze em quinze dias, a malta do blog Veg Youth apresenta-nos um menu completo para que vocês aí em casa, com maior ou menor regularidade, façam aí uns pitéus sem produtos de origem animal. Há cena melhor que brincar na cozinha? É capaz de haver, mas está decididamente no meu top. Não conhecem o blog? Não só dão receitas ao nível do Goucha quando ainda estava na RTP como fazem reviews a produtos e partilham dicas. É o que se quer né, miúdos a mexerem-se e a batalhar pelo que gostam! Do it!

O Veg Youth começou quando eu (Luís Silva) e o Luís Luz começámos a falar e a tirar dúvidas um ao outro relativamente ao vegetarianismo. Um dia propus ao Luís fazer um blog para miudos como nós que tivessem dúvidas relativamente a esta forma de estar na vida, e assim foi, arranjou-se um nome e foi só começar, uns dias mais tarde apareceu o Lourenço (com quem nenhum de nós falava) e perguntou se podia ajudar, e cá continua até hoje. O Veg Youth é isso mesmo, um blog de miúdos para miúdos que queiram conhecer e aprender algo mais...E já agora, o blog ésta aberto a quem quiser escrever sobre novos assuntos ou falar de novos produtos ou contar as suas receitas.  http://vegetarianyouth.blogspot.pt/


Entrada: 
Beringela frita 

Ingredientes:
- 1/2 limão
- Farinha de Grão
- Sal
- Cominhos
- 1 Beringela 
- Água
- Coentros

Corta-se a beringela e coloca-se de molho em água com sal, durante algum tempo para tirar a acidez. Num recipiente faz se uma mistura com a farinha de grão de bico, os cominhos, um pouco de sal, limão, água e os coentros cortados até ficar uma pasta lisa. Retira-se a beringela da água e mergulha se na pasta da farinha, para depois se colocar numa panela bem quente com óleo (previamente preparada). Deixar dourar e retira-se para um prato com papel, para escorrer o óleo todo. E está pronto a servir como entrada ou como acompanhamento.

Prato Principal: 
Migas à Alentejana 

Esta receita é um  classico prato Português, tradicional do alentejo, as migas. Mas desta vez com feijão frade, couve e espinafres.

Ingredientes: (para dois que comam pouco ou uma que coma muito) 
- 1 cebola
- 5 dentes de alho
- 1 + 1/2 pão com um dia ou mais
- Espinafres
- Coentros
- 3 folhas de couve
- Azeite
- Polpa de tomate
- 300 g de feijão frade
- Tempêros q.b. (alho em pó, sal, pimentão doce)

Deixar o pão de molho em água, enquanto se cortam os legumes. por a panela a ferver com azeite, e juntar a cebola cortada aos cubos pequenos. Deixar suar um pouco e juntar os dentes de alho, a couve e os espinafres todos cortados. Continuar a deixar suar um pouco mais e despejar o pão já hidratado e espremido (com pouca água). Mexer sempre bem e com força com a colher para criar uma ''pasta''. Quando estiver já mais homogéneo, junta-se a polpa de tomate, o feijão e os tempêros a gosto e os coentros para terminar. Deixar cozinhar mais um pouco e servir com salada ou outro acompanhamento, ou até mesmo sozinho!

Sobremesa: 
Sopa Seca 

Hoje vou falar da Sopa Seca. Muito conhecida aqui na minha terra, mas desconhecida no resto de Portugal. A Sopa Seca é uma sobremesa típica que era usada para aproveitar o pão velho antes que se estragásse. Lembro-me de comer isto desde sempre e só na semana passada, depois de pedir à minha mãe para a fazer é que percebi que era vegan, o que pode ajudar muita gente a surpreender a familia com algo típico ou simplesmente a usar o pão que já parece pedra.

Ingredientes:
- Pão velho partido em fatias
- Água a ferver
- Canela
- Açúcar 
- Casca de limão.

Aquecer a água até que ferva e depois fazer uma calda com a água, açúcar, canela e uma casca de limão. Passar bem as fatias de pão previamente cortadas pela calda e ir metendo dentro do recipiente que irão levar ao forno. Por cada camada de pão deitem uma bocado de açúcar e canela por cima. Depois é meter no forno até que o pão de cima fique torradinho. Fácil!