quinta-feira, 19 de julho de 2012

Review: A Thousand Words + Anchor @ Bar Novo da FLUL (Lisboa)


Mais um dia normal de trabalho e treino de Muay Thai às oito horas. Saí um pouco mais cedo para tomar banho pois tinha algo para fazer, algo que me iria quebrar a rotina, uma coisa que já não fazia há algum tempo e faço cada vez menos. Mas que desta vez decidi não deixar escapar. Com o passar dos anos torna-se complicado quebrar a rotina durante a semana, já sei que são os horários alterados, o dia a seguir com ar de zombie á lá Walking Dead e sem vontade de fazer seja o que for. Mas se o Muay Thai me faz bem ao corpo, já o que fui fazer fez-me bem á alma.

Cheguei um pouco tarde, fiquei na conversa cá fora e só entrei mesmo quando A Thousand Words ia começar a tocar. Sempre que tocam em Lisboa tento sempre ir ver estes algarvios do capeta. Têm todos um feeling brutal em cima do palco e as músicas são boas demais. Se são coladas a Rise And Fall? Um pouco, mas e o que interessa isso? Tem feeling e são deste pequeno cantinho da Europa e devemos apoiá-los. Acredito que se fossem da Europa central iam ter granda hype à volta deles. Um set list bastante bom, nada chato, até o achei meio curto o que é sinal que estava mesmo a gostar do concerto. É sempre bom ver o pessoal a mexer-se, a fazer sidewalk, sing-a-long, só faltaram os stage dives. Lancem mas é o vinil numa edição toda bonita para eu comprar.

A seguir subiram ao palco os Anchor, banda straightedge (e vegan penso eu) da Suécia. Não consegui perceber o que me faz lembrar o som deles, se Carry On, se Judge, se Mental ou se uma misturada de todas elas. Foi a segunda vez que os vi e se da primeira vez me chamaram muito a atenção, desta vez já não me disse muito. Não sei há quantos dias andavam na estrada mas se calhar isso fez-se notar. Realmente pareciam mais cansados e a voz já não estava muito boa, o que me fez ficar um pouco de pé atrás com o concerto mas também consigo compreender a prestação visto que andar em tour não é nada fácil. Comprei um EP deles da primeira vez que estiveram cá mas não conheço nenhuma música em especial sobre a qual possa falar. De qualquer maneira a sala estava ao rubro mas um pouco mais vazia do que em ATW, visto também já ser tarde e havia pessoal a ter que ir apanhar os últimos transportes disponíveis. Algumas pessoas a cantarem as letras, com punhos no ar e o X nas costas das mãos a fazerem-se notar o que, devo dizer, me deu um prazer enorme. Afinal o feeling ainda não se esqueceu e o straightedge parece estar a rebentar em força de novo. Vamos lá ver quantos são para ficar. Se estás a ler isto e és straightedge não leves a mal o que digo, prova-me o contrário apenas.

Para finalizar, foi uma boa noite, valeu o ter chegado ao trabalho na sexta-feira com uma cara de zombie enorme. Se fosse numa sala mais pequena se calhar o concerto tinha tido um feeling ainda maior mas foi óptimo o concerto estar muito bem composto para uma quinta-feira à noite e ainda ver caras conhecidas e pessoal mais velho. Tive pena de não ter visto a nova promessa do hardcore vegan straightedge nacional Inyanga. Mas continuo a perguntar, qual é a cena de porem nomes estranhos nestas bandas que aparecem de vez em quando? E porque é que algum do pessoal vegan-edge apenas pôe os pés nos concertos ou monta bancas quando tocam as bandas dos amigos?

Review por Leandro Afonso (http://leoxfury.tumblr.com)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mais Que Música: Mind Control (Negative FX)

Mais do que um breakdown pesado para andares a rodar o braço ou uma melodia bonita de fazer aquela miúda que tu gostas soltar uma lágrima, o hardcore sempre primou por colocar o dedo na ferida. Todas as segundas, fazemos uma pequena reflexão sobre uma música cuja letra nos tenha dado que pensar.


No you won't - tell me what to think
No you won't - tell me what to do
Government! Religion! Drugs! Drink!
Parents! Peers! Bosses! Teachers!
No you won't - No you can't
No I won't let you - No!

Mind control is here

Rebel in every way
Don't accept their rules
Don't let them fuck your mind
Police at every corner
Religion has the rules
Parents try to tie you down
Drugs are just for fools

No you won't tell me what to think

No you won't tell me what to do
Cause I see right through you
Can't you see I've gotta be this way?!

A letra é bastante explícita, não? Acho que em quase minuto e meio o Choke resumiu a vida de qualquer um de nós a partir da sua adolescência. Seja o peer pressure para um gajo fumar ou beber quando é puto, sejam as regras na escola que um gajo abomina ou as aulas de merda que temos de aturar para depois "podermos ser alguém", com o pessoal em casa a torcer por nós, enquanto nos falam de como é fodido arranjar trabalho nos dias de hoje, ainda mais sem estudos, e nas muitas decisões que muitas vezes acabamos por fazer fruto destes "sábios conselhos". Isto para não falar na religião, no sistema político ou nos media cujo trabalho é formar ovelhas.

De uma forma ou de outra todos somos influenciados e moldados pelo que nos rodeia. Não vou entrar nessas filosofias todas que me fazem bocejar, mas isto é um facto. Se estás de alguma forma ligado ao Hardcore acho que tens de pensar na tua posição no mundo que te rodeia. Isto não é música para ir dar saltinhos pastilhado e engatar gajas todas bezanas, ou para fumar ganzas e dizer que queremos é Paz quando o que está à tua volta são injustiças e pobreza. Acho que todos nós devemos ao menos ter noção disto e sermos nós próprios, pensarmos por nós próprios, tentar ver o bom e o mau, pesar as nossas decisões e atitudes em relação àquelas que nos querem impor e que abundam à nossa volta, nos nossos amigos, na nossa familia, no nosso bairro, no nosso país.

O mundo está cheio de cópias, porque é que hás-de querer ser mais uma?

domingo, 15 de julho de 2012

Playlist da Semana #2

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


DNA - Self Titled - Sou tão crucialão que tenho a demo tape destes tipos ainda antes de terem dado o salto para a Triple B, parece que acertei quando achei que isto tinha potencial. Dos discos do ano se a tua onda é bandas rápidas.

Appraise - Self Titled - Parece que Barcelona está a voltar ao mapa, ou pelo menos volta-se a ouvir falar de bandas vindas desses lados. Os Appraise tocam algo naquela onda Youth Crew que não está a inventar a pólvora, mas que tem feeling. E acho um piadão ao inglês dos espanhóis. Aproveitem para checkar Down x Side e Pay The Cost.

Mental - Já sei que sempre que selecciono isto na pasta dos mp3s é complicado sair do player. Quer dizer, Mental é das minhas bandas favoritas, e consigo ouvir os discos em repeat mil vezes. Acho que esta semana bateu mais o Yo!, aquelas faixas ao vivo na WERS com aquelas intros partem-me todo, com direito a cover de Dump Truck. E foi finalmente esta a semana em que orientei uma cópia do Get An Oxygen Tank. O não querer largar 35€ por um 7" teve um final feliz, arranjando uma cópia a 1/3 desse valor. Obrigado Discogs!

Valete - Educação Visual - CRÁSSICO do rap nacional. Este disco lembra-me o meu 9º ano, e em como eu e os meus amigos sabiamos as letras todas de cor. Ainda me lembro de grande parte.

Raekwon - Only Built For Cuban Linx - Sim, mais rap. Desde que fui dar com grande parte dos mega clássicos dos anos 90 disponíveis no Youtube completos, tem sido a forma fácil de ter banda sonora para horas. É só carregar play e ver hit atrás de hit a desfilar.



Waka Flocka Flame - Flockaveli - Praticamente o disco que mais ouvi na minha viagem aos Estados Unidos no ano passado (comprem o livro: www.destinocostaoeste.com). Eu não sou muito de ouvir gangsta rap deste, preferindo uma onda mais nova-iorquina dos inicios de 90, no entanto, colei na Hard In The Paint e eventualmente acabei por ir começando a gostar do resto do disco.

The Rival Mob - Hardcore For Hardcore - Que disco! O que vale é que para cada dez bandas de merda que aparecem, há uns Rival Mob. Eu não sei... mas curtia que eles viessem a Europa. O que é que eu fazia? Acho que sacava um Travis Bickle do armário, e ia para o concerto com uma pistola escondida na manga do casaco. Possível, possível...

Dying Fetus - War of Attrition - Que não haja duvidas de que esta é uma das melhores e mais excitantes bandas death metal técnico que aí anda. No joke. Ainda não saquei o disco novo (tenho ouvido naquele stream que está online) por isso vou-me contentando com este (de 2007) que é, para mim, um dos melhores que eles já lançaram. Bom para ouvir logo de manhã como substituto do café.

Queen - Greatest Hits - Banda preferida. De vez em quando lá acabo aqui enfiado. Música boa atrás de música boa. Dos melhores de sempre, sem dúvida.

The Jimi Hendrix Experience - Electric Ladyland - Man, as vezes apanho-me a ouvir Jimi Hendrix e a pensar quão deus da guitarra ele era. A sério, gostava de perceber. Se algum dia começar a tocar guitarra, vou poder dizer que foi em parte por causa da Voodoo Chile. Deus, deus, deus!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Review: Out Crowd - Just Us (2012)


Sangue novo directamente de Atlanta, Georgia os Out Crowd surgiram no inicio de 2011 e já levam no bolso uma demo que foi lançada em formato tape e EP, um split com Written Off e o mais recente registo lançado em meados de Junho, “Just Us”, na conhecida Reaper Records.

Tocam hardcore como manda a lei: rápido, cru, intenso e sujo com influências punk e street punk e também com uma boa dose de Oi! clássico à mistura! Guitarras a serrar, uma bateria pesadona, umas boas linhas de baixo a marcar presença em todas as músicas e uma voz mesmo agressiva e afilada! As letras são simples e directas! O que querem mais? Isto sim é hardcore old school! Com estes meninos não há cá melodias e refrões do “ai a minha namorada deixou-me”, mas sim autênticos petardos sonoros que te vão entrar pelos ouvidos dentro! Negative Approach meets Slapshot!

Review por Miguel Pimentel
A Salad Days ainda tem cópias, a Backwash já esgotou o stock.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Cinco Às Quintas: Luís Luz (One Last Struggle)

Esta é uma rubrica em que colocaremos todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda.


Os One Last Struggle são uma banda de miúdos bem novinhos aqui da zona de Lisboa e Vale do Tejo (uns quantos andam na Fertagus...) que deram esta semana o seu primeiro concerto. Prometem trazer letras interventivas para os palcos e fazer o pessoal pensar um bocadinho na sua vida e no que os rodeia. Fiz umas perguntinhas ao Luís Luz, baixista da banda, sobre este novo projecto. 


Vocês são uma das bandas mais recentes a aparecer na cena nacional. Faz-nos um pequeno resumo de quem faz parte da banda e de como é que surgiu a ideia de se juntarem.

A banda nasceu nos finais do ano de 2011, quando o Medley, o Faritas e o Mega começaram a ensaiar. Entretanto, eles andavam à procura de baixista e apareci eu, com vontade de me juntar a este projecto! Procuramos então sítio para ensaiar e surgiu a oportunidade de ensaiar em Cacilhas, assim começámos a ensaiar lá, tendo até agora feito quatro originais. Passado algum tempo o Faritas saiu da banda e foi substituído pelo Borges. A formação actual da banda é: Mega na guitarra, eu no baixo, Medley na bateria e Borges na voz.

Vocês deram esta semana o vosso primeiro concerto. Fala-nos um bocadinho sobre isso, as expectativas que têm para a banda, planos para o futuro, etc.

Demos o nosso primeiro concerto esta semana e, sinceramente, acho que correu bem melhor que esperavamos, o pessoal aderiu aos sons e tivémos um feedback muito positivo! Acho que estivémos bem, fora os pregos e o nervosismo habitual! Nós esperamos trazer algo de novo à cena e queremos também passar mensagens nas nossas músicas, mensagens com que nos identificamos e que achamos importante falar. Para o futuro queremos rodar o máximo possível estes sons que temos, queremos tocar! E também estamos a tentar marcar gravações para breve e lançar qualquer coisa.

Por falar em mensagens, desde sempre vos vi a afirmarem-se como uma banda com "mensagem" e que defende "valores". Isto já vos garantiu alguns "stresses" (com mais ou menos sentido...) mas parece ser para vocês algo deveras importante.

Sim, nós defendemos esses valores e somos 100% assumidos nisso! Se passamos algumas mensagens nas nossas músicas, tentamos praticá-lo também e não deixar só na letra, não queremos ser hipócritas. Se tivémos stresses foi porque não perceberam o nosso lado, e que realmente nós acreditamos nos nossos valores. Nós nunca tentámos criar stresses, simplesmente fomos nós próprios.

Stresses à parte... passar para o público algo mais que apenas música é algo intimamente ligado ao Hardcore, mas que hoje poucas bandas fazem. Sem entrar em conversas do ser PC ou do que é Hardcore e do que não é, fala-nos um pouco do que vos inspira e do que pretendem transmitir com a vossa música.

O que nos inspira, acho que falo por todos, é trazer algumas ideias a esta cena que sempre se caracterizou por ser mais que música e que agora parece andar um bocado adormecida! Precisamos de pensar no que é realmente importante e lutar por isso. Deixar a alienação social de lado, lutar pela natureza e pelos animais, querer sair dos moldes e não nos deixar levar pela corrente.

No outro dia o André disse-me em conversa, a propósito de um  contexto diferente, que o "Hardcore não é para ser oferecido, tem de ser encontrado" (não foram estas as palavras exactas, mas era mais ou menos isto). A forma como o pessoal chega ao Hardcore é algo que sempre me despertou curiosidade. Fala-me um pouco do teu percurso.

Eu concordo com isso, mas no meu caso acho que foi diferente! Tinha eu praí 12 ou 13 anos e o meu irmão Guilherme mostrava-me cenas como Zootic. Claro que na altura achava aquilo horrível! Tive, inclusive um professor de história que me falou de X-Acto, na altura nem sabia o que era! Nos últimos tempos acho que devo quase tudo o que conheço ao meu irmão Ricardo, ele é que me mostrou muitas das coisas que conheço. Bandas atrás de bandas que ele descobria e me mostrava. Não sei se se pode dizer que foi oferecido, mas tive uma preciosa ajuda.

Facebook: http://www.facebook.com/OneLastStruggle

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Discos Trocados: Government Issue/Minority Unit

Todas as semanas o André e o Tiago trocam um disco e falam um pouco sobre o disco que lhes calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

Tiago
Government Issue - Make An Effort (1983)

You were eighteen, now you're a statistic!


Porra, se há discos que um gajo adora e que muitas vezes se esquece no meio das milhentas coisas que ouve ou possui, este é claramente um deles. Que abuso.
Quatro faixas em 6 minutos, o disco é uma chapada na cara do principio ao fim.
Tanto a primeira faixa (Teenager in a Box) como a segunda (No Way Out) são as minhas favoritas, mas não há nada a apontar, até o facto da guitarra ter o volume quase (quase?) mais alto que a voz sai bem.

Até podia estar aqui a dizer que fazia lembrar isto e aquilo, mas isto é Government Issue! Se o nome não te diz nada é porque andaste a ouvir demasiado aqueles ingleses do cabelo lambido.
Acho que ainda não tinha dito, mas a discografia da Dischord até 83 é só clássicos e um must para qualquer um. Não está lá este, mas está o Legless Bull e o que saiu a seguir a este. Também ainda não tinha dito, mas o split de Void/Faith é o melhor split de sempre, e para o ser basta ouvir o lado de Void.

André
Minority Unit - C.M.F. (2011)


Ora o que é que aqui temos? Mais sangue novo? Bom. Sangue novo é sempre bom. Confesso que as duas primeiras malhas me seguraram pelas bolas e me deram vontade de correr sozinho de parede a parede. Bons riffs, poucos clichés, estrutura interessante...! A partir daí foi meio downhill - principalmente a cantoria da terceira malha que (supondo que eles estavam a querer imitar Unity/UC) ficou a soar pior que mal. Estou sem grande paciência para ir pesquisar a idade destes garotos, mas creio que seja gente jovem da Califórnia. Se não forem... é na boa. Decerto que eles não se importam.

O som é daquele old school rasgado... tanto lembra Ten Yard Fight (do segundo EP) como Carry On (do EP). É positivo e com boas energias, mas tirando as duas primeiras malhas, não me prendeu por aí além. Não que as outras (tirando a terceira) sejam más, mas a parte cliché já não bate aqui nestas bandas. É tudo. Posso ir ouvir No Justice agora? Just kidding. Boa onda haver pessoal a fazer som deste, aposto que o Rafa fica maluco.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Mais Que Música: Don't Quit (Uniform Choice)

Que aconteceu a dar importância às letras das músicas? O hardcore não era sobre isso? Agora só se vê letras que não interessam à prima. Todas as segundas, fica aqui uma letra com significado que me tenha feito pensar no seu significado mais do que uma vez. Afinal de contas, o hardcore também é sobre isso mesmo: pensar.


When things go wrong 
As they sometimes will 
When the road you're trudging 
Seems all uphill 
When the funds are low 
And the debts are high 
When you want to smile 
But you have to sigh 
When care is pressing you down a bit 
Rest if you must but don't you quit 

Life is queer 
With its twists and turns 
As every one of us 
Must at sometime learn 
Often the struggler has given up 
When he might have captured the victor's cup 
And he learned to late as night slipped down 
How close he was to the golden crown 

Success 
Is failure inside out 
The silver tint to 
The clouds of doubt 
And you can never tell how close you are 
It may be near when it seems afar 
So stick to the fight when you're hardest hit 
It's when things seem worst that you must not quit 

Don't quit

Esta tem de ser uma das letras mais inspiradoras que eu conheço e há qual recorro regularmente - seja para mim, ou para passar a um amigo que precise dela. Uma das lições mais importantes que aprendi com o hardcore (ainda que tenha sido um percurso não necessariamente fácil) foi a nunca desistir. Não desistir. Vão haver sempre pedras a aparecer no nosso caminho e a querer bloquear a nossa vontade de chegar ao destino, mas não nos podemos deixar levar por esses obstáculos. Há sempre uma forma de contornar a pedra, há sempre uma forma de lhe passar por cima, há sempre uma forma - desde que se acredite e não se desista. Uma vez ultrapassado o primeiro obstáculo, não custa nada ultrapassar o segundo, o terceiro e o quarto. É quando as coisas parecem piores que não devemos desistir - o sucesso pode estar ao virar da esquina. Não há sensação melhor que chegar ao fim, olhar para trás e sorrir ao ver quão longe se chegou - com o esforço de quem não desiste. 

domingo, 8 de julho de 2012

Review: Defeater @ The Underworld (Londres)


Ora mais uma sexta-feira, ora mais um concerto. Desta feita encontrei-me com o Ema e com a Liliana, depois de uma viagem de metro feita ao som de Biohazard, para ver os Defeater no Underworld, em Camden. Eventualmente por gostar muito de hardcore, os Defeater são uma banda que me fazem pensar duas vezes sobre se estou na cena certa. Não fosse a guest list era mais que certo que não me apanhavam por ali - é para isso que os amigos servem!

Entrámos a tempo de ver a primeira banda, chamada Polar. Se tivesse de comparar a banda a alguma coisa, seria a não ter comida nenhuma em casa a não ser uma carcaça seca com três dias em cima. Aquele mastigar que custa e engolir a seco? Sim, essa sensação. Em termos de som, soou-me a uns Comeback Kid da terceira divisão. Aquele sonzinho melódico, bonito e, principalmente, cheio de estilo. O guitarrista então, representava tudo o que está mal com o hardcore nos dias de hoje: gelinho no cabelo, t-shirt sem mangas cortadas com muito jeito, calcinha justa de gaja arregaçada até aos tornozelos e Vans limpinhos sem meias. Isto sem esquecer os saltinhos sem tirar as pontas dos pés do chão, que é uma modinha que eu não consigo perceber. É para dar o efeito slow motion? Que bonecos.

Bom, depois fomos jantar ao McDonald's e eu vibrei com um batido de Starburst. Quando voltámos para a sala, os Defeater já tinham começado a tocar - mas não há muito tempo. Eu já os tinha visto antes e sabia que não era a minha cena, mas desta vez pude comprovar isso ainda mais. Letras sobre o avô que está no hospital, a namorada que não tem um braço, ou o amigo de infância que agora é gay e quer-se matar não são mesmo a minha cena. Pelo menos não são o motivo pelo qual eu oiço hardcore. Sim, claro, evolução e bla bla bla. Na boa. Não é para mim. Continuo a achar que os American Nightmare nunca deviam ter acontecido. Quer dizer, num concerto de hardcore o vocalista não me saca de uma viola acústica e canta uma música bonita a meio do set - quase provocando algumas lágrimas na audiência. Mas enfim, fazer o quê? Ainda consegui filmar algumas malhas, que podem ver se clicarem aqui.

Playlist da Semana #1

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.



Municipal Waste – The Fatal Feast - Já saiu há um tempinho, mas finalmente teve direito a uma audição mais atenta: não é o meu favorito, mas gostei bem mais que o Massive Agressive. Esta malta de volta a Portugal era bom mas bom.

Cold World – Ice Grillz - Nunca foi uma banda pela qual fosse grandemente apaixonado mas tenho vindo a gostar cada vez mais. Nem sei, mas aquele arrastar e a voz do Nick têm-se entranhado aos poucos.

Inherit – Desire To Grow - É uma banda que me tem feito os dias. O EP sabe a pouco, quatro faixas, uma delas cover, mas porra, gosto desta banda. Vejam a review que fiz aí há uns dias.

Out Crowd – Just Us - É
 uma das bandas novas que mais me têm entusiasmado. Começaram de mansinho, uma demo tape depois reeditada em vinil na Europa, um split com Written Off numa editora mais pequenita, edição espanhola em cassete com as faixas de ambos os registos e pimba, um show de arrepiar no United Blood 2012 que veio comprovar o porquê de terem o seu novo disco a sair na Reaper. Soam ao quê? Não digo, vão ouvir seus mandriões. Não durmam no pedaço, a Backwash tem a última tape e o novo disco, e a Salad Days também tem cópias do vinil. Esperem por uma review ao disco em breve!

NY Hoods – Neutral Demos 1986 - É uma banda que conheci à pouco tempo, aquando da edição em vinil das demos gravadas em 1986. É Nova Iorque, é lento, tem aquele groove distinto, adoro. A malta desta banda depois bazou para Altercation, Burn, Breakdown e Side By Side, por isso têm aí mais que razões para ir escutar isto.


Morning Again  As Tradition Dies Slowly - Este disco tem crescido em mim ao longo dos anos. Metalcore com o metalcore deve ser, duma altura em que as bandas de metalcore ainda não falavam de dragões ou vampiros. Brilhante.

Biohazard – No Holds Barred - Live In Europe - Ultimamente tenho andado numa fase Biohazard (incluindo o gorro e os óculos de sol). Este disco tem as melhores malhas deles, incluindo uma cover manhosa de Black Sabbath, LOL!

Motörhead  Overkill - Dos melhores. Vou vê-los pela primeira vez em Novembro por isso estou já a aquecer. Uma das minhas músicas preferidas deles (a Damage Case) é deste disco e não dá para negar a jarda que é a Overkill logo a abrir. Injecções de adrenalina.

Black Sabbath  Black Sabbath - Tenho andado a ouvir bastante Sabbath este Verão, deve ser da chuva em Julho, quem sabe? O disco mais escuro deles. Palavras para quê?

Drum & Bass Arena Presents: DJ Hype - Tem de ser. Ajuda a manter o ritmo de trabalho quando preciso de me concentrar. Bom mix.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cinco Às Quintas: Edgar Barros (Challenge)

Esta é uma rubrica em que colocaremos todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda.


Fui falar com o Edgar Barros, vocalista dos Challenge, a nova banda das Caldas da Rainha que promete agitar os concertos e meter a malta a fazer side to side que nem uns malucos. A banda tem já disponível a sua demo em CD, bem como uma tshirt para a malta que gosta de andar à fresca. Apanhem-nos um pouco de norte a sul, vale bem a pena!

Lançaram a vossa demo ainda há bem pouco tempo. Pelo que li a primeira press esgotou num instante. Como é que tem sido a recepção ao CD, que feedback têm recebido da parte do pessoal?
Sim, não sei bem como mas as 50 cópias que fizemos foram em 2 dias… Vamos já fazer mais pois felizmente temos recebido imensos pedidos. Para mim isto foi grande surpresa, e como perguntas, o pessoal tem falado bem da demo. O pessoal parece que curtiu, e já se começa a ver nos concertos pessoal a cantar refrões nossos, o que nesta fase inicial da banda é uma grande motivação. Nós de momento estamos animados com a banda, temos estado a compor sons novos, mas se vier ainda mais alguma motivação de fora, melhor ainda.

Sei que um dos objectivos teus e da banda é reacender a chama do Hardcore nas Caldas da Rainha. Como têm corrido os concertos que tem sido lá feitos ultimamente, tem aparecido público, há interesse?
Nem é bem reacender, porque acho que de certa forma nunca se apagou, é só voltar a pô-la a arder com a chama toda ahah. Estou animado com a “cena” aqui pois tem estado bom. O pessoal do costume de há uns anos está lá todo, pessoal novo e que se vê com interesse também tem aparecido, há malta mesmo velha guarda que tem ido também. Além disso, sxe novos, vegs, zines, começarem bandas… Pelo que vejo, e espero mesmo, daqui a pouco temos tudo para pôr Caldas no mapa do HC nacional. 
Além disso para tentar meter a cidade com mais concertos e para ver se o pessoal da cidade e não só percebe que isto aqui não morreu, nem está perto disso. Só este ano de Punk/HC vão tocar cá 6 grupos estrangeiros, além claro, de bandas Portuguesas como suporte. A tentar também variar salas, espaços mais underground também, ver se não se cai em rotinas, a cidade não é muito grande, mas se vierem bandas novas, em sítios diferentes, e que se mantenha sempre bom ambiente de certeza que tudo vai dar certo.


Que planos é que têm para o futuro da banda, se é que há algo que possas ir adiantando.
Planos… O principal e que queremos mesmo, pois é o que nos dá mais prazer, é tocar ao vivo. Estamos a marcar mais umas datas, também um pouco por todo o País. Estamos aí para sair em Tributos como a Ratos de Porão, Doom, Crise Total, Black Flag e Minor Threat. Há algumas propostas para uns splits, todos com bandas de fora. E parece que há interesse de umas editoras DIY lançarem a nossa demo nos seus Países, vamos ver se também sai, e queremos ver se a editamos também em cassete. Temos algumas coisas planeadas mas é para um futuro um pouco mais distante ahah.


Na minha opinião pessoal, ultimamente tem-se assistido a uma certa divisão no público que vai a concertos (por motivos diversos), especialmente na zona de Lisboa, o que se traduz numa certa divisão na cena, isto para além da bazezice que sempre existiu mas que a Internet ajuda a atingir valores elevadíssimos, ahah. Vocês, estando situados mais ou menos a meio do país, têm tocado tanto no Norte como aqui mais para baixo. Tens alguma opinião sobre a "saúde" da cena a nível geral, alguma crítica ao que se vai fazendo ou o que se devia alterar?
Death Threat dizem “You’re running around like some old school star, but we don’t know who you are”, e digo isto porque muitos dos que vejo a criarem guerras são pessoas que nunca vi na vida ou tão cá há dois dias. Sempre disse que todos são bem-vindos e que o Hardcore e os concertos são um lugar onde todos têm de ser aceites, mas para isso todos têm de se respeitar. Não sou capaz de dizer a alguém “bem-vindo” quando as primeiras atitudes são destabilizar o que foi construído ao longo dos anos, ou que fazem uma banda, sobem ao palco e quando pegam no micro é para falar mal de outras bandas. Não foi com esta atitudes que cresci nem é isto que “nos” faz falta. Mas o que vale é que ao longo dos últimos 12 anos vi começarem e acabarem muitas guerras, mas hoje posso olhar para quem continua cá há algum tempo, e essas pessoas que guerreavam no passado já não estão cá, por isso nem tudo é mau. 
Felizmente onde quer que vá ao longo do País seja para tocar ou ver não tenho tido qualquer tipo de problemas, tem de haver respeito e há pessoas que muitas vezes esquecem-se disto. Gritam muito de boca cheia os ditos valores do “Família, e irmandade e união (…)” e depois são pessoas que estão-se a cagar para os outros, que à primeira oportunidade fodem os de outras bandas, outros concertos… 
Como é que alguém pode gritar “Família ou união” quando não se dá nem quer dar bem com outras pessoas? Se dizem que essa é a Família Hardcore deve ser algo World Wide e não fazer dessa Família os 4 amigos da rua dele que ouvem Hardcore. Hoje em dia há bandas, umas bastante boas e subvalorizadas, há distros, bookings, há pessoas com interesse, acho que no meio disto tudo só falta uma coisa muito importante que é respeito entre todos. Quando por exemplo acontecer um concerto na mesma noite que tenha uma banda old school youth crew e uma de beatdown e que por serem géneros diferentes se crie mau ambiente, guerra de palavras, não entram porque não gostam de moshar daquela maneira ou seja o que for, estamos com um problema. Muitos esquecem-se que no meio dessas bandas youth crew ou de beatdown ou seja o que for está algo que as liga e que as fez formar uma banda e fez o público ir a um concerto que é o chamado Hardcore. Não há “Reis da Cena”, superiores ou inferiores, é só uma questão de começarem a olhar-se todos como iguais, só isso, quando isso acontecer teremos tudo para ter um movimento ainda mais positivo.

Se tivesses fundos ilimitados e pudesses escolher, diz-me o cartaz ideal onde gostavas de tocar.
Bem, secalhar para muitos que forem ler isto pode parecer estúpido o que vou responder, mas gostava de ter o que nunca tive e gostava de ter tido: um fest com as bandas tugas que me “meteram nisto” ahah. Certamente algo com X-Acto, Time-X, New Winds, Pointing Finger, Fight For Change, Omited GR, Unstable, 31, Crise Total, What Went Wrong, Sannyasin, Last Hope, Alcoore…  
Muitos esquecem-se das bandas Portuguesas que viram quando começaram a ir a concertos, mas por muito que gostásse e goste de montes de bandas estrangeiras, foram estas bandas (menos umas) que comecei a ver ao vivo e que vi montes de vezes, foram estas que me marcaram, que quando me lembro dos meus primeiros stage dives, sing alongs, circle pits… Foi a ver estas bandas. Não tinha piada ouvir só música em casa e ir a concertos quando a tal banda dos States viesse cá!


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Discos Trocados: Crazy Spirit/Fuck On The Beach

Todas as semanas o André e o Tiago trocam um disco e falam um pouco sobre o disco que lhes calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

André
Crazy Spirit - Self Titled 12" (2012)

Quem me conhece sabe que eu tenho um problema grave no que toca a ouvir bandas "novas". Eu oiço bandas novas, mas são muito poucas, pouquíssimas. E isto porquê? Porque, da sonoridade hardcore que eu gosto (ou demasiado punk, ou demasiado rápido, ou demasiado duro - nada de parvoíces melódicas com letras a pedir lágrima) já ouvi tanto as bandas em que elas - repetidamente - parecem ir buscar inspiração que... não consigo ter paciência. De tempos a tempos calha ouvir algo fresco - Bracewar e Rival Mob vêm à cabeça - e inevitavelmente essas bandas não saem do minha playlist durante largos períodos de tempo. Enfim... a vida de um miúdo do hardcore com trinta anos.

Crazy Spirit? O Tiago adivinhou bem: eu nunca tinha ouvido falar deles. E, embora não me veja a ouvir isto regularmente, não posso dizer que não tenha gostado do que ouvi. "Mas porquê, André? Porque é que és assim?" Eu não sou assim. Quer dizer, eu curto bué de Germs, mas para mim aquele estilo de punk sujo, cru, com uma produção de merda e sabor niilista pertence à década onde nasceu e morreu. Mas isso sou eu. Na realidade, este disco é bem bom e eu sei que ia curtir ver a banda ao vivo.

Uma cena clara logo desde o início é quão nas tintas eles estão para tudo e todos. É punk sem vergonha e pronto para nos dar umas boas bofetadas na cara. Esqueçam mosh e aventuras no dancefloor, isto é para andar a fazer pogo sem parar, com copos de cerveja cheios nas mãos e uma cruz invertida cortada a x-acto na testa. RIP DARBY CRASH!

Tiago
Fuck On The Beach - Endless Summer (2001)

Quando o André me disse que seria sobre este disco que devia falar fiquei logo com duas ou três ideias retidas: música rápida japonesa, aquela gritaria frenética que tão bem nos vão habituando, e que de certeza que depois de ouvir este disco ia reavivar um pouco a memória da altura em que as minhas playlists giravam à volta de bandas nesta onda. Já conhecia a banda, e acho que cheguei a ter este disco no computador em tempos idos. Mas sinceramente, para além do acima mencionado, já nem me lembrava muito bem. Quer dizer, o nome é daqueles que ficam, mas para além do expectável em termos musicais, não tinha nenhuma faixa na memória nem nada.

Os Fuck On The Beach tocam powerviolence. Se tens uma banda do Japão a tocar powerviolence já sabes o que a casa gasta: música rápida, faixas curtas e aqueles berros que no final do set obrigam o vocalista a ir tomar um leitinho com mel. Se gosto? Gosto muito. Bom, mas mais que uma review ao disco lembrei-me dos tempos em que devorava grande parte do catálogo da 625, em que WHN?, Spazz, Scholastic Deth e Lack of Interest eram das bandas que mais rodavam no mp3. Nunca fui muito daqueles grinds malucos e essas bandas mais extremas, mas um bom trashcore ou um powerviolence nunca fizeram mal a ninguém, pelo contrário.

Sendo a banda japonesa remete-me logo para algumas das minhas bandas favoritas, grande parte delas underrated que se farta, com Jellyroll Rockheads e Total Fury a encabeçar o top, que no fundo materializam aquilo que mais aprecio no que vai saindo da terra do sol nascente: música rápida e straight to the point. Acho que está na altura de ir para as internetes sacar aquelas compilações da Bandana Thrash e similares.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Review: Inherit - Desire To Grow EP (2011)


Ao mostrar isto ao meu amigo Miguel a primeira coisa que ele me disse foi “isto são os Cro-Mags do Reino Unido!”, e depois apaixonou-se profundamente pela banda e acabámos por mandar vir os discos. Bom, e em poucas palavras acho que é mesmo a melhor forma de descrever estes tipos de Londres, as influências meio crossover do Best Wishes dos Mags e das bandas de Nova Iorque nessa onda são evidentes,  com as guitarras a trabalharem bem e a voz meio rouca do vocalista Adam a funcionar na perfeição, sem nunca soarem demasiado colado ao que já foi feito. 

Dormi sobre este disco durante demasiado tempo e foi amor à primeira audição. O layout do 7” está muito fixe, desdobrando o insert ele forma um poster de um tipo com a cabeça de um leão (que se pode ver na imagem em cima), o que, preferências clubísticas à parte, é por si só do caraças. Segundo o bacano da The Essence está para sair novo ep com quatro faixas. Só pode ser coisa boa. Can’t wait.