terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Baú do Congas: For The Glory + Roll The Dice no meio do nada, Bélgica

Um cartaz dá sempre azo a mil histórias, isso é algo que felizmente nunca irá mudar. Quem melhor que o Congas para lembrar de algumas que aconteceram em concertos de For The Glory?


Olá malta! Primeiro quero pedir desculpa porque estive meio afastado e nunca mais vos trouxe aqui mais cartazes do Baú. Mas voltei, é o que interessa. Apesar de para muita gente esta rubrica não ter significado nenhum, para mim é como uma viagem ao passado, onde vou buscar memórias e situações que estavam aqui perdidas na minha mente. Portanto é um bom exercício mental, haha!

Este cartaz começa logo por me fazer rir porque meter na descrição "na onda de Terror/Panic" dá logo vontade de sorrir. Terror compreendo, agora Panic?! Epá, só se for na forma desenfreada com que o Miguel gravou o Drown In Blood a 200bpm, quase que poderia ser "para fãs de Terror/Panic/Cannibal Corpse", haha!

O concerto foi numa sala pequena, na cidade de Bornem - na parte flamenga da Bélgica. Duas bandas e dia de semana seria sinónimo de concerto pequeno, e assim foi. Um bar sem palco e com um tipo de barril no centro do dancefloor - mesmo a pedir bom circle pit lá à volta. Mas hey, estávamos na Bélgica e sem dúvida que circle pit naquela altura não era algo que os Belgas fizessem. Entretanto, alguém pensou que aquele barril (que deveria ser BEM PESADO) deveria sair dali e só vejo o vocalista de Bloodshot a empurrar e a rolar aquilo para o lado e pronto, a partir daí foi o arraial de mosh que os Belgas sabem proporcionar.

Os Roll The Dice eram a banda local (como diz o cartaz, haha) e soavam a Eurocore, aquela sonoridade muita rápida com partes OH OH OH - não vos sei explicar. O gajo da banda também era o organizador do concerto e sem dúvida que era das pessoas mais estranhas do mundo. O Jakke era um moço humilde, simpático e que tentava fazer o melhor que conseguia - tanto para levar bandas a tocar à terra a dele como fazer com que a banda dele tocasse com bandas de fora. Espero é que ele não diga a todas as bandas o que nos disse a nós: "If you want you can fuck my mum." Esta frase deixou toda a gente de queixos caídos, ninguém esperava levar com uma bujarda destas. Depois ainda rimos, naquela para ver se o gajo não estaria bezano e como o inglês dele não era o melhor, talvez não fosse bem aquilo que ele queria dizer, mas logo de seguida diz o seguinte "my mum loves portuguese guys, if you want I can call her."

De facto foi surreal. Quando saímos para casa do moço, eu acho que estava a nevar e ao lado da casa dele havia assim uma vedação daquelas de madeira com cavalos e vacas... mas isto pode ser a minha mente a pregar-me um truque (nop, não é - havia mesmo! André).  Mas a realidade é que estas tours no início da banda eram cheias de peripécias e personagens bem estranhas. Contudo o gajo era muito fixe e prestável, tão prestável que até ofereceu a mãe! Haha!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Review: We Ride + PxHxT + Same Old Chords + Fight Today @ States Club, Coimbra


Porquê ir a Coimbra ver um concerto quando havia um parecido em Lisboa? Primeiro porque isso não quer dizer nada e sabe sempre bem variar um bocadinho nas salas e nas cidades. Depois porque ando com uma pica descomunal para dar umas voltas e aliar isso passar um fim de semana com a malta das bandas que iam de Lisboa é ouro sobre azul

Dar com o sítio demorou algum tempo. Mantendo contacto com os rapazes de PxHxT e de Same Old Chords que tinham ido jantar a casa de pessoal da organização, lá encontramos o States. Apesar das horas ainda deu tempo para um par de cervejas no café mais próximo, onde ocupamos a esplanada. Não se aprende nada com esta malta, divirto-me sempre! O Davide e o Ricardo (de PxHxT) dominavam a conversa,  a Márcia (de Same Old Chords) mandava uns bitaites para completar e ,se não me engano muito, pelo tempo que o Noia passou com a Go Pro na cabeça estilo mineiro, isto é capaz de estar tudo gravado. Bom, no fundo era o Trolha quem mais falava, mas isso são outras histórias.
Lá para as 23h finalmente se começou a entrar.  O espaço é giro, um antigo clube de strip, coisa que as luzes vermelhas, as paredes espelhadas e o rabo empinado a sair por detrás do banner de We Ride confirmaram.

Só não percebi o esquema de pagarmos o bilhete e em vez de termos uma bebida grátis, eramos obrigados a consumir pelo menos uma. Ou seja o concerto saia a 6.5€ no mínimo. Mas bom, os Fight Today finalmente deram início aos concertos. O palco era, de facto, muito pequeno para 5 pessoas o que não invalida que ache que o vocalista precise de ganhar mais à vontade. O som é hardcore típico, um bocado repetitivo de malha para malha, mas estava tudo a aderir e rende sempre ver as bandas jogar em casa.

Seguiram-se os Same Old Chords. Tenho de dar os meus parabéns à Márcia. Do concerto do Porto para este, tendo em conta que não houve mais nenhum, duplicou o à vontade. Grande onda! Houve uns quantos problemas de som, só havia um monitor, mas o Flávio e o Daniel safaram-se bem a partilhar um micro, parecia um dueto romântico, eheh.

Com PxHxT já se sabe, é a destruição onde quer que seja. Continuo a achar que o Noia é provavelmente o tipo mais suado que já vi em palco, mas ninguém se importa. Melhor ainda, foi a pequena reunion da banda, com dois dos ex-membros no público a partilhar o microfone. Tem andado a deixar um cheirinho do álbum que está para vir e acho mesmo que vai ser power! Não houve aquela habitual chacina à beira do palco, mas andava tudo nos circle pits e no crowdsurf com a prancha mítica. Não sei é o que é que os moços tomam, mas têm todos uma elasticidade brutal, parecia os olímpicos de salto em altura.

Por último We Ride. Sinceramente conhecia mais de nome do que de ouvir. Mas foi bom, e têm ali uma legião de fãs impec, acho que nunca vi uma percentagem tão grande de raparigas num concerto, tendo em conta as 60 pessoas na sala. A Party Girls foi, portanto, aquele auge mas acho que não falhou nenhuma, não me lembro de um momento parado, pelo menos.

Acabou eram quase duas da manhã, ainda se esteve à conversa lá fora, a malta de We Ride é calminha mas muito porreira, só se riam com os atrofios do costume. Infelizmente, só soubemos mais tarde, um dos rapazes que estava no concerto teve um encontro de terceiro grau com um grupo de extrema-direita quando ia a caminho de casa sozinho, foi parar ao hospital nessa noite. E pensa uma pessoa que essas merdas já não acontecem assim. No entanto, fora essa triste notícia, foi daquelas noites “sim senhora!”.


Review e fotografia por Bárbara Sequeira.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

The kids are back...


Ah, já é Fevereiro. Não sei se vocês repararam, mas isto esteve um bocadinho parado nos últimos meses. Eu tenho andado bastante ocupado e o Tiago também (acontece sempre a quem tem vida). Sabem como é, right? Um gajo faz isto por desporto e às vezes o tempo não chega para tudo. Antes de continuar quero agradecer às quase 350 pessoas que fizeram like na nossa página do Facebook e que, de uma forma ou de outras, nos vão transmitindo apoio e agradecimento pela existência deste blog e, também, às mais de 30 mil pessoas que já nos visitaram no blog desde Agosto do ano passado - isso sim, é completamente insano!

Bom, agradecimentos aparte, serve este texto para informar que os miúdos voltaram. Eu e o Tiago estivemos aí de volta da papelada toda do costume e, depois de umas horas em frente ao white board no nosso HQ, lá planeámos os próximos meses. Vem aí coisa boa, não só no blog mas também fora dele. Claro que para saberem vão ter de esperar, mas eu não creio que isso seja um problema, right? Se for vão ter de lidar com ele porque o mundo não vai andar mais rápido por causa disso.

Claro que com o crescimento na audiência já houve uma série de episódios onde pessoas confusas decidiram criar confusão onde ela não existia. Acontece. Acontecia quando eu comecei a ir a concertos e há-de continuar a acontecer enquanto esta cena existir. Vai sempre haver aquela miudagem nova que acha que ao fim de um ou dois anos já viram/fizeram/aconteceram tudo aquilo que havia para ver/fazer/acontecer. Na descontra, eu também já fui puto e também fiz muitas coisas estúpidas - faz parte do processo de crescimento. Espero é que não percam interesse no hardcore pelo caminho, como tantas vezes acontece.

Mas o que é que isto interessa? Bom, interessa porque assim aproveito a deixa para pôr alguns pontos nos ii e, caso aconteça futuramente começarem com mimimimi isto e aquilo, só preciso de pegar o link e escarrapachá-lo onde for. Eu já tenho o meu tempo limitado o suficiente e decerto que discussões na netji são certamente algo a que eu não me posso dar ao luxo (não que tenha paciência de qualquer forma).

Portanto:
  • Este blog não é um blog politicamente correcto. Quer isto dizer que nós dizemos aquilo que queremos e que nos apetece - é a nossa opinião. Se nós acharmos que banda X, Y, Z não é boa, nós vamos dizer que banda X, Y, Z não é boa. Não estamos aqui para agradar a ninguém e não obrigamos ninguém a ler aquilo que escrevemos - muito menos devemos alguma coisa a alguém. Se não concordam com isto podem sempre ir ler o Blitz ou a Vice.
  • Eu e o Tiago ouvimos - maioritariamente - hardcore old school. Ou seja, quando falamos de hardcore em termos comparativos (de ser bom ou mau) é mais ou menos relativamente a esse tipo que estamos a falar. Eu sei que muita gente tem problemas com rótulos e também vem daí muito mimimimi sobre o que é e o que não é e o que não deixa de ser. My thoughts? Fuck it. Se acham que Metallica é hardcore, pá, bacano. Para nós, hardcore é o que nós achamos que é hardcore. Se não concordam... Vice ou Blitz.
  • Todas as pessoas são mais do que convidadas a participar na discussão e a escrever para o blog, aos meus olhos é essa uma das cenas fixes do hardcore (e uma das que mais se vem a perder). Infelizmente, ao longo de todos estes meses houve muito poucas pessoas a tomarem iniciativa. Preguiça de escrever? Possivelmente. Não censuro ninguém, mas saibam que este é um espaço livre. Claro que se quiserem escrever sobre coisas que não interessem ao Menino Jesus (isso fica ao nosso critério, sorry!) o mais provável é um gajo mandar-vos dar uma volta. Usem senso comum e tudo será numa boa - se tiverem algo a dizer sobre o quer que seja (relacionado com hardcore), entrevistar uma banda, fazer uma review, não fiquem escondidos atrás de uma pedra, façam-se ouvir!
  • Educação é na escola. Já há muito tempo que deixei de acreditar que se deve educar os miúdos do hardcore. Calma, não saltem para conclusões. Uma coisa é educar, outra é disponibilizar informação. Eu não fui educado por ninguém, nem a maioria dos meus amigos foi. No entanto, todos nós tínhamos (e temos, ainda que com graus diferentes) algo em comum: uma incrível sede por saber mais e devorar tudo o que mexe no que toca a hardcore. If anything, este blog existe para ser uma refêrencia e um ponto de partida - não uma escola. Estamos em 2013 e existe a internet, só não tem escola quem não quer. Não há desculpas.
  • Why so serious? Um gajo quer cortar nalgumas bandas e escrever umas malandrices, qual é o problema? Curtam o que quiserem, cortem no que quiserem - se levam tudo o que aqui passa demasiado a sério se calhar o melhor é não lerem o que aqui passa. Hm? Aí está uma ideia. Um gajo curte galhofa e dizer merda, faz parte. E daí, é o nosso tempo e horas gastas ao teclado, por isso...
Ou seja, assim muito basicamente: Não levem isto muito a sério, comprem umas Colas de baunilha e relaxem a ver o resumo da Premier League de há uns anos, quando o Ronaldo ainda cá jogava. Decerto que é o melhor que podem fazer. Alternativamente, podem sempre contribuír com textos - algo que agradecemos do fundo dos nossos corações e, acreditamos nós, faz imenso pelo crescimento da cena (mesmo que seja só da nossa, a do Nós Contra Eles). Faz falta troca de palavra, saber quem somos e o que fazemos. É tudo fazer shares e likes e isto e aquilo e gosta da minha banda e faz divulgação deste concerto e... Man, what the fuck? Este é um blog com conteúdo. É um blog de hardcore, sobre hardcore e escrito por miúdos do hardcore - estamos cá para quem curte de nos seguir e, acima de tudo, para curtir uma beca a fazer aquilo que faz de nós quem somos.

A ideia deste blog é - tal como sempre foi - a criação de um espaço comum para pessoas que partilham de um gosto comum: o hardcore. Quem não se identifica com aquilo que nós escrevemos, obrigado pela visita e até à próxima. Aos outros: é nóis! Bom 2013, que vos traga de pior o que 2012 trouxe de melhor.

Playlist da Semana #31

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Pissed Jeans - Honeys - Provavelmente o primeiro disco "grande" a sair em 2013. Confesso que nunca segui muita a banda, tinha malhas fixes, mas fritaria em demasia para os meus gostos. Não sou grande entendido em rock mais modernaço, mas estes toques garage e produção chunga consegue sempre chamar-me à atenção (obrigado bhc!). Ya, infelizmente há aqui um par de músicas que se arrastam indefinidamente, mas quando metem o pé no acelerador isto é uma pastilha do caraças. Bate o pé, bate a mão, abana a cabeça, dá marradas na parede, go nuts! Olha só esse refrão com riff bem catchy aqui.

MFP - Self Titled - Bem a propósito da conversa do aumento do custo dos portes de envio dos Estados Unidos para o estrangeiro, este foi um disco que levou com o que pode ser uma das curas para este flagelo para os coleccionadores de discos e afins. Prensagem norte-americana na Painkiller Records com os espanhóis da Stomp! a tratarem da (pequena) prensagem europeia. Parece que consegui safar umas cópias para a distro a cinco paus da press europeia. Nada mau para um disco bem bom, Boston hardcore com gravação à Boston hardcore, produção do CC na Paincave, a velha guarda ainda a mexer em tudo o que de lá sai. Malta de Last In Line e Obliteration. Lembro-me de ler há um par de meses sobre novo disco de Obliteration...vou fazendo figas.

Our Side - Live @ WUML - Yo, what's up? This is the Our Side tribe...and this is your Last Warning!! Começar sets com cover de AGNOSTIC FRONT é logo para chamar a atenção. Lembrei-me desta tape por um motivo não tão bom. Voltou-se a falar no bacano da Like Glue e a sua empresa de duplicação de tapes, e de como está a dever guita a meio mundo por tapes que ficou de fazer e nunca fez...Ainda lhe comprei dois ou três lançamentos que nunca chegaram, mas que graças à política do PayPal de que o cliente é que manda a guita foi-me devolvida. É pena, Our Side são boa banda e quando esse 7" sair vai dar que falar.

Crumbsuckers - Life of Demos - Mais um desenterranço daquele grupo sobre o NYHC, com três demos desta banda de Nova Iorque. Dá para sentir a evolução no som, da demo de 83 bem hardcore sujo para as malhas de 84 e 85, já bem mais metaladas, som solos de guitarra para o headbang e tudo. O Life of Dreams é um disco crossover bem bacano.


Devil Inside - 36 Karat - O meu palpite é que dificilmente haverá alguém que conheça este discaço vindo directamente da nossa querida Germânia. Fãs de metalcore (metalcore a sério, vá) não se deixem dormir. Portanto isto é um metalcore à Kickback mas alemão e cantado em alemão. O "tipo Kickback" é só para vos dar uma ideia porque isto manda grandas influências turcas, árabes ou o raio que os parta. Man, pandeiretas em partes mosh? Sítaras? Fala sério. Esta banda não é boa, é melhor que isso. Fazia anos que não os ouvia e agora... agora tou colado, claro. Fica aqui a dica, afastem-se dos móveis antes de carregarem play - a partir do minuto e trinta e cinco complica, aos dois e quarenta... bom, boa sorte!

Integrity - Humanity Is The Devil - Eu adoro Integrity, mas não oiço sempre Integrity. Ouvia sempre há uma carrada de anos atrás mas depois acho que TODA a gente passou a adorar Integrity e a cena morreu um bocado para mim. Não, just kidding, curtam à vontade. Este disco é um dos meus preferidos deles, claro. Dúvidas? Na!... A cena é, quanto mais os anos passam, mais valor dou às cenas mais antigas. Não que eu oiça nada que tenha saído pós-anos noventa mas isso também não é relevante. Dwid + Random Dudes? Not my thing. Os Melnicks? Heróis. Ou pensavam que era o Prometido é Dvid que fazia as malhas? Ah. Trivia para amanhã fazerem boa figura com aquela miúda com quem sempre quiseram meter conversa: A segunda voz na Hollow é do HF (Human Furnace) de Ringworm.

Undertones - The Undertones - Punk rock da Irlanda. Hmmm, ok. Podia ser pior. Pá, eu odeio o sotaque irlandês com uma paixão daquelas; tipo, a forma como eles enrolam as palavras só me dá vontade de desatar ao estalo. Excepção feita para miúdas giras, assim até passa. Undertones? Boa banda. Muito boa banda, este é bem capaz de ser um dos meus discos de punk rock preferidos. Levezinho, cheirosinho, com boas letras e riffs bem, bem, bem bons! Teenage Kicks? Quem não conhece? É música de deixar a namorada cheia de corações por cima da cabeça, e não estou a gozar.

Agnostic Front - Tudo... - Yup, é a minha banda de hardcore preferida. Sim, celebro a discografia completa de uma ponta à outra. Querem que faça o quê? Mal posso esperar por ter tempo para um Tópico de Apreciação sobre eles!... Isso é que era falar. Já há bandas melhores que eles? Hmmm. Sempre aquela pergunta difícil, né? HARDcore. Outra cena... melhor disco? Live At CBGB. Se me mandassem o "André vais para uma ilha e só podes levar um de hardcore..." eu respondia esse sem pensar duas vezes. DO YOU WANNA SEE THE BAND OR DO YOU WANNA SEE THE BOUNCERS?

Steve Aoki & Angger Dimas Feat Iggy Azalea - Beat Down - É, o Leo já me tinha dito há uns tempos para eu prestar atenção a esta miúda mas eu acabei por nunca lá ir. Mea culpa. Mas tass bem, na realidade só conferi esta malha. A cena é: Eu quero mais é que o Aoki, o outro Manel e a cena toda electro vão para o caralho que os foda MAS se me dão um womp destes no refrão e uma loiraça a rappar como se tivesse vindo do ghetto, a minha atenção está ganha. Não sei quantas vezes ouvi esta malha esta semana, mas agora tenho uma boa razão para gastar as £2 de crédito que os senhores da Amazon me deram da última vez que lá comprei cena. Calmo mesmo! Ah, o vídeo? PESADO.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Review: We Ride + Neighborz + PxHxT + Challenge + Face The Fact @ República da Música, Lisboa


Fui ter a Alvalade eram 6 e pouco, era suposto começar a meter o material das bandas na República da Música às 6h30 e eu tinha ficado de ir buscar uma coluna e as cabeças da guitarra, mais uma data de tralha a casa do Ricardo Servo de PxHxT, ali bem perto. Noia a representar boa camisa, vinda directamente de uma oral na faculdade...Um gajo lá mete as coisas na sala e para grande surpresa minha, a sala estava diferente: o palco foi "chegado à frente", foi posto um avançado à frente do palco, com a altura de um degrau e meio praí, não havia cá mesas de mistura no meio da sala rodeadas de grades nem lugar para o gajo cujo único propósito é carregar nos butões das luzes aleatoriamente (bom biscate). Resultado: uma sala mais pequena, mais "aconchegada" e sem aquela barreira a empatar. As mesas do merch é que tinham vista privilegiada para a entrada do WC, mas tasse. Boa onda da Suburban Bookings, veio-se a revelar uma boa ideia e tornou certamente o ambiente melhor.

Praí sete e picos eu e o resto dos PxHxT fizemos a viagem rápida da praxe até ao Pingo Doce pegar umas cenas para o jantar e rumámos a casa do Ricardo para jantar. Tinha levado um bocado de chau-min que tinha feito no dia anterior para eles provarem os meus dotes gastronómicos mas não ficaram muito entusiasmados. Melhor para mim! Ainda houve tempo de fazer dobragens em directo de séries de tv e rir um bocado.

O concerto era suposto começar às 9 por isso um bocado antes da hora voltamos para a sala para encontrar jantar no backstage...estudássem!

Para abrir o cartaz, tocaram os Face The Fact. Algum pessoal na sala, tudo ainda calmo com um ou outro circle pit e um puto bazeza que estava de fora a dar pontapés a quem passava feito otário. Nem sou de me meter, mas fui lá falar com o puto a explicar-lhe o que era um circle pit...meia leca do caralho. O som da banda não me apela grandemente.

Já repeti mil vezes que curto bué Challenge, por todos os motivos e mais alguns. Desde serem a única banda a tocar nesta onda, ao trabalho que têm feito na divulgação da banda e das Caldas da Rainha, ao trabalho que tem sido feito nessa cidade...Não só porque o som o pedia, mas também porque a sala e a quantidade bastante aceitável de malta que já por esta altura estava em Alvalade o concerto foi animado, com circle pits com fartura e malta a moshar.

Para finalizar o Edgar anuncia a cover de Floorpunch com dedicatória especial ao Cabeças e à minha pessoa. Não me fiz rogado e mal soam os primeiros acordes dirijo-me ao palco, roubo o microfone e dou ali um show de cantoria digno dos Três Tenores. Claro que sou um azelha, e no momento de dar o microfone de volta após os meus 35 segundos de fama ao Edgar, em vez de o fazer como uma pessoa normal, resolvo atirá-lo de volta, sendo que ele (obviamente) não o esperava e ele acabou com estrondo no chão...Valeu pelo efeito dramático. Dois zés a curtirem uma cover de Floorpunch num concerto de hardcore? Alguma coisa está mal neste país! É tudo apoiante do hardcore e hardcore praqui e pracoli e só ouvem é lixo.

Antes de PxHxT começar o Serjan vem-me fazer o balanço da (ainda jovem) noite: um pé partido, um puto a meter gelo nas costas que acho que acabou por bazar a meio e um miúdo que se vomitou todo no meio do pit...coisa séria!

Voltei à base, tomar conta do merch dos PxHxT e fiquei a ver o set deles cá de longe. Aquela rampinha dá jeito...Não os via a tocar à uma data de tempo, e não só tem uma data de malhas novas (ainda que as tenha ouvido em estúdio) como têm novo guitarrista e baixista. O Noia começou o concerto com a boa camisa e o calção da SportZone (já uma imagem de marca), mas no meio de tanto pinote e malta a voar fez bem em tê-la tirado. Lembrem-se: boas camisas são sempre de estimar. De cá de trás deu para ver bastante malta lá a frente e a saltar do palco (still, há dives a menos na cena actual!!).

A seguir tocaram os Neighborz. A banda tem o dom de apelar à miudagem nova como poucas, por isso muitos foram os que fizeram a festa. A dada altura o Lekas chamou duas miúdas ao palco, no que acabou por ser o momento mais engraçado (sem grande graça...), da noite para mim. Eu a pensar que as miúdas iam cantar a música com ele, ou que iam fazer algum stage dive ou sei lá, show de strip underage. Mas nepia, ficaram apáticas em cima do palco a olhar para o boneco meio atarantadas sem saber o que fazer durante a música TODA. Faltava lá o Joe Hardcore para lhes dar um chuto e as obrigar a mandar um dive.

A noite já ia longa, e o meu dia ainda mais. As minhas costas já sofriam a valer, e para ajudar à festa alguém entorna cerveja em cima da mesa de mistura (até apontava para o gajo do bar, andar a distribuir cerveja por cima da mesa era mesmo a brincar com a sorte....). Resultado, um tempo morto quando o relógio já passava e bem da meia noite. Como um desastre nunca vem só, à segunda malha de We Ride uma das cabeças de guitarra dá o berro. Mais um bocado parado. Com a aproximação da 1 da manhã começa-se a ver algum pessoal a bazar para apanhar os transportes de regresso a casa. Ainda assim a sala ficou bem composto e ainda estava lá pessoal com a pilha cheia para andar aos saltos.

A banda não me diz muita coisa, quer dizer, tocam tudo certinho, o som é aquele "habitual" com a diferença que é uma miúda a cantar. Deram um bom concerto e a malta que lá esteve vibrou.

Cheguei a casa já tarde que se farta, ainda lá estive à conversa e depois a levar material de volta à base. Boa noite de galhofa com o pessoal, a ver uns concertos porreiros. Parabéns à organização pela remodelação na sala e pelas condições que deram a todos, público e bandas.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Playlist da Semana #30

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


VA - Only The Strong - Nesta semana ouvi bem menos coisas do que é costume. Este disco é um dos principais culpados, tendo em conta que rodou muita vez, nem que seja porque o deixei a dar repeat feito preguiçoso enquanto desempenhava as minhas tarefas domiciliárias. O búlgaro do Straight on View andou-me a adivinhar os desejos, e meia dúzia de dias depois de ter andado a procurar por esta compilação com um som decente lá a encontro no blog dele. Seis malhas de hardcore de Cleveland. Dei por mim a questionar-me se o melhor lado era o A ou o B. Mas curto bué dos dois! "Óh Tiago, mas isso é granda metalada pa!" Confere. Aquela malha de Insight no lado A...Pa, e depois está a aqui a única (?) gravação de Meanstreak, que era a banda do Mean Steve de Confront e mais tarde de OLC. O lado B com Confront, Meanstreak e Integrity...na, fica empate. 

Fukushima - Self Titled - O Boris mandou-me isso como sendo a nova banda da malta de UX Vileheads (granda banda, pena a cagada que é o último 7"...). Os punks de Umea voltam a fazer das suas, e a mostrar que ainda dominam a arte de misturar energia e rapidez sem se tornar uma cena mega caótica que te fartas passado dois minutos. Bateria incasável, riffs simples de guitarra e uma voz gritada a plenos pulmões com solos aqui e ali. Sabes como é que é. Fãs da cena hardcore escandinava abram o olho.

A malha de Token Entry - The Edge na compilação Free For All e no programa do Crucial Chaos em ultra repeat. Esta gaita nestas gravações faz-me saltar da cadeira. Estas gravações dão capote na que está no LP no que a feeling diz respeito. 

Enuf - Demo '88 - NYHC late 80's. Infelizmente acho que estes gajos nunca passaram da demozinha, em tape e nunca se chegou a fazer nada em condições. A primeira malha é uma intro para meter tudo à estalada e o resto segue pelo mesmo caminho. Adoro estas coisas, gravação chunga, som rápido com partes mid-tempo, é tão a minha.


Irate - Demo 2003 - Hmmm, esta é a demo que tem aquela malha que aparecia no trailer do Guerrilla Warfare. Apesar de já estar meio batida, continua a ser granda estoiro. Violência no dancefloor, é você? Ai sou sim senhor. Bom, isto é uma demo com quatro músicas e as outras são... death metal? Uma coisa do género. Há muito pouco hardcore por aqui, lol. Boa demo though, ainda figura no meu iTunes por isso não há-de ser assim tão horrível.

Immortal - Damned In Black - E eu que ia congelando várias vezes em Paris no fim-de-semana passado? Ta que pariu. Houve lá uma altura que já não estava mesmo a dar, então tive de ir buscar Immortal ao baú para me aquecer. Curto bué este disco, bem furioso! Pena que essas bandas novas (de hardcore, lol) que ai andam a tentar tocar metal não se foquem mais numa cena deste género, menos lálálá e mais ratatata.

Bulldoze - The Final Beatdown - A aventura continua, lol. Não consigo parar de ouvir, continuo super colado. Ele é no ginásio, a vir para casa no frio da noite, no duche, enquanto cozinho, etc. Tão, tão, tão bom! É a tal cena que eu já tinha dito (e desculpem-me se me repito): Os Bulldoze estão mesmo naquela linha fina entre o que é hardcore e o que é metalcore. E as letras? Fodass. "Practice what you preach before you try to teach." Pena que muitos se esqueçam pelo caminho.

Mobb Deep - The Infamous - Daqui a exactamente um mês vou estar a caminho de New York (pit stop a caminho de Orlando) pela terceira vez - excitante! Quer dizer, não trocava por Londres mas é sempre fixe ir lá dar uma olhada, ver um basket e comprar calças de ganga baratas. Mobb Deep é brutal, sim ou sim? Os intrumentais deste disco são do outro mundo e, curiosamente, espelham bem a cidade. Curto bué Mobb Deep. E aquela malha com o NaS? Ai não.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tópico de Apreciação: Project X

...porque não há nada como dissecar um bom disco.


Por esta altura, já toda a gente deve saber que os Project X eram uma banda a brincar, não é? Se não sabiam, ficam agora a saber. Basicamente, a banda surgiu porque o Porcell (dos Youth Of Today e dos Judge) e o Alex (dos Side By Side) deviam ter pouco para fazer e decidiram gravar umas músicas para lançar com o número 7 (que é, na verdade, o número 2) da Schism - uma fanzine (e editora) clássica que a cena nova-iorquina nos deu, e que todos os miúdos do hardcore devem ler pelo menos dez vezes até se poderem considerar "do hardcore".

Portanto eles pegaram no Sammy (de todas bandas de Nova Iorque) e no Walter (dos Gorilla Biscuits) e foram gravar cinco músicas que iriam ser prensadas em vinil - naquele que se iria tornar num dos discos mais icónicos para a cena youth crew e para o straightedge em si. Foram prensadas 500 cópias, das quais 300 foram dadas com a fanzine e as outras vendidadas separadamente. Não é de espantar que este seja um disco difícil de arranjar (muito menos em boas condições) - o disco foi prensado na gramagem mais chunga para poupar nos custos e as fotocópias da capa também foi a olhar para os tostões. Claro que isso não impede que qualquer cópia - independentemente do estado - atinja valores relativamente astronómicos. Eu, pessoalmente, guardo o meu bootleg com muito orgulho - mais fixe que a reedição da Bridge 9.

Os Project X praticamente não existiram como banda, tendo apenas tocado cerca de cinco concertos (diz a história, eu não estava lá para confirmar) e não gravado mais nada depois deste EP. Das gravações que tenho de alguns desses concertos, posso confirmar que a banda ao vivo deixava um pouco a desejar - fruto eventualmente de uma falta de ensaios bastante grande. Não é de estranhar, visto que eles nem sequer eram banda paralela e os Manéis deviam estar mais ocupados com outros andamentos. 

A capa do disco é graficamente muito simples mas estupidamente eficaz: Um punho cerrado a fazer um bruto X a marcador nas costas da mão - difícil de igualar. As músicas são simples e muito toscas, ainda que bem directas ao assunto - do jeito que a malta gosta. Claro que se não fosse a música Straight Edge Revenge (pelo conteúdo lírico), eles provavelmente não teriam a "fama" que têm, mas não acredito se me disserem que a ideia por trás daquela letra não era causar um burburinho. Enfim, décadas depois é um disco que continua a dar que falar e que - de uma forma ou de outra - há-de continuar a ser considerado um "clássico". Fica abaixo uma pequena análise música a música.

   Project X - Project X (1988)

1. Straightedge Revenge

Ah, uma das músicas de hardcore mais polémicas de sempre. Infelizmente há demasiadas pessoas que a levam demasiado a sério, mas não é isso que está em questão. Apesar de - como straightedge - sentir aquela pontinha de arrogância sempre que a oiço, não deixo de achar que, no fundo, o conteúdo da letra é absolutamente imbecil. O Porcell, apesar de ter escrito, admitiu achar o mesmo anos depois.

 Uma das linhas de baixo mais facilmente reconhecíveis de sempre, uma batida para pôr uma sala a correr de um lado ao outro e uma parte rápida mais que curta que só pede stage dives? Ok, I'll take that.

2. Shutdown


A Shutdown é a minha música de Project X preferida. Posso até dizer que é das minhas músicas de hardcore preferidas. Começa com o 1, 2, 3, 4 da praxe, tem o riff malandro youth crew à abrir, tem muitas guitarras soltas, muitos slides, muitos stop and go's e uma parte lenta para varrer tudo o que está à volta... é perfeita. 

Portanto um dia os Project X foram banidos de tocar no CBGB porque eles decidiram implementar uma regra contra os stage dives. Será que houve stage dives num concerto deles? Sim. Será que eles foram banidos por isso? Sim. Daí a revolta. Acontece.

3. Cross Me


Nove (!) segundos de música, sabes. Não há muito a dizer sobre esta, que só acrescenta ao sabor clássico do disco. Nove segundos, a sério? A música é sobre a banda Half Off, porque eles tinham um beef qualquer. Who cares? 

4. Dance Floor Justice


E quando se fala de entradas brutais, tem de se falar desta. Provavelmente a minha segunda malha preferida deles (e escolha óbvia para o nome de uma crew que ainda representa com bastantes old cats), tanto pelo som como pela música. Vou longe ao ponto de dizer que o riff que entra depois da intro é dos mais dilacerantes que conheço. 

A letra é óbvia... sobre as pessoas que estão no pit para arranjar confusão e não para se divertir. Portugal sofreu um bocado com isto nos primeiros 5 anos da década passada, com muita gente a não querer aceitar o "slam dance" ou o "mosh" como dança do hardcore - quando era estranho dançar e quando a maioria se ria disso. Talvez seja daí que me identifique tanto com ela. Circle pits positivos e sorrisinhos na cara de dedo apontado para o ar? Yeah right, dance floor justice... you'll fucking get! Just kidding, a luta é outra (com mais álcool ou atitude em cima) mas continuo a gostar tanto de PCs como há dez anos atrás.

5. Where It Ends

A minha despreferida do disco, nem sei bem porquê. Será por ser assim mais lenta? Menos estruturalmente excitante? Claramente que se a influência das outras veio dos Youth of Today, esta veio dos Judge - é óbvio. Curiosamente é a melhor letra do disco e uma que faz bastante sentido até aos dias de hoje. Fala sobre crescer e continuar a acreditar e sobre amigos que deixam de ser amigos porque o hardcore ou o straightedge são, na visão deles, uma coisa de crianças. Oh well, os Stop and Think já diziam: "We're the ones cursed with sight, the only ones who can see things right."

domingo, 20 de janeiro de 2013

Playlist da Semana #29

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Black Friday '29 - The Escape - Já não ouvia esta banda à tanto tempo. Foi mais uma daquelas que vieram cá tocar a Portugal um punhado de vezes e nunca a consegui apanhar. Curto bué este disco e esta banda, os riffs são do caraças e adoro a maneira como a voz encaixa na música. Mais uma banda que mostrou que a Europa sabe fazer as coisas bem feitas sem ser a fazer cópias chapadas do que se faz nos Estados Unidos ou a fazer bandas matrecas que escorrem azeite. 

Leeway - Born To Expire - Tenho andado a ouvir bué Leeway, daí o Bruno ter meio adivinhado o disco que lhe mandei para os Discos Trocados. Grandas riffalhadas metaleiras ali no meio, e aquela vozinha têem-me enchido as medidas. O início do disco com a intro mesmo para abanar os longos cabelos compridos (inexistentes neste caso). Crossover nova-iorquino acho que é um gosto que se vai adquirindo, mas se começas a curtir só te apetece mandar granda headbang até te ficar a doer o pescoço. Mark of the squealeeeeeeeerr!

Killarmy - Silent Weapons For Quiet Wars - 97 Mentality. Não há como falhar. O ano da colheita vintage do rap, mesmo do guardar na adega e de vez em quando tirar para se ouvirem discos de rap como manda a lei. Killarmy era daqueles grupos afiliados ao Wu-Tang, e não obstante o selo de qualidade de serem da Fam, a par de Sunz of Man ganharam algum nome por si. Este é o primeiro disco dos gajos e o meu favorito. Man, este é o disco que tem a Wake Up, a Wu-Renegades e a War Face!! Vai lá ver os videos com eles a mandar pausa com camuflados de botas da timberland em 1997! 

Inmates - Now We Talkin Hardcore! - Hardcore bem crú, rápido e sujo de malta que gosta de beber uns copos valentes. Não sabia que estes gajos ainda tocavam, mas apanhei-os aí num flyer e folgo em ver que ainda se mexem. Não é propriamente o que se espera de uma banda de Cleveland (a não ser que penses em Gordon Solie Motherfuckers). O Aaron de Integrity toca nesta banda, mas os riffs do metal ficaram de fora. Bom!


Biohazard - Urban Discipline - Como é, pessoal que é do hardcore e não sente este disco? Não, mas agora a sério? Não tá a dar. Se calhar são mais do punk rock, não? Já não colava em Biohazard há bué, mas nesta última semana tem sido disco atrás de disco, principalmente este... Música boa atrás de música boa? Check. Acho que quase bateu nos três dígitos o número de vezes que ouvi a Punishment. Ai mãe, alguém me segure a mim e ao Machado.

Infest - Tudo, basicamente... - E a melhor parte é que não estou a mentir. Primeiro foi o meu sócio de LA que pôs um vídeo do concerto, depois foi o Luís que o deixou na minha Timeline. Complica, né? Eu e os Infest temos um problema: não podemos estar juntos. No caso do clip no YouTube, não fosse estar sozinho, decerto que alguém iria pensar que eu estava lá na sala do concerto. Só não varri os sofás a pontapé porque não calhou. #SICKMACHINE

Circle Jerks - Group Sex - Adoro ir às compras, for real. Dar grandes giradas no Tesco, comprar comida saudável, ver o que é que há de novo - rotina. No outro dia tive de lá ir porque tava a ficar sem comida boa e nisso o ginásio não perdoa. Ir bater workout para depois comer merda não resulta. E pronto, fui a ouvir Circle Jerks - que adoro - e a curtir bué. Por acaso devia ouvir mais, embora já tenha ouvido a minha quota parte quando era mais miúdo (lol, só para parecer que tenho praí quarenta anos). Não, granda disco. A malta mais nerd prefere qual versão da Wasted? Aposto que vai tudo bater granda Google só para fazer figura ao pé dos amigos amanhã.

Descendents - Milo Goes To College - Manhã de -3 graus lá fora pede o quê? Descendents. Normalmente uso mais para o Verão, but you know what? Fuck it. E soube-me lindamente, logo de manhã a rockar bom punk rock - o Rui ia ficar orgulhoso! Há quem não goste? Pessoal do core? Hoje estou mesmo nessa tecla. Tipo pessoal do hardcore que não gosta de discos de hardcore - buéda estranho para mim, mas na boa. Free world, yo!

Bulldoze - The Final Beatdown - Colei bem mal em Bulldoze esta semana. Adoro o disco todo e quase me venho com as músicas ao vivo. Sei as falas todas. Entendo que alguma malta não curta Bulldoze, não é uma banda leve de se ouvir. Eu curto. É tipo ir ao ginásio sem ter que me levantar, fico logo bem agitado. Enfim, esta intro vai para o Chiqui de Dmize. Preciso dizer mais? Grow a sack for one fucking night and dance.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Discos Trocados: Leeway/True Colors

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada. Um dia depois, o mesmo super sabor.

Esta semana o André foi passear por isso pedi ao Bruno das Caldas para fazer esta rubrica comigo e não vos deixar órfãos.

Bruno
Leeway - Desperate Measures (1991)

Mais uma vez, aqui o sr.Tiago tem a brilhante ideia de me passar a dinamite com o rastilho no fim, típico. "Queres escrever um post? Toma! Tens 5 minutos!" De alguma forma tinha o feeling de que se iria tratar de Leeway. E foi. Diz que se trata de trash metal. "Foda-se, metal?" Não se iludam, se a vossa cena não se desvia muito do hardcore. Pensem nisto como um hardcore mais elaborado, com riffs mais sofisticados e uma voz a puxar para o maricas. Ahah.

Não sou esquisito, sempre gostei de Cro-Mags, não vejo razão para não gostar de Leeway, o diferente muitas vezes é bom. Querem uma faixa do album para sentir a misturada Hardcore/Trash? Ouçam a No Heroes. Ganda malha. Se ainda tiverem dúvidas se o álbum vale ou não a pena, atirem-se à ultima, The Future. Sete minutos e meio onde se faz uma sintese musical de todo o album, com direito a tudo o que poderiam pedir. "While life to you is on hold, everyone seems cold."

Tiago
True Colors - Focus On The Light (2008)

Por acaso não tinha cá nada destes gajos e só no outro dia saquei isto ao Bruno via Soulseek. E eu até sou granda fã da cena belga, mas ao fim de tanto tempo esta banda por um ou outro motivo nunca cá tinha vindo parar à biblioteca. O grão-mestre do Youth Crew nacional, Rafael Madeira, certamente teria umas palavras bonitas para me dizer sobre este facto e sobre a banda em si, mas deve andar bem entretido a beber água de côco e a ver as minas na praia pelo que sou capaz de estar safo.

Bom, musicalmente é bem ao meu gosto. Youth crew bem temperado, com a voz com uma pitada de sotaque, a rasgar e com uns truques marados, ainda que simples, na bateria e no tempo. Sou granda sucker por este tipo de som. É aquela coisa que não inventa a roda, rouba à força TODA a Youth of Today e afins, mas consegue-me cativar com alguma facilidade.

Mas olhem lá, e a cena belga? Estive aí à tarde a ver os vídeos do Carthago Fest...dava um mindinho para ter lá estado!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Review: No Turning Back + Grankapo + Challenge + Above The Hate @ República da Música, Lisboa


Fui ter a Alvalade eram duas da tarde, o Bruno estava a chegar e ia mais cedo para ficar na palhaçada. Encontro o Edgar e alguma malta de Challenge que me dizem que vêm três carros das Caldas cheios para o show. Entre pessoal mais velho nestas andanças, dois putos de 14 anos! Power!

O pessoal vai abastecer-se ao Pingo Doce, onde se espalha magia pelas velhotas e o Bruno se atira para a frente de um carro em andamento por motivos que ainda agora me ultrapassam...

A malta volta à porta da sala e vai vendo uma ou outra cara conhecida, mas à medida que a hora marcada se aproxima nota-se que está pouca gente, não deviam chegar às cinquenta pessoas. Muito pouca gente se formos comparar com os "vou's" todos no Facebook. Business as usual? Talvez, mas achei bem estranho. Passado um bocado lá se abre a grade e alguma malta começa a entrar. Ainda fiquei cá fora um bocado mas começou a bater um frio do caralho e acabei por entrar com o pessoal que estava comigo. Passado pouco tempo foi entrando malta e ficando melhor composto, mas só a partir de Challenge (e principalmente antes de Grankapo começar) é que se começou a ver uma sala com números razoáveis para uma recepção aos No Turning Back. Não sei números, mas acho que acabou por estar bastante malta no fim de contas, ainda que bastante aquém do que, pessoalmente, contava ver.

A primeira banda foram os Above The Hate. A sério, os miúdos podem tocar muita bem no género que tocam, mas aquela música diz-me zero e faz-me um bocado confusão o porquê de terem passado a ser presença habitual em cartazes de concertos hardcore. Especialmente quando a única música que meteu o pessoal a cantar se chama "Bitches are for those who can't afford hoes"... Se calhar sou eu que sou velho, ou que sou resmungão, mas para além do disparar de breakdown atrás de breakdown para os amigos aquecerem as articulações, música com pouco (ou nenhum) conteúdo não é a minha praia. Já sei, mixed bills é fixe e os moços chamam público, mas pessoalmente foldava sem pensar duas vezes. Sou um chato, portanto.

A seguir tocaram Challenge. O som estava um bocado manhoso mas deram um bom concerto, e tendo em conta a claque (já bem animada por esta altura) fez-se a festa. Espero que o concerto tenha aberto um bocado os olhos a que não os conheciam ou quem os tinha visto uma vez e ficado com uma ideia menos boa (sabe-se lá porquê, gente tontinha...) em relação à banda. Cover de Floorpunch para terminar em beleza.

Fui até à entrada apanhar um bocado de ar e ficar na conversa com a malta, e vejo algum pessoal lá fora que começa a entrar por esta altura. Fiquei um pouco ali no hall à conversa com o Machado e o Tomek e lá entramos, ficando cá atrás ao pé do bar ver o concerto de Grankapo. Sólidos como sempre, estava lá uma data de malta a curtir à frente.

Este foi apenas o meu segundo concerto de No Turning Back, sendo que o primeiro foi aquele no Montijo. Assim, não tinha tanto por onde comparar como muitos dos presentes. Começaram com a intro da Justice, Take Your Guilt e Never Give Up, e foram tocando malhas mais antigas bem como do último disco, No Regrets. Pelo meio houve tempo para beber Bongo e representar o Tuga Style, com o Congas a cantar na Stronger e o Aranha de Pressure a tocar bateria na Web of Lies. Grande concerto, como é hábito, e a mostrarem o porquê da relação tão forte com o público nacional e de cá passarem tantas vezes.

Acho que houve foi stage dives a menos. Não se enganem, HOUVE stage dives com fartura, mas para mim o rácio stage dives/mosh parvo pendeu para o segundo lado. Claro que estava lá o Paulo, o Cabeças, o Calisto, etc, ou seja, os habitués dos stage dives marados estavam lá todos e deram um ar da sua graça, mas acho que malta a voar do palco nunca é demais.

Nada mais a apontar, tudo légáu, granda Congas e Emanuel mais uma vez a fazerem as coisas acontecer. Que NTB venham mais vezes (o Martijn falou em finais de 2013) e que a malte poupe uns trocos para aparecer nesses concertos mais pequenos que vão acontecendo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Playlist da Semana #28

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Life's Blood - Defiance - Dos discos menos valorizados de Nova Iorque? (já sei Miguel, agora a moda é falar em underrated e overrated, não é preciso depois vires-me chatear com isso...). Não sei, sei que mais malta devia ouvir isto. Arranjei um rip decente (thanks André!) e até parece que fiquei a gostar mais do disco. E aquelas letras? Man, para um rezingão como eu encaixam que nem luva. E a Catch Our Breath com aquela letra e vibe à Blitz? É só mais uma guloseima para me aguçar o apetite, num discaço. Shout out para o Louie que sei que adora a banda. Ainda há malta com bom gosto.

Integrity - To Die For - Integrity? Integrity na minha playlist? Bem sei que não é coisa que facilmente aqui figure, mas o Nuno Mota veio-me dizer que não estava a achar isto na net e depois de alguma pesquisa e de ter encontrado isso meti a tocar para conferir e acabou por ficar. Sabem que não é aquela coisa que me puxe, mas rodou umas quantas vezes esta semana. Aquela macacada da Holy Terror e essa coisa toda do Dwid e companhia dizem-me zero mas musicalmente marca pontos. 

Ego Trip - Demo 2013 - "New band from the UK FFO: Stop and Think/Mental and abit of No Justice". Há algo mais fácil de captar a minha atenção? Provavelmente não. Se o som é na onda das referências que são feitas? Nhé, mais ou menos. Ya claro, tens aquelas partes sem bateria que abrandam ali a pedir um side to side com a parte mid tempo do tanananana (talvez venha daqui a referência a Mental...) e o cliché "bust it!" para a mosh part que lá vem. Mas hey, boa banda, só não correspondeu totalmente ao hype. No Justice era No Justice. Nem que façam banda de covers, vai faltar lá sempre o Timmy a fazer merda. 

Zodiacs - Demo 2012 - "Demos, demos, demos, só ouves demos!" Pa, um gajo tem de estar atento às novas tendências (que geralmente são as mesmas do costume....). Mas nepia, por acaso Zodiacs não é banda à "Lockin' Out", nem "Los Angeles-style Boston hardcore", nem de nenhuma das grandes trends da cena actual. Sujo e punk. 

The Flex - Flexual Healing Vol. 1 - A esta altura do campeonato toda a gente sabe que curto a onda pedreira de Boston. Os britânicos The Flex lançaram uma das minhas demos favoritas do ano passado e começam 2013 com novo registo. Tape com duas malhas novas versão demo e três covers (YOT, DYS, Breakdown). A escola está lá, o som também.


Entombed - Left Hand Path - Isto é metal para homenzinhos, claro. Já não ouvia este disco há algum tempo e, não sei bem porquê, acordei com uma malha na cabeça e tive de ir ouvir, claro. É daquelas coisas, né? Aposto que nos acontece a todos. Quem é que não é fã deste disco? Malandrice, metalada europeia do mais alto gabarito. Esqueçam lá os At The Gates por uns momentos, vá. Duro, muito duro. E áspero também.

Big L - Lifestylez Ov Da Poor & Dangerous - Antes de mais: Descansa em paz Lamont. Não serás esquecido. Ok, rapper preferido. What's new? Quando tive em Nova Iorque há um par de vezes fui ao Harlem enquanto ouvia este disco, só para sentir os sítios de que ele fala. Sim, até aquele parque de que ele fala. Tem lá um memorial pintado na parede e tudo. RIP, mesmo - bazaste demasiado cedo. "Put his brains in the street, now you can see what he was just thinkin'."

Side By Side - You're Only Young Once - É como eu dizia no Facebook: Os Side By Side são muito underrated coitadinhos. Este EP é mais que brutal, é mesmo muito bom. Som energético e grandas letras. No entanto és capaz de ver mais gente a dar graças a Bold do que a estes manos. Lolada mesmo. Mas na boa. Tipo, quando ele diz "You're the desease and we're the cure"? Quase que morro.

Agnostic Front - Live At CBGB - Treze anos a ouvir hardcore dizem-me que este é o meu disco de hardcore preferido (e banda, junto com Dead Kennedys). Quem sou eu para discordar? Ninguém. Não sei bem o que dizer... Sou capaz de ouvir este disco em qualquer altura, em qualquer lugar, em qualquer situação (menos na cama quando as coisas aquecem, se calhar - aí prefiro um Doors ou um Stooges). O que o Roger diz no meio das músicas, as músicas, a capa, tudo. Sou buéda fã!! A ver se emolduro uma foto minha a segurar este LP. Agoro volto já, que tá a começar a Public Assistance. Cabeça quebrada na quina da mesa, é você? Sou sim!

Crowbar - Obedience Thru Suffering - Continuam a ser a banda mais pesada do mundo, sem grandes dúvidas. Esta semana tive colado neste primeiro disco deles. É qualquer coisa, não é? Eu sei que não é para todos, mas mesmo assim... Não deixa de ser qualquer coisa. É cada riff mais filho da puta que o riff a seguir e cada riff mais pesado que trinta Slayers juntos. A parte do fim da A Breed Apart? Quem vota como sendo uma das melhores cenas de sempre? 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Discos Trocados: Cops And Robbers/Soul Search

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada. Um dia depois, o mesmo super sabor.

Tiago
Cops And Robbers - Face To Face With Hate (2001)

Ah, Boston. Gotta love it. Não que conhecesse a banda, mas bastaram os primeiros segundos para ver de onde estes gajos são. Há ali riffs a lembrar SSD (se bem que rapidamente a velocidade diminui) e a voz lembrou-me o Choke. O Choke é um granda boneco. Aquele vídeo a pedir desculpas a Nova Iorque? LOL. Mas pronto, isso é outra conversa. Este disco é bem bom, gostes ou não do hardcore "pedreiro". Eu sou suspeito, bem sei, mas foi boa onda o André ter-me enviado este docinho para começar o ano com o pé direito. E sim, a terceira malha é a melhor do disco.

Man, bandas à Boston na tuga? Como é que é? Está complicado né. E não é por falta de fãs...A malta nova que se dedique a sacar aí os discos que a X-Claim! lançou e o LP de Negative FX, a ver o que é música para andar a distribuir chapada. Olha só aqui a lição número um.

André
Soul Search - Bury The Blame (2011)

Primeira reacção: Será que o Tiago está bem? A passar-me assim discos de heavy metal? Craze. Até fiquei burro quando ouvi o primeiro acorde/intro - até achei que ele me tivesse enviado o disco errado. Esta banda é definitivamente interessante, mas não interessante o suficiente para me cativar a procurar mais sobre eles. Claro que não é conversa de cota. Tipo, esta distorção de guitarra é a sério? lol. Esta merda é só quase guitarra e voz, o resto que se foda. Tá bacano que tem grandas breakdowns e não sei quê, mas eu curto ouvir os instrumentos todos (podiam ter roubado isso a No Warning, ou mesmo Madball até 2000). Mas ya, o som "sujo" é que tá a bater então deve ser por isso. Na descontra.

O som não é mau de todo, mas fico sempre com aquele saborzinho na boca - sabem? Aquele sabor meio amargo de quem já ouviu isto e aquilo em qualquer lado. "Ah, mas nada é original na música." O caralho é que não é. Pode não ser novo, mas original só não é quem é preguiçoso. É o caso? Sim. Vou comentar quão horribilis é a capa? Não.