segunda-feira, 20 de maio de 2013

Playlist da Semana #39

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho. Um dia depois do habitual, gostosa como sempre.


Poison The Well - The Opposite Of December - Sabes aquela sensação de não ouvir um disco praí há uns dez anos? Provavelmente não, mas é uma sensação brutal. Ando aí numas arrumações de MP3 para disco externo e tal (eu sofro de OCD, não julguem) e decidi repetir alguns discos que não ouvia há buéda anos. Heaven Shall Burn não deu e The Locust ouviu-se bem mas foi Poison The Well que bateu mesmo. Este disco é BRUTAL. Na altura o pessoal era todo maluquinho por este disco, ahah. Adoro. O Atum, o Satan Com Natas, a Artoca, o Lackaday, o Super. Bom shout! Quando é o próximo concerto nas garagens mesmo? But I digress, acho que ouvi este disco umas vinte vezes esta semana e não estou a exagerar. Só ontem foram umas seis.

Crass - The Feeding Of The 5000 - É como eu disse naquele post no Facebook: Crass dá-me mais vontade de dar socos em paredes que muitas bandas de hardcore. Se calhar é porque as letras apertam mesmo no nervo que me faz ser do hardcore em primeiro lugar. Conformados e calados? Não dá para mim. Carreira, carro, hipoteca, ser homem de família, acreditar em deus, férias no Algarve, reforma, morte. Tá bacano ó maluco, fica lá com isso e com a merda toda que vem acoplada que eu vou vivendo a minha vida por mim. Já agora, fica aqui esta espécie de documentário sobre eles para quem se interessar: http://www.youtube.com/watch?v=5LQ1CvwF7BQ

Man Or Astro-Man? - Intravenous Television Continuum - Surf rock misturado com punk rock só pode dar bom resultado, né? Não seja por isso. Eu e surf rock? Culpo o Pulp Fiction. A cena é que Londres e surf rock é aquela cena, lol!... Não, mas quando eu viver na Costa Rica ou no Brasil logo represento como deve ser. Bom chapéu, bom calção branco, Vans sem meias e um polo preto a combinar com os Wayfarer - é porque não sabes. Este disco? Bom demais. Aliás, Man Or Astro-Man? é bom demais de qualquer das formas.

NoFX - So Long And Thanks For All The Shoes - É verdade, cheguei aos trinta e continuo a não curtir de NoFx. Não sei, não perguntem. Não sei se é a voz do Miguel Gordo ou aquele melódico irritante mas há qualquer coisa que não bate. Fun fact: comprei este CD em Madrid, no El Corte Inglés, no ano em que saiu - 1997. Foi tipo uma viagem de estudo no 10º ano. Granda clássico essas viagens, dêem-me o Prado ou o Reina Sofía a qualquer dia da semana - Barcelona é demasiado overrated. Anyway, como eu sou bué open minded, digam-me qual é o disco de NoFX com sonoridade mais próxima a este para eu botar ouvido.

Red Aunts - Ghetto Blaster - Mas achas que ouvi muito punk rock esta semana? E o tempo nem esteve muito (nada) quente. Diria mesmo que arrefeceu bastante ali quarta-feira à noite. Eu sou muito fã de Red Aunts. Muito, muito fã de Red Aunts. Miúdas com instrumentos, um par de bolas e atitude que transborda? My friend, sign me up! Há bandas desta onda em Portugal? Devia. Mandava reservar já a frente do palco. Melhor, deixava logo de ser straightedge. Ia representar com a boa lata de Red Stripe para o meio do pit. Isso e o cortezinho no meio da testa feito com x-acto, só para dar aquela paleta. Eu não brinco aos fãs, é 100% real e a doer.


Poder Absoluto - Demo 2013 - Lembram-se da entrevista ao Fácil-E de Altercado Espiritual? Ele falava da outra banda que tinha e da demo que estava para sair. A demo esgotou num abrir e fechar de olhos e, meses depois, recebo um email dele a dizer que malta de Disapproval tem uma editora nova na Califórnia e que ia lançar uma press americana da demo. Fui checkar o post na Bridge 9 e das cinquenta cópias feitas já sobrava menos de um punhado. Não sou bruxo, mas cheira-me que os mexicanos se devem ter fritado todos: hardcore à Boston cantado em espanhol? Orale, maricon! 

Bad Seed - Demo 2008- Isto era aquela banda pesadona dos miúdos de Title Fight quando ainda eram mais putos. Porque é que acabaram? Parece que houve stress entre o Saba e o Rifkin (entrevista). Essa banda teve mega hype (chegaram a fazer bootlegs da demo tape!!!), mas entretanto a moda sumiu rápido e logo vieram Title Fight, Harm's Way e essas bandas todas para onde os gajos foram tocar aproveitar as luzes da ribalta. 

Violent Reaction - City Streets - Ok, Violent Reaction lançaram das melhores demos de 2011 e o 7" subsequente, lançado o ano passado vai (pelo menos) na terceira press. Numa editora europeia!! Esta é a banda a solo do Tom de The Flex/Sectarian Violence, e este disco é uma chapadona do camandro. Misturado na Paincave e lançado pela Painkiller já sabes o que a casa gasta. A VxR Stomp tem roubo descarado da The Few, The Proud de Negative FX, e só por isso adoro este disco. Sou um gajo que se contenta com as coisas simples da vida. 

Obstruct - No Life - O ano passado saiu a demo destes bacanos de Yorkshire, no Reino Unido. Mais uma daquela vaga nova do UKHC como deve de ser, sem ser aquelas merdas da Purgartory do melódicozinho e do metalcorezinho e do resto dos "zinhos". Claro que um gajo sabe que os ingleses papam tudo o que sai da América, mas é fixe ver que ainda há quem vá lá roubar sem soar demasiado cliché. Early Boston é a minha cena, pelo que nem vale estar aqui com merdas, ficas já a saber ao que vens. Novo disco lançado na nova editora do Max Mitchell da Back On The Bins/It's Just A Phase! Fanzine, que têm sido as minhas companhias literárias e de galhofa.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Review: Daydream + Just For Being + Challenge + Stevenseagal + OLS @ C.R.A., Lisboa


Fui ao show sem conhecer as bandas estrangeiras, disseram-me que Daydream era 90's, Earth Crisis/Outspoken/etc e que os Just For Being era punk rock fixe. Tinha o bilhete da Gamebox do Sporting mas depois da miséria desta época nem lá fui dar o assob..beijinho de adeus aqueles malandros. Saí do almoço de familia para casa, para pegar na caixa da distro para levar e ver se vendia mais uma ou outra coisa. Cheguei lá às 4 e pouco e ainda estava tudo bagunçado. Concertos a começar a horas? Já o Jim Diamond dizia...I should have known better. Deu para meter a conversa em dia, que é sem dúvida das melhores partes de ir a um concerto. Ver a malta que só vês nos shows e falar de tudo aquilo que não falas ou que te esqueceste de falar na Internet. Vida real: 1. Facebook: 0.

Dando o fast forward para as cinco e tal, One Last Struggle tocaram um dos sets mais coesos que já tinha visto deles. Até com o som meio manhoso que vinha das colunas pareceu-me uma banda mais forte do que das anteriores vezes que os tinha visto. Numa cena onde bandas como Verse e Have Heart (depois da demo) parecem ser idolatradas é uma banda que tem espaço para crescer, e este pareceu-me um bom ponto de partida para uma banda mais sólida, e menos verde.

Já não via Stevenseagal há uns tempos valentes. O som da banda, a lembrar-me Zootic aqui e ali, com as frases gritadas ao microfone, é aquele mais díficil de agradar a gregos e troianos. Não me cabe a mim enfiá-los num frasco e catalogá-los como sendo isto ou aquilo, mas quem conhece a banda certamente compreende o que quero dizer. Ainda assim, das poucas bandas que ainda procuram transmitir algo com a sua música, nos espaços entre faixas e nas covers que tocam. A Glue de SSD que pôs o Bruno das Caldas feito touro enraivecido foi o ponto alto do set.

Dizer que o show de Challenge foi a mil à hora é dizer pouco. Não sei se propositado ou não (quem estou eu a querer enganar, claro que foi por causa da hora já tardia e do Benfica às 8.30), mas o set passou a voar, a começar logo com a Clobberin Time de SOIA, que costuma aparecer praí a 3/4 do concerto. Tocaram alguns dos êxitos de toda uma carreira, o puto Ivo a cantar mais uma vez numa delas, ele que já é figura sempre presente nas viagens da banda, e fecharam com Floorpunch. O público estava todo mega parado. Até nas covers foi bem mais sossegado que é costume, até para um show em Lisboa! "Público das palminhas"...por aí.

Just For Being não vi. No final do concerto de Challenge fui até ao bar e estava a dar o grande Sporting. 0-0 contra o Olhanense num jogo em que era preciso ganhar e rezar três avé marias a ver se ainda chegávamos ao quinto lugar colou-me ao ecrã. Não que a qualidade futebolística fosse muita, como tem sido habitual esta época, mas acabei por ficar até ao apito final. A um par de minutos do final o Estoril marca e caga nisso, nem ao quinto lugar chegamos. Claro que acho que perdi um espectáculo bem melhor dentro da sala do que o que vi na televisão. Cover de H20 para fechar, ainda vi um ou dois largarem a bola para irem a correr verificar.

Daydream foi fixe, o som estava muita manhoso, o vocalista acho que fodeu um dedo a meio do concerto, o Tofu depois disse-me que meteram foto na net do gajo com pulseirinha no hospital e tudo (não me perguntem é como aconteceu...), e lá foram desfilando um hardcore pesado, muito noventas, com cover de Inside Out e de Judge (da Like You) a fechar o set. Desfizeram-se em obrigados a quem os veio ver, aos amigos de longa data, aqueles que fizeram com que as datas em Portugal fossem possíveis e tudo o mais. Pareceu malta fixe. Mas já passavam dois ou três minutos do início do Benfica, e a malta do CRA lá pode parar de abrir e fechar a porta da sala do show a ver se já tinha acabado, e pôde finalmente dar descanso aos ouvidos e começar a distribuir birra e petiscos à malta ali das redondezas que já enchia o bar. Do jogo da passarada só vi a segunda parte em casa de um amigo, e abstenho-me de fazer comentários.

Parece que o checos acabaram a noite em casa do Luis Luz a comer bolo, por isso devem ter seguido viagem para o Porto contentinhos e de barriga cheia. Foi uma tarde de concertos interessante, pena a ideia idiota do Clube Recreativo dos Anjos de, A MEIO DO CONCERTO (muitos dos que tinham entrado nem se aperceberam disto), começar a impedir a entrada a quem quisésse ir ao show a não ser que se fizéssem sócios do clube e pagassem a quota mensal (1€). Rídiculo? Claro que sim! Nem é pelo valor de um euro, é pela atitude do clube. Só têm é a perder com estas merdas...

domingo, 12 de maio de 2013

Playlist da Semana #38

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Bad Religion - The Process Of Belief - Não sei se foi por termos tido aí uns dias de Verão brutais, mas aquele gostinho pelo melódico veio à boca (assim ao fim do dia, quando só anoitece às nove da noite) e eu não resisti a adicionar este disco à playlist. Bad Religion normalmente não engana muito, é produto de qualidade. Com este disco é tiro e queda que volta e meia estou a cantar as músicas todas, mesmo que não dê conta disso. Nota mental: não voltar a ouvir no trabalho com fones. Ups!

Born From Pain - In Love With The End - Non-related, mas a primeira vez que vi Born From Pain foi na Kasa Okupada. What? Isso mesmo, na Kasa Okupada. Foi bem fixe por acaso. No outro dia ia muito bem na rua e veio-me o refrão da New Hate à cabeça, nem sei bem porquê (se calhar porque o Verão passou a Outono em dois dias). Colei logo de novo em Born From Pain. Este disco é o último que conheço deles e até curto moderadamente. É aquele hardcore que não é hardcore e metal que não é metal, mas também não é metalcore. Oh well... há-de ser qualquer coisa.

The Stooges - Raw Power - É, quem sobrevive a este disco quando tocado à noite? Muito perigoso. Eu não sobrevivo, morro sempre umas cinquenta vezes. Claro que se a companhia for boa então ainda é pior. Daqui sobe-se para Doors e de Doors para Pink Floyd - assim decerto que a noite só acaba de manhã, com um ida ao ginásio no dia seguinte completamente fora dos planos. É 1969, baby.

Slapshot - Sudden Death Overtime - Alguém meteu um link para um set de Slapshot em Boston aqui há dias e pá, não resisti, vi tudo de enfiada. Eu ADORO Slapshot, e não é só por ser straightedge. Que bandão. Há fãs de Slapshot na casa? Mandem shout. Este disco é mais lento e pesado que os anteriores, mas mesmo assim é um granda estoiro de sabor. Eu sei bem o que fazia se os visse ao vivo assim numa sala não muito grande. Sei sim senhor.

Breakdown - Battle Hymns For An Angry Planet - Este disco merecia mais atenção da parte do pessoal que curte o som que agora se faz por aí, muito parecido a isto. Claro que Breakdown é Breakdown e esquece lá partes mosh. Isto é mocada do início ao fim, sem tempo para respirar no meio. E daquela vez que os vi na Holanda com For The Glory e All Out War? Nem me falem nisso, que público de merda. Odeio públicos de merda.


Gut Instinct - 1989-1992 Discography - Abençoada internet por me fazeres encontrares coisas tão fixes. Banda de Baltimore dos anos atrás referidos, que toca granda NYHC na onda de Raw Deal ou Killing Time. Fui dar aos gajos graças a esta foto que o tipo da Drug Dogs zine colocou no seu blog. Ficaram com aquele "what the fuck" na cabeça? É porque ver dois blacks a pausar debaixo de uma bandeira nazi é uma cena completamente normal...Armem-se em Indiana Jones e vão ao google à procura da história (dica: fórum da Livewire). O tipo da Drug Dogs anda a fazer um abcedário do hardcore e têm aparecido coisas fixes, como a foto do Freddie Madball a cantar com Agnostic Front com 7 anos, vão checkando. 

Mob Mentality - Demo - A melhor review possível a este disco foi dada por este puto polaco, quando os Give andaram a fazer a tour europeia no ano passado. "Great band, chain on the neck, camo pants, mosh!". Edição merdosa (e limitadíssima) da demo em 7" por uma editora chamada Trash King (lol) chegou-me às mãos esta semana, um ano e tal depois do lançamento. Óbvio que dei aquele sorriso parvo, sozinho no quarto, e fui ouvir isto em repeat. 

Manilla Road - Crystal Logic - Estes manos foram tocar a Barroselas. Eu não sou nada metalhead mas fui dar o checkerout, e isto é aquele heavy metal épico para caçar dragões que curto bué. Lost in Necropoliiiiiiiiiiiiiis! Ai não, a voz do gajo é mesmo bacana, mesmo do feiticeiro demoníaco a rogar pragas ao Rei Artur e a esses bacanos todos. 

Semper Eadem - Demo 2013 - O Steve e o Pat de 86 Mentality têm uma banda nova, e dizer que estou excitado é dizer pouco. Não sei se foram os ensaios para o reunion que deram aquele click, o que é certo é que estão com este two-man project pronto para andar para a frente. Vai buscar a bota de biqueira de aço!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Review: Comeback Kid + Reality Slap + Death Will Come + Northern Blue @ Rep. Música, Lisboa


Saí de casa eram umas 3 e tal da tarde, ia ter com o puto Bruno para dar uma olhada na Feira das Almas, sendo que estávamos ambos ainda indecisos quanto à ida ou não ao concerto à noite. Soube dessa feira graças ao Frodo que tinha metido um post no facebook, e assim mudei os planos para a tarde, em vez de ir para casa do Bruno jogar Xbox sempre fomos apanhar solinho.

A dita feira fica ali nos Anjos, num spot que é um granda abuso e onde se faziam umas festas/shows bem à maneira, havendo possibilidade. Vendia-se de tudo, de roupa modificada, a joalharia, prints, artesanato em vinil e discos de vinil...boa colecção de heavy metal, mas estar a largar pelo menos 15€ por reedições todas comidas foi mesmo no can do.Estava lá o André a vender umas coisas, e ainda trocámos dois dedos de conversa. Para além de estar BUÉ malta no espaço (e MUITA miúda gira), o sítio era mesmo fixe, com um barzito noutra sala mais escondida. Quando bazámos parámos no RDA, onde um tipo brasileiro começou a conversar connosco e acabou por nos levar a conhecer o espaço, enquanto falava da vida em Portugal e fumava maconha. Depois chegou outro amigo que fez basicamente o mesmo. No regresso à Alameda passámos num supermercado indiano mesmo fixe: "tudo a 1 euro". Dois chocolates Crunchie? 1€. Garrafa de 1,5l de Fanta de Uva? "Pode ser um euro também". O tipo já queria que levásse-mos a loja toda, mas só lhe demos a ganhar dois euritos...

Bom, no regresso ligo ao Machado para conferir horários e preços. 15 euros. O puto foldou. Fomos comer ao já habitual kebab na Morais Soares e bazei para o metro, sozinho, direito a Alvalade. Mal saio da estação estão umas canadianas que aproveitam a boleia até ao show. Engraçadas, mas daquelas que o melhor era pedir BI primeiro que isto já se tem idade para se ter juízo.

Bastante malta à porta, fixe encontrar o João de Shitmouth ali, parece que houve mini-excursão do Porto para o show. A seguir, report de Istambul pelo Leo e mais uma conversinha com quem por ali se encontrava. Passado um bocado iam começar os Northern Blue e entrei para o fogãozinho. Sim, que ia-se suar muito durante o resto da noite...

Já tinha visto a banda duas ou três vezes, não é o meu tipo de som, mas é inegável que eles tocam que se farta. O Raykar ia falando um pouco com o público entre as faixas, um bocado a dar lições sem querer ser professor do que quer que seja. Espero que alguma coisa tenha entrado. A música não é propriamente a mais dançável, por isso a malta estava um bocadinho apática, com um headbang meio receoso de alguma miudagem.

Death Will Come eram os seguintes no cartaz. Nunca tinha apanhado a banda ao vivo, e para ser sincero pouco conhecia, no entanto, do que tinha visto (fotografias) e ouvido (tocavam cover de Beastie Boys) estava à espera de uma cena porreira. A formação está diferente, nem que seja porque vi o Jofy na voz e sabia que ele tocava guitarra (?),  mas pela conversa parece que houve malta a emigrar e foi necessário uma remodelação na casa. Agora o que me chateou profundamente foi a apatia do público. Música para mosharem, para andarem ali aos pinotes e...nada! Cover de X-Acto, "Uma Só Voz", e estão oito macacos a cantar e o resto a olhar para o boneco. Epa...ninguém é obrigado a conhecer ou a gostar de X-Acto (quer dizer...), mas fez-me uma confusão do caraças. Com direito a mega cratera em frente ao palco e tudo. O Jofy bem tentou meter a malta à cacetada, foi para o meio do público em algumas das faixas a ver se agitava as águas mas nada, tudo sossegado.

Já estava a contar com um filme parecido em Reality Slap, mas vá lá, aqueceu um bocado, ainda que não tanto como o tamanho da sala e o mar de gente que a ia compondo poderia fazer esperar. O concerto foi ok. O som estava meio marado, cheio de ecos na voz, mas a sala também nunca foi conhecida pela sua superior qualidade sonora...Ah, e Leo a moshar = tudo a afastar.

Bom, mas a sala apinhada esperava era pelos Comeback Kid. Eu tinha colado na banda na altura do primeiro disco, não fui ao show deles na altura (e tinha-me acabado de mudar para bem perto da sala, em Campolide) e após o segundo disco desliguei. Não fui dar o estudo prévio, e durante o set reconheci praí três ou quatro malhas, mas isso não me impediu de me divertir que se farta. Desde já, as minhas mais sinceras desculpas às cabeças que me serviram de passadeira, mas quando o Calisto me eleva bem no meio do pessoal a pés juntos, ou caía no chão ou caminhava sobre vós...eu sei que vocês curtiram, "é hardcore". O vocalista era meio pãozinho sem sal, lá ia agradecendo e dizendo que estavam bué expectantes com o show em Portugal, mas não era muito sorridente, e a voz do gajo também estava meio sumida. A malta tuga é que estava toda craize, mil dives (afinal ainda os há!!), dives das colunas, dives dos artistas do costume mesmo da patada na face, lá para trás acho que havia mocada que fervia também. Tudo a cantar, tudo espremido contra o palco e as grades laterais, tudo a suar (nem cheguei a tirar a longsleeve, valeu por umas horitas na sauna...), tudo de sorriso na cara. Por falar em suar, props para o Machado que ia de camisola de malha. Deve ter faltado ao treino, foi para ali destilar.

Uma noite que valeu bem a pena, pena não ter tido muito tempo para ficar lá a conversar, mas estava de transportes e já se ia fazendo tarde. Parabéns à Xuxa pela organização e a toda a malta que fez a festa. Que a façam sempre que forem a concertos, sejam grandes ou pequenos (já agora que apareçam nos pequenos né?).

domingo, 5 de maio de 2013

Playlist da Semana #37

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


CREEM - Curator - Novo disco de uma das melhores bandas que aí andam. Este disco (que já leakou) vai ter o lançamento a coincidir com a tour europeia este Verão. Se puderem vão ver, eu se pudésse estava lá caídinho. A tour conta ainda com Nuclear Spring a abrir, que só fui escutar no outro dia e também é fixe. Como sou um falido vou ficar aqui roído em frente ao monitor à espera que pinguem uns vídeozitos. Este 7" tem só quatro malhas, mas já vem sendo hábito estes lançamentos para abrir o apetite, eu papar e ainda ficar com fominha. O Reggie, baixista de Backtrack toca aqui, mas o som não tem nada a ver. Só um pequeno aparte para dizer que sou um gajo informado. 

Sportswear - Tudo (ou quase tudo) - Vamos ser sérios. Se ouvires e tentares criar uma imagem mental da banda o mais certo é imaginares alemães grandões com calças de fato de treino, ténis da Nike e com t-shirts bué cruciais. Não te preocupes que eles fazem questão de se apresentar assim na maior parte das capas dos discos que lançaram. Mas já que estamos neste tom sério, se curtes youth crew isto é granda malha. Mas mesmo. Claro que metia umas quantas bandas à frente de Sportswear num qualquer top hardcore, não sou tão fã como por exemplo o gajo do Straight On View. Em conversa com o russo ele diz-me que é a banda favorita dele, de sempre... 

Mob 47 - Kärnvapen Attack - Na semana que passou tive a oportunidade, meio por acaso, de conviver um bom bocado com os Aggrenation, uma malta sueca que veio tocar às Caldas a caminho do Barroselas. Gente cinco estrelas, "metal punks" como eles diziam. Apanharam solinho na Alameda nos seus casacos de ganga cravejados de patches crucialões do 666. Como Suécia é granda pintarola, depois de eu e a Inês os termos deixado no comboio, quando cheguei a casa apeteceu-me ouvir algo que me lembrásse o bigode à Ron Jeremy de um dos guitarristas e o resto da pandilha. Mob 47 é mesmo para o pogo com a cerveja na mão, se chegares ao fim da primeira malha com liquido no copo, é porque não te mexeste o suficiente.

Ghostface Killah & Adrian Younge - 12 Reasons To Die - Daqueles discos que caem assim de repente (pelo menos para quem não anda a par do rap game) e te fazem ter fé que ainda se faz rap como deve de ser em 2013! O conceito do disco recai num horror flick fictício em que o Ghost é um assassino de uma familia da Máfia italiana que é morto e o seu corpo transformado em discos de vinil, que o ressuscitam sempre que tocados. Estranho? Uma beca. Agora pensa: flow do Tony Stark, beats topo, narração do RZA, participação do resto da malta do Clan, é preciso escrever mais? The Wu still on top! Incrível.

Side By Side - You're Only Young Once - No feriado que passou fui entrevistado a propósito deste blog pela rapaziada da Blue Shoes, um dia destes há de sair o vídeo. Claro que me deram umas brancas numas quantas questões...faltaram agradecimentos, locais e discos, que naquele momento se varreram da minha memória. Foi do nervoso de ser entrevistado, um gajo não está habituado à fama. (cof, cof...) Mas respondendo a uma questão sobre os discos que possuo e mais gosto este foi dos que me lembrei. Eu a bem dizer o que tenho é o repress com a discografia, mas as malhas do ep serão para sempre as minhas favoritas. Este disco já figurou aqui cinquenta vezes, mas estou-me marimbando.



Wasted Youth - Reagan's In - Este disco é granda disco. Hardcore sempre a dar na esgalha, baixo palpitante, vozinha do punk rock... é a fórmula certa! Por acaso já não ouvia há algum tempo mas é um daqueles que sabe bem a qualquer altura. Não há muito mais a dizer. Se quiserem aprender qualquer coisa (para mandar aquela paleta no próximo concerto), eles eram de Los Angeles (inícios de 80) e aquela foto bué famosa do mano a fazer um dive de pernas para o ar foi tirada num concerto deles (e está na parte de trás do LP). Bom, né? Sempre a aprender. Se curtem Circle Jerks e (early) Black Flag, não há muito que enganar.

The 4-Skins - From Chaos To 1984 - Em repeat. Sem exagero. Aliás tenho ouvido bué Oi! inglês dos anos 70 e 80, qualquer dia apareço aí de bota e suspensórios - LOL! Not. É granda som. Só por curiosidade, não se há aí alguém que já tenha lido TODAS as entrevistas de sempre dos 7 Seconds mas curtia perceber até que ponto a Young Till I Die é musicalmente inspirada na Chaos? É pá, é que a mim soa-me MESMO MUITO semelhante, principalmente o início e o fim. Mas se calhar sou só eu. Oi! Oi! Oi! "We don't incite violence, we sing about what happens."

Pantera - Official Live: 101 Proof - Tem sido banda sonora do banho nas última semanas, adoro. Até meto no shuffle só para curtir mais. Este disco só tem malhas boas e granda saídas do Anselmo - não há como não amar. E aquelas duas malhas de estúdio mesmo no fim? Também não percebo... Nem é por mal, que até são grandas malhas (mesmo!) mas no fim de um disco ao vivo? Para mim mata um bocado o feeling, mas hey, o que é que se há-de fazer. Como diria o Phil: That's right!

Angry Samoans - The Queer Pills - Há fãs de Angry Samoans na casa? Granda banda. Mesmo da galhofa, sem ser bem da galhofa - e é mesmo disso que a minha malta gosta, não é? Este EP só tem quatro músicas e foi lançado sob o nome de Queer Pills porque eles tinham feito uma música a dizer mal de um DJ lá de LA e o gajo recusou-se a passar música deles - normal. Então fizeram assim para enganar o senhor e passar na rádio à mesma. Brutal, né? Os miúdos do core são sempre os mais fodidos nessas merdas, por isso é que curto tanto esta cena.

Hatebreed - Supremacy - Ontem fui ver Hatebreed. Eu adoro Hatebreed, mas confesso que só fui ver por causa da companhia. Ok, e alguma curiosidade. Eu vi-os daquela vez em Lisboa e achei que era ok. Meio parados em palco, o Jasta meio standard - nada de especial portanto. Claro que na altura eles não tinham uns quarenta discos, por isso estava curioso para o que aí viria. Mas I digress, passei a semana toda a ouvir Hatebreed. Como disse, adoro tudo. Oiço os discos todos mesmo na boa. Guilty pleasure? Chamem-lhe o que quiserem, mas os gajos conseguem fazer sempre a mesma música soar diferente.

Slayer - Erm... tudo até 1994 (RIP Jeff) - Fogo, Slayer é mesmo DAQUELAS bandas que já oiço há milhões de tempo. Médio/fim dos anos 90? Possível. Claro que o Jeff morrer me deu vontade de ir reviver o catálogo deles até ao Divine Intervention. Não que o resto não preste mas... you know what I mean. A ver se pego nisso. Os Slayer são uma boa prova de que os anos 90 não tinham sido como foram se não tivesse existido uma cena hardcore. Como dizem os brazucas: é nóis! Adeus Jeff!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dica da Semana #3

Por certo sabes que há malta que ainda lança umas edições aqui pelo burgo. Então e sabias que há malta que ainda compra discos? E cassetes? E que há malta que se dá ao trabalho de mandar vir coisas do estrangeiro para poderes orientá-las a um preço mais apetecível? Na Dica da Semana uma data de editoras/distros dão-te o toque sobre um dos produtos que têm à venda, a ver se chegam ao teu "eu" consumista. Ou pelo menos que te ponham a conhecer e ouvir coisas novas! 

Desperate Measures . It's On Your Hands 7"
Quem se lembra do set ao vivo destes manos back in the day? Aquele que começava com a intro de Leeway. Ai não... eu deixo aqui link, para ninguém ficar a dormir. Que banda! Pena que tenham acabado de maneira tão imbecil, LOL! Pá, o som é brutal. Old school rápido mas com bom groove, bom flow e muito boa onda. Tenho buéda pena de nunca ter tido hipótese de os ter visto ao vivo (junto com No Warning) mas fazer o quê? A vida não anda para trás.

Segunda prensagem, 450 cópias. Creio que lhe falte o insert infelizmente, mas já vinha assim. :( Vinil em bom estado, como se outra coisa fosse de esperar.

André - alojadoandre@gmail.com // A Loja do André 

Violent Future - Self Titled 7"
Já falei nestes gajos algures na Playlist da Semana, mas esta foi uma das bandas revelação do ano passado e o novo disco não desaponta, só peca por ter poucas malhas. Toronto Hardcore com aqueles truques na bateria meio à Boston, voz à John Brannon quando ainda era novo, mesmo a pedir a bota da tropa para calcar o chão e pedras da calçada para arremessar no pit. A demo esgotou num ápice, e a Painkiller posteriormente lançou isso em disco de vinil, por isso se era preciso algum tipo de "selo de garantia" acho que estás coberto. Sleeve de cartão, corte no vinil meio freak, parece um alvo. Slasher Records. Cinco paus.

T - backwashrecs@gmail.com // Backwash Records

The Night Stalkers - Year One Discography Tape
Os Night Stalkers sairam dos esgotos de Brest, em França há coisa de um ano, e desde então lançaram uma demo, um ep e mais umas musicas perdidas lá pelo meio. Acrescenta-se a isso mais umas quantas malhas e voilá! Tem-se uma tape de 22 músicas em menos de 30 minutos. Pro tapes, com print e insert brutal em papel de 160g, com todas as letrinhas de meter nojo que estes franceses gostam de escrever!
Se gostas de punk rápido, sujo, provocador, e tens 3 euros no bolso, há cassetes a dar e sobrar para toda a gente.

Boris - destroyityourself@gmail.com // Destroy It Yourself

Converge - All we love we leave behind 12"

Nós na Juicy curtimos de ser um bocado do contra às vezes. Por isso mesmo decidi escolher este disco, especialmente tendo em conta este post, ahah. Não vou estar aqui a vender os Converge porque é mesmo do amas ou odeias. Tudo o que posso dizer é que eu próprio os "odiava", pouco mais do que 2 ou 3 músicas antigas deles ouvi, sempre achei barulho a mais para a minha cabeça, e no entanto colei neste disco, ao ponto de ter ficado com uma cópia para mim.
Se calhar são os 20 e poucos anos de banda que os amadureceram e deram vida a esta excelente edição. Duplo vinil, capa e contra-capa com acabamentos em relevo preateado...até dá vontade de não abrir o plástico. Preço: 24€

Ema - info@juicyrecs.com // Juicy Records

domingo, 21 de abril de 2013

Playlist da Semana #36

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar - mesmo que seja umas semanas depois da última vez - é que está o ganho.


Guns Up! - Outlive - Reunion de Guns Up! (e Risky Business) no Heart Fest 2013? É, 2013 parece ser o ano dos reunions...estou para ver o que é que o This Is Hardcore deste ano nos proporcionará. Ainda estava a falar com o Fábio sobre isso há uns dias atrás. Judge no Black & Blue Bowl eleva a fasquia reunion-wise, e o TIH, que tem sido "O" festival de hardcore geralmente consegue sempre os nomes mais sonantes e os melhores cartazes. O Joe Hardcore adiou o anúncio oficial do lineup para dia 1 de Abril, por isso espero algo caído mesmo da estratoesfera...Ah, e Guns Up!? Pa, mid-2000's hardcore, mosh, groove, tudo, granda banda, gotta love it.

Killing Frost - Brain Damage - Not for you! Not for me! No tomorrow that's all I see!! Assim começa o disco desta rapaziada que voltou recentemente a tocar, no Porto. A banda que só depois de ter acabado passou a ser de culto (lol), voltou para derreter o gelo, e choveram picaretas para o quebrar! Houve malta a fazer a trip de Lisboa até ao show, que contou ainda com Mr. Miyagi e Throes (acho que é a cena do kuduro mas sem o kuduro, mas não sei bem que não cheguei a ver). PS: Oi e alguém tem aí uns disquitos que me venda? Não tenho nada pa.

Violent Future - Self Titled - Curti bué a demo destes gajos, eu e o Miguel pegámos na demo tape de quando soubémos que a Painkiller pegou nela e lançou em vinil era a chamada de atenção de que as coisas iam ficar sérias. Porque aparentemente em Toronto não se dorme, em menos de um ano surge o primeiro 7" de Violent Future. Malta de Urban Blight e outras coisas lá do sítio ao barulho. Hardcore crú, rápido, sem merdas. Aquele tridente por mim tão adorado.

Valley Boys - Self Titled - Nova banda com gajos que estavam em Brutal Knights. O som é na mesma onda, punk low fi, diria que são uma versão mais soft de Brutal Knights, quer musicalmente quer a nível de letras. Boa surpresa.

The Rival Mob - Mob Justice - Como diz o outro puto rapper que levou um balázio: "estão preparados para a chapada na tromba?". Discaço, acho que sou capaz de mencionar isto semanas a fio, mesmo naquela de vos "obrigar" a ir checkar isto, por isso preparem-se.


Jerry's Kids - Kill Kill Kill - Fala sério bacano, isto não é a brincar. Não é novidade que eu considero os Jerry's Kids umas das melhores e mais influentes bandas de hardcore, ou é? Alguém consegue ripar na bateria como o mano do LP? Bem me parecia que não. O segundo disco não é tão hardcore, até porque a produção é BEM metálica, mas tem lá malhas bem, bem, bem, boas. Tipo a Back Off? Sim, tipo a Back Off.

Dire Straits - Brothers In Arms - Bué engraçado, mas confesso que ultimamente me tem dado para cozinhar e/ou lavar a loiça ao som deste disco. SÓ ao som deste disco. Yup, não estou a mentir. Granda som by the way. Chamem-lhe azeite, chamem o que quiserem - para mim é uma granda rockalhada dos 80s. Tipo aquele saxofone na Your Latest Trick... não é mesmo de estar na sala com uma miúda gira a dar beijos intensos e cheios de paixão? Não brinquem comigo, tomara qualquer banda que passe hoje na MTV sacar som deste calibre.

Black Sabbath - Sabotage - A música nova de Black Sabbath é granda check. Só adorei. Do que li há bué pessoal que não gosta, diz que é merda, cospe em cima, a voz do Ozzy não presta, etcetera e tal. Nigga what? Será que é pessoal que conhece Black Sabbath ou só os artolas virtuais do costume? Oh well, eu curti BUÉ da música e mal posso esperar pelo disco novo - palavra de escuteiro. Para quem conhece o Sabotage, certamente que não é difícil encontrar algumas semelhanças no processo criativo. Está lá tudo, sem tirar nem pôr (ok, talvez um nadica mais escuro e sem a orquestra talvez).

Cold As Life - Declination Of Independence - Parece que ando sempre de volta de um disco duríssimo - acontece. Nos últimos meses foi o de Bulldoze, mas acho que agora voltei para Cold As Life. Apesar de já os ter visto a vivo e ter sido uma granda merda (foi num day off em Londres na tour de Verão de Killing Frost, em 2007) esta merda não é para brincar. Riffagem do diabo atómico e esgalhamento fodido. Sim, ok, a produção do disco é uma granda merda - mas acho que isso é irrelevante face à brutalidade sonora que ele apresenta.

Strife - One Truth - Ficou tudo maluco com Strife em Lisboa. Normal. Eu já os vi duas vezes cá e foram dois dos melhores concertos que eu já vi - sem exagero! Não resisti a vir ouvir o One Truth, granda disco. Acho que foi um dos primeiros discos de hardcore que comprei - na Carbono antiga. Bons tempos. É, pessoal do hardcore que não gosta de Strife... what gives? Se calhar não são assim tanto do hardcore. Por acaso ainda não ouvi o novo, a ver se me meto nisso.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mais Que Música: Fifty-Two Pickup (Think I Care)

Que aconteceu a dar importância às letras das músicas? O hardcore não era sobre isso? Agora só se vê letras que não interessam à prima. Fica aqui uma letra com significado que nos tenha feito pensar no seu significado. Afinal de contas, o hardcore também é sobre isso mesmo: pensar.


Looks like life has dealt us another shitty hand
I'm going all in and do the best I can
It's starting to seem like there stacking the deck
It's all on the line with nothing left to bet
You can go through life without a clue
be content with what's given to you
Or you can throw it back in there face
Pick up the pieces and stay in the game
In this match the house will always win
Starting from nothing isn't the place to begin
They got the odds and can see through my bluff
My time at the table is all but up

Não obstante o nome da música aludir àquele infatil jogo de cartas do "apanha 52", ou lá como se chamava na tua escola, a analogia entre a vida e um jogo de cartas viciado é algo que, infelizmente, vai fazendo sentido. Aqui entra a necessidade de o saberes jogar, de lhe tomares os truques e o vícios para que consigas pelo menos equilibrar as probabilidades. Já que estamos nas figuras de estilo, e para pegar frases clichés que me inundam o facebook sempre embelezadas com imagens do nascer do sol, é aquela história do "se a vida te dá limões, faz limonada". Espero que esses "partilhadores" de discursos inspiracionais assim compreendam. Bom, mas eu também curto essa conversa da motivação pessoal, apenas gosto mais da minha berrada ao som de uma musiquinha rápida.

Eu quando andava no secundário era o gajo mais feliz da vida. Palhaçada com os amigos na escola, futeboladas, estudo "suficiente para", namorada, poucas responsabilidades...basicamente, mais do que pensar do que o futuro como adulto e as responsabilidades que estão ali quase a bater à porta. "Pá, vou continuar a estudar, sei o que quero, e logo se vê". Claro que o "logo se vê" rapidamente se viu...

As cartas foram saindo e algumas só me foram causando dissabores. Os gajos que mandam no país devem andar a meter fichas ao bolso porque têm jogado umas mãos muita manhosas e a bad streak não termina. O futuro dos pequenitos é afectado por este joguinho, e começas a ver que o mercado de trabalho está complicado e que o teu curso, e aquilo que andas ou andaste a fazer durante grande parte dos teus anos não te vai dar grandes frutos quando finalmente te vires livre deles. Mas o jogo não está terminado, e se as cartas que te vão saindo são más resta-te agarrar nas que tens e indo sacando umas coisas aqui e ali, mesmo que o pote seja pequeno e o esforço pareça inútil. Há de chegar a altura em que as cartas altas vão começar a sair. O teu esforço e o teu mérito têm de ser recompensado, e se o espaço onde te deslocas não é capaz de o fazer, resta-te cagar no jogo que te dão e ir para onde queiram jogar o teu.

Para quem não conhece Think I Care vá procurar pela banda, os discos são todos fixes por isso estão à vontade quanto ao que sacar. O Mongrel foi aquele que me cativou, mas se sacarem esse e o World Asylum não me venham cá dizer que não gostam que isso só pode ser sintoma de que algo de estranho se passa convosco. O Jason Clegg está agora à frente de Prisoner Abuse, se curtem aquele 80's bem crú para andar à mocada, get with it.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Discos Trocados: Turnstile/ Speak 714

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada.

Ao fim de umas semanitas de interrupção, o regresso dos discos trocados. Para manter a toada, novamente com um convidado, o repetente Bruno Baptista.

Bruno

Turnstile. Sem dúvida do melhores brindes que apareceu aí nos últimos tempos! Para quem está familiarizado com o lançamento anterior, Pressure To Succeed, sabe que a banda é boa de cacete. Além de partilharem o baterista de Mindset, é o baterista de Trapped Under Ice quem segura o microfone, com uma voz bem diferente do habitual. Step 2 Rhythm traz-nos uma panóplia (EH! diz-se por aqui que esta palavra é bastante melódica-combina com o álbum) de adições. Para além de umas quantas brincadeiras com a voz - partes mais cantadas (waaaasting my tiiiime)- o próprio instrumental tem umas quantas invenções que a meu ver ficam bem que dói, sendo a própria intro uma prova disso: cheia de efeitos de guitarra e melodia. Logo no primeiro som, o primeiro contacto que temos com a voz do bacano é um som que só faz lembrar um corvo, ganda poder!

Invenções à parte,  não se pode dizer que a banda tenha mudado muito, e a malta que habitualmente chora porque só o primeiro álbum das bandas é que rula, tem uma boa oportunidade de estar calada - breakdowns, partes a abrir, a segunda guitarra a fazer umas magias, dois sons instrumentais, a voz mantém-se, e - umas melhores que outras - também as letras são boas: maioritariamente sobre a rejeição de influências negativas por parte de terceiros. Vale mesmo a pena dar o check, anda a rular no meu iTunes praticamente todos os dias.

There's no reason to calm down. Step with the ones who stick around.
Don't Stop, Step Up!!

 
Tiago

Não conhecia esta banda. O Bruno tinha-me falado nisto no outro dia em casa dele mas não cheguei a ouvir. "É bueda bom, com o gajo de No For An Answer". De alguma forma já espera que me calhásse isto na rifa. Mal começa a primeira malha não foi preciso recorrer ao google para saber a origem da banda: "isto parece Uniform Choice". Bem dito, bem feito, Orange County represent. Se calhar não é tão cantarolado como UC, a voz do Dan também não é tão limpinha quanto a do Pat Dubar, mas está bem nessa veia que diga, gosto bué: à antiga com uma voz meio melodiosa. Se musicalmente é hardcore, liricamente também é hardcore. A quem recomendaria este disco? A quem gostar de hardcore.

Epa, mas qual era a cena com as capas dos discos dos anos 90? Eu que estou completamento fora do design gráfico deduzo que na altura as ferramentas não fossem as melhores, mas que raio, era sempre com cada coisa abominável que até me arrepia os pelos dos braços. Eu no paint faço coisas mais bonitas.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Review: Sectarian Violence + Challenge + The Skrotes + Nihilistic Bastard + Holder @ C.R.A., Lisboa


Concertos a um domingo de Páscoa. Haverá melhor forma de celebrar a ressureição de Jesus? Não sei, mas certamente ele teria aprovado esta. Claro que esta data ia trazer um problema à No Borders...iria alguém trocar o borrego ou o pitéu veg do tradicional almoço em família (ou deixá-lo a meio) para se escapulir mais cedo até aos Anjos? Para ajudar ainda mais à festa: grandas chuvadas a assolar a capital.

Cheguei bem cedinho e só lá estava a malta de Challenge. Entramos e ficamos lá um bocado à conversa e aparece o Bruno. Eram 16h e não só não havia bandas, não havia público nem havia nada montado...Passado um bocado aparece a carrinha dos Sectarian Violence que pára no meio da rua, mesmo a empatar o trânsito e ficam ali feito parvos não sei à espera do quê. Aparece um gajo lá do bar do C.R.A. e ajuda-os no estacionamento, mesmo à tuga arrumador. Há que amar. Banda com cinco gajos, quantos estão na carrinha? 9 pessoas. Devem ter aproveitado para tirar férias.

Bom, vinha com eles o Patrick da Carry The Weight Records, que por acaso é guitarrista nos Sectarian Violence e eu não estava nada acerca. Eu tinha falado com o gajo e já tinha andado a meter uns trocos de lado para safar uns discos. Gajo cinco estrelas, falámos de discos, da label e da tour até então. Vinha também um gajo grandalhão com uma granda barba ruiva (óptimo para fazer figuração no remake do Braveheart) que em conversa vim a saber que foi o tipo que escreveu a Back on The Bins. Ainda levou uma zine do Fábio, "i don't care if i don't understand it, i love zines, specially thick ones!". Ai não.

O vocalista de Sectarian Violence é o Nick Tape de Coke Bust e o gajo também trazia os restos da extinta distro dele. Já tinha falado com o gajo antes da tour e tinha-lhe comprado umas pechinchas. Claro que a carteira levou novo rombo. Aliás, no final do show decidi que ia passar um mesinho a pão e água...comer é tão subjectivo.

Bom, tudo somado, foi dos concertos com mais distros, zines e material informativo dos últimos tempos, deu gosto. Lá foi chegando pessoal às pinguinhas, apareceram os Holder, os The Skrotes e algum público. O concerto começou deviam ser umas 5 e pouco, com os Holder um pouco melhor oleados que na sua estreia. A sonoridade não é bem a minha praia, mas valeu o headbang.

Os Nihilistic Bastard ainda não tinham aparecido. Vieram não sei de onde, não sei como, mas para não atrasar tudo ainda mais os Skrotes começaram a preparar o equipamento, sendo que quando se preparavam para tocar lá apareceram os desaparecidos...Mas hey, siga a marinha, toca Skrotes. Show curto, rápido, business as usual. Os Nihilistic Bastard são filhos dos extintos Knives Out, mas têm um som mais pesado e arrastado. A prova que três gajos conseguem fazer muito barulho.

De seguido foi a vez dos Challenge, que conseguiram meter a pouca malta que estava na sala de um lado para o outro à chapada e ao pontapé. Deviam estar para aí quase 50 pessoas, sendo que umas 20 eram de bandas, mas ainda assim deu para estar um bom ambiente e ser um bom concerto.

Para finalizar, os gajos do estrangeiro. O Nick foi meter o kit para concerto (lol), substituindo a calcinha e o hoodie de Bold por uns calções andrajosos e uma tshirt, com uma bandana na cabeça para finalizar o estilo punk. Americanos...O Tom (Violent Reaction/The Flex) ao menos manteve a postura, tocar bateria de bota da tropa é coisa de homem. O concerto foi muita bom, notou-se que praticamente ninguém conhecia as letras (e a banda?), mas foi um bom concerto que merecia mais público. A animação esteve lá, com o gigante ruivo a cantar a Glue de SSD (mocada), o Tom a sair de trás da bateria e a vir cantar a Boiling Point no final do concerto e outro bacano, que não faço ideia que de quem era, a vir cantar outra coisa qualquer que nem me apercebi do que era. Escusádo será dizer que as covers de SSD foram o momento alto, nem que seja porque para além de agitar a maré sempre deu para a malta cantarolar umas coisas.

Soube à noite os números da tarde, não obstante o pouco público pagante não houve grande prejuízo para o Bruno, os Sectarian Violence curtiram bué o show, ainda andei para lá à conversa com eles e a ajudar a carregar o material. O Patrick ainda disse para ir jantar com eles mas entretanto ligam-me e tive de ir buscar a minha avó. Segundo reza a história, perdi boa pizza, batata doce e sopinha. Ficará para uma próxima, a ver se chateio o Pat e o Tom a trazerem The Flex ou Violent Reaction.

Parabéns ao Bruno pelo concerto e mais uma vez pelos tomates em fazer estas coisas acontecerem, especialmente na data que foi. Pena que muita malta continue a fazer este "boicote" a concertos hardcore sem azeite. Sei que a data era complicada, mas é um padrão que se tem vindo a verificar. Nem vale a pena vir com a conversa das "bandas diferentes" que tinhas duas bandas de HARDCORE sem espinhas. Dêem a chance e deixem de ir nas conversas dos outros. Como aprendi este fim de semana, "há por aí muito chaparro: do pescoço para baixo é cortiça, para cima só serve para lenha". Não queiram ser mais um.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Entrevista: Just Say No!

Porto, São João da Madeira, Leiria. Três cidades que em comum se calhar não têm assim tanta coisa, mas que são a proveniência da nova banda que promete trazer groove e old school à cena hardcore. Os Just Say No! já deram uns quantos concertos no Porto e começam cada vez mais a ser figura presente nos cartazes que por esses lados vão acontecendo. Prometem mais concertos, mais novidades e a demo para breve. Segue a entrevista aos Stop & Think portugueses. (Estou a colocar a fasquia alta, depois cobro se me falharem!!)

JSN no Altar Café Concerto © Rebeca Bonjour
Malta, dizer que estou excitado com o vosso projecto é pouco. Hardcore para pisar cabeças é "um bocado" a minha cena...sem merdas, simples e eficaz. Como é que vocês se juntaram, quem pertence à banda e essas coisas para inteirar a malta.

FÁBIO: Bem lá para os finais de 2011, surgiu a ideia de eu formar uma banda youth crew com um amigo meu de Pombal e com o Félix. Mas entretanto houve coisas que mudaram e a ideia inicial da banda tomou outros rumos. Mesmo assim, eu e o Félix decidimos andar com a brincadeira para a frente a ver no que dava. Eu sabia que ia para a voz, visto que não sabia tocar nada. O Félix ou ia para o baixo ou para a guitarra, portanto decidimos começar por procurar um baterista. Então depois de muito procurar e chatear pessoal, um dia lembrei-me de falar com os miúdos dos Destruction Eve a ver se algum deles estava interessado em juntar-se a nós. E o baixista deles, o Xicote, alinhou na cena. Eu sabia que ele tocava baixo, mas quando o vi a tocar bateria até me saltaram os olhos. 14 anos? A tocar daquela maneira? Tu bates mal man! Que classe. Saltou logo para a bateria que foi um mimo. Pah com um gajo na bateria, um na guitarra e um na voz já dava para fazer um ensaio, não? Claro que sim, com a pica que estávamos nem pensamos duas vezes! E assim foi, no Verão mandamo-nos praticamente sem material nenhum para uma sala de ensaio no Porto e tivemos lá a curtir umas horitas.

Depois de três ensaios juntos, sem baixista, lá se decidiu que o Félix ia ser o guitarrista da banda. Mais tarde soube que o Vitor da Shut Up And Play ia organizar um Benefit em Dezembro no Porto. E eu queria que esse fosse o nosso primeiro concerto. E também queria que fosse um concerto surpresa. Mas para isso acontecer, sabia que tínhamos que ensaiar mais e claro, arranjar um baixista. Too much pressure. Até que me lembrei do Bruno Lisboa, porque costumava vê lo nos concertos cá no Norte e porque sabia que ele tinha uma fanzine. E isso é fixe. Falei com ele, e ele disse-me que não sabia tocar nada, mas que curtia juntar-se a nós. Então depois de eu e do Xicote o chatearmos bué para ele começar a tocar baixo, ele lá cedeu. Marcamos o nosso primeiro ensaio de sempre, com todos os elementos da banda, horas antes do benefit começar. O Bruno ainda não sabia tocar baixo e só tínhamos uma hora para o por a tocar duas músicas nossas e duas covers. WILD! Foi duro, mas lá deu para desenrascar. Chegamos lá ao Benefit, pedimos material emprestado e tocamos. Pregos e mais pregos. O que vale é que ninguém conhecia as músicas...hahah. Mas foi bué fixe! Divertimo-nos todos bué durante os 6 minutos de concerto. Lusco-fusco hardcore. E queres saber uma coisa? O Bruno foi o que deu menos pregos! hahah, true. Esse concerto tá gravado, um dia pomos isso online para o pessoal se rir. 

Rótulos é uma cena um bocado manhosa e acaba por meter impressão a muito boa gente. Vocês são uma banda straight edge ou que promove esse modo de estar na vida?

FÁBIO:  Supostamente éramos para ser...hahah. Eu e o Félix somos straight edge. O Bruno e o Xicote não são fãs de droga, tabaco, álcool, etc, mas essa tal cena dos rótulos causa-lhes alguma impressão como tu disseste, e então não se consideram straight edge. AINDA! haha. Mas apesar disso tentamos transmitir através das nossas letras que  viveres uma vida consciente e livre de drogas é a melhor escolha. DRUG FREE YOUTH. 

Tendo tido acesso privilegiado a ficheiros mais bem guardados que os relatórios sobre Abu Ghraib, já consegui ter um cheirinho do que podemos esperar da vossa parte. Para quem está mais a leste, e até porque têm mantido o projecto bem low profile, falem aí do som da banda e as vossas principais influências. 

FÁBIO: Ya nós mantivemos a banda em segredo até tocarmos no Benefit, para ser uma surpresa. Agora já não é segredo nenhum. Mas também só temos intenções de criar uma página online, quando tivermos a demo gravada, para o pessoal ter alguma coisa para ouvir. Quanto ao nosso som, quando eu e o Félix decidimos seguir com a banda, sabíamos que queríamos tocar um som na onda de Mental, Stop And Think, Righteous Jams...Lockin' Out Records style. Não só por adorarmos estas bandas, mas também porque atualmente em Portugal não há bandas a tocar este som. O que é uma ganda merda. Is anybody there? Does anybody care? Does anybody see what I see?

Epah na cena tuga todos dizem que gostam bué dos X-Acto, Sannyasin, New Winds, Time-X…mas eu não vejo quase ninguém a pegar nestas influências e a fazer uma banda. E isso faz me ganda confusão. Principalmente porquê nos dias de hoje as coisas são bem mais acessíveis do que eram na altura destas bandas. Miúdos, por favor parem de bater na mesma tecla…já bastam os More Than A Thousand e os Hills Have Eyes. Se gostam tanto de hardcore como dizem, façam lá o favor de tocar hardcore a sério. 

Passando à frente, as nossas influências não passam só pelas bandas de Boston que mencionei. Principalmente depois da entrada do Xicote e do Bruno. Nem todos na banda gostamos das mesmas coisas, mas todos gostamos de uma coisa em comum: punk hardcore old school. E é nisso que nos focamos. Músicas diretas, rápidas e curtas. E com algumas partes para o pessoal moshar, em vez de lutar karaté invisível. A minha banda favorita são os Youth Of Today e é óbvio que são uma das minhas principais influências. 

BRUNO: Para mim é um pouco difícil saber quais são as bandas que mais me influenciam sem ficar duas horas a olhar para a parede a pensar na vida, por isso deve ser mais fácil pensar nas bandas que mais tempo ficaram a ganhar teias no meu mp3. Assim sendo muito provavelmente serão os álbuns antigos de AFI, Mais Uma Queda (ainda tou com fézada que voltem a fazer alguma cena), Freedoom e mais recentemente Revengeance.

XICOTE: Negative Approach, Gorilla Biscuits e Minor Threat.

JSN na Casa Viva © Rebeca Bonjour
Então mas essa demo tem alguma deadline definida ou tens alguma noção de quando podemos ouvir JSN nos nossos computadores e demais aparelhos de reprodução áudio?

FÁBIO: Para já estamos mais focados em ensaiar e fazer músicas novas, visto que vivemos todos longe uns dos outros e que só ensaiamos praticamente uma vez por mês. Depois de fazermos mais uma ou duas músicas novas, a nossa prioridade vai ser gravar a demo para termos algo cá fora para nós e para o pessoal.

Já falamos entre todos sobre onde íamos gravar a demo e chegamos à conclusão que, depois do trabalho que o João Leonardo e o Vitor Moura de Local Trap fizeram na gravação da demo de Shitmouth, é com eles que queremos gravar! Portanto se tudo correr como estou a planear, a demo vai sair em cassete no primeiro semestre deste ano, pela Be Yourself Records! BY001. 

Sendo vocês quase todos bem miúdos, acho bem fixe fazerem uma cena com uma vibe mais à antiga ou pelo menos com raízes bem mais "hardcorianas" que muito do que é moda hoje em dia. Por um lado, porque acham que este tipo de som parece ter dificuldade em pegar por cá e por outro o que é que vos levou a curtir mais estas coisas que essa música mais modernaça. Gosto pessoal, amigos, ao ambiente dos concertos no Porto, ou foi apenas um acaso que vos juntou à volta da música para partir pedra?

FÉLIX: Bem eu já não sou bem um "miúdo" pois os anos já começam a pesar mas o espirito jovem está sempre presente. Acho que todos nós temos outros tipos de gostos para além da cena mais Old School mas sempre gostei de ouvir cenas antigas na onda de Ten Yard Fight ou Mental (para não falar de outras) e sempre me identifiquei com esse tipo de som tanto pela mensagem transmitida como pelo feelling presente na musicalidade. Tive a sorte de conhecer estes meninos mais novos que apesar da idade sabem bem quais são as raízes do hardcore.

BRUNO:  Eu tou mais inclinado para o que se fazia mais à uns anos atrás porque para mim é mais apelativo letras sobre vegetariaismo e atitudes positivas do que sobre destroy everything e fuck the police smoke weed bitch.

FÁBIO: O PUNK! O que me fez gostar deste tipo de som, foi o punk que eu ouvia antes de começar a ouvir hardcore! 

Qual é que é a origem do nome Just Say No? Cheira-me que No For An Answer tem aí uma mãozinha...

FÁBIO: Haha, sabes bem. Eu e o Félix andavamos a pensar em nomes para a banda, mas como não estávamos a ter grande imaginação, decidimos pensar numa música que representá-se bem o nosso tipo de som e que ao mesmo tempo tivesse uma letra relacionada com o tipo de mensagem que queremos transmitir a quem nos ouve.

Um dia lembrei-me da música Just Say No dos No For An Answer e achei que fazia todo o sentido dar esse nome à banda! Falei com o resto do pessoal, todos curtiram a ideia e ficou esse o nome. Se não conhecem, vão ouvir essa malha e decorem a letra! Pode ser que um dia façamos cover.

É verdade que querias fazer uma banda porque és dos únicos gajos que defende o stage mosh em Portugal e isso dá-te o direito de fazeres as macacadas que quiseres em cima do palco, porque é esse a tua "posição em campo"? Espero que faças a coisa certa e sempre um zé ficar mais mais de 4 segundos no palco e não fizer dive lhe dês um chuto no cu.

FÁBIO: Hahahah, apanhaste-me. Não. Ao contrário de muita gente cá na em Portugal, eu acho ganda piada ao stage mosh. Talvez por tentar ver o lado positivo disso, em vez de apontar o dedo. Eu cá prefiro ver um gajo a subir ao palco de sorriso na cara e a moshar a caminho do dive, do que tar a levar porrada de um mauzão que decidiu vir para o meu lado praticar artes marciais. O palco é de todos right? Então façam lá o favor de moshar onde bem vos apetecer, que eu também já levei com muito fumo e cerveja em cima de mim, sem pedir nada a ninguém. Divirtam-se mas é! 

Esta é para o Félix. Sendo tu o membro menos jovem (velhos nunca!) como é que é aturar a miudagem aí nos ensaios. É preciso sacar do cinto de vez em quando para os meter na linha, ou é malta que se porta bem? É a tua primeira experiência com uma banda ou houve algum projecto secreto que ficou morto e enterrado e nunca viu a luz do dia?

FÉLIX: Curiosamente o membro mais novo de todos até é o mais bem comportado nos ensaios. Aliás tirando o nosso vocalista que está sempre em pulgas eu devo ser o pior logo a seguir. É caso pra que a idade nem sempre dá juizo.

Já tive 2 projectos que nunca sairam pra fora com muita pena minha.O ultimo até era um pouco na onda deste mas na altura tivemos muita dificuldade em arranjar baterista sendo que o nosso guitarrista tocava bateria nos ensaios e eu alternava entre a guitarra e o baixo acompanhado por um belo leitor de Mp3 a tocar guitarra pré gravada. O outro um pouco entre uns Morning Again um pouco mais choradinho e uns As Friends Rust na altura inicial com dois vocalistas no qual eu só cheguei a ir a um ensaio a tocar baixo. 

Melhor lado do split de Void com The Faith?   

FÁBIO: Boa pergunta. Hmmm…Minor Threat!

Tiago, obrigado pela entrevista, por acreditares em nós, e pelo apoio que nos tens dado! Espero que consigamos ir tocar aí a Lisboa antes do Xicote fazer 18 anos! Se alguém quiser marcar um concerto para nós, pode enviar-me um email para: fabiosxe@hotmail.com. Ah e oiçam também a discografia da Lockin' Out Records, que aquilo vai mudar as vossas vidas. SOBER YOUTH GO! 


Entrevista publicada na newsletter #6 da Backwash Records.
Obrigado à Rebeca Bonjour pela cedência das fotografias. Mais fotos na página dela.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Review: Moita Metal Fest 2013 @ Soc. Filarmónica Estrela Moitense, Moita



O meu dia começou relativamente cedo e ressacado para ir as compras com a sócia que manda ca em casa. Às vezes digo que é minha mãe, mas não vou dizer isso agora que não é tem nada a ver com o assunto.

Eram 13.50 e estava eu na Bobadela a ouvir os últimos acordes do ensaio de FTG da porta, quando do nada chega o Emanuel, com quem me ri bastante por ouvirmos o mesmo final de música algumas 20 vezes. Compor é fodido!

Entretanto sai um Congas bem disposto cá pra fora, e logocomeça a dizer trampa. Chega o Machado (que honestamente tinha o conjunto de roupa mais pausado do fest inteiro) com o Paulinho, chega o Peter e a Leonor, e temos festa armada. O ensaio tinha acabado, o peeps de FTG está pronto a carregar a carrinha com material, trocamos umas conversas com o Frodo e dizemos umas cenas engraçadas. O dia já estava a render.
Na carrinha, foi ao som do Kill’em All que a viagem começou, depois Machine Head, bem old school (o João sabe...). Não ouvia Machine Head há milénios. Foi uma viagem fixe cheia de Yeaaahs \m/. Moita foi o destinho, e chegados lá já se respirava o fucking metal por todos os lados. Foi  a primeira vez em que realmente achei mal ter cortado a gadelha. Curtia ter me misturado na multidão de gente com vestes negras e com indivíduos que parecia que tinham andado a sacrificar bodes antes de irem para o recinto.

Não vi a primeira banda, chegamos bué em cima da hora, ouvi tipo umas 2 malhas da porta enquanto dizia olá a pessoal e fui comer.

Nuklear Infection começou a festa pra mim, curto de caralho daquilo, thrash mesmo duro, rápido, sem merdas. Vamos embora pa frente com circle pits, putos novos que honestamente acho que vão chegar lá, entre solos e confusões por não se ouvirem em palco, houve direito a Motorhead e tudo, foi uma maravilha.

A seguir veio a primeira banda de Hardcore do dia (que dito assim parece que foram muitas…), os Shape. Set curtinho, também não deviam ter muito tempo, houve ali um stress com uma malha para começar, fora isso, normal, energia positiva, sem espinhas, os primeiros dançarinos do rotativo apareceram na frente a mandar o seu 2step paletas enquanto uns 3 sócios la de lado dançavam com grande flow e de forma sensual (desconheço tais criaturas).

Primal attack foi a minha primeira pausa para jola. Não desgostei do concerto, foi bom, mas não posso dizer que tenha dado muita atenção.

Brutal Brain Damage... Epá, primeiro, nunca ouvi tantas vezes a palavra “Esporra” na vida, e estamos a falar de 30 minutos de concerto. Segundo, embora eu curta da cena do pig squeal lá no meio de uma malha ou outra, ser só pig para aqui e para ali de modo a parecer que nem escreveu uma letra e tá a mandar piggies sem nexo, not my thing, peço desculpa. Alto drummer, o blast tava todo na batata, mas cenas só de piggie não são mesmo para mim. Valeu na mesma pelo que me ri lá atras com o Paulinho a fazer playback da cena e pelos circle pits com o Machado!

Dementia 13. Fui beber, peço desculpa.

The Firstborn, honestamente, achei um pouco parado ao vivo, fora isso, granda respeito pela banda, todos os arranjos são uma cena brutal, as cenas de cítara (!!) nas malhas quase todas, a técnica e originalidade do projecto deixou-me boquiaberto, much respect mesmo.

Ommission também não vi. Mas soou muita bem do bar, enquanto “pausava” com a minha bifana.
Web. Aquele guitarrista que mete o caralho dos olhos para fora é assustador de caralho, bom gig, metal man \m/. Valeu pela Mayones do guitarrista, que guitarrão…Revolution Within não foi mau, mas não tomei muita atenção.

For The Glory, não vale a pena dizer nada, já todos sabem. Na batata, grande festa, os metaleiros deixaram fugir a veia do core cá pra fora, gritos, porrada e dives à menino (que é como descrevo dives em que sobes o palco e ficas a espera...ou é ou não é!).

Simbiose, talvez o que mais tinha vontade de ver pois já não os via há imenso tempo. A última vez foi praí há 2 ou 3 anos, quando toquei com eles e com DRI. Tava com saudades de Simbiose ao vivo, mas foi fraco. Não sei se de ser só uma voz agora e de ele já não se aguentar como antes, não sei. A sala também já estava a meio gás, e esperava mais do senhores do crust da tuga. Foi fixe até, mas esperava mais, talvez o público tenha sido uma condicionante, na minha humilde opinião.

O dia acabou comigo cansado e a olhar para as bifanas a grelhar e a desejar uma e a babar-me com o Machado, enquanto discutíamos qual seria a técnica do famoso Omar que naqueles 5 minutos já tinha mamado duas ou 3 à pala e nós nem o cheiro nos deixavam levar!!

Foi bacano voltar a um fest de Metal, não ia a um há muito tempo e foi um dia do caralho. Boa cena mesmo! MOITA CARALHO!

Review por Ricardo Servo.