domingo, 30 de dezembro de 2012

Review: Obituary @ The Garage (Londres)


Obituary era aquela banda que eu queria BUÉ ver e ainda não tinha tido oportunidade, não sei bem porquê (agora só me faltam os Ratos de Porão). Quando descobri que eles cá vinham e só iam tocar malhas dos três primeiros discos quase que pulei de alegria. O meu amor por eles já começou há muitas luas atrás e acho que até cheguei a comprar o Cause of Death em vinil na Carbono praí por €10. Good times! Acho que também comprei o Vulgar Display of Power nessa altura por um preço semelhante. Hoje em dia batem ambos na casa dos €50. AI NÃO! Mas eu não vendo, tá maluque. Até podia ter sido oferecido.

O concerto foi melhor que bom, tocaram uma colhoada de clássicos, são uns grandas bacanos e tocam tudo IGUAL ao disco. IGUAL. Igual, tirando aquelas entradas de lento para rápido e vice-versa (que qualquer fã de Obituary vai mediatamente saber do que falo) onde o baterista falhava ali qualquer coisa por dois milésimos de segundo. Mínimo, e nem deu para afectar em nada, mas é aquela coisinha, né? Se calhar sou eu que sou esquisito.

A minha forma de ver se curti um concerto (ou uma banda ao vivo) é pensar se conseguia ir em tour com eles e curtir o mesmo set todos os dias. Neste caso: sim! Levem-me! Levem-me já, por favor! A outra forma é se vou para casa a ouvir a banda ou não. Se for o caso já se sabe que o concerto foi épico. Se passado uma semana ainda os tiver na minha playlist... yup. O ponto alto do concerto? Para além de ser no Garage, que é uma sala que eu adoro, foi mesmo quando chegou à última malha do concerto (já no encore) e ele ter dito depois daquela guitarrinha do diabo - igual ao disco ao vivo - "This is the title track of our very first record, it is called Slowly We Rot...". Palavras para quê? É Obituary.

Review: Gypsy - Giant's Despair (2012)


Acho que o David ficou chateado comigo por eu lhe ter dito que o disco de Antidote (o antigo, claro) era das melhores cenas de hardcore de sempre - true story. Só assim consigo explicar esta recomendação que ele me fez. Só precisei de meio acorde para perceber que estava no sítio errado e à hora errada - mas que é esta merda? Miúdos do hardcore a tocar um rockzinho cocó de camisa à lenhador, penteado à Zé das Couves e calcinhas engomadas? Saem duas doses de Dead Kennedys para mesa 5 por favor.

O som até pode ser fixe para quem curta este feeling 90s, mas isto a mim lembra exactamente as bandas que eu escolhia nos Ieper Fests de há 9 e 10 atrás para ir comer ou comprar discos. A minha cena não é - definitivamente - esta. Mas pronto, hating aparte (obrigado David, agora tenho de ir ouvir isto para desintoxicar), para quem curte uma vozinha à gordo de NoFX no So Long... com um rock 90s grungy mas sem ser grunge por trás, então esta é a vossa cena - curtam milhões. Eu cá vou mas é ouvir música com bolas que isto não puxa carroça.

Review: Antidote - No Peace In Our Time (2012)


Os Antidote já não gravavam nada há 21 anos! Fico sempre com medo quando estas bandas decidem voltar e parece que tenho sentido isso cada vez mais, pois parece que a moda pegou. Sinceramente acho que já nem me faz grande confusão como fazia. Acho que já me começo a habituar. Não posso dizer que sou o maior fan de Antidote. A ‘Something Must Be Done’ é uma granda malha de puro NYHC, disso não há dúvidas, mas confesso que nunca ouvi muito mais do que isso. A primeira impressão que tive ao ouvir este disco novo foi que a gravação me pareceu demasiado moderna e ‘limpinha’. Para este tipo de som, pede-se algo mais sujo, mais rude, o que não é o caso.

Há malhas que podiam ter sido feitas e gravadas na mesma altura do ‘Thou Shalt Not Kill’ em 1983 e há outras que se nota que andaram a ouvir muito Black Flag. Aliás tanto andaram a ouvir que acabaram por gravar um cover da ‘Rise Above’. O cover não está mau, mas sinceramente parece-me um bocado desnecessário. Ah e tal, tem a participação do Roger Miret de Agnostic Front, mas tirando isso pouco acrescenta ao disco. Para além do mais a malha antes, ‘Not Like Them’ já se parece o suficiente com Black Flag. Falta claramente uma malha tipo a ‘Something Must Be Done’, mas isso também não cai do céu todos os dias. Não está mau, mas também não se perdia grande coisa se não tivesse existido.

Review feita pelo mestre David, da Salad Days (http://saladdaysrecords.com)

Review: First Blood - FBI Vol. I (2012)


Não me perguntem como descobri que isto existia. No outro dia estava a internetar de link em link e caí na página dos First Blood e apareceu-me este disco para sacar de borla - granda atitude digo já. É o quê? Disco de covers tipo tributo às bandas que os inspiraram. Sim, tipo o dos Hatebreed, dos Skarhead, dos H2O... espero que nenhuma banda portuguesa se lembre de fazer o mesmo, é péssima ideia. Sim, claro que "os miúdos" iam curtir ouvir umas bandas novas e aprender um pouco, mas hey, é 2012 (...13) e existe uma coisa chamada internet. Quem gosta mesmo decerto que só não houve mais bandas e mais antigas porque não quer.

Adiante... o que aqui temos são covers de Hatebreed (a parte final ficou bem fixe), Sick Of It All (interessante), Earth Crisis (blargh), Agnostic Front (mixed feelings...), Madball (prefiro a original), Path Of Resistance (ok), All Out War (para quê tentar fazer cover?), Cro-Mags (prefiro a original, esta afinação que eles usam soa a merda em músicas antigas, lol), Biohazard (ok, mas prefiro a original...) e Suicidal Tendencies (bem fixe).

No geral não sou muito fã de First Blood - curto BUÉ aquele primeiro CD que é a demo mas o resto (se é que há resto) nunca ouvi e não tenho grande interesse. Já os vivo um cojone de vezes e, apesar do riff ser sempre o mesmo, adoro ver a destruição no dance floor. Será que já vi pessoal a sangrar num concerto deles? Boa pergunta. Provavelmente...

Ps: Só um aparte, o gajo pode ser o maior bacano do mundo (é o que me dizem, e eu acredito) mas os designs e imagem à volta da banda é das cenas mais farsolas do mundo. As t-shirts são todas bem fêas e FBI?! FBI?! First Blood Inspiration e depois roubam o logo do FBI? Epá, dêem-me descanso.

Playlist da Semana #26

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Sideswipe - Destined To Chill Demo - 2/5 Rotting Out, 3/5 Minority Unit, 5/5 LA chicano style. Soando mais a Minority Unit que a Rotting Out, definitivamente tem aquele groove das bandas de Boston dos 2000, mosh parts porreiras, letras meio clichés e aquela vibe a que esta vaga de bandas straight edge de Los Angeles nos vem habituando. Por acaso pensei que esta banda já tivésse rebentado à mais tempo, disponibilizaram a demo no Verão e nunca mais ouvi falar nela, nem lançaram a demo em formato físico nem nada. Parece que agora com o fim de Minority Unit estão a tentar repescar isto e 2013 promete novidades. Melhor malha: Jaded.

Johny Thunders & The Heartbreakers - L.A.M.F. - Born to lose! Baby i was born to lose! Quem me recordou esta banda foi o Bruno das Caldas quando me mostrou aí um vídeo de skate em a banda sonora é esta. Ele bem tenta meter-me a andar com ele, mas sou um coxo e as minhas articulações já rangem um bocado...Adiante, esta foi a banda que o Johny Thunders formou quando saiu dos New York Dolls. Os gajos eram uns drogadões de primeira pelo que só lançaram este disco e depois a banda acabou por ir com os porcos. Boas malhas aqui, mesmo dos primórdios do punk.

Cock Sparrer - Shock Troops - De vez em quando dá-me para vir ouvir umas bandas clássicas de Oi!. Adoro! Cockney Rejects, 4 Skins, Blitz, Angelic Upstarts, Sham 69...man, que clássicos! Este disco de Cock Sparrer é um dos meus favoritos do género, e nesta última reedição conta com bué faixas bónus. Mesmo de meter a bombar e andar aqui a esborrachar baratas imaginárias com as minhas botas imaginárias.

Talib Kweli & Z-Trip - Attack The Block Mixtape - Talib Kweli a mostrar (para os que andaram a dormir durante anos) que é dos rappers mais talentosos e versáteis. Convidados de luxo, produção de luxo, rimas de luxo. Mais luxo só no Palácio de Versailles. Incrível como ele dá quinze a zero a 95% dos rappers qualquer que seja o estilo: tens desde beats meio grime-ish, ao rap clássico a esta onda mais moderna do "rap da festa", em que o idiota do Lil Wayne até "canta" só para nos dar uma noção do quão mau é, especialmente quando comparado com o Talib. Granda disco, bom do início ao fim. E aquela faixa com o sample de R.E.M.? Ui!


Pantera - Vulgar Display of Power - O melhor disco de Pantera? Discutível. Foi o meu preferido durante MUITOS anos e continua a ser o mais pujante, mas acho que hoje em dia me viro mais para o primeiro (ou quinto, para os mais puristas). Não quer dizer que tire crédito a este, claro - a começar pelo facto de que tem - DE CERTEZA - uma das melhores capas de sempre. Sempre. Pessoal que nunca ouviu este disco? You're missing out.

Johnny Cash - With His Hot and Blue Guitar - Oh boy, Johnny Cash antigo é bom que dói. Confesso que country e bluegrass não são bem a minha cena, aborrecendo-me ao fim de meia dúzia de músicas. Culpem-me. Mas o Johnny Cash joga(va) sozinho numa liga dele próprio e tem um espaço reservado no meu coração. Este é o primeiro disco dele e tem aquela sonoridade mais clássica, mais tradicional. Pena que a discografia dele seja tão extensa e eu não conheça nem metade. Mas vou tentanto, vou tentando.

Antidote - Thou Shalt Not Kill - Dizia-me o David que não era o maior fã do mundo do EP de Antidote. Wait, what? Acho que este é um dos melhores EPs de hardcore da East Coast dos inícios de 80. A produção é brutal. As músicas são brutais. O artwork é brutal. As letras são brutais. Os solos são brutais. É tudo bom e não há discussão possível! Ah! Quem souber quem canta nos coros deste disco ganha o prémio de Leitor do Mês.

Youth of Today - Can't Close My Eyes - Olha outro... De vez em quando lá aparece alguém no Facebook com palpites duvidosos sobre discos que são clássicos irrefutáveis e acabo por ter de ir ouvir os ditos para ver se não vivi enganado mais de uma década. Nem vale a pena falar deste, ou vale? Quando eu tiver uma banda com o Rafa vamos tocar cover da I Have Faith - eu ADORO aquele rapzinho do início. ADORO! Don't tell me I can't, cause I have faaaaaa-aaaaith...

Jaykae & Depz - Bar for Bar - Ui, ui, ui... Isto saiu na véspera de Natal e macacos me mordam se não fiquei logo eléctrico que chegue até 2013! Que filha da putice. O Jaykae é capaz de ser o meu preferido dos Invasion Alert - o miúdo só lhe falta bater em pessoas. Também curto bué o Tazzle e o Sox e tenho andado a sentir mais o Depz. Como se diz por aqui acho que ambos upped their game for this one. Hm? Se comprei uma t-shirt deles? Claro que sim. Name's Jaykae I've been around a bit, you can't relegate me I'm like Real Madrid. #invasion

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mais Que Música: Feelin Good (Dumptruck)

Que aconteceu a dar importância às letras das músicas? O hardcore não era sobre isso? Agora só se vê letras que não interessam à prima. Fica aqui uma letra com significado que nos tenha feito pensar no seu significado mais do que uma vez. Afinal de contas, o hardcore também é sobre isso mesmo: pensar.


I've been feelin' pretty good today, 
so far nuthin gotten in my way, no money in my pockets but thats okay,
im gettin by just fine today....
tryin to cut me down to your size
im tryin to make you see life through my eyes,
things go wrong it seems like everyday,
positive & negative just get in my way,
cant waste my time living in the past
wont waste my life in a fantasy trapped
you'll find out what ive known all along,
you cant always smile when things go wrong,
and things are going wrong now!

things been goin all wrong today,
so far nuthins gone my fucking way,
fear and depression ruling my day, 
but ill get through to fight another day! 

Dumptruck/ The Wrong Side = amor infinito.

Esta letra fala um bocado de algo que todos nós vivemos no nosso dia a dia, dos nossos bons dias, dos nossos maus dias, e de como há sempre obstáculos à nossa felicidade. Por mais chunga que a nossa rotina esteja a ser, seja por um gajo estar com problemas no trabalho, com a namorada ou algum stress familiar, essa merda há de ser ultrapassada, de uma forma ou outra.
Ainda que um gajo queira olhar sempre as coisas de forma positiva nem sempre dá para meter a máscara com o sorrisinho na cara a dizer que está tudo bem. A dada altura a máscara tem de cair, seja porque há que encarar os problemas de frente, seja pela gravidade dos mesmos. Não é bater no fundo do poço e não querer sair de lá, não é a fecharmo-nos a nós próprios num casulo, isolando-nos dos nossos amigos e fugindo aos problemas que as coisas se resolvem. Aliás, acho que é aqui que um gajo tem de recorrer aos amigos, aqueles mesmo verdadeiros, e abrir-se com eles porque mesmo que não tenham a chave para te endireitarem a vida, estão lá para te aconselhar ou dar uma palavra amiga. 

Acho que essa tal necessidade de se encarar as coisas de uma forma positiva e de que tem de haver uma luz ao fundo do túnel é o primeiro passo para seguirmos em frente e ultrapassármos os problemas. Afinal de contas, certamente surgirão novas lombas no teu caminho, nesta estrada da vida (olha que lindo que isto ficou!). Ao menos aprende-se com a experiência, com os erros, criam-se novos laços, rompem-se outros. A vida é mais do que um paraíso em que tudo nos cai nas mãos, ou um inferno em que o buraco não tem fundo por isso vou-me atirar de cabeça porque já não quero saber de nada...

Sem querer soar demasiado farsola ou lamechas, valorizem os vossos amigos, e estejam disponíveis para as coisas boas e más. "Always a friend for life"

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Review: Citylights X-Mas Fest #1 @ Campo Grande, Lisboa


Combinei apanhar o Bruno em casa até porque o miúdo ia para as Caldas a seguir de camioneta e ia cheio de malas. Chego lá e ainda está a passar músicas e com tudo por arrumar. Atrasámo-nos um bocado, mas nada de grave.

Chegámos ao Campo Grande eram quase 5 mas ainda bem a tempo de ficar na palhaçada com o pessoal, ir lá dentro ver a distro do Boris, sempre com coisas novas. O split de Boiling Point e The Skrotes já está disponível e é bem fixe ver o resultado de tantos meses de trabalho e espera. O Rafa estava lá, e andou na galhofa a fazer os censos do straight edge e a desenhar x's nas mãos do pessoal, até ao Cabeças...se os vídeos aparecem na net, a polícia do straight edge cai-lhe em cima e está tudo fodido...

Bom, à última da hora falei com a Joana e deu para meter a mini-distro numa das mesas, a meias com o império da Destroy It Yourself. O Fábio não me conseguiu safar as zines a tempo, pelo que ficará para a próxima a distribuição desse material cá em baixo. A ver se esta semana ainda trato disso.

Porreiro ver tanta malta a um Domingo à tarde, na véspera da véspera de Natal, num concerto em Lisboa. Se a sala estaria cheia? Não, mas daria para estar bem composta. Espero que tenha dado para safar as despesas e que se tenham conseguido uns brinquedos porreiros para distribuir pelas Aldeis de Crianças SOS. E ainda havia um deal porreiro para ficarem com o número #2 da fanzine Citylights a um preço bem bacano.

Bom, pouco depois o concerto começou, deviam ser umas 5.30 se tanto, com os miúdos The Fall Apart. Não só acrescentaram o "The" no nome da banda como fizeram umas trocas na formação, o que, a meu ver, melhorou considerávelmente o som da banda. Não vou dizer que sou apreciador do som que ela pratica, mas há que reconhecer que a banda tem potencial. Aqueles dois breakdowns pesadões é que me parecem desnecessários, fugindo um bocado ao som da banda, mas pronto, na volta deve ser para aquecer as articulações dos que vão para lá girar o braço.

A sala já nessa altura estava bem composta, mas o pouco pessoal que tinha ficado lá fora entrou pouco depois já que iam actuar os No Good Reason. Não sei quem tinha de bazar mais cedo e acabaram por serem logo os segundos a tocar. Foi o regresso aos palcos do chefe PZ e do Bráulio, no que tem sido o já (mais ou menos) habitual concerto anual da banda. Deu para matar saudades e para dar um concerto do caraças. Abrir com as cornetas a anunciar a New Direction de Gorilla Biscuits? É porque não deu logo confusão na primeira faixa! A partir daí tocaram umas quantas faixas da banda, umas mais antigas e outras do mais "recente" ep, com covers de Millencolin e The Offspring à mistura (corrijam-me se estiver enganado, chumbei na cadeira do punk rock). A sério, das bandas mais bacanas que cá temos, fazem uma ponte entre hardcore e punk rock como poucas e é sempre uma festa quando tocam.

Por fim tocaram os The Skrotes, com a sala menos composta fruto de alguns abandonos após o concerto de No Good Reason. Ainda assim, umas 30 (mais?) pessoas para ver a malta do skate do Seixal e o Bruno "faz-tudo" Palma a safar no baixo. Se a malta queria música rápida acho que teve o que pediu, e ainda deu para aquecer um bocadinho numa tarde/noite cada vez mais fria. Muitas vezes ouço dizer que a banda é melhor em disco que ao vivo", que ao vivo é "demasiado rápido e confuso". Talvez, mas tocam com mais feeling e vontade que muitas. Peguem o disco e ouçam as bandas antes de rotular as coisas. Bom concerto e boa banda.

Findado o concerto o pessoal ainda esteve lá na fofoca mais um bocado, o Bráulio ainda andou a dar umas t-shirts em 2ª mão que encontrou em casa e levou para vender, ainda tive a trocar umas coisas com o Boris e a falar do novo spot no Intendente com o Bruno Palma. Estava lá a falar com os irmãos Luz e olha para o Bruno das Caldas e vejo-o a rir sozinho feito parvo. "Tás a rir-te sozinho do quê?" - "Epa, do concerto. Curti bué! Ainda estou aqui a pensar na cover de Gorilla Biscuits!!". Para primeira vez que viu a banda, parece que causaram boa impressão no moço. Aliás, acho que todos os que meteram os pés no Clube Joaquim Xavier Pinheiro saíram de lá com razões para sorrir.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Playlist da Semana #25

Todas as semanas, a Playlist da Semana. Porque no partilhar é que está o ganho.


Pink Floyd - Dark Side Of The Moon - Discos que não são discos, são viagens; músicas que não são músicas, são arte. Yup, definia os Pink Floyd assim na boa. Podia dizer que me arrependo de não lhes ter dado uma chance antes (foi só à entrada de meio dos 20s que lá cheguei) mas, vendo bem, isto é uma banda que requer um ouvido experiente e que sabe o que está a ouvir e um estado de espírito bem relaxado. Palavras para quê? É um dos meus discos preferidos e um que oiço com regularidade. Se lerem coisas escritas por mim, as chances de terem sido escritas ao som de Pink Floyd são gigantes. Curioso? Bons headphones, luzes apagadas e vontade de saborear cerca de 45 minutos de prazer em forma de som devem-te safar.

Metallica - Master Of Puppets - Primeiro disco de Metallica que ouvi e comprei? Check. A primeira malha foi a Enter Sandman, na Rádio Cidade. Devia ser o quê? 1991 ou 1992? Lembro-me de achar a entrada brutal e curtia bué a música. Explica algumas coisas. ANYWAY, uma vez ouvi alguém dizer (isto antes dos Metallica virarem lixo) sobre eles que o disco preferido de cada um vai ser o primeiro que ouviram da banda. Será? Hoje em dia já não sei, mas o Master of Puppets é bem especial para mim. Acho que foi o primeiro disco de metal que comprei. Só músicas com mais de 5 minutos? Tu és tolo.

Red Aunts - Ghetto Blaster - Quem me conhece já sabe que tenho um fraquinho por bandas de rock com miúdas, né? Acho que revela atitude - e eu adoro isso. Miúdas do rock são o melhor tipo de miúdas. Mesmo do boa onda - adoro. Adiante. Não, esperem. Quem é que nunca viu o Natural Born Killers? Alguém ainda não viu?! Fala sério mermão, só se vive uma vez. L7 com a Juliette Lewis a dançar de cowgirl e a dar porrada como gente grande? Vejam até ao fim e agrafem-me à parede. Adoro. Quanto a Red Aunts, se não curtirem... sinto muito - se todos tivéssemos bom gosto metade das conversas no mundo iam ser bem aborrecidas.

Slayer - South Of Heaven - Diabretes atómicos, né? Não é o meu preferido, mas este disco é uma filha putice demoníaca. O que o Reign In Blood tem de rápido este tem de pesado. Dá para não amar Slayer? Hmmm, normalmente o pessoal que não curte é aquele que depois só curtes bandas emo da tanga. Da última (e única?) vez que vi Slayer, eles tocaram bué músicas novas e não curti muito. Nada contra, mas prefiro as cenas mais antigas.



One Voice - Break Free - Esta semana eu e o Miguel fomos buscar o Rafa ao aeroporto. O Rafa impôs duas condições: irmos a um restaurante jantar e ter CDs com youth crew no carro. Mais que isso, ter "a melhor banda europeia de sempre" - One Voice. Gostos à parte (Dead Stop sempre lá em cima, a bater no tecto), não conhecia esta banda mas é granda malha. Putos belgas pré-adolescentes a tocar mistura de Youth of Today com Straight Ahead e essa maralha de NY, mas com uma voz parecida à do Filip de Justice, a provar que mais uma vez a Bélgica foi (e é!?) solo fértil para boas bandas.


GIVE - Voodoo Leather - Eu nem sou destes rocks psicadélicos, mas esta banda conquistou-me. Calhou bem terem disponibilizado as faixas gratuitamente um dia depois de me ter chegado a casa esta tape (o Sandy deve ter feito das suas por Washington também, chegar dois meses depois ao destino...). A forma destes gajos trabalharem é do caraças, a tape vinha com uma zine com as letras, artwork, fotos e mil merdas de "apoio" à música. Esta malta está decididamente a fazer as coisas da maneira certa! Ah, os bacanos têm uma espécie de mailing list/fanclub em que mandas para lá um postal com a tua morada e eles mandam-te cenas à pala para casa! Por enquanto acho que são autocolantes e coisas mais miúdas, mas planeiam alargar a discos e shirts... power! 

Brotherhood - As Thick As Blood - A malta toda já sabe que o André é um bocado purista. "Ah e tal, isto é fixe mas para ouvir a banda onde roubam vou ouvir a original" é aquele comentário que tão certo como encontrar o Colombo à pinha no fim de semana antes do Natal (nota mental: dar-lhe discos mais "desafiadores"). Bom, a propósito da nova promo de Step Forward os Brotherhood obviamente vieram à baila e como sou um miúdo que gosta de ir buscar ali a pasta dos mp3 já cheia de pó para voltar a ouvir os clássicos, claro que depois acabou por ser um dos meus companheiros nesta semana bem menos agitada, com mais tempo livre e mais tempo para meter umas coisas em dia. As mudanças de tempo que esta banda praticava eram brutais, e algo que, na gíria popular, se traduz no ordinário "parte-me a piça em três". Não sou grande adepto de mutilação genital, mas se Brotherhood for a banda sonora ainda penso duas ou três vezes antes de dizer não. 

Think Twice - Deficit Youth - O puto Fábio já tem aí a zine fora, e ainda que não tenha conseguido apanhar cópias da mesma à data em que escrevo estas palavras, a amostra que ele deu pareceu-me cinco estrelas, e um salto tanto quantitativo como qualitativo na sua Be Yourself. Como sou um cusco, reparei que fala lá neste disco numa página em que tem uma playlist/lista de discos do ano, o que somado ao facto de ele me ter falado nesta banda múltiplas vezes me fez, finalmente, ir ouvi-la. Mais uma banda do Reino Unido, uma das muitas da nova vaga que apareceu no último par de anos. Youth crew hardcore, sabes como é que é, lento, rápido, lento, rápido.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cinco Às Quintas: Tiago Gil (Backwash Recs)

Esta é uma rubrica em que colocaremos (quase) todas as semanas, à quinta-feira, uma pequena entrevista com cinco questões a uma banda. Esta semana decidi mandar umas perguntas ao meu co-autor aqui do blog, que acho o projecto dele bem fixe e digno de relevo aqui por estas bandas. 

Muito rapidamente, como é que surgiu a Backwash Records e qual foi a motivação principal por trás dela? Tenho ideia que sejas a única pessoa por trás da editora, estou enganado?

A Backwash surgiu depois de algum tempo a pensar como poderia fazer algo mais no hardcore, sendo uma cena da qual me sinto pertencente já há uns 8 ou 9 anitos. Sempre quis fazer uma banda mas as poucas tentativas para tal acontecer nunca deram fruto. Simultaneamente, o meu romance com os discos de vinil e as cassetes foi-se tornando algo cada vez mais sério até que pensei se não seria fixe dar à luz uns quantos rebentos fruto dessa relação (olha para mim todo literário e cheio de metáforas). Por acaso a ideia andava a ser pensada há algum tempo mas depois de uma visita a casa do Miguel e de ter andado a ver parte da colecção dele é que se deu aquele click e comecei a querer andar com as coisas para a frente. Falei com o PZ e o Louie da Black Rain e com o Ema da Juicy, bem como com o Vítor da Shut Up And Play para ter uma noção de como fazer as coisas e alguns meses depois saiu a tape de SHAPE e o split de Local Trap (quase em simultâneo, o que não era suposto) e comecei a mandar vir umas coisas para a distro.

A editora sou apenas eu, mas conto com vários amigos que me vão ajudando nas mais diversas coisas. Desde ajuda a nivel de artworks e trabalho gráfico onde sou um zero, a questões de logística com o fabrico das tapes até à simples promoção e ajuda em trocas com outras editoras e afins. O volume de negócios ainda não me obriga a contratar meia dúzia de chineses a baixo custo, ahah.

Como é ter uma editora/distribuidora em Portugal? Dirias que é um trabalho ingrato ou consegues encontrar apoio suficiente para continuar a alimentar novos lançamentos e discos para a distribuidora?

Não diria que é um trabalho ingrato, mas obviamente que tem as suas dificuldades, especialmente pelo facto de existir pouca malta a comprar discos. É assim, eu também tenho pouca coisa à venda, poucas cópias, e nem sempre o que tenho são de bandas conhecidas ou do hype o que não ajuda a um escoamento rápido, mas muito sinceramente não me posso queixar. Tenho um punhado de "clientes" habituais, que têm gostos similares aos meus e que acabam por me ficar com as coisas.

Costumo mandar vir coisas que gosto, por vezes numa tentativa de mostrar o que se vai fazendo fora das grandes editoras norte-americanas. Obviamente que curtia arranjar mais discos, chegar ali à Revelation ou à Deathwish, pegar na enorme lista de titulos que têm disponíveis para distros e mandar vir mil coisas, mas o dinheiro não dá para tudo, a alfândega não ajuda, e depois pensar que não me posso meter em tonteiras e empatar bué guita em algo que não sei quando serei ressarcido (se é que o serei). Pá, mas a chama ainda arde forte, e a vontade é de apostar em mais cenas para a distro, é surgirem bons deals e eu tentarei estar lá a mandar mails às editoras. Convem é que me respondam, ahah.

Os dois lançamentos até à data correram bem, ainda me sobram umas quantas cópias mas não estou demasiado preocupado com isso. Agora com mais tempo a ver se faço um forcing aí numas trocas e se tento libertar esse peso extra no caixote da editora. Pá, e depois cá em Portugal acho que tens pouca cultura de compra de discos. O pessoal cá acho que quer é merch. Aliás, isso nem é uma fenómeno nosso, acho que é mesmo a maneira de as coisas serem um pouco por todo o lado, a diferença é que tens um rácio maior de malta a comprar discos/malta a comprar merch. Eu já falei um bocado sobre isso num texto que está no blog, toda esta predominância do merchandise e no fundo da solvência financeira das bandas/editoras. É irem dar uma olhada!

A situação económica do país é outra coisa que acaba por afectar o pessoal. Largar 4 ou 5€ por um disco de vinil, quando podem ouvir isso à pala em casa é algo que faz sentido para muita gente. Mas o que interessa é que há malta interessada em vinil e em cassetes, e vou conseguindo aos poucos escoar o que mando vir para poder mandar vir coisas novas.

Qual é o teu modus operandi? Trabalhas só online ou também levas a banca para concertos, Feira da Ladra, Colombo, etc?

A minha forma de trabalhar é um bocado "personalizada", o que se calhar dificulta uma maior promoção e captação de público. Também fruto da minha maneira de ser, não gosto de ser chato e andar a melgar o pessoal para fazer likes, procuro promover a editora com calma, sem forçar ajudas, porque a meu ver tem de ser algo que devo ser eu, como responsável, a fazer. Mas a parte da promoção é sem dúvida algo que tenho de começar a focar-me e a investir um pouco mais, ter mais material promocional e tentar dar mais visibilidade à editora. Isto sem ser chato, que não sou os gajos do CityBank a tentar arranjar clientes.

Costumo levar a banca para parte dos concertos a que me desloco, tendo em conta a minha disponibilidade e a possibilidade de o fazer. Acho que é o mais importante se tens uma editora ou distro, estares presente para mostrares o que tens, falares do que tens e no fundo criares ligações com as pessoas. É um complemento essencial ao teu catálogo na Internet. Ainda não fui para feiras nem para a porta do Colombo, mas é uma ideia a estudar. Há a vontade de fazer aí uma pequena feira do disco/zines/etc num futuro próximo, é algo que alguns amigos estão a planear e que conto fazer parte.

Fala-me um pouco dos lançamentos que já fizeste e apresenta-os um pouco aos nossos leitores, decerto que há muita gente que ainda não ouviu falar das bandas e - eventualmente - até queira abrir os cordões à bolsa (dica).

Bom, até agora fiz pouca coisa, ahah. Lancei a tape de SHAPE e fiz parte do conjunto de editoras que lançou a split tape de Local Trap e Knives Out. O primeiro lançamento foi a demo regravada de SHAPE, que era uma banda que na altura estava a dar dos melhores concertos em Portugal e que não tinha nada editado (fora a primeira demo, ainda com a primeira formação), pelo que me cheguei à frente e falei com o Cabeças e o Peter e eles curtiram a ideia. Depois de vários atrasos (que expliquei em maior detalhe num post do Coisas Com História), ela lá saiu, praticamente em simultâneo com o split. Depois de um período de pausa na banda eles voltaram ao concertos e o gás não se perdeu, das melhores bandas ao vivo que temos no nosso país. Quem andou a dormir é bom que abra a pestana e os vá ver!

A minha participação no split surgiu em conversa com o Vitor da Shut Up And Play, que me falou no lançamento e perguntou se estaria interessado em participar. A resposta foi rápida, e em pouco tempo a tape estava cá fora. Os Local Trap tocam um hardcore mais sujo, com cenas meio crust, e os Knives Out (que acho que entretanto acabaram e deram lugar aos Nihilistic Bastard) também vagueavam por esses antros de escuridão.

Bom, desde esses dois lançamentos já se passaram uns quantos meses, e restam-me meia dúzia de cópias da tape de Shape. As tapes do split já foram todas à vida e creio que poucas cópias ainda circulam pelas diversas editoras do split, o que é bom sinal. Aproveito para deixar aqui o meu sincero obrigado a quem me ajudou a recuperar o investimento ao comprar as ditas! Quem não o fez ainda está bem a tempo!

O que é que o futuro reserva à Backwash? Que tipo de lançamentos podemos esperar? Para os que não estão acerca, deixa aí a melhor forma de entrarem em contacto contigo.

O futuro... Bom, no horizonte existem duas coisas mais ou menos acertadas: Uma já anunciada, a live tape de Challenge, que entretanto foi adiada para início de 2013, e a participação num lançamento, em vinil, de uma banda nacional. Depois estou um bocado dependente do aparecimento de novas bandas no panorama nacional que me digam algo e que me façam querer apostar nelas. Se elas surgirão já é outra questão, ahah. Mas tenho confiança, há malta nova a mexer-se, e alguma coisa excitante há de acontecer.

Fora isso vão continuar a surgir as newsletters, com maior ou menor regularidade, em que vou falando das novidades da editora e tendo umas reviews e umas entrevistas e algo do género. Distribuição gratuita, claro. Na distro hão de surgir novidades, haja dinheiro e malta a comprar o que vou tendo e não prevejo abrandamentos na busca de novas coisas, pelo contrário.

Bom, então para quem não me conhece podem sempre fazer gosto na página do Facebook da Backwash em www.facebook.com/bckwshrecs, ir dando uma olhada na página do bigcartel em http://backwashrecords.bigcartel.com/ e contactar-me para o email backwashrecs@gmail.com. Respondo sempre a tudo e a todos, e procuro manter sempre o pessoal a par do que se vai passando no império da Backwash.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Discos Trocados: Nirvana/Valete

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada. Esta semana - a vigésima quinta desde que começámos esta rubrica - decidimos não nos cingir ao hardcore, só por piada. Curtam aí...

Tiago
Nirvana - Hormoaning (1992)

Nunca tive uma relação muito boa com Nirvana. Nunca achei piada à onda depressiva do grunge e sendo eles o expoente máximo do género nunca lhes liguei peva. Ya, claro, um gajo é sempre bombarbeado com Nirvana em todo o lado, que remédio tenho eu de os gramar quando isso dá algures, mas sempre procurei manter os meus ouvidos a salvo da voz do cheirado do Kurt. Escusado será dizer que ganhei um certo ódio de estimação pelo Nevermind e em especial pela Smells Like Teen Spirit. Sabes quando uma coisa dá tanta vez e vês tanto azeite a escorrer graças a ela que te começas a abominá-la, ainda que no seu intímo nem seja assim tão má como a pintas? É um bocado assim a minha relação com Nirvana. Hate me now.

Quando o André me manda isto para ouvir estava à espera daquela cena um bocado, mas este ep nem é tão mau como isso. Quatro covers e duas originais, com covers de Wipers e de Devo deram um pontitos aos gajos. A voz sumida do Kurt não me apraz, mas até se ouve bem. O Dave é que há de ser um gajo bacano pra caralho. Não só toca bué como aparente ser um tipo divertido. Ia na boa passar uns dias com o gajo, desde que fosse ele a financiar as férias, não havia de lhe fazer grande mossa...

André
Valete - Educação Visual (2002)

E quem é que curte bué Valete? Tu? Se curtes bué Valete faz de conta que eu gosto deste disco e não leias mais! Obrigado pelo teu tempo. Não, mas a sério... hip hop tuga. Eu curto bué de hip hop, não tudo, claro, mas muitas cenas. Algum gangsta rap da Califórnia dos fins de 80, muito hip hop nova-iorquino de inícios e meios de 90 e... pouco mais. Toda aquela onda funky e girinha e bonitinha não dá para mim. Hip hop assim mais goofy? Ainda menos. Se não for sobre miúdas, carros, armas, violência, etc, as chances de me interessar são muito curtas. Rapper preferido? Big L, como se não soubessem. Anyway, I digress... Acho que nunca tinha ouvido isto com atenção, mas posso começar pela capa: não. Em 2002 já havia Photoshop. 

Mas a sério, o som lembra-me as tapes do Bomberjack e essas ondas assim mais hip hop alegre e menos hip hop escuro e desde que o Halloween apareceu na cena que praticamente não oiço mais nenhum rapper tuga. Fasquia demasiado elevada. Na boa a quem curte: o hip hop não é a minha cena, sou um puto do hardcore. Venham atrás de mim por dizer que o Hallo está no topo da liga dele. Me? I always tell the truth, even when I lie.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Review: Porto Hardcore Benefit #1 @ Altar, Porto


Provavelmente este foi o melhor cartaz cá no Porto de 2012, juntando isso ao facto de ser Benefit: não dava mesmo para faltar.

Com dúvidas no hórario do concerto, a mulher querer andar a fazer compras mais boleia de familiares até ao Porto, fez com que eu e a mulher fossemos os primeiros a chegar a sala do concerto. Aproveitámos e fomos ao Pingo Doce comprar mantimentos para o antes e o depois dos concertos. Com o passar do tempo o pessoal foi chegando e trocaram-se dois dedos de conversa, enquanto o bar não abria. No meio da conversa acabei por perder a noção do tempo, por isso não faço a mínima ideia a que horas começou, mas penso que não atrasou muito.

Just Say No! foram os primeiros a tocar, ninguém estava à espera pois foi o concerto supresa da tarde/noite. A banda é composta pelo Fábio de São João da Madeira na voz (att, a zine dele já esgotou mas vão checkar a cena para se sentirem mal por não terem comprado) o Xicote na bateria, o Felix na guitarra e um outro rapaz que não conheço, no baixo. Tocaram 4 músicas se não estou em erro, bem rápidas e acabaram o show com uma cover de Time X, e assim foi o principio de uma banda que, com certeza, vai tocar muito por aí.

A seguir tocaram as bandas da 'casa', Cruel Mind e os Shitmouth, com sets rápidos como sempre e com uma adesão bem fixe do público. É bué bom ver estes projectos novos a ganhar força (Attn, acho que os
Shitmouth lançaram ou estão para lançar algo pela SUAP, dêem um check!)

De seguida tocaram os Birds que nunca tinha conseguido ver ao vivo (ATW, SB! - Ex-Bar Undergroud) e só posso dizer que é mesmo, mesmo bom! Hardcore mais 'negro' com grande instrumental (bem, o pessoal manda uma atitude a tocar que só visto) e com uma voz que encaixa mesmo no ponto, se bem que o cabo do micro se fodeu e passámos parte do concerto só a ouvir o instrumental... Mesmo assim, passaram o teste com distinção ahah! (check na demo que estes pequenos pardais acabaram de lançar. Vale mesmo a pena!).

Passadas duas semanas voltaram ao mesmo espaço os Challenge. Não há muito que dizer, mocada para ali, pontapés para acolá, nódoas negras (este sou eu a comer mesas com a testa), sing along e isso tudo. Acabaram o concerto com a cover de Black Flag pois foram obrigados pelo público a tocar (checkem o promo com 3 músicas que eles fizeram, custa 2€ e é bem bonito).

E então chega o momento que eu mais esperava, SHAPE! Começaram o concerto com a Rotten Inside o que fez com que a sala virásse uma selva com toda a gente a cantar/gritar a letra. De seguida tocaram outra música da qual não me lembro (deve ter sido da pancada na cabeça) mas sei que a 3ª ou 4ª foi a Life is Hard e deus me livre, que jarda de música! Repetiu-se o filme do início do concerto. Mesmo lindo. Mas o momento da noite estava guardado para quando tocaram a 92 de X-Acto, que inferno aqueles 2 minutos, toda a gente a cantar e dançar, que feeling brutal! Acabaram o concerto com uma cover de Have Heart que caiu que nem ginjas. Para mim Shape é uma das melhores banda do país, o Cabeças é um monstro em palco, as letras são soberbas e o pessoal é mesmo bacano!

Entretanto vim apanhar ar cá para fora e fiquei à conversa com o meu sempre fiel amigo Valente e o pessoal de Shape e acabámos por nem nos aperceber que DWC tinha começado, e entretanto acabado...falha minha, curtia ter visto os rapazes.

Agora vamos à parte menos boa... Este concerto teve provavelmente um dos melhores cartazes que por cá passou no último ano. Era Benefit, a um hórario fixe, numa sala que toda a gente conhece, um preço justo (6 bandas que acabaram por ser 7 = 5/6€). Havia jantar por 1€. E mesmo assim apareceram 30 e poucas pessoas. Acho mesmo ridículo, 3 bandas do Porto e 3 bandas de fora só trazerem 30 e poucas pessoas. O concerto foi bem publicitado e marcado com antecedência. É verdade que haviam outras coisas na cidade nesse dia (Fest Punk na Casa Viva e Valete no Hardclub), mas mesmo assim não há desculpa.

Tenho pena por quem marca os concertos e se esforça em fazer as merdas acontecer duma maneira fixe (quantos Benefits houve nos últimos tempos, no Porto?) e acaba por ficar a arder. Esta é uma das razões para deixar de marcar shows e quando isso acontecer, não vejo muito mais gente a querer marcar concertos, ou seja, acredito que em breve os concertos comecem a ser bem poucos. Esperemos que não...

Valeu pelas coisas que se conseguiu juntar para as pessoas sem abrigo (ah, também achei uma beca falta de respeito não ter lá estado alguém do grupo Coração na Rua, mas not my business...), pelo ambiente sempre bacano que esteve lá dentro e pelos bons concertos que as bandas deram. É bacano ires embora no comboio a ler uma zine e a pensar que alguém já vai ter uma refeição ou um cobertor para ajudar a proteger do frio.

Já agora, se passarem pelo jardim do Carregal (bem perto do Altar), olhem para a entrada de um dos prédios e irão encontrar um senhor de muletas que, se lhe derem uma sandes, pacote de bolachas ou apenas uma palavra, irão sentir que foram abençoados. Acreditem, sabe mesmo bem!

Até à próxima! E já sabem: menos facebook, mais concertos!

Review pelo Luís Silva, El Tractor de Paredes aka o homem que sai sempre com mazelas dos concertos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Discos Trocados: Carry Nation/J.F.A.

Todas as semanas trocamos um disco entre nós e falamos um pouco sobre o disco que nos calhou - tanto pode ser um clássico como uma porcaria autêntica, mas é aí mesmo que está a piada. Esta semana vem (outra vez...) com uns dias atraso, oops!

Tiago
Carry Nation - Face The Nation (1989)

Isto é fixe. Não me lembrava de ter ouvido isto, malta de Insted e No For An Answer ao barulho, mas o som é algo diferente, mais "pesado" e lento, mas com uns cheirinhos que te fazem pensar que realmente faz sentido tocarem aqui os manos dessas bandas. Ep com quatro malhas, ouve-se bem, "curto e grosso", como diz o Miguel. Até curtia ter as letras disto para checkar que parece que dizem umas coisas interessantes...Engraçado que foram buscar o nome a uma radical anti-alcool que atacava saloons com um machado, ahaha. Ri-me bué a ler a história da mulher. Oh well, antes isso que nomes de merda com frases inteiras.

André
J.F.A. - Blatant Localism (1981)

Granda clássico. Curto bué. Prémio nome de banda mais bizarro de sempre? Jodie Foster's Army? lol, brutal. Hardcore rápido (e lento, aquelas partes à Circle Jerks) bem do skate e com aquele cheirinho a Verão, ah... hardcore da costa oeste, you can't beat the feeling. Bom demais. Este por acaso não é o meu disco preferido deles, acho o LP bem mais interessante. Valley of the qualquer cenas. Será que é por nesse disco eles meterem uma série de influências do surf rock incluindo uma cover bem bacana da Walk Don't Run? Possível, possível. O Pulp Fiction mudou mesmo a minha vida, surf rock é mesmo uma cena brutal. Não conhecem nada? Busquem Dick Dale, Rivieras, Surfaris, Trashmen...