quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cinco Às Quintas: Same Old Chords

Esta é uma rubrica em que colocaremos (quase) todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda.


Os Same Old Chords são uma banda formada no início de 2012, mas que, fruto de alguma indefinição na formação da banda, reaparecem agora com força e vontade de dar concertos, e que entram com o pé direito em 2013 já com concertos dados e outros marcados. Seguem algumas questões feitas ao Flávio e à Márcia.

Fotografia por Bárbara Sequeira ©.
Falem-me um bocadinho do percurso da banda desde a sua formação até agora. Confesso que acompanhei sempre ao longe, lembro-me de ler sobre o vosso concerto em Casaínhos com a Inês de Backflip a cantar e dos concertos em Dezembro no Porto, até que em conversa com um amigo soube que a Márcia estava agora na voz e que a banda tinha encontrado uma formação estável e com o gás todo para começarem a tocar em força.

Flávio - Eu conheci o Bruno e o Dani (baterista e baixista) porque tenho uma sala de ensaios perto de Loures desde meados de 2011,  e já não sei muito bem como, eles vieram cá parar pra ensaiar com um projecto que ainda mantêm que são os ''Ke Sa Foda'', uma banda com influencias funk/rap metal em portugues, entretanto fomos começando a conhecer-nos melhor e como eles curtiam do som que sacavam na minha sala trouxeram pra ensaiar cá um outro projecto que tinham os dois, numa onda mais hardcore/punk.

Começaram por ser 3 elementos,  mas no inicio de 2012 o guitarrista decidiu ir pra Inglaterra tentar a sorte a nivel profissional,  porque como toda a gente sabe, isto aqui tá a ficar fucked. Então, como sabiam que eu tocava guitarra convidaram-me e eu aceitei de imediato, na altura tava a viver uma fase lixada a nivel pessoal e arranjar uma cena pra ocupar a cabeça e o tempo veio mesmo a calhar, entrei com a força toda e começamos imediatamente a trabalhar em originais que eu já tinha em mente há algum tempo, só de uma forma instrumental,  na altura ainda nao se pensava em vozes nem em letras, só em fazer partes musicais que, acima de tudo, nos desse pica tocar.

Como a sala era minha, tinhamos todo o tempo do mundo pra tar aqui a experimentar coisas em conjunto,  eu vinha com bué ideias porque sempre quis tocar e sempre fui compondo riffs sozinho, mas até aqui nunca tinha arranjado as pessoas certas pra por em pratica. Propus várias mudanças que foram abraçadas por eles sem qualquer problema, como por exemplo mudar o nome à banda,  deixar pra trás as 2 ou 3 malhas que eles já tinham e começarmos a fazer uma cena nossa toda de raíz,  porque quase de certeza que as ideias que eu trazia íam destoar bastante do que eles já tinham.

Continuámos a criar originais até termos umas 6 ou 7 malhas, e aí já se impunha pôr uma voz pra começar a levar a coisa um bocado mais a sério. O Dani rapidamente escreveu letras pra cima dos riffs todos e como na altura nao nos queríamos precipitar na escolha de uma voz,  nem tinhamos muito bem definido o que pretendiamos pra futuro (além de termos tido desde sempre a ambição de por uma voz feminina), lembrei-me de convidar a Inês de Backflip,  que é uma grande amiga minha já há uns anos,  pra vir gravar as vozes na primeira demo,  só numa de de certo modo ''lançar'' a banda, e dizer que tamos aqui a fazer coisas e a tentar que essas coisas cheguem a alguém. Ela aceitou,  porque no fundo não tinha nada a perder,  e como tambem tem a paixão pela música,  foi na boa,  ou seja,  nós os 3 começamos a banda em finais de Fevereiro e talvez em finais de Abril estávamos a gravar a primeira demo, que depois foi apresentada e oferecida só nesse concerto que referiste, o de Casainhos no dia 8 de Setembro.

De certo modo depois da gravação da demo e desse primeiro concerto veio à baila a ideia da Inês se juntar a nós definitivamente, porque ela tem alguns dos ingredientes que consideramos essenciais pra isto: uma voz potente, uma granda paixão e uns tomates do caraças pra tar em palco com apenas um microfone na mão,  mas a Inês estava e está actualmente completamente focada em Backflip e não quis assumir o papel de vocalista em pleno. Mas ainda foi a tempo de ir à Casa Viva ao Porto connosco pra um concerto.

A ideia da Márcia na voz já era uma ideia talvez até anterior à ideia da Inês,  porque eu já a conhecia de nos cruzarmos por aí, e tinha ficado maluco com a prestação dela uma vez num concerto de Sick Of It All em Corrois. Só que a minha confiança com a Márcia não era a mesma que tinha com a Inês, até porque tambem tenho o meu quê de timidez (ahahah), e como quando gravámos a demo ainda tava tudo muito incerto a nivel de caminhos a seguir em relação à sonoridade e etc,  achámos benéfico fazer a cena nas calmas com a Inês e depois quem viesse pegar nisto era só reproduzir o que ela tinha feito na demo. Mesmo que não ficásse exactamente igual,  pra nós não havía problema, queriamos era tocar aquilo.

Hoje em dia, já consideramos a Marcia um de nós,  porque ela tambem tinha há muito o sonho de ter banda,  e tambem é uma miuda com um tremendo gosto por isto (pelo menos vejo-a em concertos por aí há quase, sei lá, uns 8, 9 anos?) que escreve bem e que tambem tem balls e atitude suficiente pra fazer na perfeição o papel de ''front man'', front-gaja neste caso. E acho que agora encontramos a formação ideal porque tamos os 4 nisto de corpo e alma,  claro que ainda com algumas arestas por limar,  porque os ensaios em conjunto não foram tantos assim até esta altura, já tocámos com ela na voz duas vezes ao vivo,  uma no Porto e outra em Coimbra mas faltam amadurecer algumas coisas que agora com o tempo e bastante comunicação vão ao sitio de certeza.

O vosso nome, tal como a vossa descrição no facebook descreve-vos (ironicamente creio), como uma banda que vem tocar os acordes do costume e que não traz nada de novo. Piada à parte, e após ouvir o vosso disco, não me parece que isso seja tanto assim. Musicalmente tem um som um bocadinho diferente daquele que geralmente se costuma fazer (às vezes até à exaustão), mais melódico, mais punk rock. Ouvi bem? Percebi bem? Não me digam que querem ser "só mais uma" a fazer o que os outros já fazem...

Flávio - Pá, quase tudo nesta banda é irónico. Às vezes até os riffs e certas letras, pelo menos na demo, porque agora com as letras da Marcia acho que vai ser inevitável começarmos a levar-nos um bocado mais a sério. Eu mal entrei propus ao Dani e ao Bruno mudar o nome pra ''Same Old Chords'' porque confesso que a minha visão das coisas é sempre ligeiramente distorcida e sarcástica,  e porque inicialmente, a banda tocava em drop, e eu lembro-me de na altura pensar: ''pá ok, bora lá então fazer uma banda que toca em drop, mas o drop limita-me de tal forma a compor, que isto vai soar igual a tudo o que é hardcore que já existe, por isso, se nao vamos provavelmente conseguir fazer nada extremamente original, vamos tentar ter o mais fun possivel e vamos ser nós os primeiros a admitir isso cara podre e ainda a parodiar à volta da cena''...

Depois acabou por não acontecer, mudámos a afinação pra standard, e como é obvio, uma banda quando começa a ensaiar e a fazer originais em conjunto, as influências e as ideias pré-definidas acabam sempre por ir um bocado por água abaixo, e começámos a fazer o que nos apetecia e que surgía na altura, sem nos preocuparmos demasiado com uma linha ou um fio condutor ou whatever. Aliás, como se pode ouvir na demo, aquilo tem ali uma ''salganhada'' de estilos que nunca mais acaba, o que também demonstra que esta banda nao pensa demasiado nas coisas. Pode dizer-se que ''a'' Same Old Chords é um bocado impulsiva vá. Como na generalidade sou eu que componho os riffs, e como sou um puto que vem do punk muito mais até que do hardcore, é obvio que isso tinha que se reflectir directamente na nossa sonoridade, apesar de achar que agora com a Marcia vamos ficar um bocado mais ''hard'', vão sempre surgir aqui e ali influências de punk ou mesmo de hardcore mais melódico. 

Por exemplo, uma das minhas bandas favoritas de sempre é Kid Dynamite, e há algum tempo que adoro coisas como Death is Not Glamorous ou mesmo Shook Ones, e isso reflecte-se inevitavelmente no nosso som, na forma como as vozes e segundas vozes são encaixadas e etc. Por isso ya, admito que talvez estejamos a ir por um caminho que não tem directamente a ver com o nome da banda,  mas acho que o termo ''Same Old Chords'' vai sempre servir-nos porque hão-de surgir sempre riffs que vão fazer lembrar o ''hardcore do costume'', do qual eu ás vezes já tou tão farto mas que não quer dizer que não me continue a dar um tremendo gozo tocá-lo na primeira pessoa.

Agora com a Márcia na voz, e sabendo que há malhas novas, como é que foi funcionou a integração de um novo elemento na banda, ainda para mais na voz. Pensando de antemão que queriam "actualizar" o som da banda, têm já alguma coisa planeada no que diz respeito a gravações e lançamentos? O que é que nos podes adiantar sobre isto, se é que já têm realmente algo no horizonte.

Flávio - A integração da Marcia foi uma coisa que fluiu bastante bem, e quando lhe lançámos o convite oficialmente ela foi logo ouvindo bastante a demo e no primeiro ensaio que tivemos soou-nos quase logo bem,  claro que ainda haviam ali partes de letras por decorar e etc,  faltava a habituação ao microfone e ao cantar através dele, mas no geral acho que foi muito rápido, até deu pra pensar: ''pá, se tivéssemos concerto amanhã já com a Márcia na voz era na boa".

Em relação a lançamentos futuros...  ainda antes da Márcia se juntar a nós já andavamos a trabalhar em alguns riffs, porque basicamente esta banda precisa de tar sempre a criar pra se sentir estimulada,  não somos do tipo de malta que depois de lançar uma cena quer ficar ali a ''colher os louros'' um ano ou mais. Nepia,  queremos constantemente fazer mais e melhor, ou pelo menos tentar,  até pra que nos sintamos motivados e sempre com pica (porque não há nada que nos dê mais pica que ver musicas novas a ganharem forma em estúdio quando as tocamos em conjunto,  porque uma coisa é eu fazer os riffs sozinho na guitarra e idealizar a bateria e o baixo na minha cabeça, outra é reunirmo-nos e tornar aquilo realidade. Se alguém que tenha uma banda estiver a ler isto sabe o que eu tou a dizer de certeza) e agora com a Márcia a trazer letras, sendo que algumas já conseguimos encaixar em cima de riffs que tínhamos (até já as tocámos no set ao vivo) e outras estão a ser construidas de raíz a partir das letras dela.

Este tambem é um processo que até hoje nao tinha experimentado e que me está a dar um prazer brutal,  porque influencia bué no que a musica depois acaba por ser. Uma coisa é certa,  vamos continuar a ser uma banda que faz um hardcore mais punk, que pisca o olho àquela pica tipica do straight edge hardcore (que a mim pessoalmente tanto me diz, mesmo não sendo eu sxe) e que de vez em quando faz umas coisas bem mais melódicas,  pra descomprimir, mas sempre a tentar por alma nisto, sem fugir a alguma agressividade, mas com variações meládicas que acho que fazem falta na ''cena'' de cá, que ás vezes cai um bocado na brutidade ou nostalgia constante.

Pá,  assumindo que isso talvez nos prejudique na quantidade de público ao qual vamos chegar, ou mesmo no número de concertos pra que nos convidem, mas se há coisa prá qual pessoalmente pra já não estou virado é pra fazer musica na intenção de ''fit'' ou de agradar mais aos outros que propriamente a mim/nós. A Márcia sempre soube desde inicio que o ''briefing'' era este e concordou e alinhou na ''brincadeira'' numa boa,  por isso, 2013 será o ano em que começamos em força a fazer coisas com ela, sem perder estas ideias e este conceito de raíz. Como disse antes, já vinhamos com algumas malhas feitas e entretanto têm andado a ser feitas outras. Posso até confessar que neste momento temos 6 originais novas ainda a serem ensaiadas e acertadas mas todas com letra escrita, por isso, das duas uma, ou daqui a uns tempos se entra em estúdio pra gravar um ep um bocado mais cuidado a nivel de produção e gravação que a primeira demo, ou então passa-se mais um tempo a compor mais umas coisas e quando se for pra estúdio grava-se  um álbum. Não sabemos, tudo isso tá um bocado incerto neste momento.


Fotografia por Bárbara Sequeira ©.
Bom, a pergunta da praxe desta nossa rubrica: assim em poucas palavras (e até porque são bastantes), como é que vieram parar ao punk e ao hardcore. Bem sei, é o meu fetiche querer cuscar como é que a malta que faz parte deste pequeno movimento caiu aqui.

Márcia
– Ora bem, quando eu era petiz as internets eram muito escassas. Então ouvia aquilo a que tinha mais acesso: nu, heavy, black metal, e por aí adiante. Então o que eu fazia era chatear o meu melhor amigo Pedro a fazer-me cópias dos cd’s dele, até que um dia copiou-me um cd de Madball. Aliás acho que foram dois até, o Demonstrating my Style e o Set It Off se não estou em erro. E ouvi aquilo em casa e ficou desde aí. Era um som diferente, um som bastante directo e completamente “in your face” que me “abalaram por completo” já dizia o amigo Bubacar. E fui ouvindo outras bandas como Sick Of It All, Agnostic Front, Terror, etc... (as bandas da “praxe”). Aos poucos o pessoal ia encontrando flyers de concertos por Lisboa ao qual eu acedia sempre. E pronto foi mais ou menos isso. Ainda no outro dia estava eu à conversa a tentar descobrir qual teria sido o meu primeiro concerto e já não sei. Na altura ia a quase tudo o que era bandas portuguesas e por muitos sítios passei desde o spot no Jardim do Tabaco, Garage, Espaço de desastres, IPJ, etc... Fui conhecendo pessoal muito bacano, conhecendo novas bandas e voilá, aqui estou eu.

Flávio - Penso que já conheço tão bem o Dani e o Bruno que posso responder por nós os três, até porque tamos todos na casa dos 28, 29, 32 anos e a história da entrada ''neste mundo'' deve ser relativamente idêntica. Eu, agora com 28, lembro-me de talvez tar a meio dos anos 90, ter talvez uns 12 ou 13 anos,  ouvia rádio nessa altura, principalmente quando andava de carro com a minha mãe, e claro que como qualquer puto, monopolizava completamente o rádio do carro ao meu gosto e era eu que escolhía o que se ouvia, e pra te ser sincero já nao me lembro qual era a rádio, mas lembro-me que passou a ''Self Esteem'' de Offspring, e eu fiquei maluco man, nem sei explicar o que senti, sei que aquilo me bateu de uma forma que pensei pra mim: ''porra é mesmo isto,  vou por uma k7 no radio lá de casa à espera que dê outra vez pra gravar''..   

Claro que meses depois devo ter recebido o Smash de prenda de anos ou Natal, já nao sei, e fiquei coladissimo àquilo. Depois quem tem o Smash acaba por ter o Ingition, etc,  e já na secundária em Loures,  ao conhecer pessoal com os mesmos gostos fui conhecendo bandas como NOFX (banda que respeito bué até hoje não só pela sonoridade mas pelas letras e atitude do Fat Mike, que é um boss do caralho a compor) Pennywise, Lagwagon, Millencolin etc. Depois com o passar dos anos acabas por ir descobrindo mais coisas relacionadas e basicamente foi assim que fui fazendo o meu percurso.

O que sei é que nessa altura ficou logo ali bastante definido em mim que o meu caminho era este,  porque eu procurava aquilo de uma forma natural e nao por qualquer imposição fosse do lado de amigos fosse da ''moda'' ou etc, tenho ideia que na altura não haviam ''modas'' sequer. Na altura em que não havía net nem informação às pazadas, e eu nunca tendo tido nenhum irmão mais velho ou o que quer que seja pra me mostrar coisas ou influenciar,  tive sempre que procurar por mim... Com o passar dos anos, com o ir estudar pra Lisboa e ter as horas de almoço todas pra passar na Carbono do último piso do Centro Comercial Portugália a ouvir cd's fui conhecendo ainda mais coisas e abrindo os horizontes pra coisas mais ''hardcore''. 

Lembro-me de ter comprado e andado meses a ouvir o Urban Discipline de Biohazard, Warzone, Sick of It All,  Madball foram as primeiras coisas que ouvi dentro do hardcore propriamente dito, mas sempre gostei muito mais de punk e de ska, é o que realmente gosto de ouvir, não querendo obrigatoriamente dizer que é o que gosto de tocar. Mas se me deres à escolha entre um álbum de Suicide Machines ou um álbum de Comeback Kid (dando dois nomes completamente ao acaso) vou optar pela primeira opção sem pensar duas vezes. Costumo dizer em tom de brincadeira que ''eu sou mesmo é do ska'', o que no fundo não deixa de ter o seu quê de verdade tendo em conta que despendi anos a ouvir albuns de Catch 22, os primeiros albuns de Mad Caddies, Less Than Jake, Sublime, Streetlight Manifesto etc. 

Óbvio que a malta com o passar dos anos, com a maturidade e a forma de ver e sentir o que nos rodeia, vai alterando um bocado as cenas que gosta de ouvir,  mas também tem tudo bastante a ver com as fases, os momentos e a quantidade descomunal de música que a internet nos disponibiliza sem termos que mexer uma palha ou gastar um cêntimo. Actualmenteando a ouvir Title Fight e Basement como se não houvesse amanhã, e foi recentemente que descobri as bandas que me influênciam na criação de malhas pra Same Old Chords,  como por exemplo Go Rydell, Static Radio NJ, Our Time Down Here, Not On Tour, enfim,  ficávamos aqui a noite toda a falar de influências e de bandas que foram fazendo parte da vida de um gajo em determinados momentos. Os apaixonados pela música como eu perceber-me-ão perfeitamente.
 
Apesar do vosso curto tempo de vida como banda e de terem dado poucos concertos, os que deram têm sido feitos um pouco por todo o lado, o que mostra que são uma banda que não se encosta ao sofá à espera de ir tocar e procura mexer-se. Esta vontade de mostrar o que fazem não só na vizinhança mas procurar público noutras partes do país é algo a que dou granda valor. Isto tem acontecido graças à vossa própria busca ou os convites tem surgido e vocês têem-nos aproveitado. Por acaso raras vezes vos vi em cartazes aqui na zona de Lisboa, não sei se por culpa dos promotores que andam a dormir (ou que querem sempre marcar a mesma coisa) ou até da vossa própria agenda e timing. Viagens são sempre um acontecimento rico em histórias e que acho que acabam por servir para fortalecer laços e criar novas amizades. Já tiveram alguma história assim mais engraçada (ou não) que curtissem partilhar com a malta? Aproveitem igualmente a última questão para dizerem o que quiserem, obriguem a malta a irem escutar a vossa música sob pena de levarem uma surra ou algo do género.

Flávio - Pá, se nos viste em algum cartaz de concerto na zona de Lisboa foi mesmo só no primeirissimo de todos em Casainhos ainda com a Inês na voz, porque de resto,  os outros 3 que demos até agora, foram 2 no Porto e um em Coimbra muito recentemente. Agora, em relação à explicação pra isso,  pá, não tem uma explicação concreta, mas penso que o facto de a banda ainda tar pouco divulgada e de não ter chegado ainda a tantas pessoas assim, e de talvez a primeira demo ser uma cena um bocado indefinida a nivel de som, influenciem isso directamente, porque a banda ainda tá numa fase de marcar uma posição.

Ainda não tivémos a oportunidade de nos mostrar-mos em Lisboa com a Marcia, por isso é claro que o nosso nome não deve vir à calha imediatamente a seguir a alguém de uma promotora ter a ideia de organizar um concerto. Sendo sincero também acho que de certo modo a malta aposta sempre um bocado nas mesmas cenas, ou porque quer jogar pelo seguro (porque sabemos que um concerto envolve custos e trabalho) ou porque simplesmente é o que a generalidade da malta curte. Não criticamos isso de uma forma negativa, nós queremos chegar ''lá'' por mérito, por tarmos a fazer qualquer coisa que o público realmente ambicione ver ao vivo. Depois também o facto de eu (falo por mim) nao ser o gajo mais social que conhece toda a gente e fala a toda a gente com a maior naturalidade do mundo como se tivéssemos andado todos no infantário tambem deve ter a sua quota parte de responsabilidade. Ou seja,  tenho alguma dificuldade em chamar de ''meu brother'' ou ''meu velho'' ou ''mano'' qualquer pessoa com quem me cruzo duas ou três vezes por aí nestas andanças...

Bem sabes que há bandas que tocam sempre juntas porque são amigos pessoais uns dos outros, ou seja, explicando o meu point, é provavel por exemplo que um dia que Same Old Chords toque em Lisboa,  Backflip também toque nesse dia (aliás, isso já tá agendado pra 14 de Abril),  porque somos muito chegados. Backflip ensaiam na minha sala desde o primeiro dia, e claro que tendo amigos no meio, e sendo por exemplo nós a organizar a malta se una e as coisas acontecam em conjunto. Mas digo desde já que não tamos a recusar qualquer tipo de proposta pra concerto, porque acreditamos que a cereja no topo do bolo nisto de ter uma banda é mesmo a possibilidade de tocar ao vivo, e sentir aquele nervoso miudinho de fazer bem e tocar as pessoas...

Os concertos que demos fora foi mesmo porque as oportunidades surgiram, haviam espaços por preencher em cartazes e nós ''fizémo-nos ao bife'' e fomos sempre muita bem recebidos e o público tem aderido bem. Aliás, vi este fim de semana malta a cantar as nossas malhas em Coimbra e pá,  isso é o melhor, além de ainda sermos ''tenrinhos'' nisto e querermos evoluir bué, acho que não tendo ainda sequer um ano de banda concluido, o balanço dos 4 concertos que demos foi  positivo. 

Depois, as deslocações até ao Porto e etc tambem são possiveis porque nós pra já não queremos ganhar nada com isto, bancamos a nossa parte pela simples possibilidade de ir tocar, e acaba sempre por ser bom viajar em conjunto, comer francesinhas (ahahahah) dizer merda ao longo da A1 inteira, conhecer malta que nos recebe de braços abertos e que valorizam bué o facto de tarmos ali a troco única e exclusivamente de realização pessoal. Até aqui o balanço é positivo e esperamos continuar a ter ainda mais pica em fazer parte ''disto'' tudo. Histórias pra contar até agora, pá, no concerto da Casa Viva derrubaram-me a cabeça de guitarra a meio de uma muisca, e agora na ida a Coimbra, à vinda, o Bruno teve uma queda e acabou no hospital de Pombal a levar 3 pontos na cabeça.

Mas é a tal cena, encaramos isto tudo como coisas que fazem parte, não nos tamos a mover num meio que tem milhares de euros pra organizar coisas com tremenda antecipação e condições, mas também não nos estamos a lamentar por isso, é aqui (no underground ou como lhe queiram chamar) que nos sentimos bem, que gostamos de estar, e onde queremos continuar. Soubemos há pouquissimo tempo que vamos ter a oportunidade de tar no HHF deste ano e tamos muito felizes por isso, como é óbvio.

Márcia – Sendo o concerto do Porto o meu primeiro concerto de sempre, trouxe toda a pandilha de Massamá atrás o que deu azo a muitas histórias, sendo uma delas um amigo nosso, o Sérgio, a andar bêbado de skate com uma imperial na mão e mandar o maior espalho que já vi na vida dentro do centro comercial onde fica o Metalpoint. Isto depois do Flávio ter caído de cú também, hahahah!
Mas muitas mais histórias virão, I hope.
 
O que eu tenho agora a dizer é, ouçam as nossas músicas, façam o vosso julgamento, curtam, não curtam, façam amor, lavem a loiça, atendam o telefone, descasquem batatas, partam o pé, chorem, riam, identifiquem-se com, atirem-se da janela e escovam os dentes ao som de Same Old Chords. Se não quiserem fazê-lo tá-se bem também, nós andaremos por aí se mudarem de ideias.
Beijinhos e queijinhos para todos.

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O Baú do Congas: Killing Frost + EAK + For The Glory


Olá meus amigos! Espero que estejam vestidos a rigor, a divertirem-se ao som de músicas brejas, cheios de lantejoulas e cores berrantes. Digo isso, porque eu espero que façam essas figuras todas por mim e por vocês, assim poupam-me a vergonha haha!

Que saudades que tenho de tocar no Barco. Um dos locais com mais carisma da cidade Invicta, e porquê? Perguntam vocês. Porque tocares no porão de um barco, ao nível do Rio Douro e com vista previligiada para Gaia não está assim ao alcance de muitas venues por esse país fora!

Os EAK são uma banda de S. João da Madeira e praticam um som pesadão, acho que lhes chamam musclecore. São uns grandes bacanos, possivelmente na altura nem os conhecia muito bem, mas ao fim de tantos anos e depois de tocarmos tantas vezes juntos só tenho a dizer que o Paulo é um grande frontman e o baterista desta banda é um animal a tocar. Que boss!

Killing Frost é Killing Frost, só quem nunca viu esta banda é que não sabe o que perdeu. Sempre explosivos, muito punks haha! Não me recordo se foi neste concerto que tinha um gajo sempre à frente do palco a tentar cuspir e a mandar gritos e a tentar dar-me encontrões, mas sei que foi num destes concertos do Porto Rio que aconteceu uma cena assim do género que eu quase que me passava.

Só queria mesmo salientar uma última nota: O Porto Rio é um clássico dos concertos hardcore no Porto, e a sua localização, apesar de ser meio fora de mão, continua a ser central para as bandas com bom local para estacionar, ter ali uns quantos tascos ao pé e com o bónus de que quando não queres ver a banda podes sempre chillar no piso de cima a ver o rio, o mar e Gaia. Recuperem esta venue porque foi das salas onde demos grandes concertos e tenho pena de a malta não ir lá mais vezes. Claro que não tiro mérito nem nada disso a outras salas portuenses, mas tragam de volta o hardcore no barquito!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Playlist da Semana #32

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Life Of Agony - River Runs Red - Nada como um groovezinho para animar os ânimos com o frio que se faz sentir por esta Londres fora. Sempre a mesma cena... um gajo chega a Fevereiro a pensar que o Inverno já passou e ZAP, corrente escandinava ou o raio que a parta. Fico burro com esta merda, mas tass bem. Casaquinho da Timberland, gorro do FTG (represent!), bota nova e não há frio que resista. Este disco é granda onda, não oiço sempre, mas às vezes oiço. É assim aquele flow bacano. Agora a cena é: Toda a gente tem como malha preferida a River Runs Red mas, honestamente, e aquela parte na Method of Groove? Que killerada fodida. A sério alguém faça cover só dessa parte.

Maximum Penalty - Demo 89 - Ah, isto foi semana do groove, né? Claro que foi. Tenho andado meio colado em Maximum Penalty, é granda som. Esta demo é qualquer coisa de espectacular e uma das melhores a sair de Nova Iorque no fim dos anos 80, no doubt about that! Agora o riff depois da intro da Brutality... será que o gajo dos White Stripes era do hardcore? Terá sido coincidência? Seven Nation Army mas é o caralho que o foda. Agora sempre que oiço isto só me apetece gritar OOOOOH ROBIN VAN PERSIEEEEE! Ta foder ó maluco.

Missy Elliot - Under Construction - Bem, este é que eu já ouvia há cojones de tempo. Mais fãs na casa? Por acaso só conheço bem este disco dela. Os outros prestam para alguma coisa? Beats malandros, letras malandras. Gosto. "Picture Lil' Kim dating a pastor?" Lindo. Não sei que mais dizer, não foi uma semana muito fixe e nunca mais é quarta-feira. Este disco? Bom tributo ao hip hop à antiga, eu sinto.

No Warning - Ill Blood - Mais groove, ai não. Eu já tinha dito que este era o Age Of Quarrel do século XXI® e claro que continuo a achar o mesmo. Pessoal do core que não adora o Ill Blood: Têm a certeza que estão na cena certa? Tem tudo nas doses certas, seja letras, partes paradas, partes rápidas, poucos solos, produção do diabo, capa brutal. Nigga what? Mais uma beca e tatuo um dos ratos de No Warning no pé. Oh wait...


Cro-Mags - The Age of Quarrel - Quando um gajo "entra no hardcore" devia ser-lhe dada uma folhinha com uma checklist para eles cumprirem antes de se auto-afirmarem como "malta do hardcore". Nessa folhinha devia constar a audição deste disco pelo menos 5 vezes de trás para a frente. Dizer que isto é dos melhores discos de sempre é mesmo uma verdade universal, e não entram aqui conversas de discos favoritos ou de bandas favoritas. É assim e pronto! 

Rampage - Limit of Destruction - Physicaaaal therapy! Banda sonora para o ginásio, faixas sobre levantar pesos e ficar fit. Produção mesmo à antiga acompanhar? Há que amar profundamente.
Ah, e a história que tinha falado na Playlist #3 sobre a chungaria completa que foi gravar este álbum parece confirmar-se, amp's da Radioshack, ahah: "it is true about the recording. i used a metal zone through a one speaker radioshack amp. brian used a marshall jcm 800 for the beefier guitar tracks."

Cam'ron - Purple Haze - Esta semana fui sacar a discografia (quase) completa do gajo, mesmo naquela de ver se o status corresponde ao produto. Nunca fui muito à bola com as cenas da Roc-A-Fella e essas editoras maiores dos 2000, quando colava em rap sempre curti cenas mais à margem, pelo que agora em retrospectiva de vez em quando vou ouvir aqueles clássicos modernos a ver se sempre rendem. Ya, é bue g, é bue sobre drogas e estilo, mas o Cam tem bom flow e bons beats a acompanhar. A ver se se passo às mixtapes a seguir.

Magic Circle - Self Titled- "Aquela" malta de Boston a tocar Doom metal à antiga mega roubado a Sabbath? Yep. As duas malhas do single eram bem boas, e o disco completo vem trazer mais do mesmo. A rapaziada das músicas rápidas a mandar faixas de 8 minutos? Até ficas tolinho da cabeça!! Arraaaaastaaadddooooo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Review: Dismissed - Demo (2013)


Só a mim é que ninguém passa bandas destas! Apanhei por acaso um link a ser postado na página de alguém e dedici botar ouvido. Dismissed chama logo Breakdown e se chama logo Breakdown eu estou automaticamente interessado - é assim que eu rolo. Três musiquinhas que soam a... ya, preciso dizer? Eu não faço ideia de quem está nesta banda ou não (deve ser pessoal da moda e de bandas fixes das américas), mas o som não é mau de todo. Se fossem meus brothers e os visse aos vivo regularmente se calhar era o tipo de banda para me deixar louco lá no meio do mosh pit - à antiga, DFJ style.

Que mais dizer? Ouve-se benzinho mas não é assim nada do outro mundo. Se calhar é na onda daquilo que se faz agora? Possível. Não ficavam mal num cartaz com os Trapped Under Ice. Mas hey, eu não sou promotor de concertos, esse tempo já lá vai, por isso só tou a mandar palpites e a ver se encho isto com mais texto para não parecer uma review sobre nada. Para a semana: Real vs United. van Persie to score first? É porque não sabes. Tá tudo a correr para a casa de apostas.

Cinco Às Quintas: Holder


Os Holder são uma banda de malta nova de Lisboa, alguns já com alguma rodagem e outros nem tanta. Puseram a sua primeira malha online nos primeiros dias de Janeiro e sei que já tem algumas coisas feitas, andando agora à procura de marcar concertos. Fiz umas perguntas ao Gonçalo e ao Matheus sobre esta banda, desconhecida para grande parte da malta, inclusivamente para mim. Aproveitem para conferir se "metalcore do diabo" é um género musical.

Falem-me aí um bocado de quem vocês são, e de que profundezas do inferno apareceram os Holder. Sei que o Gonçalo já tocou um par de concertos com Inyanga e que vocês os dois já tinham feito umas brincadeiras, mas quando apanhei a faixa que meteram online fiquei meio surpreendido.

G: Nós somos quatro miúdos que têm prazer na música que fazem e que tocam apenas para agradar a sí próprios. pode parecer que somos um bocado filhos do enxofre por causa deste som malévolo mas, no fundo, até que somos gente amorosa. Eu, o Matheus e o Diogo já tínhamos tido à uns anos uma banda de powerviolence à antiga e ainda aconteceram uns concertos em escritórios que acabaram destruídos. Mas sem dúvida que notamos a evolução de cada um desde essa altura, passando por outro projecto nosso que nunca saiu muito de casa - La Brume Grise, até hoje em dia com Holder. E ainda temos na formação o Lemos que é só um drogado que encontramos aí no lixo à um par de dias. Perguntas-nos se 'metalcore do diabo' é um género musical? Se existe folk/anti-folk, para mim, tudo é possível.

M: Acho que é difícil definir um estilo para incutir como headiner da página e etc. Pegamos na guitarra, tocamos e se sair bem e for do agrado de todos fica uma linha, malha, arranjo ou qualquer coisa feita. O que interessa é fazer cenas e não estar preocupado se o resultado final vai soar a Nails ou Integrity apesar de sentir que todos nos vêem com essa mesma conversa que a banda é uma mistura das duas cenas. Para mim a minha maior influência é Confronto, para o Diogo é Shai Hulud, Lemos é In Flames e Gonçalo é Dystopia.

O que é que podemos esperar dos Holder? Sei que já têm uma data em Abril marcada e provavelmente ainda se estrearão antes, mas que projectos já têm em cima da mesa para o futuro próximo da banda? Quando é que podemos esperar mais música da vossa parte, lançamentos, essas coisas todas.

M: Estamos neste momento a gravar a nossa Demo que vai ser lançada pela Dirty Crown. Depois disso é esperar para ver se os concertos aparecem. Estamos com planos para que nas férias da Páscoa organizemos uma mini-tour de fim-de-semana com Nihilistic Bastard. 2 ou 3 datas para mostrar duas bandas que ainda estão fresquinhas.

G: Acho que falo por todos quando digo que estamos cheios de vontade de nos lançar à estrada para irmos espalhar alguma magia - e muita sensualidade - por Portugal inteiro. Temos andado a tentar gravar as cenas em casa, tudo ao espírito antigo do DIY e sem qualquer custo. Não papamos grupos, não queremos ser os reis da cena, estamos aqui para fazer o que gostamos e de braços abertos para quem gostar do que temos vindo a criar. Estamos muito satisfeitos também com a vontade do Edgar (props!) da Dirty Crown por nos querer lançar a demo, gostamos muito do ambiente nas Caldas da Rainha e mal podemos esperar por ir lá tocar em Abril. Entretanto essa tal mini-tour que estamos a tentar marcar também nos anda a encarquilhar os pelinhos do rabo - se bem que ao Lemos ainda não lhe cresceu nenhum.

Bem fixe ver uma banda tão nova já com coisas na cabeça e ideias para avançar. Já sabem que vos desejo a maior das sortes. Pa, pegando um bocado na vossa sonoridade, como já ficou explicado em cima vocês têm um som algo fora daquele que se costuma tocar por cá, fugindo ao rancancan do costume. Se por um lado a originalidade é algo de louvar isso traz algumas dificuldades quando se fala em cativar mais público, tocar para novas audiências e talvez até a própria facilidade em se marcarem concertos. Se é que me dão alguma razão, de que forma é que acham que a malta devia contornar o problema, se é que ele existe.

M: Não sinto que criar um som fora do comum seja um problema. É arriscado, podemos nunca sair da sala de ensaios ou nunca passar do primeiro concerto mas acho que estamos todos aqui a tocar o que gostamos e isso é o mais importante de tudo. Como o Gonçalo disse em cima, temos estado a receber boas críticas em relação à música disponível online e achei bastante positivo uma miscelânea de gente que não fazia puta de idea que apreciavam o tipo de som que tocamos chegar-se à frente e dizer "muita bom quero ver gigs disso!" É importante haver variedade, e estamos dispostos a sair da zona de conforto para apelar à diversidade. Desde mixtapes, splits, gigs diversos, estamos na boa com tudo isso. O que interessa é apoiar e não deixar estagnado.

G: Obrigado! "Estamos juntos", como diz o outro...Realmente o nosso som não é tão habitual por cá como o que tem vindo a ser feito nos últimos anos, acho que ou existe algum receio por parte das pessoas em criar algo diferente (se bem que têm aparecido bandas com uma musicalidade mais 'original' every now and then) ou simplesmente ficam presos ao que estão habituados. Sair daquela zona de conforto é complicado para muito boa gente que por aí anda mas, de facto, até temos vindo a ter uma recepção mais positiva do que inicialmente esperavamos: têm-nos convidado para alguns concertos (inclusive fora de lisboa), a Dirty Crown chegou-se à frente para lançar a nossa demo e no geral temos vindo a ouvir boas críticas à cerca do nosso som em sí. Uma boa solução, a meu ver, para contornar esse tal "problema" é criar a oportunidade de dar a conhecer bandas de diferentes géneros e ideias ao público, organizar concertos com múltiplas sonoridades ou até mixtapes com bandas bastante diferentes entre sí, e deixar aos que estão "de fora" pelo menos a oportunidade de verem o que é feito para além dos seus limites, porque, no fundo, estamos (quase) todos aqui pelo mesmo.

Para quem acompanha o blog já sabe da existência da pergunta da praxe. Aquela em que vos pergunto como é que ficaram a conhecer o punk e o hardcore, como é que começaram a gostar disto e porque é que ficaram. Digo "ficaram" porque já vos conheço há uns tempos, aliás, acho que a primeira vez que conheci o Gonçalo foi à porta da Casa de Lafões porque lhe fui entregar uma cena qualquer, já não sei se uns ténis se o que era praí em 2009 se calhar, mas sei que já foi há um tempo valente. E tu tás mudado pa, ahah!

G: Eu lembro-me desse dia! Apareceste-me com um saco e alguma coisa andava lá dentro, não seria vinil? Já não me consigo recordar também, o tempo voa...

O meu pai fez o favor de me incumbir logo litros de azeite com os grandes clássicos do metal/hard rock, e só aos meus 13/14 anos é que a iniciativa de procurar algo para além desses mundos começou a surgir. Lembro-me de na altura ficar fascinado com UK Subs, The Varukers e Censurados, mas foi só mesmo uns meses. Mais tarde é que vim a descobrir um dos álbuns que me encheu de chapadas a torto e a direito, para mim um dos discos mais cruciais do movimento punk/hardcore - "Damaged" de Black Flag. Foi mesmo a partir daí que comecei a explorar mais esta subcultura, a descobrir mais e mais bandas, a frequentar a mítica Academia de Linda-a-Velha e a sentir-me mais enquadrado no geral...Foi aquela altura em que fugir aos padrões habituais - do que era aceitável ou não nesta sociedade podre - e resgatar algum senso de liberdade fazia todo o sentido e quase que se tornava em algo automatizado à medida que ia passando os olhos pelas letras das bandas que ouvia, ou das zines que ia lendo. Tenho a noção que já não sigo tanto o hardcore em sí como o punk - apesar de saber que ambos andam de mão dada - mas infelizmente cansei-me de aturar as personagens que por aí andam e bandas que não dizem coisa com coisa. Cada um vai atrás do que melhor o identifica e a "scene", por aqui - claro que não na sua totalidade, já deixou de me fazer sentido à muito tempo.

M: Eu tive a sorte ter chegado a Portugal em 2002, e calhado viver em Linda-a-Velha. Na altura era um bom centro de divulgação do Hardcore/Punk nacional. Tenho muita pena que hoje em dia por estas bandas esteja tudo tão parado. Mas sim, comecei a ir a concertos e fiquei apaixonado pela cena e nunca mais larguei. Já desloquei o joelho, já fodi a cabeça mas isso para mim foi sempre irrelevante. Hardcore/punk e esses mambos todos undergrounds têm tudo a ver comigo e com aquilo que acredito. Não estarmos à espera sentados e ver as coisas acontecerem, mas a mexer o cu e sermos nós aquilo que move a cena.

Compreendo em parte essa frustração, mas aí entra em jogo a necessidade de alterar a forma como as bandas expoem as suas ideias (quando as há), como os assuntos são debatidos, como as coisas são explanadas e tiradas dos confins da internet ou da cabeça das pessoas e partilhadas. Sei que tenho uma ideia um bocado idílica de como o hardcore podia funcionar, mas quando se fala tanto na educação dos mais novos e aceitação da novidade pelos mais velhos, era fixe que essa troca de ideias realmente existisse. Ela tenta ser feita, mas nem sempre a disponibilidade está lá.

Bom, mas voltando à banda, e para fechar com chave de ouro, até vos ia perguntar se gostavam mais de Black Flag com o Ron, o Keith ou o Henry mas creio que essa provavelmente será uma questão merecedora de um referendo popular. Assim, fico-me por algo mais suave: se rebentásse aí uma guerra nuclear e só tivésses tempo de levar cinco discos para o abrigo, o que é que levavam para mais tarde mostrar aos mutantes resultantes da radiação e/ou aos visitantes extraterrestres que porventura cá viessem checkar o planeta. Aproveitem a deixa para mandar beijinhos e desejar a paz mundial, nem que seja para não terem de fazer a escolha que acabei de vos pedir que fizéssem.


G: (Em atitude o Rollins ganha, mas o meu preferido é o Reyes). Essa dos discos não é fácil, mas acho que até consigo responder com uma certa rapidez:
Catharsis - Passion
Nails - Unsilent Death
Godflesh - Streetcleaner
Dystopia - Human=Garbage
NAS - It Was Written

Queria mandar um grande abraço para o núcleo do Nós Contra Eles pela oportunidade e pelo bom trabalho que têm vindo a fazer neste tão curto espaço de tempo. Outro para o Edgar/Dirty Crown por todo o apoio e um beijo quente para todos os que têm vindo a dar tanto amor à banda.

M: Pergunta difícil, alguns discos da lista não são os mais ouvidos hoje em dia mas marcaram de alguma forma a minha juventude, mas aqui vai:
Confronto - Causa Mortis
Trinta e Um - Terceiro Assalto
(A) New Found Glory - Nothing Gold Can Stay
SK6 - Bem-vindos à Extinção
August Burns Red - Messengers

Obrigado Tiago/Nós Contra Eles pelo interesse em nos contactar. Agradecemos a oportunidade. Apareçam nos shows, falem connosco, todo o feedback é bem vindo. Temos 3 shows confirmados por enquanto, dia 23 de Fevereiro em Caldas da rainha, 31 de Março em Lisboa, e 25 de Abril em Caldas da Rainha outra vez.


Discos Trocados: Fang/Fit Of Anger

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada. Um dia depois, o mesmo super sabor.

André
Fang - Landshark/Where The Wild Things Are (1989)

Sob o risco de perder toda a minha cred hardcore/punk vou admitir que não só nunca tinha ouvido Fang, como também nunca tinha ouvido falar dos Fang. Oh well... Mas claro que há uma explicação, já lá vamos. A primeira reacção ao ouvir isto foi: "O Tiago gosta disto?! Nigga what?!" A segunda reacção foi: O Kurt Cobain devia curtir bué desta banda (o que confirmei depois no Google, tendo eles inclusive gravado uma cover deles que eu nunca tinha ouvido). 

Assim aquela onda louca punk rockinha da West Coast começos dos anos 80, sabem? Não é bem a minha cena. Assim muito barulho, muito destrutivo, voz torcida, vocalista a morrer, mais áspero que uma lixa e, do meu ponto de vista, uma beca mais do mesmo. Bandas nesta onda dão-me vontade de baixar a cabeça e fazer aquele headbang a olhar para o chão, sabem? Granda onda. Este disco, apesar de ser de 89, tem os dois primeiros lançamentos da banda, de 82 e 83 respectivamente. Oiço na boa, mas este tipo de punk rock não faz muito por mim. Se não estão familiarizados com a cena da "outra" costa comecem com a compilação Let Them Eat Jellybeans da editora do Jello, a Alternative Tentacles. Não tenho em vinil, aceito oferendas!

Tiago
Fit Of Anger - Fit Of Anger (2000)

Hm...após a primeira audição "cega" do disco são notórias as raízes de Nova Iorque. Sendo eu apreciador dessa onda mereceu mais uns dois ou três repeats mas a avalição do disco manteve-se: não é mau, mas cansa pra caraças. Tem toques porreiros, falta aqui uma produção ranhosa ou qualquer coisa que me apele mais, a onda mais recente (2000s) de Nova Iorque já me diz bem menos. E aquela musiquinha com a gaita de beiços? Ahah. Não se assustem com essa capa bem horrível, o disco é bacano, mas é mp3 para ganhar algum pó na minha biblioteca.

Não encontro informações nenhumas de jeito na internet para cabular, mas tem malta que de Everybody Gets Hurt, Skarhead ou COT. Não sou o maior fã de nenhuma delas. Skarhead então...para ouvir falar de "drugs, money & sex" vou ouvir um granda rap (decente) que fico melhor servido.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Baú do Congas: For The Glory + Roll The Dice no meio do nada, Bélgica

Um cartaz dá sempre azo a mil histórias, isso é algo que felizmente nunca irá mudar. Quem melhor que o Congas para lembrar de algumas que aconteceram em concertos de For The Glory?


Olá malta! Primeiro quero pedir desculpa porque estive meio afastado e nunca mais vos trouxe aqui mais cartazes do Baú. Mas voltei, é o que interessa. Apesar de para muita gente esta rubrica não ter significado nenhum, para mim é como uma viagem ao passado, onde vou buscar memórias e situações que estavam aqui perdidas na minha mente. Portanto é um bom exercício mental, haha!

Este cartaz começa logo por me fazer rir porque meter na descrição "na onda de Terror/Panic" dá logo vontade de sorrir. Terror compreendo, agora Panic?! Epá, só se for na forma desenfreada com que o Miguel gravou o Drown In Blood a 200bpm, quase que poderia ser "para fãs de Terror/Panic/Cannibal Corpse", haha!

O concerto foi numa sala pequena, na cidade de Bornem - na parte flamenga da Bélgica. Duas bandas e dia de semana seria sinónimo de concerto pequeno, e assim foi. Um bar sem palco e com um tipo de barril no centro do dancefloor - mesmo a pedir bom circle pit lá à volta. Mas hey, estávamos na Bélgica e sem dúvida que circle pit naquela altura não era algo que os Belgas fizessem. Entretanto, alguém pensou que aquele barril (que deveria ser BEM PESADO) deveria sair dali e só vejo o vocalista de Bloodshot a empurrar e a rolar aquilo para o lado e pronto, a partir daí foi o arraial de mosh que os Belgas sabem proporcionar.

Os Roll The Dice eram a banda local (como diz o cartaz, haha) e soavam a Eurocore, aquela sonoridade muita rápida com partes OH OH OH - não vos sei explicar. O gajo da banda também era o organizador do concerto e sem dúvida que era das pessoas mais estranhas do mundo. O Jakke era um moço humilde, simpático e que tentava fazer o melhor que conseguia - tanto para levar bandas a tocar à terra a dele como fazer com que a banda dele tocasse com bandas de fora. Espero é que ele não diga a todas as bandas o que nos disse a nós: "If you want you can fuck my mum." Esta frase deixou toda a gente de queixos caídos, ninguém esperava levar com uma bujarda destas. Depois ainda rimos, naquela para ver se o gajo não estaria bezano e como o inglês dele não era o melhor, talvez não fosse bem aquilo que ele queria dizer, mas logo de seguida diz o seguinte "my mum loves portuguese guys, if you want I can call her."

De facto foi surreal. Quando saímos para casa do moço, eu acho que estava a nevar e ao lado da casa dele havia assim uma vedação daquelas de madeira com cavalos e vacas... mas isto pode ser a minha mente a pregar-me um truque (nop, não é - havia mesmo! André).  Mas a realidade é que estas tours no início da banda eram cheias de peripécias e personagens bem estranhas. Contudo o gajo era muito fixe e prestável, tão prestável que até ofereceu a mãe! Haha!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Review: We Ride + PxHxT + Same Old Chords + Fight Today @ States Club, Coimbra


Porquê ir a Coimbra ver um concerto quando havia um parecido em Lisboa? Primeiro porque isso não quer dizer nada e sabe sempre bem variar um bocadinho nas salas e nas cidades. Depois porque ando com uma pica descomunal para dar umas voltas e aliar isso passar um fim de semana com a malta das bandas que iam de Lisboa é ouro sobre azul

Dar com o sítio demorou algum tempo. Mantendo contacto com os rapazes de PxHxT e de Same Old Chords que tinham ido jantar a casa de pessoal da organização, lá encontramos o States. Apesar das horas ainda deu tempo para um par de cervejas no café mais próximo, onde ocupamos a esplanada. Não se aprende nada com esta malta, divirto-me sempre! O Davide e o Ricardo (de PxHxT) dominavam a conversa,  a Márcia (de Same Old Chords) mandava uns bitaites para completar e ,se não me engano muito, pelo tempo que o Noia passou com a Go Pro na cabeça estilo mineiro, isto é capaz de estar tudo gravado. Bom, no fundo era o Trolha quem mais falava, mas isso são outras histórias.
Lá para as 23h finalmente se começou a entrar.  O espaço é giro, um antigo clube de strip, coisa que as luzes vermelhas, as paredes espelhadas e o rabo empinado a sair por detrás do banner de We Ride confirmaram.

Só não percebi o esquema de pagarmos o bilhete e em vez de termos uma bebida grátis, eramos obrigados a consumir pelo menos uma. Ou seja o concerto saia a 6.5€ no mínimo. Mas bom, os Fight Today finalmente deram início aos concertos. O palco era, de facto, muito pequeno para 5 pessoas o que não invalida que ache que o vocalista precise de ganhar mais à vontade. O som é hardcore típico, um bocado repetitivo de malha para malha, mas estava tudo a aderir e rende sempre ver as bandas jogar em casa.

Seguiram-se os Same Old Chords. Tenho de dar os meus parabéns à Márcia. Do concerto do Porto para este, tendo em conta que não houve mais nenhum, duplicou o à vontade. Grande onda! Houve uns quantos problemas de som, só havia um monitor, mas o Flávio e o Daniel safaram-se bem a partilhar um micro, parecia um dueto romântico, eheh.

Com PxHxT já se sabe, é a destruição onde quer que seja. Continuo a achar que o Noia é provavelmente o tipo mais suado que já vi em palco, mas ninguém se importa. Melhor ainda, foi a pequena reunion da banda, com dois dos ex-membros no público a partilhar o microfone. Tem andado a deixar um cheirinho do álbum que está para vir e acho mesmo que vai ser power! Não houve aquela habitual chacina à beira do palco, mas andava tudo nos circle pits e no crowdsurf com a prancha mítica. Não sei é o que é que os moços tomam, mas têm todos uma elasticidade brutal, parecia os olímpicos de salto em altura.

Por último We Ride. Sinceramente conhecia mais de nome do que de ouvir. Mas foi bom, e têm ali uma legião de fãs impec, acho que nunca vi uma percentagem tão grande de raparigas num concerto, tendo em conta as 60 pessoas na sala. A Party Girls foi, portanto, aquele auge mas acho que não falhou nenhuma, não me lembro de um momento parado, pelo menos.

Acabou eram quase duas da manhã, ainda se esteve à conversa lá fora, a malta de We Ride é calminha mas muito porreira, só se riam com os atrofios do costume. Infelizmente, só soubemos mais tarde, um dos rapazes que estava no concerto teve um encontro de terceiro grau com um grupo de extrema-direita quando ia a caminho de casa sozinho, foi parar ao hospital nessa noite. E pensa uma pessoa que essas merdas já não acontecem assim. No entanto, fora essa triste notícia, foi daquelas noites “sim senhora!”.


Review e fotografia por Bárbara Sequeira.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

The kids are back...


Ah, já é Fevereiro. Não sei se vocês repararam, mas isto esteve um bocadinho parado nos últimos meses. Eu tenho andado bastante ocupado e o Tiago também (acontece sempre a quem tem vida). Sabem como é, right? Um gajo faz isto por desporto e às vezes o tempo não chega para tudo. Antes de continuar quero agradecer às quase 350 pessoas que fizeram like na nossa página do Facebook e que, de uma forma ou de outras, nos vão transmitindo apoio e agradecimento pela existência deste blog e, também, às mais de 30 mil pessoas que já nos visitaram no blog desde Agosto do ano passado - isso sim, é completamente insano!

Bom, agradecimentos aparte, serve este texto para informar que os miúdos voltaram. Eu e o Tiago estivemos aí de volta da papelada toda do costume e, depois de umas horas em frente ao white board no nosso HQ, lá planeámos os próximos meses. Vem aí coisa boa, não só no blog mas também fora dele. Claro que para saberem vão ter de esperar, mas eu não creio que isso seja um problema, right? Se for vão ter de lidar com ele porque o mundo não vai andar mais rápido por causa disso.

Claro que com o crescimento na audiência já houve uma série de episódios onde pessoas confusas decidiram criar confusão onde ela não existia. Acontece. Acontecia quando eu comecei a ir a concertos e há-de continuar a acontecer enquanto esta cena existir. Vai sempre haver aquela miudagem nova que acha que ao fim de um ou dois anos já viram/fizeram/aconteceram tudo aquilo que havia para ver/fazer/acontecer. Na descontra, eu também já fui puto e também fiz muitas coisas estúpidas - faz parte do processo de crescimento. Espero é que não percam interesse no hardcore pelo caminho, como tantas vezes acontece.

Mas o que é que isto interessa? Bom, interessa porque assim aproveito a deixa para pôr alguns pontos nos ii e, caso aconteça futuramente começarem com mimimimi isto e aquilo, só preciso de pegar o link e escarrapachá-lo onde for. Eu já tenho o meu tempo limitado o suficiente e decerto que discussões na netji são certamente algo a que eu não me posso dar ao luxo (não que tenha paciência de qualquer forma).

Portanto:
  • Este blog não é um blog politicamente correcto. Quer isto dizer que nós dizemos aquilo que queremos e que nos apetece - é a nossa opinião. Se nós acharmos que banda X, Y, Z não é boa, nós vamos dizer que banda X, Y, Z não é boa. Não estamos aqui para agradar a ninguém e não obrigamos ninguém a ler aquilo que escrevemos - muito menos devemos alguma coisa a alguém. Se não concordam com isto podem sempre ir ler o Blitz ou a Vice.
  • Eu e o Tiago ouvimos - maioritariamente - hardcore old school. Ou seja, quando falamos de hardcore em termos comparativos (de ser bom ou mau) é mais ou menos relativamente a esse tipo que estamos a falar. Eu sei que muita gente tem problemas com rótulos e também vem daí muito mimimimi sobre o que é e o que não é e o que não deixa de ser. My thoughts? Fuck it. Se acham que Metallica é hardcore, pá, bacano. Para nós, hardcore é o que nós achamos que é hardcore. Se não concordam... Vice ou Blitz.
  • Todas as pessoas são mais do que convidadas a participar na discussão e a escrever para o blog, aos meus olhos é essa uma das cenas fixes do hardcore (e uma das que mais se vem a perder). Infelizmente, ao longo de todos estes meses houve muito poucas pessoas a tomarem iniciativa. Preguiça de escrever? Possivelmente. Não censuro ninguém, mas saibam que este é um espaço livre. Claro que se quiserem escrever sobre coisas que não interessem ao Menino Jesus (isso fica ao nosso critério, sorry!) o mais provável é um gajo mandar-vos dar uma volta. Usem senso comum e tudo será numa boa - se tiverem algo a dizer sobre o quer que seja (relacionado com hardcore), entrevistar uma banda, fazer uma review, não fiquem escondidos atrás de uma pedra, façam-se ouvir!
  • Educação é na escola. Já há muito tempo que deixei de acreditar que se deve educar os miúdos do hardcore. Calma, não saltem para conclusões. Uma coisa é educar, outra é disponibilizar informação. Eu não fui educado por ninguém, nem a maioria dos meus amigos foi. No entanto, todos nós tínhamos (e temos, ainda que com graus diferentes) algo em comum: uma incrível sede por saber mais e devorar tudo o que mexe no que toca a hardcore. If anything, este blog existe para ser uma refêrencia e um ponto de partida - não uma escola. Estamos em 2013 e existe a internet, só não tem escola quem não quer. Não há desculpas.
  • Why so serious? Um gajo quer cortar nalgumas bandas e escrever umas malandrices, qual é o problema? Curtam o que quiserem, cortem no que quiserem - se levam tudo o que aqui passa demasiado a sério se calhar o melhor é não lerem o que aqui passa. Hm? Aí está uma ideia. Um gajo curte galhofa e dizer merda, faz parte. E daí, é o nosso tempo e horas gastas ao teclado, por isso...
Ou seja, assim muito basicamente: Não levem isto muito a sério, comprem umas Colas de baunilha e relaxem a ver o resumo da Premier League de há uns anos, quando o Ronaldo ainda cá jogava. Decerto que é o melhor que podem fazer. Alternativamente, podem sempre contribuír com textos - algo que agradecemos do fundo dos nossos corações e, acreditamos nós, faz imenso pelo crescimento da cena (mesmo que seja só da nossa, a do Nós Contra Eles). Faz falta troca de palavra, saber quem somos e o que fazemos. É tudo fazer shares e likes e isto e aquilo e gosta da minha banda e faz divulgação deste concerto e... Man, what the fuck? Este é um blog com conteúdo. É um blog de hardcore, sobre hardcore e escrito por miúdos do hardcore - estamos cá para quem curte de nos seguir e, acima de tudo, para curtir uma beca a fazer aquilo que faz de nós quem somos.

A ideia deste blog é - tal como sempre foi - a criação de um espaço comum para pessoas que partilham de um gosto comum: o hardcore. Quem não se identifica com aquilo que nós escrevemos, obrigado pela visita e até à próxima. Aos outros: é nóis! Bom 2013, que vos traga de pior o que 2012 trouxe de melhor.

Playlist da Semana #31

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Pissed Jeans - Honeys - Provavelmente o primeiro disco "grande" a sair em 2013. Confesso que nunca segui muita a banda, tinha malhas fixes, mas fritaria em demasia para os meus gostos. Não sou grande entendido em rock mais modernaço, mas estes toques garage e produção chunga consegue sempre chamar-me à atenção (obrigado bhc!). Ya, infelizmente há aqui um par de músicas que se arrastam indefinidamente, mas quando metem o pé no acelerador isto é uma pastilha do caraças. Bate o pé, bate a mão, abana a cabeça, dá marradas na parede, go nuts! Olha só esse refrão com riff bem catchy aqui.

MFP - Self Titled - Bem a propósito da conversa do aumento do custo dos portes de envio dos Estados Unidos para o estrangeiro, este foi um disco que levou com o que pode ser uma das curas para este flagelo para os coleccionadores de discos e afins. Prensagem norte-americana na Painkiller Records com os espanhóis da Stomp! a tratarem da (pequena) prensagem europeia. Parece que consegui safar umas cópias para a distro a cinco paus da press europeia. Nada mau para um disco bem bom, Boston hardcore com gravação à Boston hardcore, produção do CC na Paincave, a velha guarda ainda a mexer em tudo o que de lá sai. Malta de Last In Line e Obliteration. Lembro-me de ler há um par de meses sobre novo disco de Obliteration...vou fazendo figas.

Our Side - Live @ WUML - Yo, what's up? This is the Our Side tribe...and this is your Last Warning!! Começar sets com cover de AGNOSTIC FRONT é logo para chamar a atenção. Lembrei-me desta tape por um motivo não tão bom. Voltou-se a falar no bacano da Like Glue e a sua empresa de duplicação de tapes, e de como está a dever guita a meio mundo por tapes que ficou de fazer e nunca fez...Ainda lhe comprei dois ou três lançamentos que nunca chegaram, mas que graças à política do PayPal de que o cliente é que manda a guita foi-me devolvida. É pena, Our Side são boa banda e quando esse 7" sair vai dar que falar.

Crumbsuckers - Life of Demos - Mais um desenterranço daquele grupo sobre o NYHC, com três demos desta banda de Nova Iorque. Dá para sentir a evolução no som, da demo de 83 bem hardcore sujo para as malhas de 84 e 85, já bem mais metaladas, som solos de guitarra para o headbang e tudo. O Life of Dreams é um disco crossover bem bacano.


Devil Inside - 36 Karat - O meu palpite é que dificilmente haverá alguém que conheça este discaço vindo directamente da nossa querida Germânia. Fãs de metalcore (metalcore a sério, vá) não se deixem dormir. Portanto isto é um metalcore à Kickback mas alemão e cantado em alemão. O "tipo Kickback" é só para vos dar uma ideia porque isto manda grandas influências turcas, árabes ou o raio que os parta. Man, pandeiretas em partes mosh? Sítaras? Fala sério. Esta banda não é boa, é melhor que isso. Fazia anos que não os ouvia e agora... agora tou colado, claro. Fica aqui a dica, afastem-se dos móveis antes de carregarem play - a partir do minuto e trinta e cinco complica, aos dois e quarenta... bom, boa sorte!

Integrity - Humanity Is The Devil - Eu adoro Integrity, mas não oiço sempre Integrity. Ouvia sempre há uma carrada de anos atrás mas depois acho que TODA a gente passou a adorar Integrity e a cena morreu um bocado para mim. Não, just kidding, curtam à vontade. Este disco é um dos meus preferidos deles, claro. Dúvidas? Na!... A cena é, quanto mais os anos passam, mais valor dou às cenas mais antigas. Não que eu oiça nada que tenha saído pós-anos noventa mas isso também não é relevante. Dwid + Random Dudes? Not my thing. Os Melnicks? Heróis. Ou pensavam que era o Prometido é Dvid que fazia as malhas? Ah. Trivia para amanhã fazerem boa figura com aquela miúda com quem sempre quiseram meter conversa: A segunda voz na Hollow é do HF (Human Furnace) de Ringworm.

Undertones - The Undertones - Punk rock da Irlanda. Hmmm, ok. Podia ser pior. Pá, eu odeio o sotaque irlandês com uma paixão daquelas; tipo, a forma como eles enrolam as palavras só me dá vontade de desatar ao estalo. Excepção feita para miúdas giras, assim até passa. Undertones? Boa banda. Muito boa banda, este é bem capaz de ser um dos meus discos de punk rock preferidos. Levezinho, cheirosinho, com boas letras e riffs bem, bem, bem bons! Teenage Kicks? Quem não conhece? É música de deixar a namorada cheia de corações por cima da cabeça, e não estou a gozar.

Agnostic Front - Tudo... - Yup, é a minha banda de hardcore preferida. Sim, celebro a discografia completa de uma ponta à outra. Querem que faça o quê? Mal posso esperar por ter tempo para um Tópico de Apreciação sobre eles!... Isso é que era falar. Já há bandas melhores que eles? Hmmm. Sempre aquela pergunta difícil, né? HARDcore. Outra cena... melhor disco? Live At CBGB. Se me mandassem o "André vais para uma ilha e só podes levar um de hardcore..." eu respondia esse sem pensar duas vezes. DO YOU WANNA SEE THE BAND OR DO YOU WANNA SEE THE BOUNCERS?

Steve Aoki & Angger Dimas Feat Iggy Azalea - Beat Down - É, o Leo já me tinha dito há uns tempos para eu prestar atenção a esta miúda mas eu acabei por nunca lá ir. Mea culpa. Mas tass bem, na realidade só conferi esta malha. A cena é: Eu quero mais é que o Aoki, o outro Manel e a cena toda electro vão para o caralho que os foda MAS se me dão um womp destes no refrão e uma loiraça a rappar como se tivesse vindo do ghetto, a minha atenção está ganha. Não sei quantas vezes ouvi esta malha esta semana, mas agora tenho uma boa razão para gastar as £2 de crédito que os senhores da Amazon me deram da última vez que lá comprei cena. Calmo mesmo! Ah, o vídeo? PESADO.