terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Review: Blackjackers + Cruel Mind + Challenge + A Thousand Words no Altar (Porto)


Domingo à tarde é aquele dia de sagrado de se estar em casa e de descanso... bem, para mim não, sempre que posso sair de casa faço-o, então se for para ir a um concerto o gosto é ainda maior - ainda para mais sendo a última data da tour de A Thousand Words!

Saí de casa da minha namorada já com um grande atraso às 16h, (visto que aquilo começava a essa hora e ela mora a 30 minutos do Porto). Cheguei ao Porto de autocarro lá para as 16h45 (epoca natalícias, e a fome de consumismo dá nas corridas ao shopping e trânsito) - apanhei o metro e cheguei ao Altar lá para as 17h, vi algum pessoal á porta, e quando reparei que ainda nem estavam abertas as entradas fiquei muito mais descansado. Meia hora foi o tempo para pôr a conversa em dia com o pessoal.

Entretanto, abriram as portas e entre as 17h30 e as 18h comecou Blackjackers, uma banda que aprecio bastante e têm um som e uma presença em palco excelente. Eles não têm estilo definido, o que é bom, isto deve-se aos diferentes estilos musicais de cada elemento, mas pode-se dizer que vai do reggae ao hardcore, com uma música dubstep (tocada com instrumentos, obviamente) pelo meio. O pessoal não aderiu muito (apesar da música pedir por isso) porque ainda estavam a aquecer para os próximos concertos, todas as bandas de abertura sofrem isso.

Depois foi altura de Cruel Mind tocar: grande show que deram, como sempre. Aí já começou a haver algum 2-step e uns side to side, uma banda que a nível sonoro faz-me lembrar Trash Talk. Como é habitual em Cruel Mind, tocaram a "Kersed" de Ceremony e "Babylon, CA" de Trash Talk. Agora é esperar que estes meninos lancem qualquer cena em estúdio. Depois de mais uma espera e mais conversa com o pessoal do costume fui ver os vinis que estavam lá a venda e deparei-me com uma preciosidade: o "Nervous Breakdown" de Black Flag em 7"... lá tive de dar uso à carteira.

Entretanto começou Challenge, uma banda que cada vez mais está a dar que falar, com um som muito bom, que puxa o 2-step mas tem muita parte de "tum pa tum pa" como eu gosto. Circle pits e crowd surf começaram a fazer-se notar cada vez mais. Fecharam da melhor maneira com um cover da "Depression" de Black Flag (só não houve stage dive porque o tamanho do palco não o permite e estava cheio de material, tanto é que as bandas estavam a tocar fora do palco)

Passado uns 15 minutos chegou o momento pelo qual o pessoal pagou €4: A Thousand Words, último show da Tour. Estes meninos têm um dos maiores EPs que sairam este ano em termos de hardcore nacional. Abriram com a música "Crosses", a minha favorita deles e a partir daí um set altamente com músicas do novo EP, entre outras.O concerto acabou entre as 19h30 e as 20h e foi um domingo à tarde passado da melhor maneira. Não estava tanta gente como se estava à espera (rondou entre as 60/80 pelo que vi) devido a um festival punk que estava a haver na Casa Viva (entrada gratuita, as usual) em que ainda por cima tocou uma das maiores bandas punk da actualidade: os Motornoise. Mas mesmo assim, deu para a festa.

Um grande abraço às bandas todas pelo show que deram e que fizeram com que estes €4 fossem mais que bem gastos, e também à organizadora On The Attack que faz com que concertos destes sejam possíveis.

Review por João Borges (o vocalista dos Shitmouth, se gostam de hardcore rápido e cortante fiquem atentos: https://www.facebook.com/shitmouthhcpunk)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Playlist da Semana #22

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Integrity - Palm Sunday - Eu curto bué de Integrity mas a cena toda agora do Holy Terror e mais não sei o quê não me convence minimamente. Aliás, quanto mais "velho" (lol) fico mais ganho gosto para preferir as cenas antigas às novas. Fazer o quê, right? Um gajo ganha gosto e não há nada a fazer. Agora que penso nisso, já vi bons concertos de Integrity, pena que na maioria tenha sido o Dwid + random dudes. Tirando aquela vez em que era o Chubby Fresh na bateria e tocaram a intro de OLC. Sim, tirando dessa vez.

Celtic Frost - Morbid Tales - Que banda tão pesada. Ainda no outro dia estava a falar da Procreation of the Wicked, agora já sabem de quem é. Por acaso não oiço Celtic Frost tanto como devia, é granda sonoro. Bem sujo, bem escuro e bem medonho. Banda para não ouvir às escuras? Check. Não, mas agora a sério... tupa-patupa-patupa-patupa-patupa...

Nile - Amongst The Catacombs Of Nephren-Ka - Porque é que Nile é tão bom? Boa pergunta. Já os vi um cojone e meio de vezes e decidi pôr travão nisso (principalmente agora com a minha decisão de não pagar para ver bandas que já vi mais de duas vezes ao vivo para poupar dinheiro para A viagem) mas acho que vou ter de representar mais uma vez antes de bazar. Disco preferido? Difícil... talvez o In Their Darkened Shrines? Da primeira vez que os vi mandei-te à toa para o Porto para um CONCERTAÇO no Hard Club antigo. 2005? Possível. Adoro. Aqui tem menos produção limpa, mais sujidade, mas o mesmo super sabor. Como a malta curte, ai não.

Ignite - Benefit - Bem, nem sei como vim aqui parar. Quase nunca oiço este lado do CD (estão divididos no iTunes, claro) mas sabe-me sempre bem quando o faço. Adoro imitar o Zoli e cantar as partes cantadas o melhor que consigo, LOL! Good times. O Daniel é que sofre, mas na boa. Ele é bom miúdo. Produção meio podre e tal, mas malhas com granda feeling. É hardcore melódico sem ser muito choramingas. É bom. Eu pelo menos gosto! Já contei aquela história fixe que uma vez estava a comer num restaurante vegetariano em Budapeste e começou a dar a malha de Ignite que o gajo canta em Húngaro? LOL! Fodasse. Brutal. Depois deu Sublime. Chill.


Bad Brains - Into The Future - Man, nem estava para ir cheirar esse disco, mas havia aí tanta malta a gabar o disco que tive de dar uma chance aos velhotes. Não que fosse com grande espectativa, os bacanos já tinham fritado bem antes do I Against I...Bom, aquilo tem umas três ou quatro faixas bem interessantes, o stress é teres faixas a esgalhar que terminam com um dub e Jah praqui e Jah prali, ou então estão bem espremidas no meio dos mesmos dubs e rocks psicadélicos chatos que fode é uma cena que não me entra. Nem nos antigos, essas são as faixas que levam sempre crop. Desculpem aí, Reggae é chato que dói. Está aqui no limbo do vai não vai para a lixeira. A seguir tive de ir buscar o primeiro disco à livraria musical para limpar os ouvidos.


Free Spirit - Be Yourself - Olha, parece que nem foi de propósito. Andei a ouvir os Straight Ahe...perdão, os Free Spirit esta semana, e a pensar que o raio do disco nunca mais me vem parar à colecção (preços de merda no eBay, vão se foder seus americanos mimados!). Este fim de semana houve showcase da Triple B em que eles tocaram, e em que, meio de forma surpreendente, afirmaram que foi o seu último concerto porque a banda ia acabar. Ainda há duas semanas lançaram a promo tape para o novo registo, que agora nem se sabe se vai chegar a sair...Bom, mas numa nota mais positiva, parece que os Step Forward (que também tocaram) lançaram uma tape nova com novas malhas e vai sair novo disco proximamente. Step Forward > Free Spirit. André, parece que essa tshirt que andas aí a representar vai valer bom negócio daqui a uns tempos, ahah.

Side By Side - You're Only Young Once - Ultimamente ando sempre a ouvir o mesmo. Não tem aparecido assim nada por aí além e acabo por dar por mim sempre a ouvir a mesma coisa. Se calhar porque são discos muita bons que adoro. Provável. Muito provável.

After Hours with Logan Sama - Conhecia umas cenas de grime por alto (Tempa T, Depz...) mas aí o André deu-me aí umas dicas e saquei uns programas do gajo, daqueles em que leva para o estúdio a maralha toda e tens 30/40 minutos de malta a cuspir forte sem descanso. A seguir, a ver se começo a sacar cenas do youtube, há lá bueda cenas sem links, sendo que aquele video do Tempa T a rimar durante 7 minutos em que parece nem respirar mete um respeito do caralho. Ah, e ainda manda ali uns grandas golpes de boxe enquanto o faz. Não sou grande apreciador de dubstep e essas merdas, mas tem lá uns beats mesmo pesados, e funcionam lindamente com a velocidade a que as rimas são ditas. É outra cena mesmo, e algo em que ando a ver se melhor me educo.

Review: Bad Brains - Into The Future (2012)


Estamos no final de 2012. Será que faz sentido um disco novo de Bad Brains? Acho que todos sabemos, ou deveríamos saber a importância e influência desta banda dentro do hardcore/punk e não só. Uma banda que lançou clássicos como o ‘Bad Brains’ ou o ‘Rock For Light’ são forçosamente um ponto de referência. Claro que esses discos já têm 30 anos e desde essa altura a banda lançou vários discos bastante diferentes (Quickness, Rise), mas vamos ao que interessa. ‘Into The Future’ é um disco de Bad Brains, disso não há dúvidas. Tem malhas rápidas? Sim! Tem aquelas partes em midtempo/Palm mute que só eles sabem fazer? Sim! Tem as malhas dub/reggae? Claro, senão também não era um disco de Bad Brains como deve ser.

Ah e desta vez a voz do HR não têm aqueles delays malucos como no ‘Build A Nation’. As malhas que mais gosto são a ‘Into the Future’, ‘Popcorn’ (Riff mesmo à anos 90 com aquele Groove mesmo à NY), ‘We Belong Together’ e a ‘Yes I’. Como é normal nos discos deles as últimas malhas são Dub/reggae, ou seja, mesmo do teres ido ver o show e quando a banda acaba fica esta banda sonora para relaxar e meter a conversa em dia por exemplo. Não gosto muito de fazer reviews sem ter o disco, mas enquanto não chega vai ter de ser assim. A capa também está muito boa. Bad Brains clássico. Este não é o disco ideal para mostrares a alguém que nunca ouviu Bad Brains ou nunca ouviu hardcore. No entanto é um bom disco. Se faz sentido um disco de Bad Brains em 2012? Claro que sim.

Review por David Rosado (botem olho: www.saladdaysrecords.com)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Coisas Com História: Tied Down Records (Tiago Inês AKA Tofu)


Corria o ano de 2004 quando descobri por acaso no fórum da Bridge 9 uma banda chamada Tarpit. Tinham uma demo apenas: músicas a abrir, letras furiosas e mosh parts mesmo do tipo que dá vontade dum gajo partir tudo o que estiver à volta. Como na altura ligava mais a comprar tapes do que agora, confesso, tentei em todo o lado arranjar a bendita cassete, embora sem sucesso. Até que um dia apanhei o vocalista no AIM por acaso e o gajo me disse que estava esgotado, tinham feito muito poucas e que não iam fazer mais. Bummer!

"E agora? Não há a demo?" Faz-se uma editora! O primeiro lançamento já estava mais que decidido, obviamente. Entre planeamentos e idealizações da coisa, o tema calhou em conversa com o André num concerto no HardClub. Enquanto ele montava a banca do merch, falei-lhe do assunto. Eis senão quando me conta que ia lançar em breve a demo duma banda nova que “ia rebentar”. Nem foi preciso mais dizer nada, partners in crime, siga a marinha! Primeiro passo, o nome! Nem sequer tinha pensado nisso ainda, o André sugeriu Tied Down e ficou. Também não era nada do outro mundo, por isso até se podia chamar Discos Vitória e ter um perdigueiro como símbolo. Em seguida, o primeiro release, que já estava acordado – a demo de Tarpit.

Todo este projecto foi um pouco surreal, no mínimo. Antes de mais, falei com o vocalista da banda, contei-lhe o nosso plano e os gajos disseram que era na boa, nem pediram dinheiro nem nada, embora eu tivesse prometido pagar qualquer coisa, conforme corressem as vendas. Em seguida, arranjar a capa e o layout. Pedi-lhe se nos arranjava nem que fosse uma fotocópia e… “não tenho nada, nem sei onde arranjar isso”. Bonito serviço. Valeu-nos alguém na Alemanha estar a vender uma no eBay e o André ter conseguido por sorte apanhar o leilão onde tinha uma imagem da capa (que era a cena mais sem jeito de sempre, diga-se de passagem); quanto às letras, não me lembro se fizemos com insert ou não, se tinha originalmente ou não. Se houver por aí alguém que tenha ainda uma, diga de sua justiça.

Entretanto, para meu desconhecimento inicial, já havia mais um projecto na calha – a demo de Get Lost. Para quem não sabe, os Get Lost foram a banda pré-Broken Distance. Tocavam um hardcore tipicamente Boston style, uma espécie de Stop&Think com letras tipo American Nightmare. Os poucos concertos que vi deles foram brutais e, como muitas outras bandas boas, acabaram demasiado cedo. Não sei se o fim prematuro da banda se deveu inteiramente ao facto de haver uns GetXLost em França e ter dado algum estrilho porque eles queriam ir lá fora, mas é a ideia com que fiquei. Para mais esclarecimentos falem com o David.


Ora portanto, mal tínhamos arrancado com a ideia e já tínhamos 3 lançamentos na calha: Tarpit, Get Lost e No Forgiveness. Isto começava a tornar-se mais sério do que alguma vez tinha pensado… Com a parte dos artworks tratada e os masters áudio nas mãos, faltava a peça essencial: as cassetes. Depois de muito buscar, lá encontrámos uma fábrica que nos arranjava o que pretendíamos e com um custo que permitisse um preço de venda final acessível. Finalmente, tendo as cassetes em nossa posse, estávamos prontos para arrancar para a produção.

Escusado será dizer que foi o mais DIY e ao mesmo tempo “três pancadas” possível: papel colorido para as capas comprado na Staples, fotocópias feitas ao preço da chuva na papelaria da escola, gravar 50 demos durante numa tarde/noite no quarto uma a uma, com uma aparelhagem emprestada providenciada no próprio dia… tudo porque no dia a seguir tinha de entregar metade ao Adolfo (Standpoint/Step Out/Hard To Deal) para ele levar para o Porto e dar ao pessoal de No Forgiveness.

Depois das capas impressas, o primeiro stress – o layout não tinha as as dimensões certas e a capa ficava mais pequena que a dimensão da caixa. “Que se foda, é DIY.”


Minto, houve um lançamento mais três pancadas ainda, se bem que não tivesse o nosso cunho: a demo de Lockdown. Foi uma edição de autor/IOYN, 30 CDs copiados num gravador a 4x em casa do André durante a noite depois do concerto-fantasma de Black Friday ’29 no Porto. Isto porque no dia seguinte seria o primeiro concerto de Lockdown, em Campolide junto com os benditos alemães. Capas impressas num centro de cópias em Entrecampos uma hora antes do concerto começar e embalar as demos mais o Ricardo “Banana” no carro do João Moreira a caminho do concerto? Can’t beat the feeling…

Tapes gravadas e distribuídas, começa a promoção/vendas e o interesse foi tal que esgotámos tudo num ápice. Fiquei bué contente quando o David me falou a dizer que tinha ficado satisfeito com o resultado final que “tinha sido um dos melhores lançamentos feitos em Portugal”. Tendo em conta a forma como tudo foi tratado e os percalços que ocorreram, deu-me um gozo especial ter este feedback. Afinal de contas, foi meio às três pancadas, mas as pessoas gostaram e a ideia era fazer isto só para curtir.


O pouco lucro que fizemos das vendas iniciais deu para pagar a primeira t-shirt de No Forgiveness, edição especial para o primeiro concerto que iria marcar também o lançamento da demo. Não fizemos muitas, 15 ou 20 salvo erro, mas no final desse concerto já tinham sido todas vendidas. Depois de termos vendido tudo, o projecto acabou por estagnar. Em Setembro de 2006, os No Forgiveness deram o último concerto – por sinal o primeiro e único no Algarve – os Broken Distance já estavam em fase embrionária e fora dos nossos planos e a editora acabou.

Aquilo que nos propusemos foi simplesmente lançar umas demos, fazer umas tshirts e divertir-nos com o processo entre ir a concertos. Nunca planeámos ter lucro algum nem nos aproveitar de ninguém. Olhando para trás acho que o objectivo foi atingido.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Discos Trocados: Wide Awake/Chronic Sick

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

André
Chronic Sick - Cutest Band In Hardcore (1982)

Sabia que esta banda existia, mas nunca lhe tinha prestado a devida atenção. Vicissitudes da vida, right?  O que tenho a dizer é que tá aqui uma sonzaço à maneira - mais punk rock que hardcore, mas ainda assim bem catchy e digno de replay. Acho que existem grandas histórias à volta de eles serem uns grandas crazes mas infelizmente não tenho nada para vos contar e não me apetece ir para o Google pesquisar. Sorry guys!

Numa nota aparte, acho que os Career Suicide tocavam uma cover deles (Bloodtype X), mas também não tenho a certeza, uma vez que essa malha não está neste disco. Se calhar é de outro disco. Tenho QUASE a certeza que era Chronic Sick que eles tocavam, e sabe deus como sou fã de Career Suicide. Se curtem punk rock melódico (lol) dos anos 80 botem ouvido nisto. Não me importava de ter uma banda assim.

Tiago
Wide Awake - CT. Hardcore (1988)

Adoro este disco. Adoro. Este disco abre com umas das minhas faixas favoritas de sempre, a Last Straw. Granda baixo, bom riff, granda groove no início para depois entrar parte rápida, boa letra e refrão bem catchy. Foda-se, aquela intro mesmo de andar a pisar cabeças mata-me. Que bandão! E o resto do disco segue esta linha, sem nunca desapontar. Do resto da discografia era só juntar aqui a Wide Awake e estavam reunidas as minhas malhas favoritas de Wide Awake. Man, lançamentos da Schism, you can't go wrong!

Fazia na boa uma banda assim. Na volta ainda faço. Óh Machado, tu curtes isto né? Tão deixa de ser inventor e mete esses membros superiores altamente desenvolvidos a trabalhar.

O Darby Responde #7 - Bandas do género

Agradecemos a todos - do fundo do nosso coração - a quantidade de cartas, mensagens, emails e telegramas que nos têm sido enviados. Infelizmente não temos tempo para vos responder a todos pessoalmente, de modo que decidimos falar com o nosso buddy Darby, que se disponibilizou de imediato para responder a todas as vossas dúvidas! Semanalmente, a melhor carta - escolhida e respondida pelo Darby - ganha destaque nesta rubrica.


Comé malta? Tudo numa boa? Comecei a ir a concertos à pouco tempo e o vosso blog tem-me ajudado a descobrir e conhecer bandas novas, muito obrigado por isso! Eu conheço algumas bandas como Madball, Agnostic Front, Hatebreed, Terror e Sick of it All mas gostava de começar a perceber mais da história do hardcore e conhecer outras bandas deste género. O que é que me podem recomendar? 

Antes de ir, queria só dizer que gosto imenso da rubrica do vocalista de For The Glory (acho que é o vocalista) - que histórias brutais. Por acaso ainda não tive hipótese de os ver ao vivo, mas estou à espera que voltem cá ao norte para o fazer. Continuem fortes! Abraço.

Filipe Ambrósio Cunha - Marco de Canaveses

Olá Filipe! Obrigado pela tua carta - pelo andar da carruagem vamos mudar o nome da secção para Cartas do Norte, uma vez que parece que a maioria vem daí de cima! Mas na boa, claro. Hardcore é hardcore, seja norte, sul ou centro. Bandas desse género... bom, a maioria das bandas que aí tens tocam aquilo que é mais vulgarmente conhecido como New York Hardcore (Madball, Agnostic Front e Sick of it All) - se curtes essa onda procura discos de bandas como os H2O, os 25 ta Life, os Crown of Thornz ou mesmo os District 9 ou os Vision of Disorder. Nova Iorque tem algumas das melhores que surgiram no hardcore dos anos 90 de modo que se fores de banda em banda decerto que vais encontrar outras que vais curtir. Se te interessar algo mais antigo, procura os Cro-Mags e os Leeway - também de Nova Iorque - que acho que vão ser do teu agrado. 

Quanto a Hatebreed, não há assim nada como eles - principalmente desde que começaram a misturar aquelas produções XPTO com riffs metaleiros. Se não conheceres, arranja o primeiro LP deles, que é um dos discos de hardcore mais pesados que eu conheço. Os Terror também são meio únicos, mas tenta No Warning, que são da mesma altura e - na minha opinião - ligeiramente diferentes, para melhor. Para além deles, confere também os No Turning Back da Holanda, que é granda som. A melhor forma de ires descobrindo é mesmo comprando os discos e ires lendo nos agradecimentos do booklet a quem é que as bandas agradecem - quase todos começámos por aí!

Abraços e obrigado pelas palavras em relação à coluna do Congotronix, aposto que ele vai curtir de saber. 

Darby

Review: Turbonegro no Electric Ballroom (Londres)


Portanto, 22 de Novembro foi a data para o meu primeiro concerto em Inglaterra. Nem foi algo que estivesse à espera mas, assim que soube que existia a hipótese de ver Turbonegro não consegui dizer que não. Não arranjei companhia e a única pessoa que sempre mostrou vontade em ir estava no Montijo (Filipe), eu entretanto fiquei com alguma pica por ter achado um ticket a um preço justo e lá fui sem medos. Turbonegro conta actualmente com um novo vocalista inglês de Londres, ao que parece este era o primeiro concerto dele com eles em Londres e o que esperar? Casa cheia, pois claro!

Fui um dos primeiros a entrar (vantagens de ir "solo") pois tempo para já é o que tenho com fartura e fui logo sondar a mesa do merch à procura de goodies, sondei preços e acabei por evitar £20 numa t-shirt pois era o que basicamente havia, isso ou um chapéu à Popeye.

Pus me então a ver a sala por si e adorei: confirmo que o Electric Ballroom é lindo e tem uma história brutal como espaço de concertos, deu para ver posters assinados das respectivas bandas por lá passaram por lá nos late 70s como os The Cramps e um pequeno apanhado da história do antigo dono da coisa. Passando para a banda suporte - não tenho nada a dizer, basicamente era um DJ a passar música durante 30 minutos, deu para ir ao wc, lavar a cara e ir andando para a frente do palco sem problemas e sem stresses. Chegada a altura do concerto: música epica como introdução, tipo como os Metallica fazem com a OST d'O Bom, o Mau e o Vilão - sinónimo de entrada em grande.

Um grande foco no novo registo (Sexual Harassment) que me saturou um bocado, mas percebo o porquê disso. O Happy Tom (baixista AKA boss daquilo tudo) falava sempre do Tony Sylvester - nome do chavalo que veio substituir o Hank Von Helvete, como o salvador do Death Punk, presumo que com isso ele estivesse a falar de Turbonegro e que se não fosse ele a coisa tinha acabado em 2010 quando o outro vocalista decidiu ser actor/cantor e sei lá mais o quê.

Presença e feeling da banda imaculadas, todos que estavam no recinto viram o que eu vi, isto é: uma banda a divertir-se em cima do palco e a curtir à brava o simples facto de estarem a tocar música uns com os outros. Um ambiente acompanhado pelos clássicos fizeram me esquecer por completo a ausência do Hank, para ser sincero fui com um pé atrás pois já tinha visto dois concertos com a formação "antiga" e tornava-me um pouco suspeito, isso aliado ao facto de só gostar praticamente do single “You give me worms” do Sexual Harassment mas assumo... gostei do novo vocalista, tanto como feeling, presença e mesmo em termos de voz a cena funciona.

A sala tinha um dos melhores sons ao vivo que assisti naquele tipo de recinto: percebia-se tudo. As guitarras estavam a soar melhor que nos discos (para quem me conhece sabe que sou geek nestas coisas), aliás estavam tudo a soar melhor que nos discos! Eu por mim digo: venham mais concertos que eu vou estar lá batido, e eles notoriamente voltaram para ficar.

Cerca de duas horas e dois encores depois, saí de lá ainda nem meia noite era, mas chovia de uma forma ridícula. Tive tempo de tirar os plugs dos ouvidos e meter os phones, ligar o iPod e bombar umas malhas no shuffle, caminhar cinco minutos até à estação do bus e esperar cinco minutos (literalmente!) por ele, seguindo-se uma viagem de trinta e cinco minutos até Hammersmith, onde fiquei à porta de casa. Melhor? Guess not!

Review por Daniel Novais

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Review: Anthrax + Motörhead na Brixton Academy (Londres)


Eu aqui há tempos tinha-me prometido a mim mesmo que tinha de ver os Motörhead antes do Lemmy se finar (o que - apesar dele ser imortal - não deve demorar muito a acontecer), de modo que da próxima vez que eles cá viessem tocar eu não iria perder a hipótese. Quando soube deste concerto, há uns bons seis meses ou mais atrás, não perdi tempo a comprar dois bilhetes. Um para mim e outro para o meu buddy checo que partilhava da minha opinião em relação ao vê-los ao vivo. Seria a primeira vez para ambos.

Chegámos lá cedo, porque eu tinha ido tatuar (one love Sandro) e despachado bem antes daquilo que tinha previsto (o miúdo tem skills). Fomos paparicar ao Subway e depois seguimos para a sala, ainda apanhando uns bons vinte minutos de fila - que por esta altura circundava metade do quarteirão. Já tinha visto pior, não estava impressionado. A sala estava pouco composta quando entrámos, mas nós sabíamos que o concerto estava sold out, por isso era uma questão de tempo até ficar ao barrote. Só se via t-shirts de Anthrax ou Motörhead - e não estou a exagerar. Esse pessoal é craze.

A primeira banda, Diaries of a Hero, já estava a tocar quando entrámos e... será que fico por aqui? Não. Fui mandar uma mijinha, que estava apertadinho e voltei para o sítio onde estávamos. A banda má. Aquele metalcore com partes melódicas? Muito groove, muito peso e depois uma cantoria nada a ver. Pá, boa onda para eles estarem ali a abrir para Motörhead, mas dêem-me descanso que eu não fiz mal a ninguém para aturar isto - foi da maneira que pus as notícias da app da BBC em dia. Depois no fim apareceu uma senhora simpática a dar flyers deles. Devia ser a mãe. Boa onda de qualquer forma. Guardei no bolso para deitar fora depois, para não ser má onda mandar para o chão.

Anthrax começou a tocar algum tempo depois, na hora marcada. Eu curto bué a Brixton Academy. Junto com a Islington Academy deve ser uma das minhas salas preferidas nesta terra. Confesso que Anthrax nunca me puxou muito e estou longe de ser qualquer coisa que se assemelhe a um fã da banda. O concerto foi ridículo, mas acho que parte disto vem do facto de eu não poder com o Scott Ian nem pintado de vermelho e branco com um emblema do United tatuado nos cornos. Nunca curti dele, sempre o achei um tanso. Pronto, acho que é isso. Fizeram um tributo ao Dimebag e ao DIO, mas eu passei o tempo a escrever mal sobre eles no Facebook e a bater bons chats no Whatsapp. Não tava a dar para mim. Citando-me: Porque é que eles não ficaram a dormir no dia em que Deus distribuiu a parolice? Fraquinho e, principalmente, not my thing.

Por fim tocaram os Motörhead e, ya, foi lindo. A cena é: eu nunca tinha visto, por isso não tenho ponto de comparação, mas pareceu fixe. Algumas músicas do ínicio, outras mais recentes. Tudo boa onda, parede de som, voz de bagaço, baixo com afinação de guitarra... o habitual. A parte mais fixe foi eles os três fazerem mais barulho que os Anthrax. Ai não. Até saíam raios das colunas, tu és tolo. A parte fixe do concerto e aquela que me vou lembrar para sempre vai ter de ser a Overkill, que foi das melhores experiências da minha vida. Põe intenso nisso! Intenso mesmo. E só por isso já os via de novo. 

O Baú do Congas: Synead + Taurina + For The Glory no Alvor


Boa noite a todos os leitores deste blog. Consta que já são bastantes e de spots tão remotos. Aqui estou eu para mais um Baú, e o cartaz que me colocaram para dedicar umas palavras é muita bom! Como disse no outro post, o Algarve sempre teve um bom movimento, mas de há uns tempos para cá eu noto que em algumas cidades (nomeadamente Faro) o impacto de For The Glory tem vindo a decrescer, por inúmeras razões. Devo dizer que fiquei mega agradecido ao facto de estar tanta gente em Portimão para ver o concerto do passado sábado dia 17, mesmo depois da zona ter sido varrida por um monumental tornado. A noite foi especial.

E é aqui que entra o especial de tocar na zona de Portimão. Por incrível que pareça, todos os concertos que demos na zona de Portimão sempre foram bem passados da cabeça. Desde os Rockfests (Pedra Mourinha) até aos do Marginália, Portimão foi sempre uma terra que nos soube acolher de uma maneira especial. Este concerto foi organizado no Bar Parque de Campismo do Alvor. Para minha surpresa (e de todos) estava completamente cheio! As bandas que iam tocar eram os Synead e os Taurina. Engraçado porque malta de Synead e de Taurina deram origem aos Shape (hollaaaa!).

Synead tocavam aquele metalcore a puxar aos Poison The Well, tinham um vocalista pesado (em peso e em voz), a banda era muito boa. Tinham muita qualidade e sempre foram gajos divertidos, o baterista deles é o de Shape. Os Taurina tinham aquele vibe punk hardcore cantado em Português. Ainda cheguei a cantar um tema com eles numa gravação. Foi a primeira vez que cantei em português e adorei. Tudo neste concerto parecia ser DIY ao máximo. O palco eram mesas seguidas de grades de cerveja a segurarem madeiras, o espaço era reduzidissimo em palco. Toda a gente estava mascarada e a meio do set entrava um "militar" no palco para indicar que a happy hour da cerveja estava a bombar a 50 cêntimos! SURREAL...

Tão surreal que numa das musicas, ele invade o palco com altas manobras tácticas ao nivel de um Navy Seal e rouba-me o micro e diz o seguinte:

- "Malta como é que se chamam? Tu como é que te chamas na bateria? Tu na guitarra?"

Todos demos nomes falsos, até que chega ao Sérgio e ele diz assim:
- "E tu como te chamas?"
"Sérgio", responde ele.
O tropa profere as seguintes palavras:
- "Como o César está a tocar muita bem, e estes gajos estão a tocar muita bem, o bar agora está ABERTO NA PROXIMA MÚSICA!"

Demasiado bom e surreal para estar acontecer e nós no palco sem poder ir beber uma cuca. Nesta fase de For The Glory o line up da banda ia variando um pouco e não querendo estar a meter os pés pelas mãos, eu acho que nesta data, tocou o Sérgio, o Rui, o Miguel, o Ricardo 20IB e eu, mas posso estar enganado! Se alguém quiser fotos destes tempos é só pedir, porque felizmente ainda tenho várias pastas com fotos de muitos concertos desde 2003 até agora.

Depois do concertos ficámos por lá mais uma beca, e penso que foi nesta noite que conheces a maior personagem de sempre do algarve em termos de concertos, que costumava ir a concertos ali naquela zona. O BIFE MALUQUE! Ficámos montes de tempo na conversa com ele, para ele nos explicar o porquê de tal alcunha. Ele só dizia "o meu nome é bla bla bla bla, mas toda a gente aqui me conhece como o Bife Maluque". Demasiado bom!

Os concertos de Portimão sempre foram bomba, e no rescaldo do que se passou este fim de semana, soube-me mesmo bem escrever estas linhas! Mega abraço para os Synead e a crew de PTM, e claro para os Taurina que agora são os Shape. Bons tempos.

Aaaaaaah Bife Maluque!!!

domingo, 25 de novembro de 2012

Playlist da Semana #21

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Warzone - Don't Forget The Struggle, Don't Forget The Streets - Esta foi a banda sonora enquanto enxovalhei o Bruno das Caldas no FIFA 11 em casa dele. Sempre que se fala aí à boca cheia de união e familía e não sei quê lembro-me sempre de Warzone (e do Rick Ta Life, ahah), mas melhor seria se metade dessa malta ouvisse mais isto e menos merda. Ainda há de chegar aí uma banda a fazer cover da It's Your Choice. Tem de chegar! Por acaso é engraçado, que a única banda portuguesa que (assim sem pensar muito) faz covers de Warzone é a banda que terá menos a ver com eles musicalmente, a malta do metalcore dos 90's de Inyanga. É porque não estou lá a cantar "We must be united, as one!".

Bloodkrow Butcher - Demo 2012 - Ando há uma semana a ler a mega reportagem sobre a cena de Uppsala na Law & Order #4. Só pegar na zine no metro tem disto. Bom, mas certamente pegar nela foi dos melhores 8€ que já dei!! Fala-se por lá um pouco de tudo, da cena crust do final dos 80's, do hardcore pc de Umea até a bandas mais actuais lá do sítio. Claro que se fala em Discharge e Anti-Cimex. Os Bloodkrow Butcher não são suecos. Nem escandinavos. Nem europeus. Malta de Boston (desta vez não está a turma do costume ao barulho...acho) a tocar aquele punk sujo à escandinávia. Sei que há malta que é reticente em ir pegar em bandas que roubam a cenas que não tem nada a ver com aquelas em que estão inseridas, mas têm aqui boa chance para terem uma prova do quão podem estar enganados. Tudo a correr a fabricar mäsk e beber até cair para o lado!

Violent Future - Live at Studio 3 - Sabes aquele feeling de quando conheces uma banda pela sua demo e dizes "meu, isto é bué bom, esta merda vai dar que falar!!" e acertas? Aí há uns meses valentes falei nisto ao Miguel e foi isso que ele me disse. Safámos aí a tape e andámos todos satisfeitos à espera de notícias. Passaram-se uns meses valentes e vim a encontrar meio por acaso a mesma demo editada em vinil pela Painkiller, bem como o anúncio de um novo 7". Um par de dias depois o Fábio vem-me mostrar as novidades aí dum blog de mp3 e estava lá isto. Som mais polido e melhor qualidade que na demo? Check. Não que aquela produção bem crua não fosse a cereja no topo do bolo, mas aqui fica para os que se queixam que o hardcore à antiga tem um som manhoso. Parvos, digo eu.


Hatebreed - Hatebreed - Guilty pleasure, é assim que lhe chamam? Eu sempre curti bué de Hatebreed. A cena é que já curtia antes de sair aquele disco mais matreco - que mesmo assim é bem bacano. Não sei, acho que qualquer merda que eles façam eu vou curtir, sabem? Este disco novo (que já tem dois anos) é bacano mas já pôe umas cantorias que não são bem a minha cena. De resto é sempre a rasgar. "Hardcore musculado", como dizem as pessoas que não percebem um caralho do assunto e não arranjam definição melhor.

Roll Deep a representar com o Logan Sama - Fala sério, já há aí pessoal para começar uma cena destas? Até já pensei no nome da crew... hmmm... hmmm... BRÜTUS. Tá feito. Preciso de 4 MCs que consigam "cuspir" rápido. Quem tá in? Mandem a dica. Roll Deep, yup... de east London, muito boa onda. Se o Dizzee Rascal já fez parte desta crew? Sim. Represent mesmo. Fica a dica.

Obituary - Dead - LOL, é porque este não é um dos melhores nomes de discos ao vivo! Morro. Vou ver Obituary pela primeira vez para a semana. Sei que não vai ser ASSIM, mas acredito que seja monstruoso à sua maneira. Sou buéda fã de Obituary. Man, eles tem uma cover da Circle of the Tyrants gravada. É preciso mais? Hmm, o quê?! Não sabes o que é a Circle of the Tyrants?! Meu amigo, ainda tens muito caminho a percorrer - há mais na vida que X-Acto, ténis da Nike e two step. É tudo o que tenho a dizer.

The Vaccines - Come Of Age - Já tinha aí o disco para ouvir há algum tempo mas só há pouco tempo tive hipótese de lhe pôr os ouvidos em cima. Eu e música nova temos aquela cena, né? Mas na boa. Lá cheguei e tenho a dizer que, embora não tão catchy como o primeiro, é um produto musicalmente superior. Estou bem contente com ele e já o rodei umas vezes. Os singles são bem bons!! Vaccines a não desapontar. 2-0 para eles. Pena eu agora não ir ver concertos de bandas que já tenha visto mais de duas vezes para poupar dinheiro para A viagem. Apoiem-me.

Brutal Truth - Extreme Conditions Demand Extreme Responses - Meio grind, meio death... sabes bem. Semana de merda (vá, não de merda... cheia; cheia é o termo correcto) pede blast beat e growl fodido. Um gajo tem que deixar a raiva nalgum lado. É preciso palavras para este disco? Hmmm, como é que será ser defesa e apanhar um bolaço do Ronaldo na cara praí a 5 metros? Deve ser tipo ouvir este disco. Sem dúvidas. E agora vou sair de casa que tenho guest list para ir ver Converge e nem sequer gosto da banda, LOL!

sábado, 24 de novembro de 2012

Review: A Thousand Words + Lifedeceiver + Northern Blue + OLS @ IST, Lisboa


É preciso dizer que o Bruno é dos miúdos mais activos na cena? Creio que não. Um gajo está-se sempre a queixar que em Lisboa há poucos locais decentes e/ou acessíveis para fazer concertos, o que não deixa de ter uma ponta (grande) de verdade, mas depois há sempre aquele pessoal que põe os pés ao caminho e trata de tentar arranjar locais para concertos decentes, nem que seja a título experimental. O Bruno têm-lo feito. Aquele local "mítico" na Alameda (fizeram-se praí três shows, mas bastou toda a experiência do último para marcar lugar na história, ahah), o bar da AE da FLUL e agora o bar da AE do Técnico. Por acaso é bem jogado pelas associações de estudantes cederem os espaços para shows, só têm a ganhar, desde que não dêem para ganânciosas ou pra parvas. Bom, props para o Bruno e para os manos Luz, que acho que também andaram nas negociações (se não andaram azar, são boas pessoas na mesma).

Lá fui cedinho para a Alameda, naquela de levar as tralhas da Backwash e ajudar nas arrumações. Na entrada do edifício encontro o Bruno Palma e o Bruno Boavida, o Cabeças e mais malta de Lifedeceiver, troca-se aquela conversa de quem já não se vê há uns tempos, ri-se um bocado de certas personagens e situações da cena e fala-se da vida.

Vou lá abaixo ver o espaço, e está bué malta a jantar e a ver o Real a jogar com o Shitty. Malta da universidade entenda-se. Sim, o tal bar é um dos refeitórios do IST. É preciso dizer que o show se atrasou? Claro que não. Ficar um bocado na galhofa (e ao quentinho) com a malta até voltar cá a cima para ver as vistas, sendo que fiquei na conversa com o Cordeiro que entretanto apareceu. Volto, estão as bandas a trincar qualquer cena e lá se começa a arrumar a sala depois dos passa-moles que lá estavam a jantar terminarem. Os gajos estavam era a ver a bola, mas foda-se, foi tempo perdido no que certamente viria a ser uma maratona de World of Warcraft a noite dentro. Ya, a minha descrição preconceituosa sobre estudantes do Técnico é a de marrões agarrados aos jogos online. Algo me diz que não falho assim tanto...

Vá, bora lá ao que interessa que eu divago bué. Arrumar as mesas e as cadeiras e tudo, montar o estaminé (o palco já estava todo tratado que isso foi-se adiantando anteriormente) e siga a marinha! Começa a entrar pessoal, sendo que o Bruno falou que estiveram mais de 100 pessoas. A uma quarta feira à noite, é de louvar! One Last Struggle começaram a tocar passado uns minutos e notou-se uma evolução em relação ao primeiro concerto que vi deles. Cover de New Winds a fechar, mas a malta esteve sossegada, encostada à parede a abanar a cabeça. É darem-lhe mais, de pequenino é que se torce o pepino. Nunca percebi esse ditado...

A seguir tocaram Northern Blue. Não é muito a minha praia, não sei se por ser bem tocado ou simplesmente porque não é o meu tipo de som, mas acho que o pessoal curtiu. Estava (e estou) todo fodido das costas pelo que fiquei sentado atrás da banca, a trocar dois dedos de conversa com o Edgar, que estava a contar os minutos para partir em tour com a malta de A Thousand Words. A sério, já não bastava eu ter a posição mais merdosa a sentar, passar 4 horas de pé ou num banco manhoso tipo aqueles de bar, só com um pé, é mesmo para me estragar a cervical.

Fiquei cá atrás a ver Lifedeceiver, primeira vez que os vi com o Vitor a cantar (foda-se, primeira vez que estive com o Vítor depois de o "conhecer"!!, andávamos mesmo desencontrados...), e a banda está com power. Sei que é um som fodido de entrar para a malta do Hardcore, mas é fixe ver que estão ali milhentas influências no som que eles praticam. Começam a gravar o novo álbum este fim de semana.

Por fim os A Thousand Words despediram-se de Lisboa com um concerto em grande, que começou tarde para caralho é certo, mas que meteu a malta quase à uma da matina aos pinotes de um lado para o outro. Haja energia para dar isto e mais aí aos estrangeiros. Não vale a pena dizer que esta banda tem tudo para atingir outro patamar na cena hardcore. Sim, falo de editoras estrangeiras a pegar neles...pode ser que leiam isto no translator.

Opa, no final aproveitei para pegar uma Wake Up And Live #5 que a Joana tinha à venda. "Summer 2005" com entrevista a Champion e Justice, reviews aos shows de Justice, Mental e TFS? Ai não. Ainda haviam mais duas cópias, corram! A seguir houve tempo para ofertar ao Edgar t-shirt mítica (azeitola) daquelas da Rastilho circa 2005 com dois punhos a dizer "hard core", ahahah. Mesmo do espalhar magia na Europa e arranjar noiva. Ele ficou de cortar as mangas e dar uma de Augustus das Caldas da Rainha! (ATTN: ATW - Se isto acontecer tirem fotos!)

Óbvio que a malta ficou lá um bocado na conversa, aquele convívio necessário e saúdavel que tem de imperar. Mas já se fazia tarde, 1 e tal da manhã e no dia seguinte havia vinhaça para servir a ingleses e brasileiros! É porque não fazem a viagem de avião mais calminhos...Ainda trouxe uma sacada de discos cortesia do Boris, foi tipo Natal mais cedo, ainda fiquei cá a cuscar nisso até às tantas.

Resta-me desejar boa sorte ao pessoal dos A Thousand Words, ao Edgar e ao Valter, que a tour corra pelo melhor. Já lhes tinha dito mas fica para a posterioridade. Em relação ao show só dizer que foi bem bom, e que acho que é um local a explorar. Haja vontade dos gajos em manter aquilo como local de concertos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Review: Madball no Dingwalls (Londres)


Pois, foi uma sexta-feira pesada que só acabou pelas oito da noite no escritório. Tinha combinado entrar com o João, encontrar-me lá com o Fábio e o Flip e ainda encontrar a Kate. Portugal em peso? Old news. Graças a uma perninha amiga, o nome estava na porta, por isso chegar e entrar foi super calmo. Já sabia que ia perder a maioria das bandas de abertura e estava relativamente excitado com isso. Depois de um dia inteiro a tirar merda do balde em frente ao ecrã, a última coisa que quero são bandas de abertura. Desculpem bandas de abertura, já não tenho idade para vocês.

Portanto mal cheguei encontrei logo o Fábio e o Flip, uma vez que tinha acabado Prowler e eles estavam a vir tomar ar (fresco, claro, que o frio já tá a bater por aqui... brrrr!). Encontrei a Kate pouco depois e João logo a seguir. A sala era pequena, e eu estava a gosta do que via. Vou confessar que, apesar de ver na boa e curtir (mais que Sick Of It All pelo menos), já não é aquela banda que ache obrigatória. Sempre o mesmo set e a mesma rotina. Mas na descontra, há lá quem curta.

Agora a cena é: porem Madball nesta sala a tocar um set composto praí por 60% de músicas antigas (talvez mais) só pode resultar numa coisa. E que coisa é essa? Aquele feeling do vídeo do New York Hardcore do Rick ta Life, sabem? Granda clássico. Pá, a sala era igual, com um mosh pit bem bacano à frente do palco (pelo joelho, se tanto) e depois o resto da malta num piso mais elevado. A maioria do pessoal parecia mais old school, o que foi fixe, ainda que fossem meio padeiros todos eles. Muito pulo, muita craziness, mas pouco mosh bonito de se ver. Na boa, é Madball afinal de contas. O que eu sei é que, apesar do som pior que mau, este é capaz de ter sido dos melhores concertos de Madball que já vi. Seja pelo set, pelo andamento da sala ou pelo público pedreiro. Foi sempre a esgalhar e sempre com granda andamento. A questão que se coloca é a seguinte: quem é que vai pôr os Rival Mob a tocar ali? É que eu fico na boa atrás a ver Madball, mas com Rival Mob, alguém vai ficar sem um olho. É porque não levo um garfo na mão e me ponho a fazer windmills. Ai não.