segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Review: Porto Hardcore Benefit #1 @ Altar, Porto


Provavelmente este foi o melhor cartaz cá no Porto de 2012, juntando isso ao facto de ser Benefit: não dava mesmo para faltar.

Com dúvidas no hórario do concerto, a mulher querer andar a fazer compras mais boleia de familiares até ao Porto, fez com que eu e a mulher fossemos os primeiros a chegar a sala do concerto. Aproveitámos e fomos ao Pingo Doce comprar mantimentos para o antes e o depois dos concertos. Com o passar do tempo o pessoal foi chegando e trocaram-se dois dedos de conversa, enquanto o bar não abria. No meio da conversa acabei por perder a noção do tempo, por isso não faço a mínima ideia a que horas começou, mas penso que não atrasou muito.

Just Say No! foram os primeiros a tocar, ninguém estava à espera pois foi o concerto supresa da tarde/noite. A banda é composta pelo Fábio de São João da Madeira na voz (att, a zine dele já esgotou mas vão checkar a cena para se sentirem mal por não terem comprado) o Xicote na bateria, o Felix na guitarra e um outro rapaz que não conheço, no baixo. Tocaram 4 músicas se não estou em erro, bem rápidas e acabaram o show com uma cover de Time X, e assim foi o principio de uma banda que, com certeza, vai tocar muito por aí.

A seguir tocaram as bandas da 'casa', Cruel Mind e os Shitmouth, com sets rápidos como sempre e com uma adesão bem fixe do público. É bué bom ver estes projectos novos a ganhar força (Attn, acho que os
Shitmouth lançaram ou estão para lançar algo pela SUAP, dêem um check!)

De seguida tocaram os Birds que nunca tinha conseguido ver ao vivo (ATW, SB! - Ex-Bar Undergroud) e só posso dizer que é mesmo, mesmo bom! Hardcore mais 'negro' com grande instrumental (bem, o pessoal manda uma atitude a tocar que só visto) e com uma voz que encaixa mesmo no ponto, se bem que o cabo do micro se fodeu e passámos parte do concerto só a ouvir o instrumental... Mesmo assim, passaram o teste com distinção ahah! (check na demo que estes pequenos pardais acabaram de lançar. Vale mesmo a pena!).

Passadas duas semanas voltaram ao mesmo espaço os Challenge. Não há muito que dizer, mocada para ali, pontapés para acolá, nódoas negras (este sou eu a comer mesas com a testa), sing along e isso tudo. Acabaram o concerto com a cover de Black Flag pois foram obrigados pelo público a tocar (checkem o promo com 3 músicas que eles fizeram, custa 2€ e é bem bonito).

E então chega o momento que eu mais esperava, SHAPE! Começaram o concerto com a Rotten Inside o que fez com que a sala virásse uma selva com toda a gente a cantar/gritar a letra. De seguida tocaram outra música da qual não me lembro (deve ter sido da pancada na cabeça) mas sei que a 3ª ou 4ª foi a Life is Hard e deus me livre, que jarda de música! Repetiu-se o filme do início do concerto. Mesmo lindo. Mas o momento da noite estava guardado para quando tocaram a 92 de X-Acto, que inferno aqueles 2 minutos, toda a gente a cantar e dançar, que feeling brutal! Acabaram o concerto com uma cover de Have Heart que caiu que nem ginjas. Para mim Shape é uma das melhores banda do país, o Cabeças é um monstro em palco, as letras são soberbas e o pessoal é mesmo bacano!

Entretanto vim apanhar ar cá para fora e fiquei à conversa com o meu sempre fiel amigo Valente e o pessoal de Shape e acabámos por nem nos aperceber que DWC tinha começado, e entretanto acabado...falha minha, curtia ter visto os rapazes.

Agora vamos à parte menos boa... Este concerto teve provavelmente um dos melhores cartazes que por cá passou no último ano. Era Benefit, a um hórario fixe, numa sala que toda a gente conhece, um preço justo (6 bandas que acabaram por ser 7 = 5/6€). Havia jantar por 1€. E mesmo assim apareceram 30 e poucas pessoas. Acho mesmo ridículo, 3 bandas do Porto e 3 bandas de fora só trazerem 30 e poucas pessoas. O concerto foi bem publicitado e marcado com antecedência. É verdade que haviam outras coisas na cidade nesse dia (Fest Punk na Casa Viva e Valete no Hardclub), mas mesmo assim não há desculpa.

Tenho pena por quem marca os concertos e se esforça em fazer as merdas acontecer duma maneira fixe (quantos Benefits houve nos últimos tempos, no Porto?) e acaba por ficar a arder. Esta é uma das razões para deixar de marcar shows e quando isso acontecer, não vejo muito mais gente a querer marcar concertos, ou seja, acredito que em breve os concertos comecem a ser bem poucos. Esperemos que não...

Valeu pelas coisas que se conseguiu juntar para as pessoas sem abrigo (ah, também achei uma beca falta de respeito não ter lá estado alguém do grupo Coração na Rua, mas not my business...), pelo ambiente sempre bacano que esteve lá dentro e pelos bons concertos que as bandas deram. É bacano ires embora no comboio a ler uma zine e a pensar que alguém já vai ter uma refeição ou um cobertor para ajudar a proteger do frio.

Já agora, se passarem pelo jardim do Carregal (bem perto do Altar), olhem para a entrada de um dos prédios e irão encontrar um senhor de muletas que, se lhe derem uma sandes, pacote de bolachas ou apenas uma palavra, irão sentir que foram abençoados. Acreditem, sabe mesmo bem!

Até à próxima! E já sabem: menos facebook, mais concertos!

Review pelo Luís Silva, El Tractor de Paredes aka o homem que sai sempre com mazelas dos concertos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Discos Trocados: Carry Nation/J.F.A.

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada. Esta semana vem (outra vez...) com uns dias atraso, oops!

Tiago
Carry Nation - Face The Nation (1989)

Isto é fixe. Não me lembrava de ter ouvido isto, malta de Insted e No For An Answer ao barulho, mas o som é algo diferente, mais "pesado" e lento, mas com uns cheirinhos que te fazem pensar que realmente faz sentido tocarem aqui os manos dessas bandas. Ep com quatro malhas, ouve-se bem, "curto e grosso", como diz o Miguel. Até curtia ter as letras disto para checkar que parece que dizem umas coisas interessantes...Engraçado que foram buscar o nome a uma radical anti-alcool que atacava saloons com um machado, ahaha. Ri-me bué a ler a história da mulher. Oh well, antes isso que nomes de merda com frases inteiras.

André
J.F.A. - Blatant Localism (1981)

Granda clássico. Curto bué. Prémio nome de banda mais bizarro de sempre? Jodie Foster's Army? lol, brutal. Hardcore rápido (e lento, aquelas partes à Circle Jerks) bem do skate e com aquele cheirinho a Verão, ah... hardcore da costa oeste, you can't beat the feeling. Bom demais. Este por acaso não é o meu disco preferido deles, acho o LP bem mais interessante. Valley of the qualquer cenas. Será que é por nesse disco eles meterem uma série de influências do surf rock incluindo uma cover bem bacana da Walk Don't Run? Possível, possível. O Pulp Fiction mudou mesmo a minha vida, surf rock é mesmo uma cena brutal. Não conhecem nada? Busquem Dick Dale, Rivieras, Surfaris, Trashmen...

Review: Breaking Point + Brutality Will Prevail + Down To Nothing no Underworld (Londres)


Já há uns bons tempos que não ficava verdadeiramente excitado para ver um concerto como fiquei para ver Down To Nothing (DTN). Vocês sabem, meter os discos no mp3, andar a ouvir a semana toda, ver vídeos da banda no YouTube, aquela antecipação. DTN é provavelmente das poucas bandas straightedge da actualidade que realmente curto, e que até as letras do straightedge pride eu canto com vontade. Foi algo que começou talvez com os Champion (ou terão sido os Chain of Strength?), mas DTN tem aquele groove e aquelas partes mais à Terror que realmente me deixam maluco. Além disso é daquelas bandas que não se leva demasiado a sério e que fala de coisas importantes e faz uma boa autocrítica ao hardcore, o que vale sempre pontos extra no meu livro. Mas deixemo-nos de palestras. 

A noite ia ser longa (quatro bandas anunciadas mais uma que foi metida de surpresa no cartaz) por isso chegámos já a primeira banda estava a arrumar a tralha. Nada contra os Final Rage, mas fica para a próxima. De seguida vieram os Breaking Point, uma banda que eu pensava ser mais do old school mas se revelou mais do mesmo: mosh durão, riffs super batidos... lembrou-me Broken Teeth, ou seja: chato. Se calhar é porque não consigo levar a sério um miúdo de 19 ou 20 anos cuja voz mal se ouvia no meio do instrumental a gritar "crowd kill!" para os malucos no pit. Desistimos da banda a meio.

Um Red Bull e uma Corona depois (acho que foi a primeira vez que consumi no bar do Underworld, a não repetir dados os preços) e já os Abolition estavam prontos para tocar. Metalcore edge à la '90s com uns truques pelo meio, com disco novo acabadinho de lançar, e os principais impulsionadores do “London Straight Edge” que tem vindo a ganhar força pelo que vou percebendo aqui da “cena” local.
A diferença para a banda anterior foi notória, ainda que pelo menos um dos guitarristas seja o mesmo de Breaking Point. Coesos em palco, uma ou duas músicas (penso que as novas) muito bem conseguidas e um vocalista que parecia um skinhead pronto a dar biqueiros na cabeça de um qualquer drogado (exagero meu, o rapaz até acho que é boa onda, mas estamos em 2012, um bocado tarde para ir buscar modas dessas, e no último concerto que vi deles o rapaz tinha uma aparência super “normal”). Mas boa banda surpresa, gostei de os rever e sentir evolução na banda.
De seguida, Brutality Will Prevail. Segunda vez que os vejo no espaço de um mês, o que só quer dizer que a banda está imparável, e isso nota-se e muito em palco. Presença de banda que já tem muita rodagem, set bastante coeso (lá para o meio morreu um pouco mas eu também não conheço bem as músicas) e um vocalista que tem uma voz que encaixa na perfeição para o tipo de som que é (ainda que muito roubada ao George de Blacklisted como já referi na outra review, mas eu adoro Blacklisted). A banda está claramente num momento de topo, montes de gente no pit a espera que eles começassem, toda a gente a cantar as letras do novo disco, e sinceramente dão um concerto ao nível de muitas bandas mais internacionais.
A única coisa que me chateia é os riffs soarem todos a música de filme de terror, demasiado arrastado e pesadão... ao vivo rende, mas em disco não me puxa, e não vejo grande futuro se a banda não começar a meter coisas novas além do que já fazem. Mas vale mais ao vivo que em disco sem dúvida. Troca de material bem rápida e os cabeças de cartaz já estavam em cima de palco num instante. Estava à espera que muito do pessoal que estava em BWP bazasse, afinal de contas é banda que pouco ou nada tem a ver com Down To Nothing, e os últimos estão bem longe dos hypes que correm na Europa, afinal de contas estamos a falar de uma banda que não lança nada há cinco anos. Mas não, casa bem composta e muita gente já lá na frente comigo à espera que o concerto começasse. 

Notava-se uma certa diferença de idades, malta mais velha à minha volta... ou seja mocada a sério, prometia. E eis que o concerto começa com uma cover de Minor Threat (posso estar enganado mas acho que era a I Don’t Want to Hear It) [ED: Foram as duas primeiras do EP]. Aposta segura pois claro, eles não são parvos e sabiam bem que a malta edge estava ali em peso. Quando dei por mim já estava a ser esmagadíssimo e a ver montes de manos a desabar em cima de toda a gente vindos do palco. Stage dives a montes, mesmo como eu gosto no meu hardcore. E o feeling não se perdeu, a banda seguiu a todo o vapor num set que misturou na dose ideal as músicas de todos os discos. Tocaram tudo o que queria ouvir do Splitting Headache, o meu disco favorito deles, sem esquecer o primeiro disco e não saturar demasiado com músicas do The Most (Conquer the World, valeu), havendo ainda tempo para uma All My Sons em uníssono com a sala.
Sempre acompanhado de sing alongs massivos, o David agradeceu a toda a gente que viajou para o concerto, pessoal que veio do estrangeiro inclusive, e anunciou que haverá novo disco deles na Primavera, lançamento da Revelation Records. Foi daqueles concertos em que o público está mesmo em sintonia com a banda, com espaço suficiente para quem quer moshar não incomodar quem quer só cantar e mandar uns dives, num ambiente boa onda e positivo, o que seria de esperar para a banda que é. Fez-me lembrar o concerto de H2O na mesma sala também este ano, valeu mesmo. Set de 35 minutos sem encores nem merdas, a terminar com a Home Sweet Home. Hardcore for hardcore pois está claro.
“Hanging out is what we do best...“ Tão bom.

Review pelo Capitão Ema (AKA o grande boss da Juicy Records - botem olho e apoiem)

Playlist da Semana #24

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Quasimoto - The Unseen - Granda desenterranço este disco. Mas hey, afinal este disco é um exemplo perfeito do puro crate diggin' (dica: ouvir esta faixa de Lootpack). O Madlib (Quasimoto aka Lord Quas é um dos pseudónimos do gajo) é um chefe no que diz respeito a ir buscar discos do arco da velha cheios de pó e sacar uns samples ridículos de tão bons que são. Basicamente isto é ele a rimar em cima dos seus próprios beats com uma voz toda marada, parece que andou a dar no hélio. Não raras vezes tens intros bem fixes em que o Madlib fala com o seu pseudónimo Quasimoto, ahah. Esta semana deu bué hip-hop. Mas hip-hop a sério. Quando apanhas aí um video no youtube do 50 Cent numa rádio a dizer que hoje em dia o hip-hop é pop sabes que a coisa está preta.


Wu-Tang Clan - Enter The Wu-Tang (36 Chambers) - Este disco merece descrição? Claro que não. É daqueles que tem de figurar nas pastas de mp3 de TODA a gente. Clássico! Semana com Wu-Tang nos ouvidos é sinónimo de viagens de metro a abanar a cabeça durante todo o percurso.

Wu-Tang Clan - Wu-Tang Forever - "Wu-Tang again?" "Ah yeah, again and again!" É porque não sabes e andaste a dormir. Ou deveria dizer hibernar? Não tão bom como o 36 Chambers, mas tem lá umas faixas que me partem todo. O RZA é um génio, e nestes dois cds o gajo dá lições de como fazer beats. Por acaso a faixa com o beat mais banger do disco (adoro) é a Heaterz produziada pelo Tru Master, mas se me perguntarem qual é a minha favorita não vos sei responder.

Obituary - Cause of Death - O André é que os foi ver no outro dia, mas passei este disco me acompanhar no iPod e isto é só o melhor acordar possível. PESADO é dizer pouco. Riffs incríveis, bateria nas horas, voz do quinto dos Infernos. Isto com o volume no máximo é mesmo de virar tripas do avesso. (hehe)

Kraut - An Adjustment To Society - Punk do início dos anos 80 a ir buscar às bandas de 77 inglesas, com refrões do caraças e melodias bacanas, guitarradas valentes e boa produção. É porque não estou lá caído. (Talvez?) das bandas mais underrated da altura, tem aqui malhas que te colam à primeira, começando logo pela primeira malha, a All Twisted.



Deftones - Koi No Yokan - É lixado... quando eu decido que não vou gastar mais dinheiro em concertos de bandas que já vi (para juntar dinheiro para esta viagem), os Deftones lançam um disco novo e marcam uma data em Londres a puxar boa libra. Claro que não estou a resistir, não só foram as músicas do Diamond Eyes feitas para experimentar ao vivo, como este disco se vai revelando melhor a cada audição. Ai a minha vida mesmo, lá vou ter de comprar um bilhetinho, ora não é verdade? Que se foda, era pior se fosse agarrado ao crack.

Strife - One Truth - Ainda não ouvi o disco novo, mas continuo colado a este. Tenho de lá ir. Vi algures que eles vão a Lisboa com H2O. Nigga what? Granda concerto - espero que seja no Santiago Alquimista. Das melhores sala? Certamente. Só uma carpetezinha para aquela merda não ficar pista de patinagem no gelo e era granda onda. Claro que agora fiquei com sonhos molhados de ver essas duas bandas no Underworld - era um tour package bem bacano, e um hang out brutal mais que garantido com os suspeitos do costume.

DYS - Brotherhood - Discão, né? Já nem sei porque vim ouvir isto. Devia estar inspirado por escrever algum post na parede da nossa página do Facebook - acontece. Boston não costuma deixar muitas dúvidas. São certamente a minha cena preferida da primeira metade dos anos 80, ainda que nenhuma das minhas duas bandas preferidas de hardcore seja de lá - LOL! San Francisco e Nova Iorque - fácil de adivinhar. Acho que uma vez os Time X uma vez gravaram esta cover mas o produto final, ya. Boa tentativa though.

Green Day - Nimrod - No outro dia tinha estado a pôr uns tags nuns discos em mp3 e cruzei-me com este. Porque é que não o tinha no iTunes? No idea. Mas agora já tá resolvido. Em 1994, quando comprei o meu primeiro CD, era coladão em Nirvana. Aquelas cenas de puto... 12 anos também não dá para mais. A minha segunda banda foram os Green Day. O Dookie é granda clássico, curtam ou não. Quem é que tem em vinil verde, quem? Ah, pois. O Nimrod também é fixe e acho que a partir daí já não é muito a minha cena. Em 1997 comprei o The Great Southern Trendkill e acho que depois de ouvir isto, o meu gosto musical mudou completamente de rota. É porque não sabes. Ainda assim, este disco é bem bacano. Lembra-me bons (e maus) verões passados em Sesimbra.

Trapped Under Ice - Demo - Às vezes sinto-me um bocado mal em relação aos Trapped Under Ice. Quer dizer, eu sei que já venho bem late for the party e sei que vocês sabem que nunca fui grande fã deles. Sinto-me mal porque já os vi umas cinco vezes (em salas bem pequenas, salas grandes, em Nova Iorque...) e continua a não me dizer muito. No entanto, havia duas músicas deles que eu curtia bué, e acontece que elas estão na demo. O Ema foi um super bacano e pôs-me isso online há uns tempos por isso decidi vir em busca delas. Claro que esta demo transpira Crown Of Thornz misturado com Integrity do início, mas acho que já me estou a cagar para isso. Não quer dizer que esteja loucão por eles, mas vamos ver se consigo transicionar (esta palavra existe? lol) para o EP. Ah, as malhas são a Soul Vice e a Evelyn, embora a Evelyn enrole uma beca para o meio. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Discos Trocados: Heavyweight/Step Forward

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada. Esta semana vem com uns dias atraso, oops!

Tiago
 Heavyweight - Demo (2004)

Man, não conhecia isto mas que granda estalo! Por acaso tenho andado a ouvir bastante o Crime Ridden Society. É crime dizer que a Pure Disgust é das melhores malhas desse disco, tirando a letra bem parva da vida que tem? Muito provavelmente não. Não tenho paciência nenhuma para o que veio a seguir, letras para o shock value com conversa de cha-cha de conservador americano dizem-me zero, mas isso não impede o primeiro disco de ser bom que dói.

O André enviou-me isto e eu não conhecia. Apesar do nome a indicar peso e do artwork farsola isto é granda power, e algo que achei surpreendentemente bom. Não que o André habitualmente me mande lixo, mas tendo em conta o meu gosto refinado, foi boa onda. Chubbie Fresh de OLC/Integrity a cantar, som pesado e rápido qb, acho que o meu iPod ganhou novo habitante para melhor audição. O som é bem à OLC, não disponho é das letras para conferir o teor das mesmas...

André
Step Forward - New Songs (2012)

Admito que adorava estar aqui a escrever que o Tiago me tinha convertido à legião de fãs dos Step Forward, mas infelizmente isso não aconteceu. Eu acho que ouvi a primeira demo ou EP deles quando saiu e achei que soava demasiado a Brotherhood para o meu gosto - o feeling "banda tributo" ou "banda que soa a outra banda" nunca me convenceu assim muito, basta uma passagem de olhos nos cerca de 500 discos de hardcore no meu iTunes para perceber isso. Jailbreak soa a No Warning? Debatable, mas a pegar num exemplo só mesmo esse. Sem querer soar hater ou estar só a mandar vir para o sake of it, Step Forward simplesmente não o faz por mim. Quer dizer, já ouvi hardcore suficiente ao longo da última década e picos para saber o que é que me faz mexer ou não. Não digo que Step Forward seja mau, mas é demasiado colado a Brotherhood para eu os conseguir levar a sério (a voz então... lol). Word of warning: Isto deve ter sido gravado num ensaio por isso a produção é não-existente.

Mas na boa, há espaço para todos. Há hypes para todos. A única cena que eu tenho a dizer é que esta banda não é aquilo que a fazem, e desafio quem discordar e o quiser discutir (ordeiramente) a me apresentar alguns argumentos a defender contrário. Não há nada como falar de hardcore! Principalmente com Brotherhood a tocar no fundo.

Playlist da Semana #23

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Iron Boots - Weight of the World - É de mim ou esta semana passou mega rápido? Eu já nem sei bem a quantas ando, mas parece que o tempo anda a passar depressa demais. Não que anseie por nada em especial ou tenha coisas fazer, mas ando com a noção de tempo completamente atrofiada. Provavelmente é a rotina do trabalho a entrar em acção...Bom, mas passemos ao que interessa. Já não cheirava o antro que é o fórum da Bridge 9 há uns tempos, mas fui lá à procura de informações sobre a tape de Step Forward a semana passada e acabei por andar a cuscar mais umas coisas. Tópico de apreciação a Iron Boots? Claro que fui lá dar a minha achega e dizer que é das melhores bandas a sair de Virginia Beach, bem como das minhas favoritas. Bom, mas bom. 

Wasted Time - Futility - Man, aquelas bandas todas do revivalismo do hardcore à 80's de meados dos anos 2000 eram tão boas! Direct Control, Government Warning, 86 Mentality, Wasted Time...era um bocado uma cena à parte, os lançamentos da No Way e da Grave Mistake, aquilo era (e ainda é no caso da Grave Mistake, salvo raras excepções) cada tiro cada melro. Sei que há aí uma malta com bom gosto que curte bué esta banda. Também difícil será não gostar. Finalmente orientei este lp, obrigado Destroy It Yourself! 

Bracewar - Juggernaut - Não raras vezes o demónio cibernáutico que me assombra chamado eBay faz-me ir buscar discos que já não ouço ao tempo. Um gajo ainda é novo, tem poucas despesas pelo que acaba por gastar alguma guita nestes vícios (saudáveis) e o eBay acaba por ser um fiel companheiro na lenta construcção de uma colecção de discos, com os seus vícios e virtudes. Safei este disco esta semana completando assim a colecção, pelo que fiquei contentinho da vida e fui celebrar a ouvir os mp3. Não, não tenho as variantes todas, record nerds não precisam de se abespinhar que talvez isso um dia aconteça e deixe de dizer que "completei colecções" sem ter as edições do fest X e Y. Ah, Bracewar é tipo chapada na tromba. Essa frase mítica daquele puto rapper azeiteiro que adoro utilizar para descrever o hardcore como gosto, rápido e sem merdas.

Wrong Idea - What's Left Inside - Isto foi uma dica aí do Fábio, que me deu o link para sacar isto há uma data de tempo mas só fui ouvir isto esta semana. Pa, youth crew banal, não que isso seja automaticamente mau, porque dá para dar um pézinho, mas é uma entre mil bandas que tocam o género. Ainda assim, valeu o download, e estarei atento a novidades, se é que alguma vez existirão.


JR Ewing - Calling In Dead - Bem, aos anos mesmo! A primeira vez que ouvi este disco foi há tanto tempo que nem sequer me lembro há quanto tempo foi. Isto não é bem screamo porque ainda tem bué influência de hardcore, mas também não metalcore. É aquela onda no meio que se usava muito, sabem? Regardless, no outro dia estava a organizar o meu caixote de mp3 que não pertencem à minha colecção pessoal AKA iTunes e decidi dar-lhes uma ouvidela - colei logo. Escusado será dizer que agora já passaram do caixote para o iTunes. Ai não. E o concerto deles com Renewal e Time X na Kasa, que acabou com a bófia a entrar de caçadeira e lanterna durante o set de Renewal a perguntar quem é que era responsável por aquilo. Pesado. Pena. Curtia de os ter visto, até tinha o LP e tudo.

Rival Mob - Raw Life - Sim, sim e sim. Eu quero mais é que o hype se vá foder. Eu oiço Rival Mob porque desperta o lado mais negro em mim. Não, isso é o metal. Ou será? Bom, metam estes manos a tocar a Londres e eu JURO que se não aleijar vou sair de lá aleijado. Mesmo do começar porrada à toa só porque se levou um encontrão. Yup, desperta o lado mais negro em mim. Então se apanhar selvagens a fazer aquelas danças burras que se vê nos vídeos dos concertos da América é hoods up na minha hoodie do United e vai tudo varrido pelo mini furacão tuga. Última vez que isto aconteceu? Bracewar. Em pulgas é pouco. RAAAAAAAW LIIIIIIIIIIFE!

Nile - Those Whom The Gods Detest - Continuando a vibe metaleira das últimas semanas, esta semana peguei neste disco de Nile e apercebi-me que até tenho algumas saudades de os ver ao vivo. Quando cheguei à quinta vez (em três países diferentes) decidi que ia dar um breakzinho, mas acho que já os voltava a ver. A ver se fico atento a datas. Verdade seja dita, os Nile nunca desapontam com os novos discos - cada vez mais limpo, cada vez mais técnico, nem por isso mais brutal. Mas não desaponta. Este disco é de 2009 e é boa pastilha. Death metal e Egipto num só - como não amar?

Alice Cooper - Greatest Hits - Curto bué de Alice Cooper - mas só mesmo assim em Greatest Hits, álbum completo aborrece-me uma beca. Não é a minha cena. Há algumas bandas assim… Foo Fighters? Para além do primeiro disco, só Best Of. Blur? Só Best Of. Enfim! Anyway, quem seguiu isto no Facebook no outro dia? Foi bacano, ein? A ver se faço outro com rock antigo com boas bolas. Eu acho que a Poison é uma das minhas malhas preferidas de sempre - no joking. Este disco tem isso e muito mais e pá, pronto, tem de ser. I wanna kiss you but your lips are venomous poison, you're poison running through my veins! Mas essa nem é a melhor… I want to hurt you just to hear you screaming my name. Chama-lhe kinky.

Obituary - Dead - Claro. Claro que sim. Sabes que estás excitado para um concerto quando nessa semana só ouves quase essa banda e vais para o concerto a ouvi-los - fã. Disco ao vivo não falha, aquele gajo é tão brutal que até fico com vontade de os ver de novo só por isso (e pelo resto). Ok, pessoal do hardcore que torce o nariz à metalada… a Back To One? Não sentem nada? Nigga please. Se fosse uma banda qualquer de Nova Iorque a copiar isto aposto que já era fixe, LOL! O pior é que aposto que há bandas a fazê-lo. Man, é bom demais. É tipo levar um chapadão na boca com toda a força e gostar.

Review: Nihilistic Bastards + Battlescars + Local Trap + Besta + Utopium no V5 (Porto)



Ora bem... sexta-feira é aquele dia da semana pelo qual ansiamos a semana toda. Quando vai haver concerto nesse dia e vais estar com o pessoal a ansiedade para que chegue sexta é o dobro. Estou a falar do concerto de Utopium, Besta, Local Trap, Battlescars e Nihilistic Bastard no V5. O concerto estava marcado para as 19h mas como o pessoal gosta de por a conversa em dia, vai sempre meia horinha mais cedo. Eram 18h30 e já estava ä porta do V5 a falar com o pessoal do costume, o que é sempre das minhas partes favoritas de um concerto: o convívio.

Eram 19h quando as portas abriram, passado 15 minutos começa Nihilistic Bastard, uma banda de powerviolence de Leiria bastante recente e que deram um bom concerto. Foram só 15 minutos mas deu para ver que vai sair dali uma coisa boa, músicas de powerviolence rápidas, como o povo gosta. A sala ainda estava pouco composta e o pessoal bastante parado - mas na frente - a apreciar o concerto deles. Não tive muita noção do tempo de intervalo entre Nihilistic Bastard e Battlescars mas não deve ter passado dos 15/20 minutos. Battlescars é uma banda de crust punk de Figueira da Foz. Apesar de crust punk não ser um estilo que eu ouça no meu dia-a-dia admito que aprecio bastante quando me mostram músicas deste género. Battlescars foi muito bom, tem um som muito bom e o vocalista tem uma energia e presença de palco muito boa.

A sala já estava mais bem composta e começou a haver um bom moshpit também, por influência do vocalista que ia cantar para o meio do público e ia empurrando o pessoal para este não perder a pica. Tocaram durante cerca de meia hora. Passados uns 15/20 min, e com a sala já muito bem composta (estavam cerca de 60/70 pessoas) começa Local Trap: uma das melhores bandas de hardcore (apesar de ser um hardcore mais obscuro e negro) do Porto, até mesmo de Portugal. A pedido do vocalista o pessoal chegou-se todo para a frente, dando início aos stage dives e um mosh pit com mais pessoas e mais energia. Foi o meu concerto favorito do final da tarde/noite, uma banda com uma presença em palco excelente (o baterista estava com 5 pontos num dedo e mesmo assim arrebentou com aquilo tudo) O ponto alto deste concerto foi, sem dúvida, a música "This Sick Machine" com pessoas a subir constantemente ao palco para cantar.

Passado cerca de um quarto de hora, Besta entra em palco - uma banda que da primeira vez que ouvi não gostei, mas quando na semana passada decidi dar uma nova oportunidade, gostei e muito. Deram um concerto longo, a comparar com o tamanho das músicas, mas foi "porrada de meia-noite" do início ao fim, lá para meio do set deles perdi a conta na quantidade de músicas, mas isso é irrelevante, o que importa é que conseguiram manter o público na frente a curtir o som, e pelo que vi muita gente curtiu. A quantidade de fumo na sala já me estava a dar a sonolência (e a mais pessoal também), o que é mais que normal visto que estávamos fechados numa cave.

No entanto, quando Utopium começou (originalmente era para ser Teething, mas cancelaram, pondo Utopium no seu lugar), o pessoal lá despertou e foi lá para a frente curtir o último concerto da noite e o grind que os Utopium fazem, e bem. No início do concerto, apesar da banda estar a tocar muito bem, notava-se que o público já estava a sentir o cansaço dos concertos anteriores, o que passou ao fim de 3/4 músicas, abrindo mais um mosh pit para a última banda da noite. Tocaram cerca de quarenta minutos, acabando o concerto pelas onze e um quarto.

Quero agradecer às bandas, que fizeram com que a sexta-feira de muita gente fosse ainda melhor que o habitual, e ao organizador, Vitor Moura, que é graças a ele que há aí muito concerto bonito no Porto.

Review por João Borges (dos Shitmouth, não sabes? Andas a dormir. Bota ouvido: https://www.facebook.com/shitmouthhcpunk)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

News Flash: novembro 2012

Mini apanhado das novidades da cena nacional, uma cena quase tão rápida como o tempo que dura o sabor das pastilhas Gorila. Provavelmente faltarão coisas, mas não temos estagiários para por a trabalhar 24 horas por dia.


Os A Thousand Words chegaram vivos da tour pela Europa. Diz-se que correu bem e que vai sair tour report em breve. É esperar para ler e saber como correu, para além de possivelmente se vir a saber se foi deixada muita descendência lusa por esse continente fora.

Os Challenge não param. Já estão disponíveis três novas faixas, uma delas cover de Black Flag, em preparação para um 2013 que se espera (ainda mais) recheado. Novo disco? Check. Mais cenas que não sei ao certo o que são? Check também. O Edgar diz que a promo vai estar à venda em cd-r já este fim de semana para todos os material boys e material girls poderem adquirir. Sim, estou aqui a sentir granda Madonna.

Os Backflip já estão quase a terminar a gravação do novo disco, esperem pelo cd já no início do próximo ano. Os Shitmouth já tem a sua demo a ser preparada pelos mestres cozinheiros da Shut Up And Play e da Destroy It Yourself. Esperem por uma edição bem porreira num futuro bem próximo. Os Pressure voltaram aos ensaios (já há uns tempos) e as coisas estão a correr bem, acho que andam a ver de sítio para gravar. O Armando (xRei Aranhax) está na bateria. Os The Skrotes já têm os splits mesmo a sair, o Boris tem-me andado a enviar updates fotográficos dos meninos e esperem por uma edição cinco estrelas, e em vinil!

O ano está a acabar mas 2013 promete ser bem bom. Caga no fim do mundo que isso é conversa da treta. No Turning Back logo em Janeiro para abrir a pestana? Check. For The Glory nas Caldas, mesmo do "último a sangrar perde"? Check. Bandas europeias a virem cá tocar? (Praticamente) Check. Novas bandas? Check. Mais lançamentos e mais editoras? Check. Hardcore só morre se o deixarem morrer!


A Destroy It Yourself não tem dormido, e para além do split de The Skrotes com Boiling Point em vinil (já vi as fotos dos discos, aquele cor de vinho transparente está bem bonito), vai haver split tape de Carlos Crüst e Resposta Simples, demo de Shitmouth (juntamente com a Shut Up And Play) e ainda tape dos franceses The Night Stalkers. Estejam atentos e ajudem o Boris para ele poder ter comida todos os dias que ainda é jovem e está a crescer.

A Backwash e os Challenge adiaram o lançamento da tape com um concerto ao vivo da banda pois este só será gravado no início do próximo ano, por forma a já contar não só com novas faixas como para ter a formação actual. Não fazia grande sentido lançar em finais de 2012 um set com uma formação com quase um ano de atraso...No que a distro diz respeito vão haver 7"s de Survival e ainda sobra uma cópia da Demo II dos espanhóis Pay The Cost, fora as novidades da Carry The Weight anteriormente referidas.

A Juicy tem boas cenas a cozinhar para a distro, mas está tudo pendurado pelo novo disco de Converge. Malvados Converge...

Falta aí o flyer do show de SHAPE dia 16 nas Caldas. Estejam atentos ao facebook e afins.

Novembro foi um bocado sossegado certo? Bom, já se sabe que a partir de meados do mês não se passa grande coisa, fica tudo a fazer os bolos e ir comprar o bacalhau para cozer para a noite de consoada. Antes disso tem dois fins de semana bem preenchidos, com música para todos os gostos.

Este sábado à concerto low-cost na Academia Xavier Pinheiro, ali ao lado do Estádio Alvalade XXI, 2€, com Steal Your Crown, Not Without Fighting, Neighborz, Face The Fact, Above The Hate e Brace Yourself. Exércitos de ninjas estão já certamente convocados.

Domingo há Overcome, Reality Slap, Northern Blue, Crossed Fire e Primal Attack. Diz que vão haver grandes surpresas, não sei o que é pelo que só indo. No Ritz, 7€ com oferta do ep de Crossed Fire, que não conheço.

Na sexta-feira, dia 14 há concerto de SHAPE e Challenge (weekend mini-tour!), com Birds, Nihilistic Bastard e Fight Today a abrir, em Pombal. Major Bookings a meter as coisas a bombar!! Mais a norte, primeiro dia do Culhões de Festa 3 (lol) com uma data de bandas que não conheço, mas tem Shitmouth e Cruel Mind, por isso se forem do Porto dêem lá o salto a apoiar os miúdos.

Dia 15 há granda cartaz no Porto, por uma excelente causa, com o Vítor a organizar o 1º Porto Hardcore Benefit, com SHAPE, DWC, Challenge, Cruel Mind, Shitmouth e Birds, com a receita a reverter para a Associação Coração de rua. Dêem uma olhada no flyer para mais informação.

Malta que esteja a pensar "ah e tal, será que vou ao Benefit de dia 15 no Porto? Aquilo tem granda cartaz, mas se calhar vou ficar a jogar o novo Call of Duty ou a tirar fotos ao meu gato para meter no Instagram", por favor, não o façam e desloquem-se ao show porque, não bastando as boas bandas que lá vão estar e a causa que será apoiada, ainda podem apanhar uma boa surpresa...

Adiante, no mesmo dia em Lisboa tocam os espanhóis Hongo (ex-Madame Germen) com Gatos Pingados, The Skrotes, Nightshift e Arson (primeiro show em LX) . Local e preço a designar, atenção à página da No Borders Bookings. No Porto segue igualmente o segundo dia do Culhões de Festa 3, com buéda bandas de punk. Cristas ao vento!

No Domingo há último show da mini tour de SHAPE e Challenge nas Caldas, com Ratos de Colhão (lol), Birds, Fuzz e Phil Goes Down. Granda merda sair às 16h do trabalho. Se houver alguma alminha a querer ir a sair de Lisboa por essa hora apite, que estou interessadíssimo.

Man, show de No Good Reason dia 23 de Dezembro (falaram-me agora nisto bem de esguelha), mais info em breve. Grande Bráulio vem passar o Natal à pátria amada e parece que vai haver festa...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Baú do Congas: For The Glory + Deadly Mind + Last Hope + 25 ta Life na Torre da Marinha

Um cartaz dá sempre azo a mil histórias, isso é algo que felizmente nunca irá mudar. Quem melhor que o Congas para lembrar de algumas que aconteceram em concertos de For The Glory? Se estiveram lá não se esqueçam de deixar um comentário.


"Lendas do NYHC..." Tem piada pondo as coisas deste prisma e depois de todas as histórias que vimos a saber do Rick e de tudo à volta desta personagem meio macabra do meio hardcore. Eu gosto de 25 ta Life, a primeira vez que os vi foi em 1998 numa quarta-feira no Ritz Clube, mas os tempos foram mudando e a banda também, sendo que a acompanhar o icónico vocalista ia mudando sempre line up.
De todas as vezes que tiveram cá no nosso cantinho apareceram sempre com line ups diferentes.

Desta vez o concerto teria no lugar Margem Sul, numa sala altamente na Torre da Marinha. A organização ficou a cabo daqueles que durante um par de anos mexeram e dinamizaram ali o outro lado do rio, tendo também organizado cenas em Lisboa. Mesmo não sendo dos primeiros concertos de For The Glory, este aqui foi numa zona que não tinhamos explorado muito, talvez por a nossa base estar aqui na margem norte, nunca tocámos muitos lá até à altura deste concerto, mas foi uma situação que viria a mudar no futuro.

Quando subimos ao palco a sala estava vazia e assim se manteve durante o tempo que tocámos. Não guardo grandes memórias deste concerto, sem ser uma cena curiosa: Na zona do merch nós tinhamos lá as nossas cenas e chegou o Rick com a sua "loja", uma cena de outro mundo, super descomunal como sempre. Quando começa a montar aquilo parecia que nunca mais acabava. E eis que ele vê a nossas cenas, sem saber as bandas que iam tocar e vai ter com o André (corrige-me se estiver errado) e pede tudo o que havia de For The Glory que ele queria levar para os States e queria levar para a Europa porque iam ter mais datas e não sei quê.

Engraçado foi que ele fez questão de ir comprar uma t-shirt nossa e depois acabámos por ver umas fotos do Hell Fest em França ele a pausar com a t-shirt todo contente, haha. Lembro-me que veio perguntar se podiamos trocar CDs com ele e não sei quê, o gajo tinha uma ganda lábia e pronto, lá fizémos umas trocas com ele de cenas da Glória por cenas da editora dele e da distribuidora dele.
Aquilo tinha lá cenas bem fixes, como os Death Threat e outros releases da área de Pensilvânia e Philly. Aquele Zé tinha de tudo!

Depois quando fomos tocar o gajo "obrigou" a malta de 25 ta Life a ir lá para frente ver o concerto porque iam adorar a cena, que já tinha ouvido falar bué de nós e bla bla bla (se era bullshit ou não, não sei... mas a verdade é que valeu o apoio moral pelo menos haha). Os Deadly Mind são daquelas bandas que eu fico a pensar em como é que nunca quiseram levar a cena mais além do que aquilo, tocam bem, têm feeling, o Sampaio manda um ganda vozeirão, mas por razões que eu desconheço nunca tiveram a chance ou a vontade de ir mais longe. Mas tinham potencial e têm, pelo que sei ainda tocam né?! Last Hope serão sempre uma banda que marcou uma geração e embora nos dias de hoje os miúdos esqueçam-se quem é que começou isto na Margem Sul, alguns mais velhos fazem questão de mostrar que os Last Hope continuam a ser a bandeira da MSHC.

Não me recordo de muito mais deste concerto, mas lembro-me perfeitamente de tocarmos para uma sala tipo sociedade musical daquelas da terriola, mas estar muito despida para a banda de abertura (nós). Às vezes vejo a malta a queixar-se que não está ninguém, e querem atrasar os concertos para as pessoas irem ver e bla bla bla. Sinceramente acho que todas as bandas têm de passar pela fase de tocar para quase ninguém, para dar valor ao trabalho que é ter uma banda e dar valor ao subir pelo seu próprio suor. Além do mais, se as pessoas sabem as horas a que começa, só não aparecem a horas porque não querem. Foi o caso ali naquele dia, quem queria ver, viu... quem não queria acabou por ver mais tarde haha!

Review: Blackjackers + Cruel Mind + Challenge + A Thousand Words no Altar (Porto)


Domingo à tarde é aquele dia de sagrado de se estar em casa e de descanso... bem, para mim não, sempre que posso sair de casa faço-o, então se for para ir a um concerto o gosto é ainda maior - ainda para mais sendo a última data da tour de A Thousand Words!

Saí de casa da minha namorada já com um grande atraso às 16h, (visto que aquilo começava a essa hora e ela mora a 30 minutos do Porto). Cheguei ao Porto de autocarro lá para as 16h45 (epoca natalícias, e a fome de consumismo dá nas corridas ao shopping e trânsito) - apanhei o metro e cheguei ao Altar lá para as 17h, vi algum pessoal á porta, e quando reparei que ainda nem estavam abertas as entradas fiquei muito mais descansado. Meia hora foi o tempo para pôr a conversa em dia com o pessoal.

Entretanto, abriram as portas e entre as 17h30 e as 18h comecou Blackjackers, uma banda que aprecio bastante e têm um som e uma presença em palco excelente. Eles não têm estilo definido, o que é bom, isto deve-se aos diferentes estilos musicais de cada elemento, mas pode-se dizer que vai do reggae ao hardcore, com uma música dubstep (tocada com instrumentos, obviamente) pelo meio. O pessoal não aderiu muito (apesar da música pedir por isso) porque ainda estavam a aquecer para os próximos concertos, todas as bandas de abertura sofrem isso.

Depois foi altura de Cruel Mind tocar: grande show que deram, como sempre. Aí já começou a haver algum 2-step e uns side to side, uma banda que a nível sonoro faz-me lembrar Trash Talk. Como é habitual em Cruel Mind, tocaram a "Kersed" de Ceremony e "Babylon, CA" de Trash Talk. Agora é esperar que estes meninos lancem qualquer cena em estúdio. Depois de mais uma espera e mais conversa com o pessoal do costume fui ver os vinis que estavam lá a venda e deparei-me com uma preciosidade: o "Nervous Breakdown" de Black Flag em 7"... lá tive de dar uso à carteira.

Entretanto começou Challenge, uma banda que cada vez mais está a dar que falar, com um som muito bom, que puxa o 2-step mas tem muita parte de "tum pa tum pa" como eu gosto. Circle pits e crowd surf começaram a fazer-se notar cada vez mais. Fecharam da melhor maneira com um cover da "Depression" de Black Flag (só não houve stage dive porque o tamanho do palco não o permite e estava cheio de material, tanto é que as bandas estavam a tocar fora do palco)

Passado uns 15 minutos chegou o momento pelo qual o pessoal pagou €4: A Thousand Words, último show da Tour. Estes meninos têm um dos maiores EPs que sairam este ano em termos de hardcore nacional. Abriram com a música "Crosses", a minha favorita deles e a partir daí um set altamente com músicas do novo EP, entre outras.O concerto acabou entre as 19h30 e as 20h e foi um domingo à tarde passado da melhor maneira. Não estava tanta gente como se estava à espera (rondou entre as 60/80 pelo que vi) devido a um festival punk que estava a haver na Casa Viva (entrada gratuita, as usual) em que ainda por cima tocou uma das maiores bandas punk da actualidade: os Motornoise. Mas mesmo assim, deu para a festa.

Um grande abraço às bandas todas pelo show que deram e que fizeram com que estes €4 fossem mais que bem gastos, e também à organizadora On The Attack que faz com que concertos destes sejam possíveis.

Review por João Borges (o vocalista dos Shitmouth, se gostam de hardcore rápido e cortante fiquem atentos: https://www.facebook.com/shitmouthhcpunk)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Playlist da Semana #22

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Integrity - Palm Sunday - Eu curto bué de Integrity mas a cena toda agora do Holy Terror e mais não sei o quê não me convence minimamente. Aliás, quanto mais "velho" (lol) fico mais ganho gosto para preferir as cenas antigas às novas. Fazer o quê, right? Um gajo ganha gosto e não há nada a fazer. Agora que penso nisso, já vi bons concertos de Integrity, pena que na maioria tenha sido o Dwid + random dudes. Tirando aquela vez em que era o Chubby Fresh na bateria e tocaram a intro de OLC. Sim, tirando dessa vez.

Celtic Frost - Morbid Tales - Que banda tão pesada. Ainda no outro dia estava a falar da Procreation of the Wicked, agora já sabem de quem é. Por acaso não oiço Celtic Frost tanto como devia, é granda sonoro. Bem sujo, bem escuro e bem medonho. Banda para não ouvir às escuras? Check. Não, mas agora a sério... tupa-patupa-patupa-patupa-patupa...

Nile - Amongst The Catacombs Of Nephren-Ka - Porque é que Nile é tão bom? Boa pergunta. Já os vi um cojone e meio de vezes e decidi pôr travão nisso (principalmente agora com a minha decisão de não pagar para ver bandas que já vi mais de duas vezes ao vivo para poupar dinheiro para A viagem) mas acho que vou ter de representar mais uma vez antes de bazar. Disco preferido? Difícil... talvez o In Their Darkened Shrines? Da primeira vez que os vi mandei-te à toa para o Porto para um CONCERTAÇO no Hard Club antigo. 2005? Possível. Adoro. Aqui tem menos produção limpa, mais sujidade, mas o mesmo super sabor. Como a malta curte, ai não.

Ignite - Benefit - Bem, nem sei como vim aqui parar. Quase nunca oiço este lado do CD (estão divididos no iTunes, claro) mas sabe-me sempre bem quando o faço. Adoro imitar o Zoli e cantar as partes cantadas o melhor que consigo, LOL! Good times. O Daniel é que sofre, mas na boa. Ele é bom miúdo. Produção meio podre e tal, mas malhas com granda feeling. É hardcore melódico sem ser muito choramingas. É bom. Eu pelo menos gosto! Já contei aquela história fixe que uma vez estava a comer num restaurante vegetariano em Budapeste e começou a dar a malha de Ignite que o gajo canta em Húngaro? LOL! Fodasse. Brutal. Depois deu Sublime. Chill.


Bad Brains - Into The Future - Man, nem estava para ir cheirar esse disco, mas havia aí tanta malta a gabar o disco que tive de dar uma chance aos velhotes. Não que fosse com grande espectativa, os bacanos já tinham fritado bem antes do I Against I...Bom, aquilo tem umas três ou quatro faixas bem interessantes, o stress é teres faixas a esgalhar que terminam com um dub e Jah praqui e Jah prali, ou então estão bem espremidas no meio dos mesmos dubs e rocks psicadélicos chatos que fode é uma cena que não me entra. Nem nos antigos, essas são as faixas que levam sempre crop. Desculpem aí, Reggae é chato que dói. Está aqui no limbo do vai não vai para a lixeira. A seguir tive de ir buscar o primeiro disco à livraria musical para limpar os ouvidos.


Free Spirit - Be Yourself - Olha, parece que nem foi de propósito. Andei a ouvir os Straight Ahe...perdão, os Free Spirit esta semana, e a pensar que o raio do disco nunca mais me vem parar à colecção (preços de merda no eBay, vão se foder seus americanos mimados!). Este fim de semana houve showcase da Triple B em que eles tocaram, e em que, meio de forma surpreendente, afirmaram que foi o seu último concerto porque a banda ia acabar. Ainda há duas semanas lançaram a promo tape para o novo registo, que agora nem se sabe se vai chegar a sair...Bom, mas numa nota mais positiva, parece que os Step Forward (que também tocaram) lançaram uma tape nova com novas malhas e vai sair novo disco proximamente. Step Forward > Free Spirit. André, parece que essa tshirt que andas aí a representar vai valer bom negócio daqui a uns tempos, ahah.

Side By Side - You're Only Young Once - Ultimamente ando sempre a ouvir o mesmo. Não tem aparecido assim nada por aí além e acabo por dar por mim sempre a ouvir a mesma coisa. Se calhar porque são discos muita bons que adoro. Provável. Muito provável.

After Hours with Logan Sama - Conhecia umas cenas de grime por alto (Tempa T, Depz...) mas aí o André deu-me aí umas dicas e saquei uns programas do gajo, daqueles em que leva para o estúdio a maralha toda e tens 30/40 minutos de malta a cuspir forte sem descanso. A seguir, a ver se começo a sacar cenas do youtube, há lá bueda cenas sem links, sendo que aquele video do Tempa T a rimar durante 7 minutos em que parece nem respirar mete um respeito do caralho. Ah, e ainda manda ali uns grandas golpes de boxe enquanto o faz. Não sou grande apreciador de dubstep e essas merdas, mas tem lá uns beats mesmo pesados, e funcionam lindamente com a velocidade a que as rimas são ditas. É outra cena mesmo, e algo em que ando a ver se melhor me educo.

Review: Bad Brains - Into The Future (2012)


Estamos no final de 2012. Será que faz sentido um disco novo de Bad Brains? Acho que todos sabemos, ou deveríamos saber a importância e influência desta banda dentro do hardcore/punk e não só. Uma banda que lançou clássicos como o ‘Bad Brains’ ou o ‘Rock For Light’ são forçosamente um ponto de referência. Claro que esses discos já têm 30 anos e desde essa altura a banda lançou vários discos bastante diferentes (Quickness, Rise), mas vamos ao que interessa. ‘Into The Future’ é um disco de Bad Brains, disso não há dúvidas. Tem malhas rápidas? Sim! Tem aquelas partes em midtempo/Palm mute que só eles sabem fazer? Sim! Tem as malhas dub/reggae? Claro, senão também não era um disco de Bad Brains como deve ser.

Ah e desta vez a voz do HR não têm aqueles delays malucos como no ‘Build A Nation’. As malhas que mais gosto são a ‘Into the Future’, ‘Popcorn’ (Riff mesmo à anos 90 com aquele Groove mesmo à NY), ‘We Belong Together’ e a ‘Yes I’. Como é normal nos discos deles as últimas malhas são Dub/reggae, ou seja, mesmo do teres ido ver o show e quando a banda acaba fica esta banda sonora para relaxar e meter a conversa em dia por exemplo. Não gosto muito de fazer reviews sem ter o disco, mas enquanto não chega vai ter de ser assim. A capa também está muito boa. Bad Brains clássico. Este não é o disco ideal para mostrares a alguém que nunca ouviu Bad Brains ou nunca ouviu hardcore. No entanto é um bom disco. Se faz sentido um disco de Bad Brains em 2012? Claro que sim.

Review por David Rosado (botem olho: www.saladdaysrecords.com)