domingo, 14 de outubro de 2012

Playlist da Semana #15

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.
O André ainda está na Argélia, por isso esta semana temos mais um convidado, sendo que a rifa calhou ao Nuno Mota.



Prisoner Abuse - Self Titled - Yeah, já caiu na net o novo lp da milésima banda do DFJ, Chris Corry e o resto dos suspeitos do costume. Acho que é o Craig de Waste Management a cantar. É Boston foda-se, é hardcore, é bom para pisar cabeças e matar baratas.

Coldburn - The Harsh Fangs of Life - O Congas veio-me perguntar se arranjava os mp3 disto. Lembro-me de ter visto o teaser do disco aí no Facebook, post de uma qualquer editora alemã, e não sendo uma cena bem ao meu estilo, até achei piada, nem que fosse por ter os cromos americanos todos a dizer para checkar o lp quando este saísse. Pesquisa rápida no google e lá encontrei o link para lhe fornecer. Fiquei surpreendido pela positiva, pesadão qb, partes melódicas, estes putos têm genica. Não é nada de outro mundo, mas ouve-se bem.

Mindset - Leave No Doubt - Depois da promo tape que falei aí há duas semanas, já está disponível para escuta novo lp na íntegra de Mindset. Para não variar muito, já anda aí um hype maluco com a banda, "a malta que pegou na tocha do youth crew deixada por The First Step" e outras cenas do género. Não andam aqui a inventar a roda, mas o disco está bom que fode. Se a tua onda é a do youth crew, este será provavelmente o teu disco favorito do ano!

Childish Gambino - R.O.Y.A.L.T.Y. Mixtape - Não fazia a menor ideia de que o Daniel Glover (o comediante, que entra naquela série Community) era rapper, com ligações ao Wu-Tang Clan, nem que seja só o nome roubadíssimo e as múltiplas participações de malta do Clan. Conheci o rap do miudo graças ao novo podcast da Juicy que tem do bom rap, não há cá Wacka nem Lil Wayne, (podem escutar aqui) e a malha que lá está com o RZA ficou-me logo na cabeça. Praticamente toda a mixtape tem faixas abusadas, com participações de Bun B, RZA, Ghostface, Ab Soul e Schoolboy Q. Ah, a última malha tem a Tina Fey a dizer umas merdas, ahaha.



Carnivore – Carnivore – Hoje em dia o Peter Steele ainda dá umas cambalhotas no caixão. Caos, trash, passagens demoníacas, letras carnais. Se não conheces aposto que vais reconhecer certas bandecas. PESADO. CRU. SEM ESPINHAS. No Wacken 2006 tocaram com aventais salpicados de sangue... 

The Ice – Touching the Void – Se acreditas em legados ouve isto. No seguimento do melhor que ZM fez. Rock, muito rock, muito groove, emoção. Vi ao vivo sem conhecer fiquei logo fã. Tocaram Slayer. Ouves isto com uma facilidade. Daqueles que saem fora do registo normal e são underrated. Bandão. 

Cro-Mags – Best Wishes – Daqueles discos que não tenho palavras. É tão rápido, tão progressivo que sou consumido. Ultraje se te ficas pelo Age Of Quarrel. A age of quarrel... aquele baixo a rasgar.... o disco acaba em beleza. 

Graveyard – Hising Blues – Não sou muito fã de revivalismos mas este disco... Led Zeppelin com cheiro a novo. “Reinventar” algo, ao menos que se reinvente algo com classe. Se não são, a melhor banda dos 70, estão no top 3 de certeza. No meu top ocupam o primeiro do pódio. Suecos, os suecos habituam-nos a grandes bandas nos variados estilos. At the Gates, Refused, The Hives.... 

Integrity – Systems Overload – A golden age da Victory Records. Achas que com “um riff” se faz um disco? Poucos conseguem, é verdade. Este disco é um primor. No meu top 10 de certeza, lugar capital. Os Raised By Wolves tocavam a No One e no one conhecia. Em Portugal só os Judged by Greed os “reconheceram”.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Review: For The Glory + SHAPE + Challenge + One Last Struggle @ República da Música


Estava bem expectante para este concerto. Não só se tinha um dos melhores cartazes do ano em Lisboa, como esperava ver um concerto de Challenge com bem mais público que os anteriores. Talvez ainda mais importante, esperava ver como seria o regresso de concertos hardcore à capital, depois de um Verão mais sossegado ou em que os shows existentes ficaram bastante aquém no que a público diz respeito.

Shape também não tocava à imenso tempo, depois de um período super activo em que tocavam quase de quinze em quinze dias, pelo que estava para ver se a receptividade do público à banda tinha esfriado ou se se mantinha. Por outro lado, ver os miúdos de One Last Struggle novamente, num "palco maior", já com mais tempo de maturação era algo que também me despertava interesse.

Bom, com tanta expectativa, lá parti rumo a Alvalade, já bem atrasado depois de ter combinado ir com o Daniel Pontes para levarmos as tralhas da Backwash e da Salad Days. Ainda esperávamos chegar bem a tempo, tendo em conta que os concertos raramente começam a horas. Não podíamos estar mais enganados. Apesar de ainda haver imensa malta cá fora, a maioria deles putos que nunca tinha visto na vida, mal entramos reparamos que o concertos de One Last Struggle não só já começou como passado um ou dois minutos já estão a tocar a cover de Have Heart. Sabendo eu que era a última faixa do set, e no meio de tanto atarefanço de arrumar as coisas, pouco ou nada vi, com pena minha.

Segundo feedback da própria banda, o set poderia ter corrido melhor, mas a malta ainda está bem verdinha, pelo que há tempo de maturação e não vale a pena estarem a pensar negativamente, até porque depois lá se ia o status do straight edge posi cenas. Pus a conversa em dia com o pessoal, alguns que já não via há bastante tempo e outros que reencontrei dos dias no Algarve. Comentámos o facto da sala estar não só bem composta, com IMENSA miudagem nova, como ainda havia mais malta na rua por entrar.


Passado um pouco começou o set de Challenge. Já referi anteriormente que gosto muito desta banda, e ver um concerto deles em Lisboa numa sala bem composta foi muitíssimo bom. Notou-se que a maioria da malta não conhecia a banda, sendo que ainda se abriu um fosso entre o palco e o público (especialmente tendo em conta o que a seguir viria), com excepção para algum pessoal das Caldas e outros malucos que andaram lá no side to side e no circle pit nas faixas mais rápidas. Deu para eu fazer um rasgão nos calções a dada altura, num dia que viria a marcar o fim do seu tempo de vida...Cover de Floorpunch com o Diogo de SYC a cantar, no momento alto do set. Espero pela próxima visita do Edgar e restante malta, já com os miudos a participar ainda mais!

Depois do intervalo, em que voltei à base, a por a conversa em dia e a vender umas coisitas, SHAPE subiram ao palco, já com a sala muito mais composta. Por essa altura poucos deviam ser os que não tinham entrado, e já estariam mais de 200 pessoas dentro da sala.


Parece que este interregno apenas serviu para aumentar a condição de SHAPE como uma das bandas que melhores concertos dão, bem como o seu público parece ter aumentado exponencialmente. Muito miúdo encostado ao palco, muito miúdo a cantar, muita animação, stage dives, tudo a suar. O set foi muito bom, com o André a cantar uma faixa e o Sam a cantar a cover de Inside Out, que foi um abuso do caralho! O pessoal estava todo maluco, até fiquei meio parvo, mas feliz ao mesmo tempo, com o que se estava a passar à frente dos meus olhos. O Calisto e o André com os seus dives acrobáticos, e ainda deu para eu fazer mais um rasgão nos calções. Aquele pé de ladrão que o Calisto tanto faz é um convite irrecusável, ahah. Se a sala fechada (e a impossibilidade de sair) já eram quentes, aquele calor humano já fazia a malta pingar suor por todo o lado. Que regresso!

Quando o concerto acabou estava estampado no rosto de todos o cansado, mas a seguir vinha For The Glory. E tendo em conta o que se passou a seguir, só o riff inicial serviu para recarregar a bateria da malta toda. Se o que se passou em SHAPE foi bom, quadripliquem o feeling e a percentagem de dives por minuto e tem uma ideia (por baixo) do que se passou em For The Glory.


Deve ter sido dos melhores concertos de For The Glory a que assisti. Que feeling brutal. Tudo a mexer, tudo a saltar do palco, e das grades, e do público, de todo o lado! O fim do mundo em cuecas como diz o meu amigo Miguel (que não foi, agora fode-te aí a ler isto, ahah!). A dada altura os meus calções já eram tudo menos isso, já andava de perna e boxer ao léu, mas safoda, valeu cada rasgão. É dificil traduzir por palavras o que aconteceu durante esse concerto, quem lá esteve certamente não o vai esquecer, quem não foi pode ver as fotos e os videos que porventura possam ir aparecendo. Que abuso, a sério. Que abuso!

Findado o concerto, acho que o sentimento geral foi de felicidade de que acabaram de experienciar um dos melhores concertos dos últimos tempos. Espero que muita da miudagem continue a aparecer nos concertos. Com entradas destas na cena hardcore acho que é obrigatório continuarem a aparecer! Sei que é foda, mas foi tão bom ter mais de 200 pessoas num concerto hardcore, não era fixe serem sempre assim?

Fotos por Valter Simões

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Discos Trocados: Total Fury/Out Come The Wolves

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

Pois é, o André está na Argélia a fazer companhia ao PZ, provavelmente com aquele calor chato que cola a roupa à pele, a comer granda falafel e uma cola. Assim sendo, esta semana convidámos o Miguelito, o olhanense barbudo que prefere Negative Approach a More Than Life e António Variações àquele gajo que quer ir ver os aviões.

Miguel

Como é o costume, o meu mano Tiago não me desilude e mais uma vez mostrou-me uma banda que me cativou bastante pela positiva! Ao ouvir este disco só me vem uma coisa à cabeça: Hardcore praticado em Washington no inicio dos anos 80! Mas calma esta banda não é originária dos Estados Unidos nem mesmo da Europa mas sim do Japão! Sim isso mesmo, do país insular da Ásia Oriental! Worldwide Hardcore baby!

Estes nipónicos praticam um punk hardcore onde as guitarras são trilhadas, as linhas de baixo estão bem pronunciadas e a bateria é simples mas sempre bem marcada! Tem riffs melódicos tem breakdowns sem serem “metalados” e sente-se um entusiasmo por parte da voz do frontman! Eu atrevo-me a dizer que estes rapazes são os Minor Threat “Japonas” mas devem ter encravado a quinta mudança porque isto é sempre a abrir! Hardcore como eu gosto rápido, directo, com uma mensagem simples e eficaz. Não há cá invenções aqui com os “kamikazes”! PLAY IT LOUD!

Tiago

Bom, agora que reparo, tendo convidado o Miguel para a rubrica desta semana ou ia sair Boston ou Out Come The Wolves. Nem que seja porque ele está sempre a dizer como esta é uma das bandas que ele mais gosta e a melhor coisa que saiu do país de nuestros hermanos. É claro que a banda soa a Boston por todos os lados, com cover de DYS logo na segunda faixa, que é para te dar logo a dica que isto é para quem prefere agressividade a guitarradas bonitas e malta estilosa. O Miguel não gosta de inventar muito, e isso não é propriamente mau. Ou é Boston ou é crossover à Mags. Ou tunas, ahaha.

Eu gosto de lhe dar na cabeça em público, é porque é incrivel que o homem que sabe tocar mil instrumentos não faz uma banda de hardcore que seja. Está na hora de fazer uma daquelas "intervenções", como naqueles programas chungas da tv americana, em que a familia tenta chamar toxicodependentes e alcoolicos à razão. Há que tirar o moço da má vida!

Review: Death Will Come + StepBack! + Blackjackers + Never Back Down + The Idyll's End @ Music Hole, Porto



Apesar de o passado domingo ter sido dia de futebol e ressaca de fim-de-semana prolongado, muitos foram os que preencheram o buraco do Music Hole. Também, não seria para menos, pois o Nélson e o Tomás conseguiram sacar da cartola este luxuoso cartaz em que, no espirito do hardcore ser também uma arma de intervenção social, os cabeça de cartaz Death Will Come apresentariam o seu novo EP digital, em que os fundos angariados reverterão para a Hardcore Help Foundation.

Cheguei à praça uma hora mais cedo (com cagufa de ficar à porta) e já se encontrava um número significativo de pessoal na esplanada, a dar umas de letra antes de ir dar duas de braços, e assim ficámos até este chill ter sido interrompido pelo sound check dos The Idyll's End, que foi como uma campaínha do recreio a dar sinal para os putos irem brincar.

O Music Hole é o típico spot onde deste tipo de concertos: é pequenino, palco com altura quase inexistente e um pilar no meio para parar aqueles que excedessem o limite de velocidade de 2-step. E assim, os Idyll's começam a rasgar forte e apesar de o som estar a puxar, não ouve movimento por ai além, talvez porque a maior parte do pessoal ainda estava frio, mas nada impediu de haver uns sing alongs e umas trocas de micro com o público.

Em seguida tocaram os Never Backdown, uma banda vianense que era tudo menos estática, ninguém pode ficar quieto com o vasto leque de música fresca, apesar de eu ter estado na esperança de ouvir uns temas da primeira demo, toda esta pica culminou quando começou a cover de No Turning Back. "Desculpa mas vais ter de partilhar desse microfone e levar com uns marmanjos em cima!"

O ambiente estava do melhor e para fazer uma pausa no 2-step e outras danças ninjas, vieram os BlackJackers, a banda de um dos organizadores do concerto e muito famosa aqui no Norte. Já à muito que tinha curiosidade em ver esta banda. Lá pela falta de 2-step não pensem que foi um concerto parado, muito pelo contrário! Até as ladys se chegaram a frente e aí começou a rambóia, pogo, bailaricos, até comboinho! Houve de tudo e ninguém ficou indiferente ao som trippy destes moços! É a prova que mistura de estilos musicais pode e com certeza dará bons resultados. Jah Jah fez a visita à casa!
 
Voltando às danças de salão mais ligeiras, e ao contrário do que o nome da banda diz, o pessoal chegou-se todo à frente e Step Back! começou a rasgar! Uma das minhas bandas favoritas aqui da tuga tive de começar logo a criar movimento mal a primeira onda sonora chegou ao meu ouvido, com a típica pausa para falar da actualidade nacional (coisa que deveria ser obrigatória em todo o concerto de hardcore na minha opinião). SB! tocaram rápido e variam bem os temas da sua discografia que já começa a ter um tamanho considerável. Estes meninos tão activos e mais fortes que nunca, num espaço de 3 semanas actuaram duas vezes só no Porto.
 
Para finalizar a tarde em grande os DWC fizeram explodir a sala com os seus já clássicos como “death will come” e “the only thing”, alias, se isto já provocou alarido entre o pessoal que assistia, então quando começou a cover de H2O ai é que a sala se tornou uma montanha de corpos em empilhados em cima do microfone, até candeiros voaram! (true story!). Mesmo para mostrar aos H2O que a letra da “what happened” não é assim tão preto no branco. A ultima malha de DWC foi a já famosa cover dos Beastie Boys, onde se instalou o ambiente de festa inerente a este tema, para acabar em grande uma tarde bem passada.

Resta apenas agradecer as bandas pela grande energia que trouxeram num domingo tão molengo e agradecer ao Nelson e ao Tomás pela iniciativa. LESS TALK MORE HELP!


Review feita pelo Bruno Lisboa.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Baú do Congas: The Concilium Hardcore Fest 2003

Um cartaz dá sempre azo a mil histórias, isso é algo que felizmente nunca irá mudar. Quem melhor que o Congas para lembrar de algumas que aconteceram em concertos de For The Glory? Se estiveram lá não se esqueçam de deixar um comentário.


Este poster representa o ínicio, o big bang... e iria marcar os anos seguintes da minha vida, até aos dias de hoje, em que escrevo este texto. Olho para este cartaz e penso que passados 9 anos, somos a única banda que ainda toca. Talvez os Blacksunrise ainda toquem, mas depois de tanta transformação não há banda que resista.

Concerto organizado pelo Kizomba e que tinha o intuito de trazer a Portugal os Confronto, mas isso foi algo que não aconteceu, pois a banda cancelou a data. Uma sociedade Joaquim Xavier Pinheiro aka Campo Grande cheia, cartaz com uma das minhas bandas preferidas de sempre, Omited Grass Reaction, e outras tantas bandas de vários estilos que proliferavam na altura.
 

End Of Hope eram de Quarteira, tinham o Romão e o Chucky. Impossível esquecer o Mosh Romão. Há a cena hardcore pré-Mosh Romão e pós-Mosh Romão. A sonoridade da banda era mais metaleira, assim virada para uns Dead Blue Sky. Mushin era a banda do Sérginho do Cacém que depois foi o primeiro vocalista de Men Eater. Eu sinceramene não gostava da banda, não tinha nada que me atraisse. Foi nesta altura que houve um género de boom do screamo (o verdadeiro), e então começou tudo a fritar o miolo, hahaha!!

BSR era o guilty pleasure de vários miúdos do core. A sonoridade da banda era metal, o feeling era metalcore belga, o som mesmo em si era ripado dos Black Dahlia com vários toques de At The Gates. Tocavam uma cover de Congress e isso era motivo de mosh pesado! Omited Grass Reaction foi e será sempre uma banda que me marcou por tudo o que representavam na zona onde morei durante anos. Por ver salas cheias a cantar as músicas desta banda, por ter visto concertos deles como trio ou com dois vocalistas como foi uns anos mais tarde. Foi neste concerto de OGR que as cenas esquentaram. Mas já lá vamos...

FTG deu o primeiro concerto neste dia de Verão, de cortinas fechadas. Eu estava bem nervoso, seria a primeira vez que iria tocar ao vivo com esta banda, e apesar de todos nós já termos tido outras bandas antes, para mim esta seria a banda que iria mudar a minha vida em muita coisa. Instrumentos quase maior que nós, quase 10 anos mais novos! Começámos a partir brita e foi curioso como todas as pessoas já sabiam as letras da nossa demo.
 

A demo tinha sido gravado umas semanas antes, mas eu e o meu amigão André (um dos donos aqui deste blog) já andávamos em vários shows a vender e a promover a banda. FTG sempre tentou fazer tudo by the book, se um bom remate de cabeça à boca da baliza é de cima para baixo, também uma banda tem de ser feita e pensada como deve ser. Começar com demo, 7", cd  e por aí fora!!! Foi o que fizémos e estou grato por termos seguido esse caminho.

Durante o set de OGR rebentou uma confusão com uma malta que estava numa onda meio agressiva para lá e foi o fim do Mundo em cuecas. Pessoal a bazar a correr da sala, garrafas partidas, apedrejamentos em autocarros que passavam, garrafas a voar pela avenida fora... tirou-se o backline bem rápido e em questão de segundos a sala ficou limpa. Eu, o Kizz, o André e o Miguel Gémeo fomos os últimos arrancar, fechar tudo saltar no carro quase em andamento, quando vinha uma turma de malta ali dos bairros à volta cheios de truques para arranjar mais confusão.

Escusado será dizer que o Clube fechou e durante anos não deixaram que se realizássem concertos por lá.
Olhando para trás, e vendo os videos daquele concerto, fico contente e feliz por termos tido um primeiro concerto como aquele. Ver tanta gente a receber de forma entusiasta a banda, com tanto carinho e especialmente um sentimento de surpresa, porque apesar de todos nós na altura já estarmos envolvidos em bandas como Criminal Waste, Twentyinchburial, What Went Wrong e Endless Road, esta banda veio com uma agressividade musical que muitos não estariam à espera.

Naqueles tempos tudo era simples, tudo era mágico. A todos os que estiveram lá, todos os que continuam, aos novos que apareceram pelo caminho, OBRIGADO por fazerem parte de algo tão importante na nossa vida.

À Conversa Com... João Fonseca (ou PZ, para os amigos) - Parte III

Aqui segue a terceira e última parte da entrevista ao João Fonseca, sendo que à data da sua publicação já estarei na Argélia a fazer-lhe companhia. Quem ainda não o fez, fica desde já a saber que a maioria das cópias do livro que o PZ vai lançar têm voado das prateleiras, pelo que é melhor apressarem-se se quiserem possuir o livro. Podem encomendá-lo aqui.



Achas que a viagem te mudou de alguma forma? Mesmo que não tenha sido pessoalmente (o que também acredito que tenha acontecido), talvez por dentro, em relação à forma como vez o mundo e encaras uma realidade que antes tomavas por garantida.

Sem qualquer dúvida que sim, em todos os aspectos. Para além de ter mudado a minha forma de ver o mundo, foi também um grande crescimento a nível pessoal. Como sabes, foi a primeira vez que vivi fora da zona de conforto da casa dos meus pais. Sou de Almada, tirei o curso em Lisboa e como tal nunca tive necessidade de viver fora. Para além disso, mudou muito a minha forma de ver o mundo. Quando soube que o estágio ia ser na Palestina fiquei de pé atrás porque não sabia até que ponto iria ser rico em termos de experiência pessoal, em termos de ter algo para fazer para além do trabalho. Estar na Palestina ensinou-me que seja qual for o país para onde vais, hás-de ter sempre algo de fixe para ver, para fazer, para conhecer. 

O povo palestiniano surpreendeu-me muito pela positiva, tratam-te mesmo bem, ao ponto de até achares demais porque não fizeste nada para merecer tal tratamento. Percebi também que muitos dos problemas que às vezes temos no mundo dito civilizado são peanuts comparado com os problemas que há para o povo palestiniano, e mesmo assim eles vivem a vida de sorriso na cara. Fez-me questionar muitas das coisas que me incomodam e acho que me tornou uma pessoa mais consciente. Num último registo, mudou a minha forma de encarar o futuro em termos de viagens. Foi o primeiro país assim fora de rotas turísticas onde fui e sei que agora só vou parar quando tiver o mapa mundo todo pintado.

Ainda que eu saiba a resposta a esta, acho que era interessante explicares um pouco do processo desde decidir lançar o livro até o ter cá fora. Sei que não é um caminho fácil, mas é um extremamente interessante.

Bom, houve várias razões que me levaram a escrever o livro. Ponto um, queria ter um registo para mais tarde poder ler e recordar não só como foi a viagem mas também o que senti na altura. Confesso que tirei grande inspiração do livro que o Nuno Sousa lançou em conjunto com a Juicy Records, fez-me ver que com algum esforço e dedicação coisas que nunca antes pensaste são possíveis. No entanto, ao contrário do Nuno, pensei desde o início em escrever para lançar um livro (para quem não sabe, o Nuno escreveu um blog cujos posts foram posteriormente compilados em livro, juntamente com desenhos de sua autoria). Outra questão que me motivou a avançar com este projecto foi o facto de não ter encontrado nada do género para a Palestina. 

Antes de ir procurei relatos de viagens pela Palestina e não há nada de nada. Pensei que poderia ser um registo interessante para quem quisesse visitar a Palestina depois de mim (coisa que de facto já aconteceu: um rapaz do Porto, há certa de dois meses, mandou-me um e-mail a dizer que ia fazer o mesmo estágio que eu e mandei-lhe o rascunho que tinha do livro na altura, que segundo ele foi uma grande ajuda). Finalmente, a questão monetária. Eu fiz um estágio remunerado, mas a remuneração eram 100 euros mensais. Bem, ao ritmo de viagens a outras cidades que eu andava a fazer, para pouco mais de uma semana chegava. Bota-lhe em cima mais uns 500 euros de voos que sairam do meu bolso, um seguro contra todos os riscos para todo o estágio e mais um ou outro imprevisto. O livro vai ser uma forma de recuperar algum do dinheiro que gastei, para além de ser uma boa maneira de contar a história à família e amigos.
O processo de escrever o livro comecei-o logo na Palestina. Como tinha muito tempo livre no trabalho, fui escrevendo algumas coisas. No entanto, só o acabei de escrever aqui na Argélia, quase um ano depois. 

Pedi uns conselhos ao Ema, pedi-te outros a ti (já agora, para quem está a ler e não sabe, o André tem um livro bastante interessante sobre a sua descida da Costa Oeste dos EUA em 14 dias), e editei o livro todo, paginação, divisão por capítulos, etc. Pareceu que estava a recuar no tempo e que estava de novo na universidade, a escrever a tese de mestrado, mas desta vez sobre uma coisa que me dava mesmo motivação. Como não percebo nada disso, a capa ficou a cargo do meu amigo Rui Gaiola e adoro o resultado final. Os livros estão neste momento a ser impressos nos Estados Unidos, por isso vou pagar mais uma batolada de portes e taxas de alfândega, mas no fim do dia sei que vai valer a pena o esforço.

 
Que objectivos tens ou pretendes atingir com a venda do livro. Vai haver mais? Que outras aventuras tens na calha para nos apresentar futuramente, caso seja esse o caso?

Ooops, já respondi um bocadinho a isto na resposta anterior, a parte dos objectivos. Sem crise. Resumindo-os de novo: ficar com um registo para mim, serviço público a quem for à Palestina, recuperar dinheiro que gastei e contar a história aos amigos. Se vão haver mais livros? Não sei, mas espero que sim. Quando vim agora para a Argélia pensei em fazer o mesmo, uma espécie de diário, mas como a estadia é três vezes maior e a minha vida tem um carácter mais rotineiro, depressa percebi que não ia dar. Talvez compile no fim as melhores histórias ou as melhores viagens (já tenho umas quantas). Como já disse também anteriormente, espero conseguir visitar a maior parte do mapa mundo que conseguir, e, sempre que se justificar, podes contar com um relato escrito.

Se pudesses escolher um destino qualquer no mundo inteiro para fazeres o teu próximo estágio profissional, qual seria e porquê? Tem em conta que tem de ter alguma coisa a ver com a tua área, senão seria só férias!

Fogo só posso escolher um? É injusto. Podem ser três? OK, Obrigado. Escolhia a China, depois a Austrália e depois um qualquer país da América do Sul sem ser o Brasil. Tanto a China como a Austrália são países muito fortes na minha área profissional e com boas oportunidades de emprego, isto aliado ao factor turismo, são países que me atraem muito e onde quero ir quanto antes. A América Latina fascina-me também pelos mesmos motivos de turismo, mas em termos de sistemas de transportes são países onde face às necessidades e às limitações financeiras se fazem coisas muito inteligentes. Gostava muito de ter a oportunidade de trabalhar no Chile, ou no Equador, ou na Colômbia. Vamos ver como corre o futuro. 

Para já, vou para a Dinamarca em Novembro ter com a minha cara metade e procurar um trabalho que me permita viver lá e juntar uns cobres ao fim do mês para as próximas aventuras. Ela tem o mesmo espírito de aventura e viver em vários países está nos planos também, quando se tem alguém com quem dividir as experiências e no mesmo comprimento de onda é bem melhor.

Por fim, que recomendação dás a todos aqueles que por preguiça nunca mexeram o rabo para ir viajar ou tiveram receio de fazer Erasmus ou um estágio profissional fora do país? Partilha um pouco da tua sabedoria árabe!

Epah, se o motivo de não terem mexido o rabo for mesmo preguiça... Manquem-se. Acordem! Desliguem a tv e saiam do sofá. Mas acredito que não haja quem faça isso por preguiça. Portugal está cada vez mais complicado para juntar uns trocos e ir viajar, eu sei. Não tenham medo do desconhecido, porque a maior parte das vezes é bem mais tranquilo do que o imaginamos. Vençam os vossos complexos e medos, ou receios ou preconceitos e ideias pré-concebidas. Qualquer, repito, qualquer país do mundo vai ter algo de bom e positivo para vos dar. Se tiverem oportunidades de trabalho no estrangeiro, agarrem-nas com as duas mãos (ou com mais mãos, se tiverem). O mundo está lá fora à espera e o relógio do vosso tempo de vida não vai parar ou andar para trás. E depois de viajarem não guardem só para vocês. Escrevam textos, façam blogs, e se quiserem ter um granda trabalhão, escrevam um livro. Eu sou o primeiro a comprá-lo.

Queria aproveitar este tempo de antena final para agradecer-vos a vocês, André e Tiago, pela oportunidade dada nesta entrevista. Queria também dar-vos os parabéns pelo blog. Nunca fui de seguir blogs porque facilmente me aborrecem, mas vocês conseguiram mesmo fazer algo de especial aqui. Boas ideias nas diferentes rúbricas, conteúdo interessante, e uma escrita que agarra qualquer leitor. Força, não deixem isto morrer.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mais Que Música: Break A Sweat (Mental)

Que aconteceu a dar importância às letras das músicas? O hardcore não era sobre isso? Agora só se vê letras que não interessam à prima. Às segundas, fica aqui uma letra que me tenha feito reflectir sobre o seu conteúdo. Afinal de contas, o hardcore também é sobre isso mesmo: pensar.
 
You think everything comes easy, and things should be free
That is the exact opposite of me
If I don't break a sweat, than I am not pleased
Every favor I do I expect returned to me.

110% everyday, anything less, nah no fucking way

I'm pushing hard, but it takes time
Always looking out for mine!

You think everything comes easy, and things should be free

That is the exact opposite of me
If I don't break a sweat, than I am not pleased
Every favor I do I expect returned to me

Mental era uma banda bem cool. Chiller than most, já eles diziam. No entanto, isto não os impedia de terem letras sobre coisas importantes, ditas da forma mais simples.

Esta letra fala de como não podemos esperar que as coisas caiam do céu e que temos de lutar para atingir os nossos objectivos. Lembrei-me de falar um pouco sobre ela depois de ontem ter ido ao concerto de For The Glory, SHAPE, Challenge e One Last Struggle. A sério, que abuso de show. Fiquei feliz, e acho que todos os que compareceram saíram de lá de sorriso na cara. Mas isto não fez com que as questões sobre as quais tinha pensado anteriormente se tenham evaporado.

Que cena é a nossa? Se não forem os mais velhos a fazer as coisas quem é que se vai chegar à frente? O pessoal está mal habituado. Muitos vivem na ilusão de que as bandas se formam com uma simples página no facebook e posterior spam. Outros acham que para as bandas americanas virem tocar a Portugal basta fazer um comentário no facebook. Facebook para aqui e Facebook para ali. Hoje vive-se demasiado no Facebook. É fixe é ter as fotos com o tag, partilhar a música pausada e existe pouquíssima troca de ideias com sentido.

Se calhar em vez de se pensar que as coisas vão cair do céu e pedir aos outros que o façam por nós, que tal enviar um email às bandas a perguntar quem lhes está a marcar a tour, e quais as condições? Se calhar em vez de fazer bandas de merda que não passam do Facebook, que tal esperar até se terem umas malhas e a banda existir realmente antes de se criarem páginas para mostrar photoshoots pausados? Muitos suaram (e suam) para tornar os seus sonhos realidade, trazerem as bandas que gostam, fazerem aquilo que gostam, muitas vezes com pouco ou nenhum retorno. Leiam a dica do Darby, o gajo tem umas ideias fixes sobre como marcar shows. Se a malta não se mexer não vão haver concertos. Onde é que vais a seguir? Cagar e seguir para a próxima moda, ou pegar as coisas pelas rédeas e fazer algo produtivo?

Isto são pequenas coisas, se calhar se pensármos nisto num espectro mais abrangente, no nosso dia a dia, na nossa vida, a perserverança e a vontade de lutar tornam-se palavras bem mais importantes e necessárias. Que tal sair de trás de um pc e fazer algo que realmente melhore a tua vida e a dos outros, dentro ou fora do hardcore? Break a sweat!

domingo, 7 de outubro de 2012

Review: No Tolerance + Give @ Salamanca


Eish, nem sei como começar esta review, só dizer que deve ter sido a combinação mais stressada e em cima do joelho de sempre. Isto quando tudo estava acertadíssimo na tarde do dia anterior...adiante, segue a review que é grande para caralho, mas espero que curtam e que sirva para vos meter um pouco de inveja, ahah.

Eu e o Fábio já esperávamos este concerto à algum tempo. Estivemos a um dedo de marcar viagem para Barcelona para os ver, mas falhámos o timing da marcação e acabámos por nos resignar e deixar de acreditar que seria possível ver No Tolerance. Entretanto, surge a notícia que havia uma data em Salamanca, e que havia malta do Algarve a pensar ir. Óbvio que nos colámos logo. Assim, depois de uma conversa com o Nuno Mota começámos a acertar agulhas, e chegado o fim de semana anterior ao concerto (que seria na quarta-feira seguinte) estava tudo pronto. Eu com bilhete do expresso marcado para Faro e o Fábio com bilhete de avião do Porto para o Algarve (damn...mais barato Porto-Faro de avião que Lisboa-Faro de bus).

Chega terça-feira, lá sigo eu no autocarro da Rede Expressos, aquele que vai pela nacional e demora quatro horas a chegar. Valeu para ir adiantando a leitura do livro do André. Ainda só vou em São Francisco, e só dizer que me parti a rir no meio da viagem com o episódio no hostel...Bom, chego a Quarteira para pouco depois o Nuno chegar e me dar a triste notícia de que de momento só estávamos três disponíveis. Que bomba do caraças, já via a minha vida a andar para trás e o dinheiro da viagem para o lixo. Depois de tentar arranjar uns esquemas de última hora (nomeadamente melgar o Daniel Pontes), com direito a granda jantar com o Nuno e uma malta alemã e visita a Vilamoura à noite, fui para a caminha já resignado, com o regresso a Lisboa no dia seguinte na minha mente. Isto ainda sem saber se me trocariam o bilhete da viagem de regresso ou se ainda tinha de bancar um novo...

Acordámos cedo, o Nuno deixa-me em Faro e segue para a escola, eu lá consigo trocar o bilhete e já olhava para o relógio a contar o tempo para regressar a Lisboa. Chega o Fábio a Faro, que tinha vindo de avião, (e que veio meio à maluca, sem pensar muito bem onde é que ia andar durante dia e meio pois já vinha sabendo que dificilmente iriamos a Espanha, e os amigos onde ia ficar a dormir iam ao concerto). O Daniel lá combina encontrar-se connosco para conversarmos um bocado e, à última da hora, e quando digo última é mesmo última!, tipo...é meio-dia e eu tinha o bus ao meio-dia e quinze, e ele lá se decide a agarrar na trouxa e seguimos os três em direcção a Salamanca, já em contra-relógio para ver se chegamos ainda a tempo de não perder pitada do concerto. Escusádo será dizer o stress que vivi na noite anterior e na manhã desse dia...enfim, you're only young once, por isso siga lá.

A viagem fez-se bem, o Daniel foi o condutor de serviço (sempre!), ao som de granda AC/DC, Judas Priest e outras cenas mais calminhas. Ah, o puto Fábio foi a dormir a viagem INTEIRA. Claro que à noite tinha a pilha carregada...em baixo já desenvolvo, ahah. Chegámos bem a tempo de apanhar a banda espanhola de covers (de bandas espanholas) a terminar. Não me aqueceu nem arrefeceu...

A seguir começa Give a tocar. Conhecia dois ou três ep's, sendo que aquele rock psicadélico nunca me puxou muito. Mas foda-se, ao vivo, que abuso de banda. O puto guitarrista não só tocava nas horas como tinha os dance moves mais fodidos de sempre, que chefe. O som não é propriamente "dançável", mas o headbang foi geral.Toda a banda tinha grandas gadelhas, e aquele som psicadélico fez com que o Fábio os rotulásse logo de Flowercore, por piada. Ele ainda fez com que o Doug Free soltásse uma gargalhada no pós-show, quando foi ter com ele e lhes disse que eles tinham inventado esse novo género musical.

A seguir foi No Tolerance. Eu estava naquela: "Isto tem tudo para ser do caralho, sala pequena, minimamente bem composta..mas, são espanhóis! Será que se vão mexer?". Dá a intro, a malta tuga a varrer a sala de uma ponta à outra, com uns espanholitos a trabalhar bem, ahah. Afinal mexem-se! O DFJ de punho em riste a rosnar aquelas letras bem venenosas, com um olhar mesmo do "se te apanho fodo-te a boca toda" foi a cereja no topo do bolo de um set impecável, que no fim deixou muita malta não só a suar, como a pedir por mais. Ainda houve direito a uma cover de Side By Side cantada pelo mano de Violent Reaction/Sectarian Violence e cover de Confront, com a Our Fight 2012.

Despojos de guerra
O concerto acaba, ficamos na maior conversa boa onda com o Chris Corry (Mind Eraser, Prisoner Abuse, No Tolerance e produtor de mil cenas) a falar sobre discos, a Painkiller Records, tours e Portugal, enquanto comíamos um arrozinho de lentilhas e pimento bem fixe, e à pala. Antes ainda trocámos uns dedos de conversa com o vocalista de Give, sobre os discos que eles traziam e outras merdas, e ficámos a saber que não só esteve cá em 2005 com The First Step como aparecia no back print da minha longsleeve de Desperate Measures, ahah. O Fábio tinha a pilha toda (pudera) pelo que andava à uma e tal da manhã de bicicleta na rua já deserta, rua acima e rua abaixo. Falámos um pouco com a malta que organizou o show e ficámos a saber que o cachet para as bandas tocarem era de apenas 300€, o pacote com as duas!!! Foda-se, que burgesso o mano que lhes marcou a tour. Não que o show não tivésse sido fixe, mas só pensámos em como teria sido ainda melhor ter estes tipos a tocar em Portugal a um preço bem aceitável.

Eram já duas e tal quando seguímos para casa da Laura, onde iriamos pernoitar. Ainda estávamos com pica pelo que fomos dar um volta com ela pela cidade, meio deserta, até quase às 4 da manhã. Sem dúvida uma das cidades mais fixes, e uma daquelas onde irei regressar sem dúvida. Lindíssima, e só a vimos de madrugada durante hora e meia, e a pé.

O nosso novo buddy
A dormida correu bem, dormi com o Fábio e com um macaco gigante de peluche. Acho que não molestei ninguém. Dormi mesmo bem, acordando no dia seguinte para ir meter mais uma moeda no parquímetro (com a cara de sono mais anhada de sempre) e depois uma granda banhoca com pequeno almoço de tostas com geleia de morango que souberam pela vida. Almoçámos num shopping deserto à saída da cidade, num spot de kebabs. Aliás, das quatro refeições feitas quarta e quinta-feira, três foram o bom kebab! Lá regressámos, cansados mas felizes da vida. O Fábio novamente a dormir a viagem toda até Sevilha, onde parámos para pegar dois tugas que andavam meio perdidos que nos acompanharam nos kilómetros restantes.

Sem dúvida uma das combinações mais stressantes de sempre, mas no fim valeu bem a pena os kms, o dinheiro e o tempo dispendido.

Playlist da Semana #14

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.
O André está na Argélia. Como não quisémos fugir muito do clima do norte de África, pedimos ao Miguel, que é de Olhão, para nos enviar a sua playlist para esta semana. Até ficas tonte moce!


 

Megadeth - Rust In Piece - A playlist desta semana foi altamente influenciada pelos mp3s que rodaram na viagem até Espanha (e regresso) bem como a viagem de Faro a Lisboa no carro do Pontes. Ele, e o autorádio em shuffle, monopolizaram a playlist pelo que acaba por ser um apanhado do que foi rodando que eu mais curti, ahah. Houve muito NWBHM, com Judas Priest, Iron Maiden e AC/DC a rodos.

No Tolerance - No Tolerance, No Remorse - Foda-se! Antes e depois do show, a audição disto foi obrigatória. Que concerto bom! O DFJ tem granda atitude a cantar, e a banda não desapontou. Até os espanhóis se mexeram! Review amanhã ou depois.

Agnostic Front - Something's Gotta Give - Oi! Oi! Oi! Agnostic Front têm álbuns com sonoridades bem diferentes entre si, desde o hardcore chunga do Victim In Pain, ao crossover do Cause For Alarm e ao som mais Oi! deste disco do do Riot, Riot, Upstart. Deu para ir no carro a cantar. To the East Coast, To The West Coast...Gotta Gotta Gotta Go!

Rhythm To The Madness - Weltschmerz - Este foi banda sonora já do regresso a Lisboa. Não sei bem porquê sempre associei estes gajos a uma cena mais frita, tipo Soul Control, com aquelas partes em que parece que ta tudo a tocar músicas diferentes. Que burro que eu sou, malta de Justice a tocar crossover, o que é que há para não curtir? Boas malhas, valeu bom headbang na Estrada Nacional 1.


Negative Approach - Self Titled – O que dizer deste disco? Frustração e raiva no seu estado mais puro! Não existe uma única faixa má neste lendário registo! Tudo tão simples mas tão intenso! Isto sim é Hardcore!

Antidote - Thou Shalt Not Kill - Um pedaço da historia do Punk Hardcore! Eu descrevo este registo como um autentico chapadão na cara que nem sabes de onde ele vem, tamanho é a intensidade! Não há cá invenções e sha lá lás e choradinhos. São 9 minutos de punk hardcore na sua forma mais rude e crua! O som é raivoso, directo e pouco polido! Ao ouvir este álbum fico com pena que nos dias de hoje, na era digital e da perfeição, as bandas não consigam produzir um som assim!

Shark Attack – Blood in the Water - O que temos aqui? Uma das bandas mais interessantes que surgiram nos inícios de 2000! Imaginem uma mistura entre Antidote, Negative Approach, Poison Idea, SSD, e Agnostic Front, juntem uma pitada de flow e têm os Shark Attack! Cinco petardos sonoros em apenas seis minutos! “What hardcore is all about” é preciso dizer mais? Se nunca ouviram do que é que estão à espera?

Agnostic Front - Victim In Pain - Digam o que disseram este registo foi pontapé de saída do Hardcore de Nova Iorque, Agnostic Front foi A banda, Victim in Pain O álbum e o lendário CBGB´s A venue não há cá dúvidas! Ya podem dizer que se formaram melhores bandas antes de AF surgir, mas nenhuma fez música tão dura, tão rude e tão rápida como estes senhores em 84! Este álbum representa a dura realidade do dia a dia das ruas da cidade que nunca dorme!

Bad Brains - Self Titled – Este álbum está no meu top 5 dos melhores discos de hardcore de todos os tempos! Querem saber porquê? Oiçam com atenção e irão perceber! E quando perceberem de certeza que este registo irá ser um dos vossos preferidos!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Coisas Com História: Hoodie Title Fight (Ricardo Luz)

Que hardcore é mais que música já nós sabemos, mas também é sabido que há todo um mundo de merchandise, discos, cassetes, o que seja, ligado à cena hardcore. Desde a malta que curte comprar discos ou a malta que curte andar com roupa a publicitar as suas bandas favoritas, existem sempre coisas que nos trazem memórias à cabeça, que nos fazem lembrar viagens e amigos, e que têm por isso mais valor que o seu custo. Essas são as Coisas Com História.

 
Title Fight é sem duvida uma das minhas bandas preferidas. O Shed é um álbum do caraças, o Floral Green não dá para parar de ouvir desde que saiu, e todos os eps anteriores são do melhor que há, dentro daquela onda. E para mim só isto seria suficiente para escolher esta camisola.

Contudo, sempre que a visto lembro-me da viagem que fiz ai com uma malta há coisa um ano e meio para ir ver este meninos a Madrid. Essa viagem tem mil e uma histórias e nunca mais saía daqui se as contásse todas: desde o sítio onde ficámos a dormir, aos negócios com os chineses que vendiam cerveja no meio da rua (e que sempre que a policia passava desapareciam do mapa), ao facto do vocalista de Title Fight ter oferecido a t-shirt que vestiu durante o concerto, toda suada, a um de nós. Ainda me lembro da conversa que tivémos com eles no fim do concerto, onde prometeram que um dia destes passariam por aqui (promessa essa que ainda está para ser cumprida) ou o facto de termos ficado na boa 20 min a ver putos a andar de skate depois do jantar na Telepizza em Mérida, após o esvaziamento mais súbito de sempre de uma praceta cheia de gente, já na viagem de regresso a Lisboa.

O concerto em si foi muito bom, mas o público espanhol é aquela base. Não se mexem e cada vez que alguém fazia stage dive começam a mandar vir. Parece que vivem noutro planeta. A banda que abriu era fraquinha mas também acho que só vimos a última música. Mas acabou por valer a pena as horas de viagem para cada lado. Na altura fomos quatro, e foi dificil arranjar pessoal para ir. Tenho a certeza que se fosse hoje iam na boa 3 carros cheios, ou mais, até Madrid para ver Title Fight.

No fim do concerto lá fomos ver o que os gajos tinham de merch e acabámos por comprar todos a mesma camisola, simplesmente porque era a única que se aproveitava.
Os gajos são muita bons a fazer musica mas fazer merch fixe não é a cena deles. Escusado será dizer que no fim da noite, íamos os quatro com a camisola vestida pela rua fora, parecíamos saídos de um campo de férias ou de uma excursão estranha.


Ricardo Luz
Lisboa/Sesimbra