sexta-feira, 5 de junho de 2015

Review: Turnstile + Clean Break + SHAPE @ Rep. Música, Lisboa


Turnstile foi uma banda que pegou de estaca logo de início. Mas depois do segundo EP o hype tomou proporções fora do comum. Com membros de Trapped Under Ice e Mindset, traziam curriculum interessante, mas certamente poucos estariam a prever o salto gigantesco que a banda deu em tão pouco tempo.

O novo LP é um trabalho interessante com colagens a várias bandas dos anos 90 (RATM, Leeway,...) com a atitude de uns Bad Brains, banda que fazem questão de enaltecer seja pela cover que tocam seja pelas palavras que lhes dedicam sempre que o fazem.

Adiante. Na semana anterior tinha visto os Turnstile em Leeds, no que foi provavelmente dos melhores concertos que vi na vida. 1200 pessoas numa armazém para ver um show de hardcore? Tás craze! Saí de lá todo negro e com um corte no nariz que valeu boa história para contar no trabalho (“andaste à pancada, pá?”). Resumindo, as minhas espectativas para este concerto em Lisboa eram altas. Bastante altas.

Numa daquelas primeiras tardes de CALOR do ano há romaria até à República da Música. Não sei o que levou muitos a ficar em casa, se o apelo da praia se o desinteresse em geral (somos muita tolinhos…), mas estava a par do sossego nas reservas e pré-vendas, que sei que tornou os valentes que se aventuraram a marcar este show algo apreensivos.

Depois daquela conversinha da praxe cá fora altura de entrar, os SHAPE já faziam barulho. Sala dividida a meio, com aquele pano preto a dividir o bar da arena. Uma pena que não tenha sido possível fazer o concerto noutro sítio. A sala tem aqueles defeitos que todos lhe conhecemos, e um sítio mais pequeno, com o mesmo número de pessoas, tinha aumentado exponencialmente o fixe que estava para acontecer.

Já não estou bem acerca se os SHAPE já tinham o disco novo cá fora ou não (quem me manda escrever isto quase um mês depois?!) mas o set foi maioritariamente composto por malhas novas. Público morninho, algo pouco normal em concertos de SHAPE, mas deve ter sido do calor que amoleceu o pessoal. Sala ainda a meio gás, provavelmente muitos terão ficado lá fora a aproveitar uma qualquer bebida fresca a um preço mais apetecível. Perderem bom concerto, as usual.

A seguir tocou a rapaziada algarvia, Clean Break. Antes do set começar há instalação de pauzinhos de incenso nos monitores. Para criar ambiente… Vaticino que mais tarde ou mais cedo viram Hare Krishna e passam a soar a 108 ou a Shelter. O David já tem as beads…A banda tem rodagem e mesmo que muitos tenham ficado indiferentes ao youth crew que os algarvios tocam, há valor e escola. Cover de Stop & Think, Cro-Mags e aquela versão de Righteous Jams a abrir. Diz que está para haver novo disco e nova tour.

Para o bem e para o mal, grande parte do público estava ali à espera dos americanos. Sendo a única data na península ibérica houve uma trupe espanhola a descer até à nossa capital para os ver e tudo. E do norte. E do sul. Bom ver aqueles amigos “do core” que vês nestas ocasiões.

E Turnstile, sempre com a paleta habitual, presenteou-nos com a toalhinha habitual do Polo Bear, num branco imaculado, porque a estética também dá pontos. Pouco depois o concerto começava e a partir daqui foi caos na terra.

Se julgavam que o stage dive era uma arte perdida no nosso país ainda há esperança no mundo. Pena que muitos ainda não tenham percebido que se podem chegar ao palco e pelo caminha aproveitar para apanhar quem salta…No entanto surgiu nova categoria no campeonato do stage dive – o dive para a grade. Boa sorte à genitália de quem participou. Ainda houve direito a uma cabeça aberta e algumas pancadas nas colunas (aquilo também está ali um bocado baixo).

O Brandon já tinha dado a entender em Leeds que apesar de ser o vocalista não curte muito cantar, até porque aquilo cansa, pelo que o microfone fartou-se de viajar, principalmente pelas stage potatoes espanholas, que tiveram ali os seus minutos de fama. Isso e os outros cantores em potencia, que tiveram ali tempo e espaço de mostrar os seus dotes. E hooray para a falta de stage moshing.

A banda tem uma presença brutal e consegue pegar no público quando este começa a arrefecer. Basta começar o acorde de qualquer um dos “êxitos” e logo todos despertam. O suor escorria, quer nos americanos, quer no público. E nem era do calor que fazia lá fora.

Sem dúvida dos melhores concertos a ter acontecido nos últimos anos por estes lados, só tenho pena de quem não foi (será que tenho?). Momentos destes com mais frequência precisam-se. Aqueles concertos em que a malta desliga a ficha do bem comportado e solta a franga. Caga no penteado bonito que se pode estragar, na tshirt nova que se pode rasgar, no sapato limpinho que vai para o galheiro. Quando a malta vai a um concerto hardcore para fazer dele um concerto hardcore.

Props gigantes para os suspeitos do costume que fazem estas coisas acontecer. Que arriscam. Que não dormem. Que dão mais do que recebem. Hardcore for hardcore.

domingo, 3 de maio de 2015

Playlist da Semana #47

Oh snap, it's back! Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho. Esta semana o convidado foi o David Rosado (Clean Break, Pointing Finger, Broken Distance, Salad Days Records...). É porque não arranjamos convidados com bom gosto...


Title Fight - Hyperview - Gosto bué deste disco e deve ser o disco menos acessível deles. Parece que deitaram fora os pedais de distorção e compraram uma pedaleira de efeitos. Acho que é preciso ter cojones para fazer algo do genero. Sair da sua zona de conforto e tentar algo novo. Aceito que muita gente não vai gostar, mas é um bom disco. Chlorine é a melhor malha, Mrahc também fica no ouvido e também curto bué a Rose of Sharon, se calhar a malha que cola mais com as cenas antigas deles. Bom disco. Espero que não demorem muito a lançar o próximo.

Jimmy Eat World - Futures - Vai fazer 11 anos que este disco saiu e para mim quase que é o novo disco de JEW. Ouvi este disco vezes sem conta quando saiu e já não o ouvia há algum tempo. Não é tão bom como o Bleed American, é assim mais bonitinho e limado. Não há aqui arestas nenhumas. As malhas são quase todas orelhudas. Curto bué a Just Tonight, 23 e a Pain

Justice League - Shattered Dreams - Antes de haver Chain Of Strength houve Justice League. Se estão à espera do Superman, Batman, Wonder Woman e companhia estão enganados. Nota-se que este pessoal curtia a cena de DC dos late 80s. Quem está à espera de uma cena tipo Chain desengane-se. Agora uma cena mesmo à DC tipo Dag Nasty, Rites Of Spring ou as ultimas cenas de Uniform Choice força.

Hot Water Music - Exister - Fiquei colado quando este disco saiu em 2012. Acho que foi o disco que mais vezes ouvi nesse ano. É mais acessível que as primeiras cenas de HWM e é capaz de haver pessoal que não acha muita piada a esta fase de HWM, mas adoro este disco. State Of Grace, Mainline e Drag My Body... mas que malhas!

Token Entry - From Beneath The Streets - Nunca liguei muito a Token Entry. São uma banda clássica de NY dos 80s, mas simplesmente nunca mexeram muito comigo. Os discos são bons, mas não são brutais. As malhas são fixes, mas parece que não tem nenhuma que se destaque por ser burtal. E a malha mais conhecida nem está neste disco. Ainda assim deu-me para dar mais uma chance a Token Entry, quem sabe não é desta...


Higher Power - Demo 2015 - Curtem Leeway? Claro que sim. Ainda por cima agora está a bater bué. Obviamente o Reino Unido não dorme. Mas não dorme mesmo, deve andar tudo com insónias, e então fazem mil bandas. Mas bandas boas! E esta não é excepção. "Ah e tal, mas tem aquela vozinha". Claro que tem aquela vozinha, os gajos fizeram a banda porque queriam imitar a demo de Merauder com o Eddie Sutton. True story.

Concelead Blade - Demo 2015
- SSD, são vocês? Parece que não, mas podiam ser. Dêem-me disto todos os dias, se faz favor. Se gostam desta onda recente de revivalismos, têm aqui USHC à séria. Malta de Hounds of Hate.

Nasty - Shokka
- "A sério Tiago? A ouvir Nasty? Quem te viu e quem te vê". Sou sincero, desde que os vi ao vivo e que me dei ao trabalho de ir ver as letras a minha opinião de gajo que se estava a cagar porque "é beatdown, é merda" mudou um pouco. E para este novo disco meteram uns singles mais calminhos, se é que tal pode ser dito. Colei, e este disco está com malhas muito boas. Mas não pensem que isto agora é choradeira, não senhor, continua a ser Nasty. Música para andar à mocada feita por alemães gigantes que puxam ferro e têm uma marca de roupa desportiva. Para os descrentes vão ver as letras, podem meter em mute se vos fizer assim tanta confusão. Give credit to where it's due.

Foreseen - Helsinki Savagery - Malta que curte metaladas, crossover, thrash metal, abanar o capacete ao som de riffs do camandro, casacos de ganga carregados de patches E HARDCORE: este disco é para vocês. Que estaladão! Dos meus lançamentos favoritos do ano passado, este disco foi um homerun instantâneo. Riffs, riffs, riffs. Músicas boas que dói, rápido, e nota-se uma evolução brutal desde que os ouvi no split com Upright. A press europeia de 500 cópias esgotou num ápice, sendo que está para chegar a segunda press, num lançamento que também teve edição nos states. O mercado falou! Trivia: um dos primeiros designs de tshirt que fizeram foi um rip off de Gangstarr. Esses mesmo.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Review: Dirty Crown Fest III


Refeitos da noite anterior no RCA, era dia de ir a show de Survival e Insist, parte dois. Terceira edição do Dirty Crown Fest, celebração do excelente trabalho que se tem feito em Caldas da Rainha nos últimos anos no que diz respeito ao reavivar do hardcore na cidade, com bandas, concertos e o pessoal que conseguiram trazer para dentro da nossa pequena cena. Nunca é demais dar aquela palmadinha no ombro do Edgar, do Amador, do Ivo, e de todos os que numa cidade pequena, fora dos grandes centros conseguem criar algo a partir de nada.

A convocatória estava feita, viatura cheia com os suspeitos da noite anterior e o Félix que vinha em trânsito do sul, partimos cedo com o objectivo de chegar cedo. Ainda se meteu uma RDP África porque a noite nos tinha aberto o apetite, mas estava a dar um concerto qualquer chato ao vivo, pelo que rapidamente se passou para uma mixtape que tinha no carro. A mesma que roda há uns quatro anos. Internal Affairs, Bracewar, Agitator, Caught In A Crowd ("Olha só essa intro, mete para trás para ouvir outra vez!!!"), Expire e mais umas coisas. A viagem passou a voar. Tão rápido que estavamos nas Caldas quase uma hora antes...tempo para pit stop no supermercado que havia malta sem almoçar.

Depois de quarenta minutos no Jumbo, o Fábio lá saiu com um pacote de batatas e umas bolachas. Uau...seguimos para o Parqe que já estava na hora, mas aquilo atrasou-se ligeiramente deu para ficar na conversa com os ingleses, os locais, e os visitantes que já lá estavam. Estava a ficar um dia fixe, bom para os ingleses que continuavam a representar o calçonete todos satisfeitos e a tshirt.

Ainda não tinha visto xAIMx ao vivo. A banda tem o Ratão na voz, o Sarzedas na bateria, o Fausto no baixo e o Jorge na guitarra. Hardcore com aquelas guitarradas melódicas, cantam e falam sobre veganismo e straight edge.

Nestes dias há sempre aqueles momentos injustos em que trocas o concerto que acontece lá dentro para estares com as pessoas que raramente vês, falares de coisas que nem sempre falas, e estares a par do que vai acontecendo. O dia estava óptimo, o sol raiava e o parque em frente pedia um passeio. Não vi as três bandas que se seguiram (sorry Flávio, ainda não foi desta) pois estive a conversar sobre as novidades da Pool Party 2014, show de Turnstile, hypes no mundo (UKHC on top), que "faz tu mesmo" não é igual a "faz mal feito", dos paralelismos e disparidades entre a cena metal e a cena hardcore e de como podemos ser mais organizados e focados, e que o "punk é punk" não é desculpa para tudo.

Real talk.
Regressámos estava Nasty World a terminar, e nós já a aquecer para o concerto de Challenge. Infelizmente a casa estava longe de estar cheia. Infelizmente nos últimos tempos o número de show goers nas Caldas tem diminuido. Mas mais infeliz ainda é constatar que não é só lá...bem sei que não tenho ido aos concertos grandes, que têm estado à pinha, mas no resto...no resto é o que vocês sabem.

O Edgar cada vez mais é um tipo que dá gosto de ouvir falar. Sem conversa da treta, sem papas na língua, a colocar os pontos nos i's e se calhar mais importante ainda, sem ser chato. Mais uma vez, problemas que à primeira vista são locais facilmente espelham situações e mentalidades generalizadas. A banda meteu o público presente a cantar com um set parecido com o da noite anterior, misturando as músicas do disco novo com os clássicos habituais, com um coro local interessante. Houve animação na pista de dança, e fecharam com Floorpunch, as usual. Se alguém disser "ah e tal, e sempre assim" é porque é um burro. É Floorpunch. E o pior é não estar lá a roubar o microfone para berrar. Dedication is what you lack...

Bom, altura dos ingleses voltarem a mostrar-se, sempre com poucas palavras em palco (felizmente fora dele eram uns gajos porreiros e conversadores). "Olá somos os Insist de Manchester, obrigado ao Edgar e o Ricardo". HONESTYYYYYY!!!!!! Tum tururuntumtum. Era difícil fugir a um set diferente do da noite anterior tendo em conta o pequeno repertório que tinham na bagagem, mas foi mais ou menos parecido. O Roger tem uma presença do caraças, mesmo que tenha aqueles tiques mesmo à Ray Capo, ahaha. 10 minutos. Lusco fusco hardcore.

Ingleses a ser ingleses.
A seguir trocaram de instrumentos e já eram os Survival. O mini Mike Judge lá disse umas palavras naquele sotaque quase imperceptível, e lá começou o espetáculo. Por esta altura a sala estava bem animada. A banda também não inventou muito no que à setlist disse respeito, e foi na mesma linha da noite anterior. Aquele youth crew musculado, com uma pintarola do caneco. O Peter ficou impressionado, pelo que é coisa séria!

Para fechar For The Glory. For The Glory nas Caldas da Rainha faz-me recuar dois anos e reviver uma das melhores noites. Quem lá esteve sabe do que falo. Esta tarde ia ser diferente. Ainda que de início estivesse meio receoso com a falta de público e eventual "sossego" durante o concerto, rapidamente as coisas mudaram. Sem a violência saudável do evento anterior, a animação esteve lá, a boa onda esteve lá, a malta a cantar esteve lá. E quem mais se divertiu e mais animou o concerto foi a malta que lá estava que não é "da cena", que não é "do core". Malta mais velha, do metal ou do "nada-só-gosto-de-vir-a-um-concerto-e-curtir" foram quem fez o crowd surfing, moshou, fez moshar (pudera...) e acabou por ajudar a fechar em grande uma tarde de concertos. For The Glory foram For The Glory. Uma máquina bem oleada por anos na estrada, não há que enganar, não há como dar maus concertos. Cada vez mais também o Congas é uma voz importante na cena, pena que nem sempre se dê o devido valor às palavras que ele diz. E digo isto sem qualquer tipo de lambe-botismo, é só um granda stop and think.

Valeu a pena cada quilómetro (e não são assim tantos!) pelos concertos, pelo convívio e acaba por ser reconfortante saber que ainda há quem goste tanto disto, ou mais, que eu.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Review: Suburban Fest #1


Só três dias antes do concerto é que me decidi a ir. Andava com fezada para ser fanboy e seguir a os ingleses durante o fim de semana, mas mil coisas na cabeça e quando dou por mim estou completamente à toa, já é sábado e os moços já tinham andado a chillar por Lisboa com o Ricardo desde quinta-feira, nos mesmos sitios por onde tinha andado, pelo que não nos devemos ter cruzado por pouco.

Bom, fã assumido de Survival e Insist (Survival já tinha visto em Brighton o ano passado) esperava estes dias com aquela excitação habitual de quem não vai a um concerto há algum tempo e ia ver umas bandas que gosta. Para além disso já estava tudo combinado para ir no dia seguinte às Caldas para com amigos que não via ao tempo e que iam fazer umas centenas de quilómetros com o mesmo intuito que eu.

Cheguei ao show quase na hora de início e rapidamente encontro o Fábio, o André e o Ricardo, três dos meus comparsas de fim de semana hardcoriano. Aquela conversa de quem não se vê faz tempo, falar dos discos do momento e ultimar alguns apontamentos logísticos para o dia seguinte. Não sou o gajo mais falador nas redes sociais, pelo que troco cinquenta vezes o Facebook por estes tête-à-tête quadrangulares. Long story short: o disco de Agression Pact que saiu agora na Painkiller é o maior abuso.

Nunca tinha ao RCA e a sala mete respeito. Infelizmente grande demais para o pouco público que se encontrava em Alvalade quando os PUSH! começaram a tocar, tem um som do caraças e um espaço super fixe. E pelo que ouvi dizer as condições para as bandas são igualmente top notch. "Sala para concertos do metal...é outra coisa". Os PUSH! tinham tocado em Espanha no dia anterior, mas nem por isso com menos energia. Pilhas Duracell alcalinas sempre carregadas no máximo, suas só de os ver. Quem não suou muito foi o público, que não era muito mas que também não dizia ai nem ui. Vão gravar em breve novo disco, sendo que já há título e ideias a borbulhar.

O concerto de Challenge teve várias semelhanças com o de Push!. Pouca gente na sala (a rapaziada da Suburban já devia estar a fazer contas à vida), mas nem por isso com menos vontade. Apresentaram uma data de músicas do novo disco que lançaram pela Hellxis, os clássicos do costume (Make You Pay, This Is Real, Leave Me Alone...) e fecharam com aquela chave dourada que é a cover de Floorpunch. Até os ingleses branquelas saíram do canto e foram cantar todos satisfeitos.

Os Insist são uma banda de Manchester que lançou uma demo no verão do ano passado. Youth crew com genica, abriram com a Honesty de Youth Of Today. Malta de poucas palavras em palco, sotaque carregado, em dez, onze minutos metralharam hardcore bem tocado, com todas as músicas da demo (quatro) e ainda uma nova. A maré agitou-se. Havia vida nas três ou quatro dezenas de presentes. A forma abrupta como terminaram o set não é defeito, é feitio.

Ao contrário do que estava anunciado seguiram-se os Survival. Os Survival que são os Insist mas que alteram a formação. Entra o vocalista novo, o guitarrista vai para a bateria, o vocalista de Insist vai para a guitarra, e por aí adiante. Seis gajos, duas bandas. O Roger depois contou-me que no fundo são um grupo de 8 amigos que entre si têm uma data de bandas (Insist, Unjust, Survival e Headroom são as que me recordo dele ter falado). Até nós vireram seis. O vocalista é um mini Mike Judge, ou pelo menos as feições fazem-me lembrar o tipo. Ameaçaram cover de Judge no soundcheck mas foi só jajão. Tocaram nem vinte minutos, intercalando malhas dos dois últimos eps e uma da demo (Quick 2 Judge) que meteu o Fábio todo crazy. A malta lá se mexeu um bocado, sendo que foi pena mais uma vez o pouco número de presentes, sendo que nesta altura já estava um pouquinho melhor composto.

Esqueci-me de referir que é possível entrar e sair da sala, sendo que não se fuma dentro do RCA (!!!). Os intervalos foram portanto aproveitados para aquela converseta da praxe, sendo que rapidamente já estávamos em amena cavaqueira com os ingleses. Os tipos estavam cheios de fomeca, mas só se lembraram que queriam comer era quase meia-noite. Fomos à descoberta, Avenida da Igreja fora, mas obviamente estava tudo encerrado. "Lá os take-aways estão abertos até às 2h, e se for fim de semana é até às 6h! Sais à noite, e a seguir comes um kebab, uma pizza, ou algo assim". Tá bem filho, mas estás num bairro onde não se passa nada à noite, e aqui infelizmente poucos perceberam que a malta fica com uma traça do caraças quando sai para se embebedar.

Quando voltámos estava Providence a meio da última música, pelo que basicamente entrei e fui a tempo de ver o vocalista a atirar autocolantes do PSG ao ar. Não fazia questão de os ver, pelo que não chorei sobre leite derramado.

Já se fazia tarde, ainda fui por o Fábio ao Monte Abraão, a sentir uma granda RDP África às 2 horas da manhã antes de voltar a casa com o André que lá iria ficar hospedado.

Satisfeito mas com aquele amargo na boca. Mas era sábado, e no dia a seguir iamos até às Caldas rever os ingleses escaldados, rever Challenge a jogar em casa, e ver se o regresso de For The Glory seria tão bom ou melhor que a última fez (difícil...).

quinta-feira, 19 de março de 2015

Review: Danny Trejo + The Skrotes + Selfish + IAGM @ Parqe, Caldas da Rainha




Finalmente uma noite de shows nas Caldas em que podia ir ver tudo descansado. Tendo em conta que ia ter o último show de Skrotes, estava com vontade de ver como tudo ia correr. Além disso era o terceiro concerto que a Laranjeira estava a marcar, e queria ver se tudo corria bem!
Primeiro fui comer granda hamburguer veg para ganhar energias, depois lá segui com a Pipsy para o Parqe. Chegámos pelas 21h20, já estava algum pessoal à porta, mas literalmente só meia dúzia das Caldas. Óbvio que é sempre fixe chegar mais cedo, ver pessoal que não é habitual ver-se diariamente e meter conversa em dia. Era para começar tudo pelas 21h45, começou uns 5 min depois, por isso tá-se bem e é de louvar a pontualidade.

A primeira banda começou, mas não me vou alongar muito, parece que tava lá pessoal a curtir. A seguir veio I Am A Ghost Of Mars, só bateria e guitarra. Curto do som deles apesar de às vezes soar um pouco confuso para alguns, penso que por eles misturarem muitos estilos, mas eu curti, once again. Alguns problemas na guitarra, que podia estar mais alta, mas curto ver a energia deles e como tocam tudo, vê-se gosto em fazê-lo.
Dia 19 de Abril Selfish tocam nas Caldas no Dirty Crown Fest, e é daquelas bandas que já tinha ouvido falar bué bem, curtia do som deles em estúdio, mas que ainda não tinha ouvido ao vivo e estava curioso. Apesar de uma ou duas quedas do micro e os 20 seg de stress na guitarra, deram grande show. Acho que já faltava uma banda de punk como o que eles tocam em Portugal, e eles fazem-no bem. O baixista toca bué!

A seguir o motivo que realmente me fez ir ao show. Pela terceira e última vez nas Caldas, The Skrotes. É daquelas bandas que gosto tanto do som, como de qualquer um dos da banda. É uma pena acabarem, mas cada um sabe de si. Deram um show mesmo muito bom, com poucas paragens, a incentivarem ao circle pit, com voos do balcão do bar, sing along, sorrisos e muitas dores no corpo no final do concerto, mas que valeram em muito a pena.
Para acabar a noite, e mais de meia hora depois de Skrotes, vêm os Italianos Danny Trejo. Os Danny Trejo tocaram sem o vocalista que estava doente, tendo então o baixista a cargo da voz, com um dos guitarristas no baixo. E o vocalista esteve certinho e com uma presença brutal! Ainda conseguiram meter grande parte da sala a mexer praticamente todo o show, foi bom!
Pena só algumas pausas grandes entre bandas, mas acabou à 1h, ou seja, às horas que estava previsto. Pena também que dos 52 pagantes (é Caldas, um show com 52 pagantes é bué bom!) não creio que tenham estado muitos mais da própria cidade. Bom cartaz, bom preço, foi mais uma boa noite para o CRHC, para a Laranjeira e em breve há mais.

Review por Edgar de Barros (Challenge/Dirty Crown Bookings, CRHC HOF).

quinta-feira, 5 de março de 2015

Cinco Às Quintas: Harm Done

Às quinta-feiras, contem com uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda. Ou a alguém fixe o suficiente para aparecer aqui.

Esta semana, e ao fim de mil anos, nova entrevista, desta feita com os franceses Harm Done. Fiquem com as respostas do vocalista, o Alexis.



Conta-nos como é que os Harm Done começaram. Sei que alguns de vocês já tocavam juntos em Raw Justice. Porquê começar uma cena nova?

Na verdade tudo começou por brincadeira. Durante a primeira tour de Raw Justice no verão de 2013 fomos dormir/chillar para casa de um gajo depois de um show na Belgica. Ele mostrou-nos alguns discos e falou-nos de uma banda de Powerviolence chamada Sex Prisoner que nenhum de nós na altura conhecia e ficamos logo excitados da maneira como aquilo soava fixe. Então umas semanas depois da tour acabar eu e mais uns amigos, incluindo o baixista de Raw Justice, estávamos a ouvir novamente aquele disco de Sex Prisoner e olhamos uns para os outros e dissemos “bora fazer uma banda nesta onda”. Ligamos a dois amigos e passado uma hora tínhamos o line up pronto para começar a ensaiar. Sim, eu e o baixista tocávamos em Raw Justice (digo tocávamos porque a banda vai acabar. Vamos tocar o último show em Junho). Acho que naquela altura os dois guitarristas de RJ foram morar para Paris que fica a 4 horas de distância da nossa cidade. Nós raramente ensaiávamos por isso tínhamos a vontade de começar uma banda nova que pudesse ensaiar todas as semanas e também ao mesmo tempo queríamos tocar algo mais pesado, mais metálico.

Fico triste com essas noticias sobre RJ. Isso quer dizer que agora os Harm Done são a tua banda principal? O que é que editaram até agora e como tem sido o feedback que têm recebido?

Ya, é triste em relação aos RJ mas todos temos outras bandas e a distancia também não ajuda. Os Harm Done agora vão ser a minha banda principal. Até agora editamos um EP ao qual tivemos uma resposta super positiva, o pessoal de toda a França, Europa e até América parece que gostam. As 500 copias do EP estão quase esgotadas e já estamos a pensar fazer uma repress. Neste momento estamos a trabalhar no primeiro LP que deve estar pronto antes do final do ano. Já temos dois terços das malhas. Por fim devemos gravar uma promo tape para a nossa tour com 3 malhas que depois vão estar no LP mais duas covers.


É bom ver que se mantêm ocupados. Fala-me das letras de Harm done. Sentes que há uma diferença entre escrever letras para HD do que para RJ?

Sim, desde o inicio em que estava ao mesmo tempo em Harm Done e RJ senti que era diferente. Para começar as malhas de Harm Done são mais curtas, por isso tenho que resumir o conteúdo em poucos versos. As letras de RJ eram na minha opinião mais “clássicas”. Falavam de problemas sócias, Straight Edge (mesmo sendo eu o único membro sxe na banda) e cenas assim. As letras em Harm Done são mais pessoais, mais introspectivas. A maioria das malhas fala sobre desilusões amorosas e corações partidos. Na realidade somos uma banda que está sempre a falar de amor! Acho que senti que podia falar dessas coisas mais facilmente que em RJ porque a música é mais violenta. Pode parecer estranho mas é o que senti. Temos uma malha sobre anti-especicismo e mais uma vez sou o único Vegan na banda, mas o resto do pessoal não se importa que fale sobre isso. O resto fala como lido com a vida no geral, todas as questões que faço a mim próprio todos os dias em busca de respostas. Mesmo que as letras falem sobre a minha vida tento sempre escreve-las de modo a que toda a gente se consiga identificar com eles quando as estão a ler.

Como descreves a tua cena local? Podes falar-nos um pouco mais sobre ela? A ideia que eu tenho é que a cena em França sempre foi um pouco diferente do resto dos sítios, o pessoal sempre me curtir mais as bandas mais pesadas e mais tough guy e também sempre me pareceu que a cena screamo/alternativa ou como lhe queiras chamar era muito grande aí.

Para começar o Youth Crew nunca foi, é ou irá ser um hype em França. O que é uma pena. Tens razão, a maioria dos “frenchies” parece estar preso ao mau metal/hardcore dos anos 90 (sendo a influência numero 1 os All Out War e um grande número de bandas beatdown merdosas. Há algumas bandas novas fixes aqui e ali como por exemplo em Paris. Sobre a cena emo/screamo/indie parece que temos uma cena boa desde os anos 90, mas nunca liguei muito assim por isso não posso falar sobre ela. Mas sim, para confirmar aquilo que te disse, notei uma grande diferença entre os shows de RJ e Harm Done. Parece que as pessoas gostam muito mais de Harm Done por ser mais pesado e ter aqueles breakdown ignorantes. Invejo a cena no UK, eles têm as melhores bandas e os melhores shows na Europa neste momento.


OK, para acabar conta-nos quais os planos que têm para os Harm Done e onde é que podemos encontrar os vossos discos. Esse tipo de coisas.

Vamos fazer uma Tour Europeia de 2 semanas em Maio e iremos tocar em França, Belgica, Alemanha e Suécia. Depois lá para o verão devemos entrar em estúdio para gravar o nosso primeiro LP com o gajo que gravou o último EP de Raw Justice. Já estamos a pensar na próxima tour Europeia e gostávamos e ir à Alemanha do leste e à Polónia, Espanha, Portugal, Itália também seria muito fixe. O próximo passo será uma na América em 2016 que é algo que sempre gostava de ter feito com RJ mas nunca chegou a acontecer. Queremos tocar o maior número de shows que conseguirmos. A maneira mais fácil de adquirir os lançamentos de Harm done é através da loja da Straight & Alert (straightandalert.com). Também podem comprar o nosso primeiro EP na loja da Revelation Records nos USA, bem como noutras distros fixes espalhadas pela Europa.

*Bonus playlist*
Blacklisted - When People Grow, People Go
Xibalba - Hasta La Muerte
True Colors - Rush Of Hope
Shrapnel - Frenzied State
Mindset - Leave No Doubt 

Entrevista feita por David Rosado, aka Crucial Dave.

terça-feira, 3 de março de 2015

Review: Madball + Strife + Rise of the Northstar @ Rep. da Música, Lisboa


Para os mais desatentos, no passado dia 26 de Feveiro a Rebellion Tour passou por Lisboa, nomeadamente em Alvalade.

E para aquecer esta gelada quinta-feira, a HellXis trouxe-nos um rol de excelentes bandas: os nossos PUSH e Reality Slap, Backtrack, Rise of the Northstar, Strife and last but not least, os Madball.

A sala escolhida para as hostilidades foi a República da Música, nossa conhecida do costume.

Tratando-se de um dia de semana, só pude ir para o concerto após o meu turno de trabalho e para o meu espanto, já ia Backtrack a meio quando lá cheguei. Tendo chegado ao local de concertos cerca de 30/45 minutos após a hora de início, esperava ter chegado pelo menos a meio de Reality Slap para poder distribuir uma chapadinha ou outra mas infelizmente já não deu, o que me fez concluir que para além de ter começado a horas – o que já começa a ser costume (yay) - as bandas de abertura tiveram de dar um concerto relâmpago.

Acabei por ir ter com pessoal e entrei durante o intervalo onde, para meu espanto novamente, a casa estava à pinha. Quase tão cheia como os metros em Pequim, só que com uma concentração de fumo gigante por metro² (sempre me questionei o porquê de não abrirem o espaço lá em cima para os fumadores, já que já se fez o mesmo anteriormente).

Mas questões existenciais à parte, sim, havia muito mais gente do que um concerto de hardcore “normal”. A sala estava ocupada por inteiro, pessoas da velha guarda, da nova guarda, do norte, do sul, do centro, de fora. Tudo e todos foram dar à República da Música numa quinta-feira à noite, o que é realmente de louvar a meu ver.

É com muita pena minha perdi as três primeiras bandas, mas com ainda mais pena minha, tive de assistir ao concerto inteiro de Rise of the Northstar. Sei que têm uma base de fãs sólida, mas esta é uma banda que eu pura e simplesmente não consigo engolir. Acho que a frase que define esta banda é “Paleta over Substance”. Esta banda de cinco elementos com uma imagem inspirada no mundo oriental consegue, na minha opinião de noob, interpretar bem o seu repertório, dar um show sólido e ainda assim serem terríveis, repetitivos e super entediantes. But that’s just me (or is it?).

Depois de cerca de 20 minutos de tortura auditiva, veio a banda que para mim ganhou a taça da noite, os Strife. Não sou muito conhecedora do trabalho desta banda straight edge da Califórnia, mas deram um concerto cheio de poder e sem manias que acolheu bem o público e os mesmos foram bem recebidos de volta. Já os tinha visto cá em Lisboa uma vez há relativamente pouco tempo e não esperava outra coisa deles. A ver se da próxima vez já os tenho melhor entrosados no ouvido para curtir o show deles a sério!

Por último, depois de uma espera algo longa (em que pelo menos deu para ouvir alguns clássicos de hip-hop), chegaram os reis de Nova Iorque, os Madball. Liderados pelo Freddy Cricien aka Freddy Madball, começaram o seu concerto com os clássicos do costume que fizeram cabeças rolar (incluindo eu que fui arremessada para a estratosfera sem aviso prévio). Assim que começaram a entrar as músicas do seu mais recente trabalho “Hardcore Lives”, deu para entender que este está realmente vivo mas as novas músicas não conseguiram ressuscitar o público que estava mais para lá do que para cá. Nesta altura um Freddy meio desmotivado achou então por bem promover o seu mais recente disco já que quase ninguém conhecia as novas músicas. Mas volta e meia via-se que ganhava um novo alento quando o nosso público fazia a ladaínha do costume de cantarolar os riffs. Para terminar, tocou-se a Pride juntamente com o Poli de Devil In Me, assim very fast e a noite ficou por aí, sem haver direito a encore.

Depois pisguei-me dali para fora muito rápido que o dia seguinte era de trabalho/faculdade e a Rebellion Tour seguiu o seu caminho. Mais uma noite de hardcore, não durmam na parada.


Review por Márcia Santos (L$, vocalista de Same Old Chords)

Caso haja rapaziada que tenha visto os shows todos e queira escrever umas palavras, hit me up!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Review: Clean Break + Challenge + PUSH + Anger Feeds @ Parqe, Caldas da Rainha


Este fim de semana podia ter sido daqueles passados agarrado à tv com a mantinha nas pernas. A chuva lá fora bem o pedia, e o cansaço de uma semana difícil também. Mas obviamente não cedi à pressão e o fim de semana acabou por ser praticamente o oposto desse cenário.

Se faltei ao encontro de sexta-feira, o de domingo estava escrito a marcador na agenda. O Rui Janga ficou encarregue de me encher o carro, eu seria o motorista de serviço de bom grado. A meio da semana já estavamos quatro, por isso tava-se bem. Três horitas antes da partida, o Peter manda-me mensagem a perguntar se ia até lá acima e acabámos por encher o carro. A carteira (de todos) agradeceu.

A meio da viagem surge A QUESTÃO. "Porque é que gostas de Turnstile?" "Hmm...porque é que gostas de Sick of it All?" Responder a uma pergunta com outra pergunta é batota mas fica a questão no ar. All hype ou só uma parte? Uma coisa é certa, mau é Angel Du$t.

Chegámos às Caldas e a rua do Parqe tava fechada para obras, andámos ali um bocado a tentar arranjar estacionamento e celebramos o facto de existir trânsito a um domingo à tarde fruto da deslocação em massa da malta até ao centro comercial. Lá no safamos e chegamos à sala já eram umas quatro e vinte. Mas sem medo, ainda não tinha começado.

Encontrei a rapaziada de Clean Break e restante entourage já com aquela pinta de quem dava tudo por uma caminha, tempo de meter a conversa em dia. Ainda entrei para ver parte de Anger Feeds. Já tinha visto uma ou duas vezes creio. Sempre fixe a cover de Agent Orange no fim.

A seguir tocava Push. Segundo (?) concerto que vi deles, e depois da boa impressão no Campo Grande este concerto veio confirmar. É bem trabalhado e tocado, vê-se que é malta que quer levar as coisas a sério. É hardcore que às vezes é à Backtrack, outras vezes super rápido, outras com groove. Não é tanto uma questão de não ser carne nem peixe, creio que é mais na onda de querer ir beber a muito lado e acabarem por incorporar grande parte disso no som. O Noia é uma pilha de energia e dos vocalistas que mais gosto de ver, com ou sem fitness à mistura. É malta que já vem tendo bandas há alguns anos, pelo que isso acaba por se refletir na atuação. Cover de Ceremony com o mais pesado da Rinchoa, Rui Janga, pelo meio.

No intervalo encontro o Tofu, o Congas (fresquinho após dois dias sem dormir) e mais algum pessoal que veio de Lisboa. Aquele colocar da conversa em dia, Linebacker, For The Glory, hardcore, Pool Party, Panic, Turnstile, Angel Du$t, hypes, "hardcore ainda é fixe em 2014?", "Janga, quando é que tens uma banda?", etc.

Challenge esteve um meses sem tocar (e paralelamente as coisas estiveram mais sossegadas nas Caldas). Sem o Ricardo na bateria, mas com o primeiro baterista da banda, deram um set curto com malhas da demo e a cover de Floorpunch da praxe. Gosto muito e espero não ter aleijado ninguém.


Estava lá uma malta punk estrangeira que segundo o Edgar está por cá em Erasmus. Fiquei a falar com um deles no final que me levou umas zines e me falou da webzine dele. Mais tarde vi pelas internetes que estiveram por Lisboa na sexta em The Setup a tirar fotos e tudo. Hardcore weekend!

Regressados e a terminar a sua tour pela Europa, os Clean Break traziam na bagagem mais que hoodies de YOT e histórias do concerto com Slapshot. Já com dois discos no repertório tocaram um set sólido, com músicas da demo e do último 7" Face Value ("Aquela parece do Planet Mental!" - Tofu). O David com as suas beads krishna, sweatpants e hoodie parecia saído de 1988, o Ray aprovava de certeza. Durante o set ainda houve tempo para umas covers, cabendo ao André cantar a Withouth Words de Stop And Think e mais tarde ainda tocaram Cro-Mags! Don't Thread On Me e a Intro da We Gotta Now. Adoro, aquele sorriso parvo logo na cara. Fecharam com a Cut And Run que é a minha malha favorita.

Fui jantar com a rapaziada toda ao Vivaci não vi a última banda, mas deve ter sido fixe. No final ainda ficámos lá um bocado à conversa para depois regressarmos todos à capital. Mais uma vez, tarde super bem passada nas Caldas. Hardcore ainda é fixe em 2014.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Review: European Hardcore Pool Party 2014


Depois de uma semana terrível no trabalho, com poucas horas de sono, stresses diversos e cansaço acumulado nada melhor que ir ter com amigos e arrancar na velhinha Renault Traffic para o que prometiam ser uns dias com muita música, dormir à gafanhoto, mergulhos e palhaçada.

Já tinha falado com o Filipe há umas semanas e estava portanto a par do interesse fora de portas que se estava a gerar com o festival, mas nada como acabei por verificar logo no primeiro dia. Mais malta estrangeira do que tugas? 20 nacionalidades diferentes como disse o Martijn no dia seguinte? Ai não!

Este ano o local do concerto mudou para o espaço do outro lado do pátio. Bem maior que no ano transacto, teve os seus prós e os seus contras. Se o ano passado estava à pinha e cá de fora só se viam vidros embaciados, este ano a sala era talvez três vezes maior, o que não ajudou a fazer boa figura para as bandas de abertura, quer no que diz respeito ao preenchimento do espaço quer ao nível do som, que nunca esteve super espectacular durante os dois dias. No entanto deu para que toda a gente lá coubesse, para para ninjas e os não ninjas, para os que ficam atrás a fazer videos no iPhone e para os que preferem pular do palco.

Linebacker - É complicado ser banda de abertura, e tocar para mais estrangeiros que tugas que provavelmente nunca tinha ouvido falar deles. Mas acredito que tenha dado para terem formado um boa opinião. Novo disco a caminho com tour a ser planeada também.

Bun Dem Out - Quem me conhece (ou quem vai lendo o que por aqui escrevo) já deve ter percebido os meus gostos musicais. Bun Dem Out não é banda que me encha as medidas musicalmente, mas deu para meter meia casa a libertar os demónios interiores (o Leo expulsou-os todos). Foi talvez das bandas mais prejudicadas pelo som meio fanhoso, o guitarrista ia mandando uns solos mas que nem se reparavam. O Hermano a dada altura chama-me à atenção de que se ouve melhor do lado direito do que do esquerdo, e foi lição que aprendi a partir de então.

Steal Your Crown - Se havia alguém a dormir na casa a partir daqui ficou tudo bem desperto. A sala abanou, e quer o público que os conhecia e estava lá à frente a cantar quer o exército estrangeiro que andava por lá com o crowd kill importado tiveram muito trabalhinho.

Knuckledust - A par de Nasty, os estreantes fortes do cartaz, e uma banda que não tenho por hábito ouvir mas onde a curiosidade era grande. Aproveitaram o embalo do concerto de Steal Your Crown e apanharam o público já bem quentinho, pelo que não desapontaram. Não sei dizer o que tocaram e não tocaram porque não acerca da discografia, mas houve para lá malta com fartura a cantarolar.

Depois de uma noite estranhamente bem dormida na bagageira da carrinha, havia que despertar, e nada melhor que ir até aos chuveiros da praia de Alcochete para me banhar. Óptimo ver os casais a passear os cãezinhos pela manhã e a depararem-se com malta jovem "algo" ressacada a ensaboar-se na rua.

Após um belo almoço cortesia da Márcia e do seu Campingaz, tempo de pegar uma piscina, por esta altura já bem composta. Ainda deu para ver o Chelsea em ecrã gigante e apanhar aquele bronze manhoso do céu nublado. Não se dá por ele, mas serviu para meter os bifes todos escaldados! Descobri ainda que não tenho futuro a saltar pra água, mas talvez tenha no wresling a saltar da corda, visto ter rebentado o sobrolho ao Pedro numa bomba ridiculamente calculada. Podia ter sido pior.

Já ao cair da noite, era altura de voltar aos concertos. Finalmente vi Clean Break. A sofrerem um pouco do mesmo do que aconteceu aos Linebacker na sexta-feira, coube-lhes a tarefa de abrirem a noite com o seu youth crew um bocado deslocado do resto do cartaz. Safoda. Eu gosto. E é sempre bom voltar a ver o Peter em cima do palco. Nova tour europeia em Novembro!

Não vi We Ride e Strenght Approach. Uma mistura de "não aprecio" com "está aqui tanta malta que raramente vejo, vou mas é socializar".

Não sou fã de beatdown, mas Nasty era um banda que mais curiosidade tinha em ver. As letras são boas, o hype é grande, o som é que não é a minha praia. Esperava caos na terra e os deuses lá em cima responderam às minhas preces. O clone do Ivan Drago era uma máquina na bateria e a banda ao vivo tem um presença brutal. Sem saltinhos coreografados, sem poses, sem merdas. Mesmo com o som meio fanhoso deu para perceber o porquê desta banda andar a meter meia Europa com o pito aos saltos. Rancan rancan rancancancan.

For The Glory e No Turning Back é tipo aquela receita que sabes que funciona sempre bem e que sabe sempre bem, e por isso fazes com regularidade. Óbvio que foram ambos uns concertos do caraças, com No Turning Back a fechar com chave de ouro. High fives and stage dives, business as usual, ou alguma dessas frases cliché. Ou então tipo a Coca-Cola, you can't beat the feeling. Porque dificilmente dá. Chuva lá fora, que entretanto resolve aparecer, a criar ali um clima meio tropical de chuva e calor, e metade do público sem tshirt a moshar e a saltar do palco, a cantar as letras agarrado ao microfone. Tudo maluco.

Como resumimos no final: maior e melhor. E para o ano só pode melhorar. 500 pessoas em Alcochete? Por aí. E faltou (muito) público nacional.

Na manhã seguinte acordámos para um espaço totalmente remodelado...concetração tunning no que há poucas horas era uma sala de concertos, com malta de toda a europa a conversar, a jogar badmington ou a mergulhar para a piscina. Imagino essa noite de desmontagens...

Há que salientar todo o esforço da malta que tornou isto possível. O Tiago, o Congas, o Filipe, o Martijn e toda a organização. Foi realmente memorável e creio que poderá ter sido aquele kickstart para tornar isto melhor e maior. Tenho a certeza que os muitos estrangeiros levaram as melhores recordações deste dois dias, e o passa palavra que daí virá vai ser super importante. Já vou contando os dias para a edição de 2015.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Review: Turnstile + Angel Du$t @ The Underworld, Londres


Antecipação e entusiasmo para este show: astronómicos!

Pela hora da abertura de portas a equipa concentrou-se em Camden (o show ia ser no Underworld como costume). Dez tugas mais convidados, aquilo à porta do Underworld bem que parecia a porta da Casa de Lafões ou do Culto.

Wrap de Falafel, passeio pelo canal, a rapaziada sabe estar e sem ver bandas nenhumas já tinha valido a pena. Com este hang out todo o que vimos de bandas de abertura foi zero. O nosso mindstate era: Turnstile e os meus amigos, não preciso de mais nada. E mentiria se vos dissesse que fiz o trabalho de casa quanto a essas bandas, portanto não sei o que perdi.

Nas mesas de merch vi discos dos Lion Of Judah que tocaram no Montijo (em 2006?). Uns dias antes estava à beira-mar em Southsea a falar com o Pimentel e a comentar exactamente que não sabia o que tinha acontecido a estes bacanos. Em conversa com o Brendan junto às mesas de merch ele contou-me que um guitarrista de Lion Of Judah é agora guitarrista de Turnstile. Cool.

Pouco depois de entrarmos Angel Du$t começou a tocar. Grande pinta, algumas malhas de Angel Du$t são bem catchy e mesmo sem conhecer bem as músicas e as letras tornou-se contagiante. Assim que começaram a tocar começou a rave cá em baixo, mas ainda longe do que viria a ser. Estava tudo impecável e bem tocado mas faltava ali movimento em cima do palco, especialmente por contraste com o movimento em frente ao palco. Os elementos da banda pareciam bem cansados – ao segundo dia de tour?? Veio a explicação de seguida: tinham viajado durante a noite e não tinham dormido, respect, afinal até estavam bem vivos vendo nessa perspectiva.

Às tantas começam a soar os acordes da Nervous Breakdown e a galera ficou louca na hora, o Emanuel saltou logo disparado (ai não) e foi o clássico empilhar em frente ao palco. A cover abanou um bocado mais a sala e partir daí viu-se mais movimento sobretudo nas faixas mais populares. A Stepping Stone ainda não saíu da minha cabeça desde então.

Fui pôr a conversa em dia com um amigo não português e a certa altura toda a gente se começa a movimentar rapidamente, como se tivesse tocado o alarme de incêndio e estivessem todos em pânico, mas em vez da saída de emergência iam na direcção do palco. Já ecoava o intro do Step 2 Rhythm e isso fazia corações bater mais rápido. Cheguei lá à frente mesmo a tempo dos primeiros acordes da Keep It Moving, altura em que a sala já abanava toda. Primeira música e já o Sérgio tinha a testa vincada, não se perde tempo. Concerto de Hardcore como mandam as regras olímpicas.

A nossa equipa competia nas várias modalidades do Stage Diving e o Tiago levou para casa medalha de ouro no Freestyle Acrobático com o seu encarpado invertido. Ainda fui nomeado para o Gravity Law Award num voo suave em sincronia perfeita com as líricas “I’m coming down” mas não subi ao pódio porque estava lá um anjo da Torre da Marinha a zelar pelo meu bem-estar . O Emanuel é o nosso rei do stage dive e apesar de os ingleses não deixarem o míudo saltar ele deve ter ganho o Troféu Assiduidade de novo.


Melhor onda que isto só se tocassem agora um cover de Bad Brains. Oh wait… YOU DON’ WANT ME ANYMOOORE – até me deu um aperto no peito – SAIL ON SAIL ON!

Algures no set o Brendan mandou aquele props aos míudos portugueses, enfim aquele protagonismo a que já estamos habituados. Anunciou ainda que vai sair em breve um novo álbum de Turnstile, ninguém fixou quando nem o nome, eu acho que era algo como “Never Stop Healing” mas pode não ser nada a ver.

Este foi um daqueles!

No fim do show tudo com negras, lábios rebentados, testas vincadas, corpo dorido no dia seguinte, mazelas em costelas a revelar-se 2 dias depois. Mas tinha tudo um sorriso do tamanho do Mundo cheio de felicidade. Já em casa até se trocavam mensagens sobre estarmos tão felizes, estão a sentir o nível emocional? Melhor show do ano até agora e daqueles que sempre lembraremos. Aquele feeling de estares a curtir bué, todagente à tua volta a curtir bué, mas o melhor de tudo é no meio da macacada cruzares o olhar com o sorriso dos teus amigos, aquele sorriso cúmplice em que dizemos “GRANDA ONDA”.

Afinal, secalhar aquilo da amizade e união no Hardcore que aprendemos em putos não era completamente cliché. Afinal ,secalhar o Hardcore é grande onda mesmo. Em Lisboa ou em Londres, não trocava isto por nada.

Review por Fábio Godinho.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Os Putos na Cozinha #2

Wowzers, tinha este documento no meu desktop há não sei quanto tempo para lançar numa newsletter que nunca aconteceu! Se chegou a hora de ele ver a luz do dia? Claro que chegou - boas receitas vegetarianas são como o vinho do Porto (ou Vanilla Coke, se forem straightedge), só melhoram com a idade! As receitas ficaram a cargo do habitué Luís, que domina essas andanças como ninguém. Bom apetite!


Hoje vamos fazer um menu rápido (bem, podia ser mais mas como não gostamos de comer mal este foi o mais rápido que arranjámos) que consiste de entrada, prato principal e sobremesa.

Pão de Alho


Ingredientes:

  • Alho
  • Azeite
  • Manteiga
  • Sal
  • Oregãos
  • Pão (fatiado ou baguetes são os melhores, mas qualquer um serve)

Não vou dizer quantidades porque sempre que o faço é a olho e nunca correu mal.

Mete-se o pão a torrar no forno ou torradeira enquanto se faz a “pasta” para se barrar. Numa tijela deitar o azeite e levar ao microndas até ficar quentinho (bastam uns segundos); adicionar o alho, sal e oregãos até que ferva (estejam atentos porque senão pode queimar) e adicionar a manteiga (bem, há manteigas vegans nas grandes superficies mas eu nunca as exprimentei, por isso podem optar em usar uma normal ou não usar nenhuma, que fica igualmente bom). Agora é só barrar no pão e está pronto a comer.

Bolonhesa 



Ingredientes (para uma pessoa que come muito ou duas que não comem tanto):

  • 250g seitan
  • 2 Mãos cheias de cogumelos frescos
  • 1 Cebola grande
  • 4 a 5 dentes de alho
  • 2 Tomates grandes
  • Azeite
  • Azeitonas
  • Polpa de tomate
  • Temperos (sal, louro, pimenta e orégãos)
  • Salsa

Numa frigideira colocar um pouco de azeite e quantidade igual em água (para não fritarem demasiado e a gordura não ficar saturada), deixar ferver e pôr a cebola cortada aos cubos (ou as meias luas) e o alho picado com a folha de louro (sem a parte central da folha).

Depois de os legumes terem amolecido, juntar tomate cortado em cubos sem as sementes e os cogumelos. Juntar o seitan (depois de escorrer a água) cortado em cubos, deixar cozinhar um pouco e juntar a polpa de tomate e um pouco de água (para não ficar muito concentrado) e azeitonas sem caroço.

Depois de juntar o molho, adicionar os temperos a gosto e tapar para apurar o sabor. A melhor maneira de comer é com esparguete, para ficar aquele clássico, ou então com arroz ou outro acompanhamento a gosto!

Crepes


Ingredientes:

  • Farinha
  • Água
  • Vinagre
  • Óleo
  • Sal
  • Chocolate vegan
  • Canela

Juntar a farinha, água (nem quente, nem fria), vinagre, sal e óleo. Eu tento sempre deixar a massa um pouco líquida para se espalhar bem na frigideira. Aquecer a frigideira só com um pouquinho de óleo (passar com um papel absorvente para tirar o excesso e para espalhar).

Deitar a massa na frigideira e espalhar. Com uma colher de café, descolar as pontas do crepe, para não ficar agarrado à frigideira. Virar e cozinhar do outro lado.

domingo, 3 de agosto de 2014

Coluna: PMA e 90kg de ferro (Leandro Afonso)

...e para acabar o fim-de-semana em beleza, nada como um guest post do Sr Leandro Afonso - am I right, or am I right? Então com este solzinho a bater de chapa o que a malta mais quer é andar a puxar pelo cabedal. Uns ficam gordos, outros mandam boa paleta e andam saudáveis que nem carapaus. Take care of yourselves, yo!


Nunca liguei muito a Bad Brains mas desde sempre no hardcore que o PMA (positive mental attitude) me fez sentido. Lembro-me bem de ir a concertos de Sannyasin e sair de lá bem disposto devido a todo o positivismo que envolvia a banda, mesmo quando os assuntos não eram os melhores. Uma coisa que o hardcore me ensinou e que ainda hoje mantenho afincadamente é que nós somos donos da nossa própria vida e nós escolhemos o que podemos fazer com ela e transformar toda a nossa energia em coisas positivas. Não é a sociedade que dita as regras nem os nossos pais nem o nosso patrão, somos nós! Claro que depois temos que arcar com a consequência dos nossos actos, mas é por isso que temos uma consciência e fazemos o que achamos ser o melhor para nós respeitando quem nos rodeia.

Talvez devido a ser straightedge que sempre mantive a máxima ”corpo são, mente sã”. Nada que umas boas horas no ginásio não resolvam, principalmente alguns problemas que o cérebro teima em não deixar em paz. Claro que é óptimo passarmos tempos infindáveis em frente ao computador ou à televisão e comer tudo o que nos apetece, mas todos nós sabemos os malefícios que isso pode provocar a longo prazo, desde problemas com o peso, coração, diabetes, estômago, ossos e em último caso o aparecimento de células cancerígenas que se desenvolvem mais depressa se tivermos um estilo de vida sedentário em que a alimentação não é o melhor exemplo. Claro que nem todos temos propensão para que isso aconteça, mas infelizmente não temos o nosso código genético à frente para sabermos que tipo de doenças poderemos vir a ter e como tal, mais vale prevenir. Porquê arriscar? A meu ver não compensa.

Existe uma quantidade infindável de ginásios por esse Portugal fora a bons preços, mas compreendo que com esta crise toda, qualquer dinheiro extra que saia do orçamento normal já seja uma dor de cabeça. No entanto, com a internet, já nada é uma desculpa. Há excelentes vídeos no YouTube sobre fitness e treinos em casa, com e sem pesos. Também há sites, tipo o bodyrock.tv, que tem boas rotinas diárias para nos mantermos em forma e ganharmos uma boa resistência e força! E claro, nada melhor que umas corridas de vez em quando para aumentar a resistência e fortalecer os ossos. Não vou falar de suplementação nem tipos de treino, porque isso já depende muito de pessoa para pessoa e aí teria que fazer um texto enorme e acho que não vale a pena, para já, o que interessa é que se comecem a mexer!

Sou apologista de se fazer desporto mesmo estando doente! Parece que nos curamos mais rapidamente, o que não é totalmente errado ou desprovido da realidade. Ao fazer um treino físico intenso estamos a estimular todo o nosso corpo e produzimos mais glóbulos vermelhos e brancos que nos vão ajudar a combater qualquer doença, além de ser libertada endorfina no cérebro, que nos faz sentir bem e melhora a memória e o bom humor e ainda melhora o sistema imunológico e alivia as dores. Só pontos positivos, hum? Claro que não estou a dizer para irem treinar no duro quando estiverem com 39 de febre, há que fazer as coisas com moderação e conforme a nossa disposição física para tal.

Não há nada melhor que o desporto para nos dar um reality check sobre nós mesmos. Ensina-nos a ser humildes e a respeitarmos o nosso corpo. Se temos dores é porque algo está mal e há que descobrir a origem do problema, se abusamos no treino vamos ficar mais tempo parados para recuperar do que a treinar, logo ensina-nos a ser humildes e a manter o nosso ego na linha. Faz-nos querer comer melhor, liberta-nos do stress do dia-a-dia e torna a nossa mente cada vez mais forte enquanto o nosso físico vai crescendo e começamos a ter cada vez mais PMA porque acreditamos mais em nós. 

Todas as pessoas que treinam sentem um aumento na auto-estima, auto-confiança e prazer de viver devido a todos os processos químicos no nosso corpo resultantes do treino que fazemos. Se levarmos o corpo até ao limite todas as situações difíceis que nos aparecem diariamente vão certamente parecer bem mais fáceis, nada custa mais do que bater os nossos recordes pessoais enquanto fazemos exercício físico naquele ponto em que ficamos com o corpo todo a tremer e a respirar tão ofegante que nem conseguimos pensar. Mas à medida que o corpo se desenvolve e a saúde melhora, também melhoram a força e saúde mental. Treinar é uma óptima maneira de atingir o equilíbrio entre corpo e mente.

“The Iron never lies to you. Friends may come and go. But two hundred pounds is always two hundred pounds.” – Henry Rollins