quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Quem é Quem: Luis Machado

Este espaço é dedicado a pequenas entrevistas ao pessoal que faz parte da nossa cena, e que de alguma forma ajuda a dinamizar o hardcore.
 

O Luis Machado é um tipo porreiro, com um pulmão maior que os quenianos que, ano após ano, ganham a Meia-Maratona de Lisboa. Uma das coisas  que mais admiro nele é que não tem papas na língua nem quer saber o que os outros pensam dele. Um habitual dos concertos da cena nacional, já organizou uns quantos, um deles o lendário show de Mr. Miyagi e Cold Ones no Rock In Chiado. Seguem umas perguntas ao moço com a melhor vista para o Estádio Alvalade XXI.

Para começar, fala-me um bocado como é que é um cartaxense de gema começa a ganhar o gosto pelo punk rock e pelo hardcore. Também foi o Tony Hawk para a Playstation?

Foi mais ou menos isso, apesar de no final dos 90 e inícios de 2000 haverem bandas de punk rock no Cartaxo que eu não fazia a minima ideia da sua existência, nem que havia montes de malta do Cartaxo a ir a concertos de punk rock/hardcore. Muitos de lá foram ver NOFX em 97 a Faro e foram à Warped Tour e Decontructions, inclusive as que actualmente são todas betinhas e das discos. A diferença é que na altura elas curtiam era andar de volta dos skaters/”rebeldes”.

O primeiro contacto foi em 95/96 com uma K7 com Mata Ratos e Face To Face (entre bandas como Iris, Mercuriocromos, Xutos, Sitiados, etc), gravada pelo neto da minha empregada, quando tinha disso. Na mesma altura também a minha irmã me mostrou o Insomiac dos Green Day (que foi a única banda que continuei a seguir, pela facilidade em fazê-lo, ao contrário das outras bandas...), mas na altura para mim era tudo música e não havia distinção de géneros musicais, nem me instruía quando tinha gosto pelas coisas como agora. Depois mais tarde, não em 99 com o primeiro Tony Hawk, como a maior parte, porque eu nao tinha dinheiro para o comprar, mas foi em 2000 com o jogo do Dave Mirra que descobri a minha paixão pelo punk rock ao ouvir Swinging Utters, Pennywise, Sublime, 59 Times The Pain, etc. A partir daí até 2002/2003 foi crescendo muito devagar a minha biblioteca de punk rock/hardcore, porque fui o último dos meus colegas a ter computador, a ter internet e a quem comprava CDs não sacava punk rock ou hardcore. 

A partir de 2003 conheci uma pessoa que me emprestou o From The Ashes de Pennywise que não parou de rodar durante semanas e depois através do namorado duma rapariga da minha turma descobri uma quantidade ridicula de bandas. A partir daí, comecei a ouvir regularmente, porque ele me gravava CDs. Final de 2003/início de 2004 fui aos primeiros shows pequenos de punk rock na região, depois Tara Perdida foi ao Cartaxo em 2004 e depois daquele concerto foi impossivel não ter presença assídua nos concertos. Quanto ao que a malta chama de hardcore por assim dizer só comecei a ir a concertos prai no final de 2005. Foi a pior coisa que aconteceu às finanças na minha vida.

Tens tido uma presença assídua no Ressurection Fest, em Viveiro, Espanha. Imensa malta portuguesa faz a viagem até à Galiza para ir a esse festival, sendo que muita dessa malta são o típico miúdo festivaleiro, versão hardcore (sim, eu bato sempre na mesma tecla). Fala-me um bocadinho da tua experiência no Resu, e o que é que te leva a continuares a lá ir, se ainda te lembrares do que por lá aconteceu, ahah.

Sim concordo contigo, no último par de anos há muitos assim como dizes lá. Este ano andavam lá uns que parecia que tavam numa passarelle. Mas foi bom, deu para rir, pena é este ser o futuro público que iremos ter. Para te ser sincero odeio festivais, não tenho o mínimo “espirito festivaleiro”, porque para mim ir a um festival é pela musica e não pelo dito convivio que moranguitos aí falam para justificar a ida a festivais que estão na moda e e em que nem conhecem uma banda. Se quero convívio marco um “ajuntamento” de amigos e faz-se algo, e para se conhecer gente nova é só sair a rua, não é preciso alimentar a máquina dos festivais “xulos” em Portugal.

Eu não gosto de comida espanhola, não gosto de andar de carro, muito menos viagens de 8 horas para cima, não vou “à bola” com a maior parte dos espanhóis, odeio as condições higiénicas do festival, acho que está mal organizado, etc etc etc, mas depois os sacanas sempre trouxeram bandas que tinha de ver à força toda, como No Fun At All no meu primeiro ano ou Descendents este ano.  A única coisa que me faz mesmo ir ao festival é só mesmo as bandas. Desculpa não romantizar a resposta, ahah!

Há um par de anos atrás ainda chegaste a marcar alguns shows, assim logo à cabeça vieram-me os shows de Anchor em Lafões e Miyagi no Chiado (a sério... que concerto tão bom). Agora começam-se a ver miúdos novos a tomar as  “rédeas da cena” e a tentar marcar shows cá, seja em Lisboa, como no norte do país. Como é que surgiu essa ideia na altura de organizares concertos? E hoje não tens saudades de o fazer? (da carteira mais leve deduzo que não tenhas, mas tu entendes o que quero dizer). 

Na altura surgiu com a Freebase PT Records que comecei sozinho em 2008 mas que mais tarde se juntou um amigo que apenas ajudou na parte de divulgação, e a ideia era divulgar bandas estrangeiras pequenas de qualidade em Portugal. Tanto que fizemos um top semanal de bandas, como que para ajudar a divulgar as bandas portuguesas boas lá fora, e queríamos também editar CDs e marcar concertos.

Lancei a primeiro demo de Lifedeceiver, fiz parte da edição europeia do vinil 12’ da banda americana Common Enemy, pus uma música de No Time To Waste a sair numa compilação no UK ao lado de bandas como Good Clean Fun e Outlie (membros de Good Riddance) - compilação essa que nunca cheguei a receber as cópias - e marquei 3 concertos sozinho. Mais tarde surgiu outra pessoa que se quis juntar, demos um novo nome à coisa e queriamos apenas marcar concertos: foi aí que surgiu a Fatneck e os concertos que referiste. Infelizmente, quando supostamente há mais que uma pessoa a trabalhar e a investir nisto, mas sai tudo do teu cabedal e carteira, uma pessoa farta-se, principalmente quando começas a ser enganado pelos proprietários das venues.

Se tenho saudades? Todos os dias penso nisso, mas arranjar malta com quem organizar, haver condições para organizar em termos de venues de preço acessível, acreditar que vale a pena correr os riscos e passar mal de preocupação como dantes, lidar com as bandas portuguesas, entre muitas outras coisas do meu muro das lamentações, tudo isso é complicado e faz-me perder vontade de organizar concertos e de ver bom ambiente e sorrisos em algo que faço, bem como conhecer novas pessoas, de novas culturas (adorei conhecer a malta de This Routine Is Hell por exemplo).

A todos os miúdos só tenho a dizer que continuem aí com força e saibam escolher as pessoas que devem manter por perto. Tentem sempre escolher bem as bandas para ter o melhor ambiente possível num concerto que isso faz bastante diferença (como tu podes ter constatado no “meu show” de Anchor e no de Miyagi com Cold Ones no RIC).

Falaste-me aí numas cenas que andavas a fazer, riffs do diabo e não sei quê. Como é que ficou isso, a vontade de fazer uma banda ainda se mantém? Há desenvolvimentos, ou o teu tempo tem sido preenchido com outras coisas?

Pá, eu querer fazer banda quero, tanto que continuo a investir em material de baixo para poder tocar ao vivo e assim, e tento compôr qualquer coisa na guitarra com o meu pouco de skill na 6-string, mas sinceramente tou um pouco farto de procurar pessoal, porque aqui é tudo tesão do mijo. Muitas vezes desistem poucos ensaios depois, ou arranjam namorada nova e deixam de poder ensaiar, ou vão para os ensaios para brincar e não para criar e melhorar, ou não querem investir nem tempo nem dinheiro na banda, ou simplesmente falam mas ou não sabem tocar nada ou não têm material. Ou ambas. Por isso se aparecer, bacano, caso contrário acabo de compor as minhas cenas e convido malta da terrinha e fazemos uma banda só para dar uns concertos e conhecer malta nova.

O meu tempo tem sido preenchido em grande parte pela minha inutilidade neste mundo e pela faculdade, mas agora ja comecei a procurar novos projectos colectivos e pessoais para fazer para o ano, porque para mestrado já tou velho e para ganhar vantagem no mercado tenho de ter CV, que é o tipo de oportunidades que estou a procurar neste momento e têm surgido umas coisas engraçadas na música e nos desportos radicais. Por isso para o ano mais selectividade nas noite de “rock”, mas não irei deixar de tentar contribuir para este meio, e se possível a tocar.

Que bandas é que costumas ter aí a rodar no MP3? Já sei que és alto fâ de Good Riddance, mas curtia saber o que é que deixa o Machadinho aos saltos no quarto.

Ahah, agora é que me lixaste com F maiúsculo!!! Eu tornei-me naquilo que mais critiquei durante anos: nos mais velhos, que ouvem sempre as mesmas bandas. Sou sincero, neste momento sou um gajo muito desactualizado e não tenho ouvido muita música sequer, porque me fartei de tar sempre à frente e a pesquisar e depois as coisas terem qualidade mas não serem minimamente originais, e se tornar tudo chato. Aqui ficam uns "tops" do que ouço mais regularmente: Offspring, Descendents, All Against The World, Good Riddance e Street Poison, que conheci à pouco e é uma banda francesa mesmo bacana. Fora isso, ouço Ben Howard, Bryan Adams (um gajo tem sentimentos, ahah), Tim Barry, aquela do Call Me Maybe e Mariah Carey. 

Falando muito a sério, tu és para mim um exemplo de força de vontade e motivação. Há algum tempo para cá tens-te andado a meter em planos de exercício físico e alimentar de meter respeito, sem te meteres naquelas merdas que te fodem os órgãos todos e fazem a pila mirrar. Só me lembro de ter ido jogar à bola contigo e estávamos todos já a arrastar-nos pelo campo e tu a mandares sprints. Fala-me um pouco desta tua faceta de atleta, e do que ela significa para ti.

Obrigado desde já pelas palavras. Essa dos sprints e da corrida está relacionado com os 4 meses de jogging que fiz, entre 3 a 5 vezes por semana, e depois como corria com pesos nos tornozelos e às vezes nas mãos/pulsos durante terminado tempo, aumentando assim rapidez e resistência, mas à custa disso também te lembras que a segunda vez que toquei na bola dentro do campo a bola foi parar a linha comboio, ahah!

Apesar de sempre ter sido gordo, o desporto é algo bastante importante na minha vida, tanto que agora ando um pouco em baixo com o facto do meu estado de saúde não me permitir praticar desporto, porque desde puto pratiquei, tendo sido federado em futebol uns anos, praticado volleyball no desporto, e comecei à relativamente pouco tempo a praticar surf e longboard skate também. Ainda tive na natação em puto. Acho que no fundo para além de ser algo saudável, sempre fez parte do meu conceito de diversão desde puto, daí a importancia que tem para mim, e nada mais importante do que algo ou alguém que nos faça sorrir e felizes nesta vida, certo? Caso contrário não me tinha mantido nos concertos o tempo suficiente, e nem nos teríamos conhecido.

Quanto aos programas que falaste, em termos alimentares não fiz qualquer dieta, apenas fui reduzindo as quantidades de comida que ingeria. A nivel de “vicios” reduzi bastante no tabaco (e passei a tabaco de enrolar) e já não vou tantas vezes beber copos. Por fim, quanto ao programa de treino marado é o Insanity e aconselho vivamente toda a gente a fazê-lo, porque são resultados quase imediatos, tanto em termos de resistência como em termos de aparência e acho que não é por 40 minutos de exercício 6 vezes por semana que uma pessoa morre, pelo contrário, só vai aumentar os índices de auto-confiança e conforto pessoal. Quando voltar a estar bem de saúde é a primeira coisa que volto a fazer.

Estamos cá para te ver a representar na capa da Men's Health portuguesa. Para terminar, manda aí os teus beijinhos e abraços. 

Os meus beijinhos e abraços vão para todos aqueles que contribuem genuinamente para este meio, quer eu conheça (como é o teu caso) quer não conheça, porque são esses que merecem alguma coisa de mim. Um abraço especial a malta do norte, como o Jofy e as meninas Paiva por serem as mais lindas e mais queridas, e à crew do Call Me Maybe/Group Sex? Ahah! Os poucos com quem me dou a sério cá de Lisboa e que sabem que realmente gosto deles não preciso de mandar cumprimentos que eles sabem quem são.

Por fim, quero mandar um fisting anal bem doloroso para todos os filhos da puta desde meio que querem ser os reis da macacada e passam por cima uns dos outros e que passam a vida a deteriorar isto, que podia ser bem melhor actualmente se tentassem nivelar as coisas por cima, em vez de puxar outros que fazem algo para baixo. O mesmo desejo para as bandas mal agradecidas e de/com gente de merda que há cá na tuga, que são optimos a dar facadas nas costas e a cuspir no prato que comem/comeram.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Discos Trocados: Don't No/Nothing Done

Todas as semanas o André e o Tiago trocam um disco e falam um pouco sobre o disco que lhes calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

Tiago
Don't No - The Real World (1985)

Mais uma vez, os Discos Trocados a fazerem-me conhecer e gostar de bandas de que nunca tinha ouvido falar. O André enviou-me o disco com a nota de rodapé de meter o cinto de segurança antes de carregar no play, e ele não mente. Dicas de segurança rodoviária só podem querer dizer que me espera algo rápido, e algo rápido geralmente é algo bom. Mal começo a ouvir os primeiros riffs vêm-me à cabeça bandas de Oxnard: Ill Repute, Agression, Dr. Know...e o meu ouvido não me enganou! (Até rimei). Não são de lá, mas lançaram este disco na Mystic que lançava as cenas californianas nesta onda. Acho que já tenho umas malhas para acrescentar à mixtape para meter no carro a caminho da Costa da Caparica, antes de penetrar fundo em território do azeite extra virgem.

André
Nothing Done - Powertrip (2005)

Que estoiro. Curto BUÉ Nothing Done. Tive uma beca de sorte porque quando estava a viver no Holanda (com o Congas e o Pedro, granda prop para eles) tive oportunidade de os ver muitas vezes. Era fixe ao vivo, mas melhor em disco. Se tentasse contar quantas vezes ouvi o EP acho que ficava aqui uns bons dois dias. Muitas, muitas vezes! Este LP está bem fixe, embora esteja meio diferente do EP. O EP era mais rápido, mais in your face - sem truques. Aqui já tentam fazer uns riffs mais à Black Flag (Damaged) e uma banda que nunca gostei muito: Bl'ast. Claro que as músicas não são todas assim e ainda há partes rápidas suficientes para fazer o pau crescer. É um bom disco para se ouvir no Verão. A jeito de trivia, quem se lembrar do cartaz do lobo para o concerto de No Turning Back e For The Glory em Campolide fica a saber que foi o vocalista de Nothing Done que o desenhou. Ah! Agora vou buscar o skate e saltar de cima do armário, dá-le mano! 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Review: Peacebreakers - Demo (2012)


Vindos de Boston, os Peacebreakers são um quarteto constituído por membros de bandas já tarimbadas na cena: The Boston Strangler, Waste Management e Social Circle são algumas bandas onde esta rapaziada toca ou tocou. Isto é hardcore básico como a gente gosta, ou seja, rápido, cru e directo, nada de novo é mesmo “back to the roots”. Sou suspeito mas a voz do vocalista faz mesmo lembrar a voz do John Brannon nos tempos áureos. Acho que não preciso de dizer a que banda é que este senhor pertence, pois quem é minimamente conhecedor do bom hardcore old school sabe de qual é que eu estou a falar...

Esta demo tape tem apenas três faixas em menos de quatro minutos o que para mim sabe a pouco. Gostava que tivesse mais uma ou outra música mas talvez se estejam a guardar para um novo registo. Vamos esperar, talvez daqui a uns tempos surja um 7” ou mesmo um LP. Enquanto isso eu aconselho a ouvirem mais um bom registo de Boston, para fãs de Negative Fx, Negative Approach e SSD.

Review por Miguel Pimentel

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tópico de Apreciação: Minor Threat

...porque não há nada como dissecar uma boa discografia. 



Eu sei que é um assunto sujeito a debate, mas eu faço parte do grupo de pessoas que acha que as três bandas de hardcore mais influentes foram os Black Flag, os Bad Brains e os Minor Threat. As razões são óbvias: os Black Flag abriram fronteiras para todas as outras bandas fazendo tours atrás de tours (em condições péssimas), criando assim uma rede de contactos sólida - em termos de bandas, editoras e salas. Isto sem mencionar a quantidade de miúdos que, inspirados por os verem, decidiram começar uma banda. Os Bad Brains... não creio que tenha havido nada igual a eles. Para além de não serem brancos (a clara maioria na cena hardcore da altura), tocava mais, melhor e mais rápido que qualquer outra banda. Em termos de sonoridade, eles são A banda de hardcore. Mesmo com o reggae pelo meio. Por fim, os Minor Threat, que introduziram o straightedge e carimbaram um enorme espírito DIY através da editora que fundaram (a Dischord...!). Creio que sem elas, o hardcore não seria como o conhecemos.

Os Minor Threat começaram em Washington em 1980, no seguimento do fim dos Teen Idles. Lançaram dois EPs em 1981, um LP em 1983 (depois de uma curta paragem) e um último EP em 1985, dois anos depois da banda ter acabado. O som é caracteristicamente rápido, cru e com letras pessoais sobre intervenção social - evoluindo progressivamente ao longo dos discos para uma visão mais pessoal sobre os acontecimentos à volta da banda. Uma das coisas engraçadas na discografica dos Minor Threat é dar para notar perfeitamente, de disco para disco, como a banda evoluiu. Ainda que não seja do meu gosto, isto explica perfeitamente o porquê do Ian ter querido (eventualmente de forma irreflectida) elevar a fasquia um pouco depois do fim da banda.

Minor Threat - Minor Threat (1981)

O primeiro EP tem de ser um dos melhores discos de hardcore alguma vez feitos. Não dá para igualar a quantidade raiva que sai pelas colunas ao longo das oito músicas. Não é musicalmente perfeito mas é rápido e vai directo assunto. Neste disco o Ian foca-se muito nos problemas sociais e na falta de vontade de querer fazer parte da "sociedade" que nos é imposta. Acima de tudo é um disco que questiona muitas coisas, desde a religião (na Filler), a tomar drogas para "fazer parte" (na Straightedge, que viria a inspirar o movimento), passando pela violência alcoolizada (na Bottle Violence) e a acabar numa das músicas que se tornaria num autêntico clássico e hino: a Minor Threat. Para mim essa música tem uma das melhores letras de sempre (sendo "Go to college, be a man, what's the fucking deal? It's not how old I am, it's how old I feel" uma das melhores partes). Este é o disco que mais transpira a essência da banda no seu estado primário - e que estado. É raiva adolescente no seu melhor.

Trivia: O punk na imagem da capa é o irmão do Ian, que era o vocalista de The Faith. Ah!

 Minor Theat - In My Eyes (1981)

Lançado também em 1981, este segundo EP da banda tem três originais e uma cover dos Monkees. A evolução do primeiro EP para este é algo notória, com as músicas a mostrarem uma composição menos básica. A primeira música, In My Eyes, é uma critica feroz às pessoas que se "rendem" à sociedade e se deixam levar pelos padrões impostos para se "fazer parte". A Out Of Step segue um pouco as pisadas da Straightedge e a Guilty Of Being White acabaria por ser tornar numa das músicas mais polémicas da banda, ainda que o seu significado se prenda em volta dos brancos serem uma minoria na escola onde o Ian andou - sendo o reflexo de algumas experiências pelas quais ele passou. Não ajudou à polémica que os Slayer tenham feito uma cover da música e trocado a letrar Guilty Of Being Right. A última malha é uma cover dos Monkees (uma banda de rock) que já tinha também sido gravada pelos Sex Pistols e viria a ser gravada pelos SOA para a compilação Flex Your Head, lançada pela Dischord. 

   Minor Threat - Out Of Step (1983)

Depois de uma pequena interrupção que viu a banda "acabar" durante cerca de um ano, os Minor Threat voltaram-se a juntar para gravar o primeiro e único LP. A diferença dos EPs para o LP é mais que notória, tanto em termos musicais, como líricos. As letras são mais maduras, mais introspectivas e largamente baseadas nas experiências vividas desde o começo da banda. As músicas são mais compridas e têm uma composição largamente superior às dos dois primeiros discos. É neste disco que se nota melhor a forma como a banda evoluiu (e para perceber a origem das bandas que eles viriam a forma depois do fim dos Minor Threat). A presença de melodias é mais constante e o Ian tenta cantar mais do que gritar. Curiosamente, apesar de preferir o primeiro disco a qualquer outro, a minha música preferida de Minor Threat está neste disco e chama-se Little Friend. Para mim, a segunda parte da música (a partir de meio) é das melhores coisas que já aconteceram no hardcore. Talvez seja a prova de que eles estavam destinados a voos mais altos.

Minor Threat - Salad Days (1985)

O último disco de Minor Threat (gravado antes da banda acabar, mas lançado apenas dois anos depois) marca já uma mudança no som, bastante distante dos dois primeiros EPs. Guitarra acústica, sinos e mais sei lá o quê. Não que seja mau, mas é diferente. Melódico e bonito com letras ainda mais introspectivas que no LP. O EP tem duas músicas originais e uma cover de Standells (da Good Guys Don't Wear White, bastante bem conseguida - diga-se). Eventualmente este será o disco deles que menos oiço, embora lhe passe facilmente os ouvidos em cima se estiver a ouvir a discografia completa. E porque não? Eles merecem.

domingo, 12 de agosto de 2012

Playlist da Semana #6

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


N.W.A. - Straight Outta Compton - Eu não curto assim buéda grupos de hip hop/rappers da Costa Oeste, confesso, mas há sempre espaço no meu coração para os N.W.A. e derivados. O meu preferido? O Eazy, claro. O verdeiro G, ai não. Anyway, não sei porquê mas um dia acordei com vontade de voltar a este disco e assim o foi. Passei por cima das duas primeiras e fui directo à Gangsta Gangsta, aquele beat bamboleante é que me mata.

V/A - Punk-O-Rama Vol. 2 - Esta semana teve aí bom Verão e bom Verão só pede uma coisa: punk rock! Claro que ter visto H2O ajudou bastante à festa. Esta compilação tem bons clássicos e é sempre aquela banda sonora ideal para dar um passeio ao sol. A minha preferida? Muda de dia para dia, mas vou dizer a Side Kick, dos Rancid.

Madball - Set If Off - Não sei se foi por causa do concerto ou não, mas no dia a seguir já estava a correr a discografia deles (até 2000, RIP), com algum ênfase posto no Set It Off. Eu sei que é assunto de debate e a resposta muda consoante os dias, mas este tem de ser o melhor disco deles. Pelo menos esta semana. Para a próxima se me perguntarem decerto que digo ou Look My Way. Ou o Demonstrating My Style. Ou o Hold It Down. Fazer o quê? SET IT OFF!

Madball - Ball Of Destruction - ...mas na realidade, o meu preferido é este. A versão que eu costumo ouvir é a do LP que tem o EP e as músicas ao vivo. Não dá para não amar. Rápido e duro que nem um filho da puta. É que é sempre a esgalhar. As cenas ao vivo têm bué graça também, lol.

Big L - Lifestylez Ov Da Poor And Dangerous - O meu rapper preferido, sem dúvida. Flow, rimas... tudo. Descansa em paz, L!





Icepick - Goldrush - Os holandeses, não aquela banda com o Jamey Jasta de Hatebreed. Yep, esta onda à Best Wishes de Cro-Mags anda a ser uma constante nos últimos tempos. Das melhores dicas que o Miguel me deu, quando lhe mostrei Inherit ou Iron To Gold falou-me nisto. "Epa, vai ouvir Icepick, se curtes essas bandas vais curtir isso de certeza!", e foi na mouche.

Avalanche - Thanatos - Desde que comecei a ouvir Black Sabbath como deve ser, cenas que vão lá roubar um bocado têm-me entrado com mais facilidade. Hardcore com influências stoner da Áustria (!!) Boa cena. As cenas europeias passam quase sempre ao lado da malta, mas isto tem selo de qualidade.

Dr. Dre - 2001 - Banda sonora para ir para a praia. É um beca azeite estar a ouvir a Still Dre e a imaginar o meu carro com suspensão hidráulica aos saltos, mas safoda, um gajo quer é ir apanhar sol nas ventas, com a camisola sem mangas e o bom calção de banho. Grandes clássicos neste disco.

WB Wolfpack - Demo - Wilkes-Barre parece que é o sítio das mil bandas. Malta de Title Fight, Gypsy, Disengage e United Youth a tocar aquele hardcore do costume, if you know what I mean. Curtia que cá desse para fazer uma cena destas, tipo agarrar em malta que sabe tocar umas coisas e fazer aqui umas trocas e baldrocas, e aparecerem uma data de bandas à toa.

Coeur De Pirate - Blonde - Miúda canadiana bem gira, voz doce e boas melodias, letras bonitas em francês. As versões acústicas dão cinquenta a zero.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Discos Trocados: The Snobs/The Promise

Todas as semanas o André e o Tiago trocam um disco e falam um pouco sobre o disco que lhes calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

André
The Snobs - Control EP (2001)

Pronto, agora é que está tudo lixado. Tipo, a My War é das minhas editoras de hardcore preferidas - pelo menos da minha geração. Disco bom atrás de disco bom e bem que os papei na altura. A cena fixe dos Snobs é que eram buéda putos quando fizeram este disco e o melhor é que isso nota-se perfeitamente. É capaz de ser dos discos mais porcos feitos na década passada: hardcore rápido completamente nas tintas para tudo e todos. Mal tocado, mal gravado, letras básicas e ainda assim absolutamente brilhante. Difícil de acreditar, certo? Errado. Duraram pouco tempo, mas este disco há-de ficar para a posteridade. Granda prop para a Sara, que mo ofereceu em vinil. One love!

Tiago
The Promise - My True Love (2001)

Eu sabia que tinha feito mal em dizer que o André só me mandava discos bons... a paga foi esta. Quer dizer, este disco não é mau, mas é um bocado chato. E se um EP com duas músicas se torna chato, ainda bem que o disco da semana não é o full length (que acho que já o ouvi em tempos). Hardcore da viragem de século, veio-me logo assim à cabeça Casey Jones, Comeback Kid e Champion. Não vale a pena dizer que Champion é muita bom e Comeback Kid só vale pelo primeiro disco e parte do segundo, certo? Tens que tens aqueles refrões com gang vocals (acho que é o nome técnico da coisa), e em que a letra da primeira faixa é toda do straight edge pride e a segunda, Crush All Fakes, acho que é auto-explicativa. Não sei se é por já se terem passado dez anos sobre o lançamento do disco, e o "género" cansou-me, mas não consigo achar grande piada. Depois desta banda surgiram mil iguais, e esta até terá sido das pioneiras (don't quote me on this!), mas nope, a voz não me entra e acho que vou ouvir Champion a seguir. Venha o próximo.

Review: Cruel Hand + H2O + Madball + 7 Seconds @ The Underworld (Londres)


LOL, isto foi a sério? Tipo uma semana antes a falar com o Rui na descontra combinamos ir lá picar o ponto (com a benesse que eu tenho lá no Underworld é mais ou menos só escolher quando quero ir). Como sabia que o Ema curtia Cruel Hand e não perderia a chance de ver Madball de novo, a coisa ficou combinada para as sete da tarde de segunda à saída da estação de Camden, ponto de encontro habitual. Bom, uns dias depois de combinar com o Rui vi algures na net que os Thicker Than Water eram os H2O a tocar com outro nome (motivos contratuais, diria eu) mas optei por não lhe dizer, sabendo que esta era uma das bandas preferidas dele. Os amigos servem para isto, certo? Curiosamente, faz nesta altura exactamente um ano que os vimos lá, num concerto que foi absolutamente memorável. Pena a chuvada antes, LOL! Mas isso é uma história para outro dia.

Bom, a fila estava grande para o pessoal entrar. Aparentemente H2O ia tocar primeiro e um gajo não os queria perder. Quem acabou por tocar primeiro foram os Cruel Hand, que eu nunca tinha ouvido e dificilmente voltarei a ouvir. "Ai André, que mente fechada, vê-se mesmo que estás velho..." Nope. Tipo, eu acredito que para pessoal novo de agora eles soem aos No Warning e aos Terror de há dez anos, mas eu sei melhor. Vê-se bem, um headbang, uns putos malucos no pit, uma maluqueira leve desgovernada...! Os gajos têm boa presença em palco (curti a coreografia na Rotations, houve ali estudo!) mas pá... primeiro não me ponham um metaleiro a tocar numa banda de hardcore que dá-me logo a volta ao estômago (se calhar é por ser fã de metal?!), depois não toquem sempre a mesma parte mosh em todas as músicas. Tirando isso, nota positiva, mas não aqui para o Andrécas, sorry guys!

Depois veio H2O, ou Thicker Than Water. Ora, eu já sabia que ia ser bom (não tão bom como o novo Batman, mas bom) e estava curioso para o que aí vinha. Sabia que dificilmente iriam superar o último concerto que vi deles, que foi BRUTAL. A sério, eu vejo H2O e, não querendo bater no ceguinho, percebo logo que há aí bandas de hardcore que não são, DEFINITIVAMENTE, bandas de hardcore. See what I mean? E nem vou dizer Defeater para não estar a dizer nomes, que é má onda. O concerto foi demais, stage dive, singalong, tudo a curtir um hardcore. O Toby é ganda sócio, sempre bem disposto, a mandar piadas, boa energia... the lot. Na Guilty By Association foi buscar o Freddy ao backstage para cantar aquela parte e foi tipo das melhores cenas. Mesmo das melhores, e isto tendo em conta que já devo ter visto mais de 500 concertos. LOL, será que já vi? Boa pergunta. Uma cena genial que eles fazem é colar o início de uma malha de Sabbath com uma música deles e resulta buéda bem. Das melhores bandas, sem dúvida.

Supostamente íamos jantar logo a seguir, mas o Toby disse "Maball up next" e um gajo teve de ficar lá, com a fomeca, à espera deles. Na boa. Madball foi engraçado, tipo... não é que ainda me "bata". Verdade seja dita, Madball é uma beca RIP a partir daquele EP que saiu a seguir ao Hold It Down (FACT!) e tipo, as músicas novas ao vivo não dão para mim. Faço o headbang e a cara de mau, mas não papo o grupo. Já nas antigas, história diferente: canto as letras e faços gestos ameaçadores. Tocaram muitas antigas? Nem por isso... Para aí uma de cada disco? Tirando o Hold It Down e o Ball of Destruction, que levaram duas de cada. Foi bacano. É sempre bacano, sou bué fã de Madball. Tive sorte de os ver pela primeira vez antes de eles começarem a fazer discos iguais, ufff! Ah, na Pride o Toby veio cá fora cantar com o Freddy - mais um momento alto. Bom, bom!!

Depois teve de ser, já estava a complicar demais o estômago e fomos jantar ao Woody Grill, que reabriu agora ao fim de buéda tempo fechado. Como foi? Pah, caga nisso, lol. Das melhores cenas. Então o gajo mete falafel, batatas fritas, vegetais e molho dentro de um wrap?! MAS TU TÁS PARVO? Foi mesmo de chegar ao fim bem a rebolar. Mas um rebolar confortável, claro. E barato, tipo 5 libras cada ou uma cena do género - com bebida. O Ema se calhar tinha batido mais molhanga no dele, aposto que para a próxima não se esquece. Woody Grill, aprovado pelo Nós Contra Eles. Se forem ao Underworld, já sabem!

Entretanto, cheios que nem porcos, fomos lá dentro ver o que é que o Kevin Seconds andava a fazer (man, este cartaz deixa-me burro - que categoria) e ainda vimos umas oito malhas - que nas minhas contas é o número certo. Tipo, eu vi-os em 2005 num sítio buéda estranho na Alemanha e curti bué. Era a memória que tinha. Depois vi-os em Lisboa agora da última vez e foi fracote (pelo menos em comparação) e então já sabia ao que ia. Foi ok. Oito malhas... ainda deu para ouvir as duas primeiras do The Crew.

Foi uma noite bem passada, como sempre é.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mais Que Música: More Than Fashion (DYS)

Que aconteceu a dar importância às letras das músicas? O hardcore não era sobre isso? Agora só se vê letras que não interessam à prima. Todas as segundas, fica aqui uma letra com significado que me tenha feito pensar no seu significado mais do que uma vez. Afinal de contas, o hardcore também é sobre isso mesmo: pensar.




More than the X's on my hand
More than being in a straightedge band
I see no good in my mind getting fucked
A needless vacuum, I won't be sucked
Straight Mind
Razor Edge
Firm footing on a social ledge
'A party's no fun if there's no brew'
I can only feel sorry for you
'Cause I've had a blast all my life
Never needed any puke-filled strife
Straight Mind
Razor Edge
Firm footing on a social ledge
It's a way of life that says I don't need
Hangovers, freak-outs or expensive weed
Rather buy a record any day
My mind is here, not far away
Straight Mind
Razor Edge
Firm footing on a social ledge

Há muita gente que recorre à letra do Ian e à cena de Washington como inspiração principal para ser straightedge, eu sempre preferi a cena de Boston. Mais dura, mais crua, mais directa ao assunto, se é que se pode pôr as coisas dessa forma. Agora, mais que nunca, esta letra faz todo o sentido. Já podia ter quebrado o edge tantas vezes para "pertencer" ou "fazer parte", mas nunca o fiz nem senti necessidade de o fazer. 

Claro, a julgar pelos comentários que oiço, se calhar estou a perder a diversão da minha vida. Se calhar acordar todo entalado de uma noite de copos é que é bacano. Se calhar encher os pulmões de esterco é das cenas mais fixes. Se calhar é tudo, mas não é a minha cena. Nada contra quem o faz, mas não é para mim. Nunca precisei de álcool, tabaco ou drogas para sentir que pertencia a alguma coisa e não creio que alguma vez o venha a fazer. Muitas pessoas me perguntam "porquê straightedge?" A resposta é simples: para além da imbecilidade óbvia que é fumar, não me quero sentir confortável num ambiente que é mais que propício ao abuso e onde sei que "mais uma" nunca vai fazer diferença - afinal, o pessoal quer todo é curtir. De novo, não critico quem faça, mas não é para mim. A linha entre o moderado e o abusado é ténue demais para eu me deixar levar na conversa.

Como diz na letra: ressacas, trips ou droga cara... Prefiro comprar discos. 

domingo, 5 de agosto de 2012

Playlist da Semana #5

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Waka Flocka Flame - Triple F Life: Fans, Friends & Family - Segundo disco dele, decidi sacar para ouvir. Pergunta: Que aconteceu aos beats pesados, às letras burras e aos shout outs constantes à Brick Squad? Assim já não gosto. Já parece os Yeah Yeah Yeahs a fazerem um primeiro disco brutal e a só lançarem merda a seguir. Ta que pariu este armanço em artista.

Kreyashawn - Go Hard (La.La.La) - É, mesmo aquele guilty pleasure fodido, lol. Comecei a curtir desta miúda à pala do Leo e da outra música que ela tinha. Entretanto engracei com ela (a sério, alguém me ofereça uma Kreyashawn com orelhas de Mickey no Natal - SO CUTE!) e fiquei de olho. Esta malha nova até que nem é má de todo, embora esteja longe de ser boa. Ouve-se bem. O clip (aqui, se estiverem curiosos) está bem fixe e deve ter sido realizado por ela, que é assim artista. Já lhe patrocinei umas boas views esta semana, e isso é tudo o que sei. Agora deixem-me ir fantasiar um pouco com as orelhas de Mickey. 

Panic - Panic - Por obra do diabo só tinha este disco em vinil. Esta semana resolvi mergulhar na minha pasta infindável de música por catalogar como deve ser e dar-lhe - finalmente - o privilégio de passar a residir no meu iTunes. Já não o ouvia há uns bons e não sei bem o que dizer - é hardcore como o hardcore deve ser? Ou é melhor ainda? Adoro Panic, mas só os dois primeiros EPs. As coisadas novas nunca ouvi com muita atenção. E a cover de Unbroken? É preciso falar dela? Faz a minha cabeça sentir-se como se fosse uma bola de baseball antes de levar a tacada do home run que vai dar a vitória à equipa da casa. Demasiado bom. Boston...

The Libertines - Self Titled - Ando calmamente a alimentar o meu recente (dois/três anos) interesse por rock da última década feito nesta ilha. Os Libertines foram assim uma das minhas últimas descobertas - e que descoberta! Eu não posso com o Doherty nem pintado de azul, mas isto é qualidade. Produção pouco polida e boas melodias dá sempre bom resultado! 

Lil' Kim - Hard Core - É, mais hardcore que muitas bandas de hardcore - LOL! Get it? Just kidding. É ganda disco. E a Lil' Kim é bem wild. Ao contrário da pirralha ali de cima, esta senhora sabe rimar e tem um flow bem... pesado! Auch! Junior MAFIA!

Suffocation - Pierced From Within - Eu não bebo café. Não, claro que não é por ser straightedge. É mesmo por não gostar do sabor, e sabe Deus (que não existe) como eu todos os anos tento provar para ver se já lhe ganhei gosto. Nada. Mas ya, Suffocation... Chega dizer que das coisas que mais desejo este ano é poder vê-los de novo com o Frank na voz? Há bandas que jogam numa liga delas próprias e os Suffocation... sim, adivinharam, são uma delas. Muito rancancan, muito ratatata. Basicamente: aquilo que a malta gosta. Porquê a referência ao café? Porque é isto que eu oiço quando acordo meio grogue para ir trabalhar, e não estou a gozar. Acordo logo. Oiçam a Breeding the Spawn com atenção e depois venham falar comigo, lol. Aquela parte ali meio no meio, meio no início... TU ÉS TOLO MOÇO! 


Death Side - Bet On The Possibility - Cristas de dois metros e riffs fodidos = Death Side! Esta semana andei a ouvir bandas mais antigas japonesas. Talvez por ter orientado um disco barato de Chainsaw, acho que estas coisas despoletam sempre em mim a vontade de voltar a ouvir bandas já meio esquecidas.
Death Side lembra-me uma viagem de carro para um show em Corroios há uns anitos atrás em que o Ricardo (vocalista de My Rules) meteu isto e Kuro a dar, na altura ainda pouca coisa nesta onda conhecia. Acho que íamos no carro do Peter, e a malta ia toda maluca com isto a bombar nas colunas. Vejam isto para ver como os japoneses conseguem pegar em bons penteados e triplicar o estilo dos norte-americanos.

GISM - Detestation - O Sakevi era um gajo passado dos cornos e era provavelmente o frontman mais temido do Japão. Um gajo que leva um mini lança chamas para um show e começa a mandar fogo para a primeira fila só para ver a malta a bazar da sala em pânico não pode bater bem. Mas porra, também show de GISM numa sala com cadeiras tipo cinema era mesmo a brincar com a vida...Isto para não falar dos outros episódios, entre ir a programa de tv malhar num gajo de outra banda, malhar no público ou alegadamente ter esfaqueado um zé que tinha uma t-shirt contrafeita da banda (videos aqui). Agora faz t-shirts fashion, ahah. Musicalmente é Japão, barulhento, gritaria, solos fodidos do Uchida. Punk é punk!

Mob Mentality - Demo '08 - Das maiores pérolas a terem passado ao lado da maioria do pessoal nos últimos anos. Malta de Desperate Measures e Lion of Judah com o guitarrista de Mindset na voz. O 7" estava para sair na Youngblood, mas como isso acabou por não acontecer saiu uma press bem limitada numa editora manholas. A descrição do disco pela editora tem a sua piada, "This is the best record of 2012 that was recorded in 2011", mas acho que esse troféu é mesmo para o LP de Boston Strangler. Esse até merece mais títulos: lp com maior atraso em relação à data de lançamento, editora mais preguiçosa, hype mais atrasado mental de 2012 e depois pronto, lugar no pódio de melhor disco do ano.

Cro-Mags - Best Wishes - Gotta kill, gotta fight, gotta crush Demoniac!

Beware - Won't Get The Best Of Me - Estás a ver Chain of Strenght? Mete os gajos com menos uns 20 e muitos anos em cima, de Filadélfia e tens estes bacanos. É cópia descarada, mas curto bué!!

Review: Vendetta + Ralph Macchio + Challenge + One Last Struggle @ Bar Novo da FLUL (Lisboa)


Miúdos novos a organizar concertos é sempre uma cena fixe.
Os Ralph Macchio e os Vendetta vinham até Portugal tocar o seu décimo show da tour, depois de passagens por vários países da Europa de Leste, tendo como ponto de partida o Fluff Fest.O dia já fazia prever uma casa sem muita gente, malta no Ressurection, malta de Lisboa a tocar no dia anterior em Barcelos, ou seja, parte do público "fiel" impossibilitado de poder comparecer. Mas se houve malta com tomates para orientar o concerto meio em cima da hora foram estes miúdos de One Last Struggle!

Fui ter com eles ainda antes do almoço, tinha dito que os ia ajudar a transportar as cenas para a sala e apoiar no que fosse necessário. Quando cheguei a cozinha parecia a de um restaurante: faziam-se sandes, o almoço e o jantar para as bandas. Atrasos à mistura, chegámos à sala ainda antes das três, montámos o "palco" e arrumámos as cenas todas. Três e meia apareceu a carrinha com os brasileiros (bem cansados, viagem directa de Barcelona para cá), descarregar material, montar as cenas, dar uns dedos de conversa. Hora prevista para o início do concerto (16h) praí três pessoas lá fora...a malta começa a fazer contas à vida.

Isto dos concertos nunca começarem a horas acaba por criar maus hábitos no público. Bem sei que é foda um gajo aparecer a horas e depois ficar uma/duas (três!) horas à espera que o concerto comece, mas quando se tem tudo pronto e não há público, acabam por ser eles a atrasar o show. Bom, ao menos deu para ainda vir a casa buscar um tapete (lição nº 1: levar tapetes para a bateria, ahaha) e garfos plásticos, e o Luz aproveitou para ir comprar mais águas.

No regresso já havia mais malta à porta. Já se viam semblantes menos carregados.
Já tinham chegado os Challenge, e aproveitei para vir cá para fora falar com o Edgar e o Fábio. Porra, granda valor que dou a esse míudo, de São João da Madeira para cá ver um show. A sério, se há malta que sente isto, este moço é um deles!

Já com cerca de trinta pessoas presentes (mais as das bandas), os One Last Struggle começaram a tocar. Segundo concerto da banda e primeira vez que os vi. É uma cena meio Have Heart, com partes youth crew e outras mais melódicas. Curti!
Os Challenge tentaram agitar um bocado a sala, mas nem as covers de Floorpunch nem de Ratos de Porão o conseguiram fazer. Aliás, acho que só mesmo nas covers da última banda a malta se agitou um bocado...

Os Ralph Macchio e os Vendetta deram bons concertos, agradecendo várias vezes tanto à organização, como falando da sua experiência com X-Acto, Day Of The Dead, e todos os amigos portugueses que os ajudaram e tem sido inspiração para eles. Por falar em X-Acto, para não variar, o momento alto da tarde foi mesmo a cover de Hope, em que (finalmente) a malta "pirou", com pile ons e tudo a cantar. Ainda houve lugar a covers de Nirvana, 7 Seconds, Gorilla Biscuits e Mouthpiece. Covers à parte (e foram bastantes), gostei bastante de Vendetta, bom som.

Show findado, ainda lá fiquei a jantar com a malta de Ralph Macchio, Vendetta, One Last Struggle e o Edgar de Challenge. Bom convívio, boas histórias da tour, boas risadas. Em conversa com o Edgar, mais uma vez falámos de algo que também sinto e que acho que já referi algumas vezes. Como ele diz, a cena em Lisboa é "estranha". Tens estes shows em que não só aparece pouca gente (por motivos diversos), mas em que o pessoal está meio apático, curte as músicas, até é capaz de as saber, mas fica ali parado a abanar a cabeça. Pa, e falo por mim quer dizer,  foram poucas as músicas em que descruzei os braços e fiz a coisa mexer, mas a malta às vezes está meio adormecida. É como ele me dizia, "às vezes tens shows nas Caldas em que basta eu dar um encontrão em dois miúdos e eles começam logo a moshar aí à maluca, aqui está tudo parado". Fica a dica.

Com trinta e tal pagantes, a rapaziada conseguiu pagar a sala e dar uma ajuda às bandas que vieram de fora. Pena ter estado pouco público, mas tenho a certeza que ninguém se arrependeu de nada, nem a organização, nem as bandas, nem o público presente. Mais uma vez, só dar os parabéns a quem se meteu nisto, é preciso ter tomates para fazer as coisas acontecer.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Cinco Às Quintas: Bruno Boavida (Lifedeceiver)

Esta é uma rubrica em que colocaremos todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda.


Depois de um período de hiatus, os Lifedeceiver estão de volta, com lineup renovado e já com shows marcados. Fiz umas perguntas ao Bruno, guitarrista, sobre a banda, a Ruins Records e como é que ele vê a cena nacional.

Bruno, depois da saída do Michael, antigo vocalista da banda para o estrangeiro os Lifedeceiver estiveram ali um bocadinho no limbo. Fala-nos um pouco do novo lineup, do regresso à actividade e aos palcos e o que é que tens planeado para o futuro próximo da banda.


Eu não diria que estivemos no limbo, estivemos foi a estudar todas as hipóteses calmamente para decidir qual o melhor rumo para banda sem nunca termos ponderado acabar a banda. O novo line up só tem novidades no baixo e na voz. No baixo está o Jay (Utopium / Revengeance) e em relação à voz vão ter de esperar até dia 15 de Setembro para descobrirem quem é o novo frontman mas posso adiantar que é do Norte. Em relação aos planos, decidimos apostar mais na composição e passar a tocar ao vivo menos vezes mas no entanto lançar mais discos. Tal como já anunciámos ainda este ano vai sair o nosso primeiro disco de longa duração.

Os Lifedeceiver distinguem-se de grande parte das bandas pelo seu som diferente, o que faz com que haja tanto malta do metal, como do hardcore ou do crust a gostar do que vocês apresentam. Estas mudanças no lineup vão trazer novas influências para a sonoridade da banda ou podemos esperar algo na linha do que já tinha vindo sendo feito?

Influências novas surgem todos os dias uma vez que somos 4 e ouvimos todos bandas e estilos diferentes uns dos outros apesar de termos gostos em comum. Acho que finalmente conseguimos fazer o nosso próprio som e fazer algo com continuidade a partir do que sempre fizemos.
O nosso método de composição é algo que surge naturalmente e quando isso acontece numa banda é bom sinal. É sinal de que te identificas com os teus colegas de banda e que estão em sintonia.

Sei que estás ligado à Ruins Records, uma editora nova de Vila do Conde. Pelo que tenho acompanhado, está previsto o lançamento do ep de A Thousand Words em vinil bem como (cheira-me) algo com os Revengeance. Que editora é esta e como é que foste lá parar?

A Ruins Records é uma editora 100 % DIY composta por três amigos com uma base temática e onde só lançamos Vynil. Fui parar a trabalhar à Ruins visto ser amigo de um dos CEO's da editora à algum tempo. Não posso adiantar grande coisa pois a minha função prende-se na promoção e no booking das bandas com que trabalhamos.
Mas temos tido um bom feedback e bastante pessoal a incentivar-nos a fazer cada vez mais coisas.

Ainda bem, é sempre fixe ver editoras a aparecer e a não só lançar discos como a tentar ajudar as bandas a encontrar shows e a promoverem o seu trabalho.
Falando um bocadinho da realidade nacional, como é que vês a cena em termos de bandas, concertos e ambiente entre o pessoal? Ainda há alguma banda que puxe por ti e te faça sair de casa e ir lá gritar para a frente do palco?


Na minha opinião, o ambiente anda meio estranho. Pelo menos já não me sinto em 'casa' como me sentia à 3/4 anos atrás. Dos concertos que tenho ido noto que há sempre 100 pessoas no mínimo nos shows e isso é fixe! Quanto à cena propriamente dita, acho que fazem faltas mais bandas, o pessoal hoje em dia desiste facilmente das cenas. Pelas minhas contas, nos ultimos anos só me lembro de 4 ou 5 bandas q tenham aparecido e continuado a lutar por mais shows e lançamentos. Claro que ainda há bandas que me fazem perder a cabeça e ir lá pra frente ou para o meio, ahah. Se bem que é um misto, porque são bandas de amigos como A Thousand Words ou Local Trap. A nível internacional, claro, há imensas que até me arrepiam o pêlo mais escondido, eheh. 

Realmente é bem fixe ver que tem aparecido malta nos shows com bandas menos conhecidas. Podiam (e deviam) ser era bem mais, mas isso são outras vidas...Para terminar, conta-nos como é que chegaste ao hardcore e ao punk, um bocadinho o teu percurso até vires parar a este meio, alguma história que curtisses partilhar... 

Eu felizmente tive a sorte de começar a ouvir punk/hardcore e a relacionar-me com pessoas do meio relativamente cedo. Na cidade de onde sou natural (Vila Franca de Xira) havia um grande circulo de death metal e subgéneros do metal mais extremos e foi por aí que comecei. Tinha eu nove ou dez anos e veio a Vila Franca de Xira Ratos de Porão, Omited Gr e mais uma banda local (Vortex Core). Pedi ao meu pai para ir ao concerto e ele obviamente disse que não. Como eu me dava com pessoal mais velho, houve um vizinho meu que se disponibilizou a responsabilizar-se por mim e pela aquisição do bilhete e lá fui eu. Man, não tens noção... nunca vi tanto punk junto! Eram na boa uns 500/600 e eu fiquei aterrorizado com aquelas figuras. Não fazia a minima ideia para o que ia. Não vi a primeira banda, mas quando Omited começou a tocar senti ali uma cena estranha e agradável ao mesmo tempo. Depois Ratos foi a destruição, e adorei a rapidez e agressivade dos temas.

Escusado será dizer que eu não conhecia nenhuma das bandas mas adorei. Passado pouco tempo esse meu colega faleceu e eu fiquei com uma colecção de discos e CDs dele e ainda os guardo religiosamente. CDs de Napalm Death, Poison Idea, Darkthrone, cenas mais metal! Na altura eu não tinha net, então o meu hobbie era pôr os discos a tocar e ler os booklets para ver as bandas que vinham nos agradecimentos. Foi então que num CD de Crowbar vi-os a agradecer à DMS, Madball, Hatebreed, Agnostic Front... Passado uns dias fui à loja de discos local (que já não existe) e mostrei uma lista de bandas que tinha apontado e perguntei se tinham algum desses títulos. Só tinham o Hold it Down! Comprei-o e amei-o assim que começa a segunda faixa.

Ao lado dessa loja tinha aberto uma loja de skate e streetwear e um dia entro na loja pra comprar um par daqueles ténis bem matrecos da OSIRIS que pesavam mais do que um martelo e o que é que está a dar? Madball! Meti logo conversa, e os dois donos da loja (big up Gibson e Uhgo) acharam piada ao facto de um gajo tão novo ja ouvir aquelas bandas. Disseram para eu passar na loja no dia seguinte que me iam emprestar umas cassetes e uns CDs para ver se eu curtia. Trouxeram-me Sannyasin, Hatebreed, Bullies, Pointing Finger, Indecision e mais umas cenas que não me lembro. Com o fascínio da idade obviamente que adorei tudo, e ouvi tudo tantas vezes sem conta que acabei por ficar com as cenas. Depois chegou a altura dos concertos... eles tinham carta mas não tinham carro e eu mesmo à puto disse: "Venham à minha casa, eu peço o carro à minha mãe e vamos ao concerto mas... têm de me levar!" Obviamente que a conversa com a minha mãe levou na boa umas duas horas mas lá fomos.

Era um show em Campolide com Born From Pain e Zero Mentality. Houve mocada no concerto e esse pessoal que foi comigo até andou a jogar à bola com os BFP. Eu andava para lá de um lado para o outro sem saber para onde me virar, mas adorei o concerto! A partir daí foi só ir a mais concertos e concertos, meter conversa com este e com aquele e cá estou hoje! Algum pessoal fica reticente quando conto a minha história visto ter "começado" tão novo, mas como disse, fui um privilegiado. AH! Lembrei-me agora também de um show em 2006 (?) de Shattered Realm em Cacilhas. Ainda nem metade dos que hoje em dia veneram o beatdown sabiam o que isso era... Eu estava lá e digo-te man... dos concertos mais violentos que já vi! Na semana anterior tinha sido aquele show de MTAT com For The Glory no Lua e se eu tinha achado For The Glory violento naquele dia então não estava mesmo à espera do que vinha em Shattered Realm.

Para acabar com os 'props' da praxe, um grande obrigado e abraço para Local Trap, A Thousand Words, Revengeance, Utopium, Challenge, Burning Man, os meus buddies da Ruins e Lifedeceiver e um grande abraço para ti e para o André (que também me abriu os olhos musicalmente e pessoalmente - lembro-me agora de que em 2007 passei uma semana em casa dele e quase que me vim só de olhar para os discos todos dele da h8000, ahah).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Discos Trocados: Striking Distance/Knock Down

Todas as semanas o André e o Tiago trocam um disco e falam um pouco sobre o disco que lhes calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

André 
Striking Distance - March To Your Grave (2001)

Mesmo aquele disco viagem no tempo, embora confesse que nunca o tivesse ouvido antes. Este é exactamente o tipo de hardcore que não me convence. É assim muito Sick Of It Allado se é que isso faz sentido?! Não é muito melódico nem muito pesado, é bem dispostinho e tem muito singalong. Eu se tiver melodia e não forem os Descendents ou os Gorilla Biscuits já se sabe que dá estrilho. A viagem no tempo foi porque eu tenho a certeza que estes manos tocaram num dos primeiros Ieper Fests a que fui e havia bué pessoal excitado para os ver. Se calhar estou a ser duro demais? Lembrem-me de não ouvir Rattus antes de escrever o Discos Trocados.

Ps: Por acaso até estou a curtir algumas malhas, mas um LP disto parece-me tempo a mais e o baterista já comia uns bifes.

Tiago
Knock Down - S/T (2001)


Poh, assim não vale André, só me mandas discos bons, ahah. Sete faixas em menos de 6 minutos é logo aquele amor. Porque é que cá não se fazem bandas assim? Porquê? Isto é música para andar à estalada e a varrer corpos de uma ponta à outra da sala. O chico que canta nisto formou Violent Minds, o que já deve dar para teres uma referência. Agora que penso nisso, faz todo o sentido ter sido o disco que o André me enviou esta semana, tendo em conta a sua paixão por Violent Minds... hey, quem sou eu para refilar?
A Youngblood é boa editora, dêem uma olhada ao catálogo. Assim mais recente, escutem No Tolerance. Há interessados em ir a Barcelona ver os tipos em Outubro, com Give?